Egina

Aeacus_telemon

Jean-Michel Moreau (1741 – 114)

Ilha dos Formigantes

Rei: Éaco
Território: Arquipélago das Sarônicas.
Cidades: Salamina, Lerna, Poros, Docos, Espetses e Agistri

Muitas décadas atrás, os deuses Poseidon e Zeus se apaixonaram pelas filhas do oceanida Asopo, que habitava o rio do Hélade nomeado em sua homenagem. O deus Poseidon levou a bela Salamina para uma ilha no golfo sarônico enquanto Zeus levou a bela Egina para a ilha vizinha no mesmo golfo. O oceanida buscou por anos suas filhas com muito afinco, sem saber que haviam sido levadas e amadas por deuses. A situação só foi revelada graças a um profeta chamado Acrefonte, mas a verdade causou a ira do angustiado pai. O oceanida Asopo chegou a perseguir e desafiar os deuses com todo o ódio de seu âmago. No fim, percebendo que a situação com o oceanida estava além do diálogo, o poderoso Zeus enviou um relâmpago celeste que fulminou por completo o pai inconformado.

O poderoso Zeus levou a bela Egina para a ilha que hoje recebe o seu nome. No local ambos tiveram um sábio filho chamado Éaco. Era uma ilha que, antes fora habitadas, mas a fome e a peste grassou sua população de forma devastadora. Há quem diga que a catástrofe foi causada pela própria deus Hera para punir o esposo pela traição que cometeu na ilha. De qualquer forma, praticamente toda a população humana e anil foi devastada com corpos se acumulando por toda a ilha pois já não havia ninguém para enterrá-los e muitos cometeram suicídio para não passar por tamanho sofrimento. A desolação só foi revertida graças às preces do filho Zeus que nasceu da ilha, pois Éaco assim solicitou: “Ó pai, conceda-me súditos para encher minhas minhas moradas vazias.” Nesta noite, após ser tomados pelos braços do sono, o então jovem rei Éaco sonhou com formigas se tornando homens.

Sociedade

Já se passaram cerca de sessenta anos desde a famosa prece do rei Éaco ao seu pai divino. No outro dia, um grande grupo de peregrinos surgiu na ilha enfileirados como formigas em busca de um lar. E o rei Éaco felizmente tinha abrigo para acolher cada um deles. Desde esse dia, a população da ilha passou a ser chamada de os formigantes, ou “mirmidões” no idioma local, e vem se tornando cada vez mais ricas graças a sabedoria do seu soberano. Só três homens rivalizam a sabedoria do rei Éaco em todo o mundo, sendo o rei de Egina considerado especialmente virtuoso e piedoso.

Houve situações em que os próprios deuses solicitaram sua ajuda para resolver disputas e mais recentemente auxiliou os deuses na construção das muralhas de Troia. Sua sabedoria transformou a ilha numa grande produtora de plantas tuberosas e durante seu governo, a ilha foi fortificada para ficar de difícil de se aproximação, cercada por rochas e recifes. A proximidade com os deuses também lhe deu fama, sendo ele o único capaz de livrar as terras da Arcádia de uma maldição que causou semelhante escassez que quase destruiu sua ilha. O único arrependimento do rei Éaco foi ter subestimado o ciume dos seus filhos caçulas Télamon e e Peleus contra seu primogênito Foco. O rei nunca imaginou que este seria morto pelos outros dois, que acabaram banidos da ilha.

 

Panopeu e Criso

O rei Éaco é um ancião já alcança os últimos anos de sua vida. Infelizmente, o velho rei foi obrigado a banir seus próprios filhos Télamon e Peleu da ilha pelo assassinato do irmão Foco por puro ciúme, pois este era preferido do pai. A sucessão da ilha de Salamina assim está hoje nos filhos do finado Foco, que se chamam Panopeu e Criso, cada um com sua importância em diferentes áreas no reino paterno.

O guerreiro Criso é o neto sucessor de Éaco, que hoje atinge a maioridade. ele tem se mostrado um bom líder capaz de angariar pessoas num objetivo comum. O outro neto é o engenheiro Panopeu, que abdicou da sucessão do trono de salamina em favor do irmão por odiar a vida de governante. O seu maior prazer é construir casas e objetos que trarão bem-estar ao povo de Salamina, tendo ele inclusive criado os arados que permitem as plantações e colheitas importantes para a agricultura subterrânea que marca a ilha. Além disso, ele tem tido visões em sonhos com um grande cavalo de madeira, cujo a sabedoria do avô interpreta como algo grandioso no futuro do neto.

 

Menécio

O rei Éaco não foi o único filho que nasceu da bela Egina. A bela oceanida se casou com o príncipe Actor da casa real de Iolcos com quem teve um filho chamado Menécio. Este irmão do rei da ilha de Egina de é um bom negociante que viaja constantemente, não apenas entre as terras de Egina e da Tessália, mas também por todo o mundo com todo tipo de mercadorias.

O bom Menécio vive assim conformavelmente de seu próspero negócio. No entanto, como uma maldição entre os irmãos nascidos da bela Egina, o seu filho pequeno Pátroclo também cometeu um ato de assassinato. Ele matou outra criança chamada Clitômino, filho de Anfidamas da Lócria, numa discussão boba sobre um jogo de dados. O pequeno Pátroclo, apesar de apenas uma criança, foi condenado ao exílio nas terras da Ftia onde hoje vive sob a tutela do seu sobrinho Peleu, filho do rei Éaco, também um exilado.

 

Psamathe 

Psmathe é uma nereida do mar da Talassa, uma das cinquenta mulheres imortais que nasceram do sábio Nereu e provaram da ambrósia e do néctar divina para viver a eternidade na cidade submersa de Atlântida. Ela se tornou a segunda esposa do sábio rei Éaco, de cujo ventre nasceu o belo e atlético filho chamado Foco, que se tornou o filho preferido do soberano. Infelizmente, quando o ciúme dominou a mente de seus irmãos menos favorecidos Télamon e Peleu, estes tramaram a sua morte. Eles afundaram o crânio de Foco com uma lança de caça.

A morte de Foco destruiu a vida de Psamathe e o exílio dos irmãos assassinos não foi o bastante para aplacar sua dor. Ele decidiu destruir a vida de ambos. Contra a vontade do esposo, Psamathe deixou o palácio real em busca de vingança. O rei Éaco ainda tentou a impedir lançando uma rede de pesca para a prender, mas esta se transformou numa foca para fugir. Ela chegou a confrontar Peleu com um sanguinário lobo gigante, mas este se ajoelhou diante dela para suplicar seu perdão. E, embora Psamathe não tenha perdoado Peleu no primeiro momento, esta acabou cedendo ao pedido de sua irmã Tétis com quem Peleu acabou por se casar. Pelo menos, por enquanto, Psamathe parece ter desistido de sua vingança, mas o inconformismo ainda pode ser visto em sua face.

 

Britomártis

A bela ninfa Britomartis nasceu muitas gerações atrás. Ela é descrita como uma das mais belas filhas de Zeus nascida da sua paixão com sacerdotisa Carme que herdou o cargo de seu pai Eubulo e do seu avô Carmanor. Ela era famosa por sua velocidade na corrida e na graça com que usava seu arco ao caçar. Ela foi convidada participar do grupo de caçadoras que acompanhavam a deusa Ártemis e juntas elas tiveram muitas aventuras. Infelizmente, sua vida mudou em razão da arrogância e brutalidade do rei Minos de Creta.

Apaixonado por sua beleza e habilidade, o rei Minos não aceitou sua rejeição. Ele a perseguiu incessantemente por nove meses com o objetivo de se forçar sobre ela até enfim a capturar. Ele estava preste a cometer estupro quando a caçadora preferiu se jogar do alto de um penhasco. Felizmente, ela caiu sobre a rede do pescador Andromedes que a levou para longe da ilha de Creta, onde seu algoz ainda a procurava.

Britomártis assim chegou na cidade de Argos onde foi recebida pelos quatro irmãos oceanidas, filhas do rio Erasino. Depois, continuou sua viagem de Argos para a Cefalênia onde utilizou a falsa identidade de Lafria. Infelizmente, com o tempo, a moça passou a ser cortejada pelo pescador Andromedes. o primeiro que primeiro a resgatou com sua rede de pescaria, Britomartis saltou ao mar após também o rejeitar.

A Deusa-Mãe se compadeceu da situação da moça e a resgatou de dentro do mar. Ela foi levada até a  ilha de Egina onde assumiu a identidade de Dictina, a deusa das redes de pescaria. Hoje, após três gerações vivendo na ilha dos formigantes, a deusa se mostra sempre jovem e bela. Além disso, mantém sua habilidade de caça e adquiriu poderes proféticos através da benevolente Deusa-Mãe para ajudar aos pescadores locais, mulheres desemparadas e heróis altruístas.