Assíria

Uma Nação em Expansão

Rei: Salmanezer

Adolf Hult 1869-1943

A terra que fica entre os rios Tigre e Eufrates é considerada a mais fértil do mundo, sendo assim nomeada de Mesopotâmia (“Entre Rios”). Por séculos, apenas a cidade da Babilônia foi capaz de unir essa região sob um único cetro. Tudo começou com dois soberanos de nome Samuabum e Sumulael, que construíram grandes muralhas ao redor da sua cidade capital. Enfim, esse império atingiu seu apogeu sob o comando do poderoso rei Hamurabi. Após a queda do império babilônico, invadido e saqueado pelos povos hititas, a região se dividiu entre os povos Mitani, Assírio e Acádio com a guerra entre eles se tornando a regra para a região. Felizmente, tudo mudou sob o liderança do atual rei Salmanezer da Assíria e do seu poderoso filho Tuculti-Ninurta. Os exércitos Assírios derrotaram os Mitani na “Batalha de Nairi” e os Acádios na “Batalha da Babilônia”. Este parece ser o início de uma nova potência militar capaz de unificar a mesopotâmia outra vez.

Os assírios são reconhecidos por sua organização política eficiente e pela brutalidade contra seus inimigos. Atos de selvageria por parte do império assírio são parte de sua estratégia para persuadir os povos a se entregarem sem luta. É comum a dizimação de populações inteiras, incluindo mulheres e crianças, e também técnicas de empalhamento, desmembramento e tortura contra  em guerreiros rivais. Eles até podem libertar alguns prisioneiros, mas não sem antes perfurarem seus olhos ou arrancarem seus braços para que fiquem impossibilitados de tocar em armas outras vez. Outra tática comum, que só é possível graças à eficiente organização política, é remover os povos vencidos de suas terras e distribuí-los entre as muitas cidades do império Assírio. É uma tática com o objetivo de destruir a identidade cultural que todo povo possui e vivencia em sua cidade. Sem esse contato com seus conterrâneos, os povos conquistados são mais propensos a integrar a cultura dos seus conquistadores, diminuindo seu poder e evitando movimentos rebeldes. Esta é uma prática que tem se mostrado particularmente eficiente.

Tuculti-Ninurta

Briton Rivière 1840 – 1920

O príncipe Tuculti, filho do atual rei Salmanezer, é o maior líder guerreiro Assírio. Ele liderou as forças paternas contra os inimigos Mitani, que receberam um grande auxílio dos seus aliados Hititas, na “Batalha de Nihriya”. Era uma força formidável, mas Tuculti avançou contra o inimigo ao norte. Ele conquistou a capital inimiga de Wasukani para se integrar ao império paterno e agravou a situação dos hititas que se encontra na maior crise de sua história.

Com toda a região norte da mesopotâmia conquistadas, o príncipe Tuculti marchou contra seu mais antigo adversário. Ele avançou num cerco contra a cidade da Babilônia, derrotando suas forças por completo. As muralhas foram demolidas. O exército inimigo foi massacrado. A cidade foi completamente saqueada. O príncipe Tuculti agora exibe o rei da Babilônia acorrentado pelas terras Assírias como mostra do seu poder. Ele será coroado o primeiro governante de uma mesopotâmia unificada. Será o primeiro rei da Acádia e da Suméria desde os tempos de Hamurabi. Ninguém parece ser capaz de impedir a expansão deste poderoso guerreiro.

Babu-Aha

O conselheiro real Babu-Aha Iddina é o braço direito do rei Salmanezer da Assíria assim como foi do seu pai e também é do seu filho. Ele é um excelente estrategista que visa a hegemonia dos assírios sobre os povos da Ásia. Ele assim mantém uma intensa correspondência com o rei Hattusili dos hititas para se informar sobre os seus inimigos.

Poucos anos atrás, Babu-aha soube de uma carta do rei Hattusili ao recém-empossado rei da babilônia dizendo: “Porque o filho acabou de se sentar no trono paterno, a campanha na qual ele vai pela primeira vez deve ser aquela em que ele goza de uma superioridade numérica três ou quatro vezes maior”. Essa era um chamado para a Babilônia destruir a Assíria. Recentemente, eles enviaram a mesma mensagem para Tuculti-Ninurta. No entanto, o rei Hattusili não contava com a superioridade militar do príncipe-guerreiro assírio. Agora, com a Bebilônia de joelhos, não resta há dúvidas que o próximo alvo serão os hititas.

Kastiliasu

Georges Rochegrosse (1859–1938)

O declínio do império babilônico agora está a vista de todos. Acorrentado em grilhões e agredido em tons de zombaria, o rei Kastiliasu da Babilônia hoje serve de divertimento para a população Assíria, com os soldados do grande líder Tuculti-Ninurta desfilando com o rei derrotado pelas ruas da cidade de Assur.

A desastrosa campanha militar de Kastiliasu causou uma humilhação sem igual ao seu reino. As muralhas da cidade Babilônia foram demolidas, grande parte da população foi massacrada e os exércitos Assírios pilharam todo o caminho até o templo Esagila, onde o líder conquistador pactuou a estátua do deus babilônio de Marduk. É o pior momento do Império da Babilônio. No entanto, nem todas as esperanças estão perdidas. Elas agora repousam nas mãos do seu filho: o príncipe Adad Sumusur, que tem reunido revoltosos ao sul da babilônia entre as cidades de Ur e Nipur e está prestes a iniciar uma rebelião contra os exércitos invasores.

Pazuzu

O famoso Pazuzu é um poderoso curandeiro das terras assírias. Ele é chamado nas moradas das mulheres em trabalho de parto para proteger as mães e os bebês dos espíritos malignos. Em especial do monstruosa mulher-demônio Lamashtu que causa a morte nas crianças para que, quando eles forem enterrados, ela possa roer os ossos dos pequeninos e se alimentar do seu sangue denso. Afinal, ela tem apreço especial pelo sangue inocente que lhe dá poderes superiores.

O feiticeiro Pazuzu consegue derrotar o mulher-demônio de sete nomes e dos seus encantamentos. No entanto, algo o tem afligido recentemente. O último encontro com Lamashtu ocorreu quando ela tentou assassinar o filho recém nascido do príncipe-guerreiro Tuculti-Ninurta. Durante a batalha espiritual, ao lançar seus amuletos de proteção sobre a esposa do príncipe, a mulher-demônio lhe causou um terrível pesadelo profético. Ele enxergou o império assírio numa guerra civil cuja causa era a própria criança cujo nascimento ele auxiliava. Ele enxergou o pai Ticulti-Ninurta morto pelas mãos do filho. Por um momento, Pazuzu pensou em deixar a criança morrer, mas não conseguiu agir contra sua consciência. O pequeno Assur-Nadinapli assim nasceu. Agora, só resta rezar para que essa decisão não traga fim ao período de glória que a Assíria está vivendo. 

Marduk

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Gravura em bronze das ruínas de Nimroud.

Marduk é o líder do panteão mesopotâmio e patrono da cidade da Babilônia. É o filho do deus criador Enki, sendo assim herdeiro do Céu e da Terra. Ele é considerado o deus do poder, da magia e do combate. É o deus escolhido pelo conselho de Annunaki para defender os deuses dos monstros do Caos infinito. Não há nada que Marduk não controle, nem desejo que não consiga realizar.

A história de Marduk começa após seu pai, o deus-criador Enki, lançar um feitiço para aprisionar nos subterrâneos o Caos infinito, representado na figura do deus primordial chamado de Apsu. Ele realizou essa ação porque Apsu não desejava dividir a criação. No entanto, houve uma reação das entranhas do Caos na forma de um exército de dragões enviados pela poderosa serpente Tiamat e liderados pelo demônio Kingu.

Com a ameaça iminente, o deus-criador Enki reuniu um conselho composto pelos sete deuses mais sábios de todo o panteão. Era o conselho de Annunaki, que era presidido pelo próprio Enki, tendo de um lado três deuses primordiais: seu pai Anu; seu irmão Enlil; e sua esposa Ninhursag; e do outro lado três deuses celestiais: o deus-sol Utu; o deus-lua Sin; e a deusa do amor Inana.

Dentre todos os descendentes de Enki e Enlil, o poderoso Marduk foi o escolhido como o defensor dos deuses. Ele criou para si um arco e flecha, uma maça relampejante e uma armadura de fogo para então se lançar em combate. Ele lutou e derrotou a serpente Tiamat lançando contra ela os quatros ventos: Norte, Sul, Leste e Oeste, que a envolveram por completo. Depois, arrancou as Tábuas do Destino do peito do demônio Kingu, que liderava os exércitos caóticos.

A batalha, que se iniciou no começo dos tempos, durou por centenas de milhares de anos. Apenas ao seu fim, o deus Marduk pode contemplar tudo o que seu pai criara, encontrando assim a terra já povoada por homens. Ele então escolheu como o centro do seu culto a recém-fundada cidade da Babilônia e abençoou seu líder Hamurabi. Em seguida, clamou para si a liderança do panteão, o que fez seu pai Enki abdicar do trono sem argumentar, reconhecendo a supremacia do filho.

Apenas o tio Enlil questionou a ascensão de Marduk à liderança do panteão e dos homens. Ele acabou derrotado pelo sobrinho e foi enviado aos profundos subterrâneos. Enfim, o deus Marduk subiu ao trono divino com as Tábuas do Destino nas mãos e tomou para si o que era seu por direito. Em pouco tempo, a recém-fundada cidade da Babilônia se tornou um dos mais grandiosos impérios que já existiu sobre a terra.