Mênfis

A Cidade do Deus-Artesão

Deus-Governador: Ptah
Cidades: Fortaleza Branca (1º nomo do Baixo Egito)
Idioma: Egípcio

96a1b4ea0d0f99e1181b203c9e7c3b04

Estátua do deus Ptah do Museo Egizio di Torino.

A cidade de Mênfis sempre teve uma grande importância para as terras do Rio Nilo, mas sua grande influência começou quando o lendário Menés, filho do Escorpião-Rei, chegou na cidade. Ele trouxe consigo, desde as terras do Alto Egito de Tínis, um exército para montar um assentamento militar e construir a grande Fortaleza Branca no centro da cidade. Ele iniciou assim uma dominação do Baixo Egito e uma império que durou por mil anos, se tornando o primeiro Faraó do Egito Unificado e Senhor das Duas Terras.

Embora os primeiros mil anos do Egito Unificado tenham sido uma era dourada para a cidade de Mênfis, guerras civis e revoltas populares fizeram a capital ser transferida para Tebas, onde ficou por outros mil anos. No entanto, o a grande desastre realmente ocorreu ao fim desses mil anos quando o exército Hicso do deus Set avançou contra o Egito e conquistou a cidade de Mênfis. A tríade divina que governava a cidade, formada pelos deuses Osíris, Sokar e Ptah, foi devastada com Osíris morto e esquartejado. Demorou muito até a cidade retomar sua influência passada, num processo que só se reiniciou quando o filho de Osíris, o deus-falcão Hórus, derrotou o maligno Set, escravizou os Hicsos e restaurou o deus Ptah ao trono da cidade.

Sociedade

A cidade de Mênfis nunca mais atingiu o mesmo esplendor dos seus tempos áureos. A tríade divina formada pelos  deuses Osíris, Sokar e Ptah guiou a cidade com sabedoria pro mais de dois mil anos, mas hoje a cidade se encontra à deriva. Osíris foi assassinado por Set; Sokar deixou a cidade nesse mesmo momento para viver em sua barca, sem nunca mais voltar; e o deus Ptah parece mais interessado com sua oficina que com os cidadãos de Mênfis. Há décadas que este só interage com seus súditos através de seu arauto Ápis. Mesmo nos tempos de grande necessidade como na revolução de Aquenáton ou na guerra contra os Hititas, o deus-governante pouco se pronunciou.

Não obstante, enquanto o corpo mortal do deus Ptah se mantém em sua oficina, a cidade não para. Ela ainda é uma das maiores cidades do império egípcio com mais de trinta mil habitantes e uma das mais prósperas economias de mundo conhecido. A ausência do deus Ptah nos assuntos humanos, na verdade, apenas permitiu que as elites humanas ficassem mais livres para disputar os espaços administrativos, religiosos e financeiros. Hoje, o filho do faraó Ramsés lidera o culto ao próprio deus Ptah enquanto seu bom amigo Prehotep é o braço direito do faraó na capital egípcia. Realmente, o mundo dos homens não para mesmo quando os deuses não estão olhando.

1024px-georg_macco_abendstimmung_vor_den_pyramiden

Georg Macco (1863-1933)

Khaemuaset

O sumo-sacerdote de Ptah possui o dever ensinar a arte do artesanato, da escultura, da forja e da inovação para seus sacerdotes subordinados e para toda a população. O próprio Templo de Ptah é a estrutura mais proeminente da cidade, localizado em sua região mais central, na qual sua entrada é formada por grandes estátuas de antigos faraós dispostos lado a lado, com dezenas de metros de altura. É um grande complexo de templos, que cresceu em tamanho e riqueza ao longo dos muitos séculos desde sua fundação. O local mais parece um grande museu que um templo, pois está preenchido com estátuas, obeliscos, esfinges e pinturas artísticas. O atual sumo-sacerdote de Ptah é o príncipe Khaemuaset, que é o quarto filho do atual faraó Ramsés.

Bem que o faraó tentou transformar o rebento num grande guerreiro, o levando paras suas guerras desde os quatro anos de idade. No entanto, foi na batalha de Kadesh que o jovem encontrou sua verdadeira vocação no sacerdócio ao deus Ptah. Entendeu que há mais beleza ao criar que ao destruir. Pela influência paterna, o sumo-sacerdote de Ptah anterior abdicou do cargo para que Khaemuaset pudesse assumir. Hoje, com mais de cinquenta anos de idade, o príncipe tem um genuíno desejo de fazer o bem, buscando melhorar o funcionamento de navios, carruagens e equipamentos diários; e celebrando festivais em homenagens aos deuses. No entanto, o grande amor de Khaemuaset está na restauração de templos e edifícios antigos, que ele acredita serem os verdadeiros testemunhos da história egípcia.

 

Si-Osire

O jovem rapaz chamado de Si-Osire é filho do sábio sumo-sacerdote de Ptah chamado de  Khaemuaset. O jovem recentemente descobriu que foi abençoado com grandes poderes, cuja a origem ele não entende. A verdade é que o espírito de um grande feiticeiro dos tempos do antigo faraó Tutmés está habitando o seu corpo. Desde então, o jovem Si-Osire tem recebido grandes revelações sobre os segredos da criação e sobre o mundo dos espíritos.

Ainda confuso, ele não contou ao sábio pai sobre tais revelações, mas este percebe que a crescente sabedoria do filho como algo não natural. Essa situação logo será revelada, pois houve uma razão para o espírito do antigo feiticeiro adentrar o corpo do rapaz. Ele veio enfrentar um feiticeiro da Núbia cujos planos maléficos podem destruir o Egito e toda a Criação. Esse confronto deverá ocorrer em breve.

david roberts

David Roberts (1796–1864)

Mose, o Escriba

O Grande Templo de Ptah no centro da cidade é realmente magnífico. É um conjunto de templos interligados, grandes salões e câmaras subterrâneas. Além disso, cada um dos seus cômodos está ornado com grandes estátuas e pinturas. Ferramentas e invenções também estão às mostras em todos os lugares. Verdade seja dita, muitos desses objetos parecem espalhados ou jogados de improviso em razão da grande produção diária dos seus sacerdotes. É quase impossível encontrar um objeto específico dentro de tão grandiosa estrutura. Na verdade, só uma pessoa é capaz de tal feito. Essa pessoa é Mose, o Escriba, que possui o cargo de “Escrivão do Tesouro de Ptah”.

Mose é um rapaz magro e atrapalhado, mas está encarregado de catalogar todas as invenções e construções do templo. E não há um único objeto no Grande Templo que não seja do seu conhecimento. Sempre correndo de um lado para o outro com dezenas de pergaminhos nas mãos, que os braços mal conseguem abarcar, diariamente o rapaz realiza o seu trabalho. O seu pai Huy tinha o mesmo cargo, mas teve entregar ao filho quando o próprio deus Ptah passou a habitar seu corpo. Foi uma honra inimaginável que o jovem Mose deseja receber um dia.

 

Didia

Didia é um homem honesto e íntegro que dedicou sua vida ao sacerdócio. Era seu sonho ser o sumo-sacerdote do deus Ptah assim como seu pai Pahemnetjer o foi por muitos anos. Enfim, chegou o dia em que deveria assumir essa posição graças ao mérito de seu trabalho e do seu esforço. Foi o dia mais feliz de sua vida. Infelizmente, a situação não durou muito tempo, pois Didia ficou no cargo por apenas alguns anos.

O próprio faraó ordenou que Didia abdicasse em favor do seu filho, o príncipe Khaemuaset. Não havia escolha. Didia ainda tentou suplicar ao deus Ptah, mas este nem sequer deixou sua oficina para receber o sumo-sacerdote. O sonho teve que ser abandonado. Didia renunciou… Certamente, toda a família de Didia foi bem recompensada pela ação. Não só ele recebeu uma grande idenização, como seu irmão Prehotep teve a oportunidade de ascender ao cargo de Vizir do Faraó que hoje ocupa. No entanto, esses ganhos vieram com um sabor amargo que não deixa a boca de Didia.   

bridgman_f_the_procession_of_the_sacred_bull_anubis

Frederick Arthur Bridgman (1847–1928)

Ápis

Os deuses egípcios escolhem corpos humanos para habitar a cada nova geração, mas o deus Ápis prefere fazer as coisas à sua maneira. Ele sempre encarna o corpo de grandes touros negros. No entanto, não é um touro qualquer. Este deve nascer com as “Marcas de Ápis” em seu couro negro, que são um triângulo no fronte, uma lua crescente no flanco direito e um escaravelho embaixo da língua. Quando o touro com esses requerimentos é encontrados e a cerimônia de encarnação é realizada, o touro toma formas humanóides e recebe uma joia circular para ser colocada na fronte entre os chifres.

O poderoso Ápis é considerado o arauto do deus Ptah. Ele carrega suas palavras divinas e transmite suas mensagens proféticas. Afinal, o deus Ptah mal deixa sua oficina. No entanto, aqueles que viram ambos Ptah e Ápis juntos relatam a discrepâncias de suas formas terrenas. Enquanto Ptah se apresenta no corpo de um ancião franzino e pequeno, que usa uma longa barbicha, Ápis é imponente com seu corpo minotauro da altura de dois homens, largos músculos e grande chifres.

Recentemente, Ápis explicou a razão do não-aparecimento de Ptah por tanto tempo. O deus da criatividade se sente culpado pela morte de Osíris, pois o exército Hicso do deus Set conseguiu derrotar as forças egípcias graças ao invento chamado de “estribo”. Era o dever de Ptah manter os egípcios sempre na vanguarda da ciência. Por esse motivo, o deus dos artesãos não pode permitir que isso aconteça outra vez. Ele deseja criar uma poderosa invenção que tornará os egípcios invencíveis. Será um novo tipo de metal, mais resistente e leve, que suplantará o bronze e trará uma nova era para a humanidade.