Ipuur, Crise do Egito

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James Tissot (1836–1902)

Papiro de Ipuur é o lamento por uma grande revolta de servos e escravos nas terras do Egito. O lamento descreve como a nobreza foi subjugada, como as construções foram interrompidas, como os recursos ficaram escassos e como o faraó foi deposto. Apesar de escrito na décima-nona dinastia do Egito, é provável que os acontecimentos estejam relacionados com o “Período intermediário” na confusão entre a décima-terceira e a décima-quarta dinastia que precedeu a invasão asiática dos Hicsos já que no fim há um protesto contra “os que informaram asiáticos da situação da terra”. O texto é muito comparado com o relato bíblico do Êxodo por descrições como “o rio é sangue” e “os filhos são abatidos”, que remetem à primeira e à décima praga.

Esta é a versão em português por Pedro Cavalcanti.

Papiro de Ipuur: 1) Caos da Rebelião; 2) Servos se tornam Senhores 3) Estrangeiros invadem a Terra; 4) Lamento dos Nobres; 5) Roubo e Infanticídio; 6) Fim do Progresso; 7) Queda do Faraó; 8) Nova Nobreza 9) Injustiça e Ruína; 10) Destruição no Palácio; 11) Lembrança aos Sacerdotes; 12) Esperança de Salvação; 13) Desejo de Revanche; 14) Inimigos na Fronteira; 15) Protesto contra Traidores; 16) Explicação dos Pecados; e 17) Conclusão.

I – Caos da Rebelião

Os porteiros dizem: “vamos entrar e saquear”. [. . .] Os lavadores se recusam a carregar sua carga. Os caçadores se põe em linha de batalha. [. . .] Os habitantes do Delta carregam escudos. [. . .] Um homem vê os seus filhos como inimigos. Confusão. [. . .] Venha e conquiste; Ó juiz [. . .] o que foi ordenado para você no tempo de Hórus, na era da Enéade. [. . .] O homem virtuoso vai de luto por causa do que aconteceu na terra [. . .] As tribos do deserto se tornaram egípcias em todos os lugares.

De fato, o rosto está pálido. [. . .] O que os ancestrais predisseram chegou a ocorrer [. . .]. A terra está cheia de cúmplices, e um homem vai arar com seu escudo.

De fato, os mansos dizem: [Ele quem tem] a face como de um homem bem nascido.

De fato, [o seu rosto] está pálido; o arqueiro está pronto, a transgressão está em toda parte e não há nenhum homem de ontem.

De fato, o saqueador [ataca] em todos os lugares e o servo toma o que encontra.

De fato, o Nilo transborda, mas ninguém ara nele. Todos dizem: “não sabemos o que vai acontecer em toda a terra”.

De fato, as mulheres são estéreis e ninguém concebe. Khnum não mais modela os homens por causa das condições da terra.

II – Servos se tornam Senhores

De fato, os pobres se tornaram donos de riquezas e aquele que não conseguia fazer sandálias para si, agora é possuidor de riquezas.

De fato o homem está escravo, os seus corações estão tristes, e os magistrados não confraternizam com seu povo quando gritam.

De fato, [os corações] são violentos, a pestilência está em toda a terra, o sangue está em toda parte, não falta a morte e a múmia fala antes mesmo de alguém se aproximar dela.

De fato, muitos mortos são enterrados no rio; o riacho é um sepulcro; e o local de embalsamamento se tornou um córrego.

De fato, os nobres estão em perigo, enquanto o pobre está cheio de alegria. Cada cidade diz: “Vamos suprimir os poderosos entre nós.”

De fato, os homens são como íbis. A miséria está por toda a terra, e não há ninguém cujas roupas sejam brancas nestes tempos.

De fato, a terra gira como uma roda de oleiro; o ladrão é possuidor de riquezas e [o rico se tornou] um saqueador.

De fato, os servidores de confiança são [suspeitos]; o pobre homem [reclama]: “Que terrível! O que devo fazer?

De fato, o rio é sangue, mas os homens bebem dele. Os homens evitam os seres humanos e têm sede de água.

De fato, portões, colunas e paredes foram queimados, enquanto o salão do palácio permanece firme e resiste.

De fato, o navio quebrou; cidades são destruídas e o Alto Egito se tornou um lixo vazio.

De fato, os crocodilos [estão fartos] dos peixes que pegaram, pois os homens vão até eles por conta própria; é a destruição da terra. Os homens dizem: “Não caminhe aqui; eis que é uma rede.” Eis que os homens andam [na água] como peixes, e o homem assustado não consegue distingui-lo por causa do terror.

De fato, os homens são poucos, e aqueles que enterram seu irmão no solo estão em toda parte. Quando o sábio fala, [as palavras fogem sem demora].

De fato, o bem nascido [sofre] por falta de reconhecimento, e o filho de uma senhora tornou-se filho de uma serva.

III – Estrangeiros invadem a Terra

De fato, o deserto está por toda a terra, os nomos são devastados e bárbaros de fora vieram para o Egito. De fato, os homens chegam [. . .] e agora não há egípcios em lugar nenhum.

De fato, ouro e lápis-lazúli, prata e turquesa, cornalina e ametista, a pedra de Ibhet [. . .] são pendurados no pescoço das servas. [Ainda] há coisas boas por toda a terra, mas as donas de casa dizem: “Oh, isto nós tínhamos para comer!”

De fato, [. . .] mulheres nobres. Seus corpos estão em triste situação por causa de seus trapos, e seus corações afundam quando se cumprimentam. De fato, baús de ébano são quebrados e a preciosa madeira é dividida em camas [. . .].

De fato, os construtores [de pirâmides se tornaram] cultivadores, e aqueles que estavam na casca sagrada agora estão unidos [nela]. Ninguém navegará de fato para o norte em Biblos hoje. O que faremos com os cedros para nossas múmias? [o que faremos] com a produção de que os sacerdotes são sepultados e com o óleo que [os chefes] são embalsamados em Creta (Keftiu)? Eles não comem mais; falta ouro [. . .] e os materiais para cada tipo de embarcação chegaram ao fim. O [tesouro] do palácio é despojado. Quantas vezes as pessoas dos oásis vêm com seus temperos, esteiras e peles festivas, com plantas frescas e gordura de pássaros?

De fato, Elefantina e Tinis […] do Alto Egito, estão sem pagar impostos devido a conflitos civis. Faltam grãos, carvão, frutas, madeira, cedro e galho. O trabalho dos artesãos [. . .] são o lucro do palácio. Para que serve um contador sem receitas? Feliz, de fato, é o coração do rei quando a verdade chega até ele! E toda terra estrangeira [vem]! Esse é o nosso destino e essa é a nossa felicidade! O que podemos fazer sobre isso? Tudo está em ruínas!

De fato, o riso morreu e [não mais] ocorre; só gemidos que se espalham por toda a terra, mesclados de reclamações.

IV – Nobres em Lamento

De fato, todo homem morto era um homem bem nascido. Os que eram egípcios [se tornaram] estrangeiros e são postos de lado.

De fato, o cabelo [caiu] para todos, e o homem de posição não pode mais ser distinguido daquele que não é ninguém.

De fato, [. . .] ocorre ruído [. . .]; são anos de ruído; e não há fim [para o] ruído.

De fato, grandes e pequenos [digam]: “Eu gostaria de morrer.” As criancinhas dizem: “Não deveriam ter [me] feito viver.”

De fato, os filhos dos príncipes são lançados contra as paredes, e os filhos do pescoço são colocados em terreno elevado.

De fato, aqueles que estavam no local do embalsamamento são colocados em terreno elevado, e os segredos dos embalsamadores são derrubados por causa disso.

De fato, pereceu o que ontem foi visto, e a terra é deixada à sua fraqueza como o corte do linho.

De fato, o Delta em sua totalidade não será escondido, e o Baixo Egito confia nas estradas pisadas. O que se pode fazer? Não [. . .] existem em qualquer lugar, e os homens dizem: “Perdição para o lugar secreto!” Eis que está nas mãos de quem não o conhece como de quem o conhece. Os habitantes do deserto são habilidosos nas artes do Delta.

De fato, os cidadãos são colocados na pedra de amolar, e aqueles que vestiam linho fino são espancados. . . Aqueles que antes nunca viam o dia saíram desimpedidos; as que estavam nas camas dos maridos, deitem-se em pranchas. Eu digo: “É muito pesado para mim”, a respeito de balsas que levam mirra. Carregue-os com recipientes cheios [. . .] Deixe-os conhecer o palanquim. Quanto ao mordomo, ele está arruinado. Não há remédios para isso; mulheres nobres sofrem como servas, menestréis estão nos teares dentro das salas de tecelagem e o que cantam para a divindade-cantora cantam o luto. Locutores [. . .] borrachas de milho.

De fato, todas as escravas são livres com suas línguas, e quando sua senhora fala, é enfadonho para as servas.

De fato, as árvores são derrubadas e os galhos são arrancados

V – Roubo e Infanticídio

Ele foi abandonado por seus servo, e os homens dirão quando ouvirem: “Bolos estão faltando para a maioria das crianças; não há comida […]. Qual é o gosto deles hoje?”

De fato, os senhores estão com fome e morrendo, os seguidores são seguidos [. . .] com suas reclamações.

De fato, o homem de temperamento quente diz: “Se eu soubesse onde está o deus, eu o serviria.”

De fato, [a justiça] permeia a terra em nome, mas o que os homens fazem ao confiar nela é errado.

De fato, os que correm estão lutando pelo roubo [do] ladrão, pois todos os seus bens foram levados embora.

De fato, todos os animais, seus corações choram; o gado geme por causa do estado da terra.

De fato, os filhos dos príncipes são lançados contra as paredes, e os filhos pelo pescoço são colocados em terreno elevado. Khnum geme por causa de seu cansaço.

De fato, o terror mata; o homem assustado se opõe ao que deve ser feito aos seus inimigos. Além disso, poucos estão satisfeitos, enquanto o resto está [sofrendo. . .] É por buscar o crocodilo e o partir em pedaços? É por matar o leão o assando no fogo? É por borrifar para Ptah e o pegar [. . .]? Por que entrega a ele? Não há como o alcançar. É a miséria que você entrega a ele.

De fato, escravos. . . por toda a terra, e o homem forte envia a todos; um homem bate em seu irmão materno. O que foi feito? Falo com um homem arruinado.

De fato, os caminhos [não são] estradas vigiadas; os homens se sentam nos arbustos até que o viajante ignorante venha para saquear seu fardo, e o que está sobre ele é levado embora. Ele será espancado com golpes de vara e assassinado.

De fato, o que ontem foi visto [hoje] pereceu, e a terra é deixada à sua fraqueza como o corte do linho, [com] plebeus indo e vindo em dissolução [. ..]

VI – Fim do Progresso

Será que ocorrerá o fim dos homens, sem concepção, sem nascimento! Então a terra ficaria quieta do barulho e não haverá mais tumulto.

De fato, [os homens comem] erva e a regam com água; mas nem frutas nem ervas podem ser encontradas [para] os pássaros, e [a vagem] é retirado da boca do porco. Nenhum rosto é brilhante, dentre os quais você tem, [. . .] para mim através da fome.

De fato, em todos os lugares a cevada pereceu e os homens ficaram sem roupas, especiarias e óleo; todo mundo diz: “Não há nenhum.” O armazém está vazio e seu guardião está estendido no chão; um feliz estado de coisas! . . .

Será que seu tivesse levantado a minha voz naquele momento, eu poderia ter me salvado da dor em que estou.

De fato, Ó câmara do conselho privado, seus escritos foram roubados e os mistérios que estavam [em seu interior] foram revelados.

De fato, feitiços mágicos foram divulgados; os feitiços smw e shnw estão frustrados porque estão sendo repetidos pelos homens.

De fato, escritórios públicos foram abertos e seus estoques foram retirados; o servo tornou-se dono de servos.

De fato, [escribas] foram mortos e seus escritos foram retirados. Ai de mim por causa da miséria desta época!

De fato, os escritos dos escribas do cadastro estão destruídos e o milho do Egito se tornou propriedade comum.

De fato, as leis da Câmara do Conselho foram rejeitadas; na verdade, os homens andam sobre eles em lugares públicos e os pobres os destroem nas ruas.

De fato, o pobre homem atingiu o estado dos Nove Deuses, e o procedimento anterior da Casa dos Trinta foi divulgado.

De fato, a grande câmara do conselho se tornou um local público, e os pobres vão e vêm às Grandes Mansões.

De fato, os filhos da nobreza foram lançados nas ruas; o sábio concordou e o tolo disse “não”, e isso agradou àquele que nada sabe a respeito.

De fato, aqueles que estavam no local do embalsamamento são colocados em terreno elevado, e os segredos dos embalsamadores foram derrubados por causa disso.

VII – Queda do Faraó

Eis que o fogo subiu alto, e o seu fogo avança contra os inimigos da terra.

Eis que coisas foram feitas que não aconteciam há muito tempo; o rei foi deposto pela ralé.

Eis que aquele que foi sepultado como o falcão [faraó, filho de Hórus] está desprovido de túmulo e o que a pirâmide ocultava ficou vazio.

Eis que aconteceu que a terra foi privada da realeza por uns homens sem lei.

Eis que os homens caíram em rebelião contra o Uraeus, a [coroa] de Rá, mesmo aquela que faz as Duas Terras contentes.

Eis que o segredo de uma terra cujos limites eram desconhecidos foi divulgado, e a Residência foi demolida num instante.

Eis que o Egito caiu como se derrama água, e quem derramou água na terra levou o homem forte para a miséria.

Eis que a Serpente é retirada de seu buraco e os segredos dos Reis do Alto e Baixo Egito são divulgados.

Eis que a Residência está com medo por causa da necessidade e [os homens andam] sem oposição para incitar a contenda.

Eis que a terra se atou com confederações, e o covarde toma a propriedade do homem valente.

Eis a Serpente [. . .] e os mortos; quem não podia fazer um sarcófago para si, agora possui uma tumba.

Eis que os possuidores de túmulos são ejetados para o alto, enquanto aquele que não poderia fazer um caixão para si é agora [o possuidor] de um tesouro.

Eis que isso aconteceu [aos] homens; aquele que não conseguiu construir um quarto para si, agora possui paredes.

Eis que os magistrados da terra são expulsos por toda a terra: [. . .] são expulsos dos palácios.

Eis que nobres damas estão agora em jangadas e magnatas no estabelecimento de trabalho, ao passo que quem não conseguia dormir nem nas paredes agora possui uma cama.

Eis que o possuidor de riquezas agora passa a noite sedento, enquanto aquele que antes mendigava para si mesmo agora é o possuidor de tigelas transbordando.

Eis que os possuidores de mantos estão agora em farrapos, enquanto aquele que não podia tecer por si mesmo agora é um possuidor de linho fino.

Eis que aquele que não podia construir um barco para si agora possui uma frota; seu antigo dono olha para eles, mas eles não são seus.

Eis que aquele que não tinha sombra agora é o possuidor da sombra, enquanto os antigos possuidores da sombra estão agora em plena explosão da tempestade.

Eis que aquele que ignorava a lira agora possui uma harpa, enquanto aquele que nunca cantou para si mesmo agora se vangloria da deusa cantora.

Eis que aqueles que possuíam suportes de vasos de cobre [. . .] nenhum dos seus jarros foi adornado

VIII – Nova Nobreza

Eis que um dormiu sem esposa por necessidade [de] riquezas, enquanto aquele a quem nunca viu [riquezas] está dando esmolas.

Eis que aquele que não tinha propriedade agora é possuidor de riquezas, e o nobre [agora] o bajula.

Eis que os pobres da terra enriqueceram, e o [antigo dono] da propriedade é aquele que nada tem.

Eis que os servos tornaram-se mestres dos mordomos, e aquele que antes era um mensageiro agora envia outro.

Eis que aquele que não tinha pão agora é o dono de um celeiro, e seu depósito é fornecido com os bens de outro.

Eis que aquele cujo cabelo caiu e não tinha azeite tornou-se agora o possuidor de potes de mirra doce.

Eis que aquela que não tinha caixinha agora é dona de um cofre, e aquela que precisava olhar para o rosto na água agora é dona de um espelho.

Eis que, [. . .].

Eis que um homem fica feliz comendo sua comida. “Consuma seus bens com alegria e sem impedimentos, pois é bom para o homem comer sua comida”, o deus ordena para aquele a quem ele favoreceu [. . .].

[Eis que aquele que não conhecia] seu deus agora [entrega oferendas] a ele com incenso de outro [deus] desconhecido [dele].

[Eis,] grandes senhoras, outrora possuidoras de riquezas, agora dão seus filhos entre troca de cama.

Eis que um homem [a quem é dado] uma senhora nobre como esposa, seu pai o protege, e quem não tem [. . .] mata ele.

Eis que os filhos dos magistrados são [. . .] [como] os bezerros do gado [entregues] aos saqueadores

Eis que os sacerdotes transgridem com o gado dos pobres [. . .].

Eis que o homem que não podia abater para si mesmo agora abate touros, e o que não sabia esculpir agora vê [. …]

Eis que os sacerdotes transgridem com os gansos, que são dados aos deuses em vez dos bois.

Eis que servas [. . .] oferecem patos; e mulheres nobres oferecem [. . .].

Eis que as mulheres nobres fogem; os superintendentes [. . .] e seus [filhos] são abatidos com medo da morte.

[Eis que] os chefes da terra fogem; não há propósito para eles por causa da necessidade. O senhor de [. . .].

IX – Injustiça e Ruína

Eis que aqueles que antes possuíam camas estão agora no chão, enquanto aquele que antes dormia na miséria agora estende um tapete de pele para si mesmo.

Eis que as mulheres nobres passam fome, enquanto os sacerdotes ficam fartos do que foi preparado para eles.

Eis que nenhum cargo está em seu lugar certo, como um rebanho correndo ao acaso sem um pastor.

Eis que o gado se perde e não há quem o recolha, mas cada um busca para si os que estão marcados com o seu nome.

Eis que um homem é morto ao lado de seu irmão, que foge e o abandona para salvar sua própria pele.

Eis que aquele que não tinha junta de bois agora é dono de um rebanho, e aquele que não conseguia achar arado para si agora é dono de gado.

Eis que aquele que não tinha grão agora é o dono dos celeiros, e quem teve de buscar milho emprestado para si é agora quem o distribui.

Eis que aquele que não tinha dependentes agora é dono de servos, e aquele que era [um nobre] agora executa suas próprias tarefas.

Eis, Ó homens fortes da terra, que a condição do povo não é relatada [a eles]. Tudo está em ruínas!

Eis que nenhum artesão trabalha, pois os inimigos da terra empobreceram seus artesãos.

[Eis que aquele que uma vez registrou] a colheita agora nada sabe sobre ela, enquanto aquele que nunca lavrou [para si mesmo agora é o dono do milho; a colheita] ocorre, mas não é relatada. O escriba [senta-se em seu escritório], mas suas mãos [estão ociosas] nele.

Destruído está [. . .] neste tempo, e um homem vê [no amigo] um adversário. O enfermo traz frescor [ao que está quente. . .].  Medo [. . … .]. Pobres homens [. . . a terra] não é brilhante por causa disso.

X – Destruição no Palácio

Destruído está [. . .]. A comida deles é tirada […através] do medo do terror. O plebeu implora […ao] mensageiro, mas não [. . .há] tempo. Ele é capturado [ainda] carregado de mercadorias e [todos os seus bens] são levados embora. [. . .] os homens passam por sua porta [. . .], pela parte externa da parede, por um galpão e por quartos contendo falcões. É o homem comum que estará vigilante [com] o dia amanhecendo para não o temer. Os homens correm por causa de [. . .]. O templo da cabeça, esticado por um pano tecido dentro da casa. O que eles fazem são tendas, assim como o povo do deserto.

Destruído está o feito dos homens que são enviados como servos a serviço de seus senhores; que não têm prontidão.

Eis que eles são cinco homens e dizem: “Vá pela estrada que conheça, pois nós chegamos.”

O Baixo Egito chora; o armazém do rei é propriedade comum de todos, e todo o palácio não tem seus rendimentos. A ela pertencem a cevada e o emmer, a ave e o peixe; a ela pertencem o tecido branco e o linho fino, o cobre e óleo; a ela pertencem o tapete e a carpete, [. . .] flores e feixes de trigo e todas as boas receitas. . . Se […] no palácio não fossem atrasados, os homens estariam desprovidos [de. . .].

Destrua os inimigos da augusta residência, esplêndida dos magistrados […]; De fato, o governador da cidade caminha sem escolta.

Destrua [os inimigos] da residência esplêndida [. . .], augusta, múltiplas de leis [. . .], antiga […], com múltiplos escritórios; de fato [. . .]. Ninguém pode suportar [. . .].

Lembre-se de imergir [. . .] aquele que sente dores quando está doente do corpo; mostrar respeito [. . .] por causa de seu deus para que ele possa guardar a expressão [. . .] seus filhos, que são testemunhas do dilúvio das águas.

XI – Lembrança aos Sacerdotes

Lembre-se do [. . . . . .]. . . santuário, para fumigar com incenso e oferecer água em uma jarra de manhã cedo.

Lembre-se de [trazer] cisnes, gansos e patos gordos e outras oferendas aos deuses.

Lembre-se de mascar natrão [para os dentes] e de preparar pão branco; que um homem [deve fazer] no dia em que molhar a cabeça.

Lembre-se de erguer mastros de bandeira e esculpir pedras de oferenda, e de os sacerdotes limparem as capelas e no templo colocarem reboco branco como leite, para tornar agradável o odor do horizonte e fornecer ofertas de pão.

Lembre-se de observar os regulamentos, fixar as datas corretamente e remover aquele que entra no ofício sacerdotal das impureza do corpo, pois isso, como feito erroneamente, é a destruição do coração [. . .]. O dia que antecede a eternidade, os meses [. . .] anos são conhecidos.

Lembre-se de abater bois [. . .].

Lembre-se de prosseguir purgado [. . .] para quem convocar para você; para colocar gansos no fogo [. . .], para abrir o jarro [. . .] com a margem das águas [. . .], de mulheres [. . .] roupas [. . … .], para dar elogios. . . a fim de o apaziguar.
[. . .] Falta de gente; venha [. . .]. Rá quem comanda [. . .] adorando-o [. . .] ao Oeste até [.. . .].

Eis que ele procura modelar [os homens. . .]. O homem assustado não se distingue do violento.

XII – Esperança de Salvação

Ele traz frescor sobre o calor; os homens dizem: “Ele é o pastor da humanidade e não há mal em seu coração.” Embora seus rebanhos sejam poucos, ele passa um dia para recolhê-los, pois seus corações estão em chamas.

Será que se ele tivesse percebido a natureza deles na primeira geração; então ele teria imposto obstáculos, teria estendido o braço contra eles, teria destruído seus rebanhos e seus herdeiros. Os homens desejam dar à luz, mas sobrevém a tristeza, com pessoas necessitadas por todos os lados. Assim é, e não passará enquanto os deuses que estão no meio disso existirem. A semente vai para as mulheres mortais, mas nenhuma é encontrada na estrada.

O combate avançou, e aquele que deveria ser o reparador dos males é aquele que os comete; nem os homens atuam como pilotos em seu horário de serviço. Onde ele esta hoje Ele está dormindo? Eis que seu poder não é visto.

Se tivéssemos sido alimentados, eu não os teria encontrado, não teria sido convocado em vão; “Agressão contra isso significa dor no coração” é um ditado que vem da boca de todos. Hoje quem tem medo [. . .] uma miríade de pessoas; [. . .] não viu [. . .] contra os inimigos [. . .] em sua câmara externa; quem entra no templo [. . .] chorando por ele [. . .] aquele que confunde o que disse [. . .] A terra não caiu [. . .] as estátuas são queimadas e seus túmulos destruídos [. . .].

Ele vê o dia de [. . .]. Aquele que não poderia fazer por si mesmo [. . .] entre o céu e o solo tem medo de todos.

Se ele fizer isso [. . .] o que você não gosta de tomar.

Autoridade, conhecimento e verdade estão com você, mas confusão é o que você coloca em toda a terra junto também com o barulho do tumulto. Eis que um faz mal a outro, pois os homens se conformam com o que você ordenou. Se três homens viajam na estrada, eles são apenas dois, pois muitos matam poucos.

XIII – Desejo de Revanche

Um pastor deseja a morte? Então você pode ordenar que uma resposta seja feita, porque significa que a um ama, e a outro detesta; isso significa que suas existências são diminuídas em todo lugar; significa que você agiu para que essas coisas acontecessem. Você disse mentiras, e a terra é uma erva daninha que destrói os homens, e ninguém pode contar com a vida. Todos esses anos são conflitos, e um homem é assassinado sob seu telhado, embora estivesse vigilante em sua cabana no portão. Ele é corajoso e se salva? Isso significa que ele vai viver.

Quando os homens enviam um servo para buscar gente humilde, ele segue pela estrada até ver a enchente. A estrada está destruída e ele está preocupado. O que está nele é levado embora, ele é atacado com golpes de uma vara e injustamente morto. Oh, que você pudesse provar um pouco da miséria disso! Então você diria [. . .] de outra pessoa como uma parede, para além de [. . .] quente. . . anos. . . [. . .].

[É realmente bom] quando os navios passam rio acima [. . . . . .] os roubando.

É realmente bom [. . .], [muito] bom, quando a rede é puxada e os pássaros são amarrados [. . .].

É [de fato] bom [. . .] que dignidades sejam deles, e as estradas sejam transitáveis.

É realmente bom quando as mãos dos homens constroem pirâmides, quando os lagos são cavados e as plantações das árvores dos deuses são feitas.

É realmente bom quando os homens estão bêbados; eles bebem myt e seus corações ficam felizes.

XIV – Inimigos nas Fronteiras

É realmente bom quando o grito está na boca dos homens, quando os nobres dos distritos ficam olhando para a gritaria em suas casas, vestidos com uma capa, limpos na frente e bem providos por dentro.

É realmente bom quando as camas são preparadas e os encostos de cabeça dos magistrados estão protegidos com segurança. A necessidade de cada homem é satisfeita com um divã à sombra, e uma porta está agora fechada para aquele que antes dormia no mato.

De fato, é bom quando linho fino é estendido no dia de Ano Novo [. . .]; quando o linho fino é estendido e as capas estão no chão. O superintendente de [. . .] as árvores, os pobres [. . … .] no meio deles, como asiáticos [. . .]. Homens [. . .] o seu estado; eles chegaram ao fim de si mesmos; ninguém pode ser encontrado para se levantar e se proteger [. . .].

Todos lutam por sua irmã e salvam sua própria pele. São núbios? Então, vamos nos proteger; guerreiros são feitos muitos para afastar os estrangeiros. São os líbios? Então vamos nos afastar.

O Medjay está satisfeito com o Egito.

XV – Protesto contra Traidores

Por que todo homem mata o seu irmão? As tropas que organizamos para nós mesmos se transformaram em estrangeiras e começaram a devastar. O que passou por ele foi informar os asiáticos sobre o estado da terra; todo o povo do deserto está possuído pelo medo disso.

O que a plebe provou [. . .] sem entregar o Egito [à] areia. Isso é forte [. . .] falar de você depois de anos [. . .] arrasa-se, é a eira que alimenta as suas casas [. . .] para nutrir seus filhos [. . .] dito pelas tropas [. . . . . .] peixe [. . .] goma, folhas de lótus [. . .] excesso de comida.

XVI – Explicação do Pecado

O que Ipuwer disse quando se dirigiu à Majestade do Senhor de Todos: [. . .] todos os rebanhos. Significa que ignorá-lo é o que agrada ao coração. Você fez o que era bom em seus corações e alimentou as pessoas com isso. Eles cobrem o rosto com medo do dia seguinte.

É assim que um homem envelhece antes de morrer, enquanto seu filho é um menino de entendimento; ele não abre [sua] boca para falar com você, mas você o apreende na condenação da morte [. . .] chorar [. . .] ir [. . .] depois de você, para que a terra seja [. . .] por todos os lados.

XVII – Conclusão

Se os homens clamam, [. . .] chore [. . .]. Eles, que invadem os túmulos e queimam as estátuas [. . .], aos cadáveres dos nobres [. . … .] são dirigidos o trabalho.