Enoque, o livro dos guardiães

Gustave Doré (1832–1883)

O Livro de Enoque é um texto do gênero das revelações, que clama autoria por Enoque, o bisavô de Noé, no período pré-diluviano. O texto narra os eventos que causaram o Dilúvio e esclarece quem são os “Filhos de Deus” e os “Nefilins” citados de forma confusa no capítulo 6 do livro Gênesis. A primeira parte do texto, chamado “Livro dos Guardiães”, fornece o contexto para a rebelião dos anjos contra Deus e define a origem para os anjos caídos e os demônios, se tornando leitura obrigatória para uma visão mais esotérica Bíblia. Vários fragmentos encontrados nos Manuscritos do Mar Morto. Além disso, os livros de Judas e Pedro no Novo Testamente faz citação ao texto de Enoque, o que o eleva a um status quase canônico.

Livro dos Guardiães: 1) Introdução; 2-6) Sermão aos Pecadores; 7) Anjos Rebeldes; 8) Maus Ensinamentos; 9) Clamor por Justiça; 10-11) Anúncio de Deus; 12) Escriba da Retidão; 13) Reprovação dos Guardiães; 14) Subida aos Céus; 15-16) Sentença Divina; 17-19) Sobrevoando o Céu; 20-21) Prisão dos Anjos; 22) Lugar das Almas; 23-24) Habitação do Messias; 25-26) Vale dos amaldiçoados; 27-31) Visão do Mundo; 32-36) Extremidades da Terra.

Capítulo 1: Introdução

1.1 As palavras das bênçãos de Enoque, com as quais ele abençoou os eleitos e os justos, os quais devem existir nos tempos da tribulação, rejeitando toda iniquidade e mundanismo. Enoque, um homem justo, o qual estava com Deus, respondeu e falou com Deus enquanto seus olhos estavam abertos, e enquanto via uma santa visão dos céus. Isto os anjos me mostraram.

1.2 Deles eu ouvi todas as coisas e entendi o que vi; coisas que não terão lugar nesta geração, mas numa geração que deve acontecer num tempo distante, por causa dos eleitos.

1.3 A respeito deles eu falei e conversei com Ele, o qual virá de Sua habitação, o Santo e Poderoso, o Deus do mundo:

1.4 O qual pisará sobre o Monte Sinai; aparecerá com Suas hostes e se manifestará com a força do Seu poder dos céus.

1.5 Todos estarão temerosos e os Guardiães estarão aterrorizados.

1.6 Grande temor e tremor se apoderarão deles, mesmo aos confins da terra. As alturas das montanhas serão abaladas, e os altos montes serão abatidos, derretidos como o favo de mel na chama de fogo. A terra será imersa e todas as coisas que nela estão perecerão; enquanto julgamento virá sobre todos, mesmo sobre todos os justos:

1.7 Mas a eles será dada paz: Ele preservará os eleitos e para com eles exercitará clemência.

1.8 Então todos pertencerão a Deus, serão felizes e abençoados, e o esplendor da Divindade os iluminará.

Capítulo 2-6: Sermão aos Pecadores

2.1 Eis que Ele vem com dezenas de milhares dos Seus santos para executar julgamento sobre os pecadores e destruir o iníquo, e reprovar toda coisa carnal e toda coisa pecaminosa e mundana que foi feita, e cometida contra Ele.

3.1 Todos os que estão nos céus sabem o que transcorre lá.

3.2 Eles sabem que as luminárias celestes não mudam seus caminhos; que cada uma nasce e se põe regularmente, cada uma a seu próprio tempo, sem transgredir os mandamentos que receberam. A VISÃO da terra, e entendem o que deve acontecer, desde o princípio até o seu fim.

3.3 Eles veem que toda obra de Deus é invariável no período de seu aparecimento. Eles veem o verão e o inverno: percebendo que toda terra está repleta de água; e que a nuvem, o orvalho, e a chuva refrescam-na. 

4.1 Eles consideram e veem cada árvore, como aparecem para depois murchar, e toda folha, para depois cair, exceto de quatorze árvores, as quais não são efêmeras, e esperam pelo aparecimento das folhas novas por dois ou três invernos.

5.1 Novamente eles consideram os dias de verão, que o sol está sobre a terra desde o princípio; enquanto tu[pecador] procuras por uma cobertura e por um lugar sombreado por causa do sol ardente; enquanto a terra é queimada com calor fervente, te torna incapaz de andar sobre a terra ou sobre as rochas em consequência do calor.

6.1 Eles consideram como as árvores, quando elas dão suas folhas verdes, cobrem-se e produzem frutos; entendendo tudo, e sabendo que Ele, o qual vive para sempre, faz todas estas coisas por causa de vós:

6.2 Que as obras desde o princípio de todo ano existente, que todas as suas obras são obedientes a Ele e invariáveis; assim como Deus determinou, assim todas as coisas acontecem.

6.3 Eles veem também como os mares e os rios juntos completam suas respectivas operações:

6.4 Mas tu [pecador] resistes impacientemente, não cumpre os mandamentos do Senhor, mas transgrides e calunias a a grandiosidade de Deus; e malditas são as palavras em tua boca poluída contra Sua majestade.

6.5 Você, murcho de coração, a paz não estará contigo!

6 Portanto teus dias te amaldiçoarão, e os anos de tua vida perecerão; execração perpétua se multiplicará, e não obterás misericórdia.

6.7 Nestes dias tu [pecador] resignas tua paz com a eterna maldição de todos os justos, e os pecadores perpetuamente te execrarão;

6.8 Eles te execrarão com tudo o que não é divino.

6.9 Os eleitos possuirão luz, alegria e paz; e herdarão a terra.

6.10 Mas tu, que não és santo, serás amaldiçoado.

6.11 Então a sabedoria será dada aos eleitos, todos os que viverão, e não transgredirão por impiedade ou orgulho, mas humilhar-se-ão, processando prudência, e não repetirão transgressão.

6.12 Eles não condenarão todo o período das suas vidas, não morrerão em tormento e indignação; mas a soma dos seus dias se completará, e envelhecerão em paz; enquanto os anos de sua felicidade se multiplicarão em alegria, e com paz, para sempre, em toda a duração de sua existência.

Capítulo 7: Guardiães Rebeldes

7.1 E aconteceu depois que os filhos dos homens se multiplicaram naqueles dias, nasceram-lhe filhas, elegantes e belas.

7.2 E quando os Guardiães, os filhos dos céus, viram-nas, enamoraram-se delas, dizendo uns para os outros: Vinde, selecionemos para nós mesmos esposas da progênie dos homens, e geremos filhos.

7.3 Então seu líder Samyaza disse-lhes: Eu temo que talvez possais indispor-vos na realização deste empreendimento;

7.4 E que só eu sofrerei por tão grave crime.

7.5 Mas eles responderam-lhe e disseram: Nós todos juramos;

7.6 Que nós não mudaremos nossa intenção mas executamos nosso empreendimento projetado.

7.7 Então eles juraram todos juntos, e todos se amarraram por mútuo juramento. Todo seu número era duzentos, os quais descendiam de Ardis [nos dias de Jared], o qual é o topo do monte Armon.

7.8 Aquele monte portanto foi chamado Hermon, porque eles tinham jurado sobre ele, e amarraram-se por mútuo juramento.

7.9 Estes são os nomes de seus chefes: Samyaza, que era o seu líder, Urakabarameel, Akibeel, Tamiel, Ramuel, Danel, Azkeel, Saraknyal, Asael, Armers, Batraal, Anane, Zavebe, Samsaveel, Ertael, Turel, Yomyael, Arazyal. Estes eram os prefeitos dos duzentos anjos, e os restantes estavam todos com eles.

7.10 Então eles tomaram esposas, cada um escolhendo por si mesmo; as quais eles começaram a abordar, e com as quais eles coabitaram, ensinando-lhes sortilégios, encantamentos, e a divisão de raízes e árvores.

7.11 E as mulheres conceberam e geraram gigantes,

7.12 Cuja estatura era de trezentos cúbitos. Estes devoravam tudo o que o labor dos homens produzia e tornou-se impossível alimentá-los;

7.13 Então eles voltaram-se contra os homens, a fim de devorá-los;

7.14 E começaram a ferir pássaros, animais, répteis e peixes, para comer sua carne, um depois do outro, e para beber seu sangue.

7.15 Então a terra reprovou os injustos.

 

Capítulo 8: Maus Ensinamentos

8.1 Além disso, Azazyel ensinou os homens a fazerem espadas, facas, escudos, armaduras (ou peitorais), a fabricação de espelhos e a manufatura de braceletes e ornamentos, o uso de pinturas, o embelezamento das sobrancelhas, o uso de todo tipo selecionado de pedras valiosas, e toda sorte de corantes, para que o mundo fosse alterado.

8.2 A impiedade foi aumentada, a fornicação multiplicada; e eles transgrediram e corromperam todos os seus caminhos.

8.3 Amazarak ensinou todos os sortilégios, e divisores de raízes:

8.4 Armers ensinou a solução de sortilégios;

8.5 Barkayal ensinou a observação das estrelas,

8.6 Akibeel ensinou sinais;

8.7 Tamiel ensinou astronomia;

8.8 E Asaradel ensinou o movimento da lua,

8.9 E os homens, sendo destruídos, clamaram, e suas vozes romperam os céus.

 

Capítulo 9: Clamor por Justiça

9.1 Então Miguel e Gabriel, Radael, Suryal, e Uriel, olharam abaixo desde os céus, e viram a quantidade de sangue que era derramada na terra, e toda a iniquidade que era praticada sobre ela, e disseram um ao outro; Esta é a voz de seus clamores;

9.2 A terra desprovida de seus filhos tem clamado, mesmo até os portões do céu.

9.3 E agora a ti, ó Santo dos céus, as almas dos homens queixam-se, dizendo: Traz a justiça para nós do Altíssimo. Então eles disseram ao seu Senhor, o Rei: Tu és Senhor dos senhores, Deus dos deuses, Rei dos reis. O trono de Tua glória é para sempre e sempre, e para sempre seja Teu nome santificado e glorificado.

9.4 Tu fizeste todas as coisas; Tu possuis poder sobre todas as coisas; e todas as coisas estão abertas e manifestas diante de Ti. Tu vês todas as coisas e nada pode esconder-se de Ti.

9.5 Tu viste o que Azazyel tem feito, como ele tem ensinado toda espécie de iniquidade sobre a terra, e tem aberto ao mundo todas as coisas secretas que são feitas nos céus.

9.6 Samyaza também tem ensinado sortilégios, para quem Tu deste autoridade sobre aqueles que estão associados Contigo. Eles tem ido juntos às filhas dos homens, têm-se deitado com elas; têm-se contaminado;

9.7 E têm descoberto crimes a elas.

9.8 As mulheres igualmente têm gerado gigantes.

9.9 Assim toda a terra tem se enchido de sangue e iniquidade.

9.10 E agora, vês que as almas daqueles que estão mortos clamam.

9.11 E queixam-se até ao portão do céu.

9.12 Seus gemidos sobem; nem podem eles escapar da injustiça que é cometida na terra. Tu conheces todas as coisas, antes de elas existirem.

9.13 Tu conheces estas coisas, e o que tem sido feito por eles; já Tu não falas a nós.

9.14 O que, por conta destas coisas, devemos fazer contra eles?

Capítulo 10: Anúncio de Deus

1-3 Então o Altíssimo, o Grande e Santo falou e enviou a Arsayalalyur ao filho de Lamech, dizendo: Diz a eles em Meu nome: Esconde-te.

4 Então explicou-lhe a consumação que está preste a acontecer; pois toda a terra perecerá; as águas do dilúvio virão sobre toda a terra, e todas os que estão nela serão destruídos.

5 E agora, ensina-o como ele pode escapar, e como sua semente pode permanecer em toda a terra.

6 Novamente o Senhor disse a Rafael: Amarra a Azazyel, mãos e pés; lança-o na escuridão; e abrindo o deserto que está em Dudael, lança-o nele.

7-8 Arremessa sobre ele pedras agudas, cobrindo-o com escuridão; lá ele permanecerá para sempre; cobre sua face, para que ele não possa ver a luz.

9 E no grande dia do julgamento lança-o ao fogo.

10 Restaura a terra, a qual os anjos corromperam; e anuncia vida a ela, para que Eu possa recebê-la.

11 Todos os filhos dos homens, sua descendência, não perecerão em consequência de todo segredo, pelo qual as Sentinelas têm destruído, e o que eles ensinaram.

12 Toda a a terra tem se corrompido pelos efeitos dos ensinamentos de Azazyel. A ele, portanto, se atribui todo crime.

13 A Gabriel também o Senhor disse: Vai aos bastardos, aos réprobos, aos filhos da fornicação; e destrói os filhos da fornicação, a descendência das Sentinelas de entre os homens; traga-os e excite-os uns contra os outros. Faça-os perecer por mútua matança; pois o prolongamento de dias não será deles.

14 Eles rogarão a ti, mas seus pais não obterão seus desejos com respeito a eles; pois eles esperaram por vida eterna, e que eles possam viver, cada um deles, quinhentos anos.

15 A Miguel, igualmente o Senhor disse: Vai e anuncia seus próprios crimes a Samyaza, e aos outros que estão com ele, os quais têm se associado às mulheres para que se contaminem com toda sua impureza. E quando todos os seus filhos forem mortos, quando eles virem a perdição dos seus bem-amados, amarra-os por setenta gerações debaixo da terra, mesmo até o dia do julgamento, e da consumação, até o julgamento, cujo efeito que dura para sempre, seja completado.

16 Então eles serão levados para as mais baixas profundezas do fogo em tormentos; lá eles serão encerrados em confinamento para sempre.

17 Imediatamente depois disso ele, [Samyaza] juntamente com os outros, queimarão e perecerão; eles serão amarrados até a consumação de muitas gerações.

18 Destrói todas as almas viciadas na luxúria, e a descendência das Sentinelas, pois eles tiranizam a humanidade.

19-20 Que todo opressor pereça na face da terra; Que toda má obra seja destruída;

21 A semente da justiça e da retidão apareça, e o que é produtivo torne-se uma bênção.

22 Justiça e retidão serão plantados para sempre com prazer.

23 E então todos os santos darão graças, e viverão até terem gerado milhares de filhos, enquanto todo o período se sua juventude, e seus sábados, serão completados em paz. Naqueles dias toda a terra será cultivada em retidão; ela será totalmente cultivada com árvores, e será cheia de bendições; toda árvore de delícias será plantada nela.

24 Vinhas serão plantadas; e a vinha que nela será plantada produzirá frutos para saciedade; toda semente que nela será semeada produzirá mil por uma medida; e uma medida de olivas produzirá dez prensas de óleo.

25 Purifica a terra de toda opressão, de toda injustiça, de todo crime, de toda impiedade, e de toda impureza que é cometida sobre ela. Extermina-os da terra.

26 Então todos os filhos dos homens serão justos, e todas as nações me pagarão divinas honras, e Me abençoarão; e todos Me adorarão.

27 A terra será limpa de toda corrupção, de toda punição e de todo sofrimento; Eu não enviarei novamente dilúvio sobre ela, de geração em geração para sempre.

28 Naqueles dias Eu abrirei tesouros de bênçãos que estão nos céus, para que Eu possa fazê-las descer sobre a terra, e sobre todos os trabalhos e labores do homem.

29 Paz e equidade se associará aos filhos dos homens todos os dias do mundo, em cada uma de suas gerações.

Capítulo 11: (não tem)

[não tem]

Capítulo 12: Enoque, o Escriba

1 Antes de todas estas coisas acontecerem, Enoque esteve escondido; e nenhum dos filhos dos homens sabia onde ele estava, onde ele havia estado, e o que havia acontecido.

2 Ele esteve totalmente engajado com os santos, e com as Sentinelas em seus dias.

3 Eu, Enoque, fui abençoado pelo grande Senhor e Rei da paz.

4 E eis que as Sentinelas chamaram-me Enoque, o escriba.

5 Então o Senhor disse-me: Enoque, escriba da retidão, vai e dize às Sentinelas dos céus, os quais desertaram o alto céu e seu santo e eterno estado, os quais foram contaminados com mulheres.

6 E fizeram como os filhos dos homens fazem, tomando para si esposas, e os quais têm sido grandemente corrompidos na terra;

7 Que na terra eles nunca obterão paz e remissão de pecados. Pois eles não se regozijarão em sua descendência; eles verão a matança dos seus bem-amados; lamentarão a destruição dos seus filhos e farão petição para sempre; mas não obterão misericórdia e paz.

Capítulo 13: Reprovação dos Guardiães

1 Então Enoque, passando ali, disse a Azazyel: Tu não obterás paz. Uma grande sentença há contra ti. Ele te amarrará;

2 Socorro, misericórdia e súplica não estarão contigo por causa da opressão que tens ensinado;

3 E por causa de todo ato de blasfêmia, tirania e pecado que tens descoberto aos filhos dos homens.

4 Então partindo dele, falei a eles todos juntos;

5 E eles todos ficaram apavorados, e tremeram;

6 Abençoando-me por escrever por eles um memorial de súplica, para que eles pudessem obter perdão; e que eu fizesse um memorial de suas orações ascendendo diante do Deus do céu; porque eles, por si mesmos, desde então não podiam dirigir-se a Ele, nem levantar seus olhos aos céus por causa da infame ofensa com a qual eles foram julgados.

7 Então eu escrevi um memorial de suas orações e súplicas, por seus espíritos, por tudo o que eles haviam feito, e pelo assunto de sua solicitação, para que eles obtivessem remissão e descanso.

8 Procedendo nisso, eu continuei sobre as águas de Danbadan, as quais estão da direita para o oeste de Hermon, lendo o memorial de suas orações, até que caí adormecido.

9 E eis que um sonho veio a mim, e visões apareceram acima de mim. E caí e vi uma visão de castigos, para que eu pudesse relatá-la aos filhos dos céus, e reprová-los. Quando eu acordei fui até eles. Todos estavam reunidos chorando em Oubelseyael, que está situada entre o Libano e Seneser, com suas faces escondidas.

10 E relatei em sua presença todas as visões que eu havia visto, e meu sonho;

11 E comecei a pronunciar estas palavras de retidão, reprovando as Sentinelas do céu.

Rebelião dos Guardiães: 1) Introdução; 2-6) Sermão aos Pecadores; 7) Anjos Rebeldes; 8) Maus Ensinamentos; 9) Clamor por Justiça; 10-11) Anúncio de Deus; 12) Profecia de Enoque; 13) Reprovação dos Guardiães; 14)

 

Capítulo 14:

1 Este é o livro das palavras de retidão, e de reprovação das Sentinelas, os quais pertencem ao mundo, de acordo com o que Ele, que é santo e grande, ordenou na visão. Eu percebi em meu sonho que eu estava então falando com a língua da carne, e com meu fôlego, que o Poderoso colocou na boca dos homens, para que eles pudessem conversar com Ele.

2 Eu entendi com o coração. Assim como Ele havia criado e dado aos homens o poder de compreender a palavra de entendimento, assim criou, e deu a mim o poder de reprovar os Sentinelas, a geração dos céus. E escrevi sua petição; e na minha visão foi-me mostrado que seu pedido não lhes será atendido enquanto o mundo perdurar.

3 Julgamento passou sobre vós: vosso pedido não vos será atendido.

4 De agora em diante, nunca ascendereis ao céu; Ele o disse que na terra Ele vos amarrará, tanto tempo quanto o mundo existir.

5 Mas antes destas coisas tu verás a destruição dos vossos bem-amados filhos; não os possuireis, mas eles cairão diante de vós pela espada.

6 Nem pedireis por eles, nem por vós mesmos;

7 Assim também, a despeito de vossas lágrimas e orações, não recebereis nada, de tudo o que está contido nos registros que eu tenho escrito.

8 Uma visão então me apareceu.

9 Eis que naquela visão, nuvens e névoa convidaram-me; estrelas agitadas e brilho de relâmpagos impeliram-me e pressionaram-me adiante, enquanto ventos na visão assistiram meu voo, acelerando meu progresso.

10 Eles elevaram-me no alto ao céu. Eu prossegui, até que cheguei próximo dum muro construído com pedras de cristal. Uma língua de fogo vibrante rodeou-o, a qual começou a golpear-me com terror.

11 Nesta língua de fogo vibrante eu entrei;

12 E aproximei-me de uma espaçosa habitação, também construída com pedras de cristal. Seus muros também, bem como o pavimento, eram formados com pedras de cristal, e de cristal também era o piso. Seu telhado tinha a aparência de estrelas agitadas e brilhos de relâmpagos; e entre eles haviam querubins de fogo num céu tempestuoso. Uma chama queimava ao redor dos muros; e seu portal queimava com fogo. Quando eu entrei nesta habitação, ela era quente como fogo e frio como o gelo. Nenhum traço de encanto ou de vida havia lá. O terror sobrepujou-me, e um tremor de medo apoderou-se de mim.

13 Violentamente agitado e tremendo, eu caí sobre minha face. Na visão eu olhei.

14 E vi que lá havia outra habitação mais espaçosa que a primeira, cada entrada da qual estava aberta diante de mim, elevada no meio da chama vibrante.

15 Tão grandemente superou em todos os pontos, em glória, em magnificência, em magnitude, que é impossível descrever-vos o esplendor ou a extensão dela.

16 Seus pisos eram de fogo, acima haviam relâmpagos e estrelas agitadas, enquanto o telhado exibia um fogo ardente.

17 Eu examinei-a atentamente e vi que ela continha um trono exaltado;

18 A aparência do qual era semelhante à da geada, enquanto que sua circunferência assemelhava-se à órbita do sol brilhante; e havia a voz de um querubim.

19 Debaixo desse poderoso trono saíam rios de fogo flamejante.

20 Olhar para ele foi impossível.

21-22 Alguém grande em glória assentava-se sobre ele, cujo manto era mais brilhante que o sol, e mais branco que a neve.

23 Nenhum anjo era capaz de penetrar para olhar a Sua face, o Glorioso e Fulgente; nem podia algum mortal vê-Lo. Um fogo flamejante rodeava-O.

24 Também um fogo de grande extensão continuava a elevar-se diante Dele; de modo que nenhum daqueles que estavam ao redor Dele eram capazes de aproximar-se Dele, entre as miríades de miríades que estavam diante Dele. Para Ele santa consulta era desnecessária. Contudo, o Santificado, que estava próximo Dele, não apartou-se Dele nem de noite nem de dia; nem eram eles tirados de diante Dele. Eu também estava tão adiantado, com um véu sobre minha face, e trêmulo. Então o Senhor com sua própria boca chamou-me, dizendo: Aproxima-se aqui acima, Enoque, à minha santa palavra.

25 E Ele ergueu-me, fazendo aproximar-me, mesmo até à entrada. Meus olhos estavam dirigidos para o chão.

Capítulo 15: Sentença Divina

15.1 Então dirigindo-se para mim, Ele falou e disse: Ouve, não se atemorize, justo Enoque, tu escriba da retidão: aproxima-te para cá, e ouve a minha voz. Vai, dize às Sentinelas do céu, a quem te enviei para rogar por eles: Tu deves rogar pelos homens, e não os homens por ti!

15.2 Portanto, deves abandonar o sublime e santo céu, o qual permanece para sempre; deitastes com mulheres; vos corrompestes com as filhas dos homens; tomaste-a para ti esposas; agistes igual aos filhos da terra, e gerastes uma ímpia descendência [gigantes].

15.3 Sois espirituais, santos, e possuidores de uma vida que é eterna; vos contaminastes com mulheres, procriastes em sangue carnal; cobiçastes o sangue de homens; e fizestes como aqueles que são carne e sangue fazem.

15.4 Estes, contudo, morrem e perecem.

15.5 Portanto, de agora em diante Eu dou-vos esposas, para que possais coabitar com elas; para que filhos nasçam delas; e que isto seja negociado sobre a terra.

15.6 Mas desde o princípio fostes feitos espirituais, possuindo uma vida que é eterna, e não sujeito à morte para sempre.

15.7 Portanto, eu não fiz esposas para vós, porque, sendo espirituais, vossa habitação está no céu,

15.8 Agora, os gigantes que têm nascido de espírito e de carne, serão chamados sobre a terra de maus espíritos, e na terra estará a sua habitação. Maus espíritos procederão de sua carne, porque eles foram criados de cima; dos santos Sentinelas foi seu princípio e a sua primeira fundação. Maus espíritos eles serão sobre a terra, e de espíritos da maldade eles serão chamados. A habitação dos espíritos do céu será no céu, mas sobre a terra estará a habitação dos espíritos terrestres, os quais são nascidos na terra.

15.9 Os espíritos dos gigantes serão semelhantes às nuvens [nephelas], os quais oprimem, corrompem, caem, contendem e confundem sobre a terra.

15.10 Eles causarão lamentação. Nenhuma comida eles comerão; e terão sede; eles se esconderão e não se levantarão contra os filhos dos homens, e contra as mulheres; pois eles virão durante os dias da matança e da destruição.

16.1 E quanto à morte dos gigantes, onde quer que seus espíritos se apartem de seus corpos; que sua carne, que é perecível, esteja sem julgamento. Assim eles perecerão, até o dia da grande consumação do mundo. Uma destruição das Sentinelas e dos ímpios acontecerá.

16.2 E então às Sentinelas, aos quais enviei-te para rogar por eles, os quais no princípio estavam no céu, dize:

16.3 No céu tens estado; coisas secretas, entretanto, não têm sido manifestadas a ti; contudo tens conhecido um reprovável mistério.

16.4 E isto tens relatado às mulheres na dureza do vosso coração, e por aquele mistério as mulheres e a humanidade têm multiplicado males sobre a terra.

16.5 Dize a eles: Nunca, portanto, obtereis paz.

 

Capítulo 17: Sobrevoando o Céu

1 Eles levantaram-me a um certo lugar, onde eram semelhantes um fogo fervente; e quando eles se agradaram assumiram a semelhança de homens.

2 Eles levaram-me a um alto lugar, a uma montanha, cujo topo alcançava o céu.

3 E eu vi os receptáculos da luz e do trovão nas extremidades do lugar, onde ele era profundo. Havia um arco de fogo, e flechas em seu vibrar, uma espada de fogo, e toda espécie de relâmpagos.

4 Então eles levaram-me à agua da vida, a qual fala, e a um fogo no oeste, o qual recebeu todo pôr-do-sol. Eu vim a um rio de fogo, o qual fluiu como água, e desaguou no grande mar para o oeste.

5 Eu vi todo largo rio, até que cheguei à grande escuridão. Eu fui para onde toda carne migra; e vi as montanhas da escuridão as quais constituem o inverno, e o lugar do qual flui a água em cada abismo.

6 Eu vi também as bocas de todos os rios no mundo, e as bocas das profundezas.

 

Capítulo 18: Caminho dos Ventos

1 Eu então examinei os receptáculos de todos os ventos, percebendo que eles contribuem para adornar toda criação, e para preservar a fundação da terra.

2 Eu examinei a pedra que apoia os cantos da terra.

3 Também vi os quatro ventos, os quais sustêm a terra, e o firmamento do céu.

4-5 E eu vi os ventos ocupando o céu exaltado, surgindo no meio do céu e da terra, e constituindo os pilares do céu.

6 Eu vi os ventos que giram no céu, os quais ocasionam e determinam a órbita do sol e de todas as estrelas; e sobre a terra eu vi os ventos que mantêm as nuvens.

7 Eu vi o caminho dos anjos.

8 Percebi na extremidade da terra o firmamento do céu acima dele. Então passei para a direção do sul,

9 Onde queimam, tanto de dia quanto de noite, seis montanhas formadas de gloriosas pedras, três em direção ao leste, e três em direção ao sul.

10 Aquelas que estão em direção ao leste eram de pedra multicolorida, uma das quais era de margarite, e outra de antimônio. Aquelas em direção ao sul eram de uma pedra vermelha. A do meio aproximava-se do céu como o trono de Deus; um trono composto de alabastro, o topo do qual era de safira. Vi também um fogo flamejante suspenso sobre todas as montanhas.

11 E lá eu vi um lugar do outro lado de um extenso território, onde águas foram coletadas.

12 Também vi fontes terrestres, profundas em colunas ardentes do céu.

13 E nas colunas do céu eu vi fogos, os quais desciam sem número, mas nem no alto, ou no profundo. Sobre estas fontes também percebi um lugar onde não havia nem o firmamento do céu acima dele, nem o sólido chão abaixo dele; nem havia água acima; ou nada no vento; mas o lugar era desolado.

14 E lá eu vi sete estrelas, semelhantes a grandes montanhas, e como espíritos suplicando-me.

15 Então o anjo disse: Este lugar, até a consumação do céu e da terra, será a prisão das estrelas, e das hostes do céu.

16 As estrelas que rolam sobre fogo são aquelas que transgrediram o mandamento de Deus antes que seu tempo chegasse; pois elas não vieram em sua própria estação. Portanto, Ele ofendeu-se com elas, e amarrou-as até o período da consumação dos seus crimes no ano secreto.

Capítulo 19-20: Origem da Rebelião

19.1 Então Uriel disse: Eis aqui os anjos que coabitaram com mulheres, escolheram seus líderes;

19.2 E assumindo muitas formas profanaram os homens e fizeram com que errassem; assim eles sacrificaram aos demônios como aos deuses. Pois no grande dia haverá um julgamento, no qual eles serão julgados, até que sejam consumidos; e suas esposas também serão julgadas, as quais levaram de forma desencaminhada os anjos do céu para que as saudassem.

19.3 E eu, Enoque, só vi a aparência do fim de todas as coisas. Não tendo visto nenhum homem enquanto via as coisas.

20.1 Estes são os nomes dos anjos que estavam comigo:

20.2 Uriel, um dos santos anjos, o qual preside sobre o clamor e o terror.

20.3 Rafael, um dos santos anjos, o qual preside sobre os espíritos dos homens.

20.4 Raguel, um dos santos anjos, o qual inflige punição ao mundo e às luminárias.

20.5 Miguel, um dos santos anjos, o qual, presidindo sobre a virtude humana, comanda as ações.

20.6 Sarakiel, um dos santos anjos, o qual preside sobre os espíritos dos filhos dos homens que transgridem.

20.7 Gabriel, um dos santos anjos, o qual preside sobre as serpentes, sobre o paraíso e sobre o querubim.

Capítulo 21: Prisão dos Anjos

1 Então eu fiz um circuito para um lugar no qual nada estava completo.

2 E lá eu não vi nem as tremendas manufaturas do um céu exaltado, nem de uma terra estabelecida, mas um lugar desolado, preparado e terrível.

3 Lá também vi sete estrelas do céu amarradas juntas, semelhantes a grandes montanhas, e semelhante ao fogo fervente. Eu exclamei: Por que espécie de crime elas foram amarradas, e por que foram removidas de seu lugar? Então Uriel, um dos santos anjos que estava comigo, e o qual conduzia-me, respondeu: Enoque, por que perguntas; por que arrazoas consigo mesmo, e ansiosamente indagas? Estas são aquelas estrelas que transgrediram o mandamento do altíssimo Deus; e estão aqui amarradas, até que o número infinito dos dias dos seus crimes esteja completo.

4 Dali eu passei depois para um outro lugar terrível;

5 Onde eu vi a operação de um grande fogo flamejante e resplandecente, no meio do qual havia uma divisão. Colunas de fogo lutando juntas para o fim do abismo, e profunda era sua descida. Mas sua medida e magnitude eu não fui capaz de descobrir, nem pude perceber sua origem. Então exclamei: Quão terrível é este lugar, e quão difícil explorá-lo!

6 Uriel, um dos santos anjos que estava comigo, respondeu e disse: Enoque, por que estás alarmado e maravilhado com este terrível lugar, à vista deste lugar de sofrimento? Isto, disse ele, é a prisão dos anjos; e aqui eles serão mantidos para sempre.

Capitulo 22: Lugar das almas

1 Dali eu me dirigi para outro lugar, onde vi a oeste uma grande e elevada montanha, uma forte rocha, e quatro lugares deleitosos.

2 Internamente ele era profundo, amplo, e muito polido; tão polido como se tivesse sido rolado sobre si mesmo: ele era profundo e escuro à vista.

3 Então Rafael, um dos santos anjos que estava comigo, respondeu e disse: Estes são os lugares deleitosos onde os espíritos, as almas dos mortos, serão reunidos; para eles ele foi formado e aqui serão reunidas todas as almas dos filhos dos homens.

4 Estes lugares, nos quais habitam, eles ocuparão até o dia do julgamento, e até seu período escolhido.

5 Seu período escolhido será longo, mesmo até o grande julgamento. E vi os espíritos dos filhos dos homens que estão mortos; e suas vozes rompem o céu, enquanto eles são acusados.

6 Então inquiri de Rafael, o anjo que estava comigo, e disse: Que espírito é aquele, a voz do qual alcança o céu, e acusa?

7 Ele respondeu, dizendo: Este é o espírito de Abel o qual foi morto por Cain seu irmão; o qual acusará aquele irmão, até que sua semente seja destruída da face da terra;

8 Até que sua semente desapareça da semente da raça humana.

9 Naquele tempo portanto eu inquiri a respeito dele, e a respeito do julgamento geral, dizendo: Por que um está separado ou outro? Ele respondeu: Três separações foram feitas entre os espíritos dos mortos, e assim os espíritos dos justos foram separados,

10 Nomeadamente, por uma fenda na terra, por água, e por luz acima dela.

11 E da mesma maneira os pecadores são separados quando morrem, e são sepultados na terra; julgamento não os surpreenderá em seu tempo de vida.

12 Aqui suas almas estão separadas. Além disso, abundante é seu sofrimento até o tempo do grande julgamento, o castigo, e o tormento daqueles que eternamente execraram, cujas almas são munidas e amarradas lá para sempre.

13 E assim tem sido desde o princípio do mundo. Assim, existe uma separação entre as almas daqueles que proferem reclamações, e daqueles que vigiam pela sua destruição, para sua matança no dia dos pecadores.

14Um receptáculo deste tipo foi formado para as almas dos injustos, e dos pecadores; daqueles que cometeram crime, e se associaram aos ímpios, com os quais eles se assemelham. Suas almas não serão aniquiladas naquele dia de julgamento, nem se levantarão deste lugar.

15 Então eu bendisse a Deus e falei: Abençoado seja o meu Senhor, o Senhor da glória e da retidão, cujo reino será para sempre e sempre.

Capítulo 23-24: Habitação do Messias

23.1 Dali eu fui para outro lugar, em direção ao oeste, até às extremidades da terra,

23.2 Onde vi um fogo resplandecente correndo ao longo sem cessar, com um curso não intermitente, nem de dia nem de noite; mas sempre o mesmo, continuadamente.

23.3 Eu indaguei, dizendo: O que é isto, que nunca cessa?

23.4 Então Raguel, um dos santos anjos que estava comigo, respondeu,

23.5 E disse: Este fogo flamejante que tu vês correndo em direção ao oeste é aquele de todas as luminárias do céu.

24.1 Eu fui dali para outro lugar, e vi uma montanha de fogo que resplandece tanto de dia quanto de noite. Fui em direção a ela e percebi sete esplêndidas montanhas, as quais eram diferentes umas das outras.

24.2 Suas pedras eram brilhantes e belas; todas eram brilhantes e esplêndidas à vista e formosa era sua superfície. Três montanhas estavam em direção ao leste, consolidadas e fortalecidas por estarem colocadas uma sobre a outra; três estavam em direção ao sul, consolidadas de maneira similar. Três eram igualmente vales profundos, os quais não se acercavam uma da outra. A sétima montanha estava no meio delas. Em comprimento elas todas se assemelhavam ao assento de um trono, e árvores odoríferas rodeavam-nas.

24.3 Entre estas havia uma árvore de um odor incessante; nem daquelas que estavam no Éden, havia lá alguma, de todas as árvores de fragrância, que cheirava como esta. Suas folhas, suas flores, nunca ficam murchas, e seu fruto era belo.

24.4 Seu fruto assemelhava-se ao cacho da palmeira. Eu exclamei: Vê! Esta árvore é vistosa de aspecto, agradável em suas folhas, e o aspecto de seus frutos é delicioso à vista. Então Miguel, um dos santos anjos que estava comigo, e um dos que presidem sobre elas, respondeu,

24.5 E disse: Enoque, por que inquires a respeito do odor desta árvore?

24.6 Por que estás inquisitivo para sabê-lo?

24.7 Então eu, Enoque, respondi-lhe, e disse: Concernente a tudo eu estou desejoso de instrução, mas particularmente com respeito a esta árvore.

24.8 Ele respondeu-me dizendo: A montanha que tu vês, o prolongamento da qual assemelha-se ao assento do Senhor, será o assento no qual se assentará o Santo e grande Senhor da glória, o eterno Rei, quando Ele virá e descerá para visitar a terra com bondade.

24.9 E aquela árvore de agradável aroma, não de um odor carnal; lá ninguém terá poder para toca-la até o tempo do grande julgamento. Quando todos serão punidos e consumidos para sempre; isto será conferido sobre os justos e humildes. O fruto da árvore será dado ao eleito. Pois em direção ao norte, vida será plantada no santo lugar, em direção à habitação do eterno Rei.

24.10 Então eles se regozijarão grandemente e exultarão no Santo. O doce odor entrará em seus ossos; e eles viverão uma longa vida na terra como seus antepassados; em seus dias não haverá tristeza, angústia, aborrecimento e nem punição os afligirá.

24.11 E eu abençoei o Senhor da glória, o eterno Rei, porque ele preparou esta árvore para os santos, formou-a, e declarou que Ele a daria para eles.

Capítulo 25-26: Vale dos Amaldiçoados

25.1 Dalí eu fui para o meio da terra, e vi um feliz e fértil lugar, o qual continha ramos espalhando-se continuamente das árvores que estavam plantadas nele. Ali eu vi uma santa montanha, e debaixo dela a água do lado de trás fluía em direção ao sul. Eu vi no oriente outra montanha tão alta quanto aquela; e entre elas havia um profundo, mas não largo vale.

25.2 Água corria para a montanha para o ocidente dela; e debaixo dela havia igualmente outra montanha.

25.3 Lá havia um vale, mas não um vale largo, abaixo; e no meio deles havia outro profundo e seco vale em direção da extremidade da árvore. Todos esses vales, que eram profundos, mas não oblíquo, consistia de uma forte rocha, com a árvore que estava plantada nela. E eu maravilhei-me com a rocha e o vale, ficando extremamente surpreso. 

26.1 Então eu disse: O que significa esta terra abençoada, e todas estas altas árvores, e o vale amaldiçoado entre elas?

26.2 Então Uriel, um dos santos anjos que estava comigo, respondeu: Este vale é o amaldiçoado dos amaldiçoados para sempre. Aqui serão reunidos todos os que pronunciaram com suas bocas linguagem imprópria contra Deus, e falaram rudes coisas da Sua glória. Aqui eles serão reunidos. Aqui será seu território.

26.3 Nos últimos dias um exemplo de julgamento será feito em retidão diante dos santos, enquanto aqueles que receberam misericórdia, para sempre, todos os dias, abençoarão a Deus, o eterno Deus.

26.4 E no período do julgamento eles abençoarão a Ele por sua misericórdia, como Ele distribuiu-a a eles. Então eu abençoei a Deus, dirigindo-me a Ele, e fazendo menção, como foi reconhecida, Sua grandiosidade.

Capítulo 27-32: Visão do Mundo

27.1 Dali eu fui à direção do leste para o meio da montanha no deserto, do qual somente o nível da superfície eu percebi.

27.2 Ele estava cheio de árvores da semente aludida; e água jorrava sobre ela.

27.3 Ali apareceu uma catarata composta de muitas cachoeiras voltadas tanto para o oriente quanto para o ocidente. Sobre um lado havia árvores; sobre o outro água e orvalho. 

28.1 Então eu fui para outro lugar do deserto; em direção ao leste daquela montanha da qual eu havia me aproximado.

28.2 Ali eu vi árvores escolhidas, em particular aquelas que produzem o cheiro doce opiato, incenso e mirra; e árvores diferentes umas das outras.

28.3 E sobre elas havia a elevação da montanha ocidental, a não grande distância.

29.1 Igualmente vi outro lugar com vales de água que nunca param,

29.2 Onde percebi uma agradável árvore, a qual em odor assemelha-se a Zasakinon.

29.3 Em direção ao vale eu percebi o cinamomo de doce odor. Sobre eles avancei em direção ao leste.

30.1 Então ví outra montanha contendo árvores, da qual água fluía como o néctar. Seus nomes eram Sarira e galbânio. E sobre esta montanha eu vi outra montanha, sobre a qual haviam árvores de Aloé.

30.2 Estas árvores estavam cheias como amendoeiras, e fortes; e quando elas produziam frutos eram superiores a toda redolence.

31.1 Depois destas coisas, inspecionando as entradas do norte acima das montanhas, vi montanhas e percebi sete montanhas repletas de puro nardo, árvores odoríferas e papiro.

31.2 Dali eu passei acima dos picos daquelas montanhas a alguma distância para o leste, e fui sobre o Mar Vermelho. E quando eu havia avançado para longe, além dele, passei ao longo, acima do anjo Zateel, e cheguei ao jardim da justiça. Neste jardim eu vi outras árvores, as quais eram numerosas e grandes, e floresciam ali.

31.3 Sua fragrância era agradável e poderosa e sua aparência era tanto agradável quanto elegante. A árvore do conhecimento também estava ali, do qual se alguém comesse, tornava-se dotado de grande sabedoria.

31.4 Ela era semelhante às espécies da tamareira, dando frutos semelhantes à uva extremamente fina, e sua fragrância estendia-se a considerável distância. Eu exclamei: Que bela é esta árvore e quão deleitável é sua aparência!

31.5 Então o santo Rafael, um anjo que estava comigo, respondeu e disse: Esta é a árvore do conhecimento, da qual vosso antigo pai e vossa mãe comeram, os quais foram antes de ti e que obtendo conhecimento, seus olhos sendo abertos, e descobrindo que estavam nus, foram expulsos do jardim.

Capítulo 32-36: Extremidades da Terra

32.1 Dali eu fui na direção das extremidades da terra, onde vi grandes feras diferentes umas das outras, e pássaros variados em suas aparências e formas, bem como com notas de diferentes sons.

32.2 Para a direita destas feras eu percebi as extremidades da terra, onde os céus cessam. Os portões do céu estavam abertos e vi as estrelas celestiais vindo. Eu enumerei-as enquanto elas procediam do portão e escrevi-as todas, enquanto elas saiam uma por uma, de acordo com seu número. Eu escrevi seus nomes completamente, seus tempos e estações, enquanto o anjo Uiel, que estava comigo, mostrava-as a mim.

32.3 Ele as mostrou todas a mim, e escrevi uma conta delas.

32.4 Ele também escreveu para mim seus nomes, seus regulamentos, e suas operações.

33.1 Dalí eu avancei em direção ao norte, para as extremidades da terra.

33.2 E ali vi a grande e gloriosa maravilha das extremidades de toda terra.

33.3 Vi ali portões celestiais abertos para o céu, três dos quais distintamente separados. Os ventos do norte procediam deles, soprando frio, granizo, geada, neve, orvalho e chuva.

33.4 De um dos portões eles sopravam suavemente, mas quando eles sopravam dos dois outros portões, ele era violento e forte. Eles sopravam sobre a terra fortemente.

34.1 Dalí eu fui para as extremidades do mundo para o oeste;

34.2 Ali percebi três portões abertos, enquanto eu estava olhando no norte; os portões e passagens através deles era de igual magnitude.

35.1 Então eu segui às extremidades da terra ao sul, onde vi três portões abertos para o sul, do qual provinha orvalho, chuva e vento.

35.2 Dali eu fui para as extremidades do céu oriental, onde vi três portões celestiais abertos para o leste, os quais tinham portões menores dentro deles. Através de cada um desses portões menores as estrelas do céu passavam, e passaram para o oeste por um caminho que foi visto por elas, e todo o período de seu aparecimento.

35.3 Quando eu as vi, as abençoei cada vez que elas apareceram, e abençoei o Senhor da glória que tinha feito estes grandes e esplêndidos sinais, para que eles pudessem mostrar a magnificência de suas obras aos anjos e às almas dos homens, e para que estes pudessem glorificar todas as suas obras e operações, pudessem ver os efeitos do seu poder; pudessem glorificar o grande labor de suas mãos e abençoá-lo para sempre.

36.1 (Não tem)

FIM