Benjamin

A Tribo do Rei Ungido

James Tissot (1836-1902)

Governante: Saul
Território: Tribo de Benjamin
Símbolo: o Lobo Predador

O patriarca Abraão recebeu a revelação de que existe apenas o Deus único e verdadeiro, que lhe prometeu uma descendência próspera e numerosa. Abraão assim teve doze bisnetos cujos descendentes remontam as doze tribos de Israel que governam a terra de Canaã. O bisneto chamado Benjamin recebeu a profecia do pai Jacó: “Você é um lobo predador; pela manhã devora a presa e à tarde divide o despojo”. Essa pode ser uma descrição de um novo líder que vem surgindo nas terras dessa tribo chamado de Saul. Ele recebeu a benção do sacerdote Samuel para governar sobre todos os israelitas, mas antes precisa entender a não conquistar a terra e sim dividir suas glórias.

A ascensão do líder Saul veio do caos que recaiu sobre a tribo após um traumático evento. Um sacerdote levita viajava por essas terras quando decidiu passar a noite na cidade, mas alguns criminosos decidiram atacar sua casa e o estuprar. Para evitar que fosse sodomizado, o levita entregou sua esposa aos criminosos da cidade que abusaram da sua esposa tão violentamente que a mataram em seu estupro coletivo. O levita deixou a cidade levando o corpo morto da esposa, mas não pode deixar de mostrar sua indignação. Ele esquartejou o corpo da moça em dozer pedaços e os enviou para cada uma das doze tribos de Israel para dizer que o sangue da esposa estava nas mãos de todos se crimes assim não forem punidos. A intenção do Levita funcionou com as tribos de Israel sendo enviadas para punir a cidade.

 

Aimaaz e Ainoã

Quando um dos líderes da tribo de Benjamin chamado Ahimaaz recebeu a cabeça decepada da esposa assassinada do levita, ele entendeu que uma punição era necessária. No entanto, o resto de sua tribo se negou a entregar os responsáveis por alguns destes serem filhos de membros importantes da tribo. Eles não enxergaram a importância de justificar o desejo de vingança de algum estrangeiro. Eles nunca poderiam acreditar que as doze tribos ficariam tão indignadas. Todas elas enviaram homens para punir a cidade.

A guerra trouxe muitos mortos. Muito mais sangue de ambos os lados foi derramado do que o esperado. Os benjamitas souberam se defender, mas no fim acabaram obliterados. Os seus homens foram mortos e suas cidade obliteradas. As suas mulheres foram levadas como espólios. E todas as tribos de Israel fizeram um juramento na cidade de Mizpá, dizendo: “Nenhum de nós dará sua filha a Benjamim por esposa”.  A punição a tribo de Benjamin que muitos foram chorar na casa de Deus em Siló: “Ó Senhor Deus de Israel, por que isso aconteceu em Israel, que hoje deve haver uma tribo faltando em Israel?”.

Esse teria sido o fim da tribo de Benjamin se os sacerdotes de Siló não tivessem se compadecido dela. Quando a cidade amonita de Jabes-Gileade foi conquistada pelos israelitas, toda a população de seguidores de falsos deuses foi exterminada. Os sacerdotes de Siló enviaram as ordens aos seus conquistadores que todas as mulheres virgens da cidade fosse aprisionadas e enviadas para a tribo de Benjamin para que os sobreviventes da Batalha de Gibeá pudessem se casar e ter filhos com elas. Assim, o velho Aimaaz, que sobreviveu ao conflito, se uniu em matrimônio com uma dessas prisioneiras de Jabes-Gileade e gerou a filha chamada Ainoã. Após esses eventos, Ahimaaz realizou o ritual de arrependimento e se tornou um sacerdote do Deus único e verdadeiro. A sua filha Ainoã hoje está casada com o atual juiz da tribo benjamita chamado Saul.  

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James Tissot (1836–1902)

 

Filhos de Saul

O líder Saul é um guerreiro alto e forte. Ele é filho de um homem rico da cidade de Gibeá chamado Quis que pertenceu ao clã benjamita de Matrite. Quando jovem, o pai enviou Saul junto com um servo para procurar alguns burros perdidos. Saindo de sua casa, eles finalmente chegam ao distrito de Zuph quando Saul sugeriu abandonar a busca. O servo de Saul diz a ele que por acaso eles estão perto da cidade de Ramá, onde um famoso profeta chamado Samuel está localizado. O profeta oferece hospitalidade a Saul e mais tarde o unge em particular lhe revelando a profecia que um dia Saul seria o rei de toda a Israel.

Esses eventos ocorreram há muitos anos atrás. Hoje, o varão Saul conseguiu se tornar líder da tribo de Benjamin. Ele se casou com a filha do sacerdote Aimaaz chamada Aionã com quem teve quatros filhos chamados Jônatas, Abinadabe, Mauquisua e Iboset, e duas filhas chamadas Mical e Merabe. Os seus quatro filhos homens se tornaram grandes guerreiros como o pai seguindo suas ordens e aprendendo a importância da vida militar. Eles sempre escutam a revelação que o profeta Samuel fez ao seu pai. E não podem deixar de escutar o recente movimento popular para estabelecer uma monarquia centralizada em Israel. Recentemente, visto a situação caótica do reino de Israel todos os juízes das doze tribos foram chamados para a escolha desse monarca que reinará sobre todas as tribos. Tudo indica que a história contada por Saul pode se tornar real. 

James Tissot (1836-1902)

Abner

O líder guerreiro Abner comanda os exércitos da tribo de Benjamin. Ele só se submete ao juiz desta tribo que hoje é seu primo Saul com quem viajou para as terras de Siló, pois os sacerdotes do templo do Deus único e verdadeiro se reuniram para resolver a situação caótica que os israelitas vivem hoje. Afinal, sem um governo central para impor as regras de Deus e punir os pecadores mais situações terríveis como o crime contra a esposa do levita continuarão a ocorrer.

Ambos Abner e Saul estava lá quando os sacerdotes utilizaram o ritual do Urim e Tumim para receber os comandos de Deus no pergaminho sagrado que é colocado na roupa sacerdotal. As palavras que surgiram disseram claramente que o rei dos israelitas deveria vir será da tribo de Benjamin. E assim Saul foi proclamado pelos sacerdotes como o rei das terras de Israel. Os profetas o receberam o novo rei ao som de liras, flautas e tamborins num estado de êxtase tão imenso que o próprio Saul começou a profetizar as palavras de Deus. Ele recebeu a alcunha de o “Leão de Deus” (“Labaya”). No entanto, o novo rei também precisará legitimar sua nova posição com vitórias políticas e militares. Abner já prepara campanhas contra os moabitas e amonitas, contra os arameus de Reobe e Zobá, contra os amalequitas, e todos os ouros inimigos de Israel. 

 

Rispa

A jovem Rispa é a filha do comerciante Aia. Ela se tornou uma das concubinas do líder Saul em razão de uma negociação que seu pai fizera com o juiz da tribo de Benjamin. A união com o líder se tornou frutífera e gerou dos filhos Armony e Mefibosete. Ela se tornou uma serva obediente que mantém boa relação com a esposa do seu amo.

A jovem Rispa cuida de seus bebês com muito amor, mas a moça guarda um segredo. Ela não crê no divino El como o Deus único que tanto pregam os sacerdotes que fizeram do seu amo um rei. Ela crê que ele é o deus supremo que gerou todos os outros deuses do panteão canaanita. Ela tem especial apreço pelos deuses menores Jorah e Nikkal aos quais ora diariamente por uma união estável com Saul e pela vida dos seus filhos.  

James Tissot (1836-1902)

Nikkal e Jorah

Milênios no passado, a princesa Nikkal das terras sumérias se apaixonou pelo divino Jorah, o deus-lua. Todos os dias a jovem contemplava de sua varanda o brilho majestoso do luminar no firmamento. Era uma beleza magnífica em sua forma de foice celestial. Ela se alegrava mais quando mostrava seu completo esplendor circular e chorava quando não mais o enxergava quando se escondia na escuridão. A princesa estava deslumbrada até que certo dia o seu pai, o rei Khirhibi, a levou à antiga cidade de Jericó, onde lá encontrou um centro de adoração a Jorah. Os sacerdotes a ensinaram os ritos de louvor ao deus-lua e seus mistérios. Ela clamou pelo “Iluminador dos céus e das miríades de estrelas”. 

O deus-lua olhou abaixo a bela jovem o contemplando com seu imenso amor. Jorah se encantou com a pureza do olhar e desceu do firmamento para a encontrar com o orvalho da noite se deita sobre a vegetação. A umidade de sua essência semeou sobra a bela moça, fazendo-a florescer como uma flor no deserto. Um fruto se formou em seu ventre, onde está até hoje. Antes do nascimento do fruto deste amor, a cidade de Jericó foi destruída. Os símbolos do deus Jorah foram enterrados, aprisionando o deus-lua nas ruínas sob o solo. A princesa Nikkal caiu de joelhos e impediu o nascimento da criança. Ela aguarda o retorno do esposo, que virá com a reconstrução da cidade destruída, para traze-la ao mundo.

Hoje, a bela princesa Nikkal caminha pela terra grávida aguardando o momento certo de dar a luz. Ela busca apressar a reconstrução da cidade e o retorno do esposo. Muitas pessoas já a viram caminhando pelo deserto acariciando sua larga barriga. Muitas são as mulheres que oram para a princesa em busca de fertilidade. Muitos são os homens que oram por colheitas frutíferas. É através dessas pessoas que o culto ao casal divino se mantém até os dias de hoje. E muitas são as profecias sobre qual será o papel da criança quando ela nascer.      

Para aqueles que estão oferecendo a você,
Prepare dois pães de oferta em suas tigelas no sacrifício a frente deles.
Eles elevam sacrifícios ao céu para seu bem-estar e fortuna.
No símbolo da espada de prata, do lado direito de seu trono, eu os ofereço.
Vou apagar seus pecados. Sem encobrir ou negar, eu os trouxe para lhe agradar.
Você ama aqueles que vêm para serem reconciliados.
E eu vim colocá-los na sua frente para saírem daqui juntos. 
É Nikkal quem os fortalecerá. Ela quem deixou os casais terem filhos.
Ela quem permitiu que filhos fossem gerados por seus pais.
Mas o progenitor gritará: “Ela não deu à luz nenhum filho!”
Por que eu, como uma verdadeira esposa, não gerei filhos a você?

– Hino a Nikkal, mais antiga canção já descoberta, em Ugarite, 2500 a.C.