Primeiro Samuel

Capítulo 17 – Oração de Ana

  1. Havia certo homem de Ramataim, zufita, dos montes de Efraim, chamado Elcana, filho de Jeroão, neto de Eliú e bisneto de Toú, filho do efraimita Zufe.
  2. Elcana tinha duas mulheres; uma se chamava Ana, e a outra Penina. Penina tinha filhos, Ana, porém, não tinha.
  3. Todos os anos esse homem subia de sua cidade a Siló para adorar e sacrificar ao Senhor dos Exércitos. Lá, Hofni e Finéias, os dois filhos de Eli, eram sacerdotes do Senhor.
  4. No dia em que Elcana oferecia sacrifícios, dava porções à sua mulher Penina e a todos os filhos e filhas dela.
  5. Mas a Ana dava uma porção dupla, porque a amava, mesmo que o Senhor a houvesse deixado estéril.
  6. E porque o Senhor a tinha deixado estéril, sua rival a provocava continuamente, a fim de irritá-la.
  7. Isso acontecia ano após ano. Sempre que Ana subia à casa do Senhor, sua rival a provocava e ela chorava e não comia.
  8. Elcana, seu marido, lhe perguntava: “Ana, por que você está chorando? Por que não come? Por que está triste? Será que eu não sou melhor para você do que dez filhos? “
  9. Certa vez quando terminou de comer e beber em Siló, estando o sacerdote Eli sentado numa cadeira junto à entrada do santuário do Senhor, Ana se levantou.
  10. Com a alma amargurada, chorou muito e orou ao Senhor.
  11. E fez um voto, dizendo: “Ó Senhor dos Exércitos, se tu deres atenção à humilhação de tua serva, te lembrares de mim e não te esqueceres de tua serva, mas lhe deres um filho, então eu o dedicarei ao Senhor por todos os dias de sua vida; e o seu cabelo e a sua barba nunca serão cortados”.
  12. Enquanto ela continuava a orar diante do Senhor, Eli observava sua boca.
  13. Como Ana orava silenciosamente, seus lábios se mexiam mas não se ouvia sua voz. Então Eli pensou que ela estivesse embriagada e lhe disse: “Até quando você continuará embriagada? Abandone o vinho!”
  14. Ana respondeu: “Não se trata disso, meu senhor. Sou uma mulher muito angustiada. Não bebi vinho nem bebida fermentada; eu estava derramando minha alma diante do Senhor.”
  15. “Não julgues tua serva uma mulher vadia; estou orando aqui até agora por causa de minha grande angústia e tristeza”.
  16. Eli respondeu: “Vá em paz, e que o Deus de Israel lhe conceda o que você pediu”.
  17. Ela disse: “Espero que sejas benevolente para com tua serva! ” Então ela seguiu seu caminho, comeu, e seu rosto já não estava mais abatido.
  18. Na manhã seguinte, eles se levantaram e adoraram ao Senhor; então voltaram para casa, em Ramá. Elcana teve relações com sua mulher Ana, e o Senhor se lembrou dela.
  19. Assim Ana engravidou e, no devido tempo, deu à luz um filho. E deu-lhe o nome de Samuel, dizendo: “Eu o pedi ao Senhor”.
  20. Quando no ano seguinte Elcana subiu com toda a família para oferecer o sacrifício anual ao Senhor e para cumprir o seu voto,
  21. Ana não foi e disse a seu marido: “Depois que o menino for desmamado, eu o levarei e o apresentarei ao Senhor, e ele morará ali para sempre”.
  22. Disse Elcana, seu marido: “Faça o que lhe parecer melhor. Fique aqui até desmamá-lo; que o Senhor apenas confirme a palavra dele! ” Então ela ficou em casa e amamentou seu filho até que o desmamou.
  23. Depois de desmamá-lo, levou o menino, ainda pequeno, à casa do Senhor, em Siló, com um novilho de três anos de idade, uma arroba de farinha e uma vasilha de couro cheia de vinho.
  24. Eles sacrificaram o novilho e levaram o menino a Eli, e ela lhe disse: “Meu senhor, juro por tua vida que eu sou a mulher que esteve aqui a teu lado, orando ao Senhor.”
  25. “Era este menino que eu pedia, e o Senhor concedeu-me o pedido. Por isso, agora, eu o dedico ao Senhor. Por toda a sua vida será dedicado ao Senhor”.
  26. E ali adorou o Senhor e realizou sua oração.
  27. Então Elcana voltou para casa em Ramá; mas o menino começou a servir o Senhor sob a direção do sacerdote Eli.
  28. Os filhos de Eli eram ímpios; não se importavam com o Senhor nem cumpriam os deveres de sacerdotes para com o povo.
  29. Sempre que alguém oferecia um sacrifício, o auxiliar do sacerdote vinha com um garfo de três dentes e, enquanto a carne estava cozinhando, ele enfiava o garfo na panela, ou travessa, ou caldeirão, ou caçarola.
  30. O sacerdote pegava para si tudo o que vinha no garfo. Assim faziam com todos os israelitas que iam a Siló.
  31. Mas, antes mesmo de queimarem a gordura, vinha o auxiliar do sacerdote e dizia ao homem que estava oferecendo o sacrifício: “Dê um pedaço desta carne para o sacerdote assar; ele não aceitará de você carne cozida, somente crua”.
  32. Se o homem lhe dissesse: “Deixe primeiro a gordura se queimar e então pegue o que quiser”, o auxiliar respondia: “Não. Entregue a carne agora. Se não, eu a tomarei à força”.
  33. O pecado desses jovens era muito grande à vista do Senhor, pois eles estavam tratando com desprezo a oferta do Senhor.
  34. Samuel, contudo, ainda menino, ministrava perante o Senhor, vestindo uma túnica de linho.
  35. Todos os anos sua mãe fazia uma pequena túnica e a levava para ele, quando subia a Siló com o marido para oferecer o sacrifício anual.
  36. Eli abençoava Elcana e sua mulher, dizendo: “O Senhor dê a você filhos desta mulher no lugar daquele por quem ela pediu e dedicou ao Senhor”. Então voltavam para casa.
  37. O Senhor foi bondoso com Ana; ela engravidou e deu à luz três filhos e duas filhas. Enquanto isso, o menino Samuel crescia na presença do Senhor.
  38. Eli, já bem idoso, ficou sabendo de tudo que seus filhos faziam a todo o Israel e que eles se deitavam com as mulheres que serviam na entrada da Tenda do Encontro.
  39. Por isso lhes perguntou: “Por que vocês fazem estas coisas? De todo o povo ouço a respeito do mal que vocês fazem.
  40. Não, meus filhos; não é bom o que escuto se espalhando entre o povo do Senhor.
  41. Se um homem pecar contra outro homem, os juízes poderão intervir em seu favor; mas, se pecar contra o Senhor, quem intercederá por ele?”
  42. Seus filhos, contudo, não deram atenção à repreensão de seu pai, pois o Senhor queria matá-los.
  43. E o menino Samuel continuava a crescer, sendo cada vez mais estimado pelo Senhor e pelo povo.
  44. Então veio um homem de Deus a Eli e lhe disse: “Assim diz o Senhor: ‘Por acaso não me revelei claramente à família de seu pai, quando eles estavam no Egito, sob o domínio do faraó?”
  45. “Escolhi seu pai dentre todas as tribos de Israel para ser o meu sacerdote, subir ao meu altar, queimar incenso e usar um colete sacerdotal na minha presença.”
  46. “Também dei à família de seu pai todas as ofertas preparadas no fogo pelos israelitas.”
  47. “Por que vocês zombam de meu sacrifício e de minha oferta que determinei para a minha habitação?”
  48. “Por que você honra seus filhos mais do que a mim, deixando-os engordar com as melhores partes de todas as ofertas feitas pelo meu povo Israel?”
  49. “Portanto, o Senhor, o Deus de Israel, declara: Prometi à sua família e à linhagem de seu pai, que ministrariam diante de mim para sempre.”
  50. “Mas agora o Senhor declara: Longe de mim tal coisa! Honrarei aqueles que me honram, mas aqueles que me desprezam serão tratados com desprezo.”
  51. “É chegada a hora em que eliminarei a sua força e a força da família de seu pai, e não haverá mais nenhum idoso na sua família, e você verá aflição na minha habitação.”
  52. “Embora Israel prospere, na sua família ninguém alcançará idade avançada.”
  53. “E todo descendente seu que eu não eliminar de meu altar será poupado apenas para lhe consumir os olhos com lágrimas e para lhe entristecer o coração, e todos os seus descendentes morrerão no vigor da vida.”
  54. “E o que acontecer a seus dois filhos, Hofni e Finéias, será um sinal para você: os dois morrerão no mesmo dia.”
  55. “Levantarei para mim um sacerdote fiel, que agirá de acordo com o meu coração e o meu pensamento.”
  56. “Edificarei firmemente a família dele, e ele ministrará sempre perante o meu rei ungido.
  57. “Então todo o que restar da sua família virá e se prostrará perante ele, para obter uma moeda de prata e um pedaço de pão.”
  58. “E lhe implorará que o ponha em alguma função sacerdotal, para ter o que comer’ “.

Capítulo 18 – Hofni e Finéias

  1. O menino Samuel ministrava perante o Senhor, sob a direção de Eli; naqueles dias raramente o Senhor falava, e as visões não eram freqüentes.
  2. Certa noite, Eli, cujos olhos estavam ficando tão fracos que já não conseguia mais enxergar, estava deitado em seu lugar de costume.
  3. A lâmpada de Deus ainda não havia se apagado, e Samuel estava deitado no santuário do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus.
  4. Então o Senhor chamou Samuel. Samuel respondeu: “Estou aqui”.
  5. E correu até Eli e disse: “Estou aqui; o senhor me chamou? ” Eli, porém, disse: “Não o chamei; volte e deite-se”. Então, ele foi e se deitou.
  6. De novo o Senhor chamou: “Samuel! ” E Samuel se levantou e foi até Eli e disse: “Estou aqui; o senhor me chamou? ” Disse Eli: “Meu filho, não o chamei; volte e deite-se”.
  7. Ora, Samuel ainda não conhecia o Senhor. A palavra do Senhor ainda não lhe havia sido revelada.
  8. O Senhor chamou Samuel pela terceira vez. Ele se levantou, foi até Eli e disse: “Estou aqui; o senhor me chamou? “
  9. Então Eli percebeu que o Senhor estava chamando o menino e lhe disse: “Vá e deite-se; se ele chamá-lo, diga: ‘Fala, Senhor, pois o teu servo está ouvindo’ “. Então Samuel foi se deitar.
  10. O Senhor voltou a chamá-lo como nas outras vezes: “Samuel, Samuel! ” Então Samuel disse: “Fala, pois o teu servo está ouvindo”.
  11. E o Senhor disse a Samuel: “Vou realizar em Israel algo que fará tinir os ouvidos de todos os que ficarem sabendo.
  12. “Nessa ocasião executarei contra Eli tudo o que falei contra sua família, do começo ao fim.”
  13. Pois eu lhe disse que julgaria sua família para sempre, por causa do pecado dos seus filhos, do qual ele tinha consciência; seus filhos se fizeram desprezíveis, e ele não os repreendeu.
  14. Por isso jurei à família de Eli: ‘Jamais se fará propiciação pela culpa da família de Eli mediante sacrifício ou oferta’”.
  15. Samuel ficou deitado até de manhã e então abriu as portas da casa do Senhor.
  16. Ele teve medo de contar a visão a Eli, mas este o chamou e disse: “Samuel, meu filho”. “Estou aqui”, respondeu Samuel.
  17. Eli perguntou: “O que o Senhor lhe disse? Não esconda de mim. Deus o castigue, e o faça com muita severidade, se você esconder de mim qualquer coisa que ele lhe falou”.
  18. Então, Samuel lhe contou tudo, e nada escondeu. Então Eli disse: “Ele é o Senhor; que faça o que lhe parecer melhor”.
  19. O Senhor estava com Samuel enquanto este crescia, e fazia com que todas as suas palavras se cumprissem.
  20. Todo o Israel, de Dã até Berseba, reconhecia que Samuel estava confirmado como profeta do Senhor.
  21. O Senhor continuou aparecendo em Siló, onde havia se revelado a Samuel por meio de sua palavra.
  22. Os filisteus dispuseram suas forças em linha para enfrentar Israel, e, intensificando-se o combate, Israel foi derrotado pelos filisteus, que mataram cerca de quatro mil deles no campo de batalha.
  23. Quando os soldados voltaram ao acampamento, as autoridades de Israel perguntaram: “Por que o Senhor deixou que os filisteus nos derrotassem? Vamos a Siló buscar a arca da aliança do Senhor, para que ele vá conosco e nos salve das mãos de nossos inimigos”.
  24. Então mandaram trazer de Siló a arca da aliança do Senhor dos Exércitos, que tem o seu trono entre os querubins. E os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, acompanharam a arca da aliança de Deus.
  25. Quando a arca da aliança do Senhor entrou no acampamento, todos os israelitas gritaram tão alto que o chão estremeceu.
  26. Os filisteus, ouvindo os gritos, perguntaram: “O que significam todos esses gritos no acampamento dos hebreus?”, souberam que a arca do Senhor viera para o acampamento.
  27. Os filisteus ficaram com medo e disseram: “Deuses chegaram ao acampamento. Ai de nós! Nunca nos aconteceu uma coisa dessas!”
  28. “Ai de nós! Quem nos livrará das mãos desses deuses poderosos? São os deuses que feriram os egípcios com toda espécie de pragas, no deserto.”
  29. “Sejam fortes, filisteus! Sejam homens ou vocês se tornarão escravos dos hebreus, assim como eles foram escravos de vocês. Sejam homens e lutem!”
  30. Então os filisteus lutaram e Israel foi derrotado; cada homem fugiu para sua tenda. O massacre foi muito grande: Israel perdeu trinta mil homens de infantaria.
  31. A arca de Deus foi tomada, e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, morreram.
  32. Naquele mesmo dia um benjamita correu da linha de batalha até Siló, com as roupas rasgadas e terra na cabeça.
  33. Quando ele chegou, Eli estava sentado, observando sua cadeira, ao lado da estrada, pois seu coração temia pela arca de Deus. O homem entrou na cidade e contou o que havia acontecido, e a cidade começou a gritar.
  34. Eli ouviu os gritos e perguntou: “O que significa esse tumulto? ” O homem correu para contar tudo a Eli.
  35. Eli tinha noventa e oito anos de idade e seus olhos estavam imóveis, e já não conseguia enxergar.
  36. O homem lhe disse: “Acabei de chegar da linha de batalha; fugi de lá hoje mesmo”. Eli perguntou: “O que aconteceu, meu filho? “
  37. O mensageiro respondeu: “Israel fugiu dos filisteus, e houve uma grande matança entre os soldados. Também os seus dois filhos, Hofni e Finéias, estão mortos, e a arca de Deus foi tomada”.
  38. Quando ele mencionou a arca de Deus, Eli caiu da cadeira para trás, ao lado do portão, quebrou o pescoço, e morreu, pois era velho e pesado. Ele liderou Israel durante quarenta anos.
  39. Sua nora, a mulher de Finéias, estava grávida e perto de dar à luz.
  40. Quando ouviu a notícia de que a arca de Deus havia sido tomada e que seu sogro e seu marido estavam mortos, entrou em trabalho de parto e deu à luz, mas não resistiu às dores do parto.
  41. Enquanto morria, as mulheres que a ajudavam disseram: “Não se desespere; você teve um menino”. Mas ela não respondeu nem deu atenção.
  42. Ela deu ao menino o nome de Icabode, e disse: “A glória se foi de Israel”. Porque a arca foi tomada e por causa da morte do sogro e do marido.
  43. E ainda acrescentou: “A glória se foi de Israel, pois a arca de Deus foi tomada”.

Capítulo 19 – Arca Tomada

  1. Depois que os filisteus tomaram a arca de Deus, eles a levaram de Ebenézer para Asdode.
  2. E a colocaram dentro do templo de Dagom, ao lado de sua estátua.
  3. Quando o povo de Asdode se levantou na madrugada do dia seguinte, lá estava Dagom caído, rosto em terra, diante da arca do Senhor!
  4. Eles levantaram Dagom e o colocaram de volta em seu lugar.
  5. Mas, na manhã seguinte, quando se levantaram de madrugada, lá estava Dagom caído, rosto em terra, diante da arca do Senhor!
  6. Sua cabeça e mãos tinham sido quebradas e estavam sobre a soleira; só o seu corpo ficou no lugar.
  7. Por isso, até hoje, os sacerdotes de Dagom e todos os que entram em seu templo, em Asdode, não pisam na soleira.
  8. Depois disso a mão do Senhor pesou sobre o povo de Asdode e dos arredores, trazendo devastação sobre eles e afligindo-os com tumores.
  9. Quando os homens de Asdode viram o que estava acontecendo, disseram: “A arca do deus de Israel não deve ficar aqui conosco, pois a mão dele pesa sobre nós e sobre nosso deus Dagom”.
  10. Então reuniram todos os governantes dos filisteus e lhes perguntaram: “O que faremos com a arca do deus de Israel? “
  11. Eles responderam: “Levem a arca do deus de Israel para Gate”. E então levaram a arca do Deus de Israel.
  12. Mas, quando a arca chegou, a mão do Senhor castigou aquela cidade, e trouxe-lhe grande pânico.
  13. Ele afligiu o povo da cidade, jovens e velhos, com uma epidemia de tumores.
  14. Então enviaram a arca de Deus para Ecrom.
  15. Quando a arca de deus estava entrando na cidade de Ecrom, o povo começou a gritar: “Eles trouxeram a arca do deus de Israel para cá afim de matar a nós e a nosso povo”.
  16. Então reuniram todos os governantes dos filisteus e disseram: “Levem embora a arca do deus de Israel; que ela volte ao seu lugar; caso contrário ela matará a nós e a nosso povo”. Pois havia pânico mortal em toda a cidade; a mão de Deus pesava muito sobre ela.
  17. Aqueles que não morreram foram afligidos com tumores, e o clamor da cidade subiu até o céu.
  18. Quando já fazia sete meses que a arca do Senhor estava em território filisteu,
    os filisteus chamaram os sacerdotes e adivinhos.
  19. Eles disseram: “O que faremos com a arca do Senhor? Digam-nos com o que devemos mandá-la de volta a seu lugar”.
  20. Eles responderam: “Se vocês devolverem a arca do deus de Israel, não mandem de volta só a arca, mas enviem também uma oferta pela culpa. Então vocês serão curados e saberão por que a sua mão não tem se afastado de vocês”.
  21. Os filisteus perguntaram: “Que oferta pela culpa devemos lhe enviar? “
  22. Eles responderam: “Cinco tumores de ouro e cinco ratos de ouro, de acordo com o número de governantes filisteus, porquanto a mesma praga atingiu vocês e todos os seus governantes.
  23. Façam imagens dos tumores e dos ratos que estão assolando o país e dêem glória ao deus de Israel. Talvez ele alivie a sua mão de sobre vocês, seus deuses e sua terra.
  24. Por que ter o coração obstinado como os egípcios e o faraó? Somente quando esse deus os tratou severamente, eles deixaram os israelitas seguir o seu caminho.
  25. Agora, então, preparem uma carroça nova, com duas vacas que deram cria e sobre as quais nunca foi colocado jugo.
  26. Amarrem-nas à carroça, mas afastem delas os seus bezerros e os ponham no curral.
  27. Coloquem a arca do Senhor sobre a carroça, e ponham numa caixa ao lado os objetos de ouro que vocês estão lhe enviando como oferta pela culpa.
  28. Enviem a carroça, e fiquem observando. Se ela for para seu próprio território, na direção de Bete-Semes, então foi o Senhor quem trouxe essa grande desgraça sobre nós.
  29. Mas, se ela não for, então saberemos que não foi a sua mão que nos atingiu e que isso aconteceu conosco por acaso”.
  30. E assim fizeram. Pegaram duas vacas com cria e as amarraram a uma carroça e prenderam seus bezerros no curral.
  31. Colocaram a arca do Senhor na carroça e junto dela a caixa com os ratos de ouro e as imagens dos tumores.
  32. Então as vacas foram diretamente para Bete-Semes, mantendo-se na estrada e mugindo por todo o caminho; não se desviaram para a direita nem para a esquerda.
  33. Os governantes dos filisteus as seguiram até a fronteira de Bete-Semes.
  34. Ora, o povo de Bete-Semes estava colhendo trigo no vale e, quando olharam e viram a arca, alegraram-se muito.
  35. A carroça chegou ao campo de Josué, de Bete-Semes, e ali parou ao lado de uma grande rocha.
  36. Então cortaram a madeira da carroça e ofereceram as vacas como holocausto ao Senhor.
  37. Os levitas tinham descido a arca do Senhor e a caixa com os objetos de ouro e colocado sobre a grande rocha.
  38. Naquele dia, o povo de Bete-Semes ofereceu holocaustos e sacrifícios ao Senhor.
  39. Os cinco governantes dos filisteus viram tudo isso e voltaram naquele mesmo dia a Ecrom.
  40. Os filisteus enviaram ao Senhor como oferta pela culpa estes tumores de ouro: um por Asdode, outro por Gaza, outro por Ascalom, outro por Gate e outro por Ecrom.
  41. O número dos ratos de ouro foi conforme o número das cidades filistéias que pertenciam aos cinco governantes; tanto as cidades fortificadas como os povoados no campo.
  42. A grande rocha, sobre a qual puseram a arca do Senhor, é até hoje uma testemunha no campo de Josué, de Bete-Semes.
  43. Deus, contudo, feriu alguns dos homens de Bete-Semes, matando setenta deles, por terem olhado para dentro da arca do Senhor.
  44. O povo chorou por causa da grande matança que o Senhor fizera, e os homens de Bete-Semes perguntaram: “Quem pode permanecer na presença do Senhor, esse Deus santo? Para quem enviamos a arca, para que se afaste de nós? “
  45. Então enviaram mensageiros ao povo de Quiriate-Jearim, dizendo: “Os filisteus devolveram a arca do Senhor. Venham e a levem para vocês”.
  46. Então, os homens de Quiriate-Jearim vieram para levar a arca do Senhor.
  47. Eles a levaram para a casa de Abinadabe, na colina, e consagraram seu filho Eleazar para guardar a arca do Senhor.
  48. A arca permaneceu em Quiriate-Jearim muito tempo; foram vinte anos. E todo o povo de Israel buscava o Senhor com súplicas.

Capítulo 20 – Juiz Samuel

  1. E Samuel disse a toda a nação de Israel: “Se vocês querem voltar-se para o Senhor de todo o coração, livrem-se então dos deuses estrangeiros e dos postes sagrados, consagrem-se ao Senhor e prestem culto somente a ele, e ele os libertará das mãos dos filisteus”.
  2. Assim, os israelitas se livraram dos baalins e dos postes sagrados, e começaram a prestar culto somente ao Senhor.
  3. E Samuel prosseguiu: “Reúnam todo Israel em Mispá, e eu intercederei ao Senhor a favor de vocês”.
  4. Quando eles se reuniram em Mispá, tiraram água e a derramaram perante o Senhor.
  5. Naquele dia jejuaram e disseram ali: “Temos pecado contra o Senhor”. E foi em Mispá que Samuel liderou os israelitas como juiz.
  6. Quando os filisteus souberam que os israelitas estavam reunidos em Mispá, os governantes dos filisteus saíram para atacá-los.
  7. Quando os israelitas souberam disso, ficaram com medo dos filisteus.
  8. E disseram a Samuel: “Não pare de clamar por nós ao Senhor nosso Deus, para que nos salve das mãos dos filisteus”.
  9. Então Samuel pegou um cordeiro ainda não desmamado e o ofereceu inteiro como holocausto ao Senhor.  Ele clamou ao Senhor em favor de Israel, e o Senhor lhe respondeu.
  10. Enquanto Samuel oferecia o holocausto, os filisteus se aproximaram para combater Israel.
  11. Naquele dia, porém, o Senhor trovejou com fortíssimo estrondo contra os filisteus e os colocou em pânico. Então foram derrotados por Israel.
  12. Os soldados de Israel saíram de Mispá e perseguiram os filisteus até um lugar abaixo de Bete-Car, matando-os pelo caminho.
  13. Então Samuel pegou uma pedra e a ergueu entre Mispá e Sem; e deu-lhe o nome de Ebenézer, dizendo: “Até aqui o Senhor nos ajudou”.
  14. Assim os filisteus foram dominados e não voltaram a invadir o território israelita. A mão do Senhor opôs-se aos filisteus durante toda a vida de Samuel.
  15. As cidades que os filisteus haviam conquistado, foram devolvidas a Israel, desde Ecrom até Gate.
  16. Israel libertou os territórios ao redor delas do poder dos filisteus. E houve também paz entre Israel e os amorreus.
  17. Samuel continuou como juiz de Israel durante todos os dias de sua vida.
  18. A cada ano percorria Betel, Gilgal, e Mispá, decidindo as questões de Israel em todos esses lugares.
  19. Mas sempre retornava a Ramá, onde ficava sua casa; ali ele liderava Israel como juiz e naquele lugar construiu um altar em honra do Senhor.
  20. Quando envelheceu, Samuel nomeou seus filhos como líderes de Israel.
  21. Seu filho mais velho chamava-se Joel, o segundo, Abias. Eles eram líderes em Berseba.
  22. Mas os filhos dele não andaram em seus caminhos. Eles se tornaram gananciosos, aceitaram suborno e perverteram a justiça.
  23. Por isso, todas as autoridades de Israel reuniram-se e foram falar com Samuel, em Ramá.
  24. E disseram-lhe: “Tu já estás idoso, e teus filhos não andam em teus caminhos; escolhe agora um rei para que nos lidere, à semelhança das outras nações”.
  25. Quando, porém, disseram: “Dá-nos um rei para que nos lidere”, isto desagradou a Samuel; então ele orou ao Senhor.
  26. E o Senhor lhe respondeu: “Atenda a tudo o que o povo está lhe pedindo; não foi a você que rejeitaram; foi a mim que rejeitaram como rei.
  27. Assim como fizeram comigo desde o dia em que os tirei do Egito, até hoje, abandonando-me e prestando culto a outros deuses, também estão fazendo com você.
  28. Agora atenda-os; mas advirta-os solenemente e diga-lhes que direitos reivindicará o rei que os governará”.
  29. Samuel transmitiu todas as palavras do Senhor ao povo, que estava lhe pedindo um rei,
    dizendo: “Isto é o que o rei que reinará sobre vocês reivindicará como seu direito.”
  30. “Ele tomará os filhos de vocês para servi-lo em seus carros de guerra e em sua cavalaria, e para correr à frente dos seus carros de guerra.”
  31. “Colocará alguns como comandantes de mil e outros como comandantes de cinqüenta.”
  32. “Ele os fará arar as terras dele, fazer a colheita, e fabricar armas de guerra e equipamentos para os seus carros de guerra.
  33. Tomará as filhas de vocês para serem perfumistas, cozinheiras e padeiras.
  34. Tomará de vocês o melhor das plantações, das vinhas e dos olivais, e o dará aos criados dele.
  35. Tomará um décimo dos cereais e da colheita das uvas e o dará a seus oficiais e a seus criados.
  36. Também tomará de vocês para seu uso particular os servos e as servas, o melhor do gado e dos jumentos.
  37. E tomará de vocês um décimo dos rebanhos, e vocês mesmos se tornarão escravos dele.
  38. Naquele dia, vocês clamarão por causa do rei que vocês mesmos escolheram, e o Senhor não os ouvirá”.
  39. Todavia, o povo recusou-se a ouvir Samuel, e disseram: “Não! Queremos ter um rei.”
  40. “Seremos como todas as outras nações; um rei nos governará, e sairá à nossa frente para combater em nossas batalhas”.
  41. Depois de ter ouvido tudo o que o povo disse, Samuel o repetiu perante o Senhor.
  42. E o Senhor respondeu: “Atenda-os e dê-lhes um rei”. Então Samuel disse aos homens de Israel: “Volte cada um para sua cidade”.

Capítulo 20 – Ascensão de Saul

  1. Havia um homem de Benjamim, rico e influente, chamado Quis, filho de Abiel, neto de Zeror, bisneto de Becorate e trineto de Afia.
  2. Ele tinha um filho chamado Saul, jovem de boa aparência, sem igual entre os israelitas; os mais altos batiam nos seus ombros.
  3. E aconteceu que jumentas de Quis, pai de Saul, extraviaram-se. E ele disse a Saul: “Chame um dos servos e vá procurar as jumentas”.
  4. Eles atravessaram os montes de Efraim e a região de Salisa, mas não as encontraram. Prosseguindo, entraram no distrito de Saalim, mas as jumentas não estavam lá. Então atravessaram o território de Benjamim, e mesmo assim não as encontrou.
  5. Chegando ao distrito de Zufe, disse Saul ao seu servo: “Vamos voltar, ou meu pai deixará de pensar nas jumentas para começar a preocupar-se conosco”.
  6. O servo, contudo, respondeu: “Nesta cidade mora um homem de Deus que é muito respeitado. Tudo o que ele diz acontece. Vamos falar com ele. Talvez ele nos aponte o caminho a seguir”.
  7. Saul disse a seu servo: “Se formos, o que poderemos lhe dar? A comida de nossas sacos de viagem acabou. Não temos nenhum presente para levar ao homem de Deus. O que temos para oferecer? “
  8. O servo lhe respondeu: “Tenho três gramas de prata. Darei isto ao homem de Deus para que ele nos aponte o caminho a seguir”.
  9. E Saul concordou: “Muito bem, vamos! ” Assim, foram em direção à cidade onde estava o homem de Deus.
  10. Ao subirem a colina para chegar à cidade, encontraram algumas jovens que estavam saindo para buscar água e perguntaram a elas: “O vidente está na cidade? “
  11. Antigamente em Israel, quando alguém ia consultar a Deus, dizia: “Vamos ao vidente”, pois o profeta de hoje era chamado vidente.
  12. Elas responderam: “Sim. Ele está ali adiante. Apressem-se; ele chegou hoje à nossa cidade, porque o povo vai oferecer um sacrifício no altar no monte.”
  13. “Assim que entrarem na cidade, vocês o encontrarão antes que suba ao altar no monte para comer.
  14. “O povo só começará a comer quando ele chegue, pois ele deve abençoar o sacrifício. Depois disso, os convidados irão comer. Subam agora e vocês logo o encontrarão”.
  15. Eles foram à cidade e, ao entrarem, Samuel vinha na direção deles a caminho do altar no monte.
  16. No dia anterior à chegada de Saul, o Senhor havia revelado isto a Samuel: “Amanhã, por volta desta hora, enviarei a você um homem da terra de Benjamim.”
  17. “Unja-o como líder sobre meu povo Israel; ele libertará o meu povo das mãos dos filisteus. Atentei para o meu povo, pois seu clamor chegou a mim”.
  18. Quando Samuel viu Saul, o Senhor lhe disse: “Este é o homem de quem lhe falei; ele governará o meu povo”.
  19. Saul aproximou-se de Samuel na entrada da cidade e lhe perguntou: “Por favor, pode me dizer onde é a casa do vidente? “
  20. Respondeu Samuel: “Eu sou o vidente. Vá na minha frente para o altar, pois hoje você comerá comigo. Amanhã cedo eu lhe contarei tudo o que você quer saber e o deixarei ir.”
  21. “Quanto às jumentas que você perdeu há três dias, não se preocupe com elas; já foram encontradas. E a quem pertencerá tudo o que é precioso em Israel, senão a você e toda a família de seu pai? “
  22. Saul respondeu: “Acaso não sou eu um benjamita, da menor das tribos de Israel, e não é o meu clã o mais insignificante de todos os clãs da tribo de Benjamim? Por que então estás me dizendo tudo isso? “
  23. Então Samuel levou a Saul e seu servo para a sala e deu a eles o lugar de honra entre os convidados, cerca de trinta pessoas.
  24. E disse ao cozinheiro: “Traga-me a porção de carne que lhe entreguei e mandei reservar”.
  25. Então o cozinheiro pegou a coxa do animal com o que estava sobre ele e colocou tudo diante de Saul.
  26. E disse Samuel: “Aqui está o que lhe foi reservado. Coma, pois desde o momento em que eu disse: Tenho convidados, ela lhe foi separada para esta ocasião”. E Saul comeu com Samuel naquele dia.
  27. Depois de ter descido do altar no monte para a cidade, Samuel conversou com Saul no terraço de sua casa.
  28. Ao romper do dia, quando se levantaram, Samuel chamou Saul no terraço e disse: “Levante-se, e eu o acompanharei, e depois você seguirá viagem”. Saul se levantou e saiu junto com Samuel.
  29. Enquanto desciam para a saída da cidade, Samuel disse a Saul: “Diga ao servo que vá na frente”, e o servo foi.
  30. Samuel prosseguiu: “Fique você aqui um instante, para que eu lhe dê uma mensagem da parte de Deus”.
  31. Então Samuel apanhou um jarro de óleo, derramou-o sobre a cabeça de Saul e o beijou, dizendo: “O Senhor o tem ungido como líder da herança dele.
  32. “Hoje, quando você partir, encontrará dois homens perto do túmulo de Raquel, em Zelza, na fronteira de Benjamim.”
  33. “Eles lhe dirão: As jumentas que você foi procurar já foram encontradas. Agora seu pai deixou de se importar com elas e está preocupado com vocês. Ele está perguntando: Como encontrarei meu filho?”
  34. “Então, dali, você prosseguirá para o carvalho de Tabor. Três homens virão subindo ao santuário de Deus em Betel, e encontrarão você ali. Um estará levando três cabritos, outro três pães, e outro uma vasilha de couro cheia de vinho.”
  35. “Eles o cumprimentarão e lhe oferecerão dois pães, que você deve aceitar.”
  36. “Depois você irá a Gibeá de Deus, onde há um destacamento filisteu. Ao chegar à cidade, você encontrará um grupo de profetas descendo do altar no monte tocando liras, tamborins, flautas e harpas; e eles estarão profetizando.”
  37. “O Espírito do Senhor se apossará de você, e com eles você profetizará em transe, e será um novo homem.”
  38. “Assim que esses sinais tiverem se cumprido, faça o que achar melhor, pois Deus está com você.”
  39. “Vá na minha frente até Gilgal. Depois eu irei também, para oferecer holocaustos e sacrifícios de comunhão, mas você deve esperar sete dias, até que eu chegue e lhe diga o que fazer”.
  40. Quando se virou para afastar-se de Samuel, Deus mudou o coração de Saul, e todos esses sinais se cumpriram naquele dia.
  41. Chegando em Gibeá, um grupo de profetas o encontrou; o Espírito de Deus se apossou dele, e ele profetizou em transe no meio deles.
  42. Quando os que já o conheciam viram-no profetizando com os profetas, perguntaram uns aos outros: “O que aconteceu ao filho de Quis? Saul também está entre os profetas? “
  43. Um homem daquele lugar respondeu: “E quem é o pai deles? ” De modo que isto se tornou um ditado: “Saul também está entre os profetas? “
  44. Depois que Saul parou de profetizar, foi para o altar no monte.
  45. Então o tio de Saul perguntou a ele e ao seu servo: “Aonde vocês foram? “
  46. Ele respondeu: “Procurar as jumentas. Quando, porém, vimos que não seriam encontradas, fomos falar com Samuel”.
  47. “O que Samuel lhe disse? “, perguntou o tio.
  48. Saul respondeu: “Ele nos garantiu que as jumentas tinham sido encontradas”. Todavia, Saul não contou ao tio o que Samuel tinha dito sobre o reino.
  49. Samuel convocou o povo de Israel ao Senhor, em Mispá, e lhes disse: “Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: ‘Eu tirei Israel do Egito, e libertei vocês do poder do Egito e de todos os reinos que os oprimiam’.”
  50. “Mas vocês agora rejeitaram o Deus que os salva de todas as suas desgraças e angústias. E disseram: ‘Não! Escolhe um rei para nós’. Por isso, agora, apresentem-se perante o Senhor, de acordo com as suas tribos e clãs”.
  51. Tendo Samuel feito todas as tribos de Israel se aproximarem, a de Benjamim foi escolhida.
  52. Então fez ir à frente a tribo de Benjamim, clã por clã, e o clã de Matri foi escolhido. Finalmente foi escolhido Saul, filho de Quis. Quando, porém, o procuraram, ele não foi encontrado.
  53. Então consultaram novamente o Senhor: “Ele já chegou? ” E o Senhor disse: “Sim, ele está escondido no meio da bagagem”.
  54. Então correram e o tiraram de lá. Quando ficou de pé no meio do povo; os mais altos do povo batiam-lhe nos ombros.
  55. E Samuel disse a todos: “Vocês vêem o homem que o Senhor escolheu? Não há ninguém como ele entre todo o povo”. Então todos gritaram: “Viva o rei!”
  56. Samuel expôs ao povo as leis do reino. Ele as escreveu num livro e o pôs perante o Senhor. Então Samuel mandou o povo de volta para suas casas.
  57. Saul também foi para sua casa em Gibeá, acompanhado por guerreiros, cujos corações Deus tinha tocado.
  58. Alguns vadios, porém, disseram: “Como este homem pode nos salvar? ” Desprezaram-no e não lhe trouxeram presente algum. Mas Saul ficou calado.

Capítulo 21 – Reino de Saul

  1. O amonita Naás avançou contra a cidade de Jabes-Gileade e a cercou. E os homens de Jabes lhe disseram: “Faça um tratado conosco, e nos sujeitaremos a você”.
  2. Contudo, Naás, o amonita, respondeu: “Só farei um tratado com vocês sob a condição de que eu arranque o olho direito de cada um de vocês e assim humilhei todo o Israel”.
  3. As autoridades de Jabes lhe disseram: “Dê-nos sete dias para que possamos enviar mensageiros a todo Israel; se ninguém vier nos socorrer, nós nos renderemos”.
  4. Quando os mensageiros chegaram a Gibeá, cidade de Saul, e relataram essas coisas ao povo, todos choraram em voz alta.
  5. Naquele momento, Saul estava trazendo o gado do campo e perguntou: “O que há com o povo? Por que estão chorando?”
  6. Então lhe contaram o que os homens de Jabes tinham dito.
  7. Quando Saul ouviu isso, o Espírito de Deus apoderou-se dele, e ele ficou furioso.
  8. Apanhou dois bois, cortou-os em pedaços e, por meio dos mensageiros, enviou os pedaços a todo o Israel.
  9. Ele proclamou: “Isto é o que acontecerá aos bois de quem não seguir Saul e Samuel”.
  10. Então o temor do Senhor caiu sobre o povo, e eles vieram unânimes.
  11. Quando Saul os reuniu em Bezeque, havia trezentos mil de Israel e trinta mil de Judá.
  12. E disseram aos mensageiros de Jabes: “Digam aos homens de Jabes-Gileade: ‘Amanhã, na hora mais quente do dia, haverá libertação para vocês’ “.
  13. Quando relataram isso aos habitantes de Jabes, eles se alegraram.
  14. Então, os homens de Jabes disseram aos amonitas: “Amanhã nós nos renderemos a vocês, e poderão fazer conosco o que quiserem”.
  15. No dia seguinte, Saul dividiu seus soldados em três grupos; entraram no acampamento amonita na alta madrugada e os mataram até a hora mais quente do dia.
  16. Aqueles que sobreviveram se dispersaram, de modo que não ficaram dois juntos.
  17. Então o povo disse a Samuel: “Quem foi que perguntou: ‘Será que Saul vai reinar sobre nós? ’ Traga-nos esses homens, e nós os mataremos”.
  18. Saul, porém, disse: “Hoje ninguém será morto, pois neste dia o Senhor trouxe libertação a Israel”.
  19. Então Samuel disse ao povo: “Venham, vamos a Gilgal e reafirmemos ali o reino”.
  20. Assim, todo o povo foi a Gilgal e proclamou Saul como rei na presença do Senhor.
  21. Ali ofereceram sacrifícios de comunhão ao Senhor, e Saul e todos os israelitas se alegraram muito.
  22. Samuel disse a todo Israel: “Atendi tudo o que vocês me pediram e estabeleci um rei para vocês.”
  23. “Agora vocês têm um rei que os governará. Quanto a mim, estou velho e de cabelos brancos, e meus filhos estão aqui com vocês.
  24. “Tenho vivido diante de vocês desde a minha juventude até agora.”
  25. Aqui estou. Se tomei um boi ou um jumento de alguém, ou se explorei ou oprimi a alguém ou se das mãos de alguém aceitei suborno, fechando os olhos para sua culpa, testemunhem contra mim na presença do Senhor e do seu ungido.”
  26. “Se alguma dessas coisas pratiquei, eu farei restituição”.
  27. E responderam: “Você não nos explorou nem nos oprimiu. Você não tirou coisa alguma das mãos de ninguém”.
  28. Samuel lhes disse: “O Senhor é testemunha diante de vocês, e bem como o seu ungido é hoje testemunha de que vocês não encontraram culpa alguma em minhas mãos”. E disseram: “Ele é testemunha”.
  29. Então Samuel disse ao povo: “O Senhor designou Moisés e Arão e tirou os seus antepassados do Egito.”
  30. “Agora, pois, fiquem aqui, porque vou entrar em julgamento com vocês, perante o Senhor, com base nos atos justos realizados pelo Senhor em favor de vocês e de seus antepassados.”
  31. “Depois que Jacó entrou no Egito, eles clamaram ao Senhor, e ele enviou Moisés e Arão para tirar seus antepassados do Egito e os estabelecer neste lugar.”
  32. “Seus antepassados, porém, se esqueceram do Senhor seu Deus; então ele os vendeu à Sísera, o comandante do exército de Hazor, e aos filisteus e ao rei de Moabe, que lutaram contra eles.”
  33. “Eles clamaram ao Senhor, dizendo: ‘Pecamos, abandonando o Senhor e prestando culto aos baalins e aos postes sagrados. Agora, porém, liberta-nos das mãos dos nossos inimigos, e nós prestaremos culto a ti’.”
  34. Então o Senhor enviou Jerubaal, Baraque, Jefté e Samuel, e os libertou das mãos dos inimigos que os rodeavam, de modo que vocês viveram em segurança.
  35. Quando, porém, vocês viram que Naás, rei dos amonitas, estava avançando contra vocês, então me disseram: ‘Não! Escolha um rei para nós’, embora o Senhor, o seu Deus, fosse o rei.
  36. “Agora, aqui está o rei que vocês escolheram, aquele que vocês pediram; o Senhor deu um rei a vocês.”
  37. “Se vocês temerem, servirem e obedecerem ao Senhor, e não se rebelarem contra suas ordens, e, se vocês e o rei que reinar sobre vocês seguirem o Senhor, o seu Deus, tudo lhes irá bem!”
  38. “Todavia, se vocês desobedecerem ao Senhor e se rebelarem contra o seu mandamento, sua mão se oporá a vocês da mesma forma como se opôs aos seus antepassados.”
  39. “Agora, preparem-se para ver este grande feito que o Senhor vai realizar diante de vocês!”
  40. “Agora não é a época da colheita do trigo? Pedirei ao Senhor que envie trovões e chuva para que vocês reconheçam que fizeram o que o Senhor reprova totalmente, quando pediram um rei”.
  41. Então Samuel clamou ao Senhor, e naquele mesmo dia o Senhor enviou trovões e chuva. E assim todo o povo temeu grandemente o Senhor e Samuel.
  42. E todo o povo disse a Samuel: “Ore ao Senhor seu Deus em favor dos seus servos, para que não morramos, pois a todos os nossos pecados acrescentamos o mal de pedir um rei”.
  43. Respondeu Samuel: “Não tenham medo. De fato, vocês fizeram todo esse mal, mas não deixem de seguir o Senhor, antes, sirvam o Senhor de todo o coração.
  44. Não se desviem, para seguir ídolos inúteis, que não têm qualquer proveito nem podem livrá-los, pois são inúteis.
  45. Por causa de seu grande nome o Senhor não os rejeitará, pois o Senhor teve prazer em torná-los o seu próprio povo.
  46. E longe de mim esteja pecar contra o Senhor, deixando de orar por vocês. Também lhes ensinarei o caminho que é bom e direito.
  47. Somente temam o Senhor e o sirvam fielmente de todo o coração; e considerem as grandes coisas que ele tem feito por vocês.
  48. Todavia, se insistirem em fazer o mal, tanto vocês quanto o seu rei serão destruídos”.

Capítulo 22 – Guerra contra os Filisteus

  1. Saul tinha trinta anos de idade quando começou a reinar, e reinou sobre Israel quarenta e dois anos.
  2. Saul escolheu três mil homens de Israel; dois mil ficaram com ele em Micmás e nos montes de Betel, e mil ficaram com Jônatas em Gibeá de Benjamim. O restante dos homens ele mandou de volta para suas tendas.
  3. Jônatas atacou os destacamentos dos filisteus em Gibeá, e os filisteus foram informados disso. Então Saul mandou tocar a trombeta por todo o país dizendo: “Que os hebreus fiquem sabendo disto!”
  4. E todo Israel ouviu a notícia de que Saul tinha atacado o destacamento dos filisteus atraindo o ódio dos filisteus sobre Israel. Então os homens foram convocados para se unirem a Saul em Gilgal.
  5. Os filisteus reuniram-se para lutar contra Israel, com três mil carros de guerra, seis mil condutores de carros e tantos soldados quanto a areia da praia. Eles foram a Micmás, a leste de Bete-Áven e lá acamparam.
  6. Quando os soldados de Israel viram que a situação era difícil e que seu exército estava sendo muito pressionado, esconderam-se em cavernas e buracos, entre as rochas e em poços e cisternas.
  7. Alguns hebreus até atravessaram o Jordão para chegar à terra de Gade e de Gileade. Saul ficou em Gilgal, e os soldados que estavam com ele tremiam de medo.
  8. Ele esperou sete dias, o prazo estabelecido por Samuel; mas este não chegou a Gilgal, e os soldados de Saul começaram a se dispersar.
  9. Então ele ordenou: “Tragam-me o holocausto e os sacrifícios de comunhão”.
  10. Saul ofereceu então o holocausto, e quando ele terminou de oferecê-lo, Samuel chegou, e Saul foi saudá-lo.
  11. E perguntou-lhe Samuel: “O que você fez? ” Saul respondeu: “Quando vi que os soldados estavam se dispersando e que você não tinha chegado no prazo estabelecido e que os filisteus estavam reunidos em Micmás, pensei: ‘Agora, os filisteus me atacarão em Gilgal, e eu não busquei o Senhor’. Por isso senti-me obrigado a oferecer o holocausto”.
  12. Disse Samuel: “Você agiu como tolo, desobedecendo ao mandamento que o Senhor seu Deus lhe deu; se você tivesse obedecido, ele teria estabelecido para sempre o seu reinado sobre Israel.
  13. Mas agora seu reinado não permanecerá; o Senhor procurou um homem segundo o seu coração e o designou líder de seu povo, pois você não obedeceu ao mandamento do Senhor”.
  14. Então Samuel partiu de Gilgal e foi a Gibeá de Benjamim, e Saul contou soldados que estavam com ele. Eram cerca de seiscentos.
  15. Saul e seu filho Jônatas, acompanhados de seus soldados, ficaram em Gibeá de Benjamim, enquanto os filisteus estavam acampados em Micmás.
  16. Uma tropa de ataque saiu do acampamento filisteu em três divisões. Uma foi em direção a Ofra, nos arredores de Sual, outra para Bete-Horom, e a terceira para a região fronteiriça de onde se avista o vale de Zeboim, diante do deserto.
  17. Naquela época não havia nem mesmo um único ferreiro em toda a terra de Israel, pois os filisteus não queriam que os hebreus fizessem espadas e lanças.
  18. Assim, eles tinham que ir aos filisteus para afiar seus arados, enxadas, machados e foices.
  19. O preço para afiar rastelos e enxadas era oito gramas de prata, e quatro gramas de prata para afiar tridentes, machados e pontas de aguilhadas.
  20. Por isso no dia da batalha nenhum soldado de Saul e Jônatas tinha espada ou lança nas mãos, exceto o próprio Saul e seu filho Jônatas.
  21. Aconteceu que um destacamento filisteu foi para o desfiladeiro de Micmás.
  22. Certo dia, Jônatas, filho de Saul, disse ao seu jovem escudeiro: “Vamos ao destacamento filisteu, do outro lado”. Ele, porém, não contou isto a seu pai.
  23. Saul estava sentado debaixo de uma romãzeira na fronteira de Gibeá, em Migrom.
  24. Com ele estavam uns seiscentos soldados, entre os quais Aías, que levava o colete sacerdotal. Ele era filho de Aitube, irmão de Icabode, filho de Finéias e neto de Eli, o sacerdote do Senhor em Siló. Ninguém sabia que Jônatas havia saído.
  25. Em cada lado do desfiladeiro que Jônatas pretendia atravessar para chegar ao destacamento filisteu, havia um penhasco íngreme; um se chamava Bozez; o outro, Sené.
  26. Havia um penhasco ao norte, na direção de Micmás, e outro ao sul, na direção de Geba.
  27. E Jônatas disse a seu escudeiro: “Vamos ao destacamento daqueles incircuncisos. Talvez o Senhor aja em nosso favor, pois nada pode impedir o Senhor de salvar, seja com muitos ou com poucos”.
  28. Disse seu escudeiro: “Faze tudo o que tiveres em mente; eu irei contigo”.
  29. Jônatas disse: “Venha, vamos atravessar na direção dos soldados e deixaremos que nos avistem.
  30. Se nos disserem: ‘Esperem aí até que cheguemos perto’, ficaremos onde estivermos e não avançaremos.
  31. Mas, se disserem: ‘Subam até aqui’, subiremos, pois este será um sinal para nós de que o Senhor os entregou em nossas mãos”.
  32. Então os dois se deixaram ver pelo destacamento dos filisteus, que disseram: “Vejam, os hebreus estão saindo dos buracos onde estavam escondidos”.
  33. E gritaram para Jônatas e seu escudeiro: “Subam até aqui e lhes daremos uma lição”.
  34. Diante disso, Jônatas disse a seu escudeiro: “Siga-me; o Senhor os entregou nas mãos de Israel”.
  35. Jônatas escalou, usando as mãos e os pés, e o escudeiro foi logo atrás. Jônatas começou a derrubá-los, e seu escudeiro, logo atrás dele, os matava.
  36. Naquele primeiro ataque, Jônatas e seu escudeiro mataram cerca de vinte homens numa pequena área de terra.
  37. Então caiu terror sobre todo o exército, tanto sobre os que estavam no acampamento e no campo, como sobre os que estavam nos destacamentos e até mesmo nas tropas de ataque. O chão tremeu e houve um pânico terrível.
  38. As sentinelas de Saul em Gibeá de Benjamim viram o exército filisteu se dispersando, correndo em todas as direções.
  39. Então Saul disse aos seus soldados: “Contem os soldados e vejam quem está faltando”.
  40. Quando o fizeram, viram que Jônatas e seu escudeiro não estavam presentes.
  41. Saul ordenou a Aías: “Traga a arca de Deus”. Naquele tempo ela estava com os israelitas.
  42. Enquanto Saul falava com o sacerdote, o tumulto no acampamento filisteu ia crescendo cada vez mais. Então Saul disse ao sacerdote: “Não precisa trazer a arca”.
  43. Então Saul e todos os soldados se reuniram e foram para a batalha. Encontraram os filisteus em total confusão, ferindo uns aos outros com suas espadas.
  44. Alguns hebreus que antes estavam do lado dos filisteus e que com eles tinham ido ao acampamento filisteu, passaram para o lado dos israelitas que estavam com Saul e Jônatas.
  45. Quando todos os israelitas que haviam se escondido nos montes de Efraim ouviram que os filisteus batiam em retirada, também entraram na batalha, perseguindo-os.
  46. Assim o Senhor concedeu vitória a Israel naquele dia, e a batalha se espalhou para além de Bete-Áven.
  47. Os homens de Israel estavam exaustos naquele dia, pois Saul havia lhes imposto um juramento, dizendo: “Maldito seja todo o que comer antes do anoitecer, antes que eu tenha me vingado de meus inimigos! ” Por isso ninguém tinha comido nada.
  48. O exército inteiro entrou num bosque, onde havia mel no chão.
  49. Eles viram o mel escorrendo, contudo ninguém comeu pois temiam o juramento.
  50. Jônatas, porém, não sabia do juramento que seu pai havia imposto ao exército de modo que estendeu a ponta da vara que tinha na mão e a molhou no favo de mel. Quando comeu seus olhos brilharam.
  51. Então um dos soldados lhe disse: “Seu pai impôs ao exército um juramento severo, dizendo: ‘Maldito seja todo o que comer hoje! ’ Por isso os homens estão exaustos”.
  52. Jônatas disse: “Meu pai trouxe desgraça para nós. Veja como meus olhos brilham desde que provei um pouco deste mel.
  53. Como teria sido bem melhor se os homens tivessem comido hoje um pouco do que tomaram dos seus inimigos. A matança de filisteus não teria sido ainda maior? “
  54. Naquele dia, depois de derrotarem os filisteus, desde Micmás até Aijalom, os israelitas estavam completamente exaustos.
  55. Eles então se lançaram sobre os despojos e pegaram ovelhas, bois e bezerros, e mataram-nos ali mesmo e comeram a carne com o sangue.
  56. E alguém disse a Saul: “Veja, os soldados estão pecando contra o Senhor, comendo carne com sangue”. Ele disse: “Vocês foram infiéis. Rolem uma grande pedra até aqui.
  57. Saiam entre os soldados e digam-lhes: ‘Cada um traga a mim seu boi ou sua ovelha, abatam-nos e comam a carne aqui. Não pequem contra o Senhor comendo carne com sangue’ “. Assim, cada um levou seu boi naquela noite e ali os abateram.
  58. Então, Saul edificou um altar para o Senhor; foi a primeira vez que fez isso.
  59. Saul disse ainda: “Desçamos atrás dos filisteus, à noite, e os saqueemos até o amanhecer, e não deixemos vivo nem um só deles”.
  60. Eles responderam: “Faze o que achares melhor”. O sacerdote, porém, disse: “Consultemos aqui a Deus”.
  61. Então Saul perguntou a Deus: “Devo perseguir os filisteus? Tu os entregarás nas mãos de Israel? ” Mas naquele dia Deus não lhe respondeu.
  62. Disse então Saul: “Venham cá, todos vocês que são líderes do exército, e descubramos que pecado foi cometido hoje.
  63. Juro pelo nome do Senhor, o libertador de Israel, mesmo que seja meu filho Jônatas, ele morrerá”. Mas ninguém disse uma só palavra.
  64. Então disse Saul a todos os israelitas: “Fiquem vocês de um lado; eu e meu filho Jônatas ficaremos do outro”. E eles responderam: “Faze o que achares melhor”.
  65. E Saul orou ao Senhor, ao Deus de Israel: “Dá-me a resposta certa”. A sorte caiu em Jônatas e Saul, e os soldados saíram livres.
  66. Saul disse: “Tirem sortes entre mim e meu filho Jônatas”. E Jônatas foi indicado.
  67. Então Saul disse a Jônatas: “Diga-me o que você fez”. E Jônatas lhe contou: “Eu provei um pouco de mel com a ponta de minha vara. Estou pronto para morrer”.
  68. Saul disse: “Que Deus me castigue com todo rigor, caso você não morra, Jônatas! “
  69. Os soldados, porém, disseram a Saul: “Será que Jônatas, que trouxe esta grande libertação para Israel deve morrer?”
  70. “Nunca! Juramos pelo nome do Senhor, nem um só cabelo de sua cabeça cairá ao chão, pois ele fez isso hoje com o auxílio de Deus”.
  71. Então os homens resgataram Jônatas, e ele não foi morto.
  72. E Saul parou de perseguir os filisteus, e eles voltaram para sua própria terra.
  73. Quando Saul assumiu o reinado sobre Israel, lutou contra os seus inimigos em redor: moabitas, amonitas, edomitas, os reis de Zobá e os filisteus. Para qualquer lado que fosse, infligia-lhes castigo.
  74. Lutou corajosamente e derrotou os amalequitas, libertando Israel das mãos daqueles que os saqueavam.
  75. Os filhos de Saul foram Jônatas, Isvi e Malquisua. O nome de sua filha mais velha era Merabe, e o da mais nova era Mical.
  76. Sua mulher chamava-se Ainoã e era filha de Aimaás. O nome do comandante do exército de Saul era Abner, filho de Ner, tio de Saul.
  77. Quis, pai de Saul, e Ner, pai de Abner, eram filhos de Abiel.
  78. Houve guerra acirrada contra os filisteus durante todo o reinado de Saul. Por isso sempre que Saul conhecia um homem forte e corajoso, alistava-o no seu exército.

 

Samuel 20 – Perseguição

  1. Então Davi fugiu de Naiote, em Ramá, foi falar com Jônatas e perguntou: “O que foi que eu fiz? Qual é o meu crime? Qual foi o pecado que cometi contra seu pai para que ele queira tirar minha vida? “
  2. “Nem pense nisso”, respondeu Jônatas, “você não será morto! Meu pai não fará coisa alguma sem antes me avisar, seja importante ou não. Por que ele iria esconder isso de mim? Não é nada disso! “
  3. Davi, contudo, fez um juramento e disse: “Seu pai sabe muito bem que eu conto com a sua simpatia, e pensou: ‘Jônatas não deve saber disso para não se entristecer’. No entanto, eu juro pelo nome do Senhor e por sua vida que estou a um passo da morte”.
  4. Jônatas disse a Davi: “Eu farei o que você achar necessário”.
  5. Então disse Davi: “Amanhã é a festa da lua nova, e devo jantar com o rei; mas deixe-me ir esconder-me no campo até o final da tarde de depois de amanhã.
  6. Se seu pai sentir minha falta, diga-lhe: ‘Davi insistiu comigo para que lhe permitisse ir a Belém, sua cidade natal, por causa do sacrifício anual que está sendo feito lá por todo o seu clã’.
  7. Se ele disser: ‘Está bem’, então seu servo estará seguro. Se ele, porém, ficar muito irado, você pode estar certo de que está decidido a me fazer mal.
  8. Mas seja leal a seu servo, porque fizemos um acordo perante o Senhor. Se sou culpado, então mate-me você mesmo! Por que entregar-me a seu pai? “
  9. Disse Jônatas: “Nem pense nisso! Se eu tiver a menor suspeita de que meu pai está decidido a matá-lo, certamente eu o avisarei! “
  10. Davi perguntou: “Quem irá contar-me, se seu pai lhe responder asperamente? “
  11. Jônatas disse: “Venha, vamos ao campo”. Eles foram e Jônatas disse a Davi: “Pelo Senhor, o Deus de Israel, prometo que sondarei meu pai, a esta hora, depois de amanhã! Saberei se as suas intenções são boas ou não para com você, e lhe mandarei avisar.”
  12. “E, se meu pai quiser fazer-lhe mal, que o Senhor me castigue com todo rigor, se eu não lhe informar e não deixá-lo ir em segurança. O Senhor esteja com você assim como esteve com meu pai.”
  13. “Se eu continuar vivo, mostre a lealdade do Senhor a mim; mas se eu morrer, jamais deixe de mostrar a sua lealdade para com a minha família, inclusive quando o Senhor eliminar da face da terra todos os inimigos de Davi”.
  14. Assim Jônatas fez uma aliança com a família de Davi, dizendo: “Que o Senhor chame os inimigos de Davi para prestarem contas”.
  15. E Jônatas fez Davi reafirmar seu juramento, por causa de sua amizade por ele, pois ele havia se tornado seu amigo leal.
  16. Então Jônatas disse a Davi: “Amanhã é a festa da lua nova. Vão sentir sua falta, pois sua cadeira estará vazia.
  17. Depois de amanhã, vá ao lugar onde você se escondeu quando tudo isto começou, e espere junto à pedra de Ezel.
  18. Atirarei três flechas para o lado dela, como se estivesse atirando num alvo.
  19. Então mandarei um menino procurar as flechas. Se eu gritar para ele: ‘As flechas estão mais para cá, traga-as aqui’, você poderá vir, pois, juro pelo nome do Senhor que você estará seguro; não haverá perigo algum.
  20. Mas, se eu gritar para ele: ‘Olhe, as flechas estão mais para lá’, vá embora, pois o Senhor o manda ir.
  21. Quanto ao nosso acordo, o Senhor é testemunha entre mim e você para sempre”.
  22. Então Davi escondeu-se no campo. Quando chegou a festa da lua nova, o rei sentou-se à mesa.
  23. Ele se assentou no lugar de costume, junto à parede, em frente de Jônatas, e Abner sentou-se ao lado de Saul, mas o lugar de Davi ficou vazio.
  24. Saul não disse nada naquele dia, pois pensou: “Algo deve ter acontecido a Davi, deixando-o cerimonialmente impuro. Com certeza ele está impuro”.
  25. No dia seguinte, o segundo dia da festa da lua nova, o lugar de Davi continuou vazio. Então Saul perguntou a seu filho Jônatas: “Por que o filho de Jessé não veio para a refeição, nem ontem nem hoje? “
  26. Jônatas respondeu: “Davi me pediu, com insistência, permissão para ir a Belém, dizendo: ‘Deixe-me ir, pois nossa família oferecerá um sacrifício na cidade, e meu irmão ordenou que eu estivesse lá. Se conto com a sua simpatia, deixe-me ir ver meus irmãos’. Por isso ele não veio à mesa do rei”.
  27. A ira de Saul se acendeu contra Jônatas, e ele lhe disse: “Filho de uma mulher perversa e rebelde! Será que eu não sei que você tem apoiado o filho de Jessé para sua própria vergonha e para vergonha daquela que o deu à luz?
  28. Enquanto o filho de Jessé viver, nem você nem seu reino serão estabelecidos. Agora mande chamá-lo e traga-o a mim, pois ele deve morrer! “
  29. Jônatas perguntou a seu pai: “Por que ele deve morrer? O que ele fez? “
  30. Então Saul atirou sua lança contra Jônatas para matá-lo. E assim Jônatas percebeu que seu pai estava decidido a matar Davi.
  31. Jônatas levantou-se da mesa muito irado; naquele segundo dia da festa da lua nova ele não comeu, pois estava triste porque seu pai havia humilhado a Davi.
  32. Pela manhã, Jônatas saiu ao campo para encontrar Davi. Levava consigo um menino e lhe disse: “Corra e ache as flechas que eu atirar”. O menino correu e Jônatas atirou uma flecha para além dele.
  33. Quando o menino chegou ao lugar onde a flecha havia caído, Jônatas gritou: “A flecha não está mais para lá? Vamos! Rápido! Não pare!”
  34. O menino apanhou a flecha e voltou sem saber de nada, pois somente Jônatas e Davi sabiam do que tinham combinado.
  35. Então Jônatas deu suas armas ao menino e disse: “Vá, leve-as de volta à cidade”.
  36. Depois que o menino se foi, Davi saiu do lado sul da pedra e inclinou-se três vezes perante Jônatas, com o rosto no chão. Então despediram-se beijando um ao outro e chorando; Davi chorou ainda mais do que Jônatas.
  37. E ele disse a Davi: “Vá em paz, pois temos jurado um ao outro, em nome do Senhor, dizendo: ‘O Senhor para sempre é testemunha entre nós e entre os nossos descendentes’”.
  38. Então Davi partiu, e Jônatas voltou à cidade.