Era de Davi

Siló (Levi), capital dos israelitas.*

Acre (Aser), a tribo na fronteira com o profano.

Dor (Zebulão), a tribo dos novos blasfemadores.

Hazor (Naftali), a tribo recém-libertada.

Megido (Issacar), a tribo no vale das batalhas.

Gileade (Manassés), a tribo do juiz venerado.

Siquém (Efraim), a tribo em conspiração.

Sucote (Gade), a tribo dos destemidos.

Hesbon (Rubén), a tribo em submissão.

Jaffa (Dan), a tribo dos navegantes.

Gibeá (Benjamin), a tribo do rei escolhido.

Belém (Judá), a tribo do monte sagrado.

Bersebá (Simeão), a tribo em insurreição.

Edom (Transjordão), as tribos rivais dos israelitas.*

Gaza (Retjenu), as tribos sob controle egípcio.*

Damasco (Aram), as tribos sob controle mesopotâmio.*

Midiã (Negev), as tribos sob controle beduíno.*

 

O povo de Israel se autodenomina como o “Povo Escolhido”, pois suas glórias foram conduzidas pelo seu Deus único e verdadeiro, sendo todos os outros deuses de outras culturas e nações considerados falsos. Essa crença os torna extremamente malvistos pelos outros povo e não raro eles são atacados. No entanto, eles continuam a prosperar mesmo diante de todas as adversidades. Hoje eles vivem na “Terra Prometida” pelo seu Deus, divididos em doze tribos cada uma com seu território e governo independente.

A Geografia

O território de Canaã está localizado numa faixa estreita de terra fértil entre o litoral a oeste e uma cadeia de montanhas ao leste em que não se faz necessário mais que dois dias de viagem para atravessar de um lado ao outro. Nenhuma cidade consegue se manter fora deste trecho, mas a fertilidade em seu interior é garantido pela água potável do rio Jordão que percorre todo território desde o norte até sul quando enfim desemboca nas águas inóspitas do Mar Morto, cujo único recurso que pode ser encontrado é o mesmo sal que impossibilita qualquer vida.

O clima nas terras que estão fora da faixa fértil de terra é extremamente árido e seco. A cadeia de montanhas e o deserto que se forma além de seus picos é marcado entre cinzento e o avermelhado inóspito e sem vida do lugar. No entanto, o território dentro da faixa fértil é bem mais ameno. As temperaturas podem variar bastante ao longo do ano embora o calor esteja sempre presente e qualquer chuva há tão escassa é muito bem vinda. O verão continua sendo escaldante e o inverno bem frio com possibilidade de neve nos picos das mais altas montanhas, mas felizmente o rio Jordão garante boas colheitas capazes de manter a população satisfeita.

A História

O destino do povo de Israel era desaparecer em meio aos maus-tratos e ao esquecimento de sua cultura por razão da escravidão que o Império Egípcio impunha sobre eles. No entanto, um homem mudou essa história. O profeta Moisés, que foi criado como um egípcio, com acesso a melhor educação que o palácio do faraó poderia lhe dar, descobriu que seus pais eram israelitas. Ele coletou a história de seus antepassados e retomou as suas raízes. Ele se ajoelhou diante do Deus Único e aceitou que todos os outros deuses eram falsos. Ele então retornou ao palácio do faraó não mais como um egípcio, mas como um filho de Israel para demandar a libertação do Povo Escolhido.

O faraó não aceitou as demandas e ameaças do profeta do Povo Escolhido. Ele rejeitou qualquer negociação. No entanto, dez terríveis pragas caíram sobre o Egito até que as demandas fossem aceitas. O faraó não encontrou uma alternativa além de aceitar a libertação do povo de Israel para acabar com a maldição lançada por Moisés. Depois, convencido do contrário por seus conselheiros a avançar contra os israelitas fugitivos, uma onde gigante vindo do mares próximos caiu sobre seus exércitos e os engolfou para a morte. O povo de Israel conseguiu assim retornar para sua terra natal, a mesma que Deus prometeu ao patriarca Abraão conforme os escritos descobertos e revelados pelo profeta Moisés.

James Tissot 1836-1902)

As Tribos

O profeta Moisés não conseguiu colocar os pés na Terra Prometida. Ele morreu a contemplando ao longe sobre as montanhas ao fim de sua longa vida. Ele confiou ao seu melhor discípulo Josué a missão de reconquistar a terra que estava dominada por povos ignorantes, que entregavam seus corpos em orgias e sacrificavam crianças para os falsos deuses. A disputas por aquelas terras foi árdua, mas, com a graça do Deus verdadeiro, eles reconquistaram a sua terra natal e massacraram todos que se opuseram contra eles.

O líder Josué dividiu a Terra Prometida entre as doze tribos de Israel que remontavam aos seus antepassados de antes da sua vinda no Egito. Ele montou um templo dedicado ao Deus Único na cidade de Siló, onde colocou as leis de Deus reveladas pelo profeta Moisés que hoje são guardadas pelos profetas levitas. As principais cidades que governam essas doz tribos são:

  1. Siló, a cidade da tribo profeta de Levi;
  2. Bersebá, a principal cidade da tribo de Simeão;
  3. Siquém, a principal cidade da tribo d Efraim;
  4. Samaria, a principal cidade da tribo de Manassés;
  5. Sucote, a principal cidade da tribo de Gade;
  6. Hesbon, a principal cidade da tribo de Rubens;
  7. Zebulão, a principal cidade da tribo de Zebulão;
  8. Megido, a principal cidade da tribo de Issacar;
  9. Hazor, a principal cidade da tribo de Naftali;
  10. Benjamin, a principal cidade da tribo de Gibeá;
  11. Belém, a principal cidade da tribo de Judá;
  12. Joppa, a principal cidade da tribo de Dan;
  13. Tiro, a principal cidade da tribo de Aser.

James Tissot 1836-1902

A Política

Não há qualquer organização política entre as doze tribos de Israel. Cada tribo escolhe um líder, a quem chamam de “Juiz”, e este decide sobre todas as disputas. Não há uma aliança formada; não há qualquer jurisprudência; nem há um objetivo conjunto; ou mesmo um senso comum de decisão. Cada tribo faz aquilo que é certo aos seus próprios olhos. A única razão pela qual essas tribos não se destroem entre si em disputas e guerras decorre do passado comum que lhes foi legado pelo profeta Moisés.

Há momentos em que as tribos se reúnem contra um inimigo comum como ocorreu na guerra contra a cidade de Hazor por ordem da profetisa Débora ou contra os invasores Amalequitas pelo líder gideão. No entanto, essas alianças logo se desfazem e o povo retorna seus próprios problemas e inimigos locais. A situação está se tornando preocupante para os sacerdotes do Deus únicos que descendem da tribo de Levi. A Lei de Deus que foi revelada pelo grande profeta é constantemente desrespeitada. Assim, eles sentem a necessidade de um governo central que imponha a vontade divina e dê orientação ao povo escolhido.

 

As Leis

James Tissot (1836–1902)

O grande profeta Moisés recebeu no monte Sinai as tábuas com os mandamentos de Deus. São seiscentas e treze leis que não permitem margem para interpretação, apenas para comentário e discussão para situações específicas. Elas regem tudo desde a forma como os sacrifícios animais devem ser oferecidos no templo até como conduzir as situações de divórcio e infidelidade; desde as regras para o casamento até como comemorar os feriados sagrados; desde como os profetas devem celebrar seus rituais até as punições para os crimes do dia-a-dia. Essas leis estão escritas em tábuas de pedras que foram colocadas dentro de um baú, chamado a “Arca da Aliança”, que foi construído e ornamentado sob orientação direta do profeta Moisés. Hoje a Arca está guardada no templo da cidade de Siló.

Infelizmente, por mais claras que as leis sejam apresentadas nos livros sagrados, a autonomia dos juízes permite que eles decidam conforme sua conveniência e opinião. É comum que ocorram decisões totalmente discrepantes para um mesmo crime dependendo do território onde o acusado esteja ou conforme qual pessoa esteja ocupando uma mesma cadeira de juiz durante o julgamento. A situação está tão descontrolada que muitos clamam a justiça de Deus mesmo quando claramente a estão transgredindo.

Os profetas da tribo de Levi já lamentam que o Povo Escolhido nem sequer consegue reconhecer o próprio Deus que os libertou do Egito. O exemplo mais evidente disso foi o repugnante ato do juiz Jefté da tribo de Gade que ofereceu o sacrifício humano de sua própria filha no desejo de agradar o Deus Único quando isso é considerado uma abominação pelas escrituras, mostrando que ele não tem a menor noção das leis de Deus e nem sabe mais diferenciar o Deus verdadeiro dos falsos deuses que requerem rituais tão bárbaros e selvagens.

A Economia

James Tissot (1836–1902)

Os israelitas sempre foram conhecidos por serem um povo andarilho desde os tempos de seus patriarcas Abraão, Isaque e Jacó que nunca tiveram residência permanente até os percalços da entrada e da saída do Egito. Os próprios egípcios os chamavam pejorativamente de “Hebreus”, que pode ser traduzidos como nômades ou mesmo como vagabundos. Até hoje, essa característica marca a economia do povo de Israel mesmo após séculos de vida fixada na Terra Prometida. Assim, o pastoreio de cabras e ovelhas sempre foi e continua sendo sua maior atividade econômica, pois em caso urgência eles parecem simplesmente prontos para partir da terra a qualquer momento levando consigo seu rebanho.

As margens do Rio Jordão são propícias para a agricultura, em especial, nas terras próximas a cidade de Jazrael no vale do monte Megido. É comum encontrar israelitas que plantam trigo para a produção do pão de cada dia, sendo este o alimento que melhor simboliza a comida israelita. Também são comuns a plantação de hortaliças, coleta de frutas e produção de óleo de oliva, mas a importância para a agricultura é mínima. Os israelitas parecem a tratar como uma atividade secundária ou mesmo inferior. As próprias leis reveladas por Moisés dificultam o crescimento dela, pois obrigam que após seis anos de plantio, o sétimo ano deve se deixado para o descanso do solo mesmo quando não é necessário. Talvez, por isso, eles não alcancem os mesmos patamares de produção que existe no Egito ou na Mesopotâmia, muitas vezes, tendo que importar o alimento de lá em muitas ocasiões, junto com a pimenta e as especiarias que são comuns de serem compradas de mercadores.

A atividade pecuária continua sendo o ponto mais forte da economia israelita. Essa atividade é impulsionada pela lei de Moisés que traz regras sobre como cortar a carne animal de forma ritualística para consumo. Como as outras nações desconhecem, menosprezam e até ridicularizam essas leis, praticamente toda o consumo interno da carne em Canaã tem origem local. A exportação dessa mesma carne para outros países tem se mostrado um excelente fonte de riqueza. Outras atividades comuns são a pesca nas áreas litorâneas e no rio Jordão. Embarcações pequenas a vela são utilizadas todos os dias para jogar redes ao mar e traze-las cheias de peixes. A coleta de sal, do Mar Morto e outros locais, com função de conservar a carne é algo grande valia e tem feitos muitos homens ricos em suas margens.

James Tissot (1836-1902)

A Sociedade

O povo de Israel é diferente de todos os povos. Os egípcios podem ser considerados fechados; os helenos, muito abertos; os minoanos, muito sensíveis; e os asiáticos, muito violentos; mas ninguém pode negar que os israelitas são o povo mais orgulhoso. Eles exaltam a ideia de que possuem o único Deus verdadeiro, o absoluto senso de moralidade e uma identidade cultural própria como o Povo Escolhido. Esse sentimento afasta os outros povos, que se sentem desrespeitados ao serem chamados de seguidores de falsos deuses ou povos imorais através da designação “gentio” ou “pagão”.

A Lei de Deus, revelada por Moisés, acentua esse isolamento. As escrituras proíbem os israelitas de comerem nas mesmas mesas dos pagão, pois estes não preparam a carne como descrito na lei. Elas também condenam o casamento estrangeiros pela preocupação de que seguidores de falsos deuses possam desvirtuar um noivo ou uma noiva do caminho de Deus. Elas também proíbem seus seguidores de se ajoelhar ou prestar qualquer honra a outros deuses, homens, estátuas ou símbolos estrangeiros mesmo que seja por questões diplomáticas ou por alguma formalidade, sendo este o maior de todos os pecados como descrito já primeiro mandamento da Lei de Deus.

Embora o povo de Israel tenha uma atitude de superioridade espiritual e moral em relação aos outros povos, eles possuem um grande senso de igualdade entre aqueles que possuem a mesma crença no deus verdadeiro. Ninguém é superior aos olhos de Deus e todos são passíveis de perdão pelo Senhor. Por isso, uma série de regras proíbem a escravidão e a cobrança de juros entre os membros das doze tribos de sua sociedade. Essas atividades ainda podem ser utilizada para pessoas estrangeiras, com alguns israelitas sendo donos de servos e escravos, principalmente, prisioneiros de guerra, mas entre seus próprios membros a sociedade israelita é igualitária e cheia de oportunidades.

James Tissot (1836–1902)

A População

A cotidiano da população é regido pelas escrituras em todos os seus níveis. No modo de se vestir, elas descrevem como o povo de Israel deve evitar símbolos da vaidades. As mulheres devem cobrir suas cabeças com véus para não mostrar seus cabelos e os homens não devem usar adornos que demostrem riqueza. As vestimentas são geralmente de lã retirada das ovelhas ou do linho retirado da colheita. No entanto, a segregação típica dos israelitas é representado nas roupas, pois esses dois tipos de tecido nunca podem ser combinados numa mesma costura.

O povo de Israel veste túnicas que cobrem todo o corpo, mas alguns acessórios são obrigatórios de forma que um israelita pode ser facilmente reconhecido numa multidão. Um tecido franjeado chamado “Talit” deve ser colocado ao redor do pescoço e sobre os ombros como um xale no momento das orações. Há também o “Tefilin”, que são amarras de couro para serem colocados em volta do braços onde caixas possuem a inscrição: “Escuta, ó Israel, o Eterno é nosso Deus, o Eterno é Único!”. Por último, há a recomendação de não andar mais de sete passos com a cabeça descoberta, pois a Presença Divina paira sempre sobre ela, assim, o acessório chamado “Kipá”, que é uma cobertura sobre a parte posterior da cabeça onde está a calva, é muito usado como um sinal de reverência a Deus.

Se o primeiro mandamento é honrar apenas a Deus, o segundo está na obrigação de manter um dia na semana completamente dedicado a reflexão pessoal e a reverência a Deus. Esse dia é conhecido como o “Sábado” na qual nenhuma atividade física pode ser realizada, nem carregar objetos na mão, subir uma escada ou mesmo escrever  Esse mandamento é simplesmente estranho aos olhos dos outros povos. Não raro é confundido com preguiça. A única exceção para regra está em situações cuja sua vida ou de outro ser vivo esteja em risco.

James Tissot (1836–1902)

O Sexo

A Lei de Moisés dita as regras da sociedade. Todo o povo deve assim obedecer padrões morais muito rígidos que ensinam a não realizar o sexo antes do casamento; condenar o homossexualismo; proibir uniões incestuosas; e valorizar a monogamia. Na maioria dos casos, o casamento de dois jovens é decidido pelos pais, sem uma consulta prévia a ambos, e, mesmo quando os noivos tem escolha na decisão, a primeira preocupação deles é saber o que os parentes pensam da união. Espera-se também que os noivos só venham a se amar após consumar o casamento, pois o amor é visto como uma questão de decisão pessoal, não como um sentimento.

As leis das escrituras sagradas evidenciam o pai como uma figura de autoridade na casa. Na verdade, a palavra “se casar” possui a mesma raiz de “se tornar mestre” no idioma israelita; sendo o dever da esposa se referir ao marido como seu mestre. Os divórcios estão previstos nas escrituras com leis específicas, mas só são permitidos por solicitação do marido ou, pelo menos, com seu consentimento. Não raro, mulheres podem ser condenadas em adultério por fugirem de maridos abusivos e buscarem novos parceiro, sendo o adultério punido com a morte da infiel e do seu amante.

A prostituição é extremamente condenada. Ela é vista como uma forma de adoração a falsos deuses, pois a luxúria e a ganância são os principais caminhos para se abandonar o Deus verdadeiro. Um provérbio israelita conta que “os lábios da mulher licenciosa destilam mel e a sua boca é mais macia que azeite; mas o seu fim é amargo como o absinto e agudo como a espada de dois gumes”. Não é raro encontrar propriedades destruídas e mulheres são apedrejadas sob essa acusação. Da mesma forma, o homossexualismo é considerado um pecado grave que deve ser imediatamente punido com a morte, sendo os israelitas os mais severos contra essa prática dentre todos os povos do mundo.

James Tissot (1836–1902)

As Celebrações

O Sábado não é um festival em si, mas uma ordem de Deus. Ele disse ao seu povo: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou”. Essa é uma das instituições mais fortes do povo de Israel e um dos dez mandamento principais de Deus, que não pode ser negado em nenhum momento.

O sacrifício de animais é tão importante para o povo de Israel que, das seiscentos e treze leis de Moisés, cem delas são referentes a essa prática. Todo sacrifício só pode ser realizado por um sacerdote treinado para realizar um corte limpo no pescoço de um animal puro, geralmente aves, ovelhas ou bovinos, na qual todo o seu sangue se derrama no altar. O sacrifício são de dois tipos: 1) o Sacrifício de Agradecimento (“Shelamin”), cuja morte do animal simboliza a lembrança de que todo sucesso alcançado pertence a Deus, e 2) o Sacrifício de Perdão (“Chatot”), cuja morte do animal é uma lembrança ao transgressor de que todo pecado causa sofrimento. Após o sacrifício, a gordura do animal é queimada e sua carne serve para alimentar os pobres ou manter o templo. Só em casos especiais, quando o sacerdote julgar necessário, a carne do animal pode ser totalmente incinerada no ritual chamado “Holocausto”.

James Tissot (1836–1902)

Os festivais são períodos que lembram o povo de Israel da sua história. As escrituras sagradas comanda três festivais principais que são: 1) Festa da Libertação (“Páscoa”), uma semana de celebração com pães não-fermentados para lembrar libertação do Egito por Moisés quando se saiu às pressas sem tempo de fermentar o pão; 2) Festa das Tendas (“Sucot”), uma semana em que se dorme em tendas para lembrar a travessia no deserto quando não se tinha terra própria onde dormir; 3) Festa da Colheita (“Shavout”), é o período para agradecer a conquista da Terra Prometida durante o tempo colheita dos cereais que essa terra fornece. Outras pequenas comemorações também ocorrem em cada primeira Lua Nova (“Rosh Chodesh”), que marca o início de cada mês no calendário israelita, e no dia do Ano-Novo (“Rosh Hashanah”), que é um momento de introspecção para comemorar a entrega da alma ao primeiro ser humano.

Todos os anos também é celebrado o Dia do Perdão Eterno (“Yom Kipur”) que ocorre na cidade de Siló, onde está a Arca da Aliança. São escolhidos dois cordeirinhos que representam o caminho de Deus e o caminho do pecado. Ao longo do dia anterior, toda população sadia e adulta deve infligir em si mesma várias restrições ao corpo incluem abster-se de qualquer água, comida, relações sexuais e limpeza corporal. Enfim, no dia da celebração, uma lista de pecados humanos é proferida em voz alta para os quais é solicitado o perdão. Em seguida, o primeiro cordeiro é oferecido a Deus para expiar os pecados cometidos por Israel e lembrar que o caminho de Deus leva aos Céus. Mais tarde, o outro cordeiro, que carrega o pecado da população e o nome de demônios que se opõem ao divino, é lançado fora da cidade, rumo ao deserto, o que representa uma existência árdua no mundo terreno.

Os Exércitos

O povo de Israel não possui uma organização militar, nem exército unificado. As doze tribos possuem homens conscritos na população que podem ser convocados pelo seu líder em momentos de necessidade. O chamado de um Juiz faz cada israelita preparar usa própria armadura e buscar sua própria arma para lutar. Geralmente, essas armaduras são de linho ou de couro enquanto as armas mais comuns são as lanças e espadas curtas. O número de guerreiros no exército israelita é assim sempre imprevisível a cada chamado, pois não há pagamento aos soldados além de uma parte da pilhagem. Vale muito mais a consciência de cada habitante e a influência de seu líder quando ocorre o chamado para a guerra.

Felizmente, o legado de Moisés unificou o povo numa identidade comum e no amor por essa terra que Deus lhes entregou. Essa identidade geográfica e cultural faz de Israel um povo sem interesse pelo expansionismo. Não há um desejo de se expandir para outras nações. No entanto, se um inimigo surge dentro das fronteiras da sua amada Terra, conclamando para si um pedaço dela, mesmo que numa tribo distante, eles sentem um fervor sobrenatural para a proteger. Mais que isso, eles lutam com todas as forças de sua alma em defesa de seu Deus. Esse dever cultural explicar suas vitórias contra o inimigo de Hazor quando houve o chamado da profetisa Débora e contra os invasores Amalequitas quando houve o chamado de Gideão.

James Tissot (1836–1902)