Per-Ramsés

A Capital em Construção

Deus-Governador: Ramsés
Território: Casa de Ramsés.
Idioma: Egípcio

Estátua de Ramsés do Complexo Arqueológico de Abu Simbel

A cidade de Per-Ramsés foi construída a partir da Casa de Verão do faraó anterior Seti, de forma que o seu filho Ramsés residiu no local por quase toda sua infância. Não apenas possui uma bela paisagem, tendo sido construída nos bancos de areia do afluente Pelusíaco do rio Nilo, estando assim na fértil região do Delta, mas também está próxima da Ásia, onde o Egito realiza um intenso comércio.

A ideia de Ramsés em transformar sua antiga morada na nova capital do Egito surgiu da guerra que o império travou contra os Hititas durante as primeiras décadas do seu governo. Era preciso um local próximo das fronteiras com a Ásia e da cidade-fortaleza de Avaris. Assim, surgiu a cidade de Per-Ramsés, que logo completará cinquenta anos como o centro do império egípcio.

A cidade de Per-Ramsés consiste num enorme templo central, um grande distrito de mansões margeando o rio a oeste em um rígido padrão de ruas e uma coleção desordenada de casas e oficinas no leste. A cidade é entrecortada por muitos canais, que permitem qualquer ponto da cidade ser acessado por barco. O grande palácio do Faraó recebeu  grandes extensões e anexos, incluindo um zoológico e um bosque privativo. Os poetas épicos se esbaldam em enaltecer a beleza da recém-fundada cidade.

Desde seu trono real na recém-fundada cidade, o faraó Ramsés governa o império egípcio com mão de ferro apesar dos seus setenta anos de idade. Ele já viveu além de maior parte dos seus herdeiros, sendo o atual sucessor o décimo-terceiro filho de sua vasta prole que já alcança mais de quarenta filhos com suas várias esposas. Até mesmo o grande amor de sua vida, Nerfariti, já faleceu, estando o faraó hoje casado com várias rainhas. Estas incluem a esposa principal Isetnofret e também suas próprias filhas Bintanath e Meritamen. Recentemente, foi anunciado o casamento com a princesa hitita Maathor-Neferure, que selará a paz com seus maiores adversários.

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Frederick Arthur Bridgman (1847–1928)

Merneptá

O faraó Ramsés já alcança uma idade bastante avançada. Numa época em que a expectativa de vida média da população mal ultrapassa os quarenta anos de idade, estar se aproximando dos oitenta anos é realmente louvável. Na verdade, com sua saúde excepcional, espera-se que ele ainda viva muitas décadas de vida e os próprios profetas dizem que ele poderá alcançar seu centenário. Infelizmente, para o faraó, isso significa que ele viveu além da maioria dos seus filhos, os quais muitos já enterrou.

O herdeiro atual do trono é o seu décimo-terceiro filho Merneptá, filho de sua atual primeira esposa Isetnofret. No entanto, o próprio Merneptá logo alcançará os quarenta anos de idade, sem que o faraó sequer fraqueje em sua saúde. Além disso, o príncipe ainda sofre com comparações com filhos anteriores, como os príncipes Pareherwenemef e Amun-her-khepeshef, que lutaram ao lado do pai nas guerras contra os Núbios e os Hititas. No entanto, tendo assumido o cargo de “Supervisor do Exército”, o atual herdeiro ao trono deseja provar o seu valor. Infelizmente, o pai parece ter perdido o afã pelo combate e orquestra uma paz com os Hititas através do seu casamento com a princesa Maathor-Neferure de Hattusa. É tudo o que ele não deseja nesse momento!

 

Isetnofret e Bintanat

A rainha Isetnofret nunca foi a esposa preferida do faraó Ramsés. Este sempre amou sua primeira esposa Nefertari por quem se apaixonou em tenra idade, antes mesmo de se tornar o Faraó do Egito. Enfim, com sua morte, Isenofret assumiu a posição de “Grande Esposa Real”. Além disso, estando os filhos da primeira esposa mortos ou em posição de sacerdócio, é seu filho Merneptá quem está na linha sucessória para o trono real. A rainha Isetnofret pareceu alcançar tudo o que desejava em vida. No entanto, nunca conseguiu o coração do faraó Ramsés.

A Grande Esposa Real nem mesmo tem a pretensão de tentar conquistar seu amor agora que idade avançada a alcançou. A velha rainha deseja conseguir esse seu grande sonho através de sua filha Bintanat. Sobre o pretexto de manter a linhagem real, ela convenceu seu esposo Ramsés a se casar com a própria filha e agora busca orientá-la a conquistar o coração do pai. Mesmo com a diferença de idade, tendo a jovem nem mesmo atingido os vinte anos de idade e o pai já sendo um septuagenário, a rainha acredita que a filha possui o necessário para conseguir o amor paterno. Ambas enxergam a bela princesa hitita Maathor-Neferure, com quem Ramsés se casou por um arranjo político, como uma ameaça para os seus planos. Afinal, uma mulher tão delicada e bela, vinda de terras longínquas, sempre atrai os curiosos olhares masculinos.

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Edwin Long (1829–1891)

Maathor-Neferure

A guerra entre os egípcios e os hititas marcou todo o governo do faraó Ramsés desde o primeiro dia. A pressão hitita para tomar as terras de Canaã do Egito já anunciava uma guerra entre os dois povos que eclodiu no quarto ano do governo de Ramsés e durou por décadas. Felizmente, o “Tratado da Eterna Paz” está para se concretizar apesar de muitas vozes contrárias ecoarem de ambos os lados. E este tratado será selado quando o faraó Ramsés tomar a princesa hitita Maathor-Neferure como sua oitava esposa.

A princesa Maathor-Neferure está desesperada com seu futuro nebuloso. As terras de Hattusa são tudo o que ela conhece. E agora, ela se vê obrigada a deixar as terras onde sempre viveu para morar num lugar de cultura tão diferente. Causa nojo em pensar que seu futuro esposo está casado e mantém relações sexuais com suas próprias filhas. Causa estranheza saber que será sua oitava esposa quando seu pai, o rei Hattusili, manteve apenas sua mãe Puduhepa como esposa por toda a vida.

A negociação matrimonial orquestrada por seu primo Kurunka e pelo vizir Prehotep estão chegando ao fim. A princesa hitita logo deixará a cidade de Hattusa acompanhada por sua mãe, levando consigo uma grande quantidade de ouro, prata, bois, ovelhas e escravos. Enquanto isso, o emissário egípcio Huy está preparando uma grande festa de recepção em sua homenagem na fronteira; para então ambos atravessarem as montanhas escarpadas e os caminhos traiçoeiros de Canaã. Afinal, seu futuro esposo a espera na cidade de Per-Ramsés.

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David Roberts (1796–1864)

Prehotep

Prehotep nasceu na cidade de Mênfis. Ele vem de uma família tradicional e religiosa, tendo o seu pai  Pahemnetjer alcançado a prestigiada posição de sumo-sacerdote do deus Ptah. Recentemente, com a morte do seu pai, o cargo de sumo-sacerdote de Ptah foi entregue para um dos filhos do faraó: o príncipe Khaemuaset. Foi sua amizade com Khaemuaset que gerou oportunidades para Prehoptep com um emprego no palácio real de Per-Ramsés. Em menos de cinco anos, o ambicioso Prehoptep se mostrou extremamente eficiente e tomou para si o cargo de Vizir.

Hoje, no cargo de Vizir das Terras do Norte, Prehoptep possui mais controle e conhecimento sobre as terras do Egito que o próprio Faraó. Ele quem organizou a paz com os povos hititas, garantiu o controle das terras de Canaã e pacificou as terras da Núbia. Ele negociou o casamento com a princesa Maathor-Neferure de Hattusa e hoje controla a distribuição de alimentos para a população. Além disso, os contatos religiosos de sua família faz dele o principal elo de ligação entre o faraó e os templos sagrados. Certamente, é Prehoptep quem conhece as engrenagens do império e deseja manter assim sua posição de poder.

 

Hórus

A história do deus-falcão Hórus começa antes do seu nascimento quando seus pais, o casal divino Osíris e Ísis, juntos governavam o Egito. Infelizmente, a inveja fez o trapaceiro deus Set se revoltar contra ambos. O terrível Seti armou uma emboscada contra Osíris e o assassinou. Em seguida, liderou um exército estrangeiro, chamados de Hicsos, que invadiu as terras do Egito e conquistou todas as suas cidades enquanto espalhava os pedaços esquartejados de Osíris ao longo do rio Nilo.

O perigoso Seti governou o Egito por mais de um século a partir da cidade de Avarís, que se tornou a capital do seu império, até que esposa divina Ísis reuniu todos os pedaços esquartejados do esposo Osíris e o mumificou para assim se deitar com seu corpo. Ela assim engravidou do deus-falcão Hórus, que  cresceu e desafiou o deus Seti. A batalha foi ferrenha com a deusa Ísis sendo decapitada e bravo deus Hórus perdendo seu olho, mas no fim os Hicsos foram expulsos e a paz no Egito foi retomada outra vez.

O deus Hórus recebeu a missão de dar o poder absoluto aos faraós do Egito, assumindo assim a função do seu falecido pai Osíris que hoje habita o mundo dos espíritos. No entanto, os homens se rebelaram contra os deuses sob a liderança do faraó Aquenáton. E, apesar de Hórus ter derrotado essa nova rebelião junto com sua amante Harthor, a portadora do Olho de Rá, ele ficou decepcionado com os homens e resolveu abandoná-los. Décadas já se passaram sem que houvesse notícia do poderoso deus-falcão, mas os rumores contam que hoje ele está vivendo isolado no pequeno povoado de Sekhem a oeste da capital egípcia.

 

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