Siquém

A Tribo em Conspiração

Governante: Jeroboão
Território: Tribo de Efraim
Símbolo: a Árvore Frutífera

O patriarca Abraão recebeu a revelação de que existe apenas o Deus único e verdadeiro, que lhe prometeu uma descendência próspera e numerosa. Abraão assim teve doze bisnetos cujos descendentes remontam as doze tribos de Israel que governam a terra de Canaã. O bisneto chamado José recebeu a profecia do pai Jacó:  “Você é uma árvore frutífera, árvore frutífera à beira de uma fonte, cujos galhos passam por cima do muro”. A principal cidade nas terras dessa tribo é a cidade de Siquém que também é uma das mais antigas do mundo. No entanto, a relação entre esta cidade milenar e os israelitas nem sempre foi frutífera.

Séculos atrás, o príncipe da cidade de Siquém  se apaixonou pela filha do patriarca israelita Jacó. O príncipe a levou para a cidade e se casou com ela, mas não comunicou o ocorrido ao seu pai e seus doze irmãos. O pai Jacó ainda apaziguou a situação através de uma boa negociação de casamento, mas os irmãos não conseguiram ignorar o desrespeito. Eles invadiram a cidade e massacraram a sua população. Mataram o rei e o príncipe. O patriarca Jacó foi obrigado a abandonar tudo com o temor de vingança pelos povos locais. Perdeu tudo o que havia construído. Hoje, passasdos muitos séculos desde esses eventos, um novo problema está surgindo. O líder da tribo de Efraim, chamado Jeroboão, está realizando uma aliança contra o rei Roboão. Ele reuniu cinco líderes das tribos de Israel e o apoio do faraó que enviou os exércitos egípcios para o combate. Uma insurreição está prestes a acontecer e a guerra civil é iminente.

Nadabe

O jovem Nadabe é o filho primogênito de Jeroboão que tem acompanhado as estratégias paternas para assumir o poder sobre toda a Israel. O pai iniciou sua carreira servindo ao rei anterior Salomão como chefe da tribo de Efraim e Manassés, mas já nesse período ele conspirou contra este monarca. O rei Salomão descobriu a conspiração antes que tivesse início e mandou matar o Jeroboão, que fugiu e refugiou-se no Egito. Lá, o revoltoso Jeroboão permaneceu até a morte de Salomão.

Quando escutou o clamor popular contra os impostos do recém-coroado rei Roboão, o líder Jeroboão soube que o seu momento havia chegado. Ele enviou emissários a todas as tribos de Israel, conseguindo o apoio de dez delas. Em especial, firmou um pacto com os líderes Baasa, Zinri, Tibni e Omri. O líder Jeroboão retorna agora à sua terra natal com a escolta do exército egípcio e com dois ídolos de ouro na forma de touros para comemorar o Festival das Barracas. Ele assim entrou nas terras israelitas aclamado pelo povo como o novo rei das dez tribos. Basta agora aguarda a reação do rei Roboão no confronto que decidirá o futuro de Israel.

Obadias

O bom Obadias é o homem de confiança do líder Jeroboão. Ele representou o seu líder no tempo em que este esteve exilado nas terras do Egito e manteve a influência dele sobre as tribos de Efraim e Manassés. Agora, o bom administrador está esperando o retorno do seu líder que vem livrar o povo da opressão do rei Roboão. No entanto, os rumores de como este retorno vem um uma terrível surpresa.

Afinal, Obadias também é um devoto do Deus Único e segue a Lei de Moisés com todo o cuidado. Por isso, ele está chocado com os rumores de que Jeroboão está trazendo consigo nas terras egípcias ídolos de ouro na forma de dois touros para adoração no Festival das Barracas de Betel. O bom administrador sabe de história de como o grande profeta Moisés amaldiçoou o povo de Israel durante sua travessia no deserto quando estes construíram bezerros de ouro para adoração. Ele escutou que os sacerdotes de Siló já lançaram maldições contra o líder revoltoso. Clamam que Deus causará a morte de Jeroboão e de todos esses familiares caso ele persista nesse pecado. Agora, Obadias está em conflito sobre seguir seu líder como sempre fez ou o condenar como manda sua crença.

Hamor

Os sacerdote Hamor vem de uma antiga linhagem de adoradores do panteão canaanita que hoje é condenada pelos líderes israelitas. Essa linhagem remete ao antigo rei da cidade de Siquém, também de nome Hamor, que muitos séculos atrás foi morto pelos doze filhos do patriarca Jacó. Ele é um dos maiores divulgadores do panteão canaanita e fornecedor de estatuetas dos seus muitos deuses para adoração. Os sacerdotes do Deus Único tentam a todo custo evitar essa crença idólatra, mas a grande dificuldades está na confusão feita sobre a própria natureza das divindades.

A crença de Hamor não prega que o deus supremo El seja esquecido. Pelo contrário, o deus supremo continua sendo o mais importante dos deuses. No entanto, Hamor e seus seguidores não enxergam Deus como uma figura única, mas como uma figura paterna para todos os muitos deuses do panteão. Afinal, o todo-poderoso El está muito ocupado com as engrenagens do mundo e o funcionamento do universo, não há tempo para as preocupações diárias nas vidas humanas. Para essas intercessões mundanas, existem seus filhos: Adad, Yam, Mot, Anat, Zebub e outros. Pelo menos, esta é a base da crença canaanita. Por isso, existem deuses diferentes para os agricultores, navegantes, falecidos e outros vários aspectos da vida humana.

Aserá

Os cultos canaanitas não acreditam que o todo-poderoso El seja um deus único, mas um deus supremo que criou a humanidade e gerou todo os outros deuses. Ele se casou com a esposa-divina Aserá com quem teve muitos filhos. O maior desses filhos chama-se Baal Adad, que alcançou a liderança do panteão após derrotar os seus irmãos. Primeiro, ele arremessou Yam ao mar com suas duas poderosas maças que  foram nomeadas Yagrush e Yamur. Depois, enfrentou Mot nas profundezas do mundo onde teria sido derrotado caso a deusa-virgem Anat não o tivesse resgatado.

A esposa-divina Aserá é conhecida por seus seguidores como a “Criadora de Deuses”, a “Dama do Dia” e a “Rainha dos Céus”. Ela é descrita por seus seguidores como a esposa do todo-poderoso El que o presenteou com uma prole de setenta filhos que são patronos de diferentes povos e que intercedem pela humanidade. Muitos festivais ocorrem em honra da deusa cujo culto é praticamente feminino. Mulheres lhe fazem oração em busca de casamentos pacíficos e partos tranquilos; e seus ensinamentos estão relacionados aos aspectos femininos da humanidade como a iniciação sexual, os ciclos menstruais e a fertilidade. No entanto, nenhum desses ritos são aceitos pelos sacerdotes do Deus único e verdadeiro que clama que todo o panteão canaanita é criado a partir de mentiras.