Eólia

Rei: Éolo
Idioma: Miceniano

O poderoso Éolo nasceu há muitos séculos atrás. Ele é neto do casal Deucalião e Pirrha, os únicos sobreviventes do grande dilúvio de Zeus. Isso indica que ele caminha por Gaia há oito gerações, ou seja, há mais de duzentos anos. Sua imortalidade foi fruto de seu estudo das artes arcanas. Afinal, Éolo detém imenso poder sobre os ventos sendo venerado como deus em muitas localidades de Micenas.

Durante a maior parte de sua longevidade, ele residiu nas terras da Tessália. Foi o grande povoador da região com inúmeros filhos ao longo dos séculos. Fundou e governou a cidade de Iolcos. No entanto, antes da geração de Perseu, ele conheceu Enarete, o grande amor de sua vida. Juntos, eles tiveram doze filhos. Todos se tornaram importantes figuras da Tessália e da Beócia. Infelizmente, Enarete era uma simples humana. Não possuía a mesma longevidade do marido. O tempo veio acometendo a bela moça com a velhice que Éolo nunca conheceu. Ele cuidou dela até seus cabelos ficarem brancos e seu rosto encher-se de rugas, até enfim ela morrer. Éolo nunca mais foi o mesmo. Ele entregou seu reino para os filhos. E partiu.

O senhor dos ventos encontrou um novo lar para si. Ele vive isolado nas pequenas ilhas ao norte da Ilha-Monstro, totalmente dedicado aos estudos dos poderes arcanos. Está disposto a se privar de todo e qualquer contato humano. Quer assim evitar o mesmo sofrimento que sentiu com a lenta morte do seu grande.

As ilhas receberam o nome de “Ilhas Eólias” em razão da ilustre presença do senhor dos ventos, mas sempre foram abandonadas da presença humana e povoada por criaturas marinhas como as perigosas Sirenes e os nervosos Ictiocentauros. Exatamente pela ausência de povoações humanas, essas criaturas se sentem a vontade para usar as ilhas como refúgios. Só recentemente o rei Auson da terra firme da Itália tem tentado entrar em contato com o poderoso Éolo, pois acredita que este pode ser um grande aliado.

Domenico Muzzi 1742 – 1812

Cíane

A princesa Cíane é uma moça meiga que visitou as ilhas Éolias com seu pai Líparo quando este desejou formar uma aliança com o senhor dos ventos Éolo. Afinal, o pai acredita que pode persuadir o Éolo a auxilar suas embarcações com ventos mais controlados. É a chance dele se tornar uma potencia no comércio marítimo ao reduzir os riscos de tempestades e perdas de navios no mar da Talassa.

O senhor dos ventos rejeitou de imediato a proposta de Líparo, mas as esperanças não estão perdidas. Afinal, durante a viagem, o poderoso Éolo criou um grande interesse pela princesa. Os mais românticos dizem que o destino uniu os dois, pois não há como não se apaixonar pela meiga princesa. As más línguas, no entanto, dizem que a moça está seduzindo o Éolo conforme o mando paterno. De qualquer forma, resta saber se Éolo está disposto a abrir seu coração para outra mulher mortal.

[Hom.Od.10.1; Dio.5.7.5, 5.8.1-2; Parth.2.2].

 

Telon

A pequena ilha de Capri, que fica ao norte das Eólias e na costa da Campânia, possui uma tribo de guerreiros violentos e honrados. O líder desse grupo é Telon, que acredita nas tradição do seu povo cujo poder, na superioridade de sua raça e na divindade da terra onde nasceram. Ele assim ele espera passar a liderança de sua tribo para o filho Ébalo, que manterá a tradição e o isolamento do povo no local.

O confronto de gerações, no entanto, está causando um grande desgosto no coração do líder Telon. O impetuoso adolescente Ébalo é constantemente visto aos berros com o pai, o chamando de mente pequena e sem ambição. O jovem diz abertamente que, assim que o pai morrer, ele liderará a tribo para além das fronteiras da ilha e rumo a grandeza. Infelizmente, para o rei Telon, ele interpreta presságios que revelam a ruína do seu povo caso o filho siga esse caminho.

[Vir.Aen.7.733]

 

Afro e Bito

Afro e Bito são membros de uma raça de seres extremamente adaptados aos mares. Eles são chamados de Ictiocentauros, por se assemelham de certa forma aos centauros terrestres por possuírem um corpo humano sobre o corpo de um cavalo-marinho gigante, conhecido como Hipocampo. Assim, no lugar das pernas, os membros dessas raças possuem um grande dorso animal que termina numa cauda de peixe atrás e tem na frente barbatanas que se assemelham às patas de um cavalo.

Essas cauda e barbatanas tornam os Ictiocentauros extremamente velozes na água, mas eles são extremamente dependentes do meio aquoso por serem incapazes de respirar o ar. Eles precisam respirar através de guelras posicionadas nas laterais do seu grande corpo de peixe. Assim, é comum aos navegantes enxergarem o torso e a cabeça humana emergindo da superfície marinha enquanto o corpo de peixe mantém o contato com a água.

Infelizmente, essa raça ser extremamente mal vista pelos seres humanos por serem conhecidos por raptarem mulheres humanas na tentativa de se acasalar com elas. Infelizmente, os Ictiocentauro demoram a perceber que estas mulheres não respiram debaixo d’água, as matando deforma não intencionada. No entanto, existem Afro e Bito são exceções ao seu povo, pois eles ajudam a proteger as embarcações humanas dos inúmeros perigos e monstros marinhos que surgem inadvertidamente. Eles são considerados heróis por muitos nautas do mar da Talassa. De qualquer forma, suas ações ainda não foram o bastante para reverter a má fama que os Ictiocentauros possuem.

[Pseudo-Hyginus, Fabulae 197 ]

 

Peisino

As Sirenes são criaturas aladas que odeiam os homens e suas embarcações. Odeiam tudo que eles representam. Por esse motivo, elas foram banidas das terras do Hélade, estando proibidas de cruzar além da ilha de Estrofades, que ficou conhecida como a “Ilha do Retorno”. Elas assim vivem entre as terras da Sicília e da Eólia, sendo lideradas por Peisino, que geralmente fica no cabo Pelorum na Sicília, no ponto mais próximo da Etruria, com visão para as monstruosas Cila e Caribidis. Outros locais onde se pode encontrar Sirenes são as ilhas de Capri, no arquipélago de Sirenuse e na costa de Pesto.

A revoltosa Peisino odeia tanto os homens, que ela ordena assim que toda embarcação humana deve ser destruída. Quando uma delas é avistada, as sirenes devem se manter distantes dos arcos e usar o seu canto como arma. Afinal, como a melodia proferida pelo canto das Sirenes é capaz de controlar os homens, fazendo-os entrar num estado incontrolável, estes saltam de suas embarcações para encontrar a morte por afogamento. E, caso alguém tentem impedi-los, eles lutarão com unhas e dentes para continuar seu percurso fatal.

[Apd.1.7.10; Apd.Ep.7.18; Arg.4.893; Hyg.Fab.125.]