Núbia

Governante: Paser
Idioma: Egípcio

O povo da Núbia é caracterizado pela cor da pele nem negra, mais escura que a média egípcia, e por seus cabelos crespos. Eles existem na região das catartas do Rio Nilo desde tempo imemoriais e construíram grande templos que rivalizaram os egípcios durante seus anos dourados. Eles são formidáveis arqueiros que com seus exércitos avançaram contra o Egito e o dominaram até a cidade de Tebas. Eles formaram uma grande civilização que ficou conhecida como o “império de Kerma”. Ela cresceu em importância graças a mineração de ouro e cobre que é facilmente encontrado na região e atingiu seu auge sob a liderança ficou conhecido como Uta-Trerses.

Esse período de glória do império Kerma também foi o pior momento da tradicional dinastia de faraós tebanos, pois estes faraós sofriam constantes ataques desses líderes líderes de Kerma pelo sul e por parte dos faraós Hicsos pelo norte. Em certo momento, só lhes restou a cidade de Tebas e seus arredores. Tudo mudou com a chegada de um novo faraó chamado Amósis, que organizou os exércitos em razão da guerra que seu pai e seu irmão já faziam com os seus inimigos Hicsos. A rainha Nedjeh que governava as terras de Kerma neste período não antecipou os intentos do novo faraó, por isso, apesar da semelhança do seu deus, ela não auxiliou os Hicsos quando eles buscaram ajuda.

Trezentos anos se passaram desde que o faraó Amósis primeiro avançou contra os inimigos Hicsos ao norte os expulsando de volta às terras de Canaã. Depois, quebrou o pacto de não-agressão com Kerma e voltou toda a força do seu exército contra a rainha Nedjeh. A rainha não poderia imaginar que aquele remanescente tebano prestes a deixar de existir poderia ressurgir tão grandiosamente em questão de poucos anos. O faraó Amósis não teve piedade de Kerma. Ele avançou os seus soldados e foi o reino de Kerma que deixou de existir. Já se passaram trezentos anos desde que a Núbia está sob o domínio egípcio.

Não há mais autonomia política. É o faraó quem aponta ao seu bel prazer quem será o seu vice-rei na região. Atualmente, o escolhido se chama Paser e já há um novo vice-rei a caminho. Os egípcios fundaram uma nova capital para essas terras. Também aniquilaram a identidade anterior. Como Kerma não tinha o conhecimento da escrita e com seus anciões mortos no tempo de Amósis, a sua população hoje nem mais se lembra quem eram os seus deuses. Acabaram assimilados pela cultura egípcia.

Setau

Os vice-reis da Núbia não possuem vínculos permanentes com a região. eles são enviados diretamente da corte real do faraó. Servem muito mais como supervisores dos administradores regionais para impedir rebeliões e marcar a presença do faraó do que para tomar decisões governamentais. O atual vice-rei se chama Paser, que provém de uma tradicional família tebana e mostrou um bom serviço ao faraó Ramsés, mas que agora retorna para buscar outras funções nas corte do faraó em Per-Ramsés.

O novo vice-rei, que já está a caminho da Núbia, é chamado Setau. Ele não era a primeira opção do faraó, pois o escolhido para o cargo era seu mais competente administrador Huy. No entanto, Huy foi escolhido para a mais importante missão de negociar o casamento do faraó com uma princesa hitita e trazê-la até a capital do Egito em segurança para firma a aliança com seus antigos adversários de Hattusa. O próprio vice-rei Setau não está contente com o cargo a que foi indicado. Preferia assumir um lugar mais confortável do que a deserta terra da Núbia. No entanto, ele mantém sua fidelidade ao faraó e buscará fazer o melhor para engrandecer o seu nome.

Pennesuttawy e Maia

Os quatro filhos de um pequeno nobre obscuro chamado Minhotep galgaram sozinhos os maiores cargos de todo o Egito. Todos contam que esses quatro irmãos juntos são tão poderosos quanto o próprio faraó Ramses, que sem eles estaria perdido. No entanto, tão grande quanto o poder desses irmãos é a sua fidelidade ao faraó e o amor à terra egípcias. São eles 1) Prehoptep, o vizir do império em Per-Ramsés; 2) Pennesutawy, comandante de tropas da Núbia; 3) Minmose, o sumo-sacerdote da guerra em Tínis; e 4) Wennefer, o antigo sumo-sacerdote de Amun em Tebas que morreu após combater o falso deus na guerra contra o faraó herético.

O velho Penesutawy é um veterano de guerras que já lutou muitas batalhas pelo faraó. Ele ainda mantém o cargo que exerce há anos como Comandante das Tropas e Superintendente dos exércitos do Deserto do Sul. Ele assumiu o cargo no mesmo momento que o seu sobrinho Paser assumiu o cargo de vice-rei da Núbia. Juntos, eles tiveram a missão de proteger essa terra de ameaças internas e externas. Recentemente, com a chegada do novo vice-rei da Núbia, Setau, le espera que será aliviado de seu dever para com o faraó e enfim se aposentar, mas nunca se sabe se o faraó desejará que mantenha seu cargo.

A anciã Maia trabalhou por décadas na função de recitadora dos louvores do deus Amun em Tebas. Ela enfim se casou com o comandante Pennesuttawy e se viu obrigada a deixar sua terra-natal para viver na Núbia. Ela vivia sua vida tranquilamente, sem nunca deixar sua devoção pelo deus maior do universo imaterial. No entanto, recentemente, um sonho terrível lhe acordou no meio da noite. Ela previu o grande colapso do mundo civilizado com a Núbia se tornando independente e estrangeiros atacando o império egípcio. A única forma de impedir isso de acontecer é através do envolvimento de um futuro faraó na grande guerra que está por vir.

Anhotep

O cordial Anhotep aprendeu o ofício de escriba na cidade de Tebas e logo iniciou seu trabalho nas terras da Núbia em razão do seu casamento com uma devota da deusa Ísis chamada Hunuro. Apesar dos laços com a terra da Núbia, ambos estão inteiramente integrados com a cultura egípcia e com a fidelidade ao faraó.

O escriba está a serviço do atual vice-rei Paser há muitos anos e espera a chegada do novo tendo já se correspondido com Setau. No entanto, dentro de si, o jovem possui a ambição de um dia ser escolhido como o vice-rei da região. Ele acredita que a terra precisa de alguém com vínculos locais que possam auxiliar no crescimento da Núbia como uma civilização. Nada  deixaria mais feliz que construir templos a Osíris, Ísis, Hórus, Amun, Rá e outros deuses. Por enquanto só lhe resta sonhar com essa possibilidade.

Kandance

Poucos são os que ainda mantém a cultura do antigo império Kerma que cultua o Deus Único onipotente e onisciente que chamam de Waaq. Esse é a mesma divindade suprema que descreve todos os outros deuses, incluindo todo o panteão egípcio como falsos. Os que ainda cultuam esse deus oram secretamente por eles nas terras controladas pelos egípcios na Núbia ou em terras mais distantes em meio a outros deuses.

Outra tradição mantida pelos descendentes do império Kerma é a tradição de liderança por rainhas guerreiras que são chamadas de Kandance. A atual líder deste grupo que vive secretamente entre os egípcios se cham Amel Ali, que mostra sua identidade Cuxe com orgulho na pele escura como ébano e nos cabelos com longos na forma de dreadlocks. Ela é capaz de evocar o poder de sua divindade para adquirir grande agilidade e velocidade.; e, junto com os outros seguidores do deus Waaq, ela anseia expulsar o Egito de suas terras e começar uma nova civilização.

Ísis

A história sobre a morte e a ressurreição de Osíris é o mais importante de todo o Egito com a deusa Ísis desempenhando um papel de protagonista. Ela conta que Seti matou Osíris e desmembrou seu corpo, mas foi Ísis e sua irmã Néftis que juntas as reuniram para o ritual de mumificação. O amor e luto da fizeram sua vida se restaurar através da recitação de feitiços mágicos. Ainda hoje, os textos funerários contém os discursos que Ísis em proferiu para expressar sua dor pela morte do esposo. Ela finalmente conseguiu restaurar a vida do corpo de Osíris e copulou com seu corpo mumificado para conceber seu filho Hórus. A deusa acompanhou o filho na vingança contra Seti para reivindicar o trono que este havia usurpado. Mãe e filho são retratados nesse conflito quando Ísis foi decapitada pelo próprio filhos após uma artimanha do deus enganador. Ela teve sua cabeça substituída pela de uma vaca dando origem a relatos sobre a Vaca-Ísis. No fim, Seti foi derrotado e Hórus ascendeu ao trono Egípcio.

O aspecto maternal da deusa se estende também aos nascimento, tendo a deusa auxiliado no parto de futuros reis egípcios. Além disso continuou a auxiliar os mortos em seus funerais e no caminho para o mundo espiritual onde está o palácio do seu marido. Ela também era conhecida por sua sabedoria e poder mágico, que permitiu que ela revivesse Osíris e protegesse e curasse Hórus. ela também usou sua inteligência para enganar Seti em vários episódios.  Muitas das histórias sobre Ísis apareceram como prólogos de textos mágicos que descreviam eventos míticos. A deusa adquiriu assim uma importante posição no céu. A esfera de influência de Ísis chegou a incluir todo o cosmos como uma divindade com poder sobre todas as nações. Ela sanciona a autoridade do faraó e provê chuvas em diferentes lugares. Muitos a consideram a governante dos céus e sustentadora seres humanos. Ela é a linda essência de todos os deuses. Mesmo existindo outros deuses, ela é uma divindade suprema. Muitos a encergam como a Deusa-Mãe que é cultuada em Creta e em muitos lugares do Hélade e da Ásia.

A deusa se apresenta como uma mulher de meia-idade usando um vestido de bainha, um cajado de papiro em uma mão e um símbolo de ankh na outra. Seu adereço de cabeça original era o símbolo do trono egípcio. Em situações especiais, pode empunhar um chocalho de sistro numa mão ou chifres de vaca na cabeça que cercam um disco solar.  O culto a Ísis é comumente venerado ao lado do seu esposo Osíris e de seu filho Hórus, mas seu templo individual na Núbia é especialmente famoso. A grande famada deusa em todo o mundo faz com que muitos peregrinos sejam atraídos aos seus templos. Diariamente, oferendas são deixadas nos seu santuário para a homenagear e todos os meses sua estátua é carregada para alguma cidade próxima em procissão. Uma vez por ano, no mês egípcio do choiak, um grande festival ocorre por todo o Egito quando canções de lamento pelo esposo morto ou de vitória contra Seti são cantadas ao pé de sua estátua. Essa veneração fez dela a maior divindade da terra da Núbia, onde a deusa vive em seu templo até os dias de hoje.