Livro da Verdade

I – O Princípio

No princípio, as trevas cobriam a face do abismo. Não havia nada. Tudo era o mais completo vazio. Pois o Vazio é a maior expressão do caos; é o sentido do mundo terreno; é o destino das forças naturais; é a entropia no fim dos estados do matéria; é a maior consequência da destruição. Tanto no começo quanto no fim, as trevas sempre foram o mais puro vácuo. O Vazio é o estado inicial e final de tudo o que é material. E esse é o caminho para o completo Mal em um mundo decadente; pois todo o maligno leva ao nada e todo pecado leva à insignificância.

Compreender o vazio, o vácuo, o nada, a destruição, o caos, a entropia, a inexistência e a insignificância como uma única entidade é o primeiro passo para alcançar a verdade sobre o divino. Os antigos personificaram essa entidade do caos e do vazio como uma serpente gigante chamada de Leviatã, que percorre as águas do vácuo e causa destruição em tudo o que toca. No entanto, há o conceito contrário a tudo isso. Afinal, apesar do nada, tudo existe. E o contrário do Mal é o próprio Bem, que criou todas as coisas.

A existência comprova que há algo mais além do Vazio. Revela que algo iniciou toda a Criação. É o conceito da construção, da ordem e do propósito que toma a forma da entidade chamada de Deus. A Criação é assim a vitória da construção sobre a destruição, da ordem sobre o caos, do propósito sobre a insignificância. A existência de tudo só leva a uma conclusão. Conclui-se que criatividade é a consciência do Altíssimo; o amor é o seu propósito; e a edificação é o seu caminho.

Ó, filhos de Deus, discípulos da verdade, sigam o caminho do Bem que tudo cria mesmo no mundo decadente; que tudo compartilha, sem fracionar as coisas necessárias; que sempre constrói, sem causar a ruína ao redor; que busca o caminho da vida, sem nunca desejar o mal ao semelhante.  O desejo de Deus para a Criação é a prosperidade completa; sem a morte, sem a destruição, e sem a divisão; pois assim surgiu todas as coisas. Esse é o caminho da Verdade.

II – O Espírito

Toda a Criação requer um intento, um traçado e um propósito; e todas essas coisas requerem uma criatividade. Afinal, a criatividade é a expressão maior da consciência divina que criou todas as coisas perfeitas neste mundo decadente. É o Espírito de Deus que se moveu sobre as águas do Vazio e sobre as trevas do Abismo antes de dar início a toda a Criação.

O Espírito de Deus lançou o anzol sobre o Leviatã para prender a sua língua destruidora com uma corda. Passou um cordão pelo seu nariz ou atravessou seu queixo com um gancho. Fez dele um bichinho de estimação, como se fosse um passarinho e lhe pôs uma coleira para sua progênie. E assim, do Caos, veio a Ordem que gerou toda a Criação. A Criatividade trouxe propósito para o Mundo. E o Mundo nasceu de uma consciência universal que compartilha entre si o Espírito de Deus.

O Espírito de Deus é acolhedor. Ele abraça tudo o que toca como uma mãe abraça seu filho recém-nascido. Ele está impresso em todos os corações. Ele é a consciência que todas as mentes compartilham entre si. É o sopro divino que todas as almas também compartilham. Ela une todos os seres numa consciência conjunta que guia o caminho para o Bem e traz revelações a todos aqueles que a abraçam dentro da consciência de cada indivíduo.

Ó, filhos de Deus, discípulos da verdade, a consciência que cada um tem sobre si mesmos é o próprio Espírito de Deus dentro de cada um. O pensamento não é só a prova da Existência de um indivíduo, mas toda a Criação só pode existir com a consciência; pois sem a consciência, a Existência é só o Nada. O livre-arbítrio não é só a prova da Bondade de um indivíduo, mas toda a Bondade só pode existir com a consciência; pois sem consciência, a bondade é só o Vazio. Sejam conscientes do Espírito de Deus dentro de cada um de vocês, pois essa é a verdadeira essência divina. Esse é o caminho da Verdade.

III – A Palavra

Se tudo surge do vazio e do caos, quando se pode dizer que algo inexistente tomou forma o bastante para se tornar existente? A resposta para essa pergunta está num conhecimento superior; pois os antigos contam que todas as coisas só existem quando possui uma forma bem definida o bastante para serem nomeada com uma “Palavra”. E esta Palavra irá as diferenciar de todas as demais coisas.

A primeira palavra proferida pelo Criador foi a “Luz”, e esse foi o início de toda a Criação. Das trevas infinitas dos primórdios até o atual céu reluzente, todas as coisas assim começaram. Antes, não existia o terreno, nem a matéria; só o divino. Tudo ainda era intangível, mas todos os ingredientes estavam lá. Antes, não havia a existência, nem a ordem, nem o propósito; então houve. Antes, não havia o passado, nem o presente, nem o futuro; então houve. E assim o plano de Deus foi traçado até o fim dos tempos .

A Palavra de Deus é toda a ação física do Criador sobre o mundo material. Ela traz consigo os conceitos do bem e do mal, do justo e do injusto, do agradável e do desagradável, e de todas as coisas. Ela é o vínculo de tudo em si mesmos. Ela mantém todas as coisas unidas, as impedindo de serem dissolvidas e separadas. A Palavra é todo o conhecimento do Mundo. Ela está na lógica, na razão e na ciência cujas leis permeiam e movem o Mundo.

Ó, filhos de Deus, discípulos da verdade, a Palavra de Deus deve ser muito bem compreendida, pois ela é o Pão da Vida que traz consigo a vida eterna; é a Luz do Mundo capaz de romper as trevas; é a Porta da Salvação, que leva ao reino dos céus; é o Pastor que conhece a si mesmo e aos seus seguidores; é a Ressurreição, que traz uma nova vida; é o caminho, a verdade e a vida que leva ao Criador; e a Videira que gera bons frutos. Esse é o caminho da Verdade.

IV – O Mundo

Um nova Palavra foi proferida; e o “Céu” foi assim criado. As águas primordiais superiores se apartaram das águas inferiores. O mundo divino não mais habitou no mundo terreno. Não mais o autor da Criação habitaria o mundo terreno; pois este só existe na Criatividade de uma mente divina. Este mundo inferior foi então moldado pelo seu Espírito e determinado pela Palavra.

Em seguida, a Palavra foi novamente proferida; e a “Vida” surgiu. A Terra árida e infértil se tornou um lugar vivente. O inanimado se encheu de vitalidade; pois a Palavra se expandiu por si própria. A ordem e o propósito se reproduziu sem qualquer nova intervenção do Criador. Cobriu-se a Terra com uma vegetação, que deu sementes e frutos de acordo com suas espécies. O deserto se tornou um jardim.

A palavra seguinte veio; e o “Tempo” foi percebido. O que é o tempo para as rochas e os minerais? Não é nada. Passado, Presente e Futuro já aconteceram. Sempre estiveram na criatividade inicial de Deus e estão no fim dos tempos. Tudo já ocorreu; mas a Vida segue numa única direção. Nascimento, multiplicação e morte são ciclos finitos num mundo imensurável. Os luminares no firmamento separaram o dia e a noite. Passaram a marcar as estações, os dias e os anos.

Ó, filhos de Deus, discípulos da verdade, o sol e a lua iluminaram a terra; pois a vida dela precisa para completar seu ciclo. Se antes da própria Vida vieram, antes não tinham relevância. Se vieram depois, é porque a vida percebeu que sem eles não há vida.

 

E assim, do mundo superior, Deus criou extensões de si mesmo que foram chamadas de “Filhos de Deus” para interagir com o mundo terreno. A mais conhecida dessas extensões recebeu o nome de Gabriel. Ele quem participou do surgimento do primeiro homem, Adão, assim como testemunhou esse homem usar seu livre-arbítrio para virar as costas ao seu Criador. Desde então, Gabriel se mantém no “Primeiro Reino Celestial” logo acima do mundo terreno para transmitir mensagens divinas aos seus habitantes.

 

sigam o caminho do Bem que tudo cria e nada destrói; que busca tudo compartilhar, sem haver fracionamento das coisas necessárias; que busca sempre construir, sem causar a ruína ao seu redor; que busca o caminho da vida, sem desejar a morte do seu irmão.

 

Jó 41:5

Jó 41:2

Ela avaliou A Presença de Deus avaliou é a própria consciência, a mente e espírito.

O pensamento comprova