Tebas

Cidade da Deusa-Rainha

Deusa-Governadora: Mut
Território: Terra do Cetro (4º Nomo do Alto Egito).
Idioma: Egípcio.

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Estátua de Mut no Museu de Luxor.

O império do Egito viveu por muitos momentos auréos desde que o primeiro faraó Menés unificou suas terras. No entanto, sempre que algum problema ameaçou o império, foi a cidade de Tebas quem surgiu para colocá-lo no caminho certo. Por exemplo, na Rebelião dos Nomarcas, quando guerras civis eclodiram na população, foi a cidade de Tebas quem retomou as rédeas do império, perdidas pela cidade Mênfis. Mil anos depois, quando o deus Set invadiu o Egito com seu exército Hicso, o avanço chegou tão longe quanto a cidade de Tebas que montou uma resistência contra o invasor e retomou as terras egípcias.

Por último, quando o faraó Aquenáton baniu o culto a todos os deuses do Egito, elevando o Deus Único à única divindade verdadeira, o sumo-sacerdote Parenefer e o general Horemheb impediram a queda dos deuses. Eles fizeram uma resistência ao faraó, impedindo que o templo de Amun fosse transferido para o Deus Único. Mais importante que isso, eles se unirão à feiticeira Mut para liberar a Fúria de Sekhmet contra os pecadores. Por fim, os deuses Rá e Amun se unirão numa única entidade chamada de Amun-Rá, que derrotou o deus usurpador e expôs o faraó como o demônio que era. Enfim, desde a união de Rá e Amun num único deus, este não mais habita o seu templo em Tebas. O governo da cidade e dos assuntos religiosos está assim a cargo de sua esposa divina Amunet, que tomou para si o corpo humano da feiticeira Mut.

O corpo humano habitado pela deusa Amunet é de ninguém menos que da feiticeira Mut. Esta mulher é a portadora da mais poderosa arma dos deuses egípcios, o Olho de Rá, o que lhe concede a imortalidade e outros incontáveis poderes. Hoje, o culto à própria Mut ultrapassa o da própria deusa Amunet que habita seu corpo, sendo ela própria considerada uma divindade. Juntas, Mut e Amunet ditam os rumos da cidade de Tebas atualmente. Algo surpreendente se levarmos em conta que a cidade hoje é considerada a maior de todo o mundo, com mais de 70 mil habitantes. Para esse fim, a soberana utiliza um abutre Nekhbet que a informa de tudo o que ocorre na sua cidade.

Nem mesmo com a mudança da capital do império, que foi transferida para a recém-fundada Per-Ramsés, o poder tebano mostra qualquer abalo. Também é o dever de Mut administrar o grandioso Templo de Amun, que é considerado o maior de todo o Egito. Além disso, ela deve proteger a Necrópolis de Tebas. onde todos os últimos faraós foram enterrados no interior da montanha em forma de Pirâmide que os egípcios chamam de o “Grande Pico”.  Afinal, como os egípcios são enterrados com todos os seus tesouros acumulados em vida, o local é alvo de muitos saqueadores.

 

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Richard Phené Spiers (1838–1916)

Bakenkhonsu

O complexo de templos de Amum é gigantesco. Ele é dividido em quatro grandes precintos, em cujas paredes estão descritos os ritos aos deuses, momentos cruciais da história egípcia e a descrição das cheias do rio Nilo ao longo dos milênios. O primeiro Precinto é o de Amum-Rá, que possui uma bela entrada, corredores com estátuas de esfinges e um salão principal com pilares tão grandes quanto dez homens. O segundo precinto está dedicado à sua esposa Mut, possuindo centenas de estátuas da deusa-leoa Hathor-Sekhmet para cada pecador morto na rebelião de Aquenáton. O terceiro precinto está dedicado aos filhos guerreiros do casal divino Konshu e Montu. Por fim, o quarto e último Precinto, chamado de o Precinto Amaldiçoado, foi totalmente destruído, pois o demoníaco Aquenáton construiu ali um templo ao Deus Único.

O atual sumo-sacerdote do templo de Amun desejava ser um guerreiro no início de sua vida, assumindo a função de cavaleiro do faraó anterior Seti por onze anos, onde aprendeu a manejar o arco e a carruagem. No entanto, sob a influência do seu bom mestre Paser, que era vizir deste faraó anterior e antigo sumo-sacerdote de Amun, ele entrou na vida sacerdotal. Iniciou assim uma longa carreira à Amun como noviço por quatro anos; padre-divino por doze anos; terceiro-sacerdote por quinze anos; e segundo-sacerdote por doze anos; até enfim alcançar seu cargo atual de sumo-sacerdote. Até mesmo sua esposa Meretseger também é uma importante sacerdotisa da deusa, assumindo o título de primeira-dama do Harém de Amun. Hoje um ancião, Bakenkonshu e sua esposa estão mais do que satisfeitos em se ajoelhar perante a deusa Mut e fazer todo o necessário para realizar os seus desejos.

 

Roma-Roi

Roma-Roi é o irmão do atual sumo-sacerdote de Amun chamado Bakenkonshu. Na verdade, o próprio Roma-Roi iniciou a vida sacerdotal antes mesmo do mais famoso irmão, sendo sua família detentora de longa tradição em adorar o deus Amun. Hoje, ele assume a função de segundo-sacerdote de Amon e atua como um dos principais mensageiros do irmão.

A verdade é que, graças aos contatos que o irmão Bakenkonshu fez no palácio do faraó, este conseguiu atingir o mais alto cargo do Templo de Amun. No entanto, esta é uma posição também desejada por Roma-Roi. Assim, crescem os rumores de que ele planeja atentar contra a vida do irmão. Quem conhece Roma-Roi diz que isso não passa de uma calúnia por este ser detentor de “Mãos Puras”. Além disso, ele nunca faria nada sem o consentimento da deusa Mut.

The Great Temple of Aboo Simble Nubia illustration by David Robe

David Roberts (1796-1864).

Khawy

O jovem sacerdote chamado de Khawy é considerado o protetor do Lugar da Verdade. É um fanático religioso que guarda consigo o “Épico do Gado Celestial”, que conta os eventos ocorridos no período de Aquenáton. Este épico conta como a Fúria de Sekhmet foi lançada contra os seguidores do faraó que se revoltaram contra o deus Rá, mas posteriormente o espírito da deusa teve de ser contido posteriormente para não destruir toda a humanidade.

As escrituras de Khawy também descreve todas as mulheres que utilizaram o poderoso Olho de Rá, que acabaram se tornando grandes divindades com poderes felinos e de grande destruição por receberem o espírito devorador de Sekhmet. Foram elas: Mehet-Weret, na ascensão do deus-sol; Bastet, na unificação do Egito; Wosret, na construção das pirâmides; Wadjet, na rebelião dos Nomarcas; Mut, na guerra contra Set; e Hathor, no confronto contra Aquenáton. Dizem também que fanático sacerdote Khawy também possui as informações de como encontrar o poderoso artefato e como fazer para destruí-lo.

 

Tia

O ancião chamado Tia hoje é considerado não apenas um dos homens mais velhos de todo o Egito, mas também um dos mais rico. Ele já tomou para si muito cargos importantíssimos no palácio real desde os tempos do faraó Horemheb, com quem lutou ao lado contra o infante Aquenáton, até o atual Ramsés. Ele já foi Olhos e Ouvidos do Rei, Portador do Selo Real, Supervisor do Tesouro de Amum e Favorito de Hórus. A maior honra, no entanto, foi o casamento com a filha do faraó Seti e irmã do atual faraó Ramsés, cujo nome também é Tia.

Hoje, o velho Tia vive saudosista dos tempos passados e orgulhoso de todos os seus feitos. No entanto, o seu corpo não possui mais forças para aguentar muitos anos. Muitos são os que o procuram em busca de conselhos e ouvir sobre as histórias passadas. No entanto, tudo o que o união deseja é deixar sua vida para trás para começar uma nova. Ele está erguendo para si e sua esposa uma grande tumba que facilitará seu percurso ao mundo dos espíritos. É uma tumba que está sendo erguida ao lado daquela do seu grande amigo Horemheb.

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Khonsu e Montu

Os deuses Khonsu e Montu são irmãos que nasceram do amor entre o poderoso deus Amun e a feiticeira Mut. Juntos, eles combateram o exército Hicso ao lado do deus-falcão Hórus com grande fervor. Eles são chamado de “Nômade” e “Viajante” por todo o Egito em razão de tomarem os corpos de grandes aventureiros a cada nova geração para auxiliar na defesa do Egito. Embora Khonsu esteja mais relacionado com poderes defensivos e Montu com poderes agressivos, ambos são extremamente guerreiros, alternando entre si as formas de falcão ou touro quando em combate.

O deus Montu, o nômade, é conhecido por seus poderes destrutivos, por isso, os egípcios fazem sua conexão com as forças do deus-sol. Todo o seu poder está centrado na força física, o que originou expressões cotidianas como “possuir a força de Montu” ou “ter Montu em seu braço”. Praticamente, em todas as guerras combatidas pelos egípcios, seu nome é invocado e oferendas são dedicadas a ele. Afinal, quando Montu escuta uma solicitação, tomando armas para combater numa guerra, a vitória é praticamente certa.

O deus Khonsu, o viajante, é conhecido por seus poderes de proteção, por isso, os egípcios fazem sua conexão com as forças da deusa-lua. Ele possui o poder verdadeiro, por deter para si capacidades de proteção e de cura, os quais são até mais essenciais para a guerra que os poderes agressivos do irmão. Por isso, ele é chamado de o “Mais Poderoso de Todos os Deuses” pelos seus seguidores. Ele é constantemente visto nas estradas egípcias fazendo a proteção daqueles que viajam durante a noite.