Lemnos

Rainha: Hipsipile.
Território: Arquipélago das Nórdicas
Cidades: Lemnos, Imbros, Lesbos e Tenedos.

O primeiro habitante da ilha de Lemnos foi o deus da forja Hefesto, que foi arremessado do alto do monte Olimpo por sua mãe Hera em razão de sua incrível feiura. A criança caiu na ilha de Lemnos quebrando suas duas pernas em razão do impacto e até hoje é manco das duas pernas por esse ato de violência. Nesta ilha, ele conheceu uma das belas filhas de Nereu, chamada de Cabiro. Eles se amaram e geraram três filhos: Cadmilo, Eurimedão e Alcon. Essa história, no entanto, não teve grande influência na história da ilha de Lemnos, pois estes longo deixaram a ilha para combater em guerras na Índias. Depois, retornaram parar erguer um templo em homenagem à Deusa-Mãe na ilha da Samotrácia.

A ilha só voltou a ser povoada me tempos recentes pelo líder Borístenes, que chegou na ilha com um grupo de colonizadores. Ninguém sabe qual a origem deste fundador, mas se sabe que sua filha amou o poderoso Dionísio, que liderou Eurimedão e Alcon nas guerras da Índia. O filho deste casou foi Toas, que sucedeu seu avô e governou a ilha por muitos anos. O rei Toas sempre foi conhecido por sua bravura e amor pela guerra, mas ele nunca imaginava que seu reino fosse se encerrar em razão do ciúme feminino. Após uma grande vitória em guerras na Trácia, o rei e seu exército aprisionaram mulheres da Trácia para se tornarem suas concubinas. Essa ação gerou uma revolta entre as mulheres da ilha. Motivadas pela independência e liderança feminina na ilha de Cretas, elas decidiram se tornar donas do seu próprio destino. Elas assassinaram seus filhos, pais e maridos traidores para tomar a ilha para si.

Sociedade

Hoje, a ilha de Lemnos é habitada apenas por mulheres. Todos os homens que antes habitavam o local foram mortos ou expulsos. A grande líder dessa revolta feminina foi a princesa Hipsipile, filha do rei Toas, que hoje governa a ilha. A lista de mortos é assustadora: Licaste matou seu irmão Cídimo; Eurinome e Gorge mataram seus esposos Codro e Elimo; Caropeia matou seu filho Epopeu; e a lista continua interminável com Olênio, Amitaão, Dóriclo e muitos outros. Todos os outros homens da ilha tiveram o mesmo fim.

Quando a revolta eclodiu ninguém imaginaria que o ódio seria tamanho que causaria tamanho massacre. A princesa Hipsipile assassinou seu noivo Gias e seus meio-irmãos Creneu e Cidão sem pensar duas vezes. Ela só se libertou de seu torpor assassino ao lançar seu machado contra seu irmão ainda bebê Sícino que estava nos braços do seu pai Toas. Ela não conseguiu completar a ação, só colocou ambos numa pequena embarcação e os enviou para fora da ilha em segredo. Afinal, ela não pode contar a ninguém deste seu ato misericordioso quando todas as outras mulheres foram até as últimas consequências.

 

Ífine e Polixo

A rainha Hipsipile está sempre ao lado de duas mulheres que hoje são consideradas suas principais conselheiras. A primeira é uma jovem mulher de cabelos negros e pernas ágeis chamada de Ífine. Ela é a mensageira e porta-voz da rainha Hipsipile. É seu dever abrir os discursos e as discussões no conselho da cidade; além de transmitir as mensagens da rainha para toda a população.

A segunda mulher, chamada Polixo, é a mais velha de todas as mulheres da ilha de Lemnos. É uma sábia ancião de cabelos brancos e rosto enrugado, que pode ser vista pela cidade andando com um cajado para a auxiliar no seu já tão desgastado e trôpego equilíbrio. Hoje, a anciã se preocupa enormemente com a falta de homens na cidade, por isso, clama ao levantar o pescoço da curvada costa que: “Os bois não cavarão sozinhos o arado; nem farão ano após ano a colheita; além disso logo ocorrerão ataque dos Trácios ou outros povos como é comum aos homens. No entanto, pior que a guerra e o trabalho braçal é chegar sem filhos à idade odiada. E nisso as mulheres de Lemnos deverão se preocupar.”

 

Dríope

Todos se perguntas como tamanho ódio dominou as mentes femininas da ilha de Lemnos para causar o torpor assassino que massacrou todos os homens. A verdade é que elas foram usadas como um experimento de uma sacerdotisa da deusa Afrodite chamada de Dríope, que usou a indignação das mulheres lemnianas com a notícias de que os homens da ilha traziam novas esposas da Trácia para que acometessem os inacreditáveis atos de violência.

Afinal, como sacerdotisa de Afrodite, Dríope sempre foi capaz de controlar a mente e os sentimentos das pessoas com relação ao amor. Ela usou o ciúme como catalisador para o ódio incontrolável que acometei as mulheres da ilha. Ela o usou para instigar a princesa Hipsipile para destronar seu pai e para reverter o amor das mulheres contra seus próprios esposos. Não há dúvidas que uma manipulação dessa magnitude, com esse número de pessoas e com tão fortes sentimentos, é algo inédito em todo o mundo. No entanto, a sacerdotisa Dríope ainda não acabou com seus experimentos. Ela tem muitos planos para o futuro no que diz respeito à manipulação das mentes humanas para seus planos nefastos.

 

Neera

A mulher chamada Neera é adepta da deusa Fama, capaz de controlar os sons e transmitir mensagens para vários lugares do mundo. Suas orações que à essa deusa menor que revelaram os planos dos homens de Lemnos de tomarem segundas esposas para si e trazê-las à ilha para dividir suas casas com as esposas. No entanto, Neera nunca pensou que a notícia que revelou à Eurinome a faria matar seu próprio esposo Codro. Nunca imaginou que a violência se escalaria a ponto de causar tamanho massacre.

De qualquer forma, a profetisa Neera nunca cogitou guardar a notícia para si. Como adepta da deusa Fama, ela toma como regra que todo rumor e segredo não deve ser guardado, mas sim revelado aos quatro ventos e ao maior número de pessoas. Tudo o que pode fazer é voltar à sua simples vida na ilha de Lemnos e tentar assumir as funções masculinas para sobreviver. ela vem mostrando promissoras habilidades nas lavouras da cidade.

Recentemente, uma nova revelação surgiu em suas orações. Logo chegará na ilha um navio com os melhores homens que já pisaram sobre a terra. São grandes heróis que estarão de passagem na ilha para uma missão divina. Assim, seguindo os preceitos de sua deusa, ela já começou a espalhar a notícia que suas mulheres e todas estão animadas com o que pode ser a solução para o problema da procriação da ilha.

 

Toas

Muitas décadas, o corajoso Toas foi escolhido pelo sábio Radamanto, irmão do rei Minos de Creta, para ser um dos seus três grandes generais. Junto com Estáfilo e Enopião, eles viajaram por muitas terras. Realizaram comércio com muitos povos; cometeram atos de pirataria contra muitas cidades; adquiriram muitas riquezas; e por fim assentaram seus homens em diferentes ilhas do mar minoano. Enquanto Estáfilo assentou em Escopelos e Enopião em Quios, foi Toas quem fundou e governou a cidade de Mirina na ilha de Lemnos.

O bravo Toas nunca deixou a vida de batalha, nem quando a idade branqueou seus cabelos. Sua última vitória foi contra povos da Trácia que ameaçaram o seu povo. Ele lançou o ataque derrotando o inimigo e aprisionando suas mulheres para se tornarem concubinas. No entanto, Toas não esperava que seu reino se acabasse pelo ciúme das mulheres de Lemnos. Elas tomadas pelo ódio contra seus maridos assassinaram todos os homens da ilha, incluindo os homens do seu exército. A sua própria filha, a princesa Hipsipile tomou as armas contra seu pai, já tendo matado seu noivo Gias e seus meio-irmãos Creneu e Cidão, que eram irmãos da princesa por uma mãe diferente.

No momento de matar o seu pai Toas, cujos braços protegiam seu filho recém-nascido Sícino, a princesa Hipsipile não teve coragem de completar sua ação. Ela desistiu de matar o que sobrou de sua família. Em seguida, colocou ambos o pai e o bebê num pequeno bote e os lançou ao mar para nunca mais voltar. Poupado de uma morte vergonhosa, o rei Toas hoje vaga pelos mares da Talassa com o seu filho Sícino nos braços em busca de um novo lar. Hoje, a embarcação de Toas está amarrada numa das ilhas Cicládicas, onde parou para descansar, pois o rei deposto planeja deixar o mar minoano para trás e se aventurar em terras muito distantes. A principal escolha é a cidade costeira de Tauris, nas terras da Criméia, ao norte do mar negro.