Trinacria

 Ilha-Monstro

Rei: Cócalo
Cidades: Kamico, Eólias, Etna e Aretusa
Idioma Local: Etrusco

Alessandro D’Anna 1746-1810

A Ilha-Monstro fica ao sul do território da Etruria, na ilha conhecida como Trinacria. O local é dominado por monstros que sobreviveram a inúmeras catástrofes por incontáveis milênios, incluindo o grande dilúvio de Zeus. Entre estes monstros, temos os violentos Ciclopes e as aladas Sirenes.

Além disso, no centro da ilha está localizado um grande vulcão, onde o mais perigoso monstro que já pisou sobre a Terra está aprisionado. Até hoje, no local, ocorrem erupções vulcânicas que jogam muita lava e fumaça sobre a Terra. Estas, na verdade, são as baforadas da criatura quando está com seu ânimo aflingente. Vem dele também os ventos sem direção que tanto dificultam a navegação local.

Essa é realmente uma região extremamente perigosa. Só uma intervenção divina explica a chegada dos colonizadores micênicos em sua costa. O explorador Cócalo navegou por esses difíceis ventos e desembarcou ao sul da ilha. Lá, fundou um porto comercial e único povoado humano da ilha, chamado de Kamicos, onde vive até hoje.

Nesse percurso, o rei Cócalo navegava os mares ionianos quando encontrou uma bela mulher num barco à deriva. Ela se chamava Sicília, que mais tarde soube ser uma princesa das terras do Deserto de Faeton. Ambos Cócalo e Sicilia se casaram e resolveram assentar seus marujos e comerciantes na ilha. Fundaram assim o porto de Kamicos. O porto até hoje é local obrigatório para se alcançar as Hesperides, além do mar Ioniano. Afinal, a costa sul da Talassa é o inóspito deserto da Líbia e a passagem norte é fechada pelos monstros Caríbidis e Cila.

Cócalo e Sicília logo descobriram que a ilha era habitada por seres tão violentos quanto os Ciclopes e tão irracionais quanto as Sirenes. Felizmente, o melhor engenheiro de todo o mundo estava como clandestino na sua embarcação. O genial Dédalo, atualmente um fugitivo da ilha de Cnossos, foi capaz de criar altas muralhas de troncos e armadilhas ao redor do porto de Kamicos para manter as ameaças afastadas da população.

A cidade assim cresce apesar do contato com Micenas ser bem limitado por causas dos ventos dispersos e contrários vindos do Tifão. A população tem prosperado muito melhor do que o esperado pelo rei Cócalo e a rainha Sicília. Também o engenheiro Dédalo está contente com a proteção que tem recebido do casal, especialmente, por mantê-lo escondido do rei Minos. Agora, os três esperam que seu povoado continue a crescer.

 

Dédalo

Dédalo é o inventor que fora contratado por Minos para construir uma prisão para seu monstruoso filho: o Minotauro. Ele assim criou o magnífico Labirinto. Infelizmente, o rei Minos, preocupado que este revelasse os segredos do labirinto, prendeu Dédalo e seu filho ajudante Ícaro em seu interior, junto com o Minotauro. Ambos estavam condenados a morrer em sua própria criação.

A engenhosidade de Dédalo sempre foi formidável. Ele criou asas artificiais para que, com seu filho, pudessem escapar voando pelos céus. No caminho, infelizmente, seu filho ficou muito próximo do sol derretendo suas asas. Ele caiu no mar da Talassa e nunca mais foi encontrado. Apesar do sofrimento, Dédalo continuou seu percurso até chegar à cidade de Kamikos, onde vive até hoje. Dédalo se mantém como um grande inventor e engenheiro na corte do rei Cócalo de Kamikos. Ele tem mantido sigilo absoluto sobre sua identidade temendo ser descoberto pelo rei Minos. Mesmo com a identidade oculta, ele continua sendo procurado heróis que se aventuram na Ilha-Monstro, criando para eles equipamentos especiais como suas asas voadoras ou as bestas atiradoras de flechas.

[Apd.2.6.3, 3.1.4, 3.15.8; Apd.Ep.1.8, 1.12-14; Dio.4.76.1, 4.77.1, 4.77.6; Hdt.1.170; Hyg.Fab.39, 40, 244; Ov.Fast.4.284; Pau.7.4.4, 9.3.2, 9.11.5; Plu.The.19.5; Strab.6.3.3.]

 

Acestes

O bom Acestes veio de longe. Ele é chamado de o “troiano” exatamente porque nasceu na cidade de Troia, mas ele também é meio oceanida pela herança do seu pai Criniso. Quando jovem, Acestes cresceu inquieto e desejoso de uma nova vida. Ele assim resolveu embarcar na trireme do rei Cócalo para desbravar novas terras.

Desde que desembarcou na ilha da Trinácria junto com o rei Cócalo,  Acestes encontrou grande prosperidade. Hoje, ele fundou a pequena vila de Drepanum com alguns de seus companheiros e servos, onde hoje possui um bom porto. Esse porto pode não ser tão rico e influente quanto o da Sicília, mas muitos preferem aportar nele pelo boa recepção que este troiano realiza a todos os recém-chegados.

[Ov.Met.13.83; Hyg.Fab.273; Vir.Aen.5.35ff.].

 

Acamenides

O guerreiro chamado Acamenides não teve tanta sorte na ilha da Trinácria. Ele descobriu da pior maneira porque o local é chamado de Ilha-Monstro, pois, ao desembarcar com seus companheiros, eles foram atacadas por um terrível ciclope. Por muito poucos, não foram mortos, mas todos conseguiram escapar de volta à sua embarcação, exceto por este Acamenides, que ficou abandonado.

Os companheiros de Acamenindes acreditaram que ele estava morto. Felizmente, ele sobreviveu e hoje vive escondido nas partes mais entranhadas da ilha. Cada novo dia é um teste de sobrevivência em razões dos perigos da ilha, mas o guerreiro não perdeu a esperança de encontrar algum navio comercial ou algum grupo de exploradores para o resgatar e o levar de volta para sua terra natal na Ítaca, para os braços do seu pai Adamasto, que deve estar muito preocupado. E assim os anos tem passado, sem que ele encontre sinais de civilização.

[Ov.Met.14.161; Vir.Aen.3.614].

 

Polifemo

Os ciclopes são criaturas bestiais sem capacidade de emoções e sentimentos. A história do ciclope Polifemo mostra que isso nem sempre isso é verdade, pois ele era o único ciclope de bom coração da Ilha-Monstro. Ele estava apaixonado pela oceanina Galatea, uma bela mulher cujo coração foi conquistado por Acis, um fauno galanteador.

O ciclope fez de tudo para conquistar o seu amor: poesias, canções, até cuidou da aparência e se banhou no odor das flores. No entanto, a bela Galatea não sentia amores pelo horrível ciclope. A única coisa que possuía era pena por sua feiúria e pela rejeição que ele sofria de todos. A verdade era que todos zombavam da bela Galatea pelos cortejos do bom ciclope, mas ela via nele um bom amigo e confidente.

Certo dia, algo acontecera. A bela Galatea teve o seu coração ferido pelo fauno Acis. Estava tão magoada e triste pelo fim de sua relação que permitiu ser amada pelo feioso Polifemo. O bom ciclope finalmente conseguiu aquilo que sempre sonhou. Acordou ao lado do seu grande amor. Ele nunca esteve tão feliz em toda a sua vida.

Pela manhã, o bom ciclope irradiava felicidade. Juntou flores para presentear sua amada. Buscou Galatea por toda a ilha. Quando a encontrou, percebeu que a moça reatou o relacionamento com Acis. Neste momento, o ciúme subiu a cabeça do ciclope e o ódio encheu os seus punhos. Ele esmagou a cabeça de Acis com uma pesada rocha. As águas transparentes do riacho encheram com o vermelho do sangue. Nesse dia, a Ilha-Monstro perdeu seu único bom ciclope.

[Apd.Ep.7.4; Eur.Cycpassim; Hom.Od.1.69, 2.19, 9.passim, 10.200, 10.435, 12.209, 20.19, 23.312; Nonn.6.301ff., 14.65.; Ov.Met.13.744ff.]

 

Caríbidis e Cila

Annibale Carracci 1560 – 1609

Caribidis e Cila são dois monstros marinhos que percorrem as águas da Etruria destruindo embarcações e aterrorizando os navegantes. No entanto, ambos os monstros já foram belas mulheres que caíram em desgraça.

Caríbidis era uma oceanida, filha do deus Poseidon. Quando Zeus solicitou ao irmão Poseidon para inundar as terras da antiga Micenas em retaliação ao povo da segunda raça, Caribidis foi à responsável por lançar as ondas que tomariam as terras secas. Suas ondas engoliram vilas, inundaram campos e afogaram florestas tomando-as para o reino de seu pai. As ondas continuaram a avançar reclamando cada vez mais essas terras. O dilúvio parecia sem fim. Estava tão longo que enfureceu Zeus. As águas só pararam de avançar quando Zeus transformou a bela Caribidis em uma gigantesca água-viva.

Cila, por sua vez, era uma bela ninfa por quem o pescador Glauco ficou perdidamente apaixonado. O pobre Glauco, no entanto, teve o seu amor rejeitado. Ele contou a sua triste história para a feiticeira Circe. Mas, ao ouvir tão fortes sentimentos, Circe desejou o amor de Glauco para si. A feiticeira, então, lhe entregou-lhe uma poção do amor que faria a bela Cila se apaixonar por ele. Quando Cila tomou a porção, descobriu que, na verdade, era um potente veneno. A moça foi transformada num grande monstro com doze tentáculos, seis cabeças de serpente e três linhas de dentes em cada boca. Agora, o terrível monstro vive de atacar os navegantes da Talassa para aplacar sua fúria.

Caríbidis: [Apd.Ep.7.20-21; AO.1254; Hom.Od.12.85ff, 12.124, 12.223ff.; Strab.6.2.1, 7.3.6]

Cila: [Apd.Ep.7.20-21; AO.1254; Arg.4.828ff.; Hes.GE.13; Hom.Od.12.85ff., 12.124, 12.223ff.; Hyg.Fab.151, 199; Hyg.Pre.]