Faros

Cidade do Deus-Maligno

Deus-Governante: Nenhum
Território: Terra do Oeste (3º Nomo do Baixo Egito)
Idioma: Egípcio

Quando o deus Rá criou os primeiros deuses a partir das águas primordiais do Nu, ele os moldou com sentimentos benevolentes e senso de honra. Eles são constituídos com a essência do Ma’at, ou seja, seus corpos foram moldados com a própria justiça neles. No entanto, as águas primordiais do Nu não possuem alinhamento, o que causou uma reação para cada ação benéfica do deus-criador. As virtudes foram assim distribuídas entre os deuses do panteão, mas tudo o que era maléfico se acumulou numa única e terrível criatura chamada de Apófis, o deus-serpente.

O deus-serpente está aprisionado na décima região da noite, logo abaixo do alvorada, sempre esperando a passagem de deus Rá no começo de cada dia. No entanto, apesar de ser derrotado em todas as vezes que tentou impedir a passagem do deus-sol, o demoníaco deus-serpente tenta outros meio de se libertar de suas prisões. Recentemente, ele surgiu diante do governante da pequena ilha de Faros chamado de Busíris para realizar um pacto. O deus-serpente lhe ensinaria rituais mágicos que lhe concederão grande poderes. São rituais abastecidos por sacrifícios humanos, o que é extremamente proibido pelo código de justiça do Ma’at. Em troca, o terrível Busíris libertará o deus-serpente na Terra.

Sociedade

Faros é uma pequena ilha portuária, cujas águas permitem a entrada de grandes embarcações, mas economia ainda é muito tímida. A maioria dos seus cidadãos sobrevive da pesca de subsistência. Algumas poucas embarcações vindas do norte, do além-mar, trazem vinho e óleo de oliva das terras do Hélade. Essa é a razão que a maior concentração populacional está na margem oposta à ilha, num vilarejo chamado de Racótis, onde vivem pouco mais de mil pessoas.

Este sempre foi um lugar esquecido pelos deuses, pois nenhum deles se interessou em habitar o corpo de seus governante. No entanto, isso é algo que seu novo governante chamado de Busíris deseja mudar. Recentemente, o governante realizou rituais proibidos de feitiçaria para contatar a criatura mais perversa do universo. A monstruosa serpente prometeu lhe prometeu grandes poderes através de sacrifícios humanos para que se torne o maior feiticeiro do Egito. Em troca, a serpente quer sua liberdade para enfim derrotar o poderoso Rá.

Federico Faruffini (1831–1869)

Busíris

O guerreiro Busíris é governante do pequeno vilarejo de Racósis, que fica na costa oposta à ilha de Faros. Ele sempre foi um dos maiores defensores da milenar religião politeísta do Egito, mas sua ambição sem limites o faz desejar o trono do Egito. O seu sonho é começar sua própria dinastia e se tornar senhor das Duas Terras. E, para alcançar esses objetivos, ele fez um pacto com o demônio Apófis, o deus-serpente.

O pacto com o deus-serpente será completado quando Busíris realizar uma série de sacrifícios humanos para abastecer sua feitiçaria. O poder do sangue humano o tornará invencível e permitirá que ele consiga abrir um portal para libertar o deus-serpente da décima região da noite para a Terra. Muitos já foram os sacrifícios realizados por Busíris, fazendo com que o feiticeiro tenha adquirido já grandes poderes. No entanto, muitos ainda faltam ser realizados para seu objetivo final. Assim, para evitar ser descoberto, ele tem selecionado viajantes incautos que estão de passagem pela cidade. Infelizmente, a estratégia tem dado certo, pois, com exceção de um pequeno grupo de cultistas seguidores do deus-serpente, os sacrifícios se mantém em segredo.

 

Herbert James Draper (1863–1920)

Anipe

Uma única filha da princesa Lâmia sobreviveu ao massacre perpetrado por sua sanguinária mãe. Seu nome era Sibila, que tomou para si a missão de propagar o culto de seu pai entre os povos do deserto. Ela se tornou a sacerdote do deus Amon-Zeus, que tem se difundiu rapidamente no último século. Hoje há dezenas de profetisas espalhadas por toda a Gaia que recebem o título de “Sibilantes”.

A atual sibilante do Egito se chama Anipe. Ela é a mãe do guerreiro Busíris, governante da cidade de Alexandria e infame por praticar sacrifícios humanos para o maligno deus-serpente. No entanto, a mãe não compartilha dos planos do filho. Na verdade, Anipe profetiza que a chegada de um grande herói, que derrotará Busiris e ascenderá aos Céus como um deus benevolente ao lado de poderoso Amon-Zeus. Sua mais recente revelação descreve claramente as consequências do erro do filho, que será combatido e assassinado por um dos filhos de Amon-Zeus que trará consigo um grupo de guerreiros vindos dos povos do mar.

 

Lâmia

A princesa Lâmia governou as terras da Líbia nos tempos do seu irmão, o faraó Amenófis, que se autoproclamou o próprio Egito. A cidade da Líbia prosperou em meio a tão destrutivo deserto graças ao sistema de irrigação criado pelo seu outro irmão Dánao. Infelizmente, a cidade da Líbia hoje está em ruínas e seus habitantes todos mortos. Dizem que a Líbia foi incapaz de se sustentar sozinha quando Dánao abandonou o Egito. Infelizmente, a verdade sobre sua destruição é ainda mais perversa.

A princesa Lâmia viveu um romance com o divino Zeus e juntos tiveram muitos filhos. Quando a vingativa esposa Hera descobriu o romance, a deusa transformou a amante num monstro sanguinário. A verdade é que a própria princesa Lâmia massacrou os habitantes da Líbia. Nem mesmo os próprios filhos escaparam de sua sede de sangue. E, até hoje, a história de princesa sanguinária é contada para assustar crianças nas terras dos povos Medos.

 

Nereu

O ancião barbudo e sábio chamado Nereu não tem origem nas terras egípcias. Ele veio dos mares circundantes do Hélade, sendo na verdade o filho mais velho do Mar da Terra. O seu nome era Proteu, pois era considerado pelos danaãs como o primeiro governante dos mares e oceanos. Ele desposou a oceanida Dóris, filho do Oceano, cujo amor gerou as belas Nereidas. Era um governante conhecido por sua honestidade e justiça. No entanto, o reinado de Proteus acabou quando o deus olimpiano Poseidon tomou o seu trono. Em sua sabedoria, o rei Proteu sabia que a perda do trono marinho lhe ocorreria mais cedo ou tarde. É a natureza de todos os governos. Como gesto de amizade e paz, o soberano deposto entregou a mão de sua filha Anfitrite para o deus Poseidon, selando assim a coroação do novo governante.

Após o casamento da filha com Poseidon, o justo e sábio Proteu simplesmente partiu para algum desconhecido sem deixar rastros ou avisar qual seria o seu destino. Simplesmente desapareceu nos horizontes marítimos. Ninguém o vê há muitos séculos, muito menos sabe sua localização. A verdade é que Proteu assumiu uma nova identidade. Ele agora utiliza a alcunha de Nereu e vive entre os homens da superfície nas terras egípcias de Racótis, fazendo o que mais gosta de fazer: Pescar. Atualmente, reside na ilha Faros que fica defronte ao vilarejo do rei Busíris, onde é conhecido apenas como “O Velho Homem do Mar”.