Abraão

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Hult, Adolf, 1869-1943

O Livro do Gênesis é o primeiro livro da Bíblia judaico-cristã. Ele narra a visão desde a criação do mundo na perspectiva hebraica até à fixação deste povo de Israel no Egito. A tradição atribui a autoria do texto a Moisés enquanto a crítica literária moderna prefere descrevê-lo como compilado de texto de diversas mãos. Os capítulos de 11 a 23 deste livro contam a vida do patriarca Abraão que recebeu a revelação divina e fez uma aliança com Deus para que ele tivesse uma descendência tão numerosa quanto as estrelas do céu e as areias na praia. Esta descendência se tornaria um exemplo para o mundo e assim nasceu o povo judeu.

Ciclo de Abraão: 11) Torre de Babel; 2)

Capítulo 11

1 No mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar.

2 Saindo os homens do Oriente, encontraram uma planície em Sinear e ali se fixaram.

3 Disseram uns aos outros: “Vamos fazer tijolos e queimá-los bem”. Usavam tijolos em lugar de pedras, e piche em vez de argamassa.

4 Depois disseram: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra”.

5 O Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo.

6 E disse o Senhor: “Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer.

7 Venham, desçamos e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros”.

8 Assim o Senhor os dispersou dali por toda a terra, e pararam de construir a cidade.

9 Por isso foi chamada Babel, porque ali o Senhor confundiu a língua de todo o mundo. Dali o Senhor os espalhou por toda a terra.

10 Este é o registro da descendência de Sem: Dois anos depois do Dilúvio, aos 100 anos de idade, Sem gerou Arfaxade.

11 E depois de ter gerado Arfaxade, Sem viveu 500 anos e gerou outros filhos e filhas.

12 Aos 35 anos, Arfaxade gerou Salá.

13 Depois que gerou Salá, Arfaxade viveu 403 anos e gerou outros filhos e filhas.

14 Aos 30 anos, Salá gerou Héber.

15 Depois que gerou Héber, Salá viveu 403 anos e gerou outros filhos e filhas.

16 Aos 34 anos, Héber gerou Pelegue.

17 Depois que gerou Pelegue, Héber viveu 430 anos e gerou outros filhos e filhas.

18 Aos 30 anos, Pelegue gerou Reú.

19 Depois que gerou Reú, Pelegue viveu 209 anos e gerou outros filhos e filhas.

20 Aos 32 anos, Reú gerou Serugue.

21 Depois que gerou Serugue, Reú viveu 207 anos e gerou outros filhos e filhas.

22 Aos 30 anos, Serugue gerou Naor.

23 Depois que gerou Naor, Serugue viveu 200 anos e gerou outros filhos e filhas.

24 Aos 29 anos, Naor gerou Terá.

25 Depois que gerou Terá, Naor viveu 119 anos e gerou outros filhos e filhas.

26 Aos 70 anos, Terá havia gerado Abrão, Naor e Harã.

27 Esta é a história da família de Terá: Terá gerou Abrão, Naor e Harã. E Harã gerou .

28 Harã morreu em Ur dos caldeus, sua terra natal, quando ainda vivia Terá, seu pai.

29 Tanto Abrão como Naor casaram-se. O nome da mulher de Abrão era Sarai, e o nome da mulher de Naor era Milca; esta era filha de Harã, pai de Milca e de Iscá.

30 Ora, Sarai era estéril; não tinha filhos.

31 Terá tomou seu filho Abrão, seu neto Ló, filho de Harã, e sua nora Sarai, mulher de seu filho Abrão, e juntos partiram de Ur dos caldeus para Canaã. Mas, ao chegarem a Harã, estabeleceram-se ali.

32 Terá viveu 205 anos e morreu em Harã.

Capítulo 12

1 Então o Senhor disse a Abrão: “Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei.

2 “Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção.

3 Abençoarei os que o abençoarem, e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados”.

4 Partiu Abrão, como lhe ordenara o Senhor, e  foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã.

5 Levou sua mulher Sarai, seu sobrinho Ló, todos os bens que haviam acumulado e os seus servos, comprados em Harã; partiram para a terra de Canaã e lá chegaram.

6 Abrão atravessou a terra até o lugar do Carvalho de Moré, em Siquém. Naquela época os cananeus habitavam essa terra.

7 O Senhor apareceu a Abrão e disse: “À sua descendência darei esta terra”. Abrão construiu ali um altar dedicado ao Senhor, que lhe havia aparecido.

8 Dali prosseguiu em direção às colinas a leste de Betel, onde armou acampamento, tendo Betel a oeste e Ai a leste. Construiu ali um altar dedicado ao Senhor e invocou o nome do Senhor.

9 Depois Abrão partiu e prosseguiu em direção ao Neguebe.

10 Houve fome naquela terra, e Abrão desceu ao Egito para ali viver algum tempo, pois a fome era rigorosa.

11 Quando estava chegando ao Egito, disse a Sarai, sua mulher: “Bem sei que você é bonita.

12 Quando os egípcios a virem, dirão: ‘Esta é a mulher dele’. E me matarão, mas deixarão você viva.

13 Diga que é minha irmã, para que me tratem bem por amor a você e minha vida seja poupada por sua causa”.

14 Quando Abrão chegou ao Egito, viram os egípcios que Sarai era uma mulher muito bonita.

15 Vendo-a, os homens da corte do faraó a elogiaram diante do faraó, e ela foi levada ao seu palácio.

16 Ele tratou bem a Abrão por causa dela, e Abrão recebeu ovelhas e bois, jumentos e jumentas, servos e servas, e camelos.

17 Mas o Senhor puniu o faraó e sua corte com graves doenças, por causa de Sarai, mulher de Abrão.

18 Por isso o faraó mandou chamar Abrão e disse: “O que você fez comigo? Por que não me falou que ela era sua mulher?

19 Por que disse que ela era sua irmã? Foi por isso que eu a tomei para ser minha mulher. Aí está a sua mulher. Tome-a e vá! “

20 A seguir o faraó deu ordens para que providenciassem o necessário para que Abrão partisse, com sua mulher e com tudo o que possuía.

Capítulo 13

1 Saiu, pois, Abrão do Egito e foi para o Neguebe, com sua mulher e com tudo o que possuía, e  foi com ele.

2 Abrão tinha enriquecido muito, tanto em gado como em prata e ouro.

3 Ele partiu do Neguebe em direção a Betel, indo de um lugar a outro, até que chegou ao lugar entre Betel e Ai onde já havia armado acampamento anteriormente

4 e onde, pela primeira vez, tinha construído um altar. Ali Abrão invocou o nome do Senhor.

5 Ló, que acompanhava Abrão, também possuía rebanhos e tendas.

6 E não podiam morar os dois juntos na mesma região, porque possuíam tantos bens que a terra não podia sustentá-los.

7 Por isso surgiu uma desavença entre os pastores dos rebanhos de Abrão e os de Ló. Nessa época os cananeus e os ferezeus habitavam aquela terra.

8 Então Abrão disse a Ló: “Não haja desavença entre mim e você, ou entre os seus pastores e os meus; afinal somos irmãos!

9 Aí está a terra inteira diante de você. Vamos nos separar! Se você for para a esquerda, irei para a direita; se for para a direita, irei para a esquerda”.

10 Olhou então Ló e viu todo o vale do Jordão, todo ele bem irrigado, até Zoar; era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito. Isto se deu antes do Senhor destruir Sodoma e Gomorra.

11 Ló escolheu todo o vale do Jordão e partiu em direção ao Leste. Assim os dois se separaram:

12 Abrão ficou na terra de Canaã, mas Ló mudou seu acampamento para um lugar próximo a Sodoma, entre as cidades do vale.

13 Ora, os homens de Sodoma eram extremamente perversos e pecadores contra o Senhor.

14 Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló separou-se dele: “De onde você está, olhe para o Norte, para o Sul, para o Leste e para o Oeste:

15 Toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre.

16 Tornarei a sua descendência tão numerosa como o pó da terra. Se for possível contar o pó da terra, também se poderá contar a sua descendência.

17 Percorra esta terra de alto a baixo, de um lado a outro, porque eu a darei a você”.

18 Então Abrão mudou seu acampamento e passou a viver próximo aos carvalhos de Manre, em Hebrom, onde construiu um altar dedicado ao Senhor.

Capítulo 14

1 Naquela época Anrafel, rei de Sinear, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim,

2 foram à guerra contra Bera, rei de Sodoma, contra Birsa, rei de Gomorra, contra Sinabe, rei de Admá, contra Semeber, rei de Zeboim, e contra o rei de Belá, que é Zoar.

3 Todos esses últimos juntaram suas tropas no vale de Sidim, onde fica o mar Salgado.

4 Doze anos estiveram sujeitos a Quedorlaomer, mas no décimo terceiro ano se rebelaram.

5 No décimo quarto ano, Quedorlaomer e os reis que a ele se aliaram derrotaram os refains em Asterote-Carnaim, os zuzins em Hã, os emins em Savé-Quiriataim

6 e os horeus desde os montes de Seir até El-Parã, próximo ao deserto.

7 Depois, voltaram e foram para En-Mispate, que é Cades, e conquistaram todo o território dos amalequitas e dos amorreus que viviam em Hazazom-Tamar.

8 Então os reis de Sodoma, de Gomorra, de Admá, de Zeboim e de Belá, que é Zoar, marcharam e tomaram posição de combate no vale de Sidim

9 contra Quedorlaomer, rei de Elão, contra Tidal, rei de Goim, contra Anrafel, rei de Sinear, e contra Arioque, rei de Elasar. Eram quatro reis contra cinco.

10 Ora, o vale de Sidim era cheio de poços de betume e, quando os reis de Sodoma e de Gomorra fugiram, alguns dos seus homens caíram nos poços e o restante escapou para os montes.

11 Os vencedores saquearam todos os bens de Sodoma e de Gomorra e todo o seu mantimento, e partiram.

12 Levaram também , sobrinho de Abrão, e os bens que ele possuía, visto que morava em Sodoma.

13 Mas alguém que tinha escapado veio e relatou tudo a Abrão, o hebreu. Abrão vivia próximo aos carvalhos de Manre, o amorreu, irmão de Escol e de Aner, aliados de Abrão.

14 Quando Abrão ouviu que seu parente fora levado prisioneiro, mandou convocar os trezentos e dezoito homens treinados, nascidos em sua casa, e saiu em perseguição aos inimigos até .

15 Atacou-os durante a noite em grupos, e assim os derrotou, perseguindo-os até Hobá, ao norte de Damasco.

16 Recuperou todos os bens e trouxe de volta seu parente Ló com tudo o que possuía, juntamente com as mulheres e o restante dos prisioneiros.

17 Voltando Abrão da vitória sobre Quedorlaomer e sobre os reis que a ele se haviam aliado, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Savé, isto é, o vale do Rei.

18 Então Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, trouxe pão e vinho

19 e abençoou Abrão, dizendo: “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra.

20 E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou seus inimigos em suas mãos”. E Abrão lhe deu o dízimo de tudo.

21 O rei de Sodoma disse a Abrão: “Dê-me as pessoas e pode ficar com os bens”.

22 Mas Abrão respondeu ao rei de Sodoma: “De mãos levantadas ao Senhor, Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra, juro

23 que não aceitarei nada do que lhe pertence, nem mesmo um cordão ou uma correia de sandália, para que você jamais venha a dizer: ‘Eu enriqueci Abrão’.

24 Nada aceitarei, a não ser o que os meus servos comeram e a porção pertencente a Aner, Escol e Manre, os quais me acompanharam. Que eles recebam a sua porção”.

Capítulo 15

1 Depois dessas coisas o Senhor falou a Abrão numa visão: “Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo; grande será a sua recompensa! “

2 Mas Abrão perguntou: “Ó Soberano Senhor, que me darás, se continuo sem filhos e o herdeiro do que possuo é Eliézer de Damasco? “

3 E acrescentou: “Tu não me deste filho algum! Um servo da minha casa será o meu herdeiro! “

4 Então o Senhor deu-lhe a seguinte resposta: “Seu herdeiro não será esse. Um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro”.

5 Levando-o para fora da tenda, disse-lhe: “Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las”. E prosseguiu: “Assim será a sua descendência”.

6 Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça.

7 Disse-lhe ainda: “Eu sou o Senhor, que o tirei de Ur dos caldeus para dar-lhe esta terra como herança”.

8 Perguntou-lhe Abrão: “Ó Soberano Senhor, como posso saber que tomarei posse dela? “

9 Respondeu-lhe o Senhor: “Traga-me uma novilha, uma cabra e um carneiro, todos com três anos de vida, e também uma rolinha e um pombinho”.

10 Abrão trouxe todos esses animais, cortou-os ao meio e colocou cada metade em frente à outra; as aves, porém, ele não cortou.

11 Nisso, aves de rapina começaram a descer sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotava.

12 Ao pôr-do-sol, Abrão foi tomado de sono profundo, e eis que vieram sobre ele trevas densas e apavorantes.

13 Então o Senhor lhe disse: “Saiba que os seus descendentes serão estrangeiros numa terra que não lhes pertencerá, onde também serão escravizados e oprimidos por quatrocentos anos.

14 Mas eu castigarei a nação a quem servirão como escravos e, depois de tudo, sairão com muitos bens.

15 Você, porém, irá em paz a seus antepassados e será sepultado em boa velhice.

16 Na quarta geração, os seus descendentes voltarão para cá, porque a maldade dos amorreus ainda não atingiu a medida completa”.

17 Depois que o sol se pôs e veio a escuridão, eis que um fogareiro esfumaçante, com uma tocha acesa, passou por entre os pedaços dos animais.

18 Naquele dia o Senhor fez a seguinte aliança com Abrão: “Aos seus descendentes dei esta terra, desde o ribeiro do Egito até o grande rio, o Eufrates:

19 a terra dos queneus, dos quenezeus, dos cadmoneus,

20 dos hititas, dos ferezeus, dos refains,

21 dos amorreus, dos cananeus, dos girgaseus e dos jebuseus”.

Capítulo 16

1 Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dera nenhum filho. Como tinha uma serva egípcia, chamada Hagar,

2 disse a Abrão: “Já que o Senhor me impediu de ter filhos, possua a minha serva; talvez eu possa formar família por meio dela”. Abrão atendeu à proposta de Sarai.

3 Quando isso aconteceu já fazia dez anos que Abrão, seu marido, vivia em Canaã. Foi nessa ocasião que Sarai, sua mulher, entregou sua serva egípcia Hagar a Abrão.

4 Ele possuiu Hagar, e ela engravidou. Quando se viu grávida, começou a olhar com desprezo para a sua senhora.

5 Então Sarai disse a Abrão: “Caia sobre você a afronta que venho sofrendo. Coloquei minha serva em seus braços, e agora que ela sabe que engravidou, despreza-me. Que o Senhor seja o juiz entre mim e você”.

6 Respondeu Abrão a Sarai: “Sua serva está em suas mãos. Faça com ela o que achar melhor”. Então Sarai tanto maltratou Hagar que esta acabou fugindo.

7 O Anjo do Senhor encontrou Hagar perto de uma fonte no deserto, no caminho de Sur,

8 e perguntou-lhe: “Hagar, serva de Sarai, de onde você vem? Para onde vai? ” Respondeu ela: “Estou fugindo de Sarai, a minha senhora”.

9 Disse-lhe então o Anjo do Senhor: “Volte à sua senhora e sujeite-se a ela”.

10 Disse mais o anjo: “Multiplicarei tanto os seus descendentes que ninguém os poderá contar”.

11 Disse-lhe ainda o Anjo do Senhor: “Você está grávida e terá um filho, e lhe dará o nome de Ismael, porque o Senhor a ouviu em seu sofrimento.

12 Ele será como jumento selvagem; sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele, e ele viverá em hostilidade contra todos os seus irmãos”.

13 Este foi o nome que ela deu ao Senhor que lhe havia falado: “Tu és o Deus que me vê”, pois dissera: “Teria eu visto Aquele que me vê? “

14 Por isso o poço, que fica entre Cades e Berede, foi chamado Beer-Laai-Roi.

15 Hagar teve um filho de Abrão, e este lhe deu o nome de Ismael.

16 Abrão estava com oitenta e seis anos de idade quando Hagar lhe deu Ismael.

Capítulo 17

1 Quando Abrão estava com noventa e nove anos de idade o Senhor lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus Todo-poderoso; ande segundo a minha vontade e seja íntegro.

2 Estabelecerei a minha aliança entre mim e você e multiplicarei muitíssimo a sua descendência”.

3 Abrão prostrou-se, rosto em terra, e Deus lhe disse:

4 “De minha parte, esta é a minha aliança com você. Você será o pai de muitas nações.

5 Não será mais chamado Abrão; seu nome será Abraão, porque eu o constituí pai de muitas nações.

6 Eu o tornarei extremamente prolífero; de você farei nações e de você procederão reis.

7 Estabelecerei a minha aliança como aliança eterna entre mim e você e os seus futuros descendentes, para ser o seu Deus e o Deus dos seus descendentes.

8 Toda a terra de Canaã, onde agora você é estrangeiro, darei como propriedade perpétua a você e a seus descendentes; e serei o Deus deles.

9 “De sua parte”, disse Deus a Abraão, “guarde a minha aliança, tanto você como os seus futuros descendentes.

10 Esta é a minha aliança com você e com os seus descendentes, aliança que terá que ser guardada: Todos os do sexo masculino entre vocês serão circuncidados na carne.

11 Terão que fazer essa marca, que será o sinal da aliança entre mim e vocês.

12 Da sua geração em diante, todo menino de oito dias de idade entre vocês terá que ser circuncidado, tanto os nascidos em sua casa quanto os que forem comprados de estrangeiros e que não forem descendentes de vocês.

13 Sejam nascidos em sua casa, sejam comprados, terão que ser circuncidados. Minha aliança, marcada no corpo de vocês, será uma aliança perpétua.

14 Qualquer do sexo masculino que for incircunciso, que não tiver sido circuncidado, será eliminado do meio do seu povo; quebrou a minha aliança”.

15 Disse também Deus a Abraão: “De agora em diante sua mulher já não se chamará Sarai; seu nome será Sara.

16 Eu a abençoarei e também por meio dela darei a você um filho. Sim, eu a abençoarei e dela procederão nações e reis de povos”.

17 Abraão prostrou-se, rosto em terra; riu-se e disse a si mesmo: “Poderá um homem de cem anos de idade gerar filhos? Poderá Sara dar à luz aos noventa anos? “

18 E Abraão disse a Deus: “Permite que Ismael seja o meu herdeiro! “

19 Então Deus respondeu: “Na verdade Sara, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe chamará Isaque. Com ele estabelecerei a minha aliança, que será aliança eterna para os seus futuros descendentes.

20 E no caso de Ismael, levarei em conta o seu pedido. Também o abençoarei; eu o farei prolífero e multiplicarei muito a sua descendência. Ele será pai de doze príncipes e dele farei um grande povo.

21 Mas a minha aliança, eu a estabelecerei com Isaque, filho que Sara lhe dará no ano que vem, por esta época”.

22 Quando terminou de falar com Abraão, Deus subiu e retirou-se da presença dele.

23 Naquele mesmo dia Abraão tomou seu filho Ismael, todos os nascidos em sua casa e os que foram comprados, todos os do sexo masculino de sua casa, e os circuncidou, como Deus lhe ordenara.

24 Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidado,

25 e seu filho Ismael tinha treze;

26 Abraão e seu filho Ismael foram circuncidados naquele mesmo dia.

27 E com ele foram circuncidados todos os de sua casa, tanto os nascidos em casa como os comprados de estrangeiros.

Capítulo 18

1 O Senhor apareceu a Abraão perto dos carvalhos de Manre, quando ele estava sentado à entrada de sua tenda, na hora mais quente do dia.

2 Abraão ergueu os olhos e viu três homens em pé, a pouca distância. Quando os viu, saiu da entrada de sua tenda, correu ao encontro deles e curvou-se até ao chão.

3 Disse ele: “Meu senhor, se mereço o seu favor, não passe pelo seu servo sem fazer uma parada.

4 Mandarei buscar um pouco d’água para que lavem os pés e descansem debaixo desta árvore.

5 Vou trazer-lhes também o que comer, para que recobrem forças e prossigam pelo caminho, agora que já chegaram até este seu servo”. “Está bem; faça como está dizendo”, responderam.

6 Abraão foi apressadamente à tenda e disse a Sara: “Depressa, pegue três medidas da melhor farinha, amasse-a e faça uns pães”.

7 Depois correu ao rebanho e escolheu o melhor novilho, e o deu a um servo, que se apressou em prepará-lo.

8 Trouxe então coalhada, leite e o novilho que havia sido preparado, e os serviu. Enquanto comiam, ele ficou perto deles em pé, debaixo da árvore.

9 “Onde está Sara, sua mulher? “, perguntaram. “Ali na tenda”, respondeu ele.

10 Então disse o Senhor: “Voltarei a você na primavera, e Sara, sua mulher, terá um filho”. Sara escutava à entrada da tenda, atrás dele.

11 Abraão e Sara já eram velhos, de idade bem avançada, e Sara já tinha passado da idade de ter filhos.

12 Por isso riu consigo mesma, quando pensou: “Depois de já estar velha e meu senhor já idoso, ainda terei esse prazer? “

13 Mas o Senhor disse a Abraão: “Por que Sara riu e disse: ‘Poderei realmente dar à luz, agora que sou idosa? ’

14 Existe alguma coisa impossível para o Senhor? Na primavera voltarei a você, e Sara terá um filho”.

15 Sara teve medo, e por isso mentiu: “Eu não ri”. Mas ele disse: “Não negue, você riu”.

16 Quando os homens se levantaram para partir, avistaram lá embaixo Sodoma; e Abraão os acompanhou para despedir-se.

17 Então o Senhor disse: “Esconderei de Abraão o que estou para fazer?

18 Abraão será o pai de uma nação grande e poderosa, e por meio dele todas as nações da terra serão abençoadas.

19 Pois eu o escolhi, para que ordene aos seus filhos e aos seus descendentes que se conservem no caminho do Senhor, fazendo o que é justo e direito, para que o Senhor faça vir a Abraão o que lhe havia prometido”.

20 Disse-lhe, pois, o Senhor: “As acusações contra Sodoma e Gomorra são tantas e o seu pecado é tão grave

21 que descerei para ver se o que eles têm feito corresponde ao que tenho ouvido. Se não, eu saberei”.

22 Os homens partiram dali e foram para Sodoma, mas Abraão permaneceu diante do Senhor.

23 Abraão aproximou-se dele e disse: “Exterminarás o justo com o ímpio?

24 E se houver cinqüenta justos na cidade? Ainda a destruirás e não pouparás o lugar por amor aos cinqüenta justos que nele estão?

25 Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra? “

26 Respondeu o Senhor: “Se eu encontrar cinqüenta justos em Sodoma, pouparei a cidade toda por amor a eles”.

27 Mas Abraão tornou a falar: “Sei que já fui muito ousado a ponto de falar ao Senhor, eu que não passo de pó e cinza.

28 Ainda assim pergunto: E se faltarem cinco para completar os cinqüenta justos? Destruirás a cidade por causa dos cinco? ” Disse ele: “Se encontrar ali quarenta e cinco, não a destruirei”.

29 “E se encontrares apenas quarenta? “, insistiu Abraão. Ele respondeu: “Por amor aos quarenta não a destruirei”.

30 Então continuou ele: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar. E se apenas trinta forem encontrados ali? ” Ele respondeu: “Se encontrar trinta, não a destruirei”.

31 Prosseguiu Abraão: “Agora que já fui tão ousado falando ao Senhor, pergunto: E se apenas vinte forem encontrados ali? ” Ele respondeu: “Por amor aos vinte não a destruirei”.

32 Então Abraão disse ainda: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar só mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados? ” Ele respondeu: “Por amor aos dez não a destruirei”.

33 Tendo acabado de falar com Abraão, o Senhor partiu, e Abraão voltou para casa.

Capítulo 19

1 Os dois anjos chegaram a Sodoma ao anoitecer, e  estava sentado à porta da cidade. Quando os avistou, levantou-se e foi recebê-los. Prostrou-se, rosto em terra,

2 e disse: “Meus senhores, por favor, acompanhem-me à casa do seu servo. Lá poderão lavar os pés, passar a noite e, pela manhã, seguir caminho. Não, passaremos a noite na praça”, responderam.

3 Mas ele insistiu tanto com eles que, finalmente, o acompanharam e entraram em sua casa. Ló mandou preparar-lhes uma refeição e assar pão sem fermento, e eles comeram.

4 Ainda não tinham ido deitar-se, quando todos os homens de toda parte da cidade de Sodoma, dos mais jovens aos mais velhos, cercaram a casa.

5 Chamaram Ló e lhe disseram: “Onde estão os homens que vieram à sua casa esta noite? Traga-os para nós aqui fora para que tenhamos relações com eles”.

6 Ló saiu da casa, fechou a porta atrás de si

7 e lhes disse: “Não, meus amigos! Não façam essa perversidade!

8 Olhem, tenho duas filhas que ainda são virgens. Vou trazê-las para que vocês façam com elas o que bem entenderem. Mas não façam nada a estes homens, porque se acham debaixo da proteção do meu teto”.

9 “Saia da frente! “, gritaram. E disseram: “Este homem chegou aqui como estrangeiro, e agora quer ser o juiz! Faremos a você pior do que a eles”. Então empurraram Ló com violência e avançaram para arrombar a porta.

10 Nisso, os dois visitantes agarraram Ló, puxaram-no para dentro e fecharam a porta.

11 Depois feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, dos mais jovens aos mais velhos, de maneira que não conseguiam encontrar a porta.

12 Os dois homens perguntaram a Ló: “Você tem mais alguém na cidade — genros, filhos ou filhas, ou qualquer outro parente? Tire-os daqui,

13 porque estamos para destruir este lugar. As acusações feitas ao Senhor contra este povo são tantas que ele nos enviou para destruir a cidade”.

14 Então Ló foi falar com seus genros, os quais iam casar-se com suas filhas, e lhes disse: “Saiam imediatamente deste lugar, porque o Senhor está para destruir a cidade! ” Mas eles pensaram que ele estava brincando.

15 Ao raiar do dia, os anjos insistiam com Ló, dizendo: “Depressa! Leve daqui sua mulher e suas duas filhas, ou vocês também serão mortos quando a cidade for castigada”.

16 Tendo ele hesitado, os homens o agarraram pela mão, como também a mulher e as duas filhas, e os tiraram dali à força e os deixaram fora da cidade, porque o Senhor teve misericórdia deles.

17 Assim que os tiraram da cidade, um deles disse a Ló: “Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare em lugar nenhum da planície! Fuja para as montanhas, ou você será morto! “

18 Ló, porém, lhes disse: “Não, meu senhor!

19 Seu servo foi favorecido por sua benevolência, pois o senhor foi bondoso comigo, poupando-me a vida. Não posso fugir para as montanhas, se não esta calamidade cairá sobre mim, e morrerei.

20 Aqui perto há uma cidade pequena. Está tão próxima que dá para correr até lá. Deixe-me ir para lá! Mesmo sendo tão pequena, lá estarei a salvo”.

21 “Está bem”, respondeu ele. “Também lhe atenderei esse pedido; não destruirei a cidade da qual você fala.

22 Fuja depressa, porque nada poderei fazer enquanto você não chegar lá”. Por isso a cidade foi chamada Zoar.

23 Quando Ló chegou a Zoar, o sol já havia nascido sobre a terra.

24 Então o Senhor, o próprio Senhor, fez chover do céu fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra.

25 Assim ele destruiu aquelas cidades e toda a planície, com todos os habitantes das cidades e a vegetação.

26 Mas a mulher de Ló olhou para trás e se transformou numa coluna de sal.

27 Na manhã seguinte, Abraão se levantou e voltou ao lugar onde tinha estado diante do Senhor.

28 E olhou para Sodoma e Gomorra, para toda a planície, e viu uma densa fumaça subindo da terra, como fumaça de uma fornalha.

29 Quando Deus arrasou as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e tirou Ló do meio da catástrofe que destruiu as cidades onde Ló vivia.

30 Ló partiu de Zoar com suas duas filhas e passou a viver nas montanhas, porque tinha medo de permanecer em Zoar. Ele e suas duas filhas ficaram morando numa caverna.

31 Um dia, a filha mais velha disse à mais jovem: “Nosso pai já está velho, e não há homens nas redondezas que nos possuam, segundo o costume de toda a terra.

32 Vamos dar vinho a nosso pai e então nos deitaremos com ele para preservar a linhagem de nosso pai”.

33 Naquela noite deram vinho ao pai, e a filha mais velha entrou e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.

34 No dia seguinte a filha mais velha disse à mais nova: “Ontem à noite deitei-me com meu pai. Vamos dar-lhe vinho também esta noite, e você se deitará com ele, para que preservemos a linhagem de nosso pai”.

35 Então, outra vez deram vinho ao pai naquela noite, e a mais nova foi e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.

36 Assim, as duas filhas de Ló engravidaram do próprio pai.

37 A mais velha teve um filho, e deu-lhe o nome de Moabe; este é o pai dos moabitas de hoje.

38 A mais nova também teve um filho, e deu-lhe o nome de Ben-Ami; este é o pai dos amonitas de hoje.

Capítulo 20

1 Abraão partiu dali para a região do Neguebe e foi viver entre Cades e Sur. Depois morou algum tempo em Gerar.

2 Ele dizia que Sara, sua mulher, era sua irmã. Então Abimeleque, rei de Gerar, mandou buscar Sara e tomou-a para si.

3 Certa noite Deus veio a Abimeleque num sonho e lhe disse: “Você morrerá! A mulher que você tomou é casada”.

4 Mas Abimeleque, que ainda não havia tocado nela, disse: “Senhor, destruirias um povo inocente?

5 Não foi ele que me disse: ‘Ela é minha irmã’? E ela também não disse: ‘Ele é meu irmão’? O que fiz foi de coração puro e de mãos limpas”.

6 Então Deus lhe respondeu no sonho: “Sim, eu sei que você fez isso de coração puro. Eu mesmo impedi que você pecasse contra mim e por isso não lhe permiti tocá-la.

7 Agora devolva a mulher ao marido dela. Ele é profeta, e orará em seu favor, para que você não morra. Mas se não a devolver, esteja certo de que você e todos os seus morrerão”.

8 Na manhã seguinte, Abimeleque convocou todos os seus conselheiros e, quando lhes contou tudo o que acontecera, tiveram muito medo.

9 Depois Abimeleque chamou Abraão e disse: “O que fizeste conosco? Em que foi que pequei contra ti para que trouxesses tamanha culpa sobre mim e sobre o meu reino? O que me fizeste não se faz a ninguém! “

10 E perguntou Abimeleque a Abraão: “O que te levou a fazer isso? “

11 Abraão respondeu: “Eu disse a mim mesmo: Certamente ninguém teme a Deus neste lugar, e irão matar-me por causa da minha mulher.

12 Além disso, na verdade ela é minha irmã por parte de pai, mas não por parte de mãe; e veio a ser minha mulher.

13 E quando Deus me fez sair errante da casa de meu pai, eu disse a ela: Assim você me provará sua lealdade: em qualquer lugar aonde formos, diga que sou seu irmão”.

14 Então Abimeleque trouxe ovelhas e bois, servos e servas, deu-os a Abraão e devolveu-lhe Sara, sua mulher.

15 E disse Abimeleque: “Minha terra está diante de ti; podes ficar onde quiseres”.

16 A Sara ele disse: “Estou dando a seu irmão mil peças de prata, para reparar a ofensa feita a você diante de todos os seus; assim todos saberão que você é inocente”.

17 A seguir Abraão orou a Deus, e Deus curou Abimeleque, sua mulher e suas servas, de forma que puderam novamente ter filhos,

18 porque o Senhor havia tornado estéreis todas as mulheres da casa de Abimeleque por causa de Sara, mulher de Abraão.

Capítulo 21

1 O Senhor foi bondoso com Sara, como lhe dissera, e fez por ela o que prometera.

2 Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, na época fixada por Deus em sua promessa.

3 Abraão deu o nome de Isaque ao filho que Sara lhe dera.

4 Quando seu filho Isaque tinha oito dias de vida, Abraão o circuncidou, conforme Deus lhe havia ordenado.

5 Estava ele com cem anos de idade quando lhe nasceu Isaque, seu filho.

6 E Sara disse: “Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”.

7 E acrescentou: “Quem diria a Abraão que Sara amamentaria filhos? Contudo eu lhe dei um filho em sua velhice! “

8 O menino cresceu e foi desmamado. No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão deu uma grande festa.

9 Sara, porém, viu que o filho que Hagar, a egípcia, dera a Abraão estava rindo de Isaque,

10 e disse a Abraão: “Livre-se daquela escrava e do seu filho, porque ele jamais será herdeiro com o meu filho Isaque”.

11 Isso perturbou demais Abraão, pois envolvia um filho seu.

12 Mas Deus lhe disse: “Não se perturbe por causa do menino e da escrava. Atenda a tudo o que Sara lhe pedir, porque será por meio de Isaque que a sua descendência há de ser considerada.

13 Mas também do filho da escrava farei um povo; afinal ele é seu descendente”.

14 Na manhã seguinte, Abraão pegou alguns pães e uma vasilha de couro cheia d’água, entregou-os a Hagar e, tendo-os colocado nos ombros dela, despediu-a com o menino. Ela se pôs a caminho e ficou vagando pelo deserto de Berseba.

15 Quando acabou a água da vasilha, ela deixou o menino debaixo de um arbusto

16 e foi sentar-se perto dali, à distância de um tiro de flecha, porque pensou: “Não posso ver o menino morrer”. Sentada ali perto, começou a chorar.

17 Deus ouviu o choro do menino, e o anjo de Deus, do céu, chamou Hagar e lhe disse: “O que a aflige, Hagar? Não tenha medo; Deus ouviu o menino chorar, lá onde você o deixou.

18 Levante o menino e tome-o pela mão, porque dele farei um grande povo”.

19 Então Deus lhe abriu os olhos, e ela viu uma fonte. Foi até lá, encheu de água a vasilha e deu de beber ao menino.

20 Deus estava com o menino. Ele cresceu, viveu no deserto e tornou-se flecheiro.

21 Vivia no deserto de Parã, e sua mãe conseguiu-lhe uma mulher da terra do Egito.

22 Naquela ocasião, Abimeleque, acompanhado de Ficol, comandante do seu exército, disse a Abraão: “Deus está contigo em tudo o que fazes.

23 Agora, jura-me, diante de Deus, que não vais enganar-me, nem a mim nem a meus filhos e descendentes. Trata a nação que te acolheu como estrangeiro com a mesma bondade com que te tratei”.

24 Respondeu Abraão: “Eu juro! “

25 Todavia Abraão reclamou com Abimeleque a respeito de um poço que os servos de Abimeleque lhe tinham tomado à força.

26 Mas Abimeleque lhe respondeu: “Não sei quem fez isso. Nunca me disseste nada, e só fiquei sabendo disso hoje”.

27 Então Abraão trouxe ovelhas e bois, deu-os a Abimeleque, e os dois firmaram um acordo.

28 Abraão separou sete ovelhas do rebanho,

29 pelo que Abimeleque lhe perguntou: “Que significam estas sete ovelhas que separaste das demais? “

30 Ele respondeu: “Aceita estas sete ovelhas de minhas mãos como testemunho de que eu cavei este poço”.

31 Por isso aquele lugar foi chamado Berseba, porque ali os dois fizeram um juramento.

32 Firmado esse acordo em Berseba, Abimeleque e Ficol, comandante das suas tropas, voltaram para a terra dos filisteus.

33 Abraão, por sua vez, plantou uma tamargueira em Berseba e ali invocou o nome do Senhor, o Deus Eterno.

34 E morou Abraão na terra dos filisteus por longo tempo.

Capítulo 22

1 Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova, dizendo-lhe: “Abraão! ” Ele respondeu: “Eis-me aqui”.

2 Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei”.

3 Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento. Levou consigo dois de seus servos e Isaque seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado.

4 No terceiro dia de viagem, Abraão olhou e viu o lugar ao longe.

5 Disse ele a seus servos: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos”.

6 Abraão pegou a lenha para o holocausto e a colocou nos ombros de seu filho Isaque, e ele mesmo levou as brasas para o fogo, e a faca. E caminhando os dois juntos,

7 Isaque disse a seu pai Abraão: “Meu pai! ” “Sim, meu filho”, respondeu Abraão. Isaque perguntou: “As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto? “

8 Respondeu Abraão: “Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho”. E os dois continuaram a caminhar juntos.

9 Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.

10 Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho.

11 Mas o Anjo do Senhor o chamou do céu: “Abraão! Abraão! ” “Eis-me aqui”, respondeu ele.

12 “Não toque no rapaz”, disse o Anjo. “Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho. “

13 Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi lá, pegou-o e sacrificou-o como holocausto em lugar de seu filho.

14 Abraão deu àquele lugar o nome de “O Senhor proverá”. Por isso até hoje se diz: “No monte do Senhor se proverá”.

15 Pela segunda vez o Anjo do Senhor chamou do céu a Abraão

16 e disse: “Juro por mim mesmo”, declara o Senhor, “que por ter feito o que fez, não me negando seu filho, o seu único filho,

17 esteja certo de que o abençoarei e farei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar. Sua descendência conquistará as cidades dos que lhe forem inimigos

18 e, por meio dela, todos povos da terra serão abençoados, porque você me obedeceu”.

19 Então voltou Abraão a seus servos, e juntos partiram para Berseba, onde passou a viver.

20 Passado algum tempo, disseram a Abraão que Milca dera filhos a seu irmão Naor:

21 Uz, o mais velho, Buz, seu irmão, Quemuel, pai de Arã,

22 Quésede, Hazo, Pildas, Jidlafe e Betuel,

23 pai de Rebeca. Estes foram os oito filhos que Milca deu a Naor, irmão de Abraão.

24 E sua concubina, chamada Reumá, teve os seguintes filhos: Tebá, Gaã, Taás e Maaca.

Capítulo 23

1 Sara viveu cento e vinte e sete anos

2 e morreu em Quiriate-Arba, que é Hebrom, em Canaã; e Abraão foi lamentar e chorar por ela.

3 Depois Abraão deixou ali o corpo de sua mulher e foi falar com os hititas:

4 “Sou apenas um estrangeiro entre vocês. Cedam-me alguma propriedade para sepultura, para que eu tenha onde enterrar a minha mulher”.

5 Responderam os hititas a Abraão:

6 “Ouça-nos, senhor; o senhor é um príncipe de Deus em nosso meio. Enterre a sua mulher numa de nossas sepulturas, na que lhe parecer melhor. Nenhum de nós recusará ceder-lhe sua sepultura para que enterre a sua mulher”.

7 Abraão levantou-se, curvou-se perante o povo daquela terra, os hititas,

8 e disse-lhes: “Já que vocês me dão permissão para sepultar minha mulher, peço que intercedam por mim junto a Efrom, filho de Zoar,

9 a fim de que ele me ceda a caverna de Macpela, que lhe pertence e se encontra na divisa do seu campo. Peçam-lhe que a ceda a mim pelo preço justo, para que eu tenha uma propriedade para sepultura entre vocês”.

10 Efrom, o hitita, estava sentado no meio do seu povo e respondeu a Abraão, sendo ouvido por todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade:

11 “Não, meu senhor. Ouça-me, eu lhe cedo o campo e também a caverna que nele está. Cedo-os na presença do meu povo. Sepulte a sua mulher”.

12 Novamente Abraão curvou-se perante o povo daquela terra

13 e disse a Efrom, sendo ouvido por todos: “Ouça-me, por favor. Pagarei o preço do campo. Aceite-o, para que eu possa sepultar a minha mulher”.

14 Efrom respondeu a Abraão:

15 “Ouça-me, meu senhor: aquele pedaço de terra vale quatrocentas peças de prata, mas o que significa isso entre mim e você? Sepulte a sua mulher”.

16 Abraão concordou com Efrom e pesou-lhe o valor por ele estipulado diante dos hititas: quatrocentas peças de prata, de acordo com o peso corrente entre os mercadores.

17 Assim o campo de Efrom em Macpela, perto de Manre, o próprio campo com a caverna que nele há e todas as árvores dentro das divisas do campo, foi transferido

18 a Abraão como sua propriedade diante de todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade.

19 Depois disso, Abraão sepultou sua mulher Sara na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, que se encontra em Hebrom, na terra de Canaã.

20 Assim o campo e a caverna que nele há foram transferidos a Abraão pelos hititas como propriedade para sepultura.