Livro dos Mártires

II

Livro dos Mártires

Eusebio_de_Cesareia

I – Introdução

  1. As setenta semanas anunciadas pelo profeta Daniel se concretizaram. A cidade e o lugar santo foram destruídos pelo povo do novo governante. O fim veio como uma inundação: Guerras continuaram até o fim e desolações foram decretadas. [Daniel 9:26]
  2. A aliança feita pelo Messias se encerrou. Foi dado fim ao sacrifício e à oferta. E numa ala do templo o sacrilégio terrível foi colocado, até que chegou sobre ele o fim que lhe estava decretado. [Daniel 9:27]
  3. Mas deve-se saber que de tal maneira brilhou por aqueles dias o ensinamento da fé no Messias, que até os escritores alheios à sua doutrina não deixaram de transmitir em suas narrativas a perseguição e os martírios que então ocorreram. [Eusébio 3.18.4]
  4. O apóstolo João, irmão e companheiro no sofrimento, no Reino e na perseverança em Jesus, estava exilado na ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. [Apocalipse 1:9]
  5. Na ilha, ele ouviu do próprio Cristo por uma voz que foi ouvida do céu dizendo: “Escreva: Felizes os mortos que morrem no Senhor de agora em diante”. Diz o Espírito: “Sim, eles descansarão das suas fadigas, pois as suas obras os seguirão”. [Apocalipse 14:13]
  6. João então olhou, e diante dele estava uma nuvem branca e, assentado sobre a nuvem, alguém semelhante a um filho de homem. Ele estava com uma coroa de ouro na cabeça e uma foice afiada na mão. [Apocalipse 14:14]
  7. Então saiu do santuário um outro anjo, que bradou em alta voz àquele que estava assentado sobre a nuvem: “Tome a sua foice e faça a colheita, pois a safra da terra está madura; chegou a hora de colhê-la”. [Apocalipse 14:15]
  8. Eram os tempos do imperador Tito, que participou do triunfo de seu pai Vespasiano César e foi censor com ele. Foi também seu colega no poder de tribunais e em sete consulados. [Suetônio 11.6.1]
  9. Ele assumiu o desempenho de quase todas as funções, ditou cartas pessoalmente e escreveu editais em nome de seu pai; e até mesmo leu seus discursos no Senado no lugar de um questor. [Suetônio 11.6.1]
  10. Ele também assumiu o comando da guarda pretoriana e neste cargo conduziu-se de maneira um tanto arrogante e tirânica. [Suetônio 11.6.1]
  11. Pois sempre que olhava para alguém com suspeita, enviava secretamente membros da Guarda aos vários teatros e campos para exigir sua punição [Suetônio 11.6.1]
  12. E assim ele os tirava do caminho sem demora. [Suetônio 11.6.1]
  13. Entre eles estava Aulo Cecina, um ex-cônsul, que ele convidou para jantar e ordenou que fosse esfaqueado quase antes de sair da sala de jantar; [Suetônio 11.6.1]
  14. Ele incorreu em tal ódio na época que dificilmente alguém subiu ao trono com uma reputação tão má ou tão contra os desejos de todos. [Suetônio 11.6.1]
  15. Além da crueldade, ele também era suspeito de uma vida turbulenta, já que prolongava suas festas pela noite com os mais pródigos de seus amigos; [Suetônio 11.7.1]
  16. Também era suspeito de luxúria por causa de suas tropas de catamitas e eunucos; e possuia uma paixão notória pela rainha judia Berenice, a quem se disse que ele prometeu casamento. [Suetônio 11.7.1]
  17. Ele também era suspeito de ganância; pois era bem sabido que colocou um preço em sua influência e aceitou subornos. [Suetônio 11.7.1]
  18. Em suma, todos pensavam e declaravam abertamente que ele seria um segundo Nero. [Suetônio 11.7.1]
  19. Mas essa fama resultou em sua vantagem e deu lugar ao mais alto elogio, pois nenhuma falha foi descoberta no seu reinado, mas, pelo contrário, encontrou-se altas virtudes. [Suetônio 11.7.1]
  20. Seus banquetes eram mais agradáveis ​​do que extravagantes. [Suetônio 11.7.2]
  21. Ele escolheu como assessores cujos imperadores seguintes também mantiveram como indispensáveis ​​para si próprios e para o Estado, e de cujos serviços fizeram uso especial. [Suetônio 11.7.2]
  22. Ele enviou Berenice para fora de Roma imediatamente contra a vontade dela e dele. [Suetônio 11.7.2]
  23. Alguns dos amantes mais queridos de Berenice, embora fossem dançarinos habilidosos que se tornaram favoritos do palco, ele não apenas deixou de estimar e até compareceu a suas apresentações. [Suetônio 11.7.2]
  24. Ele não tirou nada de nenhum cidadão, respeitando a propriedade alheia, se é que alguém o fez; [Suetônio 11.7.3]
  25. Na verdade, nem mesmo aceitou presentes adequados e habituais. [Suetônio 11.7.3]
  26. No entanto, houve muitos desastres terríveis durante seu reinado. [Suetônio 11.8.2]
  27. Houve a erupção do Monte Vesúvio na Campânia e um incêndio em Roma que continuou por três dias; e uma praga como dificilmente se conhecia antes. [Suetônio 11.8.2]
  28. Os acontecimentos notáveis e terríveis na Campânia aconteceram assim. [Cassio Dio 66.21.1]
  29. O monte Vesúvio está contra Neápolis perto do mar e possui fontes de fogo inesgotáveis. [Cassio Dio 66.21.1]
  30. Uma vez que era igualmente alto em todos os pontos e o fogo subia do centro dele; pois apenas aqui os incêndios eclodiam. [Cassio Dio 66.21.1]
  31. Todas as partes externas da montanha permaneciam até então intocadas pelo fogo. [Cassio Dio 66.21.1]
  32. Consequentemente, como o exterior nunca é queimado e a parte central está constantemente reduzida a cinzas quebradiças, os seus picos mantinham sua altura original. [Cassio Dio 66.21.2]
  33. E assim toda a parte em chamas, tendo sido consumida, ao longo do tempo se estabilizou e tornou-se côncava; assemelhando-se a um teatro de caça. [Cassio Dio 66.21.2]
  34. Suas alturas periféricas sustentavam árvores e vinhas em abundância, mas a cratera era entregue ao fogo que soltava fumaça durante o dia e uma chama à noite. [Cassio Dio 66.21.3]
  35. Na verdade, dava a impressão de que nele estavam sendo queimadas grandes quantidades de incenso de todos os tipos. [Cassio Dio 66.21.3]
  36. Isso, agora, acontecia o tempo todo, às vezes em maior proporção, às vezes em menor extensão. [Cassio Dio 66.21.3]
  37. Muitas vezes a montanha jogava cinzas sempre que havia assentamento extenso no interior e descarregava pedras sempre que era rasgada por uma violenta rajada de ar. [Cassio Dio 66.21.3]
  38. Também rugia por suas aberturas não estarem todas agrupadas, sendo estreitas e ocultas. [Cassio Dio 66.21.3]
  39. Assim é o Vesúvio, e esses fenômenos costumavam ocorrer ali todos os anos. [Cassio Dio 66.22.1]
  40. Mas todas as outras ocorrências que ali ocorreram ao longo do tempo, por mais notáveis ​​e incomuns que fossem, seriam consideradas triviais em comparação ao que por fim aconteceu. [Cassio Dio 66.22.1]

II – Vesúvio

  1. Depois de secas terríveis, terremotos repentinos e violentos ocorreram, de modo que toda a planície ao redor fervilhava e os cumes saltavam no ar. [Cássio Dio 66.22.3]
  2. Havia estrondos frequentes, alguns subterrâneos, que pareciam trovões, e alguns na superfície, que soavam como berros; o mar também se juntou ao rugido e o céu o ecoou novamente. [Cássio Dio 66.22.3]
  3. Então de repente um estrondo portentoso foi ouvido, como se as montanhas estivessem caindo em ruínas; [Cássio Dio 66.22.3]
  4. Primeiro grandes pedras foram atiradas para o alto, subindo até o cume, depois veio uma grande quantidade de fogo e fumaça sem fim, [Cássio Dio 66.22.4]
  5. Toda a atmosfera foi obscurecida e o sol totalmente escondido, como se eclipsado. [Cássio Dio 66.22.4]
  6. O grande tremor de terra já havia sido notado por muitos dias antes, o que não alarmava muito, pois esta era uma ocorrência bastante comum na Campânia. [Plínio LXVI]
  7. Mas foi tão violento naquela noite que não só sacudiu as casas, como derrubou tudo que havia nela sobre as pessoas. [Plínio LXVI]
  8. No dia seguinte, embora ainda fosse manhã, a luz ainda estava excessivamente fraca e duvidosa quando os edifícios ao redor cambalearam outra vez. [Plínio LXVI]
  9. Mesmo quem estava em terreno aberto, ou em lugar era estreito e confinado, não havia como permanecer sem perigo iminente: portanto, muitos decidiram deixar a cidade. [Plínio LXVI]
  10. Uma multidão em pânico seguiu e, como para uma mente perturbada pelo terror, toda sugestão parece mais prudente do que a sua, esta se pressionou em densa formação empurrando-se para frente para sair da cidade. [Plínio LXVI]
  11. Estando a uma distância conveniente das casas, ficaram todos parados em meio de uma cena mais perigosa e terrível. [Plínio LXVI]
  12. As carruagens, que eram puxadas, estavam tão agitadas para a frente e para trás que mesmo em terreno plano, não se mantinham firmes, mesmo que as sustentassem com grandes pedras. [Plínio LXVI]
  13. O mar parecia girar sobre si mesmo e ser expulso de suas margens pelo movimento convulsivo da terra; é certo que pelo menos a costa foi consideravelmente alargada, e vários animais marinhos foram deixados sobre ela. [Plínio LXVI]
  14. Do outro lado, uma nuvem negra e terrível, quebrada por clarões rápidos que iam e vinham, revelava atrás de si massas de chamas de formas variadas. [Plínio LXVI]
  15. Estas últimas eram como relâmpagos, mas muito maiores. Diante disso, muitos disseram: Quem deseja sobreviver, por que atrasar a fuga um só momento? Não voltem para buscar mais nada ou ninguém! [Plínio LXVI]
  16. A nuvem começou a descer e cobrir o mar. Já havia cercado e oculto a ilha de Capri e o promontório de Miseno. [Plínio LXVI]
  17. As mães imploravam e insistiam na fuga dos filhos, cuja juventude permitia que se movessem mais rápido, a ficar com elas que eram mais idosas e corpulentas, pois morreriam de bom grado se eles se salvassem. [Plínio LXVI]
  18. Os mais jovem se recusavam terminantemente a deixá-las; e segurando-as pela mão, as obrigavam a lhes acompanhar não sem a relutância e a censura delas. [Plínio LXVI]
  19. As cinzas começaram a cair sobre todos, inicialmente em pequena quantidade; mas aqueles que olhavam para trás enxergavam uma densa névoa escura que parecia os seguir, espalhando-se pelo país como as nuvens. [Plínio LXVI]
  20. Uns diziam: Vamos sair da estrada enquanto ainda podemos ver, por medo de que, se cairmos na estrada, seremos empurrados até a morte no escuro das multidões que lhes seguem. [Plínio LXVI]
  21. Mal tinham se sentado quando a escuridão caiu sobre eles, não como quando o céu está nublado ou quando não há lua, mas a de um quarto quando está fechado e todas as luzes apagadas. [Plínio LXVI]
  22. Era possível ouvir os gritos das mulheres, os gritos das crianças e os gritos dos homens; alguns chamando pelos filhos, outros pelos pais, outros pelos maridos. [Plínio LXVI]
  23. Procuravam se reconhecer pelas vozes que respondiam. Uns lamentavam seu próprio destino, outros o destino de sua família. [Plínio LXVI]
  24. Alguns desejavam morrer, pelo próprio medo de morrer. Outros levantavam as mãos para os seus deuses; mas a maior parte estava convencida de que agora estes deuses não mais existiam. [Plínio LXVI]
  25. Era noite interminável noite final da qual ouviram falar que havia chegado ao mundo. Entre estes havia alguns que aumentaram os terrores reais por outros imaginários ou inventados deliberadamente. [Plínio LXVI]
  26. Alguns declararam que uma parte de Míseno havia caído e que a outra estava em chamas; era falso, mas eles encontraram pessoas para acreditar neles. [Plínio LXVI]
  27. Agora ficava mais claro, que o novo clarão não era o retorno do dia como imaginavam ser. mas o precursor de uma explosão de chamas que se aproximava. [Plínio LXVI]
  28. O fogo caiu sobre os que fugiam. Em seguida os que sobreviviam novamente estavam imersos em escuridão densa e uma chuva pesada de cinzas choveu sobre eles. [Plínio LXVI]
  29. Estes eram obrigados a se levantar para se livrar das cinzas sobre o corpo, caso contrário, seriam esmagados e enterrados na pilha. [Plínio LXVI]
  30. O único consolo durante toda essa cena de horror para reter os suspiros ou as expressões de medo era a aparência de que toda a humanidade estava envolvida na mesma calamidade, e que estavam morrendo com o próprio mundo. [Plínio LXVI]
  31. A escuridão terrível foi dissipada aos poucos, como uma nuvem ou fumaça; o dia real voltou, e até o sol brilhou, embora com uma luz lúgubre, como quando se aproxima um eclipse. [Plínio LXVI]
  32. Cada objeto que se apresentava aos olhos fraquejados dos sobreviventes parecia mudado, coberto de cinzas como se fosse neve. [Plínio LXVI]
  33. O terremoto ainda continuou, enquanto muitas pessoas frenéticas corriam para cima e para baixo aumentando suas próprias calamidades e as de seus amigos por meio de previsões terríveis. [Plínio LXVI]
  34. Aqueles que a viram o fenômeno de longe descreveram como uma nuvem, de cuja montanha era incerta, a qualquer distância, mas se descobriu posteriormente que vinha do Monte Vesúvio. [Plínio LXV]
  35. Estava subindo, a aparência da qual não se pode dar uma descrição mais exata do que compará-la a um pinheiro árvore, pois atingiu uma grande altura na forma de um tronco muito alto. [Plínio LXV]
  36. E se espalhava no topo em uma espécie de galhos; ocasionada, ou por uma súbita rajada de ar que a impeliu, cuja força diminuiu à medida que avançou para cima, ou a própria nuvem, sendo pressionada de volta pelo seu próprio peso. [Plínio LXV]
  37. Aparentava cores ora claras e ora escuras com manchas conforme estava mais ou menos impregnado de terra e cinzas. [Plínio LXV]
  38. Sopros de enxofre dispersaram sobre a região e matou muitos que estavam próximo instantaneamente, sufocados por algum vapor grosseiro e nocivo, sobre as gargantas fracas, muitas vezes inflamadas. [Plínio LXV]
  39. Assim o dia se transformou em noite e a luz em trevas. [Cássio Dio 6.23.1]
  40. Alguns pensaram que os gigantes estavam se levantando novamente em revolta, [Cássio Dio 6.23.1]
  41. Pois nessa época também muitas de suas formas podiam ser discernidas na fumaça e  um som de trombeta foi ouvido. [Cássio Dio 6.23.1]
  42. Outros acreditavam que todo o universo estava sendo resolvido em caos ou fogo. [Cássio Dio 6.23.1]

III – Tito

  1. Quando o desastre do Vesúvio aconteceu, fugiram, uns das casas para as ruas, outros de fora para as casas, ora do mar à terra e ora da terra ao mar; [Cássio Dio 6.23.2]
  2. Pois em sua excitação eles consideravam qualquer lugar onde não estivessem mais seguros do que onde estavam. [Cássio Dio 6.23.2]
  3. Enquanto isso acontecia, uma quantidade inconcebível de cinzas foi soprada cobrindo o mar e a terra e enchendo todo o ar. [Cássio Dio 6.23.3]
  4. Ela causou muitos danos de vários tipos, conforme o acaso se abateu, para os homens, fazendas e gado, e em particular destruiu todos os peixes e pássaros. [Cássio Dio 6.23.3]
  5. Além disso, enterrou duas cidades inteiras, Herculano e Pompéia, esta última local enquanto sua população estava sentada no teatro. [Cássio Dio 6.23.3]
  6. De fato, a quantidade de poeira, tomadas todas juntas, foi tão grande que parte dela atingiu a África e a Síria e o Egito, e também atingiu Roma, enchendo o ar acima e escurecendo o sol. [Cássio Dio 6.23.3]
  7. Aí também se gerou não pouco medo, que durou vários dias, pois o povo não sabia e não podia imaginar o que tinha acontecido. [Cássio Dio 6.23.4]
  8. Mas, como os que estavam por perto, acreditaram que o mundo inteiro estava virando de cabeça para baixo, que o sol estava desaparecendo na terra e que a terra estava sendo elevada ao céu. [Cássio Dio 6.23.4]
  9. Essas cinzas, agora, não causaram grande dano aos romanos na época, embora mais tarde trouxessem uma terrível pestilência sobre eles. [Cássio Dio 6.23.4]
  10. No entanto, uma segunda conflagração, acima do solo, no ano seguinte espalhou-se por grandes áreas de Roma, [Cássio Dio 6.24.1]
  11. O imperador Tito estava ausente na Campânia para cuidar da catástrofe que se abatera sobre aquela região. [Cássio Dio 6.24.1]
  12. O desastre consumiu o templo de Serápis, o templo de Ísis, o Saepta, o templo de Netuno, as Termas de Agripa, o Panteão, o Diribitorium, o teatro de Balbo, o palco do teatro de Pompeu, os edifícios de Otaviano junto com seus livros, e o ​​templo de Júpiter Capitolino com seus templos circundantes. [Cássio Dio 6.24.2]
  13. Portanto, o desastre parecia não ser de origem humana, mas divina; [Cássio Dio 6.24.2]
  14. Qualquer um pode estimar, pela lista de edifícios citados, quantos outros devem ter sido destruídos. [Cássio Dio 6.24.3]
  15. Tito, consequentemente, enviou dois ex-cônsules aos Campanianos para supervisionar a restauração da região, [Cássio Dio 6.24.3]
  16. E concedeu aos habitantes não apenas presentes gerais em dinheiro, mas também a propriedade daqueles que perderam suas vidas e não deixaram herdeiros. [Cássio Dio 6.24.3]
  17. Quanto a si mesmo, ele não aceitou nada de nenhum cidadão, cidade ou rei, embora muitos continuassem oferecendo e prometendo grandes somas; [Cássio Dio 6.24.4]
  18. Ele restaurou todas as regiões danificadas de fundos já disponíveis. [Cássio Dio 6.24.4]
  19. A maior parte do que fez não se caracterizou por nada digno de nota, mas ao dedicar o teatro de caça e as termas que levam seu nome, ele produziu muitos espetáculos notáveis. [Cássio Dio 6.25.1]
  20. Ele encenou batalhas de infantaria; também entre grous e entre quatro elefantes. [Cássio Dio 6.25.1]
  21. Animais domesticados e selvagens foram mortos em número de nove mil. [Cássio Dio 6.25.1]
  22. Ele encheu este mesmo teatro com água; onde colocou cavalos, touros e outros animais domesticados que foram ensinados a se comportar na água. [Cássio Dio 6.25.2]
  23. Ele trouxe pessoas em navios, que travaram uma batalha naval. [Cássio Dio 6.25.3]
  24. Também houve exposição de gladiadores; caça aos animais selvagens; e corrida de cavalos. [Cássio Dio 6.25.4]
  25. Esses foram os jogos que foram oferecidos e continuaram por cem dias. [Cássio Dio 6.25.4]
  26. Ele jogava no teatro, do alto, pequenas bolas de madeira com inscrições variadas, que designavam algum artigo de comida, roupa, vasos de prata ou talvez de ouro; também cavalos, animais de carga, gado ou escravos. [Cássio Dio 6.25.5]
  27. Aqueles que os apreenderam deveriam levá-los aos distribuidores da generosidade de quem receberiam o artigo nomeado. [Cássio Dio 6.25.5]
  28. No dia seguinte, no consulado de Flávio e Pólio, após a dedicação dos edifícios mencionados, ele faleceu no mesmo bebedouro que fora palco da morte do pai. [Cássio Dio 6.26.1]
  29. O imperador não entendeu que os sofrimentos humanos não devem ser esquecidos por meio dos prazeres humanos.
  30. O relato comum é que Tito foi posto fora do caminho por seu irmão Domiciano, que conspirou contra ele. [Cássio Dio 6.26.2]
  31. Alguns escritores afirmam que ele morreu de morte natural, mas a tradição é que, enquanto ainda respirava, tinha chance de recuperação. [Cássio Dio 6.26.2]
  32. Mas Domiciano, para apressar seu fim, colocou-o numa banheira lotada de quantidade de neve, fingindo que a doença exigia. [Cássio Dio 6.26.2]
  33. De qualquer forma, Domiciano cavalgou para Roma enquanto Tito ainda estava vivo, entrou no acampamento e recebeu o título e a autoridade de imperador. [Cássio Dio 6.26.3]
  34. Tito, ao morrer, disse: “Só cometi um erro.”, [Cássio Dio 6.26.3]
  35. Ele quis dizer que seu erro foi que não matou seu irmão quando o encontrou conspirando abertamente contra ele. [Cássio Dio 6.26.4]
  36. Por isso, acabou sofrendo esse destino nas mãos de seu rival e entregou o império a um homem como Domiciano, cujo caráter ficaria claro nos anos seguintes. [Cássio Dio 6.26.4]
  37. Tito governou dois anos, dois meses e vinte dias. [Cássio Dio 6.26.4]

IV – Domiciano

  1. Os seguidores do Messias lembraram-se de suas palavras antes de sua morte iminente no lugar chamado Getsêmani onde prostrou-se com o rosto em terra e orou: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres”. [Mateus 26:39]
  2. Então, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. “Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora?” [Mateus 26:40]
  3. “Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”.  [Mateus 26:41]
  4. Ele retirou-se outra vez para orar: “Meu Pai, se não for possível afastar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade”.  [Mateus 26:42]
  5. Quando voltou, de novo os encontrou dormindo, porque seus olhos estavam pesados”. [Mateus 26:43]
  6. Então os deixou novamente e orou pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. [Mateus 26:44]
  7. Depois voltou aos discípulos e lhes disse: “Vocês ainda dormem e descansam? Chegou a hora! Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos de pecadores”. [Mateus 26:45]
  8. “Levantem-se e vamos! Aí vem aquele que me trai! [Mateus 26:46]
  9. Enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos Doze. Com ele estava uma grande multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes e líderes religiosos do povo. [Mateus 26:47]
  10. O traidor havia combinado um sinal com eles, dizendo-lhes: “Aquele a quem eu saudar com um beijo, é ele; prendam-no”. [Mateus 26:48]
  11. Dirigindo-se imediatamente a Jesus, Judas disse: “Salve, Mestre! “, e o beijou. [Mateus 26:49]
  12. Jesus perguntou: “Amigo, que é que o traz? ” Então os homens se aproximaram, agarraram Jesus e o prenderam.[Mateus 26:50]
  13. Um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou a espada e feriu o servo do sumo sacerdote, lhe decepando a orelha. [Mateus 26:51]
  14. Disse-lhe Jesus: “Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão. [Mateus 26:52]
  15. A devoção, o sacrifício e a misericórdia do Messias serviu de exemplo para os seus seguidores pelos anos de terrível perseguição que sofreriam com o novo imperador.
  16. Pois, no segundo ano do reinado de Tito César, o bispo Lino, que ocupou a cadeira do apóstolo Pedro em Roma por doze anos, entregou seu ofício a Anencleto antes de Tito ser sucedido por seu irmão Domiciano. [Eusébio 3.13]
  17. No décimo segundo ano do reinado de Domiciano, Clemente sucedeu a Anencleto após este ter sido bispo da Igreja de Roma também por doze anos. [Eusébio 3.15]
  18. O apóstolo Paulo em sua epístola aos filipenses informa que Clemente era um dos seus companheiros de trabalho. [Eusébio 3.15]
  19. Existe uma epístola deste Clemente que é reconhecida como genuína e é de considerável extensão e de notável mérito. Ele a escreveu em nome da igreja de Roma para a igreja de Corinto. [Eusébio 3.16]
  20. Esta epístola também foi usada publicamente em muitas igrejas, tanto nos tempos antigos como nos atuais, onde uma revolta aconteceu na igreja de Corinto na época referida. [Eusébio 3.16]
  21. Durante seu reinado, o Domiciano César mostrou grande crueldade para com muitos e condenou injustamente à morte um grande número de homens bem-nascidos e notáveis de Roma. [Eusébio 3.17]
  22. Ele exilou sem causa e confiscou a propriedade de muitos outros homens ilustres, finalmente se tornando o sucessor de Nero no seu ódio e inimizade para com Deus. [Eusébio 3.17]

IV – Clemente

  1. Ele foi o segundo imperador que perseguiu os discípulos do Messias. Foi diferente do seu pai Vespasiano e seu irmão Tito que não fez nada que os prejudicasse. [Eusébio 3.17]
  2. Durante esta perseguição, o apóstolo e evangelista João, que ainda estava vivo, foi condenado a habitar na ilha de Patmos por causa de seu testemunho da palavra divina. [Eusébio 3.18]
  3. A tal ponto, de fato, o ensino da fé no Messias floresceu naquela época que mesmo os escritores que estavam longe dessa religião não hesitaram em mencionar a perseguição e os martírios que aconteceram nela. [Eusébio 3.18]
  4. No décimo quinto ano de Domiciano, Flávia Domitila, a sobrinha de um dos cônsules de Roma chamado Flávio Clemente, foi exilada com muitos outros para a ilha de Pôntica em consequência de testemunho prestado em nome do Messias. [Eusébio 3.18]
  5. Quando este mesmo Domiciano ordenou que os descendentes de Davi fossem mortos, os pagãos acusaram os descendentes do irmão do Messias chamado Judas, alegando que eram da linhagem de Davi e parentes do próprio Messias.  [Eusébio 3.19]
  6. Da família do Messias ainda viviam dois netos do seu  irmão Judas segundo a carne. Foi dada informação de que eles pertenciam à família de Davi, e foram levados ao Imperador Domiciano pelos Evocatos. [Eusébio 3.20]
  7. Domiciano temia a vinda de Cristo como Herodes também a temia; e perguntou-lhes se eram descendentes de Davi, e eles confessaram que eram. Em seguida, perguntou-lhes quantos bens possuíam, ou quanto dinheiro eles possuíam. [Eusébio 3.20]
  8. Ambos responderam que tinham apenas nove mil denários, metade dos quais pertenciam a cada um deles; e esta propriedade não consistia em prata, mas em um pedaço de terra que continha apenas trinta e nove acres, e de que eles aumentaram seus impostos e se sustentaram com seu próprio trabalho.” [Eusébio 3.20]
  9. Então, eles mostraram suas mãos, exibindo a dureza de seus corpos e a insensibilidade produzida em suas mãos pelo trabalho contínuo, como evidência de seu próprio trabalho. [Eusébio 3.20]
  10. Quando eles foram questionados sobre Cristo e seu reino, de que tipo era, onde e quando deveria aparecer, eles responderam que não era um reino temporal nem terreno. [Eusébio 3.20]
  11. Era um reino celestial e angelical, que apareceria no fim dos tempos, quando ele virá em glória para julgar os vivos e os mortos, e dar a cada um segundo as suas obras. [Eusébio 3.20]
  12. Ao ouvir isso, Domiciano não os julgou, mas, desprezando-os por nada, deixou-os ir e, por decreto, pôs fim à perseguição à Igreja. [Eusébio 3.20]
  13. Mas quando foram libertados, eles governaram as igrejas porque eram testemunhas e também parentes do Senhor. E a paz sendo estabelecida, eles viveram até a época do imperador Trajano. [Eusébio 3.20]
  14. Domiciano realmente possuía uma parte da crueldade de Nero, fazendo a mesma coisa que este fez, mas logo cessou, e até mesmo absolveu daqueles a quem ele havia banido. [Eusébio 3.20]
  15. As perseguições foram assim interrompidas por quinze anos enquanto durou o reinado de Domiciano, mas o imperador Nerva que o sucedeu votou que os benefícios de Domiciano fossem anulados. [Eusébio 3.20]
  16. Neste tempo de trégua, aqueles que haviam sido injustamente banidos deveriam retornar para suas casas e ter seus bens restaurados a eles. [Eusébio 3.20]
  17. Foi nessa época que o apóstolo João voltou de seu exílio na ilha de Patmos e passou a morar em Éfeso. [Eusébio 3.20]
  18. O retorno das perseguições, no entanto, levaram ao martírio do Bispo Clemente de Roma, que era o terceiro a suceder o apóstolo Pedro após os episcopado de Lino e Anencleto. [Tradição]
  19. O novo imperador Trajano ouviu falar de Clemente e ordenou que fosse apreendido e levado diante dele. Em seguida, ordenou que ele adorasse os ídolos e negasse o Senhor Cristo, mas Clemente recusou. [Tradição]
  20. Como o Imperador temia torturá-lo diante do povo da cidade e de sua família, ele o exilou aos trabalhos forçados nas minas de cobre de Galípoli. [Tradição]
  21. Clemente ainda converteu muitos presos com quem conviveu no exílio e por isso o governador da região amarrou seu pescoço a uma âncora e o lançou ao mar. [Tradição]
  22. Assim, o santo entregou seu espírito puro e recebeu a coroa do martírio. [Tradição]

V – Trajano

  1. No terceiro ano do reinado do imperador Trajano, antes de morrer, Clemente confiou o governo episcopal da igreja de Roma a Evaresto, e partiu desta vida após ter supervisionado o ensino da palavra divina por nove anos ao todo. [Eusébio 3.34]
  2. Ele ocupou o cargo por oito anos até ser sucedido por Alexandre que se tornou o quinto na linha de sucessão dos apóstolos Pedro e Paulo. [Eusébio 4.1]
  3. No entanto, as perseguições continuaram por todo o império Romano durante o governo de muitos dos césares que se seguiram.
  4. Em correspondência, o governador Plínio da Bitínia trata da questão religiosa com o imperador Trajano quando as religiões oficiais romanas estavam praticamente abandonadas em sua província por causa na crença do Messias que se expandira enormemente.
  5. Ele escreveu ao imperador: “Senhor, tenho por praxe, submeter-te todos os assuntos sobre os quais tenho dúvidas, pois quem melhor poderia orientar-me em minhas incertezas ou me instruir na minha ignorância? [Plínio]
  6. Nunca participei de inquéritos contra os cristãos. Assim, ignoro, pois, as penalidades e instruções costumeiras, e em que medidas devem ser aplicadas penas ou investigações judiciárias. [Plínio]
  7. Estou diante de algumas questões, não sem perplexidade: deve-se considerar algo com relação à idade, ou as crianças devem ser tratada da mesma forma que os adultos? Cabe o mesmo tratamento aos enfermos e aos saudáveis? [Plínio]
  8. Deve-se perdoar o que se retrata ou, se um homem uma vez tenha sido Cristão, nada de bom faz ele para deixar de ser um? [Plínio]
  9. É punido simplesmente por ser um “cristão”, mesmo sem crimes, ou apenas os delitos associados ao nome devem ser punidos? [Plínio]
  10. Esta foi a regra que eu segui diante dos que me foram deferidos como cristãos: eu interroguei estes como se eles fossem Cristãos. Aqueles que confessaram eu interroguei uma segunda e uma terceira vez, ameaçando-os com o suplicio. [Plínio]
  11. Aqueles que persistiram eu ordenei executá-los pois eu não tinha dúvida de que, independentemente da natureza do seu credo, a teimosia e a obstinação inflexível deveriam ser punidas. [Plínio]
  12. Outros, possuídos da mesma loucura, mas sendo eles cidadãos romanos, eu assinei uma ordem para que fossem colocados no rol dos que devem ser enviados a Roma. [Plínio]
  13. Bem cedo, como geralmente acontece em casos semelhantes, espalharam-se acusações, de modo que meu tribunal está inundado com uma grande variedade de casos, por causa dos procedimentos em curso.
  14. Recebi uma denúncia anônima, contendo grande número de nomes. [Plínio]
  15. Aqueles que negaram que foram ou haviam sido Cristãos, se invocassem os deuses segundo a fórmula que havia estabelecido, se fizessem sacrifícios para a tua imagem e se amaldiçoassem ao Cristo, estes achei melhor libertá-los. [Plínio]
  16. Outros, cujos nomes haviam sido fornecidos por um denunciante, disseram ser cristãos e depois o negaram: haviam sido e depois deixaram de serem, alguns a cerca de três anos antes, outros tanto quanto vinte e cinco anos. [Plínio]
  17. Todos veneraram a tua imagem e as estátuas dos deuses, amaldiçoando a Cristo. [Plínio]
  18. Eles alegaram, contudo, que a soma e substância de seu crime não passava do costume de se encontrarem em um dia fixo antes do amanhecer. [Plínio]
  19. Eles cantavam um hino a Cristo como a um deus e se comprometiam por juramento a não perpetuar qualquer crime, roubos, latrocínios e adultérios; a não faltar com a palavra dada; e não negar um depósito exigido na justiça. [Plínio]
  20. Findos estes ritos, tinham o costume de se separarem e de se reunirem novamente para uma refeição este, aliás, era um alimento comum e inofensivo, sendo que tinham renunciado a esta prática após a publicação de um edito que promulguei, segundo as tuas ordens, que se proibia as associações secretas.
  21. Então achei necessário arrancar a verdade, por meio da tortura, de duas escravas que eram chamadas diaconisas.  [Plínio]
  22. Assim, julguei necessário para descobrir qual era a verdade sob tortura destas duas escravas que eram chamadas de diaconisas. Mas descobri nada mais que uma superstição irracional e sem medida. [Plínio]
  23. Por isso, suspendi o inquérito para recorrer ao teu conselho. O assunto pareceu-me digno de merecer tua opinião, especialmente por causa do grande número de acusados. [Plínio]
  24. Há uma multidão de todas as idades, de todas as condições e de ambos os sexos, que estão ou estarão em perigo, pois o contágio desta superstição se espalhou não só nas cidades mas também nas vilas e fazendas. [Plínio]
  25. Contudo creio ser possível contê-la e exterminá-la. [Plínio]
  26. É bem claro que os templos, que estavam quase desertos, até a pouco, começam a ser novamente frequentados. [Plínio]
  27. Os ritos religiosos estabelecidos, que haviam sido interrompidos há muito tempo, estão sendo retomados, e que animais para o sacrifício voltam a serem vendidos e estão chegando de todos os lugares, que até então havia muitos poucos compradores. [Plínio]
  28. Por isso é fácil concluir que uma multidão de pessoas pode ser reformada se for aceito o arrependimento delas.” [Plínio]
  29. O imperador respondeu ao questionamento do governador da Bitínia da seguinte forma: “Você observou o procedimento adequado, meu querido Plínio, nos casos daqueles que lhe foram denunciados como Cristãos. [Plínio]
  30. Não cabe formular regra dura e inflexível, de aplicação universal. Eles não devem ser procurados; mas se são denunciados e provada a sua culpa, eles devem ser punidos, com esta restrição de negar sua religião e mediante a adoração dos deuses. [Plínio]
  31. Caso demonstre não o ser atualmente, ainda que esteve sob suspeita no passado, deve ser perdoado em recompensa de sua emenda. [Plínio]
  32. As acusações postas anonimamente não devem ter lugar em qualquer prossecução por ser um tipo perigoso de precedente e fora de sintonia com o espírito de nossos tempos.” [Plínio]

VI – Adriano e Bar Kokhbar

  1. Apesar da perseguição dos imperadores que se seguiu, a Igreja do Salvador floresceu e progrediu dia a dia.
  2. No entanto, as calamidades aos judeus aumentaram e eles sofreram uma sucessão constante de males. [Eusébio 4:2]
  3. No décimo oitavo ano do reinado de Trajano, houve outra perturbação dos judeus, através da qual uma grande multidão deles morreu. [Eusébio 4:2]
  4. Pois em Alexandria e no resto do Egito, e também em Cirene, como se incitados por algum espírito terrível e faccioso, precipitaram-se em medidas sediciosas contra seus conterrâneos gregos. [Eusébio 4:2]
  5. A insurreição aumentou muito e, no ano seguinte, enquanto Lúpus era governador de todo o Egito, evoluiu para uma guerra de magnitude não média. [Eusébio 4:2]
  6. No primeiro ataque, eles venceram os gregos, que fugiram para Alexandria. Aprisionaram e mataram os judeus que estavam na cidade. [Eusébio 4:2]
  7. Mas os judeus de Cirene, embora privados de sua ajuda, continuaram a saquear a terra do Egito e a devastar seus distritos, sob a liderança de Lucuas. [Eusébio 4:2]
  8. Contra eles, o imperador enviou Marcius Turbo com uma força de pé e naval e também com uma força de cavalaria. [Eusébio 4:2]
  9. Ele travou a guerra contra eles por muito tempo e travou muitas batalhas, e matou muitos milhares de judeus, não apenas dos de Cirene, mas também daqueles que moravam no Egito e tinham vindo em auxílio de seu rei Lucuas. [Eusébio 4:2]
  10. Mas o imperador, temendo que os judeus da Mesopotâmia também atacassem os habitantes daquele país, ordenou a Lúcio Quinto que limpasse a província deles. [Eusébio 4:2]
  11. E ele, tendo marchado contra eles, matou uma grande multidão dos que moravam ali; e em conseqüência de seu sucesso foi feito governador da Judéia pelo imperador. [Eusébio 4:2]
  12. Esses eventos são registrados também nessas mesmas palavras pelos historiadores gregos que escreveram relatos daquela época. [Eusébio 4:2]
  13. Outra guerra ainda pior ocorreu nos tempos do novo imperador Adriano César, que sucedeu o anterior que governou por dezoito anos.
  14. Aconteceu que, em Jerusalém, Adriano César fundou uma cidade no lugar daquela que havia sido arrasada, batizando-a de Aelia Capitolina, e no local do templo de Deus, ele ergueu um novo templo para Júpiter. [Cassius Dio 69.12.1]
  15. Isso trouxe uma guerra sem importância nem de curta duração. [Cassius Dio 69.12.1]
  16. Os judeus consideraram intolerável que raças estrangeiras se estabelecessem em sua cidade sagrada e rituais religiosos estrangeiros fossem plantados lá. [Cassius Dio 69.12.2]
  17. Assim, enquanto Adriano César esteve por perto no Egito e novamente na Síria, eles permaneceram quietos. [Cassius Dio 69.12.2]
  18. No entanto, eles propositadamente forjavam armas de baixa qualidade quando obrigados a fazê-lo, a fim de que os romanos pudessem rejeitá-las e eles próprios podem assim ter o uso deles. [Cassius Dio 69.12.2]
  19. Enfim, quando Adriano partiu para mais longe, eles se revoltaram abertamente. [Cassius Dio 69.12.2]
  20. Os judeus sediciosos não ousaram confrontar os romanos em campo aberto, mas ocuparam posições vantajosas no país e as fortaleceram com tuneis subterrâneos e muros. [Cassius Dio 69.12.3]
  21. Eles se refugiavam sempre nesses locais sempre que fortemente pressionados e se escondiam assim sob a terra; pois perfuraram essas passagens subterrâneas em intervalos para deixar entrar ar e luz. [Cassius Dio 69.12.3]
  22. No início, os romanos não os levaram em conta. Logo, porém, toda a Judeia foi agitada, e os judeus em todos os lugares estavam mostrando sinais de perturbação. [Cassius Dio 69.13.1]
  23. Eles se reuniam e davam provas de grande hostilidade aos romanos, em parte por meio de atos secretos e em parte por atos abertos. [Cassius Dio 69.13.1]
  24. Muitas nações de fora, também, estavam se juntando a eles pela ânsia de ganho, e toda a terra, quase se poderia dizer, estava sendo agitada sobre o assunto. [Cassius Dio 69.13.2]
  25. Então, de fato, Adriano enviou contra eles seus melhores generais. O primeiro deles foi Júlio Severo, que foi enviado da Grã-Bretanha, onde era governador, contra os judeus. [Cassius Dio 69.13.2]
  26. O general Severo não se aventurou a atacar seus oponentes abertamente em qualquer ponto, em vista de sua quantidade e seu desespero, mas interceptava pequenos grupos, graças ao número de seus soldados e seus suboficiais. [Cassius Dio 69.13.3]
  27. Privando-os de comida e fechando-os, ele foi capaz, de forma lenta, mas com relativo pouco perigo, de esmagá-los, exauri-los e exterminá-los. Muito poucos deles de fato sobreviveram. [Cassius Dio 69.13.3]
  28. Cinquenta de seus postos avançados mais importantes e novecentos e oitenta e cinco de suas aldeias mais famosas foram arrasados. [Cassius Dio 69.14.1]
  29. Quinhentos e oitenta mil homens foram mortos em vários ataques e batalhas, e o número daqueles que pereceram de fome, doença e fogo estava além de ser descoberto. [Cassius Dio 69.14.1]
  30. Assim, quase toda a Judeia ficou desolada, um resultado do qual o povo tinha prevenido antes da guerra.[Cassius Dio 69.14.2]
  31. O túmulo de Salomão, que os judeus consideram um objeto de veneração, caiu em pedaços e desabou, e muitos lobos e hienas precipitaram-se uivando para suas cidades. [Cassius Dio 69.14.2]
  32. Muitos romanos, além disso, pereceram nesta guerra. Portanto, Adriano, ao escrever ao Senado, não empregou a frase inicial comumente afetada pelos imperadores: “Se você e seus filhos estão com saúde, está bem; eu e as legiões estamos com saúde.” [Cassius Dio 69.14.3]

VII – Martírios

  1. Houveram evangelistas que eminentes nesta época.  Entre os que foram celebrados naquela época estava Quadrato. Era conhecido junto com as filhas de Filipe por seus dons proféticos. [Eusébio 3.37]
  2. Havia muitos outros além destes que eram conhecidos naqueles dias e que ocuparam o primeiro lugar entre os sucessores dos apóstolos. [Eusébio 3.37]
  3. Eles também, sendo discípulos ilustres de tais grandes homens, construíram os alicerces das igrejas que haviam sido lançadas pelos apóstolos em todos os lugares. [Eusébio 3.37]
  4. Pregaram o Evangelho cada vez mais amplamente e espalharam as sementes salvadoras do reino dos céus longe e perto em todo o mundo.
  5. A maior parte dos discípulos daquela época, animados pela palavra divina com um amor mais ardente pela filosofia, já haviam cumprido a ordem do Salvador e distribuído seus bens aos necessitados. [Eusébio 3.37]
  6. Depois, partindo para longas viagens, desempenhavam o papel de evangelistas, estando cheios do desejo de pregar Cristo aos que ainda não tinham ouvido a palavra da fé e de lhes entregar os Evangelhos divinos. [Eusébio 3.37]
  7. E quando eles apenas lançaram os fundamentos da fé em lugares estrangeiros, eles nomearam outros como pastores. [Eusébio 3.37]
  8. Confiaram-lhes o cuidado daqueles que haviam sido recentemente trazidos, enquanto eles próprios voltavam para outros países e nações, com o graça e a cooperação de Deus. [Eusébio 3.37]
  9. Muitas obras maravilhosas foram realizadas por meio deles, pelo poder do Espírito divino. [Eusébio 3.37]
  10. Ao ouvirem pela primeira vez, multidões inteiras de homens abraçaram avidamente a religião do Criador do universo. [Eusébio 3.37]
  11. Mas, uma vez que é impossível para enumerar os nomes de todos os que se tornaram pastores ou evangelistas nas igrejas em todo o mundo na era imediatamente posterior aos apóstolos.
  12. A perseguição contra a fé cristão continuou, mas todos seguiram os ensinamentos do Messias no que ficou para posteridade conhecido como o Sermão do Monte.
  13. O mestre disse: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. [Mateus 5:38-39]
  14. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. [Mateus 5:40]
  15. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. [Mateus 5:41]
  16. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado”. [Mateus 5:42]
  17. “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’, mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. [Mateus 5:43-44]
  18. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. [Mateus 5:45]
  19. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! [Mateus 5:46-47]
  20. Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês”.  [Mateus 5:48]
  21. Em Jerusalém, uma perseguição foi incitada contra os seguidores do Messias em certas cidades em consequência do levante popular entre os judeus. [Eusébio 3.32]
  22. Simão, segundo bispo de Jerusalém, que sucedeu Tiago, o irmão do Senhor, foi acusado por eles nessa época. Ele manteve os ensinamentos do Messias. [Eusébio 3.32]
  23. Uma vez que estava claro que ele era um cristão, ele foi torturado de várias maneiras por muitos dias e surpreendeu até o próprio juiz e seus assistentes no mais alto grau. [Eusébio 3.32]
  24. Simeão fora um daqueles que viram e ouviram o Senhor, a julgar pela extensão de sua vida e pelo fato de que o Evangelho faz menção a Maria, a esposa de Clopas, que era o pai de Simeão. [Eusébio 3.32]
  25. A igreja até então havia permanecido uma virgem pura e não corrompida, pois, se houvesse quem tentasse corromper a norma sã da pregação de salvação, eles permaneceriam até então escondida em trevas obscuras. [Eusébio 3.32]
  26. Mas quando o sagrado colégio dos apóstolos sofreu a morte de várias formas, e a geração daqueles que foram considerados dignos de ouvir a sabedoria inspirada com seus próprios ouvidos morreu. [Eusébio 3.32]
  27. Então o erro dos ímpios teve seu surgimento como resultado da loucura dos mestres heréticos, porque nenhum dos apóstolos ainda vivia, as heresias se propagaram. [Eusébio 3.32]
  28. Escreveu-se também a respeito dos mártires e do bem-aventurado Policarpo, que fez a perseguição cessar, selando-a com seu martírio. [Policarpo 1.1]
  29. Quase todos os acontecimentos se realizaram para que o Senhor nos mostrasse novamente um martírio segundo o Evangelho. [Policarpo 1.1]
  30. De fato, como o Senhor, ele esperou ser libertado, para que também nós nos tornássemos seus imitadores, não olhando só para nós, mas também para o próximo. [Policarpo 1.2]
  31. É próprio do amor verdadeiro e firme querer salvar não só a si mesmo, mas também a todos os irmãos. [Policarpo 1.2]
  32. Felizes e generosos todos os mártires que surgem segundo a vontade de Deus. De fato, é necessário que tenhamos fé, para atribuir a Deus o poder sobre todas as coisas. [Policarpo 2.1]
  33. Quem não admiraria a generosidade deles, a perseverança e o amor ao Senhor? [Policarpo 2.2]
  34. Dilacerados pelos flagelos a ponto de ser ver a constituição do corpo até as veias e artérias, permaneciam firmes, enquanto os presentes choravam de compaixão. [Policarpo 2.2]
  35. A sua coragem chegou a tal ponto que nenhum deles disse uma palavra ou emitiu um gemido. Eles mortravam em seus corpos, mas que o Senhor, aí presente, conservava com eles. [Policarpo 2.2]
  36. Atentos à graça de Cristo, eles desprezavam as torturas deste mundo e adquiriram, em uma hora, a vida eterna. O fogo dos torturadores desumanos era frio para eles. [Policarpo 2.3]
  37. De fato, tinham diante dos olhos escapar do fogo eterno, que jamais se extingue; com os olhos do coração olhavam os bens reservados à perseverança, [Policarpo 2.3]
  38. Era, bens que o ouvido não ouviu, nem o olho viu, nem o coração do homem sonhou, mostrados pelo Senhor àqueles que não que não eram mais homens, mas que já eram anjos. [Policarpo 2.3]
  39. Do mesmo modo, os que foram entregues às feras suportaram suplícios terríveis. [Policarpo 2.4]
  40. Estendidos sobre conchas, eram submetidos a todo tipo de tormentos, para que fossem induzidos a renegar, se possível, por meio do suplício contínuo. [Policarpo 2.4]

VIII – Prisão de Policarpo

  1. O diabo maquinava muitas coisas contra eles; graças a Deus, porém, não prevaleceu contra nenhum deles. [Policarpo 3.1]
  2. O generoso governador Germânico fortalecia a timidez deles através de sua perseverança. Ele foi admirável na luta contra as feras. O procônsul queria que ele cedesse e lhe dizia que tivesse piedade de sua própria juventude. [Policarpo 3.1]
  3. Ele, porém, atiçando a fera, a chamava para si, desejando estar quanto antes livre desta vida injusta e iníqua. [Policarpo 3.1]
  4. Então, a multidão toda, admirada diante da coragem da piedosa e crente geração dos cristãos, gritou: “Abaixo os ateus! Trazei Policarpo.” [Policarpo 3.2]
  5. Um dentre eles, chamado Quinto, frígio recentemente vindo da Frígia, ficou apavorado à vista das feras. Era ele que havia forçado a si mesmo e a outros e a comparecerem ao tribunal. [Policarpo 4.1]
  6. O procônsul, através de muita insistência, conseguiu persuadi-lo a jurar e sacrificar. Por isso, irmãos, não louvamos aqueles que se apresentam espontaneamente, pois não é isso que o Evangelho ensina. [Policarpo 4.1]
  7. Quanto a Policarpo, ele inicialmente não se perturbou ao ouvir isso, mas quis permanecer na cidade. A maioria, porém, o persuadiu a se afastar. [Policarpo 5.1]
  8. Então ele se refugiou numa propriedade pequena, não longe da cidade, e passou o tempo com poucos companheiros. [Policarpo 5.1]
  9. Noite e dia, ele não fazia senão rezar por todos e por todas as igrejas do mundo, como era seu costume. [Policarpo 5.1]
  10. Rezando, ele teve uma visão, três dias antes de o prenderem: viu seu travesseiro queimado pelo fogo. Voltando-se para os seus companheiros, disse: “Devo ser queimado vivo!” [Policarpo 5.2]
  11. Como persistiam em procurá-lo, transferiu-se para outra pequena propriedade, e logo chamaram os que o procuravam. [Policarpo 6.1]
  12. Não o encontrando, prenderam dois pequenos escravos, e um deles torturado confessou. Era-lhe, de fato, impossível permanecer escondido, porque até mesmo os de sua casa o traíram. [Policarpo 6.1]
  13. O chefe da polícia, que tinha recebido o nome de Herodes, tinha pressa em levá-lo para o estádio, a fim de que Policarpo realizasse o seu destino, entrando em comunhão com Cristo, enquanto aqueles que o tinham estregue recebessem o castigo do próprio Judas. [Policarpo 6.1]
  14. Numa sexta-feira, pela honra da ceia, guardas e cavaleiros, armados como de costume, tomaram consigo o escravo e partiram, como se estivessem perseguindo um bandido. [Policarpo 7.1]
  15. Chegando pela noite, encontraram-no deitado num pequeno quarto do piso superior. Ele podia ainda fugir daí para outro lugar, mas não quis, e disse: “Seja feita a vontade de Deus”. [Policarpo 7.1]
  16. Ouvindo que tinham chegado, Policarpo desceu e conversou com eles, que ficaram espantados com a sua idade venerada, com a sua calma, e com tanta preocupação por capturar um homem tão velho. [Policarpo 7.2]
  17. Ele imediatamente mandou que lhes dessem de comer e beber à vontade, e pediu que lhe concedessem uma hora para rezar tranquilamente. E lhe concederam. [Policarpo 7.2]
  18. Então ele, de pé, começou a rezar, tão repleto da graça de Deus, que por duas horas ninguém pôde interrompê-lo. Os que ouviam ficaram espantados, e muitos se arrependeram de ter vindo prender um velho tão santo. [Policarpo 7.3]
  19. Quando por fim terminou de rezar, lembrou-se de todos aqueles que tinha conhecido, pequenos e grandes, ilustres e obscuros, e de toda a Igreja Católica espalhada por toda a terra. [Policarpo 8.1]
  20. Chegando a hora de partir, fizeram-no montra sobre um jumento e o levaram para a cidade. Era o dia do grande sábado. [Policarpo 8.1]
  21. Herodes, o chefe da polícia, e seu pai Nicetas foram até ele. Fizeram-no subir ao seu carro e, sentando-se ao seu lado, procuravam persuadi-lo, dizendo: “Que mal há em dizer que César é o Senhor, oferecer sacrifícios e fazer tudo o mais para salvar-se?” [Policarpo 8.2]
  22. De início, ele nada respondeu. Como insistissem, ele falou: “Não farei o que vós estais me aconselhando.” [Policarpo 8.2]
  23. Não conseguindo persuadi-lo, lançaram-no todo tipo de injúrias, e o fizeram descer do carro tão apressadamente que ele se feriu na parta da frente da perna. [Policarpo 8.3]
  24. Sem se voltar, como se nada houvesse acontecido, ele caminhou alegremente em direção ao estádio. Aí o tumulto era tão grande que ninguém conseguia escutar ninguém. [Policarpo 8.3]
  25. Quando Policarpo entrou no estádio, veio do céu uma voz, dizendo: “Sê forte, Policarpo! Sê homem!” Ninguém viu quem tinha falado, mas alguns dos nossos que estavam presentes ouviram a voz. [Policarpo 9.1]
  26. Finalmente o fizeram entrar e, quando souberam que Policarpo fora preso, levantou-se grande tumulto. [Policarpo 9.1]
  27. Levado até o procônsul, este lhe perguntou se ele era Policarpo. Respondeu que sim. E o procônsul procurava fazê-lo renegar, dizendo: “Pensa na tua idade”, e tudo o mais que se costumava dizer, como: “Jura pela fortuna de César! Muda teu modo de pensar e dize: ‘Abaixo os ateus!’” [Policarpo 9.2]
  28. Policarpo, contudo, olhava severamente toda a multidão de pagãos cruéis no estádio, fez um gesto para ela com a mão suspirou, elevou os olhos e disse: “Abaixo os ateus!” [Policarpo 9.2]
  29. O chefe da polícia insistia: “Jura, e eu te liberto. Amaldiçoa o Cristo!”
  30. Policarpo respondeu: “Eu o sirvo há oitenta e seis anos, e ele não me fez nenhum mal. Como poderia blasfemar o meu rei que me salvou?” [Policarpo 9.3]
  31. Ele continuava a insistir, dizendo: “Jura pela fortuna de César!” [Policarpo 10.1]
  32. Policarpo respondeu: “Se tu pensas que vou jurar pela fortuna de César, como dizes, e finges ignorar quem sou eu, escuta claramente: eu sou cristão. Se queres aprender a doutrina doa cristianismo, concede-me um dia e escuta.” [Policarpo 10.1]
  33. O procônsul respondeu: “Convence o povo!”, mas Policarpo replicou: “A ti eu considero digno de escutar a explicação. [Policarpo 10.2]
  34. Com efeito, aprendemos a tratar as autoridades e os poderes estabelecidos por Deus com o respeito devido, contanto que isso não nos prejudique. Quanto a esses outros, eu não os considero dignos, para me defender diante deles.” [Policarpo 10.2]
  35. O procônsul disse: “Eu tenho feras, e te entregarei a elas, se não mudares de ideia.” [Policarpo 11.1]
  36. Ele disse: “Pode chamá-las. Para nós, é impossível mudar de ideia, a fim de passar do melhor para o pior; mas é bom mudar, para passar do mal à justiça.” [Policarpo 11.1]
  37. O procônsul insistiu: “Já que desprezas as feras, eu te farei queimar no fogo, se não mudares de ideia.”  [Policarpo 11.2]
  38. Policarpo respondeu-lhe: “Tu me ameaças com um fogo que queima por um momento, e pouco depois se apaga, porque ignoras o fogo do julgamento futuro e do suplício eterno, reservado para os ímpios. Mas por que tardar? Vai e faze o queres.” [Policarpo 11.2]
  39. Dizendo isso e tantas outras coisas, ele permanecia cheio de força e alegria, e seu rosto estava repleto de graça. [Policarpo 12.1]
  40. Ele não só não se deixou abater pelas ameaças que lhe eram dirigidas, mas o próprio procônsul ficou estupefato e mandou seu arauto ao meio do estádio, para anunciar três vezes: “Policarpo se declarou cristão!” [Policarpo 12.1]

IX – Morte de Policarpo

  1. Toda a multidão de pagão e judeus moradores de Esmirna, com furor incontido, começou a gritar: “Eis Policarpo, o mestre da Ásia, o pai dos cristãos, o destruidor de nosso deuses! É ele que ensina muita gente a não sacrificar e a não adorar.” [Policarpo 12.2]
  2. Dizendo isso, gritavam e pediam aos asiarca Filipe que lançasse um leão contra Policarpo. Este respondeu que não lhe era lícito, pois os combates de feras já haviam terminado. [Policarpo 12.2]
  3. Então unânimes se puseram a gritar que Policarpo fosse queimado vivo. Devia cumprir a visão que lhe fora mostrada: enquanto rezava, ele tinha visto o travesseiro pegando fogo. [Policarpo 13.1]
  4. Ele dissera profeticamente aos fiéis que estavam com ele: “Devo ser queimado vivo.” Então as coisas caminharam rapidamente, mais depressa do que dizê-las. [Policarpo 13.1]
  5. Imediatamente a multidão começou a recolher lenha e feixes tirados das oficinas e termas. Sobretudo os judeus se deram a isso com mais zelo, segundo o costume deles. [Policarpo 13.1]
  6. Quando a pira ficou pronta, o próprio Policarpo se despiu, desamarrou o cinto, e ele mesmo tirou o calçado. [Policarpo 13.2]
  7. Ele nunca fizera isso antes, porque sempre cada um dos fiéis se apressava a ser o primeiro a tocar-lhe o corpo; mesmo antes do martírio, ele já fora constantemente venerado pela sua santidade de vida. [Policarpo 13.2]
  8. Imediatamente colocaram em torno dele o material preparado para a pira. [Policarpo 13.3]
  9. Como queriam pregá-lo, ele disse: “Deixai-me assim. Aquele que me concede força para suportar o fogo, dar-me-á força para permanecer imóvel na fogueira, também sem proteção de vosso pregos.” [Policarpo 13.3]
  10. Então não pregaram Policarpo na pira, mas o amarraram com suas mãos amarradas atrás das costas, ele parecia um cordeiro escolhido de grande rebanho para o sacrifício, holocausto agradável preparado para Deus. [Policarpo 14.1]
  11. Erguendo os olhos ao céu, disse: “Senhor, Deus todo-poderoso, Pai de teu Filho amado e bendito, Jesus Cristo, pelo qual recebemos o conhecimento do teu nome, Deus dos anjos, dos poderes de toda criação, e de toda geração de justos que vivem na tua presença! [Policarpo 14.1]
  12. Eu te bendigo por me teres julgado digno deste dia e desta hora, de tomar parte entre os mártires, e do cálice de teu Cristo, para a ressurreição da vida eterna da alma e do corpo, na incorruptibilidade do Espírito Santo. [Policarpo 14.2]
  13. Com eles, possa eu hoje ser admitido à tua presença como sacrifício gordo e agradável, como tu preparaste e manifestaste de antemão, e como realizaste, ó Deus sem mentira e veraz. [Policarpo 14.2]
  14. Por isso e por todas as outras coisas, eu te louvo, te bendigo, te glorifico, pelo eterno e celestial sacerdote Jesus Cristo, teu Filho amado, pelo qual seja dada a glória a ti, como ele o Espírito, agora e pelos séculos futuros. Amém. [Policarpo 14.1]
  15. Quando ele ergueu o seu Amém e terminou sua oração, os homens da pira acenderam o fogo. [Policarpo 15.1]
  16. Grande chama brilhou e nós vimos o prodígio, nós a quem foi dado ver e que fomos preservados para anunciar estes acontecimentos a outros. [Policarpo 15.1]
  17. O fogo fez uma espécie de abóbada, como vela de navio inflada pelo vento, e envolveu como parede o corpo do mártir. [Policarpo 15.2]
  18. Ele estava no meio, não como carne que queima, mas como pão que assa, como ouro ou prata brilhando na fornalha. Sentimos então um perfume semelhante a baforada de incenso ou outro aroma parecido. [Policarpo 15.2]
  19. Por fim, vendo que o fogo não podia consumir o seu corpo, os ímpios ordenaram ao carrasco que fosse dar o golpe de misericórdia com o punhal. [Policarpo 16.1]
  20. Feito isso, jorrou tanto sangue que apagou o fogo. Toda a multidão admirou-se de ver tão grande diferença entre os incrédulos e os eleitos. [Policarpo 16.1]
  21. Entre estes, o admirável mártir Policarpo, que foi, em nosso dias, mestre apostólico e profético, o bispo da Igreja católica de Esmirna. Toda palavra que saiu de sua boca se cumpriu e se cumprirá. [Policarpo 16.2]
  22. Contudo, o invejoso, o perverso e o mau, o adversário da geração dos justos, vendo a grandeza do seu testemunho e de sua vida irrepreensível desde o início, [Policarpo 17.1]
  23. vendo-o ornado com a coroa da incorruptibilidade e conquistando uma recompensa incontestável, procurou impedir seus discípulos de levar o corpo, embora muitos de nós o desejassem fazer e possuir sua carne santa. [Policarpo 17.1]
  24. Ele sugeriu a Nicetas, pai de Herodes e irmão de Alce, que procurase o magistrado, a fim que ele não nos entregasse o corpo. [Policarpo 17.2]
  25. Ele disse: “Não aconteça que eles, abandonando o crucificado, passem a cultuar esse aí.” Dizia essas coisas por sugestão insistente dos judeus, que os tinham vigiado quando queriam retirar o corpo do fogo. [Policarpo 17.2]
  26. Ignoravam eles que eles não poderiam jamais abandonar Cristo, que sofreu pela salvação de todos aqueles que são salvos no mundo, como inocente em favor dos pecadores, nem prestarmos culto a outro. Seus discípulos o adoram porque é o Filho de Deus. [Policarpo 17.3]
  27. Quanto aos mártires, eles os amam justamente como discípulos e imitadores do Senhor, por causa da incomparável devoção que tinham para com o rei e mestre. [Policarpo 17.3]
  28. Vendo a rixa suscitada pelos judeus, o centurião colocou o corpo no meio e o fez queimar, como era de costume. [Policarpo 18.1]
  29. Desse modo, os discípulos puderam mais tarde recolher seus ossos, mais preciosos do que pedras preciosas e mais valiosos do que o ouro, para colocá-los em lugar conveniente. [Policarpo 18.2]
  30. Quando possível, é aí que o Senhor os permitirá se reunir, na alegria e contentamento, para celebrar o aniversário de seu martírio, em memória daqueles que combateram antes deles, e para exercitar e preparar aqueles que deverão combater no futuro. [Policarpo 18.3]
  31. Essa é a história do bem-aventurado Policarpo, que foi, juntamente com os irmãos da Filadélfia, o décimo segundo a sofrer o martírio em Esmirna. [Policarpo 19.1]
  32. Contudo, apenas dele se guarda a lembrança mais do que dos outros, a ponto de até os próprios pagãos falarem dele por toda parte. [Policarpo 19.1]
  33. Ele foi, não apenas mestre célebre, mas também mártir eminente, cujo martírio segundo o Evangelho de Cristo todos desejam imitar. [Policarpo 19.1]
  34. Por sua perseverança, ele triunfou sobre o iníquo magistrado, e assim foi cingido com a coroa da incorruptibilidade. [Policarpo 19.2]
  35. Juntamente com os apóstolos e todos os justos, na alegria, ele glorifica a Deus, Pai todo-poderoso, e bendiz nosso Senhor Jesus Cristo, o salvador de nossas almas, guia de nossos corpos, e pastor da Igreja católica no mundo inteiro. [Policarpo 19.2]

X – Condenação de Inácio

  1. Quando Trajano César não faz muito tempo, sucedeu ao império dos Romanos, Inácio, o discípulo do apóstolo João, que era um homem em todos os aspectos de caráter apostólico, governou a Igreja da Antioquia. [Ignatii 1]
  2. Ele a tinha com grande cuidado, tendo com dificuldade escapado primeiro das tempestades das muitas perseguições sob Domiciano César. [Ignatii 1]
  3. Assim o fez na medida em que, como um bom piloto, pelo comando da oração e jejum , pela seriedade de seu ensino, e por seu constante trabalho espiritual, ele resistiu à enchente que rolou contra ele. [Ignatii 1]
  4. Temeu apenas que não perdesse qualquer um dos seus discípulos que eram deficientes em coragem, ou apto a sofrer com sua simplicidade. [Ignatii 1]
  5. Ele se alegrou com o estado de tranquilidade da Igreja , quando a perseguição cessou por um pouco de tempo, mas se entristeceu por si mesmo, por ainda não ter alcançado um amor verdadeiro a Cristo , nem alcançado o grau perfeito de discípulo. [Ignatii 1]
  6. Ele interiormente refletiu que a confissão feita pelo martírio o levaria a uma relação ainda mais íntima com o Senhor. [Ignatii 1]
  7. Portanto, continuando mais alguns anos com a Igreja, e, como uma lâmpada divina, iluminando a compreensão de cada um por suas exposições das Escrituras, ele atingiu o objeto de seu desejo. [Ignatii 1]
  8. No nono ano do seu reinado, Trajano foi exaltado com orgulho, após a vitória que obteve sobre os citas e dácios, e muitas outras nações. [Ignatii 2]
  9. Ele pensou que o corpo religioso dos cristãos ainda estava querendo completar a subjugação de todas as coisas a si mesmo, e então os ameaçou com perseguição. [Ignatii 2]
  10. Desejava que concordassem em adorar divindades pagãs, como todas as outras nações, e assim compeliu todos os que viviam vidas piedosas a sacrificar aos ídolos ou morrer. [Ignatii 2]
  11. Como nobre soldado de Cristo, estando temeroso pela Igreja dos Antioquianos, Inácio foi, de acordo com seu próprio desejo, apresentado a Trajano. [Ignatii 2]
  12. O César estava hospedado em Antioquia , mas tinha pressa [para partir] contra a Armênia e os partos. [Ignatii 2]
  13. Na ocasião imperador perguntou-lhe: Quem é você, seu demônio mau, que tão zelosamente quebra nossos mandamentos e persuade os outros a fazerem o mesmo, para que morram miseravelmente? [Ignatii 2]
  14. Inácio respondeu: Ninguém deve chamar o Teóforo de maligno; pois todos os demônios se afastam dos seus servos. [Ignatii 2]
  15. Mas se me chama de perverso por eu ser inimigo desses demônios, concordo inteiramente com você; pois, visto que tenho o Cristo, o Rei dos céus, em mim destruo todos os artifícios desses demônios [Ignatii 2]
  16. Trajano respondeu: E quem é Teóforo? , e Inácio disse: Aquele que tem Cristo em seu peito. [Ignatii 2]
  17.  Trajano disse: Então parece que você fala dos deuses em nossa mente, de cuja assistência desfrutamos na luta contra os nossos inimigos? [Ignatii 2]
  18. Inácio respondeu: Você está errado quando chama de deuses os demônios das nações. Pois há um só Deus, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há; e um Jesus Cristo , o filho unigênito de Deus , cujo reino posso desfrutar. [Ignatii 2]
  19. Trajano disse: Você quer dizer Aquele que foi crucificado sob Pôncio Pilatos ? [Ignatii 2] 
  20.  Inácio respondeu: quero dizer Aquele que crucificou meu pecado , com aquele que foi o seu inventor, e que condenou [e derrubou] todo o engano e malícia do diabo sob os pés daqueles que O carregam em seus corações.  [Ignatii 2]
  21. Trajano disse: Você carrega então dentro de si Aquele que foi crucificado?  Inácio respondeu: Verdadeiramente; pois está escrito: ‘Neles habitarei e andarei neles’. [Ignatii 2]
  22. Então Trajano pronunciou a seguinte sentença: Ordenamos que Inácio , que afirma levar consigo Aquele que foi crucificado, seja amarrado por soldados e levado para a grande Roma, para ser devorado pelos animais, para a gratificação do povo. [Ignatii 2]
  23. Ao ouvir esta frase, o santo mártir gritou de alegremente: Agradeço-te, Senhor, por teres prometido honrar- me com um amor perfeito para contigo e me amarrar em correntes de ferro, como o teu apóstolo Paulo . [Ignatii 2]
  24. Assim falou, então, com prazer, agarrou as correntes ao seu redor. Ele primeiro orou pela Igreja e recomendou-a com lágrimas ao Senhor, ele foi levado embora apressado pela crueldade selvagem dos soldados. [Ignatii 2]
  25. Era como um notável carneiro, o líder de um bom rebanho, para que pudesse ser levado a Roma, para servir de comida às bestas sanguinárias. [Ignatii 2]
  26. Com entusiasmo e alegria , por seu desejo de sofrer, ele desceu de Antioquia para Selêucia, de onde partiu. E depois de muito sofrimento, ele chegou a Esmirna , onde desembarcou. [Ignatii 3]
  27. Ele se apressou para ver o santo Policarpo, seu companheiro discipulado e atual bispo de Esmirna.  Ambos haviam sido, nos velhos tempos, discípulos do apóstolo João. [Ignatii 3]
  28. Inácio comunicou ao amigo Policarpo alguns dons espirituais, e glorificando-se em seus laços, ele implorou que trabalhasse junto com ele para a realização de seu desejo. [Ignatii 3]
  29. Pediu isso sinceramente a toda a Igreja, mas acima de tudo, ao santo Policarpo, dizendo: Por meio das feras, logo desaparecerei deste mundo para poder se manifestar diante da face de Cristo. [Ignatii 3]
  30. Essas coisas ele assim falou, e assim testificou, estendendo seu amor a Cristo, tanto quanto aquele que estava prestes a garantir o céu por meio de sua boa confissão e da sinceridade daqueles que juntaram suas orações. [Ignatii 4]
  31. Para dar uma recompensa às Igrejas , que vieram ao seu encontro por meio de seus governantes, Inácio enviou cartas de ação de graças, que deixaram cair a graça espiritual  junto com oração e exortação. [Ignatii 4]
  32. Ele observou todos os homens tão bondosamente afetados por ele e temendo que o amor da fraternidade impedisse seu zelo para com o Senhor. [Ignatii 4]
  33. Pela bela porta de sofrimento que o martírio lhe abriu, Inácio escreveu à Igreja dos Romanos uma importante Epístola. [Ignatii 4]

XI -Morte de Inácio

  1. Por motivo da Epístola, os irmãos em Roma não estavam dispostos ao seu martírio; eles partiram de Esmirna pois Cristóforo foi pressionado pelos soldados a apressar os espetáculos públicos em Roma. [Ignatii 5]
  2. Esperava que, sendo entregue às feras diante dos olhos do povo romano, Inácio pudesse alcançar a coroa pelo qual ele lutou. [Ignatii 5]
  3. Inácio desembarcou em Trôade. Então, indo daquele lugar para Neápolis, ele foi a pé por Filipos, através da Macedônia, e para aquela parte do Épiro que fica perto de Epidamo. [Ignatii 5]
  4. Encontrando um navio em um dos portos, navegou sobre o Mar Adriático, e entrando nele até o Tirreno. [Ignatii 5]
  5. Ele passou pelas várias ilhas e cidades, até que, quando Puteoli apareceu, ele estava ansioso para desembarcar, tendo o desejo de seguir os passos do apóstolo Paulo. [Ignatii 5]
  6. Mas um forte vento que subia não o permitiu, pois o navio era empurrado rapidamente para a frente; e, simplesmente expressando seu deleite pelo amor dos irmãos naquele lugar, ele navegou. [Ignatii 5]
  7. Portanto, continuando a desfrutar de bons ventos, fomos relutantemente apressados ​​em um dia e uma noite, lamentando [como o fizemos] pela vinda de nossa partida deste homem justo.  [Ignatii 5]
  8. Mas com ele isso aconteceu como ele desejava, visto que estava com pressa o mais rápido possível de deixar este mundo, para que pudesse alcançar o Senhor que amava. [Ignatii 5]
  9. Navegando então para o porto romano, e os esportes profanos estando prestes a fechar, os soldados começaram a se irritar com nossa lentidão, mas o bispo alegremente cedeu à sua urgência. [Ignatii 5]
  10. Eles avançaram, portanto, do lugar que é chamado de Porto; e, com a fama de tudo relacionado ao santo mártir já se espalhando, nós encontramos os irmãos cheios de medo e alegria. [Ignatii 6]
  11. Regozijavam-se, de fato, por serem considerados dignos de se encontrar com Teóforo, mas aterrorizados porque um homem tão eminente estava sendo levado à morte. [Ignatii 6]
  12. Agora, ele ordenou a alguns que ficassem calados, os quais, em seu fervoroso zelo, diziam que apaziguariam o povo, para que não exigissem a destruição deste justo. [Ignatii 6]
  13. Ele estava imediatamente ciente disso por meio do Espírito e tinha saudado a todos. Implorava para mostrar uma verdadeira afeição para com ele.
  14. Ele demorou neste ponto mais longamente do que em sua epístola e os persuadiu a não invejá-lo em se apressar ao Senhor. [Ignatii 6]
  15. Depois de se ajoelhar ao lado de todos os irmãos e rogar ao Filho de Deus em nome das Igrejas para que parasse a perseguição e para que o amor mútuo continuasse entre os irmãos, Inácio foi conduzido com toda pressa ao anfiteatro. [Ignatii 6]
  16. Então, ele foi imediatamente jogado em seu interior de acordo com o comando de César dado há algum tempo, [Ignatii 6].
  17. Os espetáculos públicos estavam prestes a se encerrar, pois era então um dia solene, como eles o consideravam, chamado de décimo terceiro na língua romana, na qual o povo costumava se reunir em mais do que um número comum. [Ignatii 6]
  18. Ele foi assim lançado às feras perto do templo, para que assim por elas o desejo do santo mártir Inácio fosse cumprido, de acordo com o que é escrito. [Ignatii 6]
  19. O desejo dos justos é aceitável no sentido de que ele não poderia ser problemático para qualquer um dos irmãos pela coleta de seus restos mortais, assim como ele havia expressado em sua epístola um desejo de antemão de que assim fosse seu fim. [Ignatii 6]
  20. Apenas as porções mais duras de seus santos restos mortais foram deixados, que foram transportados para Antioquia e embrulhados em linho.
  21. Era um tesouro inestimável deixado à santa Igreja pela graça que estava no mártir. [Ignatii 6]
  22. Essas coisas aconteceram no décimo terceiro dia antes do Kalends de janeiro, ou seja, no dia 20 de dezembro, Sura e Senecio sendo então cônsules dos romanos pela segunda vez. [Ignatii 7]
  23. Tendo nós mesmos sido testemunhas oculares dessas coisas, e tendo passado a noite inteira em lágrimas dentro de casa, e suplicado ao Senhor, com os joelhos dobrados e muita oração, que Ele nos desse aos homens fracos plena segurança a respeito das coisas que foram feitas. [Ignatii 7]
  24. Aconteceu que, ao cairmos em um breve sono, alguns de nós vimos o abençoado Inácio de repente parado ao nosso lado e nos abraçando, enquanto outros o viram orando novamente por nós. [Ignatii 7]
  25. Outros ainda o viram pingando de suor, como se tivesse acabado de sair de seu grande trabalho e estando ao lado do Senhor. [Ignatii 7]
  26. Quando, portanto, com grande alegria testemunhamos essas coisas e comparamos nossas várias visões juntas, cantamos louvores a Deus , o doador de todas as coisas boas. [Ignatii 7]
  27. Expressamos nosso sentimento de felicidade pelo santo mártir; e agora temos feito conhecido a você tanto o dia e a hora quando essas coisas aconteceram. [Ignatii 7]
  28. Ao nos reunir de acordo com o tempo de sua martírio, podemos ter comunhão com o campeão e nobre mártir de Cristo, que pisou o diabo e aperfeiçoou a carreira. [Ignatii 7]
  29. Por amor a Cristo , ele havia desejado em Cristo Jesus nosso Senhor; por quem e com quem seja glória e poder ao Pai, com o Espírito Santo, para sempre! Amém . [Ignatii 7]

XII – Conversão de Justino

  1. Depois de Trajano ter reinado por dezenove anos e meio, Aélio Adriano se tornou seu sucessor no império. [Eusébio 4.3]
  2. O evangelista Quadrato lhe dirigiu um discurso contendo uma defesa da religião Cristã, porque certos homens ímpios haviam tentado perturbar os cristãos. [Eusébio 4.3]
  3. A obra ainda está nas mãos de muitos irmãos, como também nas nossas, e fornece provas claras da compreensão do homem e de sua ortodoxia apostólica. [Eusébio 4.3]
  4. Eles escreveu: “As obras do Salvador estão sempre presentes, pois são genuínas: – aqueles que foram curados, e aqueles que foram ressuscitados dos mortos, não foram vistos apenas quando foram curados e ressuscitados, mas também estão presentes até hoje. [Eusébio 4.3]
  5. Não apenas enquanto o Salvador estava na terra, mas também após sua morte, eles permaneceram vivos por um bom tempo, de modo que alguns deles viveram até o nosso dia.” Assim era então o Quadrato.  [Eusébio 4.3]
  6. Também Aristides, um crente fervorosamente devotado à religião, deixou, como Quadrato, uma defesa pela fé, dirigido a Adriano. Sua obra também foi preservada até os dias atuais por um grande número de pessoas.
  7. Enfim, uma Epístola de Adriano decretou que os seguidores do Messias não deveriam ser punidos sem um julgamento. [Eusébio 4.9]
  8. O imperador escreveu: “Para Minúcio Fundano. Recebi uma epístola, escrita para mim por Sereno Graniano, um homem muito ilustre, a quem você sucedeu. [Eusébio 4.9]
  9. Não me parece certo que o assunto seja passado sem exame, para que os homens não sejam perseguidos e a oportunidade seja dada aos informantes para praticar a vilania.
  10. Se, portanto, os habitantes da província podem sustentar claramente esta petição contra os cristãos para dar uma resposta em um tribunal de justiça, que eles sigam este caminho sozinhos, mas que não recorra a petições e clamores de homens. [Eusébio 4.9]
  11. Pois é muito mais adequado, se alguém quiser fazer uma acusação, que você examine. [Eusébio 4.9]
  12. Se alguém, portanto, acusá-lo e mostrar que está fazendo algo contrário às leis, faça você julga de acordo com a hediondez do crime. [Eusébio 4.9]
  13. Mas, por Hércules! se alguém fizer uma acusação por mera calúnia, decida quanto à sua criminalidade e providencie para que você inflija a punição”. Esse foi o conteúdo do escrito de Adriano. [Eusébio 4.9]
  14. Entre os escritores da Igreja desse tempo, Hegesipo era bem conhecido e relatou eventos que aconteceram no tempo dos apóstolos. [Eusébio 4.8]
  15. Ao mesmo tempo, também Justino, um verdadeiro amante da verdadeira filosofia, ainda continuava a se ocupar com a literatura grega. [Eusébio 4.8]
  16. Ele descreve que sua conversão da filosofia grega ao cristianismo não foi sem razão, mas que foi o resultado de deliberação de sua parte. Suas palavras são as seguintes: [Eusébio 4.8]
  17. “Eu mesmo, enquanto estava encantado com as doutrinas de Platão, ouvia os cristãos caluniados.
  18. Eu via que eles não temiam nem a morte nem qualquer outra coisa normalmente considerada terrível. Por isso, concluí que era impossível que eles pudessem viver na maldade e no prazer.
  19. Afinal, um homem amante do prazer ou intemperante, ou que homem que considera bom banquetear-se com carne humana, poderia aceitar a morte para que ele possa ser privado de seus prazeres. [Eusébio 4.8]
  20. Justino, o Filósofo, pregou a Palavra de Cristo em Roma. Depois de ter endereçado suas obras em favor das doutrinas cristãs, foi coroado com o martírio divino. [Eusébio 4.16]

XIII – Martírio de Justino

  1. Isso ocorreu em consequência de uma conspiração contra ele por Crescêncio, um filósofo que imitou a vida e as maneiras dos cínicos, cujo nome ele usava. [Eusébio 4.16]
  2. Depois que Justino o refutou frequentemente em discussões públicas, ele ganhou com seu martírio o prêmio da vitória, morrendo em nome da verdade que pregava. [Eusébio 4.16]
  3. Ele próprio, homem muito culto da verdade, na sua obra, previu claramente como isso lhe ia acontecer embora ainda não tivesse ocorrido. [Eusébio 4.16]
  4. Suas palavras são as seguintes: “Eu, também, portanto, espero ser tramado e posto no tronco por algum daqueles a quem nomeei, ou talvez por Crescêncio, aquele homem nada filosófico e vanglorioso. [Eusébio 4.16]
  5. Este homem não é digno ser chamado de filósofo que publicamente dá testemunho contra aqueles de quem nada sabe. [Eusébio 4.16]
  6. Faz declarações para cativar e agradar à multidão de que os cristãos são ateus e ímpios. Fazendo isso ele erra muito. [Eusébio 4.16]
  7. Ao atacar sem ter lido os ensinamentos de Cristo, ele é totalmente imoral. [Eusébio 4.16]
  8. É muito pior do que o analfabeto, pois estes evitam discutir sobre assuntos que não entendem. [Eusébio 4.16]
  9. E se ele os leu e não entendeu a majestade que há neles, ou, entendendo-o, faz essas coisas para que não seja suspeito de ser um adepto, ele é muito mais vil e totalmente indecente. [Eusébio 4.16]
  10. É um escravo de aplausos vulgares e medo irracional. [Eusébio 4.16]
  11. Pois, quando propus certas perguntas desse tipo e perguntei a respeito delas, aprendi e provei que ele na verdade nada sabe. [Eusébio 4.16]
  12. Para mostrar que fato a verdade, estou pronto, se essas disputas não foram relatadas a você, para discutir as questões novamente em sua presença. E isso de fato seria um ato digno de um imperador. [Eusébio 4.16]
  13. Mas se minhas perguntas e suas respostas foram informadas a ele, é óbvio que ele nada sabe sobre nossos negócios.
  14. Ou se ele sabe, mas não se atreve a falar por causa de quem o ouve, mostra-se, como já disse, não um filósofo, mas um homem vanglorioso, que na verdade nem mesmo dá atenção à mais admirável palavra de Sócrates. [Eusébio 4.16]
  15. Estas são as palavras de Justino. E que ele encontrou a morte como previra em consequência das maquinações de Crescêncio [Eusébio 4.16]
  16. É afirmado por Taciano, outro filósofo que aceitou o Cristo e que cedo na vida lecionou sobre as ciências dos gregos, ganhando muita fama, e que deixou muitos monumentos de si mesmo em seus escritos. [Eusébio 4.16]
  17. Ele registra esse fato ao escrever o seguinte: “E aquele admirável Justino declarou com verdade que o as pessoas supracitadas eram como ladrões. [Eusébio 4.16]
  18. Crescêncio, de fato, que fez seu ninho na grande cidade, superou a todos em sua luxúria anormal e foi totalmente devotado ao amor de dinheiro. [Eusébio 4.16]
  19. E aquele que ensinava que a morte deveria ser desprezada, tinha tanto medo dela que se esforçou por infligir a morte, como se fosse um grande mal, a Justino. [Eusébio 4.16]
  20. Porque este, ao pregar a verdade, havia provado que os filósofos eram glutões e impostores.
  21. E tal foi a causa do martírio de Justino, junto com seis companheiros da fé, que foi decapitado pelo governador Júnio Rústico. [Eusébio 4.16]

XIV – Gália (Antonino César)

  1. Adriano tendo morrido após um reinado de vinte e um anos, foi sucedido no governo dos romanos por Antonino, chamado o Piedoso. [Eusébio 4:10]
  2. No primeiro ano de seu reinado, Telesforo obteve uma morte gloriosa pelo martírio no décimo primeiro ano de seu episcopado, e Higino tornou-se bispo de Roma. [Eusébio 4:10]
  3. Higino foi o oitavo que ocupou a cadeira de Pedro. Depois dele, vieram Pio; depois Aniceto; depois Sorter, que morreu após um episcopado de oito anos. [Eusébio 5:1]
  4. Ele foi sucedido por Eleutero, o décimo segundo dos apóstolos em Roma. [Eusébio 5:1]
  5. No décimo sétimo ano do imperador Antonino Vero, a perseguição os seguidores do Messias reacendeu mais ferozmente em certos distritos por causa de uma insurreição das massas nas cidades. [Eusébio 5:1]
  6. E a julgar pelo número em uma única nação, miríades sofreram o martírio em todo o mundo. [Eusébio 5:1]
  7. Um registro disso foi escrito para a posteridade é digno de perpétua lembrança. [Eusébio 5:1]
  8. Um relato completo, contendo as informações mais confiáveis ​​sobre o assunto, é fornecido em nossa Coleção de martírios, que constitui uma narrativa instrutiva e também histórica. [Eusébio 5:1]
  9. Os escritores da história registram as vitórias da guerra e os troféus ganhos dos inimigos, a habilidade dos generais e a bravura viril dos soldados, contaminados com sangue e com incontáveis ​​massacres por causa das crianças e do país e outras posses. [Eusébio 5:1]
  10. Mas a narrativa do governo de Deus registrará em cartas indescritíveis as guerras mais pacíficas travadas em favor da paz da alma. [Eusébio 5:1]
  11. E contará sobre homens que realizaram bravos feitos pela verdade em vez do país, e pela piedade em vez de amigos queridos. [Eusébio 5:1]
  12. Transmitirá à lembrança imperecível a disciplina e a fortaleza muito experimentada dos campeões da religião, os troféus ganhos dos demônios, as vitórias sobre inimigos invisíveis e as coroas colocadas em todas as suas cabeças. [Eusébio 5:1]
  13. O país em que a arena foi preparada para eles foi a Gália, da qual Lyon e Vienne são as cidades principais e mais famosas. [Eusébio 5:1]
  14. O rio Rhone passa por ambos, fluindo em um amplo riacho por toda a região. [Eusébio 5:1]
  15. As igrejas mais célebres daquele país enviaram um relato das testemunhas às igrejas da Ásia e da Frígia, relatando da seguinte maneira o que foi feito entre elas. [Eusébio 5:1]
  16. A grandeza da tribulação nesta região, e a fúria dos gentios contra os santos, e os sofrimentos das testemunhas abençoadas não podem ser narradas com precisão, nem mesmo eles poderiam ser registrados. [Eusébio 5:1]
  17. Pois com toda a sua força o adversário caiu sobre nós, dando-nos um antegozo de sua atividade desenfreada em sua vinda futura. [Eusébio 5:1]
  18. Ele se esforçou de todas as maneiras para praticar e exercer seus servos contra os servos de Deus, não apenas os excluindo de casas e banhos e mercados, mas proibindo qualquer um deles de serem vistos em qualquer lugar. [Eusébio 5:1]
  19. Mas a graça de Deus conduziu o conflito contra ele, livrou os fracos e os colocou como pilares firmes, capazes de suportar com paciência toda a ira do Maligno. [Eusébio 5:1]
  20. Eles lutaram com ele, sofrendo todos os tipos de vergonha e injúria. [Eusébio 5:1]
  21. Considerando seus grandes sofrimentos como pequenos, eles se apressaram a Cristo, manifestando verdadeiramente que ‘os sofrimentos deste tempo presente não são dignos de serem comparados com a glória que lhes é revelada’. [Eusébio 5:1]
  22. Em primeiro lugar, eles suportaram nobremente os ferimentos amontoados sobre eles pela população; [Eusébio 5:1]
  23. Clamores e golpes e arrastões e roubos e apedrejamentos e prisões, e todas as coisas que uma turba enfurecida se deleita em infligir a inimigos e adversários.
  24. Em seguida, sendo conduzidos ao foro pelo chiliarca e pelas autoridades da cidade, foram interrogados na presença de toda a multidão [Eusébio 5:1]
  25. E, tendo confessado, foram presos até a chegada do governador.
  26. Quando, posteriormente, foram apresentados de frente a ele, eles foram tratados com a maior crueldade. [Eusébio 5:1]

XV – Vettius

  1. Mas Vettius Epagathus, um dos irmãos, e um homem cheio de amor por Deus e seu próximo, interferiu. [Eusébio 5:1]
  2. Sua vida foi tão consistente que, embora jovem, ele alcançou reputação igual à do ancião Zacarias: [Eusébio 5:1]
  3. Pois ele ‘andou em todos os mandamentos e ordenanças do Senhor irrepreensível’ e foi incansável em toda boa obra para o próximo, zeloso de Deus e fervoroso de espírito. [Eusébio 5:1]
  4. Sendo tal o seu caráter, ele não pôde suportar o julgamento irracional contra nós, mas ficou cheio de indignação. [Eusébio 5:1]
  5. Ele pediu permissão para testemunhar em favor de seus irmãos, que não há entre nós nada ímpio ou ímpio. [Eusébio 5:1]
  6. Mas os que estavam na cadeira de juiz clamaram contra ele, pois era um homem distinto; e o governador recusou-se a atender ao seu justo pedido e apenas perguntou se ele também era cristão. [Eusébio 5:1]
  7. E ele, confessando isso em alta voz, foi ele próprio incluído na ordem das testemunhas, sendo chamado o Advogado dos Cristãos, mas tendo em si o Advogado, o Espírito mais abundante que Zacarias. [Eusébio 5:1]
  8. Ele demonstrou isso pela plenitude de seu amor, ficando muito satisfeito até mesmo em dar sua vida em defesa dos irmãos. [Eusébio 5:1]
  9. Pois ele foi um verdadeiro discípulo de Cristo, ‘seguindo o Cordeiro por onde quer que vai’. [Eusébio 5:1]
  10. Então os outros foram divididos, e as testemunhas estavam manifestamente prontas, terminando sua confissão com toda a ansiedade. [Eusébio 5:1]
  11. Mas alguns pareciam despreparados e destreinados, ainda fracos e incapazes de suportar um conflito tão grande. [Eusébio 5:1]
  12. Cerca de dez dessas condenações, causaram grande dor e tristeza além da medida e prejudicaram o zelo dos outros que ainda não tinham sido apreendidos, [Eusébio 5:1]
  13. Mas, embora sofrendo todos os tipos de aflições, continuaram constantemente com as testemunhas e não as abandonaram. [Eusébio 5:1]
  14. Então todos nós tememos muito por causa da incerteza quanto à sua confissão, não porque temíamos os sofrimentos a serem suportados, mas porque olhamos para o fim e tememos que alguns deles possam cair. [Eusébio 5:1]
  15. Mas aqueles que eram dignos eram presos dia a dia, enchendo o número deles, de modo que todas as pessoas zelosas, e aqueles através dos quais especialmente nos negócios foram estabelecidos, foram reunidos nas duas igrejas. [Eusébio 5:1]
  16. E alguns de companheiros pagãos também foram presos, como o govenador ordenou que todos devessem ser examinados publicamente. [Eusébio 5:1]
  17. Estes, sendo enlaçados por Satanás e temendo por si próprios as torturas que viram os santos suportar, e sendo também instados pelos soldados, lhes acusaram falsamente de banquetes de Tiestes e relações edipodianas, [Eusébio 5:1]
  18. E de atos que não são apenas ilegais para nós falar ou pensar, mas que não podemos acreditar que tenham sido cometidos por homens. [Eusébio 5:1]
  19. Quando essas acusações foram relatadas, todas as pessoas se enfureceram como feras contra nós, de modo que mesmo que alguém tivesse sido moderado por causa da amizade, agora eles estavam extremamente furiosos e rangiam os dentes contra nós. [Eusébio 5:1]
  20. E aquilo que foi falado por nosso Senhor foi cumprido: ‘Chegará o tempo em que aquele que vos matar pensará que está fazendo o serviço de Deus. [Eusébio 5:1]

XVI – Sanctus e Blandina e Biblias

  1. Então, finalmente, as santas testemunhas suportaram sofrimentos indescritíveis, Satanás se esforçando seriamente para que algumas das calúnias também pudessem ser proferidas por elas? [Eusébio 5:1]
  2. Toda a ira da população, governador e soldados foi despertada excessivamente contra Sancto, o diácono de Vienne, e Maturo, um falecido convertido, mas um nobre combatente, e contra Attalo, um nativo de Pérgamo, onde ele sempre tinha estado coluna e alicerce, [Eusébio 5:1]
  3. E Blandina, por meio da qual Cristo mostrou que as coisas que parecem mesquinhas e obscuras e desprezíveis aos homens estão com Deus de grande glória, pelo amor para com ele manifestado em poder e não ostentação na aparência. [Eusébio 5:1]
  4. Pois enquanto todos nós tremíamos, e sua amante terrena, que também era uma das testemunhas, temia que, devido à fraqueza de seu corpo, ela fosse incapaz de fazer uma confissão ousada. [Eusébio 5:1]
  5. Blandina estava cheia de poder a ponto de ser libertada e elevada acima daqueles que foram torturando-a alternadamente de manhã à noite de todas as maneiras, para que eles reconhecessem que foram conquistados e não pudessem fazer mais nada por ela.[Eusébio 5:1]
  6. Eles ficaram surpresos com sua resistência, pois todo seu corpo estava mutilado e quebrado; [Eusébio 5:1]
  7. E testemunharam que uma dessas formas de tortura era suficiente para destruir a vida, para não falar de tantos e tão grandes sofrimentos. [Eusébio 5:1]
  8. Mas a mulher abençoada, como uma nobre atleta, renovou suas forças em sua confissão; e seu conforto, recreação e alívio da dor de seus sofrimentos consistia em exclamar: [Eusébio 5:1]
  9. ‘Eu sou uma cristã e não há nada de vil feito por NÓS.’ ” [Eusébio 5:1]
  10. Mas Sancto também suportou maravilhosa e sobre-humana todos os ultrajes que sofreu. [Eusébio 5:1]
  11. Os homens ímpios esperavam, pela continuação e severidade de suas torturas, arrancar dele algo que ele não deveria dize. [Eusébio 5:1]
  12. Ele se cingiu contra eles com tal firmeza que ele nem mesmo disse seu nome, ou a nação ou cidade a que pertencia, ou se ele era escravo ou livre.
  13. Ele respondeu na língua romana a todas as essas perguntas dizendo: ‘Eu sou um cristão’. [Eusébio 5:1]
  14. Ele confessou isso em vez de nome e cidade e raça e tudo mais, e o povo não ouviu dele nenhuma outra palavra. [Eusébio 5:1]
  15. Surgiu, portanto, por parte do governador e de seus algozes um grande desejo de conquistá-lo.
  16. Mas nada mais tendo que fazer a ele, eles finalmente prenderam placas de bronze em brasa nas partes mais tenras de seu corpo. [Eusébio 5:1]
  17. E estas realmente foram queimadas, mas ele continuou inflexível e inflexível, firme em sua confissão, e revigorado e fortalecido pela fonte celestial da água de vida, fluindo das entranhas de Cristo. [Eusébio 5:1]
  18. E seu corpo era uma testemunha de seus sofrimentos, sendo uma ferida e contusão completa, desenhada: fora de forma e totalmente diferente de uma forma humana. [Eusébio 5:1]
  19. Cristo, sofrendo nele, manifestou sua glória, libertando ele do seu adversário, e fazendo dele um exemplo para os outros. [Eusébio 5:1]
  20. Mostrando que nada é terrível onde está o amor do Pai, e nada doloroso onde está a glória de Cristo. [Eusébio 5:1]
  21. Os ímpios o torturaram uma segunda vez alguns dias depois, supondo que estaria seu corpo tão inchado e inflamado que ele não pudesse suportar o toque de uma mão. [Eusébio 5:1]
  22. Eles pensaram que se aplicassem novamente os mesmos instrumentos, eles o venceriam; ou pelo menos por sua morte sob seus sofrimentos outros ficariam com medo. [Eusébio 5:1]
  23. Não só isso não ocorreu, mas, ao contrário de todas as expectativas humanas, seu corpo se levantou e ficou ereto no meio dos tormentos subsequentes. [Eusébio 5:1]
  24. Ele retomou sua aparência original e o uso de seus membros para que, pela graça de Cristo, esses segundos sofrimentos se tornassem para ele, não tortura, mas cura. [Eusébio 5:1]
  25. “Mas o diabo, pensando que já havia consumido Biblias, que era um daqueles que negaram a Cristo, desejando aumentar sua condenação por meio de blasfêmia, trouxe-a novamente à tortura, para obrigá-la, como já débil e fraca, para relatar coisas ímpias a nosso respeito. [Eusébio 5:1]
  26. Mas ela se recuperou sob o sofrimento, e como se acordasse de um sono profundo, e lembrada pela angústia presente do castigo eterno no inferno, ela contradisse os blasfemadores. [Eusébio 5:1]
  27. Ela disse ‘Como poderíamos comer crianças se não achamos sequer lícito provar o sangue mesmo de animais irracionais?’ [Eusébio 5:1]
  28. E daí em diante ela se confessou cristã e recebeu um lugar na ordem das testemunhas.

XVII – Pontino

  1. Mas como as torturas tirânicas foram feitas por Cristo sem nenhum efeito por meio da paciência dos bem-aventurados, o diabo inventou outros artifícios. [Eusébio 5:1]
  2. Fez uso de confinamento no escuro e nas partes mais repugnantes da prisão, estendendo-se dos pés até o quinto buraco no tronco; e outros ultrajes que seus servos estão acostumados a infligir aos prisioneiros quando furiosos e cheios do demônio. [Eusébio 5:1]
  3. Muitos foram sufocados na prisão, sendo escolhidos pelo Senhor para esta forma de morte, para que pudesse manifestar neles sua glória. [Eusébio 5:1]
  4. Para alguns, embora tivessem sido torturados com tanta crueldade que parecia impossível que pudessem viver, mesmo com os maiores cuidados, ainda destituídos de atenção humana, permaneceram na prisão, sendo fortalecidos pelo Senhor, e revigorados tanto no corpo quanto alma. [Eusébio 5:1]
  5. Eles exortavam e encorajavam o resto. mas os que eram jovens e presos recentemente, de modo que seus corpos não se acostumaram à tortura, foram incapazes de suportar a severidade de seu confinamento e morreu na prisão. [Eusébio 5:1]
  6. O bem-aventurado Potino, a quem havia sido confiado o bispado de Lyon, foi arrastado para o tribunal. [Eusébio 5:1]
  7. Ele tinha mais de noventa anos de idade e estava muito enfermo, mal conseguia respirar devido à fraqueza física; mas foi fortalecido por zelo espiritual por meio de seu desejo sincero de martírio. [Eusébio 5:1]
  8. Embora seu corpo estivesse desgastado pela velhice e doenças, sua vida foi preservada para que Cristo triunfasse nela. [Eusébio 5:1] Quando foi trazido ao tribunal pelos soldados, acompanhado pelos magistrados civis e uma multidão que gritava contra ele de todas as maneiras, como se fosse o próprio Cristo, deu um nobre testemunho. [Eusébio 5:1]
  9. Ao ser questionado pelo governador, Quem era o Deus dos Cristãos, ele respondeu: ‘Se fores digno, saberás.’ [Eusébio 5:1]
  10. Então ele foi arrastado duramente e recebeu golpes de todo tipo. [Eusébio 5:1]
  11. Os que estavam perto dele o golpeavam com as mãos e os pés, independentemente de sua idade; e os que estavam distantes lançaram nele tudo o que puderam agarrar; [Eusébio 5:1]
  12. Todos eles pensando que seriam culpados de grande maldade e impiedade se qualquer possível abuso fosse omitido. [Eusébio 5:1]
  13. Pois assim eles pensaram em vingar suas próprias divindades. [Eusébio 5:1]
  14. Quase sem respirar, ele foi lançado na prisão e morreu depois de dois dias. [Eusébio 5:1]
  15. Então, uma certa grande dispensação de Deus ocorreu, e a compaixão de Jesus apareceu além da medida, de uma maneira raramente vista entre a irmandade, mas não além do poder de Cristo. [Eusébio 5:1]
  16. Pois aqueles que haviam se retratado em sua primeira prisão foram presos com os outros, e suportaram terríveis sofrimentos, de modo que sua negação não foi de proveito para eles. [Eusébio 5:1]
  17. Mas aqueles que confessaram como cristãos, nenhuma outra acusação foi feita contra eles. [Eusébio 5:1]
  18. Mas os primeiros foram tratados depois como assassinos e contaminados, e foram punidos duas vezes mais severamente que os outros. [Eusébio 5:1]
  19. Pela alegria do martírio e pela esperança das promessas, e pelo amor a Cristo, e o Espírito do Pai apoiou este último; [Eusébio 5:1]
  20. Mas suas consciências afligiram tanto os primeiros que eles estavam facilmente distinguível de todo o resto por seus próprios semblantes quando foram conduzidos. [Eusébio 5:1]
  21. Pois o primeiro saiu regozijando, glória e graça sendo mescladas em seus rostos, de modo que até mesmo seus laços pareceram como belos ornamentos, como aqueles de uma noiva adornada com franjas douradas variegadas; [Eusébio 5:1]
  22. E foram perfumados com o doce aroma de Cristo, de modo que alguns pensaram que haviam sido ungidos com unguento terreno. [Eusébio 5:1]
  23. Mas os outros estavam abatidos e humildes e abatidos e cheios de todo tipo de desgraça, e eles foram reprovados pelos pagãos como ignóbeis e fracos, carregando a acusação de assassinos, e tendo perdido o único Nome honroso e glorioso e que dá vida. [Eusébio 5:1]
  24. O resto, vendo isso, foi fortalecido, e quando apreendidos, eles confessaram sem hesitação, não prestando atenção às persuasões do diabo. [Eusébio 5:1]
  25. Depois dessas coisas, finalmente, seus martírios por trançar uma coroa de várias cores e de todos os tipos de flores, eles o apresentaram ao pai. [Eusébio 5:1]
  26. Era apropriado, portanto, que os nobres atletas, tendo suportado uma luta multifacetada e vencido grandiosamente, recebessem a coroa, grande e incorruptível. [Eusébio 5:1]

XVIII – Maturo

  1. “Maturo, portanto, e Sancto e Blandina e Atalo foram conduzidos ao anfiteatro para serem expostos às feras e dar ao público pagão um espetáculo de crueldade, [Eusébio 5:1]
  2. Um dia de luta com feras sendo especialmente designado por conta Tanto Maturo como Sancto passaram novamente por todos os tormentos do anfiteatro, como se nada tivessem sofrido antes. [Eusébio 5:1]
  3. Ou melhor, como se, já tendo vencido seu adversário em muitas lutas, estivessem agora lutando pela própria coroa. [Eusébio 5:1]
  4. Suportaram novamente a corrida costumeira da manopla e a violência dos animais selvagens, e tudo o que o povo furioso clamava ou desejava. [Eusébio 5:1]
  5. Por fim, a cadeira de ferro em que seus corpos estavam sendo assados, atormentou-os com os vapores. [Eusébio 5:1] E não com assim os perseguidores cessaram, mas ficaram ainda mais furiosos contra eles, determinados a vencer sua paciência, [Eusébio 5:1]
  6. Mas mesmo assim não ouviram uma palavra de Sancto, exceto a confissão que ele proferiu desde o início. [Eusébio 5:1]
  7. Estes, então, depois de sua vida ter continuado por muito tempo durante o grande conflito, foram finalmente sacrificados, fazendo ao longo daquele dia um espetáculo para o mundo, no lugar da usual variedade de combates. [Eusébio 5:1]
  8. Mas Blandina foi suspensa em uma estaca e exposta para ser devorada pelas feras que deveriam atacá-la. [Eusébio 5:1]
  9. E porque ela parecia como se estivesse pendurada em uma cruz e por causa de suas orações fervorosas, ela inspirou os combatentes com grande zelo. [Eusébio 5:1]
  10. Eles olharam para ela em seu conflito, e viram com seus olhos externos, na forma de sua irmã, aquele que foi crucificado por eles; [Eusébio 5:1]
  11. Para que seus olhos pudessem persuadir aqueles que creem nele de que todo aquele que sofre pela glória de Cristo tem comunhão sempre com o Deus vivo. [Eusébio 5:1]
  12. Como nenhuma das feras daquela época a tocou, ela foi tirada da fogueira e novamente lançada na prisão. [Eusébio 5:1]
  13. Foi preservada assim para outra disputa, que, sendo vitoriosa em mais conflitos, ela pode tornar irrevogável a punição da serpente torta; [Eusébio 5:1]
  14. E, embora pequena e fraca e desprezada, ainda vestida com Cristo, o poderoso e conquistador vencedor, ela pode despertar o zelo dos irmãos [Eusébio 5:1]
  15. E, tendo vencido o adversário muitas vezes, pode receber, através seu conflito, a coroa incorruptível. [Eusébio 5:1]
  16. Mas Atalo foi chamado em voz alta pelo povo, porque ele era uma pessoa distinta. [Eusébio 5:1]
  17. Ele entrou no concurso prontamente por causa de uma boa consciência e sua prática genuína na disciplina cristã que sempre foi uma testemunha da verdade entre todos. [Eusébio 5:1]
  18. Ele foi conduzido ao redor do anfiteatro, uma tábua sendo levada diante dele na qual estava escrito na língua romana “Este é o cristão Attalus” e o povo ficou indignado contra ele. [Eusébio 5:1]
  19. Mas quando o governador soube que ele era um romano, ordenou que fosse levado de volta com o resto dos que estavam na prisão a respeito dos quais ele havia escrito a César e cuja resposta ele esperava. [Eusébio 5:1]
  20. “Mas o tempo intermediário não foi perdido nem infrutífero para eles; pois por sua paciência se manifestou a incomensurável compaixão de Cristo. [Eusébio 5:1]
  21. Por meio de sua vida contínua, os mortos foram vivificados, e as testemunhas mostraram favor aos que haviam falhado. [Eusébio 5:1]
  22. A virgem mãe teve muita alegria em receber vivos aqueles a quem ela havia dado à luz como mortos, pois por sua influência muitos que haviam negado foram restaurados e readquiridos e reacendidos com vida, e aprenderam a confessar. [Eusébio 5:1]
  23. E sendo vivificados e fortalecidos, foram ao tribunal para serem novamente interrogados pelo governador. [Eusébio 5:1]
  24. Deus, que não deseja a morte do pecador, mas misericordiosamente convida ao arrependimento, tratando-os com bondade. [Eusébio 5:1]
  25. Pois César ordenou que fossem mortos, mas para que todo aquele que negasse fosse posto em liberdade. [Eusébio 5:1]
  26. Portanto, no início da festa pública que acontecia lá, e que era frequentada por multidões de homens de todas as nações, o governador trouxe os bem-aventurados ao julgamento, para fazer deles um espetáculo e um espetáculo para a multidão. [Eusébio 5:1]
  27. Portanto, ele também os examinou novamente e decapitou aqueles que pareciam possuir a cidadania romana, mas ele enviou os outros para as feras. [Eusébio 5:1]
  28. “E Cristo foi grandemente glorificado naqueles que anteriormente o haviam negado, pois, ao contrário da expectativa dos pagãos, eles confessaram. [Eusébio 5:1]
  29. Pois eles foram examinados por si mesmos, como prestes a ser libertados; mas confessando, foram acrescentados ao ordem das testemunhas.

XIX – Alexandre e Atalo

  1. Alguns continuaram sem, que nunca possuíram um traço de fé, nem qualquer apreensão das vestes nupciais, nem uma compreensão do temor de Deus; mas, como filhos da perdição, eles blasfemaram o Caminho através de sua apostasia. [Eusébio 5:1]
  2. Todos os outros foram acrescentados à Igreja. [Eusébio 5:1]
  3. Enquanto estes estavam sendo examinados, havia um certo Alexandre, um frígio de nascimento e médico de profissão, que havia residido na Gália por muitos anos e era bem conhecido de todos por causa de sua amor a Deus e ousadia de falar. [Eusébio 5:1]
  4. Estando diante do tribunal, e por sinais encorajando-os a confessar, parecia aos que estavam por perto como se estivesse ajudando-os nos trabalhos. [Eusébio 5:1]
  5. Mas o povo enfurecido porque aqueles que antes negavam agora confessaram, clamaram contra Alexandre como se ele fosse a causa disso. [Eusébio 5:1]
  6. Então o governador o chamou e perguntou quem ele era. [Eusébio 5:1]
  7. Quando ele respondeu que era um cristão, ficando muito zangado, ele o condenou às feras. [Eusébio 5:1]
  8. No dia seguinte ele entrou junto com Atalo, pois, para agradar ao povo, o governador ordenou que Atalo voltasse às feras. [Eusébio 5:1]
  9. Eles foram torturados no anfiteatro com todos os instrumentos planejados para esse propósito, e tendo suportado um conflito muito grande, foram finalmente sacrificados. [Eusébio 5:1]
  10. Alexandre não gemeu nem murmurou de forma alguma, mas comungou em seu coração com Deus. [Eusébio 5:1]
  11. Mas quando Attalo foi colocado na cadeira de ferro, e os vapores saíram de seu corpo em chamas, ele disse ao povo na língua romana: [Eusébio 5:1]
  12. ‘Olhai! isto que vós fazeis é devorar homens; mas não devoramos os homens; nem fazemos qualquer outra coisa perversa.’ [Eusébio 5:1]
  13. E sendo questionado sobre que nome Deus tem, ele respondeu: ‘Deus não tem um nome como o homem.’ [Eusébio 5:1]
  14. Depois de tudo isso, no último dia das competições, Blandina foi trazida novamente, com Pôntico, um menino de cerca de quinze anos. [Eusébio 5:1]
  15. Eles tinham sido trazidos todos os dias para testemunhar os sofrimentos dos outros, e foram pressionados a jurar por os ídolos. [Eusébio 5:1]
  16. Mas porque eles permaneceram firmes e os desprezaram, a multidão ficou furiosa, de modo que eles não tiveram compaixão pelo jovem do menino, nem respeito pelo sexo da mulher. [Eusébio 5:1]
  17. Portanto, eles os expuseram a todos os terríveis sofrimentos e os levaram durante toda a rodada de tortura, repetidamente incitando-os a jurar, mas sendo incapaz de efetuar isso; [Eusébio 5:1]
  18. Pois Pôntico, encorajado por sua irmã para que até o pagão pudesse ver que ela o estava confirmando e fortalecendo, tendo suportado nobremente todas as torturas, desistiu o fantasma.
  19. Mas a bem-aventurada Blandina, por fim, como nobre mãe, encorajou os seus filhos e os enviou antes dela vitoriosos ao Rei.
  20. Ela suportou todos os seus conflitos e apressou-se atrás deles, feliz e alegre por sua partida como se chamada a um ceia de casamento, em vez do leste para os animais selvagens. [Eusébio 5:1]
  21. E, depois da flagelação, depois das feras, depois do assento de assar, ela foi finalmente encerrada em uma rede e lançada diante de um touro. [Eusébio 5:1]
  22. E tendo sido sacudida pelo animal, mas não sentindo nada das coisas que estavam acontecendo com ela, por causa de sua esperança e firme apego ao que havia sido confiado a ela, e sua comunhão com Cristo, ela também foi sacrificada. [Eusébio 5:1]
  23. Os próprios pagãos confessaram que nunca entre eles uma mulher suportou tantas e tão terríveis torturas. [Eusébio 5:1]
  24. Mas nem mesmo assim sua loucura e crueldade para com os santos foram satisfeitas. [Eusébio 5:1]
  25. Para incitadas pela Besta Selvagem, tribos selvagens e bárbaras não foram facilmente apaziguadas, e sua violência encontrou outra oportunidade peculiar nos cadáveres. [Eusébio 5:1]
  26. Porque, através de sua falta de razão viril, o fato de terem sido conquistados não os envergonhou, pelo contrário, tanto mais acendeu sua ira como a de uma fera. [Eusébio 5:1]
  27. Despertou igualmente o ódio do governador e do povo por nos tratar injustamente; para que a Escritura pudesse ser cumprida: [Eusébio 5:1]
  28. ‘Aquele que é iníquo, ainda assim seja, e aquele que é justo, faça-o ainda ser justo.’ [Eusébio 5:1]

XX – Conclusão

  1. Os ímpios lançaram aos cães os que haviam morrido sufocados na prisão, guardando-os cuidadosamente de noite e de dia, para que ninguém fosse enterrado por nós. [Eusébio 5:1]
  2. Expuseram os restos deixados pelas feras e pelo fogo, mutilados e carbonizados. [Eusébio 5:1]
  3. Colocaram as cabeças dos outros perto de seus corpos, e os protegeram da mesma maneira contra o enterro por uma guarda de soldados por muitos dias.
  4. Alguns se enfureceram e rangeram os dentes contra eles, desejando executar vingança mais severa; mas outros riam e zombavam deles, magnificando seus próprios ídolos e imputando-lhes o castigo dos cristãos. [Eusébio 5:1]
  5. Mesmo os mais razoáveis, e aqueles que pareciam simpatizar um pouco, os reprovavam muitas vezes, dizendo: [Eusébio 5:1]
  6. ‘Onde está o seu Deus, e o que tem a religião deles, que eles escolheram em vez da vida, os beneficiou?’ [Eusébio 5:1]
  7. Muito variada foi sua conduta em relação aos Cristão, mas estes estavam em profunda aflição porque não podiam enterrar os corpos. [Eusébio 5:1]
  8. Pois nem a noite nos valeu para este propósito, nem o dinheiro persuadiu, nem a súplica moveu a compaixão; mas eles mantiveram vigilância em todos os sentidos , como se a prevenção do sepultamento fosse uma grande vantagem para eles. [Eusébio 5:1]
  9. Os corpos dos mártires, tendo assim sido exibidos e expostos de todas as maneiras por seis dias, foram posteriormente queimados e reduzidos a cinzas, e varridos para o Ródano pelos homens ímpios, de modo que não rastros deles podem aparecer na terra. [Eusébio 5:1]
  10. Isso eles fizeram, como se fossem capazes de conquistar a Deus e impedir seu novo nascimento; como os ímpios disseram, para eles não terem esperança de uma ressurreição. [Eusébio 5:1]
  11. Tinham o desejo de não mais trazerem essa religião estrangeira e nova, e desprezar as coisas terríveis. [Eusébio 5:1]
  12. “Agora vamos ver se eles se levantarão novamente, e se o seu Deus é capaz de ajudá-los e livrá-los de nossas mãos.” [Eusébio 5:1]
  13. Tais coisas aconteceram com as igrejas de Cristo sob o imperador Antonino, a partir do qual podemos razoavelmente conjeturar as ocorrências nas outras províncias. [Eusébio 5:2]
  14. A moderação e a compaixão dessas testemunhas registra que foram zelosos na imitação de Cristo que, estando em forma de Deus, o contaram não um prêmio para estar em igualdade com Deus.
  15. Embora eles tivessem alcançado tal honra, e tivessem dado testemunho, não uma ou duas vezes, mas muitas vezes, pois foram trazidos de volta para a prisão das feras, cobertos ‘com queimaduras e cicatrizes e feridas.
  16. Mas eles não se proclamaram testemunhas, nem nos permitiram chamá-los por este nome. [Eusébio 5:2]
  17. Se qualquer pessoa, em carta ou conversa, falou deles como testemunhas, eles o repreenderam severamente. [Eusébio 5:2]
  18. Pois eles aceitaram alegremente a denominação de Testemunha de Cristo ‘a fiel e verdadeira Testemunha’, e ‘primogênito dos mortos’ e príncipe da vida de Deus; [Eusébio 5:2]
  19. Eles lembraram das testemunhas que já haviam partido, e disseram: ‘Eles já são testemunhas a quem Cristo considerou digno de ser levado em sua confissão, tendo selado seu testemunho com sua partida; mas somos humildes e humildes confessores ‘. [Eusébio 5:2.4]
  20. E suplicaram aos irmãos com lágrimas que orações fervorosas fossem feitas para que eles pudessem ser aperfeiçoados. [Eusébio 5:2.4]
  21. Eles mostraram em seus atos o poder do ‘testemunho’, manifestando grande ousadia para com todos os irmãos. [Eusébio 5:2.4]
  22. Deixaram clara sua nobreza por meio da paciência, destemor e coragem, mas recusaram o título de Testemunhas como os distinguindo de seus irmãos, sendo cheios de o temor de Deus . [Eusébio 5:2.4]
  23. Eles se humilharam sob a mão poderosa, pela qual agora são grandemente exaltados. Eles defenderam tudo, mas não acusaram ninguém. [Eusébio 5:2.5]
  24. Eles absolveram tudo, mas não obrigaram a ninguém. [Eusébio 5:2.5]
  25. E oraram por aqueles que haviam infligido crueldades sobre eles, assim como Estêvão, a testemunha perfeita: ‘Senhor, não coloque este pecado sobre eles.’ [Eusébio 5:2.5]
  26. Afinal, se ele orou por aqueles que o apedrejaram, quanto mais pelos irmãos! [Eusébio 5:2.5]
  27. Pela genuinidade de seu amor, sua maior disputa com ele foi que a Besta, sendo sufocada, poderia expulsar vivos aqueles que ele supôs ter engolido. [Eusébio 5:2.6]
  28. Pois eles não se vangloriavam dos caídos, mas os ajudavam em suas necessidades com aquelas coisas em que eles próprios abundavam, tendo a compaixão de uma mãe e derramando muitas lágrimas por sua causa diante do Pai. [Eusébio 5:2.6]
  29. Eles pediram pela vida e ele deu a eles, e eles compartilharam com seus vizinhos. [Eusébio 5:2.6]
  30. Vitorioso; sobre tudo, eles partiram para Deus. [Eusébio 5.2.7]
  31. Tendo sempre amado a paz, e tendo-nos recomendado a paz, eles foram em paz a Deus, não deixando nenhuma tristeza para sua mãe, nem divisão ou contenda para os irmãos, mas alegria e paz e concórdia e amor. [Eusébio 5.2.7]
  32. O dito sobre o amor daqueles bem-aventurados para com os irmãos caídos poderá ser útil, por causa da atitude desumana e inclemente daqueles que, depois disto, tornaram-se implacáveis contra os membros de Cristo. [Eusébio 5.2.8]

FIM

[Suetônio 18]

  1. Nessas muitas grandes calamidades, ele demonstrou não apenas a preocupação de um imperador. [Suetônio 11.8.2]
  2. Mas até mesmo o amor insuperável de um pai, ora oferecendo consolo em éditos e ora prestando ajuda tanto quanto seus meios permitiam. [Suetônio 11.8.2]
  3. Ele escolheu os comissários por sorteio entre os ex-cônsules para o alívio da Campânia; e a propriedade daqueles que perderam suas vidas pelo Vesúvio e não tinham herdeiros vivos, ele aplicou para a reconstrução das cidades enterradas. Durante o incêndio em Roma, ele não fez nenhuma observação, exceto “Estou arruinado” [11] e separou todos os ornamentos de suas vilas para os edifícios públicos e templos, e colocou vários homens da ordem equestre no comando da obra, que tudo seja feito com maior rapidez. Para curar a peste e diminuir a força da epidemia não havia nenhum auxílio, humano ou divino, que ele não empregasse, buscando todo tipo de sacrifício [12] e todo tipo de remédio.

Entre os males da época estavam os informantes e seus instigadores, que gozavam de uma licença de longa data. Depois que eles foram fortemente espancados no Fórum com açoites e porretes e finalmente conduzidos em procissão pela arena do anfiteatro, ele mandou colocar e vender alguns deles, e outros deportados para a mais selvagem das ilhas. Para desencorajar ainda mais qualquer pessoa que possa pensar em se aventurar em práticas semelhantes, entre outras precauções, ele tornou ilegal que alguém fosse julgado sob várias leis pelo mesmo delito, ou que qualquer inquérito fosse feito quanto ao status legal de qualquer pessoa falecida após um determinado número de anos.

18b 1a Com sua morte, Tito foi o sucessor do governo.

  1. Tito, depois de se tornar governante de Roma, não cometeu nenhum ato de assassinato ou paixão amorosa. Ele se mostrou correto embora tenha conspirado contra e de forma autocontrolada pela volta da sua amante Berenice a Roma. [Cassio Dio 66.18.1]
  2. Isso aconteceu porque ele realmente havia passado por uma mudança; na verdade, para os homens exercer o poder como assistentes de outro governante é muito diferente de exercer uma autoridade independente. [Cassio Dio 66.18.1]
  3. No primeiro caso, eles são indiferentes ao bom nome da soberania e em sua ganância abusam da autoridade que ela lhes dá, fazendo assim muitas coisas que tornam seu poder objeto de inveja e calúnia; mas os monarcas reais, sabendo que tudo depende deles, também buscam boa reputação. [Cassio Dio 66.18.2]
  4. Foi essa constatação, sem dúvida, que levou Tito a dizer a alguém cuja sociedade ele havia afetado anteriormente: “Não é a mesma coisa pedir um favor de outro que decidir um caso, nem o mesmo pedir algo de outro. como é dar a alguém você mesmo.” [Cassio Dio 66.18.3 ]
  5. Novamente, seu histórico satisfatório também pode ter sido devido ao fato de que ele sobreviveu à sua ascensão, mas por um período muito curto (isto é, para um governante), pois não teve oportunidade de transgressão. [Cassio Dio 66.18.3]
  6. Ele viveu depois disso apenas dois anos, dois meses e vinte dias – além dos trinta e nove anos, cinco meses e vinte e cinco dias que ele já tinha vivido naquela época. [Cassio Dio 66.18.4]
  7. A esse respeito, de fato, ele é considerado como tendo igualado o longo reinado de Augusto, uma vez que se afirma que Augusto nunca teria sido amado se tivesse vivido menos, nem Tito se tivesse vivido mais. [Cassio Dio 66.18.4]
  8. Pois Augusto, embora no início tenha se mostrado bastante severo por causa das guerras e da contenda entre facções, mais tarde conseguiu, com o passar do tempo, alcançar uma reputação brilhante por seus atos bondosos. [Cassio Dio 66.18.5]
  9. Tito, por outro lado, governou com brandura e morreu no auge de sua glória, ao passo que, se tivesse vivido muito tempo, poderia ter demonstrado que sua fama atual se devia mais à boa fortuna do que ao mérito. [Cassio Dio 66.18.5]
  10. Seja como for, Tito durante o seu reinado não matou nenhum senador, nem, na verdade, ninguém foi morto por ele durante o seu governo. [Cassio Dio 66.19.1]
  11. Ele nunca se divertia nem permitia que outros o divertissem; pois ele declarou: “É impossível para mim ser insultado ou abusado de qualquer forma. [Cassio Dio 66.19.2]
  12. Porque eu não faço nada que mereça censura, e não me importo com o que é relatado falsamente. [Cassio Dio 66.19.2]
  13. Quanto aos imperadores que morreram e se foram, eles farão vingam-se caso alguém lhes faça algum mal, se na verdade são semideuses e possuem algum poder.” [Cassio Dio 66.19.2]
  14. Ele também instituiu várias outras medidas destinadas a tornar a vida dos homens mais segura e livre de problemas. [Cassio Dio 66.19.3]
  15. Ele emitiu um édito confirmando todos os benefícios que foram concedidos a qualquer pessoa pelos antigos imperadores, poupando-lhes o trabalho de fazer uma petição individual sobre o assunto; e também baniu os informantes da cidade. [Cassio Dio 66.19.3]
  16. Em questões de dinheiro, ele era frugal e não fazia gastos desnecessários, mas não punia ninguém por seguir um proceder diferente. [Cassio Dio 66.19.3]
  17. Em seu reinado também apareceu o Falso Nero, que era um asiático chamado Terentius Maximus. Ele se parecia com Nero tanto na aparência quanto na voz, pois ele também cantava com o acompanhamento da lira. [Cassio Dio 66.19.3]
  18. Ele ganhou alguns seguidores na Ásia e em seu avanço para o Eufrates juntou um número muito maior, e finalmente buscou refúgio em Artabano. [Cassio Dio 66.19.3]
  19. Este era o líder parta, que, por causa de sua raiva contra Tito, o recebeu e começou a fazer os preparativos para devolvê-lo a Roma. [Cassio Dio 66.19.3]
  20. Enquanto isso, a guerra estourou de novo na Grã-Bretanha, e Cneu Júlio Agrícola invadiu todo o território do inimigo ali. [Cassio Dio 66.20.1]
  21. Ele foi o primeiro dos romanos que conhecemos a descobrir o fato de que a Grã-Bretanha é cercada por água.  [Cassio Dio 66.20.1]
  22. Parece que alguns soldados se rebelaram e, depois de matar os centuriões e um tribuno militar, refugiaram-se em barcos. [Cassio Dio 66.20.1]
  23. Eles se lançaram ao mar e contornaram a parte oeste do país exatamente quando o vento e as ondas por acaso os levaram. [Cassio Dio 66.20.2]
  24. E sem perceber, como se aproximaram da direção oposta, voltaram a se colocar nos acampamentos do primeiro lado. [Cassio Dio 66.20.2]
  25. Em seguida, Agrícola enviou outros para tentar a viagem ao redor da Grã-Bretanha e soube deles também que era uma ilha. [Cassio Dio 66.20.2]
  26. Como resultado desses eventos na Grã-Bretanha, Tito recebeu o título de imperador pela décima quinta vez. [Cassio Dio 66.20.3]
  27. Mas Agrícola, pelo resto da vida, viveu não apenas em desgraça, mas na necessidade real, porque as ações que ele praticou eram grandes demais para um mero general. [Cassio Dio 66.20.3]
  28. Finalmente, ele foi assassinado por Domiciano por nenhum outro motivo além deste, apesar de ter recebido honras triunfais de Tito. [Cassio Dio 66.20.3]
  1. Assim, aquele que estava assentado sobre a nuvem passou sua foice pela terra, e a terra foi ceifada. [Apocalipse 14:16]
  2. Outro anjo saiu do santuário do céu, trazendo também uma foice afiada. E ainda outro anjo, que tem autoridade sobre o fogo, saiu do altar e bradou em alta voz àquele que tinha a foice afiada: “Tome sua foice afiada e ajunte os cachos de uva da videira da terra, porque as suas uvas estão maduras! ” [Apocalipse 14:17-18]
  3. O anjo passou a foice pela terra, ajuntou as uvas e as lançou no grande lagar da ira de Deus.
    Elas foram pisadas no lagar, fora da cidade, e correu sangue do lagar, chegando ao nível dos freios dos cavalos, numa distância de cerca de trezentos quilômetros.

A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum.

  1. Sabedoria;
  2. Conhecimento;
  3. Fé;
  4. Cura;
  5. Milagres;
  6. Profecia;
  7. Discernimento de espíritos;
  8. Línguas;
  9. Interpretação de Línguas.

Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, conforme quer.