Duat

O Mundo dos Espíritos Egípcios

Rainha: Nut

Os sacerdotes egípcios devotos a Anúbis e Osíris revelam que  a Terra é uma grande rocha plana que possui seu formato ovalado e é cercada por oceanos. Ela flutua na imensidão negra do cosmo que é a origem de todas as coisas e é chamados pelos egípcios de Nun. A parte superior da Terra é habitadas pelos seres vivos enquanto os seus subterrâneos são formados por uma rede complexa de cavernas subterrâneas que é habitada pelos mortos. Este lugar é chamado de Duat.

Conforme a tradição egípcia, a alma é constituída por três elementos indivisíveis: o Ka (a essência vital), o Ba (a personalidade) e o Coração (os sentimentos). Cada um desses elementos, é variável para pessoa do mundo egípcio, por isso, é dito que cada alma é única. No entanto, essa alma não pode sobreviver sem um veículo que a conduza pelos planos de existência, seja na Terra ou no Duat. Os´veículos para cada um desses planos de existência são, respectivamente, o Corpo e o Espírito. No entanto, para a infelicidade de todos, se a Terra é perigosa para o Corpo, o Duat é ainda mais perigoso para o Espírito.

Não há lugar seguro no Duat. O brilho da barca-solar não consegue alcançar através da rocha que a circunda. O local mais parece um grande deserto rochoso e estéril. Tudo é sombrio. Há árvores, mas estas são retorcidas. Há rios, mas estes são de sangue e fogo. Há montanhas, mas estas são gélidas. Não há o firmamento celeste, apenas musgo e raízes retorcidas que saem da rocha que recobre o lugar. Cavernas escuras escondem monstros terríveis. Os campos são habitados por entidades sanguinárias. Viver no Duat é viver em constante terror.

A terríveis criaturas do Duat possuem fome pela essência vital dos espíritos e estão disposta a destruir as almas que encontram para saciar o vazio em seu estômago. Mesmo que por um breve momento. E nada é mais desesperador para um indivíduo do que ter seu Corpo destruído na Terra e seu Espírito destruído no Duat. Afinal, quando isso ocorre, restará apenas a Sombra, um resquício triste de uma existência esquecida e irrecuperável. Essa é a temível “Segunda Morte”.

 

Am-heh, o devorador de almas

O mundo espiritual do Duat é dividido ao meio pelo imenso Lago de Fogo, que circunda e protege o Reino Sagrado de Osíris. Toda região ao Oeste se estende desde esse Lago de Fogo até o portal por onde entra a barca-solar, que fica Montanhas de Manu, ao fim do por do sol na Terra. Essa região é extremamente rochoso e estéril, sendo recortada por rios de lava ardente que se originam do Lago de Fogo e banhada por um grande oceano negro chamado de Wernes que é constituído da água primordial do Nun. Toda essa região conhecida como Duat Ocidental e é a mais perigosa no mundo dos espíritos.

O Duat Ocidental é habitado por monstros disformes e sanguinários. Existe a raça dos homens-serpentes chamados de Sesy, dos homens-bagre chamados de Nariu e dos cabeça-de-chacal. No entanto, a maioria das criaturas é tão única e estranha que não se enquadra em qualquer raça específica. São seres sem sem individualidade e, por isso, nem sequer possuem nomes  próprios. Eles são conhecidos apenas por seus epítetos. E o pior desses monstros certamente é aquele conhecido por “Devorador de Almas”  “Engolidor de Pecadores”, “Arrebatador de Milhões”, ou “Fatiador de Espíritos”. Essa é uma criatura com cabeça de cão caçador e corpo humano que vive dentro o Lago de Fogo, apenas o deixando para perseguir as almas condenadas para se alimentar de sua essência vital .

 

Ammit, a devoradora de mortos

O mundo espiritual do Duat é dividido ao meio pelo imenso Lago de Fogo, que circunda e protege o Reino Sagrado de Osíris. Toda região ao Leste se estende desde esse Lago de Fogo até o portal por onde a barca-solar deixa o mundo espiritual, nas Montanhas de Bakhau, para começar um novo dia na Terra. Essa região é constituída principalmente do grande oceano negro formado pela água primordial de Nun. Diferente da parte ocidental do Duat que é permeada por criaturas sanguinárias e o perigo espreitando cada curva, toda essa região conhecida como Duat Oriental quase que totalmente estéril de espírito e criaturas. Só o vazio e os ecos do silêncio parecem dominar o lugar.

A razão de não haverem espíritos no Duat Ocidental decorre da criatura chamada de “Devoradora de Mortos”. É uma mulher com cabeça de crocodilo e corpo felino que vigia todos aqueles que desejam entrar no Reino Sagrado de Osíris, que está circundado pelo Lago de Fogo. Infelizmente, poucos são dignos de entrar no Reino de Osíris, pois os mortos precisariam ter sido tão justos e verdadeiros em vida que seu coração fique mais leve que uma pena de avestruz. Todos que falham nesse teste tem seu coração arremessado no Lago de Fogo e o espírito abandonado para vagar solitário no Duat Oriental. A verdade é que as almas não duram muito tempo após rejeitadas, pois caem direto nas garras da Devoradora de Mortos.

 

Shesmu

O antigo deus Shesmu  já foi um deus benevolente que com o dever de guardar os óleos preciosos para beleza. Era um fiel servo de Osíris e auxiliar dos espíritos justos, que chegavam no mundo dos mortos, lhes oferecendo vinho para beber. No entanto, ele o ódio que ele possuía pelos espíritos malfeitores lhe corrompeu. Ele começou a sentir a necessidade de arrancar a cabeça e espremer seu sangue como se fosse suco de uva, tamanho era seu ódio.

Ele sempre foi visto como um benfeitor gentil para o bondosos e um carrasco cruel daqueles que mereciam. Assim, ele acabou expulso do Reino Sagrado de Osíris. Antes conhecido o “Chefe de Osíris”, hoje recebeu a alcunha de o “Matador de Almas”, pois na Noite das Sentenças, quando Seti avançou contra o Tebas e assinou Osíris, Shesmu promulgou a queima dos condenados e a derrubada dos ímpios. Foi um verdadeiro massacre cometido sob o pretexto de não deixar o mal tomar conta do mundo. No fim, foi o mal que tomou conta do seu coração.

 

Espíritos Benfeitores

Para os que não possuem o coração puro que garanta sua entrada no Reino Sagrado de Osíris, só há um único lugar seguro em todo o Duat. Bem menos pomposo e sem muitos recursos, este lugar se chama a “Décima Caverna”. Os espíritos que chegam nesse lugar são recebidos pelos espíritos benfeitores, que aceitam todos que sofreram com o terror do Duat e estão arrependidos de seus pecados na Terra. Os Espíritos Benfeitores buscam que todo espírito se arrependa de pecados para poder viver na “Décima Caverna”. O ritual de batismo que este deve completar  segue oito passos:

1) Entrega da luz para o recém-chegado enxergar na escuridão;
2) Exaltação de que toda a alma ainda capaz de evoluir;
3) Restauração do sopro da vida;
4) Aceitação de que todo espírito é digno e meritório;
5) Regeneração da alma e do corpo espiritual danificado;
6) Comunhão para uma vida pacífica
7) Entrega da Passagem Livre para qualquer portão do Duat.
8) Entrega da Manto Frio para atravessar as regiões mais quentes do Duat

Quando um novo espírito é aceito como membro da “Décima Caverna”, isso não significa que sua vida será tranquila a partir de agora. Ele deverá assumir funções na nova comunidade que variam bastante. Ele precisará trabalhar na agricultura e n purificação da água para beber. Também terá que realizar missões de exploração no Duat que nada são seguras. E terá que defender a comunidade de ameaças externas que invariavelmente surgem, como é o caso de criaturas sedentes e espíritos baixos que não conseguem se arrepender e preferem viver na violência. Esse é o caso do obscuro e malévolo Ba-Pef, que deseja a destruição dos espíritos benfeitores com seu exército de espíritos tão baixos que nem mais possuem individualidade e nomes próprios. São simplesmente chamadas de “Mulheres Uivantes que Pingam Sangue dos seus Machados”.

 

Sokar e Tatenen

Bem no centro do mundo espiritual há o imenso Lago de Fogo, que se estende por grande parte da porção ocidental do Duat e possui em seu interior o Reino Sagrado de Osíris, onde os justos vivem em paz. Em volta dessa Lago de Foga a terra está morta e seca, não restando mais que uma terra arenosa chamada de Imhet. É nesse região de areia queimado que vive os deuses Sokar e Tatenen.

Mil anos atrás, o deus Sokar governou o Egito ao lado de Osíris e Ptah. Eles eram os faraós da cidade de Mênfis, formando o que ficou conhecido como a “Tríade Divina”. Tudo se encerrou com a morte de Osíris pelas mãos de Seti que conquistou a cidade de Mênfis e esquartejou o irmão. Cheio de desgosto e em busca do seu companheiro morto, o deus Sokar entrou numa barca e navegou aos limites ocidentais do mundo até chegar no mundo dos mortos. Hoje, ele é o governante das terras arenosas ao redor do Lago de Fogo e defensor do Reino Sagrado de Khert-Neter.

O deus guerreiro Tatenen, que nasceu no próprio monte primordial, possui grande importância para o arenoso Reino de Sokar. Ele não apenas conduz a construção de canais e represas labirínticos, como possui exércitos de guerreiros com arcos de prata para impedir a aproximação de seres indesejados no Reino Sagrado. Certamente, é a engenhosidade de Sokar que desenha arcos e canais, mas é Tatenen que os coloca em prática. É este deus guerreiro é quem divide e distribui e conduz os espíritos ao tribunal de Osíris e à balança de Maat. É ele quem impede que os terríveis monstros sanguinários avancem contra o Reino Sagrado. E não raro ele repele o terrível Apep quando, em combate contra o deus Rá, o monstro se aproxima demais de suas terras.