Jaffa

A Tribo dos Navegantes

James Tissot (1836–1902)

Governante: Bendequer
Território: Tribo de Dã
Símbolo: a Serpente Traiçoeira

O patriarca Abraão recebeu a revelação de que existe apenas o Deus único e verdadeiro, que lhe prometeu uma descendência próspera e numerosa. Abraão assim teve doze bisnetos cujos descendentes remontam as doze tribos de Israel que governam a terra de Canaã. O descendente chamado Dã recebeu a profecia de seu pai Jacó: “Você será uma serpente à beira da estrada, uma víbora à margem do caminho, que morde o calcanhar do cavalo e faz cair de costas o seu cavaleiro”. Essa profecia se tornou verdade com o porto de Jaffa que recebe pessoas de todo o mundo para venda e compra de mercadorias. Infelizmente, esses viajantes estrangeiros também atraem os piores costumes. Prostituição, jogos de azar, roubos e assassinatos são eventos corriqueiras de uma cidade tão cosmopolita quanto Jaffa cujo poro mostra-se tão movimentado quando os outros grandes portos do mundo como Tiro, Troia, Cnosso e Faros. 

Infelizmente, uma profecia diz que um novo povo de terras tão pecaminosas quanto os helenos ou minoanos logo chegará nas terras e trará a desordem para a população. Dizem que as terras hoje que pertencem à tribo de Dã se tornarão uma serpente traiçoeira que levará o pecado para as demais tribos de Israel. Até mesmo o poderoso Sansão, que governou a tribo de Dã e foi escolhido por Deus, caiu nas tentações da cidade. Ele se deixou seduzir pela imoralidade de prostitutas locais com que se casou e caiu em desgraça por isso.  Hoje, a situação não parece estar melhor. O líder revoltoso Jeroboão, que anos anos conspirou contra o rei Salomão, está retornando.  Ele conseguiu escapar da pena de morte ao fugir para o Egito, mas agora prepara o seu retorno. Ele traz consigo a escolta do exército egípcio e com dois ídolos de ouro na forma de touros para comemorar o Festival das Barracas. Logo que o moribundo rei Salomão estiver morto, ele avançará com a aclamação do povo frente aos ídolos condenados pela religião do Deus Único. Por mais que o governador da região apontado pelo rei Salomão, chamado de Bendequer, tente evitar isso, o povo de Dã já está comemora a chegada dos Touros de Ouro.  

 

Azarias

O inteligente Azarias é um dos mais proeminentes administradores do rei Salomão, cuja família possui um grande histórico de serviços prestados à cidade de Jerusalém e à casa de Davi. O seu pai foi o famoso profeta Natã que serviu de conselheiro ao antigo rei Davi durante a crise de popularidade quando este rei teve um caso romântico com a esposa de um de seus melhores soldados.

O bom Azarias agora conduz a crise de popularidade do rei Salomão em razão dos altos impostos. Ele também tentou aconselhar seu filho e sucessor, o príncipe Roboão. No entanto, este também não o escutou. O administrador agora se preocupa enormemente com a animosidade em toda população das Doze Tribos contra a monarquia unificada. Alguns partidários do líder revoltoso Jeroboão estão anunciando a chegada deste novo líder com um ídolo de ouro. Afinal, com a saúde do rei Salomão se deteriorando, Azarias sabe que o príncipe Roboão não terá a força política de confrontar a revolução que se aproxima.

 

Gabael

O mercador Gabael está acostumado a realizar o percurso até as terras de Dã para vender as mercadorias que produz na terra de Efraim. Ele sempre traz consigo se filho Aduel para o ajudar no ofício. E juntos, pai e filho, conseguem o bastante para ter uma vida digna. Esse ano, no entanto, o Festival das Barracas será o maior que a cidade de Jaffa já viu graças ao anúncio que o líder revoltoso Jeroboão está chegando. 

Não há dúvidas que, hoje um moribundo, o velho rei Salomão nunca possui a glória e o favor público que já deteve entre o seu povo. Além disso, o seu filho, sucessor do reino, está em popularidade ainda mais baixa com o anúncio de que os altos impostos seriam aumentados no seu reinado que se aproxima. Todos assim se alegram com o anúncio da chegada de Jeroboão que traz consigo muitas riquezas do Egito e festivais. O bom Gabael está entre eles. Apesar dos protestos da sua nora Débora, que condena os ídolos de ouro, o comerciante está radiante com a possibilidade de lucrar com a situação.

 

Marcode

O talentoso Marcode possui poderes de cura milagrosa que o fizeram famoso por toda a Canaã. Ele também é famoso por seu carisma e capacidade de reunir multidões. Muitos o buscam para ter suas doenças sanadas, mas muitos continuam o seguindo na busca de um novo estilo de vida de pura exaltação. A fama de Marqod cresceu graças aos seus famosos rituais com muita música e dança.

Os devotos de Marcode costumam se reunir para cantar louvores em homenagem aos deuses. Todos ficam entorpecidos de álcool. Todos devem dançar e se animar. E tudo muitas vezes se encerra em orgias ritualísticas. O objetivo é alcançar o êxtase espiritual através das sensações físicas. Muitos dos seus seguidores hoje o consideram um deus, é o deus da dança.

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James Tissot (1836–1902)

Dagom

O deus Dagom é muito mais antigo do que se pode imaginar. Ele já reinou sobre os homens e governou por toda a Criação, e foi possuidor de muitos nomes e epítetos. Ele já foi conhecido como Crono pelos helenos e Enki pelos mesopotâmios, mas, em todos os panteões, ele sempre foi um dos setenta filhos do Céu e da Terra. Ele sempre foi responsável por separar os pais de seu abraço sexual quando, de dentro do útero da mãe, arrancou o falo paterno, permitindo que a criação pudesse ser habitada. Ele também foi casado com a Deusa-Mãe, que também recebeu muitos nomes como Shala, Reia, Cibele e Ninhursag. No entanto, por séculos não se ouviu mais falar sobre esse poderoso deus.

O deus Dagom deixou para trás o seu trono no mundo dos vivos para residir no mais obscuro dos fossos das profundezas. E ali permaneceu por quatrocentos anos. Os motivos de sua reclusão são desconhecidos. Rumores contam sobre aprisionamento por outros deuses, sobre o desinteresse pelos assuntos humanos, sobre a separação com a Deusa-Mãe ou sobre a decepção com os reis das cidades onde era patrono como o arrogante Naram-Sin de Acádia e o incompetente Zimri-Lim de Mari. No entanto, após seu período de isolamento, o antigo deus retornou para o mundo dos vivos para tomar o seu lugar no panteão canaanita. Desde que a Deusa-Mãe o deixou, ele arranjou uma nova companhia na deusa Ishara, a dama do amor. Juntos, o casal planeja trazer um povo distante para governar sobre os israelitas.

 

Ishara

A deusa Ishara rege sobre o amor, o erotismo e a fertilidade. Ela é um dos setenta filhos do Céu e da Terra, que recebeu a cidade de Ur para si, mas sua adoração se estendeu aos acadianos, babilônicos e assírios sob o nome de Istar e Inana. Ela executa a justiça divina, por isso, destruiu o Monte Ebi por desafiar sua autoridade, obliterou o jardineiro Sucaletuda que a estuprou e matou a bandida Bilulu que assassinou seu esposo.

A deusa também foi culpada de arrogância pelos sete juízes das profundezas quando tentar conquistar o Mundo Espiritual. Ela foi deveria estar aprisionada nas profundezas por toda a eternidade, mas seu esposo Tamuz a substituiu na punição. Ele passa metade do tempo no mundo dos mortos e a outra metade no mundo dos vivos. É na metade do tempo que está longe do esposo que Ishara tem Dagom como seu amante.