Nara-Sin

Nara-Sin

A Maldição da Acádia

O poema mesopotâmico intitulado “A maldição da Acádia: o Ekur vingado” explica como o império criado por Sargão de Acádia caiu após os crimes cometidos por seu neto rei Naram-Sin, que saqueou o templo de Ekur em homenagem ao deus TODO-PODEROSO. O mito foi escrito centenas de anos depois da vida de Naram-Sin como uma tentativa do poeta de explicar como os povos Gutianos conseguiram conquistar a Suméria. Em sua fúria, foi o próprio TODO-PODEROSO quem convocou os Gutianos das colinas a leste do Tigre para trazer peste, fome e morte. Os preço dos alimentos inflacionaram e a grama da lamentação fertilizada pelos mortos cresceu sobre as margens dos seus canais. Enfim, o poema se encerra com oito dos deuses, nomeadamente Inanna, Enki, Sin, Ninurta, Utu, Ishkur, Nusku e Nidaba, decretando que a cidade da Acádia deveria ser destruída para poupar o resto da Suméria.

A tradução para a língua portuguesa é feita por Pedro Guilherme Barbalho Cavalcanti a partir do texto em inglês.

I – Ascensão da Arcádia 1-9

Depois que o olhar severo do TODO-PODEROSO destruiu Kish como se fosse o Touro do Céu
E abateu a casa da terra de Uruque na poeira como se fosse um touro poderoso,
Então o TODO-PODEROSO deu o governo e a realeza do sul tanto quanto as terras altas de Sargon, rei da Acádia.
Naquela época, a sagrada JUSTIÇA estabeleceu o santuário de Acádia como seu domínio de mulher célebre;
Ela estabeleceu seu trono em Ulmac.

II – Confiança na JUSTIÇA 10-24

Como um jovem construindo uma casa pela primeira vez,
Como uma garota estabelecendo o domínio de uma mulher,
A sagrada JUSTIÇA não dormiu enquanto assegurava:
Que os depósitos seriam abastecidos;
Que as moradias seriam fundadas na cidade;
Que seu povo comeria comida esplêndida;
Que seu povo beberia esplêndidas bebidas;
Que os que se banhavam nos feriados se alegrariam nos pátios;
Que as pessoas lotariam os locais de celebração;
Que conhecidos jantariam juntos;
Que os estrangeiros voariam como pássaros incomuns no céu;
Que até Marhaci seria reinserido nas listas de tributos;
Que macacos, elefantes poderosos, búfalos aquáticos, animais exóticos,
Bem como cães puro-sangue, leões, íbex da montanha e ovelhas de alúmen com lã comprida;
Todos se acotovelariam nas praças públicas.

III – Benção da JUSTIÇA 25-39

Ela então encheu os estoques de Acádia para trigo emmer com ouro,
Ela encheu seus estoques de trigo emmer branco com prata;
Ela entregou cobre, estanho e blocos de lápis-lazúli para seus celeiros e selou seus silos do lado de fora.
Ela dotou suas velhas com o dom de dar conselhos e os velhos com o dom da eloquência.
Ela dotou suas moças com o dom de entreter e os rapazes com poder na guerra.
Ela dotou os pequeninos de alegria e as babás que deles cuidavam com o toque dos instrumentos de aljarsur.
Dentro da cidade, tambores tigi soaram; fora dele, flautas e instrumentos zamzam.
Seu porto onde os navios atracavam estava cheio de alegria.
Todas as terras estrangeiras descansaram contentes e seu povo sentiu-se feliz.

IV- Rei Naram-Sin 40-56

Seu rei, o pastor Naram-Sin, ergueu-se como a luz do dia no trono sagrado de Acádia.
A muralha da cidade, como uma montanha, alcançou o céu. Era como o Tigre indo para o mar.
A sagrada JUSTIÇA abriu os portões de sua cidade e fazia a Suméria trazer seus próprios pertences rio acima em barcos.
Os Martu, habitantes da serra, ignorantes de agricultura, lhe trouxeram gado e cabritos.
Os Meluhans, o povo da terra negra, lhe trouxeram mercadorias exóticas .
Os de Elam e Subir lhe carregaram com mercadorias como se fossem pacotes.
Todos os governadores, sacerdotes e contadores da Gu-edina lhe davam ofertas mensais e de Ano Novo.
Que cansaço tudo isso causou nos portões da cidade de Acádia!
A divina JUSTIÇA dificilmente poderia receber todas essas ofertas.
Como se fosse uma cidadã ali, ela não poderia conter o desejo de preparar a fudação para um templo.

V – Enlil condena a Cidade 57-65

Mas a declaração vinda do E-kur foi inquietante. Por causa do TODO-PODEROSO toda a Acádia foi reduzida a tremer.
O terror se abateu sobre a JUSTIÇA em Ulmac. Ela deixou a cidade, voltando para sua casa.
Divina JUSTIÇA abandonou o santuário de Acádia como quem abandona as jovens do domínio de sua mulher.
Como um guerreiro correndo para as armas, ela removeu o dom da batalha e da luta da cidade.
Ela os entregou ao inimigo.

VI – Abandono dos Deuses 66-76

Nem mesmo cinco ou dez dias se passaram e Ninurta trouxe de volta as joias do governo.
A coroa real, o emblema e o trono real concedidos a Acádia, voltaram ao seu E-cumeca.
O Sol tirou a eloquência da cidade. O CRIADOR tirou sua sabedoria.
Um elevou no meio do céu seu temor que chega ao céu.
O CRIADOR arrancou seu poste sagrado de ancoragem bem ancorado no ETERNO.
A JUSTIÇA irou suas armas.

VII – Derrota da Acádia 77-82

A vida do santuário de Acádia chegou ao fim.
Era como apenas a vida de uma minúscula carpa nas águas profundas.
Todas as cidades estavam olhando para isso.
Como um poderoso elefante, ele curvou seu pescoço até o chão
Todos erguiam seus chifres como poderosos touros.
Como um dragão moribundo, ele arrastou sua cabeça para a terra;
Juntos o privaram de honra como em uma batalha.

VIII – Visão de Naram-Sin 83-99

Naram-Sin viu em uma visão noturna:
Que o TODO-PODEROSO não deixaria o reino de Acádia ocupar morada agradável e duradoura,
Que ele tornaria seu futuro totalmente desfavorável,
Que faria seus templos tremerem e espalhariam seus tesouros.
Ele percebeu do que se tratava o sonho, mas não o colocou em palavras, não o discutiu com ninguém.
Por causa do E-kur, ele vestiu roupas de luto,
Cobriu sua carruagem com um tapete de junco,
Arrancou o dossel de junco de sua barcaça cerimonial e deu sua parafernália real.
Naram-Sin persistiu por sete anos!
Quem já viu um rei enterrando a cabeça nas mãos por sete anos?
Então ele foi realizar um espetáculo artístico em uma criança a respeito do templo.
Mas o presságio não tinha nada a dizer sobre a construção do templo.
Pela segunda vez, ele foi realizar um espetáculo em uma criança a respeito do templo
Mas o presságio novamente não tinha nada a dizer sobre a construção do templo
A fim de mudar o que havia sido infligido, ele tentou alterar o pronunciamento do TODO-PODEROSO.

IX – Exército de Naram-Sin 100-119

Como seus súditos foram dispersos, ele agora começou a mobilizar suas tropas.
Como um lutador que está prestes a entrar no grande pátio, ele lançou suas mãos em direção a E-kur.
Como um atleta curvado para iniciar uma competição, ele tratou a giguna como se ela valesse apenas trinta shekels.
Como um ladrão que saqueia a cidade, ele colocou escadas altas contra o templo.
Demolir E-kur como se fosse um grande navio.
Quebrar seu solo como nas montanhas de extração de metais.
Estilhaçá-lo como a montanha de lápis-lazúli.
Prostrá-lo como uma cidade inundada por Ickur.
Embora o templo não fosse uma montanha onde cedros são derrubados, ele mandou moldar grandes machados,
Ele tinha machados agasilig de dois gumes afiados para serem usados contra ele.
Ele colocou pás contra suas raízes e afundou tão baixo quanto a fundação da Terra.
Ele colocou machados contra seu topo.
O templo, como um soldado morto, curvou seu pescoço diante dele,
E todas as terras estrangeiras curvaram seus pescoços diante dele.

X – Naram-Sin profana o Templo 120-148

Ele arrancou seus canos de drenagem, e toda a chuva voltou para os céus.
Ele arrancou seu lintel superior e a Terra foi privada de seus ornamentos.
De sua “Porta da qual os grãos nunca são desviados”, ele desviou os grãos, e a Terra foi privada de grãos.
Ele atingiu o “Portão do Bem-Estar” com a picareta, e o bem-estar foi subvertido em todas as terras estrangeiras.
Como grandes terrenos com muita água cheia de carpa, ele lançou grandes pás para serem usadas contra o E-kur.
As pessoas puderam ver o quarto de dormir, seu quarto que não conhece a luz do dia.
Os acadianos podiam olhar para o baú do tesouro sagrado dos deuses.
Mesmo sem cometer nenhum sacrilégio, os lahmu nos pilares do templo foram jogados no fogo por Naram-Sin.
O cedro, o cipreste, o zimbro e o buxo, as madeiras da sua giguna, foram [destruídas] por ele.
Ele colocou o ouro em recipientes e a prata em bolsas de couro.
Ele encheu as docas com seu cobre, como se fosse um grande transporte de grãos.
Os ourives reformavam sua prata.
Os joalheiros reformavam suas pedras preciosas.
Os ferreiros reformavam seu cobre.
Grandes navios foram atracados no templo
Grandes navios foram atracados no templo do TODO-PODEROSO e seus pertences foram tirados da cidade, embora não fossem bens de uma cidade saqueada.
Com os bens sendo retirados da cidade, o bom senso deixou Acádia.
À medida que os navios se afastavam das docas, a inteligência de Acádia foi removida.

XI – Invasão dos Gutianos 149-175

O TODO-PODEROSO, a tempestade violenta, que subjuga toda a terra, o dilúvio crescente que não pode ser enfrentado.
Ele estava considerando o que deveria ser destruído em troca da destruição de seu amado E-kur.
Ele ergueu o olhar para as montanhas Gubin, e fez descer todos os habitantes das grandes cordilheiras.
O TODO-PODEROSO tirou das montanhas aquelas pessoas diferentes, que não são considerados como parte da Terra,
Os Gutianos, um povo desenfreado, com inteligência humana, mas instintos caninos e feições de macaco.
Como pequenos pássaros, eles voaram para o solo em grandes bandos.
Por causa do TODO-PODEROSO, eles estenderam os braços pela planície como uma rede para os animais.
Nada escapou de suas garras, ninguém escapou de suas garras.
Os mensageiros não viajavam mais pelas estradas.
O barco do correio não passava mais ao longo dos rios.
Os gutianos expulsaram as cabras de confiança dos rebanhos do TODO-PODEROSO e obrigaram seus pastores a segui-las.
Expulsaram as vacas de seus currais e obrigaram seus vaqueiros a segui-las.
Os prisioneiros comandavam o relógio. Os assaltantes ocuparam as rodovias.
As portas dos portões da cidade da Terra estavam desalojadas na lama.
Todas as terras estrangeiras proferiram gritos amargos das paredes de suas cidades.
Eles estabeleceram jardins para si próprios dentro das cidades, e não como de costume na vasta planície lá fora.
Como antes da da fundação e construção das cidades, as grandes áreas aráveis não produziam grãos.
As áreas inundadas não produziam peixes, os pomares irrigados não produziam xarope ou vinho,
As nuvens espessas não mais choveram, e a planta macgurum não cresceu.

XII – Fome e Morte 176-192

Naqueles dias, o óleo por um siclo era apenas meio litro.
O grão por um siclo era apenas meio litro.
A lã por um siclo era apenas uma mina.
O peixe por um siclo preenchia apenas uma medida de proibição,
Estes eram vendidos a tal preços nos mercados das cidades!
Aqueles que deitaram no telhado morreram no telhado.
Os que se deitaram em casa não foram sepultados.
As pessoas estavam se debatendo de fome.
Perto do Kur, o grande lugar do TODO-PODEROSO, os cães se agruparam nas ruas silenciosas.
Se dois homens andassem ali, seriam devorados por eles.
Se três homens andassem ali, seriam devorados por eles.
Narizes foram perfurados, cabeças foram esmagadas.
Narizes foram empilhados, cabeças foram semeadas como sementes.
Pessoas honestas foram confundidas com traidores.
Heróis jaziam mortos em cima de heróis.
Osangue dos traidores corria sobre o sangue dos homens honestos.

XIII – Cantos de Lamento 193-209

Naquela época, o TODO-PODEROSO reconstruiu seus grandes santuários em pequenos santuários de junco.
E de leste para oeste ele reduziu seus depósitos.
As velhas que sobreviveram àqueles dias.
Os velhos que sobreviveram àqueles dias.
O principal cantor de lamentações que sobreviveu àqueles anos montou sete tambores de balaj.
Como no horizonte, junto com os tambores, fez ressoar para o TODO-PODEROSO como Ickur para sete dias e sete noites.
As velhas não contiveram o grito “Ai da minha cidade!”.
Os velhos não contiveram o grito “Ai de seu povo!”.
O cantor de lamentações não conteve o grito “Ai do E-kur!”.
Suas jovens não se contiveram de arrancar os cabelos.
Seus jovens não se abstiveram de afiar as facas.
Seus lamentos eram como se os ancestrais do TODO-PODEROSO estivessem lamentando.
Assim, o faziam no impressionante Monte Sagrado perto dos joelhos sagrados do TODO-PODEROSO.
Por causa disso, TODO-PODEROSO entrou em seu quarto sagrado e deitou-se em jejum.

XIV Deuses oram para Enlil 210-221

Naquela época, Sin, Enki, Inana, Ninurta, Ickur, Utu, Nuska e Nisaba.
Os grandes deuses resfriaram o coração do TODO-PODEROSO com água fria
Eles oraram a ele: “TODO-PODEROSO, que a cidade que destruiu sua cidade seja tratada como sua cidade foi tratada!”
“Que aquele que contaminou sua giguna seja tratado como Nibru!”
“Nesta cidade, que cabeças encham os poços!”
“Que ninguém encontre seus conhecidos lá, que irmão não reconheça irmão!”
“Que sua jovem seja assassinado cruelmente nos domínios de sua mulher!”
“Que seu velho chore de angústia por sua esposa assassinada!”
“Que seus pombos gemam nos peitoris de suas janelas!”
“Que seus pequenos pássaros sejam feridos em seus cantos!”
“Que viva em constante ansiedade como um pombo tímido!”

XV Deuses amaldiçoam Acádia 222-271

Mais uma vez, Sin, Enki, Inana, Ninurta, Ickur, Utu, Nuska e Nisaba,
Todos os deuses que fossem, voltaram sua atenção para a cidade.
Eles amaldiçoaram Acádia severamente:
“Cidade, você atacou E-kur! É como se você tivesse se lançado sobre o TODO-PODEROSO!”
“Acádia, você se lançou contra E-kur: é como se você tivesse se lançado sobre o TODO-PODEROSO!”
“Que suas paredes sagradas, ao seu ponto mais alto, ressoem com luto!”
“Que sua giguna seja reduzida a uma pilha de poeira!”
“Que os lahmu em suas colunas caiam no chão como jovens altos bêbados de vinho!”
“Que sua argila seja devolvida ao seu ETERNO, que seja o barro amaldiçoado pelo CRIADOR!”
Que seu grão seja devolvido ao seu sulco, que seja o grão amaldiçoado por Ezinu!”
“Que sua madeira seja devolvida à floresta, que seja madeira amaldiçoada por Ninilduma!”
“Que o matador de gado mate sua esposa, que seu açougueiro de ovelhas abata seu filho!”
“Que a água lave seu pobre enquanto ele está procurando!”
“Que sua prostituta se enforque na entrada de seu bordel!”
“Que suas grávidas hieródulos e prostituta de culto utes abortem seus filhos!”
“Que o seu ouro seja comprado pelo preço da prata”,
“Que a sua prata seja comprada pelo preço da pirita,”
“E que o seu cobre seja comprado pelo preço do chumbo!”
“Acádia, que teu campeão seja privado de suas forças,
“Que não consiga erguer seu saco de provisões”
“Que não tenha a alegria de controlar seus asnos superiores;
que ele fique ocioso o dia todo!”
“Que isso faça a cidade morrer de fome!”
“Que seus cidadãos, que costumavam comer boa comida, deitem com fome na grama e nas ervas”
“Que seu campeão mastigue o revestimento de seu telhado!”
“Que ele mastigue as dobradiças de couro na porta principal da casa de seu pai!
Que a depressão desça sobre o seu palácio, construído para a alegria!”
“Que os males do deserto, o lugar silencioso, uivem continuamente! “
“Que as raposas dos montes de ruína rocem suas caudas nos currais de engorda durante festas de purificação!”
“Que o Ukuku, o pássaro da depressão, faça seu ninho em seus portais, estabelecidos para a Terra!”
“Que em sua cidade não conseguia dormir por causa dos tambores tigi, não podia descansar de sua alegria!”
“Que os touros da Lua em seus cheios currais berrem como aqueles que vagam no deserto, o lugar silencioso!”
“Que a grama cresça nas margens dos canais por onde percorrem as embarcações!
“Que a grama da lamentação cresça em suas estradas preparadas para carroças!”
“Que carneiros selvagens e cobras alertas das montanhas impeçam a passagem pelos canais construídos com areia!
“Que os juncos da lamentação cresçam nas vossas planícies onde cresce a erva fina!
“Acádia, que corra água salobra onde a água doce corre para vós!
“Se alguém decidir: “Vou morar nesta cidade!”, que não goze dos prazeres de seu lugar de descanso!”
“Se alguém decidir: “Vou descansar em Acádia!”, Que não goze dos prazeres de seu lugar de descanso!”

XVII 272-281

Antes, o deus-sol naquele mesmo dia, assim foi!
Em seus caminhos às margens do canal do canal de embarcação, a grama cresceu longa.
Em suas estradas preparadas para carroças, crescia a grama da lamentação.
Além disso, onde percorriam as embarcações, nas margens do canal construídos em areia, os carneiros selvagens e cobras alertas das montanhas não permitiam a passagem de ninguém.
Em suas planícies, onde crescia grama fina, agora cresciam os juncos de lamentação.
O fluxo de água doce de Acádia fluiu como água salobra.
Quando alguém decidiu: “Vou morar naquela cidade!”, não pôde desfrutar dos prazeres de uma habitação.
Quando alguém decidiu: “Vou descansar em Acádia!”, não conseguiu desfrutar dos prazeres de um lugar de descanso!
A JUSTIÇA seja louvada pela destruição de Acádia!