Bitínia

A Passagem entre as Rochas

Rei: Lico
Cidades: Bebrícia, Miriandini, Panflagônia e Ascânia.
Idioma: Anatólio (variante palaico)

Muitos anos no passado, um antigo rei abandonou as terras de Mariandi para viver nas terras do Hélade. O seu nome é Tântalo que se tornou extremamente bem sucedido na nova terra e teve para si um filho ainda mais famoso chamado Pélope, que governou as terras de Olímpia e lutou ao lado do rei Perseu. Essas terras foram então entregues ao seu filho e sucessor chamado Dáscilo, não sem que este tivesse problemas de sucessão. Um grupo conhecido como os Bebrícios se apartou da tribo original governada por Tântalo. Tomou terras para si, iniciando um conflito que dura até os dias atuais.

A passagem entre o mar Propontis e o mar Ponto é quase impossível de ser atravessado pelas embarcações. Duas grandes rochas de cor azulada de cada lado passagem são constantemente jogadas uma contra a outra. São as chamadas “Rochas Flutuantes” ou “Rochas Cianas” que esmagam todas os barcos que tentam o atravessar e matam todos os tripulantes em seu interior. A travessia pela terra também é extremamente difícil, pois os povos na terra costeira do estreito vivem numa grande guerra que é tão violenta quanto a colisão das rochas no mar. Esses dois povos são os Mariandi e os Bebrícios.

A guerra entre os Mariandis e os Bebrícios já ceifou muitas vidas. Não é alago que parece próximo de continuar. O atual líder dos Mariandis chama-se Lico, cuja tribo fica mais próxima da costa. Esse é um líder hospitaleiro que recebe bem os navios mercantes que aportam nos portos próximos. Não raro também convoca navegantes mais belicosos para o auxiliar na guerra contra a tribo inimiga. O ódio deste rei acresceu ainda mais em tamanho quando seu irmão Príolas foi assassinado pelo rei inimigo chamado Amico. Realmente, a violência das colisões no estreito entre os mares Propontis e Ponto parece não ter fim. Todos que desejam se aventurar além acabam esmagados seja pelas rochas ou pelas armas de ambos os lados.

 

Otreu

Otreu é o maior guerreiro de Mariandi que fica após a passagem das rochas em colisão, no mar Negro. Ele é filho do lendário rei Dáscilo que faleceu há muitos anos, mas Mariandini continua um importante posto para os navegantes que se aventuram nas terras costeiras do Propontis. Hoje, enquanto Otreu lidera os exércitos dessa tribo na guerra contra seus inimigos Bebrícios enquanto o seu irmão mais velho Lico é o atual regente da região.

A cidade de Mariandi vive uma grande guerra há vários anos com a cidade vizinha de Bebrícia. O grande desejo de Otreu é de vingança pelo assassinato do irmão Príolas que foi perpetrado pelo rei inimigo chamado Amic. Assim, ele lidera seus exércitos ferozmente sobre esse inimigo. Esse desejo apenas não é maior que seu amor pela princesa Hesíone, filha do rei Laomedonte de Tróia. Ele anseia um dia conquistar seu coração e sua mão em casamento.

 

Amico

O rei Amico dos Bebrícios é um excelente guerreiro e lutador. Ele também é um homem violento que odeia seus inimigos Mariandi que ficam na costa recebendo os navegantes na costa do mar do Propontis. Ele mantém um bloqueio de qualquer pessoa que queira atravessar as suas terras caso não o auxilie no combate contra a tribo rival.

Todos aqueles que se negam a se aliar com seus exércitos contra os Mariandi são massacrados. Não é permitido sequer realizar comércio ou dialogar com eles tanto é o ódio entre as duas nações. O próprio rei Amico, como grande guerreiro e lutador, costuma desafiar os estrangeiros que não sigam essas regras em combate corpo a corpo, desarmado, pois faz questão de matar os mais desobedientes com as próprias mãos.

 

Hero e Leandro

Hero e Leandro são dois amantes que vivem em cada lado do mar Propontis. Um está no povoado da asiática Abido enquanto o outro na trácia Sesto. Hero é uma sacerdotisa de Afrodite que vivia solitária numa alta torre aonde fora aprisionada pelos pais. Todas as noites, a moça ascendia uma lâmpada que chamou a atenção de Leandro no outro lado da costa. Leandro nadava todas as noites de Abido até a torre, guiado por essa luz, para passar a noite com a amada. Antes de conhecer Leandro, a jovem vivia em castidade, não entrando em bailes nem em outras reuniões, sendo muito bonita, e causando inveja nas outras mulheres.

Um festival foi celebrado em Sesto para homenagear a deusa Afrodite. Pois as pessoas vieram de muitas cidades desde a Tessália, Chipre e Líbano. Hero não tinha planos próprios, exceto seu serviço como sacerdotisa nesse festival. Mas como ela irradiava um brilho adorável de seu rosto, lembrando as bochechas brancas de Selene, e se movimentava como as Graças. Deslumbrados com a beleza de Hero, muitos jovens se perderam em palavras, dizendo que aceitariam a morte instantânea se pudessem primeiro dormir com Hero ou negaria a imortalidade para nunca se cansar de olhar para dela. Leandro quem primeiro se aproximou da moça. De mãos dadas, a conduziu até o templo e a beijou. E assim começou o amor capaz de cruzar ondas selvagens todas as noites para repousar nos seios da amada e entrar nos ritos de Afrodite.

Esse arranjo não durou mais que um verão. O apaixonado Leandro não se deixou desanimar pelos ventos que carregavam ondas mais violentas e deixavam as ondas gélidas. Certa noite, uma rajada do mesmo vento apagou a lâmpada na torre de Hero, o deixando no escuro sem referência. Leandro se perdeu e morreu no mar. O seu corpo sem vida alcançou o pé da torre na manhã seguinte. Quando o viu dilacerado pelo mar que o jogava contra as rochas, ela arrancou seu manto e, com os seios nus, se jogou da torre até essas rochas para permanecer ao lado dele. Ninguém jamais soube de seu amor, exceto a serva de Hero, que era a única testemunha e passou a contar essa história.

Fineas

Sebastiano Ricci 1659 – 1734

O evento conhecido como “Busca por Europa” levou os quatro príncipes da Fenícia a assentar seus exércitos em diversas partes do mundo. O príncipe Cádmo fundou Tebas. O príncipe Cílix conquistou a Cilícia. O príncipe Tassos colonizou a ilha hoje com o seu nome. Infelizmente, o quarto príncipe, Fineas, não teve o mesmo sucesso.

O príncipe Fineas assentou seus exércitos na Trácia, onde fundou uma cidade da mesma forma que seus irmãos. O sucesso de sua empreitada se encerrou quando recebeu dos deuses o dom da profecia, com a condição de que nunca revelasse suas visões aos homens ou alterasse o futuro.

Fineas não conseguiu manter sua promessa, pois lhe foi revelado que seus dois filhos seriam mortos por sua segunda esposa. Ele decidiu os salvar. Depois, tendo já quebrado a restrição divina uma vez, passou a revelar os segredos do mundo a todos que o procuravam. Os deuses lhe castigaram com a cegueira e com o total exílio. Hoje, um ancião centenário, Fineas continua a percorrer o mundo sem destino como um faminto exilado.

 

Pilemenes

Líder dos Panflagônios. Filho guerreiro se chama Harpalião.