Tiro

O Centro Comercial do Mundo

Governante: Baal-Eser
Idioma Local: Fenício

Ilustração do New York Ward Lock History of the World for English People

Ilustração do New York Ward Lock – History of the World for English People

Pouco mais de um século atrás, o Egito sofreu uma revolução religiosa quando o faraó Aquenáton se converteu ao culto do Deus Único. Ele construiu muitos templos dedicados à nova religião e expulsou os sacerdotes dos antigos deuses. Muitos membros da família real egípcia não aceitaram tal resolução. Eles foram contra as ordens do novo faraó e por isso abandonaram o Egito em busca de novas terras onde pudessem orar para os antigos deuses. Nesse contexto, o irmão do faraó, chamado Agenor, declarou a independência das terras egípcias ao leste e tomou a cidade de Tiro como sua capital.

Quase duas décadas após a independência de Tiro, uma grande tragédia acometeu a família do rei Agenor. A bela princesa Europa desapareceu misteriosamente do palácio real. As testemunhas afirmam tê-la visto ser carregada por um touro alado para além das nuvens, voando na direção das terras do oeste. Ao ouvir esse relato fantástico, o rei Agenor ficou disposto a recuperar sua filha. Ele assim montou quatro grandes forças expedicionárias e as entregou aos seus filhos para a missão. Os quatro filhos partitam, mas nenhum deles retornou. O único rei que Só o príncipe Fênix não participou dessa “Busca por Europa” para garantir a sucessão do trono. Infelizmente, nenhum dos seus quatro filhos jamais retornou. 

Recentemente, a cidade de Tiro passou por um momento de grande turbulência quando quatro irmãos se revoltaram contra a antiga dinastia. Foram mais de trinta anos de caos em que esses quatro irmãos guerrearam entre si. Felizmente, um sacerdote guerreiro, devoto da deusa Astarte, liderou os exércitos fenícios contra os revoltosos. Ele reinou por trinta e dois anos com o nome de Itobaal para trazer o reino de Tiro à sua antiga glória. Ele casou sua filha Jezebel com um proeminente líder de Canaã e fez vários acordos comerciais com outros povos. Após sua morte, ele foi sucedido por seu filho Baal-Eser que é o atual rei da cidade.

Mattan

O príncipe Mattan é filho mais velho e sucessor do rei Baal-Eser de Tiro. É um homem duro que segue os caminhos da guerra por seu deus Baal e dos prazeres da carne por sua deusa Astarte. Afinal, o sangue e as mulheres são os caminhos das divindades.

O futuro rei Mattan é incapaz de entender seu jovem filho Pigmaleão com seu jeito introvertido e fechado de quem sempre foi mais interessado nas artes, em especial, a escultura. Logo, Mattan deverá suceder o seu velho pai, mas certamente não desejará ter o pequeno Pigmaleão caso não demonstre os gostos do que acredita ser um verdadeiro homem. Assim, Mattan já cogita entregar toda sua herança para o marido que escolher para sua filha recém-nascida Elissa.

Acerbas

A cidade de Tiro é um dos maiores centros econômicos do mundo com rotas comerciais que levam as riquezas desde a mesopotâmia para todos os quatro cantos da Talassa.  As suas embarcações navegam por todos os grandes portos que incluem Creta, Troia, Atenas, Faros e Sicília com muita ambição impulsionando os seus remos. E nenhuma família simboliza essa riqueza melhor que do jovem Acerbas.

O rico Acerbas vem de uma família de comerciantes possuidores de muitas embarcações. Todos pensaram que um jovem tão inexperiente e tão endinheirado gastaria toda sua fortuna em bobagens. No entanto, após a morte de seus pais, Acerbas se mostrou inteligente e habilidoso. Ele tem expandido os negócios da família. Muitos dizem que logo se tornará o homem mais rico da Fenícia.

Zedek e Misor

O maior líder religioso da fenícia se chama Zedek que preside sobre o templo religioso e o tribunal de justiça da cidade de Tiro. Ele é o governante de fato da cidade; não apenas pelo pouco interesse do rei Pigmalião em fazê-lo, mas também por sua imensa influência. Afinal, ele possui um poder que transcende qualquer mundo físico, pois é considerado um deus vivo, não apenas controlando o executivo, legislativo e judiciário, mas também a religião da cidade. Esse status divino é cultuado pelo próprio magistrado que esconde seu rosto sob uma máscara metálica que o distingue dos reles mortais e exige ser chamado pelo título de “Zedek, o Justo”.

Enquanto o poderoso Zedek preside diariamente sobre as questões de justiça e religião de toda a Fenícia, é o seu irmão Misor quem cuida das letras da cidade. É o escriba que anota tudo o que é decidido por seu irmão e detém a entrada para a biblioteca da cidade restrita a um grupo seleto de sacerdotes que o consideram o “Guardião do Alfabeto” e “Senhor do Conhecimento”. Desta forma, Misor também é considerado um deus vivo como o seu irmão.

Melqart

O musculoso e alto herói Melqart caminha sobre a Terra há muitas centenas de anos. O próprio herói já perdeu as contas de suas primaveras. Sabe-se que ele fundou a cidade de Tiro há 1,400 anos atrás quando se ergueu um templo em sua homenagem com colunas de ouro e esmeralda. Ele é assim considerado o maior dos heróis fenícios, tendo vivido muitas aventuras e governado a cidade de Tiro no passado. Por isso, muitos ainda o chamam de “Senhor da Cidade” (Baalsur, no idioma fenício).

A imortalidade de Melqart se deve em razão de ser filho do grande deus Baal-Adad, líder do panteão fenício. O próprio herói já morreu e ressuscitou no passado para alcançar o despertar divino. Hoje, ele vive nas tavernas e bordéis da cidade, sempre bebendo e arrumando confusão; e também aceitando convites para participar de aventuras em muitas regiões do mundo. Por isso, ele é chamado de “Deus Errante” entre seus adoradores e de “Deus Perdido” pelos seus detratores. No entanto, certamente é um excelente companheiro de diversão e ainda melhor aliado para se ter ao lado numa batalha. E nada propele mais o heroico Melqart do que a defesa da cidade que ele fundou.

François Lemoyne (1688 – 1737)

Nota: Fenícia na décima-sétima geração.