Heliópolis

Cidade do Deus-Sol

Deus-Governador: Khepri
Território: Cetro Próspero (13º Nomo do Baixo Egito)
Idioma: Egípcio

800px-karnak12No começo, não havia nada; até que surgiu Átom, o criador, que moldou os primeiros deuses. No entanto, a Criação ainda era imperfeita, causando lágrimas no deus-criador que caíram sobre a Terra e fizeram surgir os homens. Era exatamente o que faltava na sua obra-prima. Satisfeito, o deus-criador tomou para si uma nova existência como um disco flamejante no firmamento. Tudo o que antes se chamava de Átom deixou de existir e passou a se chamar simplesmente de Rá, o deus-sol. Era o nono deus do panteão, que ensinou aos homens os conceitos éticos e morais do Maat, dando início à civilização hoje conhecida como Egito. Esse é o motivo que todos os faraós do Egito, desde o primeiro Menés até o atual Ramsés, sejam considerados os “Filhos de Rá”.

O Grande Templo de Rá começo a ser construído poucas décadas depois da unificação do Egito. Ele foi construído no centro da cidade que hoje recebe o nome de Heliópolis em homenagem a esse deus e cresceu com muitos obeliscos e pirâmides ao seu redor. Afinal. estes monumentos são representações dos raios solares. Hoje, o Grande Templo de Rá é um dos três principais complexos de templos de todo o Egito. Apenas os templos de Amum e Ptah rivalizam com ele em tamanho. Enfim, o controle da cidade de Heliópolis foi entregue a uma manifestação do poder divino do deus-sol chamado de Khepri, que se autodenomina o deus do sol nascente.

O deus Khepri é o próprio deus Rá em sua forma mais jovem. Todos os dias, pela manhã, sua alma atravessa o portal do mundo dos espíritos, conhecido como Ra-Stau, para sua jornada diária pelo mundo dos vivos. Ele habita corpos masculinos saudáveis e coloca neles um amuleto ao redor do pescoço com a forma de um escaravelho. Ele é assim o responsável pelo nascimento do sol no início de cada dia, surgindo ao público com dois leões gêmeos chamados de Duaj e Sefer, cuja tradução de seus nomes, como Passado e o Futuro, representa os poderes proféticos do deus-sol. Em seguida, ele retorna ao mundo dos mortos através de outro portal de localização desconhecida como diz o nome Amentet, que significa Terra Oculta.

A cidade de Heliópolis é considerada uma das maiores de todo o Egito. Pode não alcançar o mesmo tamanho de Mênfis ou Tebas, mas nela residem mais de vinte mil pessoas. Ela não apenas é a cidade do líder do panteão egípcio, como também é considerada uma cidade-armazém. Nela, é depositada todo o excedente agrícola em grandes silos. Por esses motivos, a cidade recebe muitos peregrinos de todas as regiões do Egito em busca de conselhos dos profetas de Rá e de alimentos nas épocas de secas extremas. Não há dúvidas que a Heliópolis é ganhou o status de cidade que traz a esperança e está sempre disposta a ajudar a população.

 

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David Roberts (1796–1864)

Meriatum

O grande templo de Rá é enorme em tamanho. ele é formado por vários pequenos templos que enaltecem o panteão da Enéade: os nove deuses primordiais representados pelo Céu, Terra, Água, Ar, Osíris, Ísis, Néftis e Set, sendo estes liderados pelo próprio Rá. Em homenagem a este deus, os templos são ornamentados com muitos obeliscos e estátuas do deus-sol. Suas paredes também são muito bem decoradas com relato da história do Egito e dos próprios homens. Nos últimos séculos, com a fusão dos deuses Rá e Amum contra os desmandos do faraó Aquenáton, houve a unificação dos dois panteões primordiais do Egito. Essa união criou uma relação mais íntima com a cidade de Tebas, que abriga o Grande Templo de Amum. Tudo isso tem aumentado a influência do templo que só aumentou com a escolha do príncipe Meriatum para sumo-sacerdote do templo.

O filho do  faraó Ramsés chamado de Meriatum desde muito cedo apresentou os dons de revelação concedidos pelo deus Rá. Ele foi então introduzido na vida sacerdotal do Grande Templo de Heliópolis e logo ascendeu à posição de profeta-maior do deus-sol. Hoje, é ele quem comanda o Grande Templo após assumir o título de sumo-sacerdote. Ele é o guardião de uma entrada para o mundo dos espíritos que se localiza na base do templo. É o portal de Ra-Stau. Por isso,, Meriatum hoje tem uma grande preocupação em sua mente. Ele está extremamente preocupado com o futuro do Egito em razão de uma terrível revelação.

Meriatum enxergou um Era de Trevas que abaterá sobre todo o mundo. Um terrível povo vindo do mar será responsável pela destruição de dezenas de civilizações na “Maior de Todas as Guerras”. Todas as cidades costeiras da Ásia, desde Troia até Ugarite, se transformarão em cinzas e ruínas. No centro dessa terrível visão, estava o seu meio-irmão Meneptá, como futuro faraó, liderando as forças egípcias contra esse terrível povo do mar nas fronteiras do império. Agora, o profeta-maior de Rá tenta buscar uma forma de vencer essa guerra guerra, pois, se Meneptá for derrotado, o portal de Ra-Stau será violado e isso causará o fim do Egito.

 

Ramsés III

O pequeno Ramsés é filho do príncipe Merneptá, atual herdeiro do trono egípcio, tendo recebido seu nome em homenagem ao avô faraó. Ele é uma simples criança que teve sua vida comprometida por uma terrível profecia. Ao nascer, foi revelado que ele seria morto por algum animal: um cão, uma serpente ou um leão. O pai ficou tão preocupado com essa revelação que está fazendo de tudo para evitar que ela ocorra, por isso, colocou o menino num palácio isolado de tudo e de todos sob a proteção do seu tio Meriatum.

O tio Meriatum, sumo-sacerdote do deus Rá, está extremamente engajado em proteger o sobrinho após ter recebido outra revelação. Ele previu o colapso do mundo civilizado por um terrível povo, que destruirá as principais cidades do mundo e lançará um ataque contra o Egito. A profecia de Meriatum é bem clara ao mostrar que a guerra se iniciará com Merneptá e só será totalmente vencida sob a liderança do pequeno Ramsés. No entanto, para a infelicidade do profeta, o jovem Ramsés recentemente pediu um cãozinho de presente e o pai não soube dizer não. Meriatum agora teme ser este o animal que causará a morte do menino e assim condenará todo o Egito.

 

Akhpet

O jovem sacerdote Akhpet foi escolhido como secretário do sumo-sacerdote Meriatum. Ele é um dos poucos que tem conhecimento das novas revelações do seu superior sobre o possível fim do império egípcio. Essa foi uma informação que causou lhe causou um genuíno terror. Por esse motivo, o jovem sacerdote está disposto a tudo para impedir que este terrível futuro se concretize.

Recentemente, Akhpet partiu para a cidade de Ramsés para avisar dessa revelação ao sumo-sacerdote Bakenkonshu do templo de Amum em Tebas. Depois, o mensageiro deverá juntar um grupo de guerreiros e partir para as fronteiras egípcias a oeste da civilização. A visão mostra claramente que os inimigos atacarão desde o deserto da Líbia, sendo a primeira linha de defesa a cidade de Faros, no terceiro nomo, cujo governador se chama Busíris.

 

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David Roberts (1796–1864)

Duaj e Sefer

O deus-governante Khepri da cidade de Heliópolis sempre está acompanhado de dois grandes leões gêmeos. No entanto, estes não são dois leões comuns. Eles são manifestações poderosos do deus-sol assim como o próprio Khepri. Eles são chamados de Duaj, que se traduz como o passado, e Sefer, que se traduz como o futuro, exatamente por possuírem os dons da revelação.

Esses animais são criaturas divinas que possuem a sagrada missão de proteger o portal ao mundo dos espíritos, chamado de Ra-Stau, do qual o próprio deus Khepri ressurge diariamente para o começo do novo dia. As decisões que este deus vem tomando para a administração e o governo da cidade nem sequer vieram de sua pessoa. São os leões que se manifestam através deles, trazendo assim grande prosperidade à toda a cidade de Heliópolis.

 

Hathor

Ao longos dos últimos dois milênios, houveram muitas mulheres que receberam a essência divina do deus-sol através do amuleto mais poderoso de todo o Egito: o Olho de Rá. Essas mulheres são consideradas contrapartes femininas do deus Rá, recebendo por esse motivo o título de Raet. A última a receber a imortalidade e o poder divino do deus-sol através desse artefato foi a bela e jovial dama chamada de Hathor.

Hathor era uma mulher afeita à música e à dança que teve um papel primordial na revolta dos homens contra os deuses, que foi protagonizada pelo faraó Aquenáton. Os deuses caíram do firmamento, incluindo o próprio deus-sol, para dar lugar ao Deus Único que passou a ser mantido pelo leite da Vaca Celestial. A vitória contra o deus usurpador só foi possível graças ao poderoso Olho de Rá que habitou o corpo de Hathor.

A amorosa Hathor foi tomada pela fúria incontrolável de Sekhmet que massacrou não apenas os pecadores, mas também ameaçou a própria existência do Egito. Felizmente, a população egípcia foi salva graças ao deus Hórus que, com seus aliados, conseguiu tirar a consciência de sua amada Hathor. com quem depois se casou. Hoje, a portadora do Olho de Rá ascendeu aos céus, onde há de decidir sobre o destino dos homens, sendo assim considerada a deusa que guia os grandes heróis para o bem da humanidade.