Hesperides

Os Limites do Mundo

Rei: Crisaor
Idioma Local: Ibérico

Frederic Leighton 1830 – 1886

Quando Zeus se casou com Hera, a Mãe Terra lhes deu um magnífico presente de casamento: as Maçãs Douradas. A deusa Hera sentiu tão grande admiração pelos frutos que quando a Mãe Terra lhe indicou o melhor lugar para plantá-los, ela cultivou o mais belo jardim ao redor. Não demorou para uma árvore nascer, bem no centro do jardim, dando frutos igualmente feitos de ouro. Com tão belo jardim, a deusa Hera logo se preocupou com invasores que pudessem destruir o local. Não apenas por causa dos povos locais, mas principalmente por aventureiros de outras partes do mundo. Ela decidiu colocar um dragão guardião que nunca dorme para o defender.

Há ainda uma ilha localizada além do território das Hesperides, já nas águas do Grande Oceano. Esse local é a Ilha de Eritria, onde o monstruoso Gerião resolveu se isolar com seu cão Ortro. É impossível para um explorador micênico chegar ao local de barco, pois o Grande Oceano não se conecta com o mar da Talassa. Isso porque as montanhas do gigante Atlas se conectam com as terras das Hesperides num pequeno estreito chamado de Muro de Gerião. Para chegar na Ilha de Eritria é preciso desembarcar nas Hesperides, atravessar seu território e embarcar noutro barco do outro lado do continente.

Existem muitos povoados humanos vivendo nas vizinhanças do jardim das Hesperides. Estes são Tartesso, que está mais próximo dele; El Agar, que vive na costa da Talassa de forma que será o primeiro lugar que um explorador pisará caso tente chegar ao jardim; Levante, que fica vizinho ao anterior, mais ao norte; e Cogotas, que fica ainda mais afastado ainda, dentro do continente.

O rei ancião Argantônio governa Tartesso, o povoado mais próximo do jardim das Hesperides. É passagem obrigatória para qualquer aventureiro que tente se aventurar nele, como também é o mais avançado. Enquanto os outros povos do extremo oeste vivem da agricultura de subsistência, a cidade de Tartesso vive principalmente da pesca e da metalurgia. A extração de bronze e prata dessas terras chamou a atenção dos povos da Fenícia. Eles se transformaram num importante parceiro comercial do rei Argantônio e o povoado de Tartesso tem mostrado um crescimento nunca visto antes.

 

Ninfas da Tarde

O Jardim das Hesperides está proibido para os mortais. Qualquer um que entre em suas fronteiras será atacado pelo gigantesco Ladon, o dragão que nunca dorme. Essa regra é seguida à risca por todos que vivem no território do estremo oeste. Os únicos que podem contemplar o belo jardim são os deuses imortais, o dragão protetor Ladon e as três ninfas da tarde que cuidam dele, chamadas Erítia, Hespéria e Aretusa.

As três Hesperides são conhecidas como as “Ninfas da Tarde” em razão do sol se pôr atrás do belo jardim o qual são responsáveis. Elas vivem num grande palácio e possuem o dom de profecia e da metamorfose. Elas acreditam que a violência é algo grotesco, por isso, sempre avisam aos aventureiros sobre o Ladon. Assim, conseguiram salvar muitas vidas com esse aviso, evitando mortes desnecessárias. Infelizmente, nem todos as escutam e acabam sofrendo os piores destinos nas presas do dragão.

[Apd.2.5.2, 2.5.11; Arg.4.1427; Dio.4.27.2; Hes.DF.5; Hes.The.211-215; Hyg.Ast.2.3; Hyg.Pre.; Nonn.4.121, 13.351; Pau.9.35.5].

 

John Singer Sargent 1856 – 1925

Gerião e Ortro

Apesar da aparência humana, o lendário herói Crisaor Belerofonte não faz parte de nenhuma raça conhecida. Ele nasceu do sangue da Medusa que, decapitada, fertilizou a Mãe Terra. Por essa razão, quando sua esposa oceanida Calirrhoe engravidou, ela não poderia esperar uma prole normal. Gerião nasceu com três corpos sobre suas duas pernas.

Assim, Gerião sempre viveu a margem na sociedade micênica. Com sua monstruosa aparência, ninguém nunca olhou para ele como um semelhante. Mas o seu coração é bom. Ele lutou ao lado do bem e ajudou incontáveis pessoas, sempre utilizando, em seus três corpos, três imponentes armaduras, três belos elmos e três longas lanças. E tinha ao seu lado um poderoso companheiro. Ninguém menos que Ortro, o cão de duas cabeças, filho de Tifão.

Gerião se aposentou da vida de aventuras. Hoje, ele só deseja a paz da vida campestre, onde não quer ser incomodado. Por essa razão, partiu para o extremo ocidente, além da Etruria, já na costa do grande Oceano. Ele vive ao lado de seu ajudante Euritião, do seu cão Ortro e de sua mulher Eriteia, uma das guardiãs do jardim das Hesperides. Agora, se preocupa apenas em cuidar do seu gado e realizar a sua colheita.

[Aes.Aga.870; Apd.2.5.10; DH.1.39.1; Dio.5.17.4; Hdt.4.8; Hes.The.287, 979; Hyg.Fab.151; Pau.10.17.5; Vir.Aen.6.289].

 

Ladon

om tão belo jardim, a deusa Hera logo se preocupou com invasores que pudessem destruir o local. Não apenas por causa dos povos locais, mas principalmente por aventureiros de outras partes do mundo. Ela decidiu colocar um dragão guardião que nunca dorme para o defender.

O seu nome é Ladon, um dos terríveis filhos de Tifão e Equinida. Os frutos dourados da árvore possuem propriedades mágicas. Elas fornecem a imortalidade para aqueles que os comem. No entanto, se o fruto estiver envelhecido ou sequer tenha tocado o chão, ele se transforma em bronze. Nesta forma, a maçã faz a discórdia entrar no coração daquele que a provou, causando inúmeros conflitos em sua vida. O Jardim das Hesperides está proibido para os mortais. Qualquer um que entre em suas fronteiras será atacado pelo gigantesco Ladon, o dragão que nunca dorme.

 

Atlas

A grande batalha para decidir os governantes de toda criação ocorreu entre os deuses olimpianos e a primeira geração de deuses Titãs. Os primeiros, que se colocaram sobre o monte Olimpo, eram os irmãos Zeus, Hades e Poseidon. Do outro lado, sobre o monte Otris, os titãs eram cinco: Ceos, Krio, Hiperion e Iapeto, liderados por Kronos. Só o grande o titã Oceano se manteve neutro, sem tomar nenhum dos lados.

Os filhos dos titãs também não entraram no conflito. Foram proibidos de participar por seus pais que sabiam a magnitude do combate. A exceção foi dos quatro filhos de Iapeto. Eles se dividiram entre os dois lados da batalha. Enquanto Meneceu e Atlas tomaram o lado paterno, ambos Epimeteu e Prometeu tomaram o lado dos olimpianos. Ou seja, guerreram contra os próprios pais. O confronto foi sentido por toda a Criação. O Mar rugiu, o Céu sacudiu e o Subterrêneo estremeceu. A Mãe Terra retumbou desesperada quando o próprio Céu desabou e a ilha de Tera afundou no mar.

Atlas pensou que a batalha estava vencida. Os deuses titãs estavam prestes a derrotar os olimpianos. Tudo mudou quando chegou o reforço trazido por Zeus. Eram os Hecantochires, os irmãos deformados e rejeitados dos titãs, que tinham cem braços e cinquenta cabeças. Essas criaturas medonhas arremessaram trezentas rochas a cada novo ataque. Os Titãs não puderam resistir. Atlas não acreditou na derrota quando foram soterrados pelas rochas inimigas. Teve de aceitar que Olimpianos haviam vencido.

O castigo aos derrotados veio em seguida. Ceos, Krio, Hiperion, Iapeto, Kronos e seu irmão Meneceu foram aprisionados nas profundezas do Tártaro onde nunca mais poderiam ver o mundo que governaram. Foram trancados em portões de bronze, onde são vigiados pelos Hecantochires. Atlas teve um destino igualmente terrível. Os olimpianos lhe entregaram o fardo de segurar o Céu que desabara sobre a Mãe Terra durante a batalha.

Séculos se passaram desde o confronto e até hoje Atlas se mantém sustentando o Céu constelado sobre suas costas enquanto os pés se apoiam sobre os Subterrâneos nevoentos. Permanece ali, no extremo oeste do mundo, incapaz de se mover, contemplando o Jardim das Hesperides e o Grande Oceano, tão covarde quanto o seu tamanho. Para os desapercebidos, simplesmente parece uma cadeia de montanhas, mas aqueles que conhecem a história sabe se tratar de um deus Titã derrotado.

[Apd.1.2.3, 3.10.1; Apd.Ep.7.24; DH.1.61.2; Dio.4.27.2-5; Hes.The.509; Hyg.Ast.2.3, 2.21; Hyg.Fab.192, 248; Nonn.3.349; Ov.Fast.5.170; Ov.Met. 4.628ff.; Pau.8.12.7; Pla.Cri.113Dff.]