Livro de Constantino

 

Livro de Constantino

 

VI – Constâncio

  1. As palavras não seriam bastantes para descrever a abundância de bens e a prosperidade de que foi digno o governo de Roma antes de sua guerra contra os cristãos durante este período em que os governantes eram amigáveis e pacíficos com eles. [Eusébio 8.13.9]
  2. Era o tempo em que os que governavam o império universal cumpriam o décimo e o vigésimo aniversário de seu comando [Eusébio 8.13.9]
  3. E passavam sua vida em completa e sólida paz entre festas, jogos públicos e esplêndidos banquetes e festins.
  4. Mas quando sua autoridade, livre de obstáculos, crescia dia a dia e prosperava a grandes passos, de repente deram uma mudança em sua pacífica disposição para com os cristãos [Eusébio 8.13.10]
  5. Eles suscitaram uma guerra sem quartel. [Eusébio 8.13.10]
  6. Mas não se haviam cumprido os dois anos de semelhante movimento quando por todo o Império se produziu algo imprevisto que transtornou todos os assuntos.  [Eusébio 8.13.10]
  7. Efetivamente, havendo-se abatido sobre o primeiro e principal imperador, que era Diocleciano, uma enfermidade que não augurava nada bom [Eusébio 8.13.10]
  8. Ela lhe transtornou a mente até aliená-lo, e retirou-se à vida comum e privada junto com Maximiano, que ocupava o segundo posto nas honras. [Eusébio 8.13.11]
  9. Mas ainda que isso não se realizasse assim, o Império já se partia em dois, todo ele, coisa que jamais foi registrado anteriormente. [Eusébio 8.13.11]
  10. Uma parte do império ficou com o imperador Constâncio, que em toda sua vida havia tratado os seus súditos com a maior suavidade e benevolência e à doutrina divina com a melhor amizade. [Eusébio 8.13.12]
  11. Ele terminou sua vida segundo a lei comum da natureza, deixando seu filho legítimo Constantino como imperador e augusto em seu lugar. [Eusébio 8.13.12]
  12. Bondoso e suave mais que os outros imperadores, Constâncio foi o primeiro dentre eles ao qual proclamaram Deus, [Eusébio 8.13.12]
  13. Pois Deus o considerava digno de toda a honra que se deve a um imperador depois de sua morte. [Eusébio 8.13.12]
  14. Constâncio foi também o único dos nossos contemporâneos que durante todo o tempo de seu mandato portou-se de um modo digno do Império. [Eusébio 8.13.13]
  15. No demais, mostrou-se para todos o mais favorável e benfeitor, não participando o mínimo da guerra contra os cristãos. [Eusébio 8.13.13]
  16. Antes até, preservou livres de dano e de constrangimentos, os fiéis que eram seus súditos. [Eusébio 8.13.13]
  17. Tampouco derrubou os edifícios das igrejas nem admitiu novidade alguma contra eles. [Eusébio 8.13.13]
  18. E teve o final de sua vida triplamente abençoado, pois foi o único que morreu querido e glorioso em seus próprios domínios imperiais, junto a um sucessor, seu legítimo filho, prudentíssimo e muito piedoso em tudo. [Eusébio 8.13.13]
  19. Este filho Constantino, imediatamente foi proclamado desde o início imperador e augusto pelas legiões após a morte do paterna. [Eusébio 8.13.14]
  20. E muito antes destas proclamações, também o foi pelo próprio Deus como imperador universal. [Eusébio 8.13.14]
  21. Ele se mostrou uma cópia de seu pai na piedade para com a doutrina cristã. [Eusébio 8.13.14]
  22. Mas, além de Constantino, também se proclamou a Licínio como imperador e augusto por voto comum dos imperadores. [Eusébio 8.13.14]
  23. E também Maxêncio, que era filho do antigo Maximiano, que se irritou terrivelmente pois até este momento ainda seguia com o único título de césar. [Eusébio 8.13.15]
  24. Em consequência, como era um grande tirano, arrebatou para si fraudulentamente a dignidade de imperador e augusto. [Eusébio 8.13.15]
  25. Neste tempo surpreendeu-se tramando um atentado contra a vida de Constantino e depois de sua abdicação voltou ao cargo e morreu com a mais vergonhosa morte. [Eusébio 8.13.15]
  26. Foi o primeiro de quem destruíram as inscrições honoríficas, as estátuas e tudo o que se costumava oferecer, como de um homem por demais sacrílego e ímpio. [Eusébio 8.13.15] 

VII – Galério

  1. O outro que assumiu o governo de Roma ao mesmo tempo que Constâncio foi Galério que iniciou a perseguição contra os cristãos.
  2. O fato é que, durante todos os dez anos que durou a perseguição, Galério e os três outros imperadores augustos que sucederam Constâncio não deixaram de conspirar e guerrear mutuamente. [Eusébio 8.15.1]
  3. Os mares não eram navegáveis, e todos que desembarcavam de onde quer que fosse, não escapavam de ser submetidos a toda classe de maus-tratos: [Eusébio 8.15.1]
  4. Retorciam-nos sobre o potro e lhes laceravam as costas, enquanto os interrogavam entre torturas de toda espécie, caso procedessem do lado inimigo; [Eusébio 8.15.1]
  5. E por último submetiam os cristãos ao suplício da cruz ou do fogo. [Eusébio 8.15.1]
  6. Além disso, por toda parte fabricavam-se e se preparavam escudos e couraças, dardos, lanças e demais instrumentos de guerra; assim como embarcações e armas navais. [Eusébio 8.15.2]
  7. Ninguém podia esperar a cada dia outra coisa senão um ataque dos inimigos. [Eusébio 8.15.2]
  8. E como se fosse pouco, também a fome e a peste subsequentes se abateram sobre eles. [Eusébio 8.15.2]
  9. Esta era a situação ao longo da perseguição, que com a ajuda da graça de Deus, no décimo ano já estava terminada, ainda que de fato tenha começado a ceder depois do oitavo. [Eusébio 8.16.1]
  10. Efetivamente, assim que a graça divina e celestial começou a mostrar uma preocupação benévola e propícia para com os cristão. [Eusébio 8.16.1]
  11. Também nossos governantes, aqueles mesmos que nos haviam feito a guerra, mudaram milagrosamente de pensamento e cantaram a retratação. [Eusébio 8.16.1]
  12. Extinguiram mediante editos favoráveis e ordens cheias de suavidade a fogueira da perseguição, que havia alcançado tal amplidão. [Eusébio 8.16.1]
  13. Mas a causa desta mudança não foi algo próprio dos homens, nem como alguém poderia dizer, compaixão ou humanidade dos governantes. [Eusébio 8.16.2]
  14. Afinal, eles mesmos eram os que cada dia, desde o começo até esse momento, imaginavam mais e piores suplícios contra os cristãos. [Eusébio 8.16.2]
  15. Renovavam constantemente, umas vezes de um modo e outras de outro, com diversas invenções, os maus-tratos que lhes infligiam. [Eusébio 8.16.2]
  16. A mudança ocorreu devido a mais evidentemente visita da própria providência divina. [Eusébio 8.16.2]
  17. Ela reconciliou o povo consigo atacando Galério, que era o perpetrador de seus males. [Eusébio 8.16.2]
  18. Ela descarregou sua ira sobre o líder da maldade e de toda a perseguição. [Eusébio 8.16.2]
  19. Isso ocorreu por juízo de Deus pois, não obstante, a Escritura diz: Ai daquele por quem vem a ofensa! [Eusébio 8.16.3]
  20. Ela o Alcançou, pois, um castigo divino que, começando por sua própria carne, avançou até sua alma. [Eusébio 8.16.3]
  21. Efetivamente, de repente saiu-lhe um abcesso em meio às partes secretas de seu corpo,
  22. Logo uma chaga fistulosa em profundidade, sem possibilidade de cura, foi-lhe corroendo profundamente as entranhas. [Eusébio 8.16.4]
  23. Dali brotava um ninho de vermes e exalava um fedor mortal. [Eusébio 8.16.4]
  24. Pois a massa de suas carnes, produzida pela gula e transformada antes da enfermidade em excessiva de gordura, se tornou pútrida. [Eusébio 8.16.4]
  25. E ao apodrecer então, oferecia o aspecto mais insuportável e espantoso aos que se aproximavam. [Eusébio 8.16.4]
  26. Dos médicos, uns, absolutamente incapazes de suportar a exagerada enormidade do fedor, foram por isso degolados. [Eusébio 8.16.5]
  27. Outros, sem poder ajudá-lo em nada por estar inchada toda a massa e já não haver esperança de salvação, foram por isso assassinados sem piedade. [Eusébio 8.16.5]

VIII – Trégua

  1. Lutando contra males tão grandes, Galério deu-se conta das atrocidades que havia ousado cometer contra  os adoradores de Deus. [Eusébio 8.17.1]
  2. Em consequência, recolhendo em si seu pensamento, primeiramente confessou o Deus do universo. [Eusébio 8.17.1]
  3. Depois, chamando os de seu séquito, deu ordens para que, sem tardar um momento, fizessem cessar a perseguição contra os cristãos [Eusébio 8.17.1]
  4. E, mediante uma lei e um decreto imperiais, apressou-se em reconstruir suas igrejas e praticassem o culto de costume, oferecendo orações pelo imperador. [Eusébio 8.17.1]
  5. Imediatamente pois, as obras seguiram as palavras.
  6. E, por todas as cidades, se divulgou um edito que continha a revogação do que foi feito com os cristãos nos seguintes termos: [Eusébio 8.17.2]
  7. O Imperador César Galério Valério Maximiano, Augusto Invicto, Pontífice Máximo, Germânico Máximo, Egípcio Máximo, Tebeu Máximo, Sármata Máximo cinco vezes, Persa Máximo duas vezes, Carpo Máximo seis vezes, Armênio Máximo, Medo Máximo, Adiabeno Máximo, Tribuno da Plebe vinte vezes, Imperator dezenove vezes, Cônsul oito vezes, Pai da Pátria, e Procônsul; [Eusébio 8.17.3]
  8. E o Imperador César Flávio Valério Constantino Augusto Pio Félix Invicto, Pontífice Máximo, Tribuno da Plebe, Imperator cinco vezes, Cônsul, Pai da Pátria, Procônsul; [Eusébio 8.17.4]
  9. E o Imperador César Valério Liciniano Licínio Augusto Pio Félix, Invicto, Pontífice Máximo, Tribuno da Plebe quatro vezes, Imperator três vezes, Cônsul, Pai da Pátria, Procônsul, [Eusébio 8.17.5]
  10. Aos habitantes de suas próprias províncias, saúde. [Eusébio 8.17.5]
  11. Entre as outras medidas que tomamos para utilidade e proveito do Estado, já anteriormente foi vontade nossa endereçar todas as coisas conforme as antigas leis e ordem pública dos romanos [Eusébio 8.17.6]
  12. E prover para que também os cristãos, que tinham abandonado a seita de seus antepassados, voltassem ao bom propósito. [Eusébio 8.17.6]
  13. Porque, devido a alguma razão especial, é tão grande a ambição que os retém e a loucura que os domina que não seguem o que ensinaram os antigos, o mesmo que talvez seus próprios progenitores estabeleceram anteriormente. [Eusébio 8.17.7]
  14. Mas, segundo o próprio desígnio e a real vontade de cada um, fizeram leis para si mesmos, e guardam estas, tendo conseguido reunir variadas multidões em diversos lugares. [Eusébio 8.17.7]
  15. Por esta causa, quando a isto seguiu uma ordem nossa de que mudassem para o estabelecido pelos antigos, um grande número esteve sujeito a perigo, e outro grande número viu-se perturbado e sofreu toda classe de mortes. [Eusébio 8.17.8]
  16. Mas a maioria persistiu na mesma loucura e vimos que nem rendiam aos deuses celestes o culto devido nem atendiam ao dos cristãos, [Eusébio 8.17.9]
  17. Firmes em nossa benignidade e em nosso constante costume de outorgar perdão a todos os homens, críamos que era necessário estender também de boa vontade ao presente caso nossa indulgência; [Eusébio 8.17.9]
  18. Para que novamente haja cristãos e reparem os edifícios em que se reuniam, de tal maneira que não pratiquem nada contrário à ordem pública. [Eusébio 8.17.9]
  19. Por meio de outra carta mostrarei aos juízes o que deverão observar. [Eusébio 8.17.9]
  20. Em consequência, em troca desta nossa indulgência, deverão rogar a seu Deus por nossa salvação, pela do Estado e por sua própria; [Eusébio 8.17.10]
  21. Com o fim de que, por todos os meios, o Estado se mantenha são e possam eles viver tranquilos em seus próprios lares.” [Eusébio 8.17.10]
  22. Este era o teor do edito escrito em língua latina e tradução dentro do possível para o grego. [Eusébio 8.17.11]

IX – Maxêncio

  1. O imperador e augusto Maxêncio, que em Roma havia-se constituído um tirano, começou fingindo ter a fé cristã, para agradar e adular o povo romano. [Eusébio 8.14.1] 
  2. E por esta razão ordenou a seus súditos interromper a perseguição contra os cristãos, simulando piedade e pensando que assim pareceria acolhedor e mais brando que seus antecessores. [Eusébio 8.14.1]
  3. Na verdade não resultou nas obras como se esperava que seria, mas que, chegando a todo tipo de sacrilégios, não descuidou de uma só obra de perversidade e desregramento. [Eusébio 8.14.2]
  4. Ele cometeu adultérios e todo tipo de corrupção. [Eusébio 8.14.2]
  5. Por exemplo, separando de seus maridos as legítimas esposas, ultrajava-as da maneira mais desonrosa e em seguida mandava-as de volta aos maridos; [Eusébio 8.14.2]
  6. E cuidava de não fazer isto com pessoas insignificantes e obscuras, mas antes, escolhia dentre os mais eminentes dos que haviam alcançado os primeiros postos do senado romano. [Eusébio 8.14.2]
  7. A mais extraordinariamente admirável das mulheres em Roma, era a mais nobre em verdade e a mais casta de todas quantas o tirano Maxêncio tentou atropelar, imitando Maximino. [Eusébio 8.14.17]
  8. Efetivamente, assim se soube que ela também era cristã. [Eusébio 8.14.17]
  9. Estava em sua casa os que serviam ao tirano em tais empreitadas, e que seu marido, ainda que prefeito dos romanos, por medo havia permitido que a levassem com eles. [Eusébio 8.14.17]
  10. Ela então pediu permissão por um momento com o pretexto de arrumar-se, [Eusébio 8.14.17]
  11. E entrando em seu quarto, sozinha, ela mesma cravou-se uma espada e morreu
    instantaneamente. [Eusébio 8.14.17]
  12. Aos que a levariam deixou seu cadáver e a todos os homens presentes e
    futuros mostrou com suas ótimas obras, mais sonoras que qualquer voz, que a única coisa invencível e indestrutível é a virtude dos cristãos. [Eusébio 8.14.17]
  13. Tal abundância de maldade acumulou-se, de fato, num mesmo tempo por obra dos dois tiranos que haviam recebido separadamente Oriente e Ocidente. [Eusébio 8.14.18]
  14. E quem, procurando a causa de tantos males, poderia duvidar que foram produzidos pela perseguição a nós? [Eusébio 8.14.18]
  15. Pelo menos este estado de confusão não cessou de modo algum até que os cristãos obtivessem a liberdade. [Eusébio 8.14.18]
  16. Todos os que estavam a sua mercê, plebeus e magistrados, famosos e gente comum, todos estavam cansados de tão terrível tirania. [Eusébio 8.14.3] 
  17. E ainda que estivessem em calma e suportassem sua amarga escravidão, ainda assim, não mudava em nada a sanguinária crueldade do tirano. [Eusébio 8.14.3]
  18. Efetivamente, às vezes com um pretexto fútil dava carta branca a seu corpo de guarda para executar uma matança contra o povo. [Eusébio 8.14.3]
  19. E assim foram assassinadas multidões incontáveis do povo romano no meio da cidade. [Eusébio 8.14.3]
  20. E não por obra das lanças e armas dos citas e bárbaros, mas dos próprios cidadãos. [Eusébio 8.14.3]
  21. Assim, por exemplo, não é possível calcular o número de senadores assassinados com vistas a apoderar-se de suas fortunas. [Eusébio 8.14.4]
  22. Pois foram infinitos os eliminados em diferentes ocasiões e por diferentes causas, todas inventadas. [Eusébio 8.14.4]
  23. Mas o cúmulo dos males levou o tirano Maxêncio à magia. [Eusébio 8.14.5]
  24. Com vistas à magia, fazia abrir o ventre de mulheres grávidas, escrutinar as entranhas de crianças recém-nascidas e degolar leões. [Eusébio 8.14.5]
  25. Ele criava algumas abomináveis invocações sobre demônios e um sacrifício conjurador da guerra, [Eusébio 8.14.5]
  26. Pois ele tinha posto toda sua esperança nestes meios para chegar à vitória. [Eusébio 8.14.5]
  27. Em consequência, enquanto ele esteve como tirano em Roma, é impossível dizer o que fez para escravizar seus súditos. [Eusébio 8.14.6]
  28. Os próprios víveres mais necessários chegaram a uma escassez e penúria extremas [Eusébio 8.14.6]
  29. Os seus contemporâneos não lembram ter visto em Roma nem em nenhuma outra parte. [Eusébio 8.14.6]

X – Maximino

  1. Quanto ao tirano do Oriente, Maximino, que sucedeu Galério por ser seu filho adotivo, ele fez um pacto secreto de amizade com o tirano Maxêntio de Roma, como com um irmão na maldade. [Eusébio 8.14.7]
  2. Ele se esforçava em ocultá-lo o maior tempo possível, mas foi descoberto e pagou logo como lhe era merecido. [Eusébio 8.14.7]
  3. Era de admirar como também ele havia conseguido afinidade e irmandade, e mais, o primeiro lugar em maldade e a palma em perversidade, com o tirano de Roma. [Eusébio 8.14.8]
  4. Efetivamente, ele considerava que os principais charlatães e magos eram dignos da mais alta honra, de tão medroso e extremamente supersticioso que era [Eusébio 8.14.8]
  5. E pela importância que dava a errar em matéria de ídolos e demônios. [Eusébio 8.14.8]
  6. Sem consultar adivinhos e oráculos era absolutamente incapaz de atrever-se a mover sequer uma unha. [Eusébio 8.14.8]
  7. Esta foi a causa de que se entregasse com maior fúria e frequência à perseguição contra os cristãos. [Eusébio 8.14.9]
  8. Deu ordem de levantar templos em todas as cidades e renovar diligentemente os santuários destruídos pelo passar do tempo. [Eusébio 8.14.9]
  9. Estabeleceu em cada lugar e em cada cidade sacerdotes de ídolos, e sobre estes, como sumo sacerdote de cada província, com escolta e guarda militar, um dos
    magistrados que mais brilhantemente houvessem se distinguido em todos os cargos públicos, [Eusébio 8.14.9]
  10. E por fim, presenteou o comando e as maiores honras, sem a menor reserva, a toda classe de feiticeiros, por crê-los gente piedosa e amiga dos deuses. [Eusébio 8.14.9]
  11. Partindo destes princípios, vexava e oprimia já não uma cidade ou uma região, mas todas as províncias que estavam sob seu domínio. [Eusébio 8.14.10]
  12. Ele o fazia com cobranças de ouro, prata e riquezas sem conta, e com gravíssimas acusações falsas e outras diferentes penas, segundo a ocasião. [Eusébio 8.14.10]
  13. Tomando dos ricos os bens acumulados por seus antepassados, distribuía a mãos cheias riquezas e montes de dinheiro aos aduladores que o rodeavam. [Eusébio 8.14.10]
  14. Na verdade, entregava-se a tais excessos de bebida e de embriaguez que, bebendo, enlouquecia e perdia a razão. [Eusébio 8.14.11]
  15. Dava tais ordens estando bêbado, que no dia seguinte, recobrados os sentidos,
    tinha que arrepender-se. [Eusébio 8.14.11]
  16. Não se permitia ficar atrás de ninguém como crápula e desregrado, tornando-se mestre de maldade para os que o rodeavam, governantes e governados. [Eusébio 8.14.11]
  17. Incitava o exército com todo tipo de prazeres e intemperanças a entregar-se à frouxidão. [Eusébio 8.14.11]
  18. E provocava os governantes e comandantes militares a cair sobre os súditos com rapinas e mesquinhez, tendo-os quase como companheiros de tirania. [Eusébio 8.14.11]
  19. Para que recordar as torpezas passionais daquele homem ou contar a multidão de mulheres que corrompeu? [Eusébio 8.14.12]
  20. De fato, não passava por uma cidade sem cometer adultérios continuamente e
    raptar donzelas. [Eusébio 8.14.12]
  21. Saía-se bem nessas façanhas com todos, exceto unicamente com os cristãos, que, desprezando a morte, desdenhavam tamanha tirania.[Eusébio 8.14.13]
  22. Os homens, efetivamente, suportavam o fogo e o ferro, a crucificação, as feras e as profundezas do mar, [Eusébio 8.14.13]
  23. Ou que lhes amputassem e queimassem os membros, que lhes furassem e arrancassem os olhos; a mutilação, enfim, de todo o corpo. [Eusébio 8.14.13]
  24. E, como se fosse pouco, a fome, as minas e os grilhões, mostrando-se em tudo isto mais prontos a padecer pela religião do que a dar aos ídolos o culto devido a Deus. [Eusébio 8.14.13]
  25. E quanto às mulheres, não era, menos fortalecidas que os homens pelo ensinamento da doutrina divina. [Eusébio 8.14.14]
  26. Umas suportavam os mesmos combates que os homens e levaram os mesmos prêmios por sua virtude; [Eusébio 8.14.14]
  27. Outras, arrastadas para serem desonradas, preferiram entregar sua alma à morte antes que o corpo à desonra. [Eusébio 8.14.14]
  28. E certo que, de todas as que foram violadas pelo tirano, somente uma, cristã e das mais distintas e ilustres de Alexandria, conseguiu com sua firmeza mais que varonil vencer a alma apaixonada e dissoluta de Maximino. [Eusébio 8.14.15]
  29. Mesmo sendo muito célebre por sua riqueza, sua linhagem e sua
    educação, tudo preteria a sua castidade. [Eusébio 8.14.15]
  30. Maximino insistiu muito, mas não era capaz de matar a que já estava disposta a morrer, pois sua paixão era mais forte do que sua cólera. [Eusébio 8.14.15]
  31. Condenou-a então ao desterro e confiscou toda sua propriedade.
  32. E outras incomparáveis mulheres, não podendo nem escutar sequer ameaças de violação, suportaram por parte dos governadores de província todo tipo de tormentos, de torturas e de suplícios mortais. [Eusébio 8.14.16]
  33. Por isso também estas foram admiráveis. [Eusébio 8.14.16]

XI – Calmaria

  1. A revogação da ordem imperial foi exposta por todas as partes e em todo lugar da Ásia, assim como nas províncias circundantes. [Eusébio 9.1.1]
  2. Cumprido isto desta maneira, Maximino, o tirano do Oriente, ímpio como nenhum outro e convertido no maior inimigo da religião do Deus do universo, ficou muito desgostoso do conteúdo do escrito [Eusébio 9.1.1]
  3. Ele, em vez do edito, ordenou verbalmente aos governantes a ele sujeitos que afrouxassem na guerra contra nós. [Eusébio 9.1.1]
  4. Efetivamente, não lhe era permitido contradizer de outra forma o juízo dos mais poderosos. [Eusébio 9.1.1]
  5. Assim pois, Sabino, honrado entre eles com a dignidade dos magistrados mais elevados, dá a conhecer a decisão do imperador aos governadores de cada província mediante uma carta em latim. Sua tradução é a seguinte: [Eusébio 9.1.2]
  6. “Com o mais nobre e mais santo zelo, já faz tempo que a divindade de nossos senhores, santíssimos imperadores, determinou orientar as mentes de todos os homens ao sagrado e reto caminho de viver; [Eusébio 9.1.3]
  7. Para que, inclusive os que pareciam seguir um costume alheio ao dos romanos, rendessem o culto devido aos deuses imortais. [Eusébio 9.1.3]
  8. Mas a obstinação e a rude vontade de alguns chegou a tal ponto que nem com a justa razão da ordem podia-se afastá-los de sua própria determinação, nem o castigo prometido os afastava. [Eusébio 9.1.4]
  9. Por causa desta atitude muitos estiveram em perigo. [Eusébio 9.1.5]
  10. Assim, a divindade de nossos senhores, os poderosíssimos imperadores julgaram segundo a grande nobreza de sua piedade. [Eusébio 9.1.5]
  11. Era algo alheio a seu próprio e diviníssimo propósito estar lançando os homens a um perigo tão grande por uma tal causa. [Eusébio 9.1.5]
  12. Por isso, se ordenou escrever a tua inteligência por meio de minha devoção. [Eusébio 9.1.5]
  13. Assim, se algum cristão for encontrado tomando parte na religião de sua própria nação, o afastes do mal e do perigo que o ameaça; [Eusébio 9.1.5]
  14. E não julgues que alguém deva ser castigado por este motivo, [Eusébio 9.1.5]
  15. já que com o correr de tão longo tempo foi comprovado que de nenhuma maneira é possível persuadi-los a se afastarem de semelhante obstinação. [Eusébio 9.1.5]
  16. Por conseguinte, tua solicitude deve escrever aos curadores, aos magistrados municipais e aos prepostos de distrito rural de cada cidade para que saibam que, de agora em diante, não lhes convém preocupar-se com o edito para sua perseguição.” [Eusébio 9.1.6]
  17. Depois disto, os governantes de cada província, pensando que a intenção do que se lhes escrevia era a verdade, dão a conhecer por meio de cartas o pensamento imperial aos curadores, aos magistrados municipais e aos prepostos de distrito rural. [Eusébio 9.1.7]
  18. Mas não fizeram avançar o assunto somente por meio de cartas, mas também, e muito principalmente, por meio das obras. [Eusébio 9.1.7]
  19. Com o objetivo de levar a cabo a decisão imperial, tiravam à luz do dia e davam liberdade a todos que tinham encerrados nos cárceres por terem confessado a divindade, [Eusébio 9.1.7]
  20. E deixavam ir também os que dentre eles estavam condenados às minas. [Eusébio 9.1.7]
  21. Ainda que se equivocassem, eles acreditavam que isto era o que verdadeiramente pensava o imperador. [Eusébio 9.1.7]
  22. E ao ocorrerem deste modo as coisas, de repente, como uma luz que brilha saindo da noite escura, em cada cidade podia-se ver igrejas congregadas. [Eusébio 9.1.8]
  23. Também reuniões concorridíssimas e, além disso, as cerimônias executadas do modo costumeiro. [Eusébio 9.1.8]
  24. E todo pagão infiel era surpreendido de grande espanto ante isto e se maravilhava de mudança tão prodigiosa, [Eusébio 9.1.8]
  25. E a gritos proclamava grande, único e verdadeiro o Deus dos cristãos. [Eusébio 9.1.8]
  26. Dos nossos, os que haviam sustentado valente e fielmente o combate das perseguições recobraram novamente sua liberdade franca para com todos; [Eusébio 9.1.9]
  27. Em troca, os que, enfermos na fé, haviam naufragado em suas almas apressavam-se alegremente em busca de remédio, [Eusébio 9.1.9]
  28. Imploravam e pediam aos fortes sua mão direita salvadora e suplicando a Deus que lhes fosse propício. [Eusébio 9.1.9]
  29. E logo, os nobres atletas da religião, liberados do sofrimento das minas, regressava a suas casas caminhando majestosos e radiantes através das cidades [Eusébio 9.1.10]
  30. Eles transbordavam uma indizível alegria e uma liberdade franca que não é possível traduzir com palavras. [Eusébio 9.1.10]
  31. Assim pois, ao longo dos caminhos e das praças, multidões em tropel realizavam sua viagem louvando a Deus com cantos e salmos, [Eusébio 9.1.11]
  32. E os que antes estavam presos com duríssimos castigos e desterrados de suas pátrias, agora recobravam seus lares com rosto transbordante de alegria e satisfação, [Eusébio 9.1.11]
  33. Era tanto que inclusive os que antes gritavam contra nós, ao ver agora um prodígio tão contrário ao que se poderia esperar, uniam-se também a nosso regozijo pelo ocorrido. [Eusébio 9.1.11]

XII – Tempestade

  1. Mas o tirano Maximiano que governava a parte do Oriente, inimigo que era do bem e conspirador contra todos os bons, incapaz de suportar isto, nem seis meses completos agüentou que se fizesse desta maneira. [Eusébio 9.2.1]
  2. Por conseguinte, pôs-se a planejar meios para destruir a paz. [Eusébio 9.2.1]
  3. Primeiramente tentou com um pretexto impedir-nos a reunião nos cemitério; [Eusébio 9.2.1]
  4. Depois, valendo-se de alguns homens malvados, enviou a si mesmo embaixadas contra os cristãos, pois exortou aos cidadãos de Antioquia. [Eusébio 9.2.1]
  5. Desejava que eles pedissem para a este imperador que ele permitisse um cristão habitar em sua pátria. [Eusébio 9.2.1]
  6. E que sugerissem a outros esta mesma manobra. [Eusébio 9.2.1]
  7. Na própria Antioquia o autor de tudo isto foi Teotecno, homem temível, charlatão, malvado, que não fazia honra a seu nome. [Eusébio 9.2.1]
  8. Era, segundo parece, curador da cidade. [Eusébio 9.2.1]
  9. Este homem fez a guerra aos cristãos o quanto pôde e por todos os meios se esforçou para que fossem caçados em seus esconderijos como ladrões sacrílegos. [Eusébio 9.3.1]
  10. A tudo isto, ele maquinou baseado na calúnia e nas acusações contra os cristãos, sendo o causador da morte de inúmeras pessoas. [Eusébio 9.3.1]
  11. Ele terminou por erigir uma estátua de Zeus Filios com práticas de magia e bruxarias. [9.3.1]
  12. Inventou para este deus pagão cerimônias impuras, iniciações de mau agouro e purificações abomináveis. [Eusébio 9.3.1] 
  13. E até diante do imperador fez pompa de sua prodigiosa categoria mediante o que ele tinha por oráculos. [Eusébio 9.3.1]
  14. Este, para adular seu dono e senhor no que lhe agradava, excitou o demônio contra os cristãos. [9.3.1]
  15. Ele disse que o deus ordenava expulsar os cristãos para fora dos limites da cidade e da região circundante por serem seus inimigos. [Eusébio 9.3.1]
  16. Este foi o primeiro que se saiu bem em seu propósito. [Eusébio 9.4.1]
  17. Todas as demais autoridades que habitavam as cidades sujeitas ao mesmo comando apressavam-se a tomar resoluções semelhantes. [Eusébio 9.4.1]
  18. Os governadores de província, ao perceberem que isto agradava o imperador Maximiano sugeriam a seus súditos que fizessem o mesmo. [Eusébio 9.4.1]
  19. O tirano, satisfeitíssimo, dava seu assentimento a estas decisões mediante um decreto. [Eusébio 9.4.1]
  20. Novamente reavivou-se a perseguição contra os cristãos. [Eusébio 9.4.2]
  21. O próprio Maximino estabeleceu para cada cidade os sacerdotes dos ídolos, [Eusébio 9.4.2]
  22. E acima destes sumos sacerdotes, a todos os que mais se distinguiam nas funções públicas e que tinham adquirido fama em todas. [Eusébio 9.4.2]
  23. Também eles foram muito solícitos em tudo o que tangia ao culto dos deuses que tinham a seu cuidado. [Eusébio 9.4.2]
  24. Em resumo, a absurda superstição deste imperador induzia todos os súditos, governantes e governados.  a fazer tudo contra os cristão para obter as suas graças. [Eusébio 9.4.3]
  25. Em troca dos benefícios que acreditavam que obteriam dele, faziam-lhe este favor, o maior: [Eusébio 9.4.3]
  26. Que era desejar o extermínio dos cristãos e continuar fazendo exibição das mais novas maldades contra eles.
  27.  Depois de se inventar umas Memórias de Pilatos e de Nosso Salvador, abarrotadas de todo gênero de blasfêmia contra Cristo. [Eusébio 9.5.1]
  28. Estas receberam a anuência do soberano para serem distribuídas por todo o país sujeito a seu comando. [Eusébio 9.5.1]
  29. Estas tinham instruções escritas para que em todo lugar, assim no campo como nas cidades, fossem expostas publicamente a todos. [Eusébio 9.5.1]
  30. E que os professores nas escolas cuidassem de ensiná-las às crianças em vez das ciências, e fazer com que as decorassem. [Eusébio 9.5.1]
  31. Enquanto isto se cumpria desta maneira, havia outro, um comandante militar, que os romanos chamam Dux. [Eusébio 9.5.2]
  32. Ele ordenou que tirassem à força da praça pública de Damasco da Feníia umas mulheres desprezíveis e as ameaçava com a aplicação de torturas, [Eusébio 9.5.2]
  33. Forçava-as a declarar por escrito que durante algum tempo haviam sido cristãs e que entre os cristãos tinham visto ações criminosas, [9.5.2]
  34. Declaravam que estes cristãos cometiam ações licenciosas nas próprias casas do Senhor. [Eusébio 9.5.2]
  35. E tudo quanto queriam que elas disseram para caluniar a doutrina cristã. [Eusébio 9.5.2]
  36. Em seguida inseriu estas declarações em texto e as comunicou ao imperador. [Eusébio 9.5.2]
  37. Ele ordenou que também este documento fosse tornado público em todo lugar e em cada cidade. [Eusébio 9.5.2]

XIII – Perseguição (Silvano, Pedro e Luciano)

  1.  Não demorou muito, para que este comandante militar pagasse a pena de sua maldade suicidando-se. [Eusébio 9.6.1]
  2. Quanto aos cristãos, novamente recomeçaram os desterros e as terríveis perseguições, [Eusébio 9.6.1]
  3. E mais uma vez os governadores de todas as províncias levantaram-se contra eles; [Eusébio 9.6.1]
  4. Até o ponto de que alguns dos mais eminentes na doutrina divina foram presos e receberam sentença inapelável de morte. [Eusébio 9.6.1]
  5. Deles, três em Emesa, cidade da Fenícia, que se confessaram cristãos e foram entregues como pasto às feras. [Eusébio 9.6.1]
  6. Entre eles estava o bispo Silvano, de avançada idade, que havia exercido seu ministério durante quarenta anos completos.
  7. Também por este mesmo tempo, havia Pedro, que presidia brilhantemente as igrejas de Alexandria [Eusébio 9.6.2]
  8. Era um modelo divino de bispo por sua vida virtuosa e por seu estudo assíduo das Sagradas Escrituras. [Eusébio 9.6.2]
  9. Ele foi preso sem nenhum motivo e sem que se esperasse tal coisa, de repente e sem razão, como por ordem de Maximino, e foi decapitado. [Eusébio 9.6.2]
  10. E junto com ele sofreram a mesma pena muitos outros bispos do Egito. [Eusébio 9.6.2]
  11. E Luciano era homem excelentíssimo em tudo, merecedor de aplauso por sua vida, sua continência e seus conhecimentos sagrados, presbítero da igreja de Antioquia. [Eusébio 9.6.3]
  12. Ele foi conduzido à cidade de Nicomedia, onde casualmente se encontrava o imperador. [Eusébio 9.6.3]
  13. Tendo exposto publicamente em presença do soberano a defesa da doutrina pela qual o faziam comparecer, foi encarcerado e executado. [Eusébio 9.6.3]
  14. Na verdade, foi muito o que aquele inimigo do bem fez. [Eusébio 9.6.4]
  15. Maximino organizou contra os cristãos em breve espaço de tempo. [Eusébio 9.6.4]
  16. Pareceu levantar uma perseguição muito mais cruel do que a primeira. [Eusébio 9.6.4]
  17. Gravavam-se em esteias de bronze e se expunham ao público no meio das cidades as decisões que as cidades votavam contra os cristãos e os decretos com as ordens imperiais correspondentes [Eusébio 9.7.1]
  18. E as crianças nas escolas cada dia tinham em seus lábios a Jesus, Pilatos e as Memórias inventadas para insultar. [Eusébio 9.7.1]
  19. O próprio edito de Maximino evidenciava a arrogância jactanciosa e insolente do ódio daquele homem contra Deus. [Eusébio 9.7.2]
  20. O desagrado do mal por parte da justiça divina sempre alerta contra os ímpios, que o perseguia de perto. [Eusébio 9.7.2]
  21. Não muito depois, impelido por ela, começou a dizer sobre os cristãos todo o contrário e o decretou em leis escritas. [Eusébio 9.7.2]
  22. Estas medidas contra os cristãos se tornaram públicas em cada província. [Eusébio 9.7.15]
  23. Impediu aos interesses cristãos qualquer boa esperança, ao menos quanto ao que depende dos homens. [Eusébio 9.7.15]
  24. Tanto é que, segundo aquele divino oráculo, sendo possível, até os próprios que eleitos pudessem tropeçar sob tais circunstâncias. [Eusébio 9.7.15]
  25. Mesmo assim, quando a esperança já estava quase morrendo na maioria, de repente, Deus, campeão de sua própria Igreja, fez travar o freio ao orgulho do tirano contrário aos cristão. [Eusébio 9.7.16]
  26. Ele demonstrou que o céu era um aliado posto ao seu lado. [Eusébio 9.7.16]

XIV – Justiça Divina

  1. Por conseguinte, os aguaceiros costumeiros e as chuvas contínuas retiveram seu habitual tributo à terra mesmo sendo a estação invernal. [Eusébio 9.8.1]
  2. Uma fome inesperada fez sua aparição, ao que se juntou a peste e o ataque de alguma outra enfermidade: [Eusébio 9.8.1]
  3. Uma úlcera que, por causa de sua inflamação, chamava-se significativamente carbúnculo, ocorrendo por todo o corpo. [Eusébio 9.8.1]
  4. E causava sérios perigos aos pacientes, e não só isso, mas atacando na maior parte dos casos particularmente os olhos, deixava cegos inúmeros homens, mulheres e crianças. [Eusébio 9.8.1]
  5. Por cima disto tudo sobreveio ao tirano a guerra contra os armênios, amigos antigos e aliados dos romanos. [Eusébio 9.8.2]
  6. Como também eles eram cristãos e cultivavam com diligência a piedade para com a divindade, o inimigo de Deus tratou de obrigá-los a sacrificar aos ídolos e demônios, [Eusébio 9.8.2]
  7. E de amigos Maximino tornou-os inimigos, e de aliados, adversários. [Eusébio 9.8.2]
  8. O fato de que tudo isto afluísse de um golpe e a um mesmo tempo serviu para refutar a jactância do ousado tirano contra Deus. [Eusébio 9.8.3]
  9. Efetivamente, ele vinha se vangloriando de que, por causa de seu zelo pelos ídolos e de sua obsessão contra os cristãos, nem a fome, nem a peste, nem sequer a guerra tinham lugar em seus dias. [Eusébio 9.8.3]
  10. Estas calamidades pois, sobrevindo juntas e ao mesmo tempo, constituíram também o prelúdio de sua queda. [Eusébio 9.8.3]
  11. Assim, ele mesmo se ocupava junto com suas tropas na guerra contra os armênios, enquanto a fome e a peste juntas deixavam terrivelmente exaustos os demais habitantes das cidades sujeitas a ele. [Eusébio 9.8.4]
  12. Por uma medida de trigo dava-se em troca dois mil e quinhentos dracmas áticos. [Eusébio 9.8.4]
  13. Em consequência eram milhares os que morriam nas cidades, ainda que mais numerosos do que estes fossem os que morriam nos campos e nas aldeias. [Eusébio 9.8.5]
  14. Chegou a tal o ponto de que os antigos censos, abundantes em camponeses, por pouco não foram completamente apagados. [Eusébio 9.8.5]
  15. Morreram quase todos de uma vez por falta de alimento e pela pestilenta enfermidade. [Eusébio 9.8.5]
  16. Assim pois, alguns julgaram bom vender seus mais apreciados bens aos mais ricos por umas migalhas de alimento. [Eusébio 9.8.6]
  17. Outros, vendendo pouco a pouco suas posses, haviam chegado à mais extrema penúria. [Eusébio 9.8.6]
  18. Houve ainda alguns que, tendo mastigado fiapos de ervas ou comido por descuido certas plantas mortíferas, arruinaram o estado físico de seu corpo e pereceram. [Eusébio 9.8.6]
  19. Algumas mulheres nobres das cidades, empurradas pela indigência ao mais vergonhoso mister, saíam pelas praças públicas a mendigar. [Eusébio 9.8.7]
  20. Somente no rubor de seu rosto e na decência de sua vestimenta deixavam entrever a prova de sua antiga criação nobre. [Eusébio 9.8.7]
  21. E outros, já secos, como fantasmas cadavéricos, lutando com a morte e resvalando aqui e acolá, terminavam caindo, impotentes para manter-se em pé. [Eusébio 9.8.8]
  22. Estendidos de boca para baixo no meio das praças, imploravam que se lhes estendesse um pedacinho de pão. [Eusébio 9.8.8] 
  23. E com a alma já nos últimos sopros, gritavam que estavam famintos, sem ter mais forças do que para este único e doloroso grito. [Eusébio 9.8.8]
  24. Outros, por outro lado, os que pareciam ser dos mais acomodados, estupefatos ante a multidão de pedintes, depois de terem repartido inumeráveis esmolas, passaram a se encerrar numa atitude dura e insensível. [Eusébio 9.8.9]
  25. Esperavam ainda não padecer também eles o mesmo que os pedintes. [Eusébio 9.8.9]
  26. De fato, em meio às praças e às vielas ofereciam já à vista o mais lamentável espetáculo os cadáveres desnudos que jaziam insepultos desde muitos dias. [Eusébio 9.8.9]
  27. Alguns até já eram repasto para os cães, e por esta causa, sobretudo, os vivos começaram a matar cães, temerosos de que tivessem raiva e se dedicassem a devorar homens. [Eusébio 9.8.10]
  28. Mas a própria peste causava maiores estragos em todas as casas, sobretudo naquelas em que a fome não era capaz de exterminá-los porque abundavam em provisões. [Eusébio 9.8.11]
  29. Assim, os opulentos: magistrados, governadores e muitíssimos funcionários, deixados pela fome como de propósito para a peste, padeceram uma morte cruel e rapidíssima. [Eusébio 9.8.11]
  30. Tudo, em consequência, estava cheio de gemidos e por todas as vielas, praças e avenidas não se podia contemplar outra coisa que as lamentações com seu costumeiro acompanhamento de flautas e ruído de golpes. [Eusébio 9.8.11]
  31. Desta maneira, lutando ao mesmo tempo com as armas acima, a peste e a fome, a morte devorou em pouco tempo famílias inteiras. [Eusébio 9.8.12] Chegou ao ponto de ser possível ver num só enterro levarem-se os corpos de dois ou três mortos. [Eusébio 9.8.12]
  32. Tais calamidades eram o pagamento pela grande jactância de Maximino e pelas petições das cidades contra os cristãos. [Eusébio 9.8.13]
  33. Era assim que a todos os pagãos se manifestava a prova do zelo e da piedade dos cristãos em tudo. [Eusébio 9.8.13]
  34. Eles eram os únicos que nesta circunstância calamitosa demonstravam com suas próprias obras a compaixão e o amor aos homens. [Eusébio 9.8.14]
  35. Uns perseveravam todo o dia no cuidado e no enterro dos mortos, pois eram milhares os que não tinham quem se ocupasse deles. [Eusébio 9.8.14]
  36. Outros, reunindo num mesmo lugar a multidão dos que em toda a cidade estavam esgotados pela fome, repartiam pão para todos. [Eusébio 9.8.14]
  37. O fato correu de boca em boca e todos os homens glorificavam o Deus dos cristãos, e convencidos pelas próprias obras, confessavam que estes eram os únicos verdadeiramente piedosos e temerosos a Deus. [Eusébio 9.8.14]
  38. Depois de cumprido isto como foi dito, Deus, o maior e celestial defensor dos cristãos mostrou sua ira e seu desagrado contra todos os homens. [Eusébio 9.8.15]
  39. E novamente devolveu aos cristãos, em resposta aos excessos que eles haviam mostrado contra eles, o raio propício e esplendoroso de sua providência para seus seguidores. [Eusébio 9.8.15]
  40. Como numa escuridão profunda, fez com que do modo mais maravilhoso nos iluminasse a luz da paz, que dele procede, [Eusébio 9.8.15]
  41. E a todos deixou manifesto que Deus mesmo foi e segue sendo o supervisor de nossos interesses. [Eusébio 9.8.15]
  42. Ele que açoita seu povo e que, valendo-se das circunstâncias segundo a ocasião, converte-o novamente. [Eusébio 9.8.15]
  43. Por fim, o que depois de uma boa lição se mostra propício e piedoso para os que Nele esperam. [Eusébio 9.8.15]

XV – Morte dos Tiranos

  1.  Assim pois, Constantino, filho de um pai piedoso e prudentíssimo em tudo, foi levantado contra os ímpios tiranos pelo Imperador supremo, o Deus do universo e Salvador. [Eusébio 9.9.1]
  2. Quando ele se determinou-a lutar segundo a lei da guerra, combatendo como aliado dele, Deus da maneira mais extraordinária. [Eusébio 9.9.1]
  3. Maxêncio caiu em Roma pelo impacto causado por Constantino. [Eusébio 9.9.1]
  4. Maximino, sobrevivendo muito pouco tempo no Oriente, sucumbiu nas mãos de Licínio, que então ainda não estava transtornado. [Eusébio 9.9.1]
  5. Constantino foi o primeiro dos dois – primeiro também em honra e dignidade imperiais – que / mostrou moderação com os oprimidos pelos tiranos em Roma. [Eusébio 9.9.2]
  6. Ele invocou como aliado em suas orações ao Deus do céu e a seu Verbo, e ainda ao próprio Salvador de todos, Jesus Cristo. [Eusébio 9.9.2]
  7. E avançou com todo seu exército, tentando alcançar para os romanos sua liberdade ancestral. [Eusébio 9.9.2] 

  8. 3. Maxêncio, sabemos, confiava mais nos artifícios da magia do que na benevolência dos súditos, e na verdade não se atrevia a dar um passo fora das portas da cidade, apesar de que, com a multidão de hoplitas617 e com as inumeráveis companhias de legionários, cobria todo lugar, toda
    região e toda cidade, todas as que tinha escravizadas, em torno de Roma e em toda a Itália. O imperador, aferrado à aliança de Deus, ataca o primeiro, o segundo e o terceiro exército do tirano, e depois de vencê-los a todos com facilidade, avança o mais que pode pela Itália até muito perto de Roma.
    4. Logo, para que não se visse forçado a lutar contra os romanos por causa do tirano, Deus mesmo arrastou o tirano, como em cadeias, o mais longe das portas618. E o que já antigamente estava escrito nos sagrados livros contra os ímpios, incrível para a maioria como se se tratasse de contos de fábula, mas bem digno de fé por sua própria evidência, ao menos para os fiéis, para dizer pouco, fez-se crível para todos quantos, fiéis e infiéis, viram o prodígio com seus próprios olhos.
    5. Da mesma forma que, nos tempos de Moisés e da antiga piedosa nação dos hebreus, precipitou no mar os carros do faraó e seu exército, a flor de seus cavaleiros e capitães; o mar Vermelho os tragou, o mar os cobriu619, assim também Maxêncio e os hoplitas e lanceiros de sua escolta
    afundaram na profundeza como uma pedra quando, dando as costas ao exército que vinha da parte de Deus com Constantino, atravessava o rio que lhe cortava o caminho e que ele mesmo havia unido e bem pontoneado com barcas, construindo assim uma máquina de destruição contra si mesmo620.
    6. Dele se poderia dizer: cavou um fosso e tirou-lhe a terra; e cairá na vala que fez. Seu trabalho se voltará contra sua cabeça, e sua injustiça recairá sobre sua moleira621.
    7. Assim pois, desfeita a ponte estendida sobre o rio, a passagem afunda e as barcas se precipitam de um golpe no abismo com todos seus homens; e ele mesmo em primeiro, o homem mais ímpio, e logo os escudeiros que o rodeavam afundaram como chumbo nas águas impetuosas622, como já predisse o oráculo divino;
    8. de forma que, se não com palavras, como é natural, mas pelo menos com as obras, os que com a graça de Deus haviam se alçado à vitória, poderiam junto com os seguidores do grande servo Moisés623 entoar o mesmo hino que contra o ímpio tirano de então e dizer: Cantemos ao Senhor, porque gloriosamente cobriu-se de glória. Cavalo e cavaleiro lançou ao mar. Minha ajuda e minha proteção, o Senhor; se fez meu salvador624; e Quem como tu entre os deuses, Senhor? Quem como tu, glorificado nos santos, admirável na glória, operador de maravilhas!625
    9. Estas e muitas outras coisas parecidas com estas cantou Constantino com suas obras ao Deus supremo, causa de sua vitória, e entrou em triunfo em Roma, enquanto todos em massa, com suas crianças e suas mulheres, os senadores e altos dignitários, e todo o povo romano, recebiam-no com os olhos brilhantes, de todo coração, como a um libertador, salvador e benfeitor, em meio a vivas e a uma alegria insaciável.
    10. Mas ele, que possuía a piedade para com Deus como algo inato, sem perturbar-se o mínimo com as aclamações nem envaidecer-se com os louvores, muito consciente de que a ajuda provinha de Deus, ordena imediatamente que na mão de sua própria estátua se coloque o troféu da paixão salvadora, e ao ver que lha erigiam no lugar mais público de Roma sustentando em sua mão direita o signo salvador, ordena-lhes que gravem esta inscrição em língua latina com suas próprias palavras:
    11. “Com este símbolo salvador, que é a verdadeira prova do valor, salvei e livrei vossa cidade do jugo do tirano; mais ainda, livrei-a e a restituí ao senado e ao povo romanos em seu antigo renome e esplendor.”
    12. E depois disto, o próprio Constantino, e com ele Licínio – que então ainda não havia voltado seu pensamento para a loucura em que viria a dar mais tarde -, depois de aplacar a Deus, causa para eles de todos os bens, ambos juntos, por acordo e decisão comum, redigem uma lei perfeitíssima no mais pleno sentido em favor dos cristãos, e enviam uma relação dos portentos que Deus lhes havia feito – a vitória contra o tirano – e a própria lei a Maximino, que ainda imperava sobre os povos do Oriente e lhes fingia amizade.
    13. Mas ele, tirano como era, afligiu-se muito ao saber destas coisas, e logo, não querendo aparentar que cedia ante os outros nem tampouco que suprimia o ordenado, por temor aos que o haviam ordenado, vê-se na necessidade de escrever em favor dos cristãos aos governadores seus súditos, como se o fizesse por seu próprio e absoluto poder, esta primeira carta em que falsamente finge sobre si coisas que jamais havia realizado. 

XVII

IV
[Das decisões votadas contra nós]
1. Este foi o primeiro que se saiu bem em seu propósito. Todas as demais autoridades que habitavam as cidades sujeitas ao mesmo comando apressavam-se a tomar resoluções semelhantes, enquanto os governadores de província, ao perceberem que isto agradava o imperador609, sugeriam a seus súditos que fizessem o mesmo.
2. O tirano, satisfeitíssimo, dava seu assentimento a estas decisões mediante um decreto, e novamente reavivou-se a perseguição contra nós. O próprio Maximino estabeleceu para cada cidade como sacerdotes dos ídolos, e acima destes sumos sacerdotes, a todos os que mais se distinguiam nas funções públicas e que tinham adquirido fama em todas. Também eles foram muito solícitos em tudo o que tangia ao culto dos deuses que tinham a seu cuidado.

3. Em resumo, a absurda superstição do dono e senhor induzia todos os súditos, governantes e governados, a fazer tudo contra nós para obter as suas graças. Em troca dos benefícios que acreditavam que obteriam dele, faziam-lhe este favor, o maior: desejar nosso extermínio e continuar fazendo exibição das mais novas maldades contra nós.

V
[Das “Memórias” fingidas]
1. Depois de se inventar – como parece – umas Memórias de Pilatos610 e de Nosso Salvador,
abarrotadas de todo gênero de blasfêmia contra Cristo, com a anuência do soberano são
distribuídas por todo o país sujeito a seu comando, com instruções escritas para que em todo
lugar, assim no campo como nas cidades, fossem expostas publicamente a todos, e que os
professores nas escolas cuidassem de ensiná-las às crianças em vez das ciências, e fazer com
que as decorassem.
2. Enquanto isto se cumpria desta maneira, outro, um comandante militar, que os romanos chamam
dux, ordenou que tirassem à força da praça pública de Damasco da Fenícia umas mulheres
desprezíveis e as ameaçava com a aplicação de torturas, forçando-as a declarar por escrito que
durante algum tempo haviam sido cristãs e que entre os cristãos tinham visto ações criminosas, e
que estes cometiam ações licenciosas nas próprias casas do Senhor, e tudo quanto queriam que
elas dissessem para calúnia de nossa doutrina. Em seguida inseriu estas declarações em umas
memórias611 e as comunicou ao imperador, que ordenou que também este documento fosse
tornado público em todo lugar e em cada cidade.

VI
[Dos que neste tempo sofreram martírio]
1. Não tardou muito, porém, para que este comandante militar pagasse a pena de sua maldade suicidando-se. Quanto a nós, novamente recomeçaram os desterros e as terríveis perseguições, e mais uma vez levantaram-se contra nós os governadores de todas as províncias, até o ponto de que alguns dos mais eminentes na doutrina divina foram presos e receberam sentença inapelável de morte. Deles, três em Emesa, cidade da Fenícia, que se confessaram cristãos e foram entregues como pasto às feras. Entre eles estava o bispo Silvano, de avançada idade, que havia exercido seu ministério durante quarenta anos completos.
2. Também por este mesmo tempo, Pedro, que presidia brilhantemente as igrejas de Alexandria – um modelo divino de bispo por sua vida virtuosa e por seu estudo assíduo das Sagradas Escrituras -, foi preso sem nenhum motivo e sem que se esperasse tal coisa, de repente e sem razão, como por ordem de Maximino, e foi decapitado. E junto com ele sofreram a mesma pena muitos outros bispos do Egito.
3. E Luciano, homem excelentíssimo em tudo, merecedor de aplauso por sua vida, sua continência e seus conhecimentos sagrados, presbítero da igreja de Antioquia, foi conduzido à cidade de Nicomedia, onde casualmente se encontrava o imperador. Tendo exposto publicamente em presença do soberano a defesa da doutrina pela qual o faziam comparecer, foi encarcerado e executado.
4. Na verdade, foi tanto o que aquele inimigo do bem, Maximino, organizou contra nós em breve espaço de tempo, que nos pareceu que tinha levantado uma perseguição muito mais cruel do que a primeira.

  1.  
  2.  
  3. Que palavras poderiam descrever suficientemente a grandeza e abundância da prosperidade do governo romano antes da guerra contra nós, enquanto os governantes eram amigáveis ​​e pacíficos conosco? [Eusébio 8.13]
  4. Então, aqueles que ocupavam o cargo mais alto no governo e ocupavam o cargo por dez ou vinte anos, passavam o tempo em paz tranquila, em festivais e jogos públicos e nos mais alegres prazeres e alegria. [Eusébio 8.13]
  5. Enquanto assim sua autoridade crescia ininterruptamente, e aumentava dia a dia, repentinamente eles mudaram sua atitude pacífica para conosco e começaram uma guerra implacável. [Eusébio 8.13]
  6. Mas o segundo ano desse movimento ainda não havia passado, quando uma revolução ocorreu em todo o governo e derrubou todas as coisas. [Eusébio 8.13]
  7. Pois uma doença severa caiu sobre o chefe daqueles de quem falamos, pela qual seu entendimento foi perturbado; [Eusébio 8.13]
  8. E com aquele que foi homenageado com a segunda categoria, retirou-se para a vida privada. [Eusébio 8.13]
  9. Mal tinha feito isso quando todo o império foi dividido; algo que nunca foi registrado como tendo ocorrido antes. [Eusébio 8.13]
  10. Não muito depois, o imperador Constâncio durante toda a sua vida foi muito gentil e favoravelmente disposto para com seus súditos, e muito amigo da Palavra de Deus. [Eusébio 8.13]
  11. Ele terminou sua vida no curso comum da natureza e deixou seu próprio filho, Constantino, como imperador e Augusto em seu lugar. [Eusébio 8.13]
  12. Ele foi o primeiro a ser classificado por eles entre os deuses, [Eusébio 8.13]
  13. E recebeu após a morte todas as honras que alguém poderia pagar a um imperador. [Eusébio 8.13]
  14. Ele foi o mais gentil e brando dos imperadores, e o único dos nossos dias que passou todo o tempo de seu governo de maneira digna de seu cargo. [Eusébio 8.13]
  15. Além disso, ele se conduziu de maneira mais favorável e benéfica para com todos. [Eusébio 8.13]
  16. Ele não tomou a menor parte na guerra contra nós, mas preservou ilesos e inocentes os piedosos que estavam sob ele. [Eusébio 8.13]
  17. Ele não derrubou os prédios da igreja, nem inventou nada contra nós. [Eusébio 8.13]
  18. O fim de sua vida foi honroso e três vezes abençoado. [Eusébio 8.13]
  19. Ele sozinho na morte deixou seu império feliz e gloriosamente para seu próprio filho como seu sucessor, alguém que era em todos os aspectos mais prudente e piedoso. [Eusébio 8.13]
  20. Seu filho Constantino entrou imediatamente no governo, sendo proclamado imperador supremo e Augusto pelos soldados, e muito antes pelo próprio Deus, o Rei de todos. [Eusébio 8.13]
  21. Ele se mostrou um emulador da piedade de seu pai para com nossa doutrina. Ele era tal. [Eusébio 8.13]
  22. Mas depois disso, Licínio foi declarado imperador e Augusto por um voto comum dos governantes.
  23. Essas coisas magoaram Maximino muito, pois até então ele só tinha direito a César. [Eusébio 8.13]
  24. Ele, portanto, sendo excessivamente imperioso, apoderou-se da dignidade para si e tornou-se Augusto, sendo feito por si mesmo. [Eusébio 8.13]
  25. Nesse ínterim, aquele que mencionamos como tendo retomado sua dignidade depois de sua abdicação, sendo detectado em conspirar contra a vida de Constantino, pereceu por uma morte vergonhosa. [Eusébio 8.13]
  26. Ele foi o primeiro cujos decretos, estátuas e monumentos públicos foram destruídos por causa de sua maldade e impiedade. [Eusébio 8.13]
  27. Seu filho Maxêncio, que obteve o governo em Roma, a princípio fingiu nossa fé, em complacência e lisonja para com o povo romano. [Eusébio 8.14]
  28. Por causa disso, ele ordenou a seus súditos que parassem de perseguir os cristãos, fingindo à religião que ele poderia parecer misericordioso e brando além de seus antecessores. [Eusébio 8.14]
  29. Mas ele não provou em seus atos ser a pessoa esperada e correu para toda a maldade [Eusébio 8.14]

II – Maxêncio

  1. Também não se absteve de impureza ou licenciosidade, cometendo adultérios e entregando-se a todos os tipos de corrupção. [Eusébio 8.14]
  2. Por ter separado as esposas de seus consortes legítimos, ele abusou delas e as mandou de volta com grande desonra para seus maridos. [Eusébio 8.14]
  3. E ele não só praticou isso contra o obscuro e desconhecido, mas ele insultou especialmente os membros mais proeminentes e distintos do Senado romano. [Eusébio 8.14]
  4. Todos os seus súditos, pessoas e governantes, honrados e obscuros, foram exauridos por terrível opressão. [Eusébio 8.14]
  5. Nem, embora se calassem e suportassem a amarga servidão, havia qualquer alívio para a crueldade assassina do tirano. [Eusébio 8.14]
  6. Certa vez, com um pequeno fingimento, ele deu o povo para ser massacrado por seus guardas; [Eusébio 8.14]
  7. E uma grande multidão da população romana foi morta no meio da cidade, com lanças e armas, não de citas e bárbaros, mas de seus próprios concidadãos. [Eusébio 8.14]
  8. Seria impossível contar o número de senadores que foram condenados à morte por causa de sua riqueza. [Eusébio 8.14]
  9. multidões foram mortas sob vários pretextos. [Eusébio 8.14]
  10. Para coroar toda a sua maldade, o tirano recorreu à magia. [Eusébio 8.14]
  11. E em suas adivinhações ele cortava mulheres grávidas e novamente inspecionava os intestinos de bebês recém-nascidos. [Eusébio 8.14]
  12. Ele massacrou leões e realizou vários atos execráveis ​​para invocar demônios e evitar a guerra. [Eusébio 8.14]
  13. Pois sua única esperança era que, por esses meios, a vitória seria assegurada para ele. [Eusébio 8.14]
  14. É impossível dizer as maneiras pelas quais esse tirano em Roma oprimiu seus súditos. [Eusébio 8.14]
  15. Deste modo, foram reduzidos a uma carência tão extrema das necessidades da vida como nunca foi conhecido, fosse em Roma ou em qualquer outro lugar.
  16. Mas Maximino, o tirano no Oriente, tendo secretamente formado uma aliança amigável com o tirano romano como com um irmão perverso, procurou ocultá-lo por um longo tempo. [Eusébio 8.14]
  17. Mas sendo finalmente detectado, ele sofreu uma punição merecida. [Eusébio 8.14]
  18. Era maravilhoso como ele era parecido com a maldade do tirano de Roma, ou melhor, o quanto ele o ultrapassava nisso. [Eusébio 8.14]
  19. Pois o chefe dos feiticeiros e magos-clãs foram homenageados por ele com o posto mais alto. [Eusébio 8.14]
  20. Tornando-se extremamente tímido e supersticioso, ele valorizou muito o erro de ídolos e demônios. [Eusébio 8.14]
  21. Na verdade, sem adivinhos e oráculos, ele não se aventurou a mover um dedo, por assim dizer.
  22. Portanto, ele nos perseguiu mais violenta e incessantemente do que seus antecessores. [Eusébio 8.14]
  23. Ele ordenou que os templos fossem erguidos em todas as cidades. [Eusébio 8.14] 
  24. E os bosques sagrados, que haviam sido destruídos com o passar do tempo, fossem rapidamente restaurados. [Eusébio 8.14]
  25. Ele nomeou sacerdotes idólatras em todos os lugares e cidades; [Eusébio 8.14]
  26. E os colocou, em cada província, como sumo sacerdote, algum oficial político que se destacou especialmente em todo tipo de serviço, [Eusébio 8.14]
  27. Dando-lhe um bando de soldados e um guarda-costas.
  28. E a todos os malabaristas, como se fossem piedosos e amados dos deuses, ele concedeu governos e os maiores privilégios. [Eusébio 8.14]
  29. Desse momento em diante, ele angustiou e perseguiu, não uma cidade ou país, [Eusébio 8.14]
  30. Mas todas as províncias sob sua autoridade, por extremas cobranças de ouro e prata e bens, e os mais graves processos e várias multas.
  31. Ele tirou dos ricos a propriedade que eles haviam herdado de seus ancestrais e concedeu grandes riquezas e grandes somas de dinheiro aos bajuladores ao seu redor. [Eusébio 8.14]
  32. E ele foi a tal excesso de tolice. e embriaguez que sua mente estava enlouquecida em suas bebedeiras; [Eusébio 8.14]
  33. Ele dava ordens quando embriagado, das quais se arrependia depois quando sóbrio. [Eusébio 8.14]
  34. Ele não permitiu que ninguém o superasse em libertinagem e devassidão, mas tornou-se um instrutor de maldade para os que o cercavam, tanto governantes quanto súditos. [Eusébio 8.14]

IV – Cristãos

  1. Ele instou o exército a viver desenfreadamente em todo tipo de folia e intemperança, [Eusébio 8.14]
  2. E encorajou os governadores e generais a abusar de seus súditos com avidez e cobiça, quase como se fossem governantes com ele. [Eusébio 8.14]
  3. Por que precisamos relatar os atos licenciosos e desavergonhados do homem, ou enumerar a multidão com quem ele cometeu adultério? [Eusébio 8.14]
  4. Porque ele não podia passar por uma cidade sem corromper continuamente as mulheres e as virgens arrebatadoras. [Eusébio 8.14]
  5. E nisso ele teve sucesso com todos, exceto os cristãos. [Eusébio 8.14]
  6. Pois como eles desprezavam a morte, eles não se importavam com seu poder. [Eusébio 8.14]
  7. Pois os homens suportaram fogo e espada e crucificação e bestas selvagens e as profundezas do mar. [Eusébio 8.14]
  8. Também as amputações de membros, queimaduras, picadas e escavações de olhos, e mutilações de todo o corpo.
  9. Além disso, a fome e as minas e os títulos. [Eusébio 8.14]
  10. Em tudo, eles mostraram paciência em favor da religião, em vez de transferir aos ídolos a reverência devida a Deus. [Eusébio 8.14]
  11. E as mulheres não eram menos viris do que os homens em favor do ensino da Palavra Divina, [Eusébio 8.14]
  12. Pois suportaram conflitos com os homens, e levaram consigo prêmios iguais de virtude. [Eusébio 8.14]
  13. E quando foram arrastados para fins corruptos, eles entregaram suas vidas à morte em vez de seus corpos à impureza. [Eusébio 8.14]
  14. Apenas uma das mulheres que foram apreendidas para fins adúlteros pelo tirano conquistou a alma apaixonada e intemperante de Maximino com a mais heróica firmeza. [Eusébio 8.14]
  15. Era a mais distinta e ilustre mulher cristã de Alexandria. [Eusébio 8.14]
  16. Honrada por sua riqueza, família e educação, ela considerava todos esses inferiores à castidade. [Eusébio 8.14]
  17. Ele insistiu com ela muitas vezes, mas embora ela estivesse prestes a morrer, ele não poderia matá-la, pois seu desejo era mais forte do que sua raiva. [Eusébio 8.14]
  18. Ele, portanto, a puniu com o exílio e tirou todas as suas propriedades. [Eusébio 8.14]
  19. Muitos outros, incapazes de ouvir as ameaças de violação dos governantes pagãos, suportaram todas as formas de torturas, torturas e punições mortais. [Eusébio 8.14]
  20. De fato, eles deveriam ser admirados, mas de longe a mais admirável era aquela mulher em Roma [Eusébio 8.14]
  21. Era realmente a mais nobre e modesta de todas, a quem o tirano Maxêncio, totalmente parecido com Maximino em suas ações, tentou abusar. [Eusébio 8.14]
  22. Pois quando ela soube que aqueles que serviam ao tirano em tais assuntos estavam na sua casa. [Eusébio 8.14]
  23. E que seu marido, embora um prefeito de Roma, iria permitir que a levassem embora. [Eusébio 8.14]
  24. Tendo pedido um pouco de tempo para adornar seu corpo, ela entrou em seu quarto e, estando sozinha, esfaqueou-se com uma espada. [Eusébio 8.14]
  25. Morrendo imediatamente, ela deixou seu cadáver para aqueles que vieram por ela. [Eusébio 8.14]
  26. E por seus atos, mais poderosamente do que por quaisquer palavras, ela mostrou a todos os homens agora e depois que a virtude que prevalece entre os cristãos é a única posse invencível e indestrutível. [Eusébio 8.14]
  27. Tal foi a carreira de maldade que foi levada avante ao mesmo tempo pelos dois tiranos que dominavam o Oriente e o Ocidente. [Eusébio 8.14]
  28. Quem há que hesitaria, após exame cuidadoso, em pronunciar a perseguição.

V – Calmaria

  1. O fato é que, durante todo os dez anos que durou a perseguição, não deixaram de conspirar e fazer-se
    a guerra mutuamente. [Eusébio 8.15.1]
  2. Os mares eram inavegáveis, e todos que desembarcavam de onde quer que fosse, não escapavam de ser submetidos a toda classe de maus-tratos: [Eusébio 8.15.1]
  3. Retorciam os cristãos sobre o potro e laceravam as suas costas, enquanto os interrogavam entre torturas de toda espécie se não procediam do lado inimigo; [Eusébio 8.15.1]
  4. E por último os submetiam ao suplício da cruz ou do fogo. [Eusébio 8.15.1]
  5. Além disso, por toda parte fabricavam-se e se preparavam escudos e couraças, dardos, lanças e
    demais instrumentos de guerra, assim como embarcações e armas navais. [Eusébio 8.15.2]
  6. Ninguém podia esperar cada dia outra coisa senão um ataque dos inimigos. [Eusébio 8.15.1]
  7. E como se fosse pouco, também a fome e a peste subsequentes se abateram sobre eles; [Eusébio 8.15.1] 
  8. Esta era a situação ao longo da perseguição, que com a ajuda da graça de Deus, no décimo ano já
    estava terminada, ainda que de fato tenha começado a ceder depois do oitavo. [Eusébio 8.16.1]
  9. Efetivamente, assim que a graça divina e celestial começou a mostrar uma preocupação benévola e propícia para
    conosco. [Eusébio 8.16.1]
  10. Também os governantes, aqueles mesmos que nos haviam feito a guerra, mudaram milagrosamente de pensamento e cantaram a retratação das ordens [Eusébio 8.16.1]
  11. Extinguiram mediante éditos favoráveis e ordens cheias de suavidade a fogueira da perseguição, que havia alcançado tal amplitude. [Eusébio 8.16.1]
  12. Mas a causa desta mudança não foi algo próprio dos homens, nem compaixão ou humanidade dos governantes, nem muito menos. [Eusébio 8.16.2]
  13. Eles mesmos eram os que cada dia, desde o começo até esse momento, imaginavam mais e piores suplícios contra os cristãos. [Eusébio 8.16.2]
  14. Renovavam constantemente, umas vezes de um modo e outras de outro, com diversas invenções, os maus-tratos que os infligiam. [Eusébio 8.16.2]
  15. Foi mais evidentemente uma vinda da própria providência divina, que reconciliou o povo consigo, atacou o perpetrador de seus males e descarregou sua ira. [Eusébio 8.16.2]
  16. Ela veio sobre o líder da maldade e de toda a perseguição, que era um dos quatro imperadores chamado de Galério.  [Eusébio 8.16.2]
  17. Ainda que isto houvesse de ocorrer por juízo de Deus, não obstante, a Escritura diz: Ai daquele por quem venha a ofensa! [Eusébio 8.16.3]
  18. Alcançou-os, pois, um castigo divino que, começando por sua própria carne, avançou até sua alma. [Eusébio 8.16.3]
  19. Efetivamente, de repente saiu-lhe um abcesso em meio às partes secretas de seu corpo, e logo uma chaga fistulosa em profundidade. [Eusébio 8.16.4]
  20. Sem possibilidade de cura, foi-lhe corroendo até o mais fundo das entranhas. [Eusébio 8.16.4]
  21. Dali brotava um ninho de larvas e exalava um fedor mortal. [Eusébio 8.16.4]
  22. A massa de suas carnes, produzida pela gula, já antes da enfermidade foi transformada em uma quantidade excessiva de gordura.
  23. Ao apodrecer então, oferecia o aspecto mais insuportável e espantoso aos que se aproximavam. [Eusébio 8.16.4]
  24. Dos médicos, uns, absolutamente incapazes de suportar a exagerada enormidade do fedor, por isso, foram degolados. [Eusébio 8.16.5]
  25. Outros, sem poder ajudá-lo em nada por estar inchada toda a massa e já não haver esperança de salvação, foram assassinados sem piedade. [Eusébio 8.16.5]
  1. Durante todos os dez anos de perseguição, eles estavam constantemente tramando e guerreando uns contra os outros. [Eusébio 8.15]
  2. Pois o mar não podia ser navegado, nem os homens podiam navegar de qualquer porto sem serem expostos a todos os tipos de ultrajes; [Eusébio 8.15]
  3. Eram esticados no potro e lacerados nas costas, para que se pudesse verificar, por meio de várias torturas, se vinham do inimigo; [Eusébio 8.16.2]
  4. Finalmente, eram submetidos a punição pela cruz ou pelo fogo. [Eusébio 8.15]
  5. Além dessas coisas, escudos e couraças estavam sendo preparados. [Eusébio 8.15]
  6. Dardos e lanças e outros equipamentos de guerra estavam sendo preparados,
  7. E galés e armaduras navais estavam se acumulando em todos os lugares. [Eusébio 8.15]
  8. E ninguém esperava nada mais do que ser atacado por inimigos qualquer dia. [Eusébio 8.15]
  9. Além disso, a fome e a peste caíram sobre eles.
  10. Essa foi a situação durante toda a perseguição. [Eusébio 8.16]
  11. Mas no décimo ano, pela graça de Deus, ele cessou completamente, tendo começado a diminuir após o oitavo ano. [Eusébio 8.16]
  12. Pois a graça divina e celestial mostrou supervisão favorável e propícia. [Eusébio 8.16]
  13. Então verdadeiramente nossos governantes, e as próprias pessoas por quem a guerra contra nós havia sido seriamente processada, mudaram de maneira notavelmente suas mentes. [Eusébio 8.16]
  14. Emitiram uma revogação e apagaram o grande incêndio da perseguição que havia sido acesa, por proclamações misericordiosas e ordenanças a nosso respeito. [Eusébio 8.16]
  15. Mas isso não foi devido a nenhuma ação humana; nem foi o resultado, como se poderia dizer, da compaixão ou filantropia de nossos governantes, longe disso, [Eusébio 8.16]
  16. Pois diariamente desde o início até aquela época eles estavam planejando medidas cada vez mais severas contra os cristãos, [Eusébio 8.16]
  17. E continuamente inventavam ultrajes de um maior variedade de instrumentos [Eusébio 8.16]
  18. O descuido com a Providência Divina, por um lado reconciliando-se com seu povo e por outro atacando aquele que instigou esses males mostrando raiva contra ele, foi o autor das crueldades de toda a perseguição. [Eusébio 8.16]
  19. Pois embora fosse necessário que essas coisas acontecessem, de acordo com o julgamento divino, ainda assim a Palavra diz: “Ai daquele por quem vem a ofensa.” [Eusébio 8.16]
  20. Portanto, o castigo de Deus veio sobre ele, começando com sua carne e prosseguindo para sua alma. [Eusébio 8.16]
  21. Pois um abscesso apareceu repentinamente no meio das partes secretas de seu corpo e, a partir dele, uma ferida profundamente perfurada, se espalhou irresistivelmente para o interior de suas entranhas. [Eusébio 8.16]
  22. Uma multidão indescritível de vermes brotou deles. [Eusébio 8.16]
  23. Pois todo seu corpo, por meio de sua gula, havia se transformado, antes de sua doença, em uma massa excessiva de gordura mole, que se tornou pútrida. [Eusébio 8.16]
  24. Assim, apresentava um visão horrível e intolerável para aqueles que se aproximavam. [Eusébio 8.16]
  25. Alguns dos médicos, sendo totalmente incapazes de suportar a excessivo ofensiva do odor, foram mortos; [Eusébio 8.16]
  26. Outros, como toda a massa havia inchado e ultrapassado a esperança de restauração, foram incapazes de prestar qualquer ajuda, por isso, foram mortos sem misericórdia. [Eusébio 8.16]

VIII – Revogação dos Tiranos

  1. CAPÍTULO 17. A Revogação dos Governantes
  2. LUTANDO com tantos males, pensava nas crueldades que havia cometido contra os piedosos. Voltando, portanto, seus pensamentos para si mesmo, ele primeiro confessou abertamente ao Deus do universo e, em seguida, convocando seus assistentes, ele ordenou que sem demora eles deveriam parar a perseguição aos cristãos, e deveriam, por lei e decreto real, exortá-los ansiosos para construir suas igrejas e realizar seu culto costumeiro, oferecendo orações em nome do imperador. Imediatamente a ação seguiu a palavra. Os decretos imperiais foram publicados nas cidades, contendo a revogação dos atos contra nós na seguinte forma:

“O imperador César Galerius Valerius Maximinus, Invictus, Augusto, Pontifex Maximus, conquistador dos alemães, conquistador dos egípcios, conquistador dos tebanos, cinco vezes conquistador dos sármatas, conquistador dos persas, duas vezes conquistador dos Cárpatos, seis vezes conquistador dos armênios, conquistador dos medos, conquistador dos Adiabeni, tribuna do povo pela vigésima vez, imperador pela décima nona vez, cônsul pela oitava vez, pai de seu país, pró-cônsul; e o imperador César Flávio Valerius Constantinus, Pins, Félix, Invictus, Augusto, Pontifex Maximus, Tribuna do povo, Imperador pela quinta vez, Cônsul, Pai de seu país, Procônsul; e o Imperador César Valerius Licinius, Pins, Felix, Invictus, Augusto, Pontifex Maximus, Tribuno de ao povo pela quarta vez, o Imperador pela terceira vez, Cônsul, Pai de seu país, Procônsul; ao povo de suas províncias, saudando: “Entre outras coisas que ordenamos para o benefício público e lucro, antes desejávamos restaurar tudo em conformidade com as antigas leis e disciplina pública dos romanos, e fazer com que também os cristãos, que abandonaram a religião de seus ancestrais, voltassem a ter boa disposição.

Pois de alguma forma tal arrogância os apoderou e tal estupidez os dominou, que eles não seguiram as antigas instituições que possivelmente seus próprios ancestrais haviam estabelecido anteriormente, mas fizeram para si leis de acordo com seu próprio propósito, como cada um desejava, e observou-os, e assim reunidos como congregações separadas em vários lugares. Quando emitimos este decreto para que eles retornassem às instituições estabelecidas pelos antigos, muitos se submeteram a perigo, mas muitos sendo perseguidos suportaram todos os tipos de morte.

E já que muitos continuam na mesma loucura, e percebemos que
não oferecem aos deuses celestiais o culto devido, nem prestam atenção ao Deus dos cristãos, em consideração à nossa filantropia e ao nosso costume invariável, pelo qual costumamos estender o perdão a todos, determinamos que devemos muito alegremente para estender nossa indulgência neste assunto também; para que sejam novamente cristãos e reconstruam os conventículos em que costumavam se reunir, com a condição de que nada seja feito por eles contrário à disciplina. Em outra carta, indicaremos aos magistrados o que eles devem observar. Portanto, por causa desta nossa indulgência, eles devem suplicar a seu Deus por nossa segurança, e do povo, e deles próprios, para que o bem-estar público seja preservado em todos os lugares, e que eles possam viver com segurança em seus vários casas. “

Tal é o teor desse edital, traduzido, da melhor maneira possível, da língua romana para a grega? É hora de considerar o que aconteceu após esses eventos.

O que segue é encontrado em Algumas Cópias do Oitavo Livro. O autor do edital logo após esta confissão foi libertado de suas dores e morreu. Ele teria sido o
autor original da miséria da perseguição, tendo procurado, muito antes do movimento dos outros imperadores, desviar da fé os cristãos do exército e, em primeiro lugar, os que estavam em sua própria casa, degradando alguns da classe militar, e abusando dos outros da forma mais vergonhosa, e ameaçando ainda outros com a morte, e finalmente incitando seus parceiros no império à perseguição geral. Não é apropriado ignorar a morte desses imperadores em silêncio. Como quatro deles detinham a autoridade suprema, aqueles que eram avançados em idade e honra, após a perseguição ter continuado por menos de dois anos, abdicaram do governo, como já dissemos, e passaram o resto de suas vidas em um comum e privado estação. O fim de suas vidas foi o seguinte. Aquele que foi o primeiro em honra e idade, pereceu por causa de uma longa e dolorosa enfermidade física. Aquele que ocupou o segundo lugar terminou sua vida por estrangulamento, sofrendo assim de acordo com uma certa predição demoníaca, por conta de seus muitos crimes ousados.

Daqueles depois deles, o último, de quem falamos como o originador de toda a perseguição, sofreu as coisas que relatamos. Mas aquele que o precedeu, o mais misericordioso e bondoso imperador Constâncio, passou todo o tempo de seu governo de maneira digna de seu cargo. Além disso, ele se conduziu para todos de forma mais favorável e benéfica. Ele não tomou a menor parte na guerra contra nós, e preservou os piedosos que estavam sob ele ilesos e ilesos. Ele também não derrubou os edifícios da igreja, nem inventou nada contra nós. O fim de sua vida foi feliz e três vezes abençoado. Ele sozinho na morte deixou seu império feliz e gloriosamente para seu próprio filho como seu sucessor, alguém que era em todos os aspectos mais prudente e piedoso. Ele entrou imediatamente no governo, sendo proclamado imperador supremo e Augusto pelos soldados; e ele se mostrou um emulador da piedade de seu pai para com nossa doutrina.

Tais foram as mortes dos quatro dos quais escrevemos, ocorridas em momentos diferentes. Destes, aliás, apenas o referido por nós um pouco acima, é com aqueles que depois compartilharam no governo, finalmente publicado abertamente a toda a confissão acima mencionada, no edital por ele emitido.

 

XX – Visão

  1. Constantino considerava o mundo inteiro como um corpo imenso e percebia que a cabeça de tudo, a cidade real do Império Romano, estava curvada pelo peso de uma opressão tirânica. [Constantino 1.36]
  2. A princípio ele havia deixado a tarefa de libertação para aqueles que governavam as outras divisões do império, como sendo seus superiores em idade. [Constantino 1.36]
  3. Mas quando nenhum deles provou ser capaz de proporcionar alívio, e aqueles que tentaram experimentaram uma desastrosa derrota, ele disse que a vida era sem prazer enquanto ele visse a cidade imperial assim afligida, e preparou-se para a derrubada da tirania. [Constantino 1.36]
  4. Estando convencido, no entanto, de que precisava de uma ajuda mais poderosa do que suas forças militares podiam lhe dar, por causa dos encantamentos perversos e mágicos que foram tão diligentemente praticados pelo tirano, ele procurou a ajuda divina. [Constantino 1.37]
  5. Considerava a posse de armas e uma numerosa soldadesca de importância secundária, mas acreditava que o poder cooperativo da Divindade é invencível e inabalável. [Constantino 1.37]
  6. Ele considerou, portanto, em que Deus poderia confiar para proteção e assistência. [Constantino 1.37]
  7. Enquanto envolvido nesta investigação, ocorreu-lhe o pensamento sobre os muitos imperadores que o precederam. [Constantino 1.37]
  8. Estes, que depositaram suas esperanças em uma multidão de deuses e os serviram com sacrifícios e ofertas, haviam sido em primeiro lugar enganados por predições lisonjeiras e oráculos que lhes prometiam prosperidade. [Constantino 1.37]
  9. E, por fim, tiveram um fim infeliz, enquanto nenhum de seus deuses ficara por perto para avisá-los da ira iminente do céu. [Constantino 1.37]
  10. Foi o único que seguiu um curso totalmente oposto, que havia condenado seu erro e honrado o único Deus Supremo durante toda a sua vida. [Constantino 1.37]
  11. Tinha-o formalmente para ser o Salvador e Protetor de seu império, e o Doador de todas as coisas boas. [Constantino 1.37]
  12. Refletindo sobre isso, ponderou bem o fato de que aqueles que confiaram em muitos deuses também caíram por múltiplas formas de morte, sem deixar para trás nem família ou descendência, linhagem, nome ou memorial entre os homens. [Constantino 1.37]
  13. Enquanto o Deus de seu pai, por outro lado, tinha dado manifestações de seu poder e muitos símbolos. [Constantino 1.37]
  14. E considerando ainda que aqueles que já haviam pegado em armas contra algum tirano e marchado para o campo de batalha sob a proteção de uma multidão de deuses, tiveram um fim desonroso. [Constantino 1.37]
  15. Pois um deles, se retirou vergonhosamente da competição sem um golpe; e o outro, foi morto no meio de suas próprias tropas, tornou-se, por assim dizer, um mero esporte de morte. [Constantino 1.37]
  16. Revisando, eu digo, todas essas considerações, ele julgou ser realmente tolice participar da adoração ociosa daqueles que não eram deuses. [Constantino 37]
  17. E, depois de tais evidências convincentes, errar da verdade; e, portanto, sentiu que cabia a ele honrar apenas o Deus de seu pai. [Constantino 1.37]
  18. Assim, ele chamou o Deus de seu pai com fervorosa oração e súplicas para que lhe revelasse quem ele era e estendesse a mão direita para ajudá-lo em suas dificuldades atuais. [Constantino 1.38]
  19. E enquanto ele orava assim com fervorosa súplica, um sinal mais maravilhoso apareceu-lhe do céu, cujo relato seria difícil de acreditar se tivesse sido relatado por qualquer outra pessoa. [Constantino 1.38]
  20. Mas o próprio imperador vitorioso muito tempo depois declarou isso quando foi homenageado por seus amigos e p ares, confirmando sua declaração por um juramento. [Constantino 1.38]
  21. Ele disse que por volta do meio-dia, quando o dia já estava começando a declinar, ele viu com seus próprios olhos o troféu de uma cruz de luz nos céus, acima do sol, e com a inscrição “Vença através desse Símbolo’. [Constantino 1.38]
  22. Ao ver isso, ele próprio ficou pasmo, e também todo o seu exército, que o seguiu nesta expedição e testemunhou o milagre. [Constantino 1.38]
  23. Ele disse também que duvidava dentro de si mesmo qual poderia ser a importância dessa aparição. [Constantino 1.39]
  24. E enquanto continuava a ponderar e raciocinar sobre seu significado, a noite de repente caiu; [Constantino 1.39]
  25. Então, em seu sono, o Cristo de Deus apareceu a ele com o mesmo sinal que ele tinha visto nos céus. [Constantino 1.39]
  26. E ordenou-lhe que fizesse uma semelhança daquele sinal que ele tinha visto nos céus e o usasse como uma proteção em todos compromissos com seus inimigos. [Constantino 1.39]

XXI – Preparativos

  1. Ao amanhecer ele se levantou e comunicou a maravilha a seus amigos: e então, reunindo os trabalhadores em ouro e pedras preciosas, ele sentou-se no meio deles e lhes descreveu a figura do sinal que tinha visto. [Constantino 1.40]
  2. Uma longa lança, revestida de ouro, formava a figura da cruz por meio de uma barra transversal colocada sobre ela. [Constantino 1.41]
  3. No topo do conjunto foi fixada uma coroa de ouro e pedras preciosas; e dentro deste, o símbolo com o nome do Salvador, duas letras indicando o nome de Cristo por meio de seus caracteres iniciais, a letra P sendo cruzada por X em seu centro. [Constantino 1.41]
  4. Essas letras o imperador estavam no hábito de usar seu capacete posteriormente.[Constantino 1.41]
  5. Na barra transversal da lança estava suspenso um pano, uma peça real, coberta com um bordado abundante das mais brilhantes pedras preciosas. [Constantino 1.41]
  6. E que, sendo também ricamente entrelaçado com ouro, apresentava um grau indescritível de beleza ao observador. [Constantino 1.41]
  7. Este estandarte era de forma quadrada, e o bastão vertical, cuja parte inferior era de grande comprimento, trazia um retrato dourado de meio corpo do imperador piedoso e seus filhos na parte superior, sob o troféu de a cruz, e imediatamente acima da faixa bordada. [Constantino 1.41]
  8. O imperador constantemente fazia uso deste sinal de salvação como uma salvaguarda contra todo poder adverso e hostil. [Constantino 1.41]
  9. E ordenou que outros semelhantes a ele fossem carregados à frente de todos os seus exércitos. [Constantino 41]
  10. Constantino foi atingido pelo espanto com a visão extraordinária e decidiu adorar nenhum outro Deus, exceto aquele que havia aparecido a ele, [Constantino 1.42]
  11. ele enviou aqueles que estavam familiarizados com os mistérios de suas doutrinas e perguntou quem era esse Deus e o que se pretendia com o sinal da visão que ele tinha visto. [Constantino 1.42]
  12. Eles afirmaram que Ele era Deus, o Filho unigênito do único Deus: que o sinal que apareceu era o símbolo da imortalidade, e o troféu daquela vitória sobre a morte que Ele havia obtido em tempos passados ​​quando peregrinou na terra. [Constantino 1.42]
  13. Eles lhe ensinaram também as causas de Seu advento e explicaram-lhe o verdadeiro relato de Sua encarnação. [Constantino 1.42]
  14. Assim, ele foi instruído nesses assuntos e ficou impressionado com a admiração pela manifestação divina que se apresentara a seus olhos. [Constantino 1.42]
  15. Comparando, portanto, a visão celestial com a interpretação dada, ele encontrou seu julgamento confirmado. [Constantino 1.42]
  16. E, na convicção de que o conhecimento dessas coisas havia sido comunicado a ele pelo ensino divino, ele determinou a partir de então dedicar-se à leitura dos escritos inspirados. [Constantino 1.42]
  17. Além disso, ele fez dos sacerdotes de Deus seus conselheiros, e considerou que era sua incumbência honrar o Deus que havia aparecido a ele com toda devoção. [Constantino 1.42]
  18. E depois disso, sendo fortalecido por esperanças bem fundamentadas Nele, ele se apressou em apagar o fogo ameaçador da tirania. [Constantino 1.42]
  19. Enquanto isso, o tirano que se possuiu da cidade imperial, procedeu a grandes extremos na impiedade e maldade, de modo a se aventurar sem hesitação em toda ação vil e impura. [Constantino 1.43]
  20. Ele separava as mulheres de seus maridos, e depois de algum tempo as mandava de volta, e esses insultos ele fazia não aos homens de condição mesquinha ou obscura, mas aos que ocupavam os primeiros lugares no senado romano. [Constantino 1.43]
  21. Além disso, embora ele vergonhosamente desonrasse quase um número incontável de mulheres livres, ele era incapaz de satisfazer seus desejos desregrados e intemperantes. [Constantino 1.43]
  22. Mas quando tentou corromper também mulheres cristãs, ele não pôde mais assegurar o sucesso de seus desígnios, visto que elas preferiram submeter suas vidas à morte do que entregar suas pessoas para serem contaminadas por ele. [Constantino 1.43]
  23. Uma certa mulher, esposa de um dos senadores que detinha a autoridade de prefeito, percebeu que aqueles que ministravam ao tirano em tais assuntos estavam diante de sua casa. [Constantino 1.44]
  24. Como era cristã e sabia que seu marido por medo ordenou que a levassem e a levassem embora, implorou por um curto espaço de tempo para se arrumar em seu vestido usual e entrou em seu quarto. [Constantino 1.44]
  25. Lá, sendo deixada sozinha, ela embainhou uma espada em seu próprio peito e imediatamente morreu, deixando de fato seu corpo morto para os proxenetas. [Constantino 1.44]
  26. Declarava assim a toda a humanidade, tanto para as gerações presentes como as futuras, por um ato que falou mais alto do que quaisquer palavras, que a castidade pela qual os cristãos são famosos é a única coisa que é invencível e indestrutível. [Constantino 1.44]

XXII – Batalha

  1. Todos os homens, portanto, tanto as pessoas quanto os magistrados, fossem de alto ou baixo grau, tremiam de medo daquele cuja ousadia maldade era tal como descrito, foram todos oprimidos por sua cruel tirania. [Constantino 1.45]
  2. Embora eles se submetessem em silêncio e suportassem essa amarga servidão, ainda assim não havia como escapar da crueldade sanguinária do tirano. [Constantino 1.45]
  3. Pois ao mesmo tempo, sob algum pretexto insignificante, ele expôs a população a ser massacrada por seu próprio guarda-costas. [Constantino 1.45]
  4. E incontáveis ​​multidões do povo romano foram mortas bem no meio da cidade pelas lanças e armas, não de citas ou bárbaros, mas de seus próprios concidadãos. [Constantino 1.45]
  5. Além disso, é impossível calcular o número de senadores cujo sangue foi derramado com vistas à apreensão de seus respectivos bens, pois em momentos diversos e sob várias acusações fictícias, multidões deles morreram. [Constantino 1.45]
  6. O ponto culminante da maldade do tirano foi o recurso à feitiçaria: às vezes com fins mágicos, rasgando mulheres com filhos, outras vezes vasculhando as entranhas de bebês recém-nascidos. [Constantino 1.46]
  7. Ele matou leões também; e praticava certas artes horríveis para evocar demônios e evitar a guerra que se aproximava, esperando por esses meios obter a vitória. [Constantino 46]
  8. Em suma, é impossível descrever os múltiplos atos de opressão pelos quais este tirano de Roma escravizou seus súditos, [Constantino 1.46]
  9. E deste modo, foram reduzidos à mais extrema penúria e falta de comida necessária, uma escassez como nossos contemporâneos não lembre-se de sempre ter existido em Roma. [Constantino 1.46]
  10. Constantino, porém, cheio de compaixão por todas essas misérias, começou a se armar de todos os preparativos bélicos contra a tirania. [Constantino 1.47]
  11. Assumiu, portanto, o Deus Supremo como seu patrono, e invocando Seu Cristo para ser seu preservador e auxiliar. [Constantino 1.47]
  12. E colocou o troféu vitorioso, o símbolo salutar, diante de seus soldados e guarda-costas, ele marchou com todas as suas forças, tentando obter novamente para os romanos a liberdade que herdaram de seus ancestrais. [Constantino 1.47]
  13. Maxêncio, confiando mais em suas artes mágicas do que na afeição de seus súditos, não ousou nem mesmo avançar para fora dos portões da cidade. [Constantino 1.47]
  14. Guardou todos os lugares e distritos e cidades sujeitos à sua tirania, com grandes corpos de soldados. [Constantino 1.47]
  15. O imperador Constantino, confiando na ajuda de Deus, avançou contra a primeira, segunda e terceira divisões das forças do tirano, derrotou todos com facilidade no primeiro ataque e abriu caminho para o interior de Itália. [Constantino 1.47]
  16. Ele já se aproximava muito perto da própria Roma, quando, para salvá-lo da necessidade de lutar com todos os romanos por causa do tirano, o próprio Deus puxou o tirano, por cordas secretas, para longe dos portões. [Constantino 1.48]
  17. Os milagres registrados nas Sagradas Escrituras, que Deus da antiguidade operou contra os ímpios desacreditados pela maioria como fábulas, mas acreditados pelos fiéis, ele em todos os atos confirmou a todos igualmente, crentes e descrentes, que eram testemunhas oculares das maravilhas. [Constantino 1.48]
  18. Pois como fez nos dias de Moisés e da nação hebraica, que eram adoradores de Deus, quando “os carros de Faraó e seu exército foram lançados ao mar e seus capitães de carros escolhidos se afogaram no Mar Vermelho”. [Constantino 1.48]
  19. Da mesma forma, nesta época, Maxêncio e seus soldados, “desceram às profundezas como pedra” [Constantino 1.48]
  20. Em sua fuga diante das forças divinamente auxiliadas de Constantino, ele tentou atravessar o rio que estava em seu caminho, sobre a qual fez uma forte ponte de barcos. [Constantino 1.48]
  21. Ele armou uma máquina de destruição contra si mesmo na esperança de enlaçar aquele que era amado por Deus. [Constantino 1.48]
  22. Mas Deus estava ao lado de um para protegê-lo, enquanto o outro, ímpio, provou ser o miserável criador desses dispositivos secretos para sua própria ruína. [Constantino 1.48]
  23. Ele fez uma cova, cavou-a e caiu na vala que abriu. Sua maldade voltará sobre sua própria cabeça, e sua violência descerá sobre sua própria cabeça. [Constantino 1.48]
  24. Assim, sob a direção divina, a máquina erguida na ponte, com a emboscada escondida nela, cedeu inesperadamente antes da hora marcada. [Constantino 1.48]
  25. A ponte começou a afundar e os barcos com os homens neles foram corporalmente para o fundo. [Constantino 1.48]
  26. Primeiro, o próprio tirano  desgraçado e depois os seus assistentes armados e guardas, assim como os oráculos sagrados haviam descrito antes, “afundaram como chumbo nas poderosas águas”. [Constantino 1.48]

XXIII – Vitória

  1. Para que aqueles que assim obtiveram a vitória de Deus possam muito bem, se não com as mesmas palavras, mas de fato com o mesmo espírito que o povo de seu grande servo Moisés, cantar e falar como eles fizeram sobre o ímpio tirano da antiguidade. [Constantino 1.48]
  2. “Cantemos ao Senhor, pois ele foi grandemente glorificado: o cavalo e seu cavaleiro lançaram ao mar. Ele se tornou meu ajudador e meu escudo para a salvação.” [Constantino 1.48]
  3. E novamente: “Quem é como tu, Senhor, entre os deuses? Quem é como tu, glorioso em santidade, maravilhoso em louvores, fazendo maravilhas?” [Constantino 1.48]
  4. Tendo então cantado esses e outros louvores a Deus, o Governante de tudo e o Autor da vitória, a exemplo de seu grande servo Moisés, Constantino entrou triunfante na cidade imperial. [Constantino 1.49]
  5. E aqui todo o corpo do senado, e outros de posição e distinção na cidade, foram libertados por assim dizer das restrições de uma prisão, junto com toda a população romana. [Constantino 1.49]
  6. Seus semblantes expressivos da alegria de seus corações, o receberam com aclamações e alegria abundante; homens, mulheres e crianças, com incontáveis ​​multidões de servos, saudaram-no como libertador, preservador e benfeitor, com gritos incessantes. [Constantino 1.49]
  7. Mas ele, sendo possuidor de piedade interior para com Deus, não foi nem tornado arrogante por esses aplausos, nem elevado pelos elogios que ouviu: [Constantino 1.49]
  8. Mas, sendo consciente de que havia recebido ajuda de Deus, ele imediatamente rendeu uma ação de graças a ele como o autor de sua vitória. [Constantino 1.49]
  9. Por proclamação ruidosa e inscrições monumentais deu a conhecer a todos os homens o símbolo salutar, erguendo este grande troféu da vitória sobre os seus inimigos no seio da cidade imperial. [Constantino 50]
  10. Gravou expressamente em caracteres indeléveis, que o salutar símbolo era a salvaguarda do governo romano e de todo o império. [Constantino 1.50]
  11. Assim, ordenou imediatamente que fosse colocada sob a mão de uma estátua que o representasse, na parte mais frequentada de Roma, uma lança elevada na forma de uma cruz e gravada nela a seguinte inscrição em latim: [Constantino 1.50]
  12. “Por virtude deste sinal salutar, que é verdadeiro teste de valor, preservei e liberei sua cidade do jugo da tirania. Também determinei na liberdade o Senado romano e o Povo, e o restaurei à sua antiga distinção e esplendor.” [Constantino 1.50]
  13. Assim, o piedoso imperador, glorificando-se na confissão da cruz vitoriosa, proclamou o Filho de Deus aos romanos com grande ousadia de testemunho. [Constantino 1.51]
  14. E os habitantes da cidade, um e todos, senado e povo, revivendo, por assim dizer, da pressão de uma dominação amarga e tirânica, pareciam desfrutar de raios de luz mais puros e renascer para uma vida nova e fresca . [Constantino 1.51]
  15. Todas as nações, também, até o limite do oceano ocidental, sendo libertadas das calamidades que até então as haviam assediado, e alegradas por festivais alegres, não deixaram de louvá-lo como o vitorioso, o piedoso, o benfeitor comum. [Constantino 1.51]
  16. Todos, de fato, com uma voz e uma boca, declararam que Constantino apareceu pela graça de Deus como uma bênção geral para a humanidade. [Constantino 1.51]
  17. O édito imperial também foi publicado em toda parte, por meio do qual aqueles que haviam sido injustamente privados de suas propriedades foram autorizados a desfrutar de suas próprias propriedades. [Constantino 51]
  18. Aqueles que haviam sofrido injustamente o exílio eram chamados de volta a suas casas. [Constantino 51]
  19. Além disso, ele libertou da prisão e de todo tipo de perigo e medo aqueles que, por causa da crueldade do tirano, haviam sido submetidos a esses sofrimentos. [Constantino 1.51]
  20. O imperador também convidou pessoalmente a sociedade dos ministros de Deus, distinguiu-os com o mais alto respeito e honra possível. [Constantino 1.52]
  21. Mostrou-lhes favor por atos e palavras como pessoas consagradas ao serviço de seu Deus. [Constantino 1.52]
  22. Consequentemente, eles foram admitidos à sua mesa, embora fossem mesquinhos em seus trajes e aparência externa. [Constantino 1.52]
  23. Ainda assim, não em sua avaliação, visto que ele pensava que não via o homem como visto pelo olho vulgar, mas o Deus nele. [Constantino 1.52]
  24. Ele os fez também seus companheiros de viagem, acreditando que Aquele de quem eram servos o ajudaria assim. [Constantino 1.52]
  25. Além disso, ele deu de seus próprios recursos privados benefícios dispendiosos às igrejas de Deus. [Constantino 1.52]
  26. Ele tanto ampliou como elevou os edifícios sagrados; e embelezando os santuários augustos da igreja com ofertas abundantes. [Constantino 1.52]

IV

Livro da Igreja

 

XIII – Grandes Feitos

  1. Da mesma forma, ele distribuiu dinheiro em grande parte para aqueles que estavam em necessidade. [Constantino 1.53]
  2. Além disso, mostrou-se filantropo e benfeitor até mesmo para os pagãos, que não tinham direito a ele; [Constantino 1.53]
  3. E mesmo para os mendigos do fórum, miseráveis ​​e sem trabalho, ele fornecia, não só dinheiro, ou comida necessária, mas também roupas decentes. [Constantino 1.53]
  4. Mas no caso daqueles que já foram prósperos e experimentaram uma reversão de circunstâncias, sua ajuda foi concedida de forma ainda mais generosa. [Constantino 1.53]
  5. A tais pessoas, em um espírito verdadeiramente real, ele conferiu benefícios magníficos; deu terras a alguns e honrou outros com várias dignidades. [Constantino 1.53]
  6. Órfãos de infelizes, ele cuidou como um pai, enquanto aliviava a miséria das viúvas e cuidava delas com especial solicitude. [Constantino 1.53]
  7. Ele até deu virgens, deixadas desprotegidas pela morte de seus pais, em casamento com homens ricos com quem ele conhecia pessoalmente. [Constantino 1.53]
  8. Mas isso ele fez depois de primeiro conceder às noivas as porções que deviam trazer para a comunhão do casamento. [Constantino 1.53]
  9. Em suma, assim como o sol, quando se levanta sobre a terra, generosamente concede seus raios de luz a todos, o mesmo fez Constantino, saindo do palácio imperial na madrugada e subindo com a luminária celestia. [Constantino 1.53]
  10. Os raios de sua própria beneficência para todos os que vieram a sua presença. [Constantino 1.53]
  11. Era quase impossível estar perto dele sem receber algum benefício, nem nunca aconteceu que alguém que esperava obter sua ajuda ficasse desapontado com sua esperança. [Constantino 1.53]
  12. Tal era seu caráter geral para com todos. Mas ele exerceu um cuidado peculiar sobre a igreja de Deus: [Constantino 1.54]
  13. Enquanto nas várias províncias havia alguns que diferiam uns dos outros no julgamento, ele, como algum bispo geral constituído por Deus, convocou sínodos de seus ministros. [Constantino 1.54]
  14. Tampouco desprezou estar presente e sentar-se com eles em sua assembleia. [Constantino 1.54]
  15. Participou de suas deliberações, ministrando a tudo o que dizia respeito à paz de Deus. [Constantino 1.54]
  16. Ele se sentou, também, no meio deles, como um indivíduo entre muitos, dispensando seus guardas e soldados, e todos cujo dever era defender sua pessoa, as protegido pelo temor de Deus e cercado pela tutela de seus amigos fiéis. [Constantino 1.54]
  17. Aqueles que ele viu inclinados a um julgamento são, e exibindo um temperamento calmo e conciliador, receberam sua alta aprovação. [Constantino 1.54]
  18. Pois ele evidentemente se deleitava com uma harmonia geral de sentimentos; enquanto ele considerava a inflexível aversão de vontades. [Constantino 1.54]

XVIV – Conversão

  1. A princípio, Constantino sentiu uma leve indisposição corporal, que logo foi seguida por uma doença positiva. [Constantino 3.61]
  2. Em consequência disso, ele visitou os banhos quentes de sua própria cidade; e daí passou para aquele que levava o nome de sua mãe. [Constantino 3.61]
  3. Ele passou algum tempo na igreja dos mártires e ofereceu súplicas e orações a Deus. [Constantino 3.61]
  4. Estando finalmente convencido de que sua vida estava chegando ao fim, ele sentiu que havia chegado o tempo em que deveria buscar a purificação dos pecados de sua carreira passada. [Constantino 3.61]
  5. Acreditou firmemente que quaisquer erros que tivesse cometido como homem mortal, sua alma seria purificada deles através da eficácia das palavras místicas e das águas salutares do batismo. [Constantino 3.61]
  6. Impressionado com esses pensamentos, ele derramou suas súplicas e confissões a Deus, ajoelhando-se na calçada da própria igreja. [Constantino 3.61]
  7. Pela primeira vez, recebeu a imposição das mãos com a oração. [Constantino 3.61]
  8. Depois disso, ele prosseguiu até os subúrbios de Nicomédia, e lá, tendo convocado os bispos para encontrá-lo, dirigiu-se a eles nas seguintes palavras: [Constantino 3.61]
  9. “É chegado o tempo que há muito espero, com fervoroso desejo e oração para obter a salvação de Deus. [Constantino 3.62]
  10. É chegada a hora em que eu também posso receber a bênção daquele selo que confere a imortalidade; a hora em que Posso receber o selo da salvação. [Constantino 3.62]
  11. Eu tinha pensado em fazer isso nas águas do rio Jordão, onde nosso Salvador foi batizado: mas Deus, que sabe o que é conveniente para nós, se agrada que eu deveria receber esta bênção aqui. [Constantino 3.62]
  12. Seja assim, então, sem demora. [Constantino 3.62]
  13. Se fosse a vontade do Senhor da vida e da morte, minha existência aqui seria prolongada e eu deveria estar destinado doravante a me associar com o povo de Deus unindo me com eles em oração como membro da sua Igreja. [Constantino 3.62]
  14. Prescreverei a mim mesmo, a partir de agora, o curso de vida que convém ao seu serviço.” [Constantino 3.62]
  15. Depois de ter falado assim, os prelados realizaram as sagradas cerimônias da maneira usual e, dando-lhe as instruções necessárias, fizeram-no participante da ordenança mística. [Constantino 3.62]
  16. Constantino foi assim o primeiro de todos os soberanos que foi regenerado e aperfeiçoado em uma igreja dedicada aos mártires de Cristo. [Constantino 3.62]
  17. E dotado com o selo divino do batismo, ele se regozijou em espírito; foi renovado e cheio da luz celestial. [Constantino 3.62]
  18. A sua alma se alegrou por causa do fervor de sua fé, e maravilhada com a manifestação do poder de Deus. [Constantino 3.62]
  19. No final da cerimônia ele se vestiu com vestes imperiais reluzentes, brilhantes como a luz, e reclinou-se em um sofá do mais puro branco, recusando-se a vestir-se mais com a púrpura. [Constantino 3.62]
  20. Ele então ergueu a voz e derramou um tom de agradecimento a Deus; após o que ele acrescentou essas palavras. [Constantino 3.63]
  21. “Agora sei que sou verdadeiramente abençoado: agora tenho a certeza de que sou considerado digno da imortalidade e tornado participante da luz divina.” [Constantino 3.63]
  22. Ele ainda expressou sua compaixão pela condição infeliz daqueles que eram estranhos às bênçãos que ele desfrutava. [Constantino 3.63]
  23. E quando os tribunos e generais de seu exército apareceram em sua presença com lamentações e lágrimas com a perspectiva de seu luto, e com orações para que seu dias ainda poderiam ser prolongados, ele assegurou-lhes em resposta que agora estava de posse da verdadeira vida. [Constantino 3.63]
  24. Assegurou-lhes que ninguém, exceto ele mesmo, poderia saber o valor das bênçãos que recebera; de modo que ele estava mais ansioso para se apressar do que adiar sua partida para Deus. [Constantino 3.63]
  25. Ele então passou a completar o arranjo necessário de seus negócios, legando uma doação anual aos habitantes romanos de sua cidade imperial; repartindo a herança do império, como uma propriedade patrimonial, entre seus próprios filhos; em suma, fazer toda a disposição de acordo com seu próprio desejo. [Constantino 3.63]
  26. Todos esses eventos ocorreram durante o festival mais importante da augusta e santa solenidade de Pentecostes. [Constantino 3.64]
  27. Ele se distingue por um período de sete semanas, e é selado com aquele dia em que as Sagradas Escrituras atestam, a ascensão de nosso Salvador comum em céu, e a descida do Espírito Santo entre os homens. [Constantino 3.64]
  28. No decorrer dessa festa, o imperador recebeu os privilégios que descrevi; e no último dia de todos, ele foi removido por volta do meio-dia para a presença de seu Deus. [Constantino 3.64]
  29. Deixou seus restos mortais para seus companheiros mortais, e levando à comunhão com Deus aquela parte de seu ser que era capaz de compreendê-lo e amá-lo. [Constantino 3.64]

I – Funeral de Constantino

  1. IMEDIATAMENTE, os lanceiros e guarda-costas reunidos rasgaram suas vestes e prostraram-se no chão, batendo a cabeça e proferindo lamentações e gritos de tristeza, invocando seu senhor e mestre imperial, ou melhor, como verdadeiros filhos, seu pai, enquanto seus tribunos e centuriões se dirigiam a ele como seu preservador, protetor e benfeitor. O resto da soldadesca também veio em respeitosa ordem para lamentar como um rebanho a remoção de seu bom pastor. Enquanto isso, o povo corria descontroladamente pela cidade, alguns expressando a tristeza interior de seus corações por meio de gritos altos, outros parecendo confusos com a dor: cada um lamentando o evento como uma calamidade que se abatera sobre si mesmo e lamentando sua morte como se se sentissem privados de uma bênção comum a todos.
  2. DEPOIS, os soldados levantaram o corpo do leito e colocaram-no em um caixão dourado, que envolveram com uma coberta de púrpura, e levaram para a cidade que era chamada pelo seu próprio nome. Aqui foi colocado em uma posição elevada na câmara principal do palácio imperial, e cercado por velas acesas em castiçais de ouro, apresentando um espetáculo maravilhoso, e como ninguém sob a luz do sol jamais tinha visto na terra desde o o próprio mundo começou. Pois no apartamento central do palácio imperial, o corpo do imperador jazia em seu elevado local de repouso, revestido com os símbolos da soberania, o diadema e o manto púrpura, e rodeado por um numeroso séquito de atendentes, que observavam ao redor incessantemente noite e dia.

EUSEBIO 4.CAPÍTULO 10. Os bispos de Roma e de Alexandria durante o reinado de Antonino Adriano, tendo morrido após um reinado de 21 anos, foi sucedido no governo dos romanos por Antonino, chamado o Piedoso. No primeiro ano de seu reinado, Telesphorus morreu no décimo primeiro ano de seu episcopado, e Hyginus tornou-se bispo de Roma. Irineu registra que a morte de Telesforo tornou-se gloriosa pelo martírio e, na mesma conexão, afirma que, na época do supracitado bispo romano Hyginus, Valentinus, o fundador de uma seita própria, e Cerdon, o autor de Marcião erro, eram ambos bem conhecidos em Roma. Ele escreve o seguinte:

VII – FIM BAR KOCHVA

  1. EUSEBIO 4. CAPÍTULO 6. O Último Cerco dos Judeus sob Adrian
  2. À medida que a rebelião dos judeus nessa época se tornava muito mais séria, Rufus, governador da Judéia, depois que uma força auxiliar foi enviada pelo imperador, usando sua loucura como pretexto, procedeu contra eles sem misericórdia e destruiu indiscriminadamente milhares de homens, mulheres e crianças, e de acordo com as leis da guerra, reduziram seu país a um estado de completa sujeição. O líder dos judeus nessa época era um homem chamado Barcocheba, que possuía o caráter de um ladrão e assassino, mas, no entanto, confiando em seu nome, gabava-se para eles, como se fossem escravos, que possuía maravilhosos poderes; e ele fingiu ser uma estrela que desceu do céu para trazê-los à luz em meio a seus infortúnios. A guerra foi mais violenta no décimo oitavo ano de Adriano, na cidade de Bithara, que era uma fortaleza muito segura, situada não muito longe de Jerusalém. Quando o cerco durou muito tempo, e os rebeldes foram levados ao último extremo pela fome e sede, e o instigador da rebelião sofreu seu justo castigo, toda a nação foi proibida a partir dessa data por um decreto, e pelas ordens de Adriano, de ir para o interior de Jerusalém. Pois o imperador deu ordens para que não vissem nem mesmo à distância a terra de seus pais. Esse é o relato de Aristo de Pella. E assim, quando a cidade foi esvaziada da nação judaica e sofreu a destruição total de seus antigos habitantes, foi colonizada por uma raça diferente, e a cidade romana que posteriormente surgiu mudou seu nome e foi chamada de Aelia, em homenagem a o imperador Aelius Adrian. E como a igreja ali era agora composta de gentios, o primeiro a assumir o governo dela depois dos bispos da circuncisão foi Marco.

XIII – Apologética

 

  1.  

XX – Terra Arrasada

  1. Ouçam, ó céus! Escute, ó terra! Pois o Senhor falou: “Criei filhos e os fiz crescer, mas eles se revoltaram contra mim. [Isaías 1:2]
  2. O boi reconhece o seu dono, e o jumento conhece a manjedoura do seu proprietário, mas Israel nada sabe, o meu povo nada compreende”. [Isaías 1:3]
  3. Ah, nação pecadora, povo carregado de iniquidade! Raça de malfeitores, filhos dados à corrupção! Abandonaram o Senhor; desprezaram o Santo de Israel e o rejeitaram. [Isaías 1:4]
  4. Por que continuarão sendo castigados? Por que insistem na revolta? A cabeça toda está ferida, todo o coração está sofrendo. [Isaías 1:5]
  5. Da sola do pé ao alto da cabeça não há nada são; somente machucados, vergões e ferimentos abertos, que não foram limpos nem enfaixados nem tratados com azeite. [Isaías 1:6]
  6. A terra de vocês está devastada, suas cidades foram destruídas a fogo; os seus campos estão sendo tomados por estrangeiros, diante de vocês, e devastados como a ruína que os estrangeiros costumam causar. [Isaías 1:7]
  7. Não restou sequer a cidade de Sião como tenda numa vinha, como abrigo numa plantação de melões, como uma cidade sitiada. [Isaías 1:8]
  8. Se o Senhor dos Exércitos não tivesse poupado alguns, já estariam como Sodoma e Gomorra. [Isaías 1:9]
  9. Adriano fundou sobre ela uma cidade no lugar daquela que havia sido arrasada, batizando-a de Aelia Capitolina, e no local do templo de Deus, ergueu um novo templo para Júpiter. [Suetônio 69.12.1]
  10. A ordem trouxe uma guerra sem importância e de longa duração. [Suetônio 69.12.1]
  11. Os judeus consideravam intolerável que raças estrangeiras deveriam ser estabelecidas em sua cidade e rituais religiosos estrangeiros fossem plantados lá. [Suetônio 69.12.2]
  12. Enquanto Adriano esteve por perto no Egito e novamente na Síria, eles permaneceram quietos. [Suetônio 69.12.2]
  13. Mas propositadamente fizeram armas de baixa qualidade aos romanos para que estes pudessem rejeitá-las e eles próprios fazerem o uso delas. [Suetônio 69.12.2]
  14. Mas, quando Adriano se afastou das terras da Judeia, eles se revoltaram abertamente. [Suetônio 69.12.1]
  15. Eles não ousaram confrontar os romanos em campo aberto, mas ocuparam posições vantajosas no país e as fortaleceram com minas e muros, a fim de que pudessem ter refúgio sob a terra. [Suetônio 69.12.3]
  16. Eles perfuravam passagens subterrâneas acima dessas minas subterrâneas em intervalos para deixar entrar ar e luz. [Suetônio 69.12.3]
  17. No início, os romanos não os levaram em conta. Logo, porém, toda a Judéia se agitou e os judeus em todos os lugares estavam mostrando sinais de perturbação, reunindo-se e dando provas de grande hostilidade aos romanos, em parte por meio de atos secretos e em parte por atos abertos. [Suetônio 69.13.1]
  18. Muitas nações de fora, também, estavam se juntando a eles pela ânsia de ganho, e toda a terra, quase se poderia dizer, estava sendo agitada sobre o assunto. [Suetônio 69.13.2]
  19. Então, de fato, Adriano enviou contra eles seus melhores generais. O primeiro deles foi Júlio Severo, que foi enviado da Grã-Bretanha, onde era governador, contra os judeus. [Suetônio 69.13.2]
  20. O general Severo não se aventurou a atacar seus oponentes abertamente em qualquer ponto, em vista de sua quantidade e seu desespero, mas interceptando pequenos grupos, graças ao número de seus soldados e seus suboficiais. [Suetônio 69.13.3]
  21. Privando-os de comida e fechando-os, ele foi capaz – bem devagar, com certeza, mas com relativo pouco perigo – de esmagá-los, exauri-los e exterminá-los. Muito poucos deles de fato sobreviveram. [Suetônio 69.13.3]
  22. Cinquenta de seus postos avançados mais importantes e novecentos e oitenta e cinco de suas aldeias mais famosas foram arrasados. [Suetônio 69.14.1]
  23. Quinhentos e oitenta mil homens foram mortos em vários ataques e batalhas, e o número daqueles que pereceram de fome, doença e fogo estava além de ser descoberto. [Suetônio 69.14.1]
  24. Assim, quase toda a Judéia ficou desolada, um resultado do qual o povo tinha prevenido antes da guerra. [Suetônio 69.14.2]
  25. Pois o túmulo de Salomão, que os judeus consideram um objeto de veneração, caiu em pedaços e desabou, e muitos lobos e hienas precipitaram-se uivando para suas cidades. [Suetônio 69.14.2]
  26. Muitos romanos, além disso, pereceram nesta guerra. Portanto, Adriano, ao escrever ao Senado, não empregou a frase inicial comumente afetada pelos imperadores: “Se você e seus filhos estão com saúde, está bem; eu e as legiões estamos com saúde.” [Suetônio 69.14.3]

13 Outro anjo, que trazia um incensário de ouro, aproximou-se e se colocou de pé junto ao altar. A ele foi dado muito incenso para oferecer com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro diante do trono. [Apocalipse 7:3]

14 E da mão do anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso juntamente com as orações dos santos. Ele pegou o incensário, encheu-o com fogo do altar e lançou-o sobre a terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e um terremoto. [Apocalipse 7:4-5]

16 Então os sete anjos, que tinham as sete trombetas, prepararam-se para tocá-las. [Apocalipse 7:6]

possuía olhos como os olhos de um homem e uma boca que falava com arrogância. [Daniel 7:8]

17 Ainda como general da sexta Besta, Flávio César foi escolhido em preferência a todos os outros, tanto por sua conhecida atividade, quanto por causa do obscuridade de sua origem e nome, sendo uma pessoa de quem não poderia haver o menor ciúme. [Suetônio 10.4]

18 Levou consigo duas legiões, portanto, oito esquadrões de cavalos, e dez coortes, somando-se às antigas tropas da Judéia; também o seu filho mais velho como tenente.  Assim que chegou na Judeia, chamou a atenção sobre si, reformando imediatamente a disciplina do campo. [Suetônio 10.4]

19 A Besta enfrentou o inimigo uma ou duas vezes com tal resolução, que, no ataque a um fortificação, ele teve seu joelho machucado por um golpe de pedra e recebeu várias flechas em seu escudo.  [Suetônio 10.4]

5 O aviso do filho antes de morrer logo se cumpriria: “Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós e por vossos filhos. Porque, na verdade vêm os dias em que se dirá: Felizes as estéreis, ventres que não produziu filhos e os peitos que não amamentaram! Pois todos começarão a dizer aos montes: ‘Caí sobre nós!’, e às colinas: ‘Cobri-nos!’. (Lucas 23:30)

7 Com muitos será feita uma aliança que durará uma semana, que representa o tempo de sete anos. No meio desta semana, ele dará fim ao sacrifício e à oferta. E numa ala do templo será colocado o sacrilégio terrível, até que chegue sobre ele o fim que lhe está decretado. [9:27]

Capítulo 4: A Guerra

13 Outro anjo, que trazia um incensário de ouro, aproximou-se e se colocou de pé junto ao altar. A ele foi dado muito incenso para oferecer com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro diante do trono. [Apocalipse 7:3]

14 E da mão do anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso juntamente com as orações dos santos. Ele pegou o incensário, encheu-o com fogo do altar e lançou-o sobre a terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e um terremoto. [Apocalipse 7:4-5]

16 Então os sete anjos, que tinham as sete trombetas, prepararam-se para tocá-las. [Apocalipse 7:6]

possuía olhos como os olhos de um homem e uma boca que falava com arrogância. [Daniel 7:8]

17 Ainda como general da sexta Besta, Flávio César foi escolhido em preferência a todos os outros, tanto por sua conhecida atividade, quanto por causa do obscuridade de sua origem e nome, sendo uma pessoa de quem não poderia haver o menor ciúme. [Suetônio 10.4]

18 Levou consigo duas legiões, portanto, oito esquadrões de cavalos, e dez coortes, somando-se às antigas tropas da Judéia; também o seu filho mais velho como tenente.  Assim que chegou na Judeia, chamou a atenção sobre si, reformando imediatamente a disciplina do campo. [Suetônio 10.4]

19 A Besta enfrentou o inimigo uma ou duas vezes com tal resolução, que, no ataque a um fortificação, ele teve seu joelho machucado por um golpe de pedra e recebeu várias flechas em seu escudo.  [Suetônio 10.4]

5 O aviso do filho antes de morrer logo se cumpriria: “Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós e por vossos filhos. Porque, na verdade vêm os dias em que se dirá: Felizes as estéreis, ventres que não produziu filhos e os peitos que não amamentaram! Pois todos começarão a dizer aos montes: ‘Caí sobre nós!’, e às colinas: ‘Cobri-nos!’. (Lucas 23:30)

7 Com muitos será feita uma aliança que durará uma semana, que representa o tempo de sete anos. No meio desta semana, ele dará fim ao sacrifício e à oferta. E numa ala do templo será colocado o sacrilégio terrível, até que chegue sobre ele o fim que lhe está decretado. [9:27]

Capítulo 4: A Guerra

 

MARTIRIOS

EUSÉBIO 3: CAPÍTULO 31. A Morte de John e Philip

A hora e a maneira da morte de Paulo e Pedro, bem como seus locais de sepultamento, já foram mostrados por nós. A hora da morte de João também foi informada de maneira geral, mas seu local de sepultamento é indicado por uma epístola de Polícrates, dirigida a Victor, bispo de Roma. Nesta epístola, ele o menciona junto com o apóstolo Filipe e suas filhas nas seguintes palavras: “Porque na Ásia também adormeceram grandes luzes, as quais se levantarão no último dia, na vinda do Senhor, quando ele voltará com glória do céu e buscará todos os santos.

Entre estes estão Filipe, um dos doze apóstolos, que dorme em Hierápolis, e suas duas filhas virgens idosas, e outra filha que vivia no Espírito Santo e agora repousa em Éfeso; e, além disso, João, que ao mesmo tempo era testemunha e mestre, reclinava-se sobre o seio do Senhor e, sendo sacerdote, usava a placa sacerdotal. Ele também dorme em Éfeso ”. Muito sobre sua morte. E no Diálogo de Caio que mencionamos um pouco acima, Proclo, contra quem dirigiu sua disputa, de acordo com o que foi citado, fala assim a respeito da morte de Filipe e de suas filhas: “Depois dele surgiram quatro profetisas, as filhas de Filipe, em Hierápolis na Ásia. Seu túmulo está lá e o túmulo de seu pai. “

Esse é o seu mérito de estado. Mas Lucas, nos Atos dos Apóstolos, menciona as filhas de Filipe que estavam naquela época em Cesaréia na Judéia com seu pai e foram honradas com o dom de profecia. Suas palavras são as seguintes: “Fomos a Cesaréia; e entrando na casa do evangelista Filipe, que era um dos sete, moramos com ele. Ora, este homem tinha quatro filhas, virgens, que profetizavam.” Apresentamos, portanto, nestas páginas o que chegou ao nosso conhecimento sobre os próprios apóstolos e a era apostólica, e sobre os escritos sagrados que eles nos deixaram, bem como sobre aqueles que são contestados, mas, no entanto, foram usados ​​publicamente por muitos em um grande número de igrejas e, além disso, concernente àqueles que são totalmente rejeitados e estão em desacordo com a ortodoxia apostólica. Feito isso, prossigamos agora com nossa história.

LISTA DAS HERESIAS [Eusébio 3]

EUSEBIO 3. CAPÍTULO 26. Menander, o Feiticeiro
Menandro, que sucedeu a Simão Mago, mostrou-se em sua conduta outro instrumento de poder diabólico, não inferior ao anterior. Ele também era um samaritano e levava suas feitiçarias a uma extensão não inferior à de seu mestre, e ao mesmo tempo se deleitava com contos ainda mais maravilhosos do que ele. Pois ele disse que era o próprio Salvador, enviado de eras invisíveis para a salvação dos homens; e ele ensinou que ninguém poderia obter o domínio sobre os próprios anjos criadores do mundo, a menos que primeiro tivesse passado pela disciplina mágica concedida por ele e recebido o batismo dele. Aqueles que foram considerados dignos disso participariam até mesmo na vida presente de imortalidade perpétua e nunca morreriam, mas permaneceriam aqui para sempre, e sem envelhecer se tornariam imortais. Esses fatos podem ser facilmente aprendidos com as obras de Irineu. E Justino, na passagem em que menciona Simão, também faz um relato deste homem, nas seguintes palavras: “E sabemos que um certo Menandro, também samaritano, da aldeia de Capparattéia, era discípulo de Simão, e que ele também, sendo levado pelos demônios, veio a Antioquia e enganou muitos com sua arte mágica. E ele persuadiu seus seguidores de que eles não deveriam morrer. E ainda há alguns deles que afirmam isso. ” E foi realmente um artifício do diabo tentar, por meio de tais feiticeiros, que assumiam o nome de cristãos, difamar o grande mistério da piedade pela arte mágica, e através deles tornar ridículas as doutrinas da Igreja sobre a imortalidade da alma e a ressurreição dos mortos. Mas aqueles que escolheram esses homens como seus salvadores se afastaram da verdadeira esperança.

 

 

EUSEBIO 3. CAPÍTULO 27. A Heresia dos Ebionitas
O demônio maligno, entretanto, sendo incapaz de separar alguns outros de sua lealdade ao Cristo de Deus, ainda assim os considerou suscetíveis em uma direção diferente, e assim os levou a seus próprios propósitos. Os antigos chamavam esses homens muito apropriadamente de ebionitas, porque eles tinham opiniões pobres e mesquinhas a respeito de Cristo. Pois eles o consideravam um homem simples e comum, que era justificado apenas por sua virtude superior, e que era o fruto da relação de um homem com Maria. Em sua opinião, a observância da lei cerimonial era totalmente necessária, com base no fato de que não podiam ser salvos pela fé somente em Cristo e por uma vida correspondente. Havia outros, porém, além deles, que tinham o mesmo nome, mas evitaram as crenças estranhas e absurdas dos primeiros, e não negaram que o Senhor nasceu de uma virgem e do Espírito Santo. Mas, no entanto, na medida em que também se recusaram a reconhecer que ele pré-existia, sendo Deus, Palavra e Sabedoria, eles se voltaram para a impiedade do primeiro, especialmente quando eles, como eles, se esforçaram para observar estritamente a adoração corporal do lei. Além disso, esses homens pensaram que era necessário rejeitar todas as epístolas do apóstolo, a quem chamavam de apóstata da lei; e eles usaram apenas o assim chamado Evangelho de acordo com os hebreus e deram pouca importância ao resto. O sábado e o resto da disciplina dos judeus eles observavam exatamente como eles, mas ao mesmo tempo, como nós, eles celebravam os dias do Senhor como um memorial da ressurreição do Salvador. Portanto, em conseqüência de tal curso eles receberam o nome de ebionitas, o que significava a pobreza de seu entendimento. Pois este é o nome pelo qual um pobre é chamado entre os hebreus.

EUSÉBIO 3. CAPÍTULO 28. Cerinto, o Heresiarca
Compreendemos que nessa época Cerinto, o autor de outra heresia, apareceu. Caio, cujas palavras citamos acima, na Disputa que lhe é atribuída, escreve o seguinte sobre este homem: “Mas também Cerinto, por meio de revelações que ele finge ter sido escritas por um grande apóstolo, traz diante de nós coisas maravilhosas que ele afirmações falsas foram mostradas a ele por anjos; e ele diz que depois da ressurreição o reino de Cristo será estabelecido na terra, e que a carne que habita em Jerusalém estará novamente sujeita aos desejos e prazeres. E sendo um inimigo das Escrituras de Deus, ele afirma, com o propósito de enganar os homens, que haverá um período de mil anos para festas de casamento. ” E Dionísio, que foi bispo da paróquia de Alexandria em nossos dias, no segundo livro de sua obra Sobre as Promessas, onde diz algumas coisas sobre o Apocalipse de João que extrai da tradição, menciona este mesmo homem nas seguintes palavras : “Mas Cerinthus, que fundou a seita que foi chamada, depois dele, o Cerinthian, desejando autoridade respeitável para sua ficção, prefixou o nome. Pois a doutrina que ele ensinou era esta: que o reino de Cristo será terreno. E como ele próprio era devotado aos prazeres do corpo e totalmente sensual em sua natureza, ele sonhou que aquele reino consistiria naquilo que ele desejava, ou seja, nos deleites do ventre e da paixão sexual, isto é, , em comer, beber e se casar, e em festivais e sacrifícios e matar vítimas, sob o disfarce de que ele pensava que poderia satisfazer seus apetites com melhor graça. ” Estas são as palavras de Dionísio. Mas Irineu, no primeiro livro de sua obra Contra as Heresias, dá algumas doutrinas falsas mais abomináveis ​​do mesmo homem, e no terceiro livro relata uma história que merece ser registrada. Ele diz, com base na autoridade de Policarpo, que o apóstolo João uma vez entrou no banho para se banhar; mas, sabendo que Cerinthus estava lá dentro, ele saltou do lugar e correu para fora da porta, pois não suportava permanecer sob o mesmo teto que ele. E ele aconselhou aqueles que estavam com ele a fazerem o mesmo, dizendo: “Vamos fugir, para que o banho não caia sobre Cerinto, o inimigo da verdade, está dentro.”

EUSEBIO 3. CAPÍTULO 29. Nicolaus e a seita que leva seu nome
Nessa época, a chamada seita dos nicolaítas apareceu e durou muito pouco. Isso é mencionado no Apocalipse de João. Eles se gabavam de que o autor de sua seita era Nicolau, um dos diáconos que, junto com Estevão, foi nomeado pelos apóstolos com o propósito de ministrar aos pobres. Clemente de Alexandria, no terceiro livro de seu Stromata, relata as seguintes coisas a respeito dele. “Dizem que ele tinha uma linda esposa, e após a ascensão do Salvador, sendo acusado pelos apóstolos de ciúme, ele a conduziu até o meio deles e deu permissão a quem quisesse se casar com ela. Pois dizem que assim foi de acordo com o que ele disse, que se deve abusar da carne. E aqueles que seguiram sua heresia, imitando cega e tolamente o que foi feito e dito, cometem fornicação sem vergonha. Mas eu entendo que Nicolaus não teve nada a ver com outra mulher que não aquela com quem era casado, e que, no que diz respeito a seus filhos, suas filhas continuaram virgindade até a velhice e seu filho permaneceu incorrupto. Se assim for, quando ele trouxe sua esposa, a quem ele amou com ciúme, no meio dos apóstolos, ele estava evidentemente renunciando à sua paixão; e quando ele usou a expressão, ‘abusar da carne’, ele estava inculcando autocontrole em face dos prazeres que são ansiosamente buscados. Pois eu suponho que, de acordo com o comando do Salvador, ele não queria servir a dois senhores, prazer e o Senhor. Mas eles dizem que Matias também ensinou da mesma maneira que devemos lutar e abusar da carne, e não ceder por causa do prazer, mas fortalecer a alma pela fé e pelo conhecimento. tentou perverter a verdade, mas em menos tempo do que o necessário para contá-la foi totalmente extinta.

 

EUSEBIO 4. CAPÍTULO 7. As pessoas que se tornaram naquela época líderes do conhecimento, falsamente chamadas
Como as igrejas em todo o mundo estavam agora brilhando como as estrelas mais brilhantes, e a fé em nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo estava florescendo entre toda a raça humana, o demônio que odeia tudo o que é bom e é sempre hostil à verdade, e mais amargamente oposto à salvação do homem, voltou todas as suas artes contra a Igreja. No início, ele se armou contra isso com 2 perseguições externas. Mas agora, sendo impedido de usar tais meios, ele concebeu todos os tipos de planos e empregou outros métodos em seu conflito com a Igreja, usando homens vis e enganadores como instrumentos para a ruína de almas e como ministros da destruição. Instigados por ele, impostores e enganadores, assumindo o nome de nossa religião, levaram ao fundo da ruína os crentes que puderam conquistá-los e, ao mesmo tempo, por meio dos atos que praticaram, desviaram-se do caminho que leva à palavra da salvação aqueles que não conheciam a fé.

Conseqüentemente, procedeu daquele Menandro, que já mencionamos como o sucessor de Simão, um certo poder semelhante a uma serpente, de língua dupla e duas cabeças, que produziu os líderes de duas heresias diferentes, Saturnino, um antioquiano de nascimento, e Basilides, um alexandrino. A primeira dessas escolas estabelecidas de heresia ímpia na Síria, a última em Alexandria. Irineu afirma que o falso ensino de Saturnino concordava em muitos aspectos com o de Menandro, mas que Basilides, sob o pretexto de mistérios indizíveis, inventou fábulas monstruosas e levou as ficções de sua heresia ímpia muito além dos limites. Mas como havia naquela época muitos membros da Igreja que estavam lutando pela verdade e defendendo a doutrina apostólica e eclesiástica com eloqüência incomum, também houve alguns que forneceram à posteridade por meio de seus escritos meios de defesa contra as heresias às quais nós nos referimos. Destes, chegou até nós a mais poderosa refutação de Basilides, de Agripa Castor, um dos mais renomados escritores da época, que mostra a terrível impostura do homem. Ao expor seus mistérios, ele diz que Basilides escreveu vinte e quatro livros sobre o Evangelho, e que inventou para si profetas chamados Barcabbas e Barcoph, e outros que não existiam, e que lhes deu nomes bárbaros para surpreender os que se maravilham em tais coisas; que ele ensinou também que comer carne oferecida a ídolos e a renúncia descuidada da fé em tempos de perseguição eram assuntos indiferentes; e que ele ordenou a seus seguidores, como Pitágoras, um silêncio de cinco anos.

O escritor acima mencionado registrou outras coisas semelhantes a respeito de Basilides, e habilmente expôs o erro de sua heresia. Irineu também escreve que Carpócrates foi contemporâneo desses homens, e que ele foi o pai de outra heresia, chamada de heresia dos Gnósticos, que não desejava mais transmitir as artes mágicas de Simão, como aquele havia feito, em segredo, mas abertamente. Pois eles se gabavam, como de algo grande, de poções de amor que foram cuidadosamente preparadas por eles, e de certos demônios que lhes enviaram sonhos e lhes emprestaram sua proteção, e de outras agências semelhantes; e de acordo com essas coisas eles ensinaram que era necessário para aqueles que desejavam entrar totalmente em seus mistérios, ou melhor, em suas abominações, praticar todos os piores tipos de maldade, com base em que eles poderiam escapar dos poderes cósmicos, como eles os chamavam, de nenhuma outra maneira senão cumprindo suas obrigações para com todos eles por conduta infame.

Assim aconteceu que o maligno demônio, fazendo uso desses ministros, por um lado escravizou aqueles que foram tão lamentavelmente desencaminhados por eles para sua própria destruição, enquanto por outro lado ele forneceu aos pagãos incrédulos oportunidades abundantes para caluniar a palavra divina, tanto quanto a reputação desses homens trouxe infâmia sobre toda a raça de cristãos. Desta forma, portanto, aconteceu que se espalhou a respeito de nós, entre os incrédulos daquela época, a infame e mais absurda suspeita de que praticávamos comércio ilegal com mães e irmãs e desfrutávamos de festas ímpias. Ele não teve, no entanto, muito sucesso nesses artifícios, pois a verdade se estabeleceu e com o tempo brilhou com grande brilho.

Pois as maquinações de seus inimigos foram refutadas por seu poder e rapidamente desapareceram. Uma nova heresia surgiu após a outra, e as anteriores sempre morreram, e agora em um momento, ora em outro, ora de uma maneira, ora de outras maneiras, se perdiam em idéias de vários tipos e várias formas. Mas o esplendor da Igreja católica e única verdadeira, que é sempre a mesma, cresceu em magnitude e poder, e refletiu sua piedade e simplicidade e liberdade, e a modéstia e pureza de sua vida inspirada e filosofia para todas as nações gregas e dos Bárbaros. Ao mesmo tempo, as acusações caluniosas que haviam sido feitas contra toda a Igreja também desapareceram, e permaneceu nosso ensinamento, que prevaleceu sobre todos, e que é reconhecido como superior a todos em dignidade e temperança, e em divina e filosófica doutrinas. De modo que nenhum deles agora se aventura a fixar uma calúnia vil sobre nossa fé, ou qualquer calúnia que nossos antigos inimigos antes gostavam de proferir. Não obstante, naqueles tempos a verdade novamente convocou muitos campeões que lutaram em sua defesa contra as heresias ateus, refutando-as não apenas com argumentos orais, mas também com argumentos escritos.

 

EUSÉBIO 4. CAPÍTULO 29. A Heresia de Taciano
É aquele cujas palavras citamos um pouco acima a respeito daquele homem admirável, Justino, e a quem afirmamos ter sido discípulo do mártir. Irineu declara isso no primeiro livro de sua obra Contra as Heresias, onde escreve o seguinte a respeito dele e de sua heresia: “Aqueles que são chamados de Encratitas, e que surgiram de Saturnino e Marcião, pregaram o celibato, deixando de lado o arranjo original de Deus e censurando tacitamente aquele que fez o homem e a mulher para a propagação da raça humana. Eles introduziram também a abstinência das coisas por eles chamadas animadas, mostrando assim ingratidão para com o Deus que fez todas as coisas. E eles negam a salvação do primeiro homem? Mas isso só foi descoberto recentemente por eles, um certo Taciano sendo o primeiro a introduzir essa blasfêmia. Ele era um ouvinte de Justin e não expressou tal opinião enquanto estava com ele, mas após o martírio deste último ele partiu a Igreja, e tornando-se exaltado com a ideia de ser um professor, e inchado com a ideia de que ele era superior aos outros, ele estabeleceu um tipo peculiar de doutrina própria, inventando certo éon invisível s como os seguidores de Valentinus, enquanto, como Marcion e Saturninus, ele declarou o casamento como corrupção e fornicação. Seu argumento contra a salvação de Adão, no entanto, ele idealizou para si mesmo. “Na época, Irineu escreveu assim. Mas, um pouco mais tarde, um certo homem chamado Severo colocou uma nova força na heresia mencionada, e assim fez com que aqueles que tomaram seus origem dela foram chamados, depois dele, de Severianos. Eles, de fato, usam a Lei e os Profetas e os Evangelhos, mas interpretam à sua maneira os enunciados das Sagradas Escrituras. E eles abusam do apóstolo Paulo e rejeitam suas epístolas, e não aceitam até mesmo os Atos dos Apóstolos. Mas seu fundador original, Taciano, formou uma certa combinação e coleção dos Evangelhos, não sei como, aos quais deu o título de Diatessaron, e que ainda está nas mãos de alguns. Mas dizem que ele se aventurou a parafrasear certas palavras do apóstolo, a fim de melhorar seu estilo. Ele deixou muitos escritos. Destes, o mais usado entre muitas pessoas é o seu célebre Discurso aos Gregos, que também parece seja o melhor e eu mais útil de todas as suas obras. Nele, ele trata dos tempos mais antigos e mostra que Moisés e os profetas hebreus eram mais velhos do que todos os homens célebres entre os gregos. Muito em relação a esses homens.

EUSÉBIO 4. CAPÍTULO 30. Bardesanes, o sírio e suas obras existentes
No mesmo reinado, como as heresias abundavam na região entre os rios, um certo Bardesanes, um homem muito hábil e um lutador muito hábil na língua siríaca, tendo composto diálogos contra os seguidores de Marcião e contra alguns outros autores de várias opiniões. , comprometeu-se a escrever na sua própria língua, juntamente com muitas outras obras. Seus alunos, dos quais ele tinha muitos, traduziram essas produções do siríaco para o grego. Entre eles está também o seu mais hábil diálogo Sobre o destino, dirigido a Antonino, e outras obras que dizem ter escrito por ocasião das perseguições que então surgiram. Ele de fato foi no início um seguidor de Valentinus, mas depois, tendo rejeitado seus ensinamentos e refutado a maioria de suas ficções, ele imaginou que tinha chegado à opinião mais correta. No entanto, ele não lavou inteiramente a sujeira da velha heresia. Mais ou menos nessa época, também Soter, bispo da igreja de Roma, partiu desta vida.

 

VII – Exílio de João

[Eusébio 23]

Naquela época, o apóstolo e evangelista João, aquele a quem Jesus amava, ainda vivia na Ásia e governava as igrejas daquela região, tendo retornado após a morte de Domiciano do exílio na ilha. E que ele ainda estava vivo naquela época pode ser estabelecido pelo depoimento de duas testemunhas. Devem ser confiáveis ​​aqueles que mantiveram a ortodoxia da Igreja; e tais de fato foram Irineu e Clemente de Alexandria. O primeiro, no segundo livro de sua obra Contra as Heresias, escreve o seguinte: “E todos os anciãos que se associaram com João, o discípulo do Senhor na Ásia, dão testemunho de que João lhes entregou isso. Pois ele permaneceu entre eles até o tempo de Trajano. ” E no terceiro livro da mesma obra ele atesta a mesma coisa com as seguintes palavras: “Mas também a igreja em Éfeso, que foi fundada por Paulo, e onde João permaneceu até o tempo de Trajano, é uma fiel testemunha do apostolado tradição.” Clemente também em seu livro intitulado What Rich Man Be Saved? indica o tempo e junta uma narrativa que é mais atraente para aqueles que gostam de ouvir o que é belo e proveitoso. Pegue e leia o relato que decorre da seguinte forma: “Ouça uma história, que não é uma mera história, mas uma narrativa sobre o apóstolo João, que foi transmitida e guardada na memória. Pois quando, após a morte do tirano, ele voltou da ilha de Patmos para Éfeso, ele partiu a convite deles para os territórios vizinhos dos gentios, para nomear bispos em alguns lugares, em outros lugares para estabelecer igrejas inteiras em ordem, em outro lugar para escolher para o ministério algum de aqueles que foram indicados pelo Espírito.

Quando ele veio para uma das cidades não muito longe, e consolou os irmãos em outros assuntos, ele finalmente voltou-se para o bispo que havia sido nomeado, e vendo um jovem de físico poderoso, de aparência agradável e de temperamento ardente, ele disse, ‘Este eu entrego a ti com todo o fervor na presença da Igreja e tendo Cristo como testemunha.’ E quando o bispo aceitou a acusação e prometeu tudo, ele repetiu a mesma injunção com um apelo às mesmas testemunhas, e então partiu para Éfeso. Mas o presbítero, levando para casa o jovem a ele comprometido, o criou, cuidou, cuidou e finalmente o batizou. Depois disso, ele relaxou seu cuidado e vigilância mais rígidos, com a ideia de que, ao colocar sobre ele o selo do Senhor, ele havia lhe dado uma proteção perfeita. Mas alguns jovens de sua idade, preguiçosos e dissolutos, e acostumados a práticas más, corromperam-no quando ele foi assim prematuramente libertado das restrições.

No início, eles o atraíram com entretenimentos caros; então, quando eles saíram à noite para roubar, eles
o levaram com eles e, finalmente, exigiram que ele se unisse a eles em algum crime maior. Aos poucos foi se acostumando a tais práticas e, por conta da positividade de seu caráter, deixando o caminho certo e levando a mordida entre os dentes como um cavalo de boca dura e poderoso, desceu com mais violência para as profundezas. E finalmente desesperando da salvação em Deus, ele não meditou mais o que era insignificante, mas tendo cometido algum grande crime, já que ele estava perdido de uma vez por todas, ele esperava sofrer o mesmo destino com os outros. Pegando-os, portanto, e formando um bando de ladrões, ele se tornou um ousado chefe dos bandidos, o mais violento, o mais sangrento, o mais cruel de todos. O tempo passou e, tendo surgido alguma necessidade, mandaram chamar John. Mas ele, quando pôs em ordem os outros assuntos pelos quais viera, disse: ‘Venha, ó bispo, restaura-nos o depósito que eu e Cristo confiamos a ti, a igreja sobre a qual tu presides, sendo testemunha. Mas o bispo a princípio ficou confuso, pensando que ele foi falsamente acusado em relação a dinheiro que não havia recebido, e ele não podia acreditar na acusação a respeito do que ele não tinha, nem podia descrer de John. Mas quando ele disse: ‘Exijo o jovem e a alma do irmão’, o velho, gemendo profundamente e ao mesmo tempo explodindo em lágrimas, disse: ‘Ele está morto.’ ‘Como e que tipo de morte?’ ‘Ele está morto para Deus’, disse ele; ‘pois ele se tornou mau e abandonado, e finalmente um ladrão. E agora, em vez da igreja, ele assombra a montanha com um bando como ele. ‘ Mas o apóstolo rasgou suas roupas e, batendo na cabeça com grande lamentação, disse: ‘Uma bela guarda que deixei para a alma de um irmão! Mas que me traga um cavalo e que alguém me mostre o caminho.’ Ele saiu cavalgando da igreja exatamente como estava, e indo ao lugar, ele foi feito prisioneiro pelo posto avançado dos ladrões. Ele, porém, não fugiu nem implorou, mas gritou: ‘Para isso vim; leve-me ao seu capitão. ‘

Este último, entretanto, estava à espera, armado como estava. Mas quando ele reconheceu John se aproximando, ele se virou para fugir com vergonha. Mas João, esquecendo sua idade, perseguiu-o com todas as suas forças, clamando: ‘Por que, meu filho, foges de mim, teu próprio pai, desarmado, idoso? Tenha pena de mim, meu filho; não tema; tu ainda tens esperança de vida. Vou dar contas a Cristo por ti. Se necessário, suportarei de boa vontade a tua morte como o Senhor sofreu a morte por nós. Por ti vou desistir da minha vida. Fique de pé, acredite; Cristo me enviou. ‘ E ele, quando ouviu, primeiro parou e olhou para baixo; então ele jogou fora seus braços, e então tremeu e chorou amargamente. E quando o velho se aproximou, ele o abraçou, fazendo confissão com lamentações como ele! foi capaz, batizando-se pela segunda vez com lágrimas, e escondendo apenas a mão direita, Mas João, se comprometendo e garantindo-lhe sob juramento que ele encontraria perdão com o Salvador, suplicou-lhe, caiu de joelhos, beijou sua mão direita como se agora purificado pelo arrependimento, e o levou de volta para a igreja. E fazendo intercessão por ele com orações copiosas, e lutando junto com ele em jejuns contínuos, e subjugando sua mente por várias declarações, ele não partiu, como dizem, até que ele o restaurou à igreja, fornecendo um grande exemplo de verdade arrependimento e uma grande prova de regeneração, um troféu de uma ressurreição visível. “