Atet

b294c64140ed6692a7aeebe1c28d7eb9--eye-of-horus-an-eyeA Barca de Um Milhão de Anos

Deus-Governador: Amun-Rá

É o sol que permite a vida na Terra. Essa é a razão pela qual Rá é o maior dos deuses egípcios e a fonte de vida do universo. Ele foi o primeiro deus na forma do deus-criador Aten. Em seguida, assume sua forma mais jovial como Khepera, o sol nascente ao Leste, representado pelo escaravelho. Quando assume sua vida mais envelhecida, ele assume a forma de Temu, representado pelo carneiro do Oeste, que se põe no horizonte. Esse percurso de Leste a Oeste é realizado numa barca circular que atravessa os céus. O nome desta barca é Atet.

Ao fim do seu percurso pelo céu azulado, a barca alcança o Outro Mundo que fica abaixo da Terra. Esse mundo é o Duat, o mundo dos mortos. É nesse momento que o deus Rá assume sua forma guerreira cuja pele é constituída de ouro, os ossos são de prata e o cabelo, lapilazuli. O deus sabe que a terrível serpente conhecida como Apófis o aguarda no horizonte ocidental por trás da montanha Bakhu, onde ocorre o pôr-do-sol.

Todos os dias a serpente planeja seu ataque para derrotar o deus-criador. Todos os dias o deus-criador precisa salvar o mundo da destruição por tão vil criatura. É um combate que geralmente se encerra na décima hora da noite para que assim um novo dia possa vir e o ciclo possa se repetir. É preciso enfrentar a serpente todos os dias para que a vida continuar. O deus Rá aceita a sua missão e a realiza sem reclamar.

Nem sempre ele este sozinho. Por milênios, o deus Seti o ajudou na batalha contra Apófis. O deus era o seu braço-direito e estava destinado a assumir o seu lugar na combate ao Senhor do Caos. Infelizmente, Seti abandonou o seu posto ao lado de Rá por inveja ao irmão Osíris. Ele desejou tomar todo o Egito para si. No fim, acabou derrotado e humilhado pelo irmão. O seu lugar como ajudante do deus Rá contra a terrível foi assumido pelos deuses Saa e Hu.

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Seti

Hoje, o deus Seti representa violência, desordem, traição, ciúme e inveja, mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que o deus foi considerado uma das divindades mais benevolentes do panteão. Ainda hoje, mesmo com os crimes que cometeu, muitos seguidores ainda enxergam como a bom guerreiro que lutava ao lado do Deus-Sol contra as forças do mal. Afinal, o papel original desse deus era batalhar contra Apófis. Ele era um dos poucos a resistir ao seu olhar controlador, não se deixando hipnotizar. Era o único capaz de derrotar a gigantesca criatura, sozinho, na proa da barca solar, com sua grande lança e com sua serpente companheira Mehen, que carrega consigo no braço.

Por outro lado, os motivos da mudança de atitude do deus Seti são bem compreensíveis. Enquanto o deus lutava todas as noites contra o monstruoso Apófis para salvar o mundo, sua esposa Néftis estava tendo um romance com o irmão Osíris. Seti assim, começou a questiona a sua vida até abandonar seu posto na barca solar. Decidiu que o melhor caminho era a vingança. Seus seguidores até hoje defendem essa ação, vendo Osíris como o verdadeiro vilão nessa história. Eles acreditam que os injustiçados e oprimidos precisam ser vingados. No fim, Sei assassinou seu irmão, o confinando no mundo dos mortos e invadiu o Egito com seus seguidores Hicsos. Por um longo tempo, ele foi o Faraó do Egito.

Embora tenha alcançado sua vingança, a violência gerou mais violência com o deus Seti sendo derrotado por Hórus, o Grande Deus, filho de Osíris, que o expulsou o vingativo deus e assumiu o trono do seu pai morto. Desde então, centenas de anos se passara, novas guerras ocorreram, mas ninguém sabe onde está o deus Seti. Ele simplesmente desapareceu. Ainda há seguidores fieis ao seu culto que estão órfãos de sua presença. Ainda há seu posto aberto na barca solar, pois embora Rá tenha colocado outros deuses em seu lugar, este nunca conseguiram substituir Seti na batalha contra Apófis. No entanto, muitos acreditam que ele voltará. Só que ninguem sabe se o fará com o ímpeto cheio de vingança ou em busca de redenção.

 

Sa e Hu

Esses deuses irmãos foram criados no momento da criação pelo próprio Atem a partir da água primordial do Nu. Eles sempre foram deuses menores que nunca tiveram cultos próprios. Eram simples pupilos do deus Thoth em razão da sede de conhecimento que tinham. No entanto, após a traição do deus Seti e do seu abandono do posto ao lado de Rá, o deus-sol convocou ambos Sa e Hu para tomar o seu lugar. Hoje, ambos são tripulantes da barca de um milhão de anos ao lado do deus-criador.

O deus Sa esteve por milênios ao lado de Ptah e de Thoth para aprender os ofícios da engenharia e do conhecimento. Ele se tornou assim a personificação da percepção, com habilidades que chamaram a atenção do deus Rá para seu confronto diário com a serpente Apófis. Sempre visto com um papiro na mão e uma boa ideia na cabeça, o perceptivo Sa está sempre bolando novos planos para derrotar o poderoso Rá.

O  deus Hu esteve por milênios ao lado do deus Thoth para aprender o poder da verdade através da palavra falada. Ele se tornou a personificação da autoridade, com habilidades que chamara a atenção do deus Rá em seu confronto diário com a serpente Apófis. Sempre ao lado do deus-irmão Sa, ele é o arauto do deus-sol sempre levando o poder da palavra divina aos seus inimigos.

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Heka

A Magia se criou da água primordial do Nun como uma força poderosa que poderia ser acessada por qualquer indivíduo. Era o puro poder, que foi responsável pela criação e pelos acontecimentos do mundo. Era capaz de qualquer ação e de qualquer desejo. No entanto, tudo mudou quando Seti abandonou seu posto na barca solar. O deus Rá previu que precisaria substituí-lo no seu combate diário contra o temível Apófis. Ele assim resolveu dar uma forma e uma consciência a Magia. Assim, nasceu Heka.

O divino Heka foi criado com objetivo de auxiliar os irmãos Sa e Hu no combate contra o Senhor do Caos, Apófis. No entanto, o próprio Heka está acima dos conceitos de bem ou mal, está acima de personificação de Rá e Apófis. Muitos assim questionam se ele desejará tomar esse papel para si. Afinal, esse é um embate que não o interessa. Verdade seja dita, com pouco mais de algumas centenas de anos desde seu nascimento, Heka já possui um grande número de seguidores.  Muitos já solicitam sua presença na cidade de Esna, no terceiro nomo do Alto Egito, para que ele vá os governar. Ele é assim um deus que já adquire uma independência que seus companheiros Sa e Hu nunca tiveram. Resta saber como ele agirá a partir de agora.

 

Apófis

O deus-Sol enfrenta vários adversários todas as noites em sua passagem pelo mundo espiritual do Duat. O demônio líder de todos eeseas adversários é a gigantesca serpente Apófis. Nos hieroglifos, a criatura é longilínea e possui escamas são pigmentadas com espiras comprimidas, como se fosse uma mola, para enfatizar seu enorme tamanho. Geralmente, é representada doze cabeças sobre seu dorso, que ilustram os deuses que já engoliu no passado e que são libertados pelos breves momentos quando ela é derrotada.

Esse terrível monstro recebe os epítetos de Senhor do Caos e Assassino de Almas, pois é responsável por eventos cataclísmico como eclipses solares, tempestades e terremotos. Conhecido como o Destruidor, tenta persistentemente atingir seu objetivo. Seus ataques consistem em devorar a barca solar com sua bocarra ou utilizar as próprias ondulações do seu corpo como bancos de areia para impedir a passagem da barca do deus-sol. No entanto, nem sempre é uma criatura bestial, podendo fazer uso de sua inteligência ou de sua capacidade de controlar mentes.

Mesmo derrotado todas as noites, a criatura ainda exerce sua maléfica influência no mundo terreno através de sua mente poderoso. Os próprios egípcios compilaram uma coleção de feitiços mágicos contra essa criatura que ficou conhecido como o “Livro de Apófis”, fornecendo proteção contra os seus poderes maléficos e influência perniciosa. Além disso, todos os anos, os sacerdotes de Rá executam o ritual do “Banimento” na qual,  diante de uma efígie do demônio colocada no centro do templo, esses sacerdotes rezam para que toda a maldade no Egito entre na imagem e, ao fim, destroem a efígie para afastar seu mal por mais um ano.

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