Hazor

A Tribo Recém-Libertada

Governante: Omri.
Território: Tribo de Naftali.
Símbolo: a Corça Livre.

NaftaliO patriarca Abraão recebeu a revelação de que existe apenas o Deus único e verdadeiro, que lhe prometeu uma descendência próspera e numerosa. Abraão assim teve doze bisnetos cujos descendentes remontam as doze tribos de Israel que governam a terra de Canaã. O bisneto chamado Naftali recebeu a profecia do pai Jacó: “Você será como uma corça livre que tem muitos filhotes”. Por muitos anos, essas palavras não se confirmaram, pois a tribo de Naftali esteve aprisionada pelo herético déspota chamado Jabim, que governava a cidade de Hazor e cobrava tributos dos reis conquistados. Felizmente, tudo mudou quando a profetisa Débora lançou sua voz aos israelitas: “Consagrem-se para a guerra, Ó chefes de Israel, pois o povo se apresenta por livre vontade. Louvem assim ao Senhor!” Dez mil homens marcharam até o monte Tabor para exigir sua liberdade.

Mais de um século desde a libertação contra o opressor Jabim, a tribo de Naftali ainda não se sente totalmente livre de déspotas. Afinal, o atual rei Salomão e seu filho sucessor Roboão estão se mostrando tão terríveis quanto os antigos tiranos da nação com seus impostos abusivos e seu desdém pelo povo. A tribo de Naftali elegeu assim o líder Omri para ficar à frente dos seus exércitos. Esse é um líder que odeia os sacerdotes do Deus Único, pois estes apoiam os abusos do novo rei. O líder Omri não se prende a esta ideia de Deus. Ele ora também por todos os filhos divinos de El Altíssimo. Ele é especialmente adorador do deus-salvador Baal e da sua esposa guerreira Anat. Estes deuses tomam assim morado em seu palácio, em seus templos e em seus montes. Não há dúvidas que os sacerdotes de Siló pregam ao povo que que Omri faz o mal aos olhos de Javé, sendo pior do que todos os que precederam a ele. Dentre os cinco líderes que firmaram uma aliança contra o futuro rei Roboão, é o que mantém os seus exércitos mais preparados pela guerra.

Acabe

O jovem Acabe é o filho primogênito do inescrupuloso Omri. Todos falam muito das heresias do pai, mas estas nem se comparam àquelas do filho. Afinal, o impetuoso Acabe aprendeu desde muito criança por seu pai que os deuses são muitos e são poderosos. Eles ajudam que oram para eles, pois o Deus Altíssimo está mais preocupado com as engrenagens do universo que com as frivolidades humanas. O jovem Acabe aprendeu os ritos de adoração aos deuses com sua esposa, uma princesa de Tiro chamada Jezebel, cuja devoção ao deus Baal Adad é fervorosa.

O jovem Acabe aprendeu os ritos de adoração a esse deus e suas profecias. Ele participou de rituais de sacrifícios de crianças e orgias religiosas como ensinado por essa divindade canaanita. Ele está especialmente fascinado com a esposa divina Anat, a deusa da guerra. Diferente do seu pai que deseja libertar a tribo de déspotas para deixá-la livre, o jovem Acabe é mais ambicioso e deseja um dia se tornar o rei mais poderoso de toda Israel. Não há dúvidas que os sacrifícios já são realizados para esse objetivo.

Jezebel

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Byam Shaw (1872–1919)

A princesa Jezebel veio da fenícia para se casar com o guerreiro Acabe e viver entre os israelitas. Ela não só é irmã do atual rei Baal-Eser de Tiro como também é uma das sacerdotisas do rei Baal, sendo bastante versada na arte da sedução e dos ritos canaanitas. A sua influência é abalizada pelo seu esposo Acabe de forma que, na tribo de Naftali, se torna superior aos próprios rabinos e sacerdotes do Deus Único. O seu desejo é governar as terras de Israel, por isso enxerga a atual revolta popular contra o rei Salomão e o seu impopular sucessor Roboão como uma benção.

Não há dúvidas que Jezebel é uma mulher ostensiva e dominadora, com grande poder sobre o seu esposo e sogro. Ela é vista sacrificando crianças inocentes em nome da divindade Baal para ganhar os favores necessários para cumprir seus ambiciosos desejos. Ela continua a adorar os deuses fenícios, mas não se limita a isso, pois deseja combater o culto ao Deus Único e perseguir todos os seus seguidores. Não raro está rodeada de sacerdotes fenícios que ela financia e traz de sua terra-natal. Todos os sacerdotes do Deus Único condenam a moça e suas práticas, mas nenhum deles foi capaz de a confrontar diretamente. Afinal, impiedosa e dominadora contra todos que a opões. Não raro seus inimigos aparecem mortos ou desaparecem em circunstâncias suspeitas. Resta saber quem conseguirá colocar um fim em tamanha impiedade.

Ainadabe

O próprio rei Salomão apontou doze governadores para cada uma das tribos de Israel para manter a fidelidade do seu povo. A ideia funcionou extremamente bem pelos quarenta anos em que este rei esteve no poder. Ele conseguiu o apoio da classe sacerdotal com a construção do Templo de Jerusalém onde a Arca da Aliança hoje está localizada e consolidou o seu poder ao finalizar o Palácio de Salomão onde reside com sua família real. Foram vinte anos de construções ininterruptas desde os seu quarto ano de governo. Ao fim da obra todos acreditaram que os impostos seriam reduzidos para aliviar a carga sobre a população. Infelizmente, isso não aconteceu.

O governante da tribo de Naftali se chama Ainadabe. Ele manteve o seu poder ao longo desses anos, conseguindo um bom casamento com a filha do rei Salomão, chamada Basemate. No entanto, para sua infelicidade, o rei Salomão tem caído em desgraça. Primeiro, os sacerdotes o abandonaram em razão da permissão que o rei concedeu às suas mais de mil esposas e concubinas estrangeiras de orar para os deuses que bem desejaram, incluindo aqueles de suas terras. O palácio real assim se encheu de ídolos condenados pelas leis do Deus Único. Depois, a população lhe virou as costas em razão dos impostos que ainda se mantém em níveis elevadíssimos. Por último, a sua saúde se deteriora enquanto seu sucessor Roboão cria mais insatisfação ao bradar que aumentará ainda mais os impostos quando for rei. Hoje, os temores do governador Ainadabe se concretizaram com uma revolta popular em suas terras, que lhe tomou o poder e entregou ao ambicioso líder guerreiro Omri.

Anat

Os cultos canaanitas não acreditam que o todo-poderoso El seja um deus único, mas um deus supremo que criou a humanidade e gerou todo os outros deuses. Ele se casou com a esposa-divina Aserá com quem teve muitos filhos. O maior desses filhos chama-se Baal Adad, que alcançou a liderança do panteão após derrotar os seus irmãos. Primeiro, ele arremessou Yam ao mar com suas duas poderosas maças chamadas de Yagrush e Yamur. Depois, enfrentou Mot nas profundezas do mundo onde teria sido derrotado caso a deusa-virgem Anat não o tivesse resgatado. Ela avançou contra o deus maligno, partindo-o com uma lâmina, triturando-o como com uma peneira, queimando-o no fogo e arremessando os seus restos mortais sobre um campo para os pássaros devorarem.

Após, esses eventos, ambos Baal Hadad e Anat se casaram mesmo que a deusa Anat ainda mantenha sua virgindade. Essa é a razão pela qual não tiveram prole. Juntos, eles governam a criação de seu majestoso palácio no alto do monte Zephom construído pelo deus-ferreiro Kothar, o sábio. Os canaanitas creem que Baal Hadad é o líder do seu panteão, mas todos sabem que a mais poderosa guerreira é a sua esposa Anat. Não há guerreiro que não lhe faça oração antes de uma batalha ou a agradeça após uma vitória. Mesmo na derrota que sofreram em Hazor, a deusa mantém o seu culto. Os seus seguidores estão escondidos por Naftali e outras terras de Canaã, mas se preparam para honrar sua deusa. E não há dúvidas que um ataque canaanita está prestes a ocorre a qualquer momento. Profetas já contam que a deusa escolheu um novo povo, estrangeiro, que logo desembarcará para derrotar os israelitas.