Deuses

Os povos da Ásia não possuem devoção por um único panteão divino. Eles nem sequer tentam encaixar os deuses de outras culturas dentro de seus mitos, pois acreditam que é possível haver múltiplos deuses, seja para o amor, para o trovão ou para qualquer outra designação, sendo por esse motivo chamados de “Império de Mil Deuses”.

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Primordiais

Os Primordiais representam a origem de todo o universo desde o caldo primitivo até dos próprios homens. Eles são:

O Princípio (Alalu)

O Caos (Abzu e Tiamat)

O Cosmos (Lahmu e Lahamu)

O Mundo (Anshar e Kishar)

O Céu e a Terra (Anu e Ki)

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Imortais

Os deuses primordiais nunca tiveram o desejo de compartilhar a criação, mas foram desafiados pelos deuses-irmãos: Enlil e Enki, filhos do Céu e da Terra. O primeiro separou os pais de seu abraço sexual quando, de dentro do útero da mãe, arrancou o falo paterno, permitindo que a criação pudesse ser habitada. O segundo derrotou os monstros do caos primordial, chamados Abzu e Tiamat, de cujo sangue derramado sobre a Terra nasceram os homens.

Enki, deus da água (também chamado de Ea).

Enlil, deus do ar (também chamado de Kumarbi)

Todo os muitos panteões asiáticos possuem origem nesses dois irmãos. No entanto, ambos não mais governam a criação, pois Enlil foi condenado a viver no subterrâneos por seus crimes e Enki virou as costas para a humanidade. Hoje, seus filhos que governam os principais panteões de todo o mundo.

Annunaki (deuses mesopotâmios): O poderoso Marduk, filho de Enki, se tornou o líder do panteão mesopotâmio, conhecido como Anunnaki, após derrotar os monstros do Caos primordial.

Enna (deuses huro-hititas): O poderoso Teshub, filho de Enlil, se tornou líder do panteão hitita, conhecido como Enna, após dilacerar o ventre paterno onde estava aprisionado e libertar os seus irmãos.

  • Teshub, deus do Trovão
  • Tigris, o deus das águas
  • Suwaliyat, deus dos Ventos
  • Ullikummi, deus das Rochas
  • Upelluri, deus dos Sonhos
  • Aranzah, deusa da Agricultura
  • Hebat, deusa do Julgamento (Istanu)

Elohim (deuses fenícios): Antes de Enki e Enlil, antes do Céu e da Terra, antes mesmo da vida que veio de Alalu, sempre houve a entidade suprema chamadas El que gerou o panteão fenício conhecido como Elohim.

  • Baal Adad, deus dos Céus
  • Yam, deus dos Mares
  • Mot, deus das Profundezas
  • Dagon, deus dos Homens
  • Shala, deusa da Compaixão
  • Anat, deusa da Guerra

 

Marduk

Deus do Poder

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Gravura em bronze das ruínas de Nimroud.

Marduk é o líder do panteão mesopotâmio e patrono da cidade da Babilônia. É o filho do deus criador Enki, sendo assim herdeiro do Céu e da Terra. Ele é considerado o deus do poder, da magia e do combate. É o deus escolhido pelo conselho de Annunaki para defender os deuses dos monstros do Caos infinito. Não há nada que Marduk não controle, nem desejo que não consiga realizar.

A história de Marduk começa após seu pai, o deus-criador Enki, lançar um feitiço para aprisionar nos subterrâneos o Caos infinito, representado na figura do deus primordial chamado de Apsu. Ele realizou essa ação porque Apsu não desejava dividir a criação. No entanto, houve uma reação das entranhas do Caos na forma de um exército de dragões enviados pela poderosa serpente Tiamat e liderados pelo demônio Kingu.

Com a ameaça iminente, o deus-criador Enki reuniu um conselho composto pelos sete deuses mais sábios de todo o panteão. Era o conselho de Annunaki, que era presidido pelo próprio Enki, tendo de um lado três deuses primordiais: seu pai Anu; seu irmão Enlil; e sua esposa Ninhursag; e do outro lado três deuses celestiais: o deus-sol Utu; o deus-lua Sin; e a deusa do amor Inana.

Dentre todos os descendentes de Enki e Enlil, o poderoso Marduk foi o escolhido como o defensor dos deuses. Ele criou para si um arco e flecha, uma maça relampejante e uma armadura de fogo para então se lançar em combate. Ele lutou e derrotou a serpente Tiamat lançando contra ela os quatros ventos: Norte, Sul, Leste e Oeste, que a envolveram por completo. Depois, arrancou as Tábuas do Destino do peito do demônio Kingu, que liderava os exércitos caóticos.

A batalha, que se iniciou no começo dos tempos, durou por centenas de milhares de anos. Apenas ao seu fim, o deus Marduk pode contemplar tudo o que seu pai criara, encontrando assim a terra já povoada por homens. Ele então escolheu como o centro do seu culto a recém-fundada cidade da Babilônia e abençoou seu líder Hamurabi. Em seguida, clamou para si a liderança do panteão, o que fez seu pai Enki abdicar do trono sem argumentar, reconhecendo a supremacia do filho.

Apenas o tio Enlil questionou a ascensão de Marduk à liderança do panteão e dos homens. Ele acabou derrotado pelo sobrinho e foi enviado aos profundos subterrâneos. Enfim, o deus Marduk subiu ao trono divino com as Tábuas do Destino nas mãos e tomou para si o que era seu por direito. Em pouco tempo, a recém-fundada cidade da Babilônia se tornou um dos mais grandiosos impérios que já existiu sobre a terra.

Símbolo: o Dragão Celestial

Utu-Shamash

Deus da Justiça

Shamash

Tábua de Shamash

Utu, também chamado de Shamash, é considerado pai da Justiça e da Verdade. Ele é filho do deus-criador Enlil, que salvou a humanidade do Grande Dilúvio. É o deus que enxerga tudo o que ocorre entre os homens e é responsável por executar a justiça divina. Além disso, ele faz parte do conselho de Annunaki formado pelos sete deuses mais sábios do panteão.

Utu é representado pela imagem de um  ancião de longa barba, sentado em sua carruagem de fogo que atravessa todos os dias o firmamento, tendo como cocheiro seu fiel servente Bunene. Ele observa do alto as ações humanas para premiar aqueles que fazem o bem e punir aqueles que fazem o mal. Muito além dessa função de executor da justiça divina, Utu desce nos horizontes Oeste até os subterrâneos todas as noites em preparação para o nascer do sol nos horizontes do Leste.

Muitas são as histórias sobre as execuções da justiça divina por Utu no mundo dos vivos. Por exemplo, quando o Grande Dilúvio destruiu toda a humanidade, o único sobrevivente solicitou a salvação ao deus-sol através do sacrifício de uma ovelha e de um boi. Este então retornou para secar a água que tomara conta do mundo. Em outra história, o lendário rei Gilgamesh teve sua épica jornada iniciada graças à permissão do deus-sol. Este julgou justo que o rei buscasse fama eterna para seu nome já que sua vida era finita.

Além disso, quando está nos subterrâneos durante a noite, Utu realiza os julgamentos de todos os espíritos que ali chegam. Ele assim decide sobre a eterna punição dos homens de acordo com os crimes que cometeram em vida. No caso mais proeminente de sua ação no submundo, está em sua intervenção para salvar o pastor Tamuz que foi enviado ao local injustamente por sua esposa, a deusa Inana.

Não há dúvidas quanto ao poder de Utu. Ele é capaz de tudo o que é possível, talvez até se equiparando ao poder de Marduk, mas apenas o fará nos casos em que considere justo.

Símbolo: o Disco Solar

Sin-Nanma

Deus da Sabedoria

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Estela do rei Melishipak I (1186–1172 BC)

Sin, também chamado de Nanna, é o deus da sabedoria. Ele é filho do deus-criador Enlil que salvou a humanidade do Grande Dilúvio. É o deus patrono da agricultura e do pastoreio, sendo assim considerado patrono da civilização. Todos o descrevem como “Aquele que Enxerga mais Distante” e “Aquele cujo Coração Não se Entende”, pois é capaz de tomar decisões nunca compreendidas num primeiro momento, mas que se mostram sempre acertadas no final. Não há dúvidas que ele faz parte do Conselho dos Annunaki, que é formado pelos sete deuses mais sábios do panteão.

Não é nenhum segredo que o deus-criador Enki sempre se arrependeu da criação dos homens. Ele até tentou destruir essa raça pestilenta com o Grande Dilúvio. No entanto, tendo eles sobrevivido graças à ação de seu irmão Enlil, só restou a Enki lidar com o problema. Ele assim entregou o comando da humanidade para o sábio Sin, que deveria leva-la à uma existência mais evoluída. Esse é o motivo pelo qual o deus Sin fosse chamado de “Líder dos Deuses” e “Criador de Tudo” pelos povos antigos. Afinal, estes são epítetos mais adequados ao próprio Enki embora esse não pudesse se importar menos com eles.

A primeira grande civilização humana só surgiu graças ao deus Sin. Ele abençou o rei Sargão de Acádia e fez da filha deste rei a sumo-sacerdote do seu culto. A queda deste grande império não ocorreu apenas pelos erros de Sargão, mas também pelo retorno do poderoso deus Marduk à Terra. Afinal, com abdicação de Enki do panteão divino em favor de Marduk, a liderança do panteão divino não ficaria mais delegada a Sin. O próprio Marduk assumiu essa função, o que levou à ascensão da cidade da Babilônia como potência econômico-militar da Mesopotâmia.

Não obstante à ascensão de Marduk, em muitas regiões da mesopotâmia, a tríade formada por Utu, Sin e Inana ainda é considerada a verdadeira patrona da humanidade.

Símbolo: a Lua Crescente

Nergal

Deus da Guerra

Nergal é considerado o senhor da guerra e da violência. É o filho do deus-criador Enlil, que salvou a humanidade do grande dilúvio. É o deus que preside sobre os aspectos mais destrutivos do ser humano, incluindo também a intriga e a inveja. É chamado pelos povos de o “Furioso”, o “Rei Raivoso” e o “Galo de Briga”; e, como o conquistador que é, sua maior vitória foi tomar o mundo dos espíritos para si.

 

Símbolo: o Planeta Vermelho

Sarpanit

Deusa da Vida

Inana

Deusa do Amor

Ninurta

Deus da Agricultura