Espórades

Rainha: Licomedes.
Território: Arquipélago das Espórades.

A influência exercida pelo reino de Creta através de suas relações comerciais e colônias é enorme, mas é impressionante que tudo aconteceu em tão pouco tempo. Após o avanço das ondas sobre as ilhas do mar da Talassa que fizeram a cidade de Atlântida afundar e destruíram várias cidades na costa, toda a civilização se vou obrigada a recomeçar. Muito do renascimento das ilhas no mar da Talassa só foi possível graças a um homem que viajou por todas essas ilhas e montou um sistema de leis que as unificasse. Esse homem era Radamanto.

Hoje um ancião, o astuciosos Radamanto deixou sua ilha natal em Creta para trás há cinquenta anos para fundar uma base de operações na ilha de Ésquiro. Ele tomou para si muitos pupilos e fez três generais dos seus filhos Toas, Estáfilo e Enopião. Este homens expandiram a influência de suas forças exploradores respectivamente para Lemnos, Quios e Escopelo. Foram muitos anos de crescimento e progresso desde a ilha de Ésquiro onde tudo começou para muito além do arquipélago de Espórades.

Já cansado de uma vida ativa, com os cabelos brancos e a força do braço diminuída, o sábio Radamanto agora deseja descansar. Ele entregou a ilha principal ao seu melhor homem chamado de Licomedes para viver os últimos anos de sua vida. Este era um antigo guerreiro das terras da Dolopia no continente que trouxe consigo uma considerável força de colonizadores que assentaram na ilha de Ésquiro. Ele está determinado a manter um bom governo que orgulhe o seu mestre Radamanto que o escolheu como líder.

 

Deidamia

O rei Licomendes é novo governador da ilha de Ésquiro. Ele foi escolhido pelo próprio Radamanto, o homem mais sábio de toda a Creta, para o suceder. Não há dúvidas que o governante mantém os ensinamentos do seu tutor e busca sua orientação quando necessário. Ele está firmando ainda mais suas raízes na ilha com o nascimento de sua primeira filha que nomeou Deidamia.

A pequena Deidamia ainda é um bebê lindo e inocente, mas a ambição do rei Licomedes é ainda maior que o seu sentimento de amor paterno. Ele tem buscado tratados com as cidades de Atenas e Egina para acrescer o seu poder. E nada melhor que um bom casamento para firmar alianças. No entanto, o exigente Licomedes abomina um pretendente tão irresponsável como o príncipe ateniense ou um assassino como o príncipe egino. Felizmente, ele tem muito tempo para pensar em quem poderá ser o melhor esposo para a sua filha.  

 

Mérope

O filho primogênito do comandante e juiz Radamanto se chamava Enopião, que governou a ilha de Quios por muitas décadas. Hoje, ele está morto. Deixou apenas sua única filha Mérope, que é uma mulher extremamente traumatizada pela violência que cometeram contra ela na juventude. Vinte anos atrás, a moça conheceu o caçador Órion, que sempre teve tudo o que desejou e sempre capturou todas as presas que caçou. Ele assim foi incapaz de aceitar a rejeição de Mérope. Ele levou a moça para a cama contra sua vontade, forçando a si mesmo sobre ela.

Quando o seu pai Enopião soube do ocorrido, ficou furioso e indignado. Ele contratou um grupo de mercenários que desdenhosamente se aproximaram de Órion e o embebedarem. Quando incapaz de se defender de tão bêbado, eles entregaram o estuprador ao rei Enopião, que perfurou seus dois olhos com metal fervente e o arremessou num barco para nunca mais voltar. O caçador Órion nunca mais foi visto na ilha, mas o fruto de seu crime persiste até hoje em Mérope. Ela é incapaz de se aproximar de qualquer homem. Não deixará qualquer descendência de sua linhagem paterna. Só é capaz de se relacionar com outras mulheres, em especial, sua prima Partena, filha de Estáfilo, que é virgem e só conhece os relacionamentos amorosos através da visão traumatizada de Mérope.

[Apd.1.4.3; Hes.Ast.4].

 

Estáfilo e Fano

Os irmãos Estáfilo e Fano são irmãos do renomado juiz e comandante das ilhas chamado Radamanto, que treinou todos os seus filhos para serem grandes líderes e generais de guerra. Esse também foi o caminho do seu filho Estáfilo, que hoje reina sobre o povoado na ilha de Escopelos. Assim como os seus irmão Toas de Lemnos e Enopião de Quios, o severo Estáfilo teve sucesso em seu governo, mas suas obrigações acabaram por lhe causar grande tristeza. Por puro orgulho e preocupação com a opinião de outros sobre si, ele rejeitou sua filha Molpadia por ter engravidado de um de seus convidados. A jovem foi tomada pela tristeza. Ela entregou seu filho recém-nascido para mercadores asiáticos e se atirou de cima da rocha ao mar para morrer. O pai está arrependido e inconsolável.

 O inconsequente Fano é o filho mais complicado do famoso Radamanto. Ele sempre foi um grande guerreiro, mas nunca quis o papel de líder que o pai sempre desejou para os filhos. Ele gosta mesmo é de viajar o mundo com seu grupo de amigos sem ter qualquer responsabilidade e com o desejo de aventuras. Recentemente, de volta à ilha de Escopelo, descobriu cimo a tristeza tomou conta do irmão Estáfilo. A sua situação estava deplorável. No entanto, o bom Fano acredita que tem a solução para que ele esqueça seus problemas. Um grupo de aventureiros está se reunindo na cidade Iolcos para uma viagem até as terras da Ásia no navio mágico chamado Argo em busca de um poderoso artefato. Está havendo a convocação de todos os grandes heróis do Hélade para essa missão. E assim Fano convenceu o inconsolável irmão Estáfilo a participar e assim deixar para trás toda a lembrança da filha em Escopelos. Ambos já partiram para essa grande aventura. 

[Dio.5.62.1-3; Parth.1.4.-6].]

 

Sícino

O jovem Sícino desembarcou no porto de Ésquiro com uma mensagem para seu avô Radamanto. Ele vem contar da terrível revolta das mulheres de Lemnos que era governada por seu pai Toas. Essas mulheres foram tomadas pelo ódio de Hera quando os seus esposos trouxeram concubinas da Trácia na sua última viagem. Todos os hoemns da ilha foram assassinados. Os únicos sobreviventes foram Toas e o próprio Sícino, seu filho.

É o desejo do seu pau Toas que não haja repreensão contra as mulheres, pois o líder delas sua própria filha Hipsipile, que permitiu que ambos Toas e Sícino sobrevivessem. A mensagem de Toas solicita que todas as embarcações para Lemnos sejam interrompidas para manter a verdade encoberta. O próprio Toas está a caminho de terras distantes no mar Propontis ao Norte para recomeçar sua vida e Sícino foi enviado para viver com o seu avô. Resta saber quanto tempo a situação se manterá em segredo para apaziguar o desejo de vingança dos habitantes da ilha que tinham muitos parentes em Lemnos..   

[Arg.1.623].

 

Radamanto

O sábio Radamanto já alcança muitas décadas de vida e uma longa biografia cheia de altos e baixos.  Ele nasceu da princesa Europa que chegou nas terras de Creta nas costas de um touro alado que mais tarde se revelou como o divino Zeus. Ela se casou com o rei local Astério após engravidar de Zeus com quem teve três filhos: Minos, Sarpedão e o próprio Radamanto. Quando seu pai adotivo Astério morreu, o então jovem Radamanto era o preferido para assumir o trono da cidade Cnossos. Ele já era famoso por sua inteligência e por ter escrito um código de leis que vigora até hoje nas principais ilhas de Creta e sem suas colônias. No entanto, o seu irmão Minos conspirou um inesperado golpe que o colocou no trono e expulsou os outros dois irmãos da ilha.   

O sábio Radamanto sobreviveu por décadas sem uma residência fixa. Esteve sempre vagando de um lugar a outro do mundo. Residiu por um tempo na Beócia onde fez amizade com o heroico Anfitrião e chegou a lecionar seu famoso filho Héracles.  Depois, retornou para as ilhas do mar Minoano onde se casou com uma boa mulher chamada Ariadne. Eles tiveram quatro filhos que, com a ajuda do pai, fundaram importantes cidades em várias ilhas próximas. O primeiro filho Toas fundou Mirina na ilha de Lemnos; o segundo filho Enopião governou sobre a ilha de Quios; o terceiro filho Estáfilo governou sobre a ilha de Escopelos; e o quarto filho Fanos prefere viver como um aventureiro pelo mundo afora. 

Diferente do seu irmão exilado Sarpedão que herdou a imortalidade de Zeus e do seu irmão governante Minos que ressuscitou dos mortos graças a Hades, o sábio Radamanto viveu uma vida plena e cheia de conquistas. Hoje, ele é um septuagenário que já prestou honras funerárias a sua esposa e se despediu dos filhos que vivem as suas vidas em suas próprias ilhas. Depois de governar com sabedoria na ilha de Ésquiro, ele entregou o comando dessa ilha para o aventureiro das terras da Dolopia chamado Licomedes, que tomou por pupilo nos últimos. No entanto, a vida inda reserva surpresas para o velho sábio. Recentemente, chegou a notícia da morte do seu amigo Anfitrião numa revolta que ocorreu na Beócia. O bom Radamanto agora embarca numa trirreme outra vez para encontrar a viúva do falecido amigo e auxiliá-la da melhor forma possível.

 [Apd.2.4.11, 3.1.1-2; Hes.CW.19A; Hom.Od.4.564; Hyg.Fab.155; Lib.Met.33; Pau.7.3.6, 8.53.4-5; Pin.Oly.2.70].