Reino Celestial

Os Sete Reinos Celestiais

Governante: Deus (também chamado El, Anu, Urano e Temu)

“No princípio Deus criou os céus e a terra. Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. Disse Deus: ‘Haja luz’, e houve luz.” – Gênesis 1:1-3.

O plano divino esconde uma verdade nunca antes revelada sobre os deuses e homens. Esta verdade conta sobre o momento antes da Criação. Revela um segredo sobre a face do abismo e das águas primordiais. Para compreender a verdade, é preciso aceitar que antes da Criação, o universo era o mais completo vazio. Não havia nada no começo dos tempos. Afinal, o Vazio é a maior expressão do caos; é o estado final da entropia; é a maior consequência da destruição; é o próprio mal simbolizado. Todo o maligno leva ao nada. Todo pecado leva à insignificância. As trevas são simplesmente o mais puro vácuo.

Compreender que o vazio, o vácuo, o nada, a destruição, o caos, a entropia, a inexistência e a insignificância como uma única entidade é o primeiro passo para alcançar a verdade de Deus. Quando os sábios contam a história da Criação do Mundo às suas crianças, eles personificam a entidade do caos e do vazio como uma serpente gigante chamada de Leviatã, que percorre as águas do vácuo e causa destruição em tudo o que toca. Por outro lado, eles também personificam o conceito contrário. O conceito de construção, de ordem e de propósito toma a forma da entidade que chamam de Deus. A Criação do Mundo é assim a vitória da construção sobre a destruição, da ordem sobre o caos, do propósito sobre a insignificância. Foi assim que surgiu o universo.

 

Gabriel

“Disse Deus: Haja entre as águas um firmamento que separe águas de águas. Então Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam embaixo do firmamento das que estavam por cima. Assim aconteceu. E ao firmamento Deus chamou de ‘Céu'”. – Gênesis 1:4-8

Assim como o “Vazio”, a própria ideia de “Criação” também é difícil de ser compreendida pelas mentes humanas. Afinal, se tudo surge do vazio e do caos, quando se diz que algo inexistente tomou forma o bastante para se tornar existente? Os sábios respondem essa pergunta com uma metáfora. Eles contam aos seus aprendizes que algo só existe quando possui uma forma bem definida o bastante para receber um nome que o diferencie das demais coisas. E assim toda a Criação, além de ser personificada em Deus, ela também é simbolizada na “Palavra”. Ou seja, as coisas só passam a existir a partir do momento em que podem ser nomeadas.

A primeira palavra proferida por Deus foi “Luz”, o que iniciou toda a Criação. A segunda palavra foi o “Céu”, que separou as águas primordiais superiores (o “mundo divino”) das águas primordiais inferiores (o “mundo terreno”). E assim, do mundo superior, Deus criou extensões de si mesmo que foram chamadas de “Filhos de Deus” para interagir com o mundo terreno. A mais conhecida dessas extensões recebeu o nome de Gabriel. Ele quem participou do surgimento do primeiro homem, Adão, assim como testemunhou esse homem usar seu livre-arbítrio para virar as costas ao seu Criador. Desde então, Gabriel se mantém no “Primeiro Reino Celestial” logo acima do mundo terreno para transmitir mensagens divinas aos seus habitantes.

 

Enoque

“Os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram bonitas e escolheram para si aquelas que lhes agradaram. Então disse o Senhor: Por causa da perversidade do homem, meu Espírito não contenderá com ele para sempre.” – Gênesis 6: 2-3.

Um dos “Filhos de Deus” recebeu a missão especial de causar a tentação aos seres humanos. Ele recebeu o título de o Acusador (o “Satanás”). Ele lançou a primeira tentação ao homem para comessem o fruto do conhecimento, dizendo: “Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal”. O primeiro homem assim comeu do fruto e foi expulso do paraíso divino por sua transgressão. Passou a viver nas águas inferiores do mundo terreno. No entanto, algo se modificara no Acusador após seu contato com o homem. Ele percebeu que os desejos humanos o comandavam assim como o próprio espírito de Deus também era capaz. Ele absorveu a individualidade humana para si e passou a usar o livre-arbítrio dos homens para se tornar um ser independente.

Dois outros filho de Deus, chamado Samyaza e Samael, que tinham o dever de guardar todo o conhecimento divino, decidiram usar o poder do livre-arbítrio humano para também se livrar do domínio de Deus. Eles se submeteram à liderança de Azazel num juramento mútuo no monte Hermon entre duzentos anjos que passaram a viver na Terra com os humanos. Eles coabitaram com mulheres e entregaram o conhecimento superior aos homens. Passaram a ser chamados de “Guardiães da Humanidade” e sua prole maligna de gigantes eram os “Nefelins”; os quais foram todos venerados como se fossem o próprio Deus. Eles ganharam liberdade e poder que nunca antes haviam provado. No entanto, para conseguir a veneração e manter a influência, os Guardiães ensinaram aos homens sobre a forja de espadas, facas e escudos; ensinaram sobre a manufatura, a pintura e a sedução; ensinaram sobre a astronomia, a feitiçaria e as ciências.

Todo esse conhecimento foi usado para o mal. A impiedade foi aumentada. A fornicação se multiplicou. Os homens transgrediram todos os seus caminhos. A humanidade destruída suplicou por Deus e suas vozes romperam os Céus. Até mesmo os Guardiães se arrependeram do que fizeram. Não mais suportavam viver entre homens tão perversos. Deus escutou os lamentos. Escolheu o único homem justo da Terra, chamado Enoque, para avisar que haveria punição por tão grandes pecados. Um dilúvio seria enviado para destruir a raça humana e purificar o mundo de sua presença. Os Guardiães foram enviados para as profundezas da Terra e o escriba Enoque foi levado ao mundo superior para caminhar pelos Sete Reinos Celestiais. Ele nunca mais foi encontrado, pois Deus o arrebatou. Na terra, um descendente de sua linhagem foi escolhido para construir uma arca para sua família. Eles foram os únicos sobreviventes do dilúvio. Todo o resto da humanidade foi destruída.

 

Filhos do Deus

“Quando o Deus deu às nações a sua herança, quando dividiu toda a humanidade, estabeleceu fronteiras para os povos de acordo com o número dos filhos de Deus.” – Deuteronômio 32:8

Tudo o que havia antes sobre a Terra foi destruído. O único sobrevivente do Dilúvio foi um homem chamado Noé, que reiniciou a humanidade e repovoou o mundo. Infelizmente, não demorou para os homens voltarem a reincidir no pecado. Logo começaram a queimar tijolos para usar no lugar de pedras e colocar piche em vez de argamassa. Eles disseram: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra”. Mais uma vez, a arrogância e a desobediência dos homens lhes causou a ruína. Acreditaram que Deus deveria servi-los, não o contrário. A primeira transgressão por Adão e Eva foi desejada por Deus como demonstração do livre-arbítrio. A segunda transgressão teve como responsáveis os Guardiães que ensinaram as ciências ocultas antes dos homens estarem preparados. A terceira transgressão, no entanto, só tinha os próprios homens para se culpar.

Se antes do dilúvio a veneração pelos falsos deuses, que chamaram de Guardiães, afastou os homens de Deus, na nova transgressão lhes trouxe novos falso deuses. Afinal, se na criação Deus fez os homens à sua imagem e semelhança, parece que os homens desejavam um deus à imagem e semelhança deles. Veio então a maior das punições. Deus se afastaria dos homens. Ele confundiu a língua de todos e dali os espalhou por toda a terra. Ele deu a cada nação a sua herança e estabeleceu fronteiras para os povos. Entregou cada uma das setenta nações estabelecidas para um Filho de Deus, cujos domínios se tornaram principados e eles foram chamados de “Príncipes”. Assim, por vontade própria, o Senhor não mais tomaria qualquer ação na Criação. A sua Palavra se tornaria estéril. Nasceu o mito de deuses menores que castraram o Céu, arrancando seu falo e deixando-o infértil.

Os setenta Filhos de Deus que receberam suas próprias nações estão listados abaixo.

Os Elohim são:  1) Hadad; 2) Yam; 3) Mot; 4) Anat; 5) Istar; 6) Sahar; 7) Salém; 8) Shapash; 9) Zebub; 10) Astarte; 11) Aserá; e 12) Shala.

Os Semitas são: 1) Quemós; 2) Belzebu; 3) Moloque; 4) Yahweh ; 5) Zedek; 6) Misor;

Os Titãs são: 1) Crono;  2) Oceano; 3) Céo; 4) Crio; 5) Hiperião; 6) Iapeto; 7) Teia; 8) Reia; 9) Têmis; 10) Mnemosine; 11) Febe; e 12) Tétis.

Os Eshumesha são: 1) Enki; 2) Enlil; 3) Ninhusarg;; 4) Ninlil 5) Baba-Gula; 6) Nisaba; 7) Inana; 8) Ereshkigal; e 9) Haia.

Os Enna são: 1) Kumarbi; 2) Teshub; 3) Tigris; 4) Tašmišu; 5) Ḫebat; e 6) Ullikummi .

Os Pesedjete são: 1) Rá; 2) Osíris; 3) Ísis; 4) Seti; 5) Néftis; e 6) a Ogdóade.

Os Harupex são: 1) Tínia; 2) Uni; 3) Cel; 4) Usil; 5) Catha; e 6) Nortia.

Outros deuses conhecidos são: 1) Dagom; 2) Cibele; 3) Waak; (…) e mais alguns outros cujos nomes se perderam.

Perceba que Enki, Kumarbi, Crono, Dagom e Osíris podem ser vários nomes para uma mesma entidade. Também sua esposa divina pode ser a Deusa-Mãe que recebeu os vários nomes de Ninhusarg, Shala, Reia, Ciblele e Ísis conforme as diferentes nações. No fim, esses Filhos de Deus também sofreram com a impiedade dos homens e foram destronados por sua própria prole de gigantes e heróis do passado. Assim, nasceu os Olimpianos, os Anunnaki, os Patronos do Nomos e muitos outros que se deitaram com mulheres humanas e formaram seus próprios panteões.

 

A Palavra

“Na minha visão à noite, vi alguém semelhante a um filho de um homem, vindo com as nuvens dos céus. Ele se aproximou do ancião e foi conduzido à sua presença. A ele foram dados autoridade, glória e reino; todos os povos, nações e homens de todas as línguas o adoraram. Seu domínio é um domínio eterno que não acabará, e seu reino jamais será destruído”. – Daniel 7:13-14

O universo caminha para a entropia. A natureza leva ao caos. O mal se traduz na destruição. E assim a imagem da serpente gigante que destrói tudo o que toca surge na mente dos homens para o entendimento dessa ideação. O Leviatã está sempre a espreita para trazer o mundo de volta ao Vácuo. A única forma de impedir esse triste fim se personifica no próprio conceito de ordem e organização; ele ocorre na forma que os homens chamam de Deus.  Assim, há uma dicotomia em constante confronto que remonta tempos imemoriais e um período atemporal:  Criação e Destruição. Bem e Mal. Mundo e Vácuo. El e Leviatã. Ordem e Caos. Deus e Vazio. 

Quando os Filhos de Deus chamados de Guardiães desceram dos céus para coabitar com os homens, todo o avanço científico que trouxeram causou apenas devastação, morte e profanação. O mundo precisou ser purificado da presença humana com águas: o Dilúvio aconteceu. Depois, quando os homens desejaram buscar o mesmo conhecimento celestial através da Torre de Babel, Deus decidiu entregar o que tanto desejaram. Ele permitiu que setenta Filhos de Deus descessem até eles. O resultado tem se mostrado o mesmo do anterior: devastação, morte e profanação. O mundo precisará ser purificado novamente. Dessa vez, será com fogo. Ocorrerá o “Dia do Senhor”, também chamado de o “Juízo Final”. Esta será a batalha final entre a Criação e a Destruição.

A salvação da raça humana só ocorrerá com o cumprimento de uma profecia. Ela conta que a “Palavra de Deus” ressurgirá como “alguém semelhante a um filho do homem” e que terá “autoridade, glória e reino sobre todos os povos, nações e homens de todas as línguas“. Os setenta Príncipes perderão sua influência sobre os humanos. Os duzentos “Guardiães” serão derrotados quando saírem das Profundezas. Os espíritos malignos dos “Nefelins” que parasitam as mentes humanas serão expulsos da Terra. O Acusador (“Satanás”) será derrotado. Toda a verdade será revelada aos homens e todos os homem conhecerão a Deus. Uma nova era terá início. No entanto, se a Palavra se deixar seduzir pelos desígnios humanos e desejar se manter na Terra como uma entidade independente de Deus, a própria Palavra de Deus iniciará a destruição do mundo. 

 

Árvore da Vida

“O Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden, para os lados do leste; e ali colocou o homem que formara.
O Senhor Deus fez nascer então do solo todo tipo de árvores agradáveis aos olhos e boas para alimento. E no meio do jardim estavam a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal.” – Gênesis, 2:8-9

O Reino de Deus é dividido em sete níveis celestiais que são sustentados por duas grandes árvores que nascem bem no meio do Jardim do Éden, no “Terceiro Reino Celestial”. Essas duas estruturas de sustentação são chamadas de a “Árvore do Conhecimento” e a “Árvore da Vida”. Os homens que comem do fruto da Árvore do Conhecimento recebem o livre-arbítrio e a ciência para fazerem tudo o que é bom aos seus próprios olhos. Os homens que comem do fruto da Árvore da Vida recebem o livre-arbítrio e a ciência para fazerem tudo o que é bom aos olhos de Deus.  A primeira árvore possui sua folhagem voltada para o mundo terreno enquanto a segunda se eleva até a folhagem nos mais altos níveis celestiais.

O tronco da Árvore da Vida forma o “Quarto Reino Celestial”, que está conectado com o mundo terreno através do mais sagrado lugar da Terra: O Mais Santo dos Santos, que os homens chamam de Monte Sião. A passagem entre esses dois mundos é guardada por um Filho de Deus chamado Miguel, que empunha a espada flamejante de Deus. Os primeiros galhos da Árvore da Vida começam a surgir no “Quinto Reino Celestial” que possui uma clara visão do mundo terreno logo abaixo enquanto se escuta o entoar de canções litúrgicas. O “Sexto Reino celestial” possui a própria folhagem com seus frutos; tendo seus pequenos galhos conectado ao mundo terreno através dos templos religiosos da Terra. As folhas são as almas detentoras do sopro divino que caem a cada nascimento na Terra para ocupar um novo corpo humano. Os frutos possuem a própria essência de Deus, que será oferecida aos homens no fim dos tempos. 

Por fim, no cume da Árvore da Vida, está o “Sétimo Reino Celestial”, o lugar do Salão das Almas, onde apenas os espíritos humanos mais elevados podem entrar, pois logo na entrada está o Livro da Vida listando os seus nomes. O grande salão possui um piso transparente como um mar de vidro, claro como cristal, sob o qual é possível ver todas as almas humanas não-nascidas formando o fronde da Árvore da Vida logo abaixo.  No meio do salão, está Araboth, o “Trono de Deus”. É um assento brilhante como uma safira e jamais contemplado por olhos humanos. Aquele que está sentado apresenta uma cintura ígnea como metal brilhante em fogo ardente e com uma luz ofuscante ao seu redor. Tal como a aparência do arco-íris nas nuvens de um dia chuvoso, assim é o resplendor sentado ali, pois essa é a aparência da figura da glória do Senhor.