Cultura Canaanita

James Tissot (1836-1902)

O povo de Israel se autodenomina o “Povo Escolhido”, pois suas glórias foram conduzidas pelo seu Deus único e eterno, sendo todos os outros deuses de outras culturas e nações considerados falsos. Essa crença, revelada pelo patriarca Abraão, os torna extremamente malvistos pelos outros povo, mas eles continuam a prosperar mesmo diante de todas as adversidades. Hoje eles vivem na “Terra Prometida” profetizada pelo profeta Moisés e vivem no “Reino Unificado” pelo ungido Davi.

A Geografia

O território de Canaã está localizado numa faixa estreita de terra fértil entre o litoral da Talassa e a cadeia de montanhas de Hermon. É tão estreita que em apenas dois dias de viagem se atravessa de um lado ao outro. Nenhuma cidade consegue se manter fora deste trecho, mas a fertilidade em seu interior é garantida pela água potável do rio Jordão que percorre todo território desde o norte até sul quando enfim desemboca nas águas inóspitas e salinizadas do Mar Morto.

O clima nas terras que estão fora da faixa fértil de terra é extremamente árido e seco. A cadeia de montanhas e o deserto que se forma além de seus picos é marcado entre avermelhado inóspito e o cinzento sem vida do lugar. No entanto, o território dentro da faixa fértil é bem mais ameno. As temperaturas podem variar bastante ao longo do ano embora o calor esteja sempre presente e qualquer chuva seja sempre bem vinda. O verão continua sendo escaldante e o inverno bem frio com possibilidade de neve nos picos das mais altas montanhas. Felizmente, o rio Jordão garante boas colheitas capazes de manter a população satisfeita todos os anos.

A História

O destino do povo de Israel era desaparecer em meio aos maus-tratos e ao esquecimento de sua cultura em razão da escravidão que o Império Egípcio os impôs. No entanto, um homem mudou essa história. O profeta Moisés, que foi criado como um egípcio, com acesso a melhor educação que o palácio do faraó poderia lhe dar, descobriu que seus pais eram israelitas. Ele coletou a história de seus antepassados e retomou as suas raízes. Ele se ajoelhou diante do Deus único e eterno; e aceitou que todos os outros deuses eram falsos. Ele então retornou ao palácio do faraó não mais como um egípcio, mas como um filho de Israel para demandar a libertação do Povo Escolhido.

O faraó não aceitou as demandas e ameaças do profeta do Povo Escolhido, mas os egípcios rejeitaram qualquer negociação. Assim, dez terríveis pragas caíram sobre o Egito até que as demandas fossem aceitas. O faraó não encontrou uma alternativa além de aceitar a libertação do povo de Israel para acabar com a maldição lançada por Moisés.  O povo de Israel conseguiu assim retornar para sua terra natal, a mesma que Deus prometeu ao patriarca Abraão conforme os escritos descobertos e revelados por Moisés, mas o profeta não conseguiu colocar os pés no lugar. Ele morreu, sobre as montanhas, a contemplando ao longe ao fim de sua longa vida.

O velho profeta Moisés confiou ao seu melhor discípulo Josué a missão encerrar a dominação da terra por povos ignorantes, que entregavam seus corpos em orgias e sacrificavam crianças aos falsos deuses. A disputas por aquelas terras foi árdua, mas, com a graça do Deus verdadeiro, eles reconquistaram a sua terra natal e massacraram todos que se opuseram contra eles. No fim, o líder Josué dividiu a Terra Prometida entre as doze tribos de Israel que remontavam aos seus antepassados. Por fim, um templo dedicado ao Deus Único foi erguido na cidade de Siló para os sacerdotes levitas.

James Tissot 1836-1902)

A Política

Por quatrocentos anos, desde a conquista da Terra Prometida, não houve qualquer organização política entre as doze tribos de Israel. Cada tribo escolhia um líder, a quem chamavam de “Juiz”, e este decidia sobre todas as disputas. Não havia qualquer jurisprudência ou objetivos comuns. Cada líder tribal fazia aquilo que era certo aos seus próprios olhos. A Lei de Deus era constantemente desrespeitada. Assim, os sacerdotes sentiram a necessidade de um líder único que impusesse a vontade divina e desse orientação ao povo escolhido. Após muitas tentativas, o grande líder ungido que conseguiu essa missão se chamou Davi. Ele unificou as doze tribos num único governo central e fundou a cidade de Jerusalém para ser a capital do novo reino.

A fundação do reino unificado pelo rei Davi ocorreu há oitenta anos atrás. Os anos que seguiram sua fundação foram de um crescimento sem igual. O rei Davi conseguiu criar uma estabilidade nos quarenta anos em que reinou. O seu filho Salomão o levou ao auge com a construção do grande Templo de Jerusalém. Graças à devoção ao Deus Único, todo o povo de Israel concordou em pagar os altos custos da obra por sete anos. Depois, aceitaram pagar a construção do majestoso palácio real de Salomão por mais treze anos. Enfim, quando as obras se encerraram, pensaram que poderiam respirar com o retorno dos impostos ao valor anterior. Infelizmente, o rei Salomão se negou em baixar os impostos. E assim vinte anos de altas taxas se seguiram apenas para satisfazer o luxo e vaidade do monarca.

Hoje, o rei Salomão está no fim de sua vida, sem arrependimentos pela forma como governou nos quarenta anos do seu governo. Teve mais de mil mulheres e a maior riqueza que um monarca poderia sonhar. No entanto, esse estilo de vida chegou ao limite da capacidade da população. Nunca a sua popularidade esteve tão em baixa. A situação ficou ainda pior quando os conselheiros tentaram convencer o seu filho sucessor Roboão a baixar esses impostos quando ascendesse ao trono paterno. Os sábios conselheiros perguntaram ao futuro rei: “Vossa majestade, agora que o templo e palácio está construído, o senhor irá baixar os impostos?”. Mas o príncipe Roboão respondeu: “O meu dedo mínimo é mais largo que a cintura do meu pai; e por isso, os impostos serão aumentados!”. Desde que a notícia se espalhou, revoltas populares agora surgem todos os dias em cada uma das doze tribos.

As Tribos

O líder Jeroboão da tribo de Efraim foi o primeiro a se manifestar contra a pesada mão do novo monarca.  Ele conseguiu o apoio financeiro do faraó Ramsés do Egito para uma rebelião e organizou uma grande celebração do Festival das Tendas nas suas terras da tribo de Efraim para conseguir aliados. Ele formou uma aliança para se revoltar contra o rei Salomão com outros quatro líderes de tribo: Baasa, Zimri, Omri e Tibni. Essa revolta está prestes a explodir com todo o apoio popular que o ódio contra os impostos fomentou. Não há dúvidas que um grande divisão em todo o Povo Escolhido está acontecendo. Todos estão tomando um lado.

  1. Rei Salomão de Jerusalém, da terra de Judá, a capital dos israelitas.
  2. Juiz Simei de Betel, da terra de Benjamin, a tribo do altar divino.
  3. Juiz Zadoque de Siló, da terra de Levi, a tribo dos sacerdotes levitas.
  4. Juiz Jeroboão de Siquém, da terra de Efraim, a tribo em conspiração.
  5. Juiz Zimri de Bersebá, da terra de Simeão, a tribo em insurreição.
  6. Juiz Tibni de Gileade, da terra de Manassés, a tribo do líder fanático.
  7. Juiz Baasa de Megido, da terra de Issacar, a tribo no vale das batalhas.
  8. Juiz Ben-Abinadabe de Dor, da terra de Zebulão, a tribo dos blasfemadores.
  9. Juiz Omri de Hazor, da terra de Naftali, a tribo sob controle Baalista.
  10. Juiz Baalit de Acre, da terra de Aser, a tribo sob controle Fenício.
  11. Juiz Shobi de Sucote, da terra de Gade, a tribo sob controle Amonita.
  12. Juiz Messa de Hesbon, da terra de Rubén, a tribo sob controle Moabita.
  13. Juiz Bendequer de Jaffa, da terra de Dan, a tribo sob controle Cretense.
  14. Juiz Aquis de Gaza, da terra de Retenu, a tribo sob controle Egípcio.
  15. Juiz Tabrimon de Damasco, da terra de Aram, a tribo sob controle Assírio.
  16. Juiz Hadad de Edom, da terra do Transjordão, a tribo rival
  17. Juiz Midiã, da terra de Negev, a tribo dos beduínos.

.

James Tissot 1836-1902

As Leis

James Tissot (1836–1902)

O grande profeta Moisés recebeu no monte Sinai as tábuas com os mandamentos de Deus. São seiscentas e treze leis que não permitem margem para interpretação, apenas para comentário e discussão para situações específicas. Elas regem tudo desde a forma como os sacrifícios animais devem ser oferecidos no templo até como conduzir as situações de divórcio e infidelidade; desde as regras para o casamento até como comemorar os feriados sagrados; desde como os profetas devem celebrar seus rituais até as punições para os crimes do dia-a-dia. Essas leis estão escritas em tábuas de pedras que foram colocadas dentro de um baú, chamado a “Arca da Aliança”, que foi construído e ornamentado sob orientação direta do profeta Moisés. A Arca ficou guardada no templo da cidade de Siló por séculos até enfim o rei Davi a levar para a recém-fundada cidade de Jerusalém, que se tornou a capital do Povo Escolhido.

Infelizmente, por mais claras que as leis sejam apresentadas nos livros sagrados, os séculos mostram inúmeros exemplos de transgressões. Os sacerdotes do Deus Único sempre lamentaram que nem os líderes do Povo Escolhido conseguiam sequer reconhecer seu próprio Deus. Por muito tempo, os sacerdotes buscaram um líder que conhecesse e fosse temente a lei de Deus. Infelizmente, todos os candidatos falharam nos requisitos. O general Baraque nunca confiou totalmente em Deus. O líder Gideão desejou que todos o venerassem como divindade. O guerreiro Jefté ofereceu sua filha em sacrifício no altar de Deus. O poderoso Sansão se rendeu às imoralidades estrangeiras. O rei Saul se ajoelhou sete vezes diante dos egípcios mesmo clamando ser o Leão de Deus (“Labaya”). Nenhum deles era capaz de diferenciar o Deus verdadeiro dos falsos deuses que permitem e requerem tamanhas barbaridades.

O rei Davi foi o único que preencheu os requisitos. Afinal, mesmo que errasse, reconhecia os seus erros. Conhecia o Deus único e eterno. Ele assim foi ungido por todos os sacerdotes. Ganhou o apoio de todos os líderes. Enfrentou os opressores egípcios que o chamaram de baderneiro (“Habiru” ou “Hebreu” no idioma egípcio). Todos os profetas acreditaram que este seria o começo de uma nova era de devoção. Infelizmente, tudo se mostrou uma farsa. O atual rei Salomão seguiu o caminho pecaminoso dos antigos líderes israelitas ao permitir que suas muitas esposas guardassem imagens em seus quartos e pendurassem ídolos de falsos deuses em frente ao palácio real. Mesmo o revoltoso Jeroboão, que deseja confrontar o rei atual, mostra-se ainda pior. Ele trouxe consigo. de seu exílio do Egito, dois falsos deuses na forma de ídolos de Bezerros de Ouro para comemorar o anual Festival das Barracas. Os sacerdotes do Deus Únicos estão em polvorosa com a situação. Eles clamam que Deus não terá mais misericórdia agora e que uma “Era de Lamentações” se aproxima.

A Economia

James Tissot (1836–1902)

Os israelitas sempre foram conhecidos por serem um povo andarilho desde os tempos de seus patriarcas Abraão, Isaque e Jacó que nunca tiveram residência permanente até os percalços da entrada e da saída do Egito. Os próprios egípcios os chamavam pejorativamente de “Hebreus”, que pode ser traduzidos como nômades ou mesmo como vagabundos. Até hoje, essa característica marca a economia do povo de Israel mesmo após séculos de vida fixada na Terra Prometida. Assim, o pastoreio de cabras e ovelhas sempre foi e continua sendo sua maior atividade econômica, pois em caso urgência eles parecem simplesmente prontos para partir da terra a qualquer momento levando consigo seu rebanho.

As margens do Rio Jordão são propícias para a agricultura, em especial, nas terras próximas a cidade de Jazrael no vale do monte Megido. É comum encontrar israelitas que plantam trigo para a produção do pão de cada dia, sendo este o alimento que melhor simboliza a comida israelita. Também são comuns a plantação de hortaliças, coleta de frutas e produção de óleo de oliva, mas a importância para a agricultura é mínima. Os israelitas parecem a tratar como uma atividade secundária ou mesmo inferior. As próprias leis reveladas por Moisés dificultam o crescimento dela, pois obrigam que após seis anos de plantio, o sétimo ano deve se deixado para o descanso do solo mesmo quando não é necessário. Talvez, por isso, eles não alcancem os mesmos patamares de produção que existe no Egito ou na Mesopotâmia, muitas vezes, tendo que importar o alimento de lá em muitas ocasiões, junto com a pimenta e as especiarias que são comuns de serem compradas de mercadores.

A atividade pecuária continua sendo o ponto mais forte da economia israelita. Essa atividade é impulsionada pela lei de Moisés que traz regras sobre como cortar a carne animal de forma ritualística para consumo. Como as outras nações desconhecem, menosprezam e até ridicularizam essas leis, praticamente toda o consumo interno da carne em Canaã tem origem local. A exportação dessa mesma carne para outros países tem se mostrado um excelente fonte de riqueza. Outras atividades comuns são a pesca nas áreas litorâneas e no rio Jordão. Embarcações pequenas a vela são utilizadas todos os dias para jogar redes ao mar e traze-las cheias de peixes. A coleta de sal, do Mar Morto e outros locais, com função de conservar a carne é algo grande valia e tem feitos muitos homens ricos em suas margens.

James Tissot (1836-1902)

A Sociedade

O povo de Israel é diferente de todos os povos. Os egípcios podem ser considerados fechados; os helenos, muito abertos; os minoanos, muito sensíveis; e os asiáticos, muito violentos; mas ninguém pode negar que os israelitas são o povo mais orgulhoso. Eles exaltam a ideia de que possuem o único Deus verdadeiro, o absoluto senso de moralidade e uma identidade cultural própria como o Povo Escolhido. Esse sentimento afasta os outros povos, que se sentem desrespeitados ao serem chamados de seguidores de falsos deuses ou povos imorais através da designação “gentio” ou “pagão”.

A Lei de Deus, revelada por Moisés, acentua esse isolamento. As escrituras proíbem os israelitas de comerem nas mesmas mesas dos pagão, pois estes não preparam a carne como descrito na lei. Elas também condenam o casamento estrangeiros pela preocupação de que seguidores de falsos deuses possam desvirtuar um noivo ou uma noiva do caminho de Deus. Elas também proíbem seus seguidores de se ajoelhar ou prestar qualquer honra a outros deuses, homens, estátuas ou símbolos estrangeiros mesmo que seja por questões diplomáticas ou por alguma formalidade, sendo este o maior de todos os pecados como descrito já primeiro mandamento da Lei de Deus.

Embora o povo de Israel tenha uma atitude de superioridade espiritual e moral em relação aos outros povos, eles possuem um grande senso de igualdade entre aqueles que possuem a mesma crença no deus verdadeiro. Ninguém é superior aos olhos de Deus e todos são passíveis de perdão pelo Senhor. Por isso, uma série de regras proíbem a escravidão e a cobrança de juros entre os membros das doze tribos de sua sociedade. Essas atividades ainda podem ser utilizada para pessoas estrangeiras, com alguns israelitas sendo donos de servos e escravos, principalmente, prisioneiros de guerra, mas entre seus próprios membros a sociedade israelita é igualitária e cheia de oportunidades.

James Tissot (1836–1902)

A População

A cotidiano da população é regido pelas escrituras em todos os seus níveis. No modo de se vestir, elas descrevem como o povo de Israel deve evitar símbolos da vaidades. As mulheres devem cobrir suas cabeças com véus para não mostrar seus cabelos e os homens não devem usar adornos que demostrem riqueza. As vestimentas são geralmente de lã retirada das ovelhas ou do linho retirado da colheita. No entanto, a segregação típica dos israelitas é representado nas roupas, pois esses dois tipos de tecido nunca podem ser combinados numa mesma costura.

O povo de Israel veste túnicas que cobrem todo o corpo, mas alguns acessórios são obrigatórios de forma que um israelita pode ser facilmente reconhecido numa multidão. Um tecido franjeado chamado “Talit” deve ser colocado ao redor do pescoço e sobre os ombros como um xale no momento das orações. Há também o “Tefilin”, que são amarras de couro para serem colocados em volta do braços onde caixas possuem a inscrição: “Escuta, ó Israel, o Eterno é nosso Deus, o Eterno é Único!”. Por último, há a recomendação de não andar mais de sete passos com a cabeça descoberta, pois a Presença Divina paira sempre sobre ela, assim, o acessório chamado “Kipá”, que é uma cobertura sobre a parte posterior da cabeça onde está a calva, é muito usado como um sinal de reverência a Deus.

Se o primeiro mandamento é honrar apenas a Deus, o segundo está na obrigação de manter um dia na semana completamente dedicado a reflexão pessoal e a reverência a Deus. Esse dia é conhecido como o “Sábado” na qual nenhuma atividade física pode ser realizada, nem carregar objetos na mão, subir uma escada ou mesmo escrever  Esse mandamento é simplesmente estranho aos olhos dos outros povos. Não raro é confundido com preguiça. A única exceção para regra está em situações cuja sua vida ou de outro ser vivo esteja em risco.

James Tissot (1836–1902)

Os Relacionamentos

A Lei de Moisés dita as regras da sociedade. Todo o povo deve assim obedecer padrões morais muito rígidos que ensinam a não realizar o sexo antes do casamento; condenar o homossexualismo; proibir uniões incestuosas; e valorizar a monogamia. Na maioria dos casos, o casamento de dois jovens é decidido pelos pais, sem uma consulta prévia a ambos, e, mesmo quando os noivos tem escolha na decisão, a primeira preocupação deles é saber o que os parentes pensam da união. Espera-se também que os noivos só venham a se amar após consumar o casamento, pois o amor é visto como uma questão de decisão pessoal, não como um sentimento.

As leis das escrituras sagradas evidenciam o pai como uma figura de autoridade na casa. Na verdade, a palavra “se casar” possui a mesma raiz de “se tornar mestre” no idioma israelita; sendo o dever da esposa se referir ao marido como seu mestre. Os divórcios estão previstos nas escrituras com leis específicas, mas só são permitidos por solicitação do marido ou, pelo menos, com seu consentimento. Não raro, mulheres podem ser condenadas em adultério por fugirem de maridos abusivos e buscarem novos parceiro, sendo o adultério punido com a morte da infiel e do seu amante.

A prostituição é extremamente condenada. Ela é vista como uma forma de adoração a falsos deuses, pois a luxúria e a ganância são os principais caminhos para se abandonar o Deus verdadeiro. Um provérbio israelita conta que “os lábios da mulher licenciosa destilam mel e a sua boca é mais macia que azeite; mas o seu fim é amargo como o absinto e agudo como a espada de dois gumes”. Não é raro encontrar propriedades destruídas e mulheres são apedrejadas sob essa acusação. Da mesma forma, o homossexualismo é considerado um pecado grave que deve ser imediatamente punido com a morte, sendo os israelitas os mais severos contra essa prática dentre todos os povos do mundo.

James Tissot (1836–1902)

As Celebrações

O Sábado não é um festival em si, mas uma ordem de Deus. Ele disse ao seu povo: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou”. Essa é uma das instituições mais fortes do povo de Israel e um dos dez mandamento principais de Deus, que não pode ser negado em nenhum momento.

O sacrifício de animais é tão importante para o povo de Israel que, das seiscentos e treze leis de Moisés, cem delas são referentes a essa prática. Todo sacrifício só pode ser realizado por um sacerdote treinado para realizar um corte limpo no pescoço de um animal puro, geralmente aves, ovelhas ou bovinos, na qual todo o seu sangue se derrama no altar. O sacrifício são de dois tipos: 1) o Sacrifício de Agradecimento (“Shelamin”), cuja morte do animal simboliza a lembrança de que todo sucesso alcançado pertence a Deus, e 2) o Sacrifício de Perdão (“Chatot”), cuja morte do animal é uma lembrança ao transgressor de que todo pecado causa sofrimento. Após o sacrifício, a gordura do animal é queimada e sua carne serve para alimentar os pobres ou manter o templo. Só em casos especiais, quando o sacerdote julgar necessário, a carne do animal pode ser totalmente incinerada no ritual chamado “Holocausto”.

James Tissot (1836–1902)

Os festivais são períodos que lembram o povo de Israel da sua história. As escrituras sagradas comanda três festivais principais que são: 1) Festa da Libertação (“Páscoa”), uma semana de celebração com pães não-fermentados para lembrar libertação do Egito por Moisés quando se saiu às pressas sem tempo de fermentar o pão; 2) Festa das Tendas (“Sucot”), uma semana em que se dorme em tendas para lembrar a travessia no deserto quando não se tinha terra própria onde dormir; 3) Festa da Colheita (“Shavout”), é o período para agradecer a conquista da Terra Prometida durante o tempo colheita dos cereais que essa terra fornece. Outras pequenas comemorações também ocorrem em cada primeira Lua Nova (“Rosh Chodesh”), que marca o início de cada mês no calendário israelita, e no dia do Ano-Novo (“Rosh Hashanah”), que é um momento de introspecção para comemorar a entrega da alma ao primeiro ser humano.

Todos os anos também é celebrado o Dia do Perdão Eterno (“Yom Kippur”) que ocorre na cidade de Jerusalém, onde está a Arca da Aliança. São escolhidos dois cordeirinhos que representam o caminho de Deus e o caminho do pecado. Ao longo do dia anterior, toda população sadia e adulta deve infligir em si mesma várias restrições ao corpo incluem abster-se de qualquer água, comida, relações sexuais e limpeza corporal. Enfim, no dia da celebração, uma lista de pecados humanos é proferida em voz alta para os quais é solicitado o perdão. Em seguida, o primeiro cordeiro é oferecido a Deus para expiar os pecados cometidos por Israel e lembrar que o caminho de Deus leva aos Céus. Mais tarde, o outro cordeiro, que carrega o pecado da população e o nome de demônios que se opõem ao divino, é lançado fora da cidade, rumo ao deserto, o que representa uma existência árdua no mundo terreno.

Os Exércitos

O povo de Israel não possui uma organização militar, nem exército unificado. As doze tribos possuem homens conscritos na população que podem ser convocados pelo seu líder em momentos de necessidade. O chamado de um Juiz faz cada israelita preparar usa própria armadura e buscar sua própria arma para lutar. Geralmente, essas armaduras são de linho ou de couro enquanto as armas mais comuns são as lanças e espadas curtas. O número de guerreiros no exército israelita é assim sempre imprevisível a cada chamado, pois não há pagamento aos soldados além de uma parte da pilhagem. Vale muito mais a consciência de cada habitante e a influência de seu líder quando ocorre o chamado para a guerra.

Felizmente, o legado de Moisés unificou o povo numa identidade comum e no amor por essa terra que Deus lhes entregou. Essa identidade geográfica e cultural faz de Israel um povo sem interesse pelo expansionismo. Não há um desejo de se expandir para outras nações. No entanto, se um inimigo surge dentro das fronteiras da sua amada Terra, conclamando para si um pedaço dela, mesmo que numa tribo distante, eles sentem um fervor sobrenatural para a proteger. Mais que isso, eles lutam com todas as forças de sua alma em defesa de seu Deus. Esse dever cultural explicar suas vitórias contra o inimigo de Hazor quando houve o chamado da profetisa Débora e contra os invasores Amalequitas quando houve o chamado de Gideão.

James Tissot (1836–1902)

Nota: Era de Davi