Tinis

Cidade do Deus Guerreiro

Deus-Governador: Onúris
Cidades: Terra Grandiosa (8º nomo do Alto Egito)
Idioma: Egípcio

anhurNão há dúvidas que o grande império do Egito se iniciou na cidade de Tinis. O comércio e as disputas de terra entre o Alto e o Baixo Egito ocorriam com frequência nos primórdios da civilização que se desenvolvia ao longo do rio Nilo. No entanto, foram os reis da cidade de Tinis, que aos poucos avançaram sobre os territórios do delta do Nilo até enfim o lendário Menés assentar seus exércitos na cidade de Mênfis. Ele construiu ali a fortaleza branca e tomou para si o título de primeiro Faraó do Egito Unificado. Esse avanço só foi possível graças à adoração ao deus militarista chamado de Onúris que guiou os reis da cidade ao sucesso expansionista, desde os faraós Iry-hor, Ka e Escorpião, até o próprio Menés. .

Infelizmente, a grande expansão do Egito selou também a decaída da cidade de Tinis como centro político e militar do novo império. O próprio Menés, desejando avançar além, para ultrapassar os limites do rio Nilo, precisava de uma cidade mais central para governar seu império unificado. Ele tomou a cidade de Mênfis para sediar seu palácio real enquanto se aventurava nas terras da Ásia numa expedição tão longínqua quanto Canaã e a Fenícia. A cidade de Tinis se tornou cada vez mais a supervisora do Alto Egito enquanto o poder real era delegado à Mênfis. Mil anos depois desses eventos, a decadência de Tinis como poder político e militar era tão extrema que na Rebelião dos Nomarcas, também conhecido como o Período dos Três Faraós, a cidade não passou de marionete, aceitando subornos em grãos de um lado ou sendo manipulado pelo outro.

Sociedade

A perda do prestígio político e militar da cidade de Tinis decorreu do abandono do seu deus patrono. O militarista Onúris compreendeu o seu erro quando se viu derrotado pelos exércitos Hicsos do deus Set, sendo obrigado a recuar tão longe quanto a cidade de Tebas. O deus da guerra acreditou que a liderança de Osíris seria eterna, mas não durou sequer dois milênios. Felizmente, o deus-falcão Hórus reorganizou as forças egípcias e expulsou o maligno Set. Enfim, tendo retornado à cidade onde ganhou fama e seguidores, Onúris prometeu nunca deixar Tinis novamente. Ele então fundou o Grande Templo em seu nome.

Hoje, o deus Onúris reconhece que todo expansionismo é fugaz. Por isso, não mais responde por seu antigo epíteto de “Assassino de Adversários”, mas sim como “Aquele quem Lidera à Distância”. Ele permite que outros deuses, como Hórus e Montu, tomem o seu lugar como o “Deus da Guerra”, pois prefere agora ser o “Mantenedor do Céu”, em prol da estabilidade. A ideia é manter seu status como patrono do exército egípcio para promover a disciplina e a honra no lugar da violência e da agressividade. Não há dúvidas de que o plano parece estar dando certo, pois a cidade de Tinis tem apresentado uma renascença.

egypt_abou_simbel6

Minmose

O complexo de templos de Onúris é o mais simples e pouco decorado de todos os grandes cultos egípcios. É praticamente construções em rocha com o histórico militar do império esculpido em suas paredes. Na verdade, esse tempo pode muito bem ser comparado com os campos de treinamento militar do exército faraônico. Afinal, o combate é o foco da preparação sacerdotal. Ele é constituído de pequenas capelas distribuídas por sua extensão, tendo entre elas espaços amplos abertos para o ensino das técnicas de combate. Até mesmo o alojamento para os sacerdotes possui o mínimo necessário para se viver, pois o sacerdote de Onúris deve estar sempre preparado e pronto para viver nos assentamentos militares.

O atual sumo-sacerdote de Onúris chama-se Minmose. Ele é um clérigo-guerreiro que entende a visão do seu deus. Ele quem administra o treinamento de seus sacerdotes no ensino da lança, da arquearia, da montaria e da carruagem. Ele é um dos maiores partidários do envio destes sacerdotes para fazer parte do exército faraônico para que tenham a vivência da guerra. Mais do que isso, ele acredita que o Egito deve retomar seu passado expansionista. Deve anular o Tratado da Eterna Paz com os hititas para o recomeço da guerra. No entanto, nem o próprio deus Onúris partilha desse antigo ideal agressivo,

 

Kanakht

Nem todos os devotos do deus Onúris são sacerdotes, mas todos possuem um apreço pelo combate, pela estratégia e pelas armas. Um dos maiores exemplos disso está no irmão caçula do sumo-sacerdote Minmose chamado de Kanakht. Enquanto o irmão foi treinado para o combate nas hostes religiosas do grande templo de Onúris, este irmão entrou para o exército faraônico de Tebas. Ele ascendeu nas patentes militares até atingir a posição de Comandante de Carruagem do faraó Ramsés.

Atualmente, o batalhão de Kanakht está fortificado na cidade de Avaris que é considerada a fronteira do império egípcio. Poucos dias atrás, ele recebeu as ordens vindas da capital de Per-Ramsés para avançar até a fenícia. Ele deve trazer a princesa hitita até a capital egípcia para se casar com o faraó Ramsés. Esse ato marcará o Tratado da Paz Eterna com os centenários inimigos. Infelizmente, para Kanakht, está serúa um péssima decisão do Faraó, pois o guerreiro acredita em seu âmago que a melhor opção é recomeçar a guerra e destruir esses antigos inimigos. Existem rumores de que, à mando do irmão, ele atentará contra a vida da princesa hitita Maathor-Neferure para alcançar seus objetivos.

ramses

Anhurmose

Seguindo a tradição militarista da família, o filho do sumo-sacerdote Minmose recebeu o treinamento militar severo. Ele é assim um exímio espadachim, lanceiro e arqueiro. Ele realizou a iniciação sacerdotal do Grande Templo de Onúris, sendo hoje considerado um grande clérigo-guerreiro.

Percebendo a grande habilidade de seu filho, o sumo-sacerdote Minmose utilizou seu prestígio com o faraó e enviou Anhurmose para a cidade de Per-Ramsés. O jovem rapaz hoje faz parte da prestigiada guarda pessoal do Faraó, o que possibilitou que travasse uma grande amizade com o príncipe herdeiro Merneptá. Ambos hoje são como unha e carne, estando sempre juntos em alguma taverna se divertindo ou arrumando confusão.

Recentemente, ele descobriu os planos de seu pai e do seu tio em impedir o tratado da Eterna Paz numa conspiração que deseja assassinar a futura rainha Maathor-Neferure. O jovem entende as razões do deus Onúris em buscar um fortalecimento do império antes de buscar novos arroubos expansionistas. Por esse motivo, ele fará de tudo para impedir que esse plano mal orientado venha a se concretizar.

 

Mehit

O deus Onúris é o deus da guerra com a capacidade de insuflar a coragem em seus soldados e montar as melhores estratégias numa guerra. Já a sua esposa não possui a mesma ideia civilizada de uma batalha. Ela também está relacionada com o confronto físico, mas seu papel é bem diferente numa guerra. A deusa Mehit é puro poder e selvageria. Ela é violência. É destruição! Ela representa a capacidade humana de massacrar e aniquilar seus inimigos. É uma criatura realmente impiedosa.

O deus da guerra a tomou como esposa não através do amor, mas da força. Ele viajou até as regiões mais selvagens do deserto da Núbia, onde estava Mehit, e a caçou com todo seu afinco. Não foi uma tarefa fácil, mas Onúris foi capaz de montar um plano de captura, conseguindo seu intento e assim trouxe o corpo humano que a deusa habitava até o palácio em Tinis. Percebendo as habilidades do deus da guerra, a deusa da destruição aceitou viver ao seu lado.

Ambos Onúris e Mehit vivem juntos desde então no palácio. A deusa sempre habita o corpo de belas que vestem a pele e a face de um leão que cobre todo o seu corpo e rosto. Não é a toa que, entre os deuses egípcios, o símbolo do poder destrutivo são exatamente as formas leoninas. Assim, a impiedosa Mehit é vista ao lado do esposa, sem nunca dar uma só palavras, pois todos sabem que quando ela se manifesta será algo que assustará gerações à frente.

gd-eg-komombo016-e1547558123538.jpg