Descrição dos povos Hititas

James Jacques Joseph Tissot 1836-1902

Nesses últimos dias, tenho tentado incorporar as histórias da mitologia grega no contexto da Era de Bronze que reconhecidamente verdadeira no nosso mundo atual. Com essa finalidade, eu expandi as descrições da fronteira micênica para incluir o império Hitita e suas muitas cidades no cenário do Micenas RPG. Se deseja ver como ficou essa descrição, clique aqui!

Lista de Faraós do Egito

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Hubert Robert (1733–1808)

Quinze gerações se passaram desde que Zeus causou o dilúvio que engolfou o território micênico e destruiu toda a população do Hélade. Este foi o começo da Era de Bronze. Didaticamente, cada uma dessas quinze gerações começa e termina com um novo rei da cidade de Argos. Para maiores detalhes, clique aqui.

Em paralelo, do outro lado do mar da Talassa (Mediterrâneo), o império egípcio alcançava sua décima-oitava dinastia de reis. Os faraós egípcios dessa dinastia podem ser assim interpostos com os reis de Argos para se fazer  uma história comparativa de ambas as civilizações. Esses faraós foram:

1o Reinado: Amósis I
2o Reinado: Amenófis I, filho do anterior,
3o Reinado: Tutmés I, filho do anterior,
4o Reinado: Tutmés II e Hatchepsut, filho do anterior e sua esposa,
5o Reinado: Tutmés III (Épafo), filho do anterior,
6o Reinado: Amenófis, filho do anterior, casado com sua irmã Tiaa (Líbia),
7o Reinado: Tutmés IV (Belo), filho do anterior,
8o Reinado: Amenófis (Egito), filho do anterior,
9o Reinado: Aquenatón e Semencaré, irmãos, filhos do anterior,
10o Reinado: Nefertiti, esposa de Aquenáton,
11o Reinado: Tutacamón, filho da anterior
12o Reinado: Ay, avô do anterior,
13o Reinado: Horemheb e Paramessu, nova dinastia (militares),
14o Reinado: Seti, filho do anterior,
15o Reinado: Ramsés, filho do anterior,

É notório que a história egípcia se confunde com a história micênica em muitas dessas gerações. Isso ocorreu especialmente em três situações: 1) no quarto reinado, a amaldiçoada Io se tornou a segunda esposa de Tutmés II e gerou o faraó seguinte: Tutmés III, também conhecido como Épafo; 2) no oitavo reinado, Amenófis Egito perseguiu seu irmão Dánao até Micenas e este veio a se tornar um dos reis de Argos; e 3) o herói Hércules enfrenta um dos filhos de Ramsés que deseja sacrificá-lo ao deus-serpente Set.

Nota: As conclusões desse post são baseadas na historicidade da Era dos Heróis e  na conhecida da décima-oitava dinastia egípcia. Elas buscam criar uma descrição do Egito que se adeque ao Micenas RPG. Para maiores detalhes, clique aqui.

A Guerra de Troia ocorreu no ano de 1180 a.C.?

Muitos pesquisadores tentam descobrir quando ocorreram os eventos da Era dos Heróis. Certamente, existem inúmeras teorias que posicionam esse período em datas bem determinadas e que se baseiam principalmente em duas importantes descobertas históricas relacionadas à Guerra de Troia: Sítio Arqueológico Troia VIIa e as Cartas Hititas

Sítio Arqueológico Troia VIIa

As ruínas da cidade de Troia foram localizadas na parte ocidental da Anatólia há 150 anos e desde então escavações buscam elucidar a maior das questões: Em qual ano ocorreu a Guerra de Troia? As escavações mostram que a cidade foi fundada por volta do ano 3000 b.C., mas sempre foi um povoado modesto, que continuamente teve sua cidade destruída e reconstruída por cinco vezes em razão de incêndios, invasões e desastres naturais.

A cidade de Troia VI começou a mostrar um povoado mais refinado a partir dos anos de 1600 BC, que trouxe ao local os primeiros cavalos à cidade. Rachaduras em suas muralhas nos fazem crer que a cidade foi evacuada e destruída por um terremoto por volta do ano de 1260 BC. Felizmente, não demorou para ser repovoada, dando início a Troia VIIa. Esta nova cidade que foi reconstruída sobre a anterior chegou a ter mais de dez mil habitantes, o que era uma grande população para a época. No entanto, ela durou pouco tempo. Cadáveres, incêndios e pontas de flecha fazem crer que este novo povoado foi destruído por uma guerra por volta do ano de 1190-1180 BC. Certamente, é um achado muito favorável para colocar a Guerra de Troia nesta data.

Carta Hititas

Povos tão importantes como Micenas e Troia certamente realizavam alianças com os povos vizinhos. Em especial, havia os Hititas que foram a potência militar entre os anos 1300 e 1100 BC. Duas cartas encontradas na cidade histórica de Hattusa, capital do império Hitita, tratavam de assuntos sobre Troia: a Carta de Manapa-Tarhunta (1295 BC) e a Carta de Tawagalawa (1260 BC).

Carta de Manapa-Tarhunta (1295 BC): É uma carta que descreve as ações de um belicoso líder local chamado Piyama-Radu que atacava as cidades ao oeste do império Hitita, inclusive descrevendo um ataque à cidade de Wilusa (Ilium/Troia). Aparentemente, o rei Hitita enviou o líder Manapa-Tarhunta, governante das cidades do rio Seha, para confrontá-lo, mas este falhou em sua missão. Houve uma grande tentativa de relacionar Piyama-Radu com o rei Príamo de Troia pela semelhança fonética dos nomes. No entanto, essa tese é pouco aceita porque este líder atacava a cidade de Troia e nunca a governou.

Carta de Tawagalawa (1260 BC): É uma carta para um não-nomeado rei da Áquea (Ahhiyawa), que era uma denominação muito utilizada pelos gregos micênicos quando se referiam a si mesmos. Nessa carta, os Hititas solicitavam ao rei da Áquea a extradição do infame Piyama-Radu, que tantos problemas causou ao império Hitita. Em especial, há um trecho da carta bem especial que diz: “Agora, como nós (Aqueus e Hititas) chegamos à um consenso no assunto de Wilusa (Ilium/Troia), sobre a qual nós fomos à guerra…”. Esta frase certamente pode ser um indicativo para a Guerra de Troia.

 

Conclusão

Por um lado, o sítio Arqueológico de Troia VIIa favorece que a Guerra de Troia tenha se encerrado por volta do ano de 1180 BC quando a cidade foi realmente destruída por uma invasão estrangeira. Por outro lado, as cartas Hititas podem ser interpretadas como que a Guerra de Troia tenha se encerrado por volta do ano 1260 BC se considerarmos  a frase “agora, como nós chegamos à um consenso no assunto de Wilusa, sobre a qual nós fomos à guerra…” como sendo uma menção à Ilíada.

Qual das datas seguir? 1260 BC ou 1180 BC? Eis a questão. Infelizmente, apesar de não serem tão distantes uma da outra, não é possível traçar uma convergência. Na verdade, consideradas bem conflitantes pelos historiadores. No fim, o consenso dos pesquisadores tende a colocar os achados no sítio de Troia VIIa como sendo mais confiáveis, mas a dúvida certamente persiste até hoje.

 

PERSEU: veja a biografia completa!

Charles Napier Kennedy (1852-1898)

Perseu foi um dos mais celebrados heróis da mitologia grega, cujo maior feito foi a fundação da cidade de Micenas que mais tarde se tornou a mais importante cidade do mundo grego. O seu nome Περσευς pode ser traduzido como destruidor (persô).

Pai

  • Zeus, deus do Céu e da Terra.
  • Préto, rei de Tírinto, seu tio-avô.

Mãe

  • Danaã, filha do rei Acrísio de Argos

Filhos

Por sua esposa Andrômeda, filha do rei Cefeu da Etiópia:

  • Eléctrio ou Electrião, rei de Micenas, sucessor de seu pai Perseu.
  • Estenelo, rei de Micenas, sucessor do seu irmão Eléctrio.
  • Perses, abandonou Micenas para viver na Assíria; fundador do império Persa.
  • Alceu ou Alcaio, pai do herói Anfitrião que acidentalmente matou Eléctrio.
  • Heleu ou Eleio, príncipe guerreiro que participou da guerra contra os Teleboas.
  • Gorgófone, casou com dois reis: Ébalo de Esparta e Perieres de Messênia.
  • Mestor, pai de Táfio, que tentou usurpar o trono de Eléctrio.
  • Cinouro , fundador da cidade Cinúria no peloponeso.

Nascimento

Quando o rei Acrísio de Argos, certa vez questionou o oráculo, ele respondeu que Danaã daria à luz um filho que o mataria. Temendo isso, ele construiu uma câmara de bronze sob o solo onde ele guardava Danaã. Mas Zeus teve relações sexuais com ela na forma de uma chuva de ouro que derramou através do telhado no colo da menina. Quando seu pai soube que ela estava grávida, ele não acreditou que Danaã tivesse sido seduzida por Zeus. Ele a colocou com o filho numa arca e mandou que sátiros a jogasse ao mar. A mãe e criança não morreram, pois a arca foi levado até a ilha de Sérifo no arquipélago das ilhas Ciclades, onde o Polidectes era seu colonizador e rei.

Armas Divinas

O rei Polidectes desejou tomar Danaã como sua concubina e só poderia fazê-lo caso Perseu lhe desse o consentimento, afinal, ele era considerado o homem da casa. Certo dia, surgiu a oportunidade do rei se livrar de Perseu. Tendo Polidectes convocado o recolhimento de tributos para que ele pudesse participar nos jogos em Olímpia pela mão da princesa Hipodâmia, Perseu prometeu lhe entregar alguns cavalos e assim o faria nem que fosse preciso entregar a cabeça da medusa em seu lugar. No entanto, incapaz de entregar os cavalos que prometeu, foi desafiado a cumprir o prometido. Ele então recebeu a visita dos deuses Hermes e Atena, que o armaram com a Espada Adamantina, a Sandália de Asas e o Elmo da Invisibilidade.

Feiticeiras Grisalhas

Perseu não sabia onde ficava o covil da Medusa, por isso, ele procurou as Feiticeiras Grisalhas, que eram irmãs das Górgonas. Elas eram três mulheres idosas desde o nascimento que dividiam entre si apenas um olho e um dente, que passavam de uma para a outra. Elas se negaram a responder Perseu, mas ele tomou o dente e o olho, e obrigou-as a dizer onde ficava o covil Górgonas. Só quando as Grisalhas lhe mostraram o caminho, ele devolveu o dente e o olho. Em seguida, voou com sua sandália de asas até o local.  

Decapitação da Medusa

Perseu chegou ao covil das Górgonas e colocou seu Elmo da Invisibilidade. Ele encontrou a Medusa dormindo que logo despertou e percebeu a presença do invasor em seu covil. Era impossível olhar diretamente para a horrenda criatura, pois quem o fizesse se tornava pedra. Assim, Perseu fechou os olhos e utilizou o escudo para, mesmo às cegas, seguir os passos da criaturas. Uns dizem que ele utilizou o metal do escudo para vê-la através do reflexo. Outros dizem que ouviu o tinido do metal quando ela bateu no escudo. De qualquer forma, Perseu lançou sua Espada Adamantina no pescoço da Medusa e a decapitou.

Crisaor, Pégaso e a Petrificação de Atlas

A Medusa era descendente de deuses primordiais e é bem estabelecido na mitologia grega que, quando o sangue desses deuses cai sobre a Terra, ele gera criaturas fantásticas. Desta fora, o sangue que escorreu do pescoço da Medusa gerou o guerreiro Crisaor, o cavalo alado Pégaso e muitas criaturas menores como escorpiões e serpentes distorcidas. Por fim, Perseu colocou a cabeça da Medusa em uma sacola prateada chamada de kíbisis e tomou o caminho de volta para sua casa. É dito que, logo ao sair do covil das Górgonas, o gigante Atlas, que podia ser visto no horizonte segurando o céu, olhou para Perseu e para a cabeça da Medusa que ele levava. A visão da cabeça decapitada o transformou em pedra e essa é razão pela qual ele permanece imóvel até hoje no seu lugar, no norte da África.

Resgate de Andrômeda

Os escorpiões e serpentes que hoje permeiam o deserto africano também foram gerados pelo sangue da Medusa, que caíram sobre suas areias durante o percurso de Perseu desde o Atlas até a Etiópia. Sobrevoando a Etiópia, Perseu encontrou a princesa Andrômeda aprisionada nas rochas prestes a ser sacrificada para um monstro marinho. Ela era filha do rei Cefeu da Etiópia, que estava sendo punido pelo deus Poseidon por sua esposa Cassiopeia se gabar de ser mais bela que as Nereidas do mar. Quando Perseu viu a princesa, ele se apaixonou e prometeu a Cefeu que mataria o monstro se recebesse sua mão em casamento. Estes termos tendo sido jurados, Perseu combateu e matou o monstro marinho, assim libertando Andrômeda de seu destino. No entanto, Fineu, que era irmão de Cefeu e a quem Andrômeda fora o primeiro prometido, conspirou contra Perseu; mas o herói descobriu o enredo e, mostrando-lhe a cabeça da Medusa, transformou ele e seus companheiros conspiradores em pedra.

Guerra em Sérifo

Depois, tendo chegado a Sérifo, Perseu descobriu que o rei Polidectes estava enfurecido por Danaã continuar a rejeitá-lo e escolher casar-se com Dictis. seu irmão. O casal estava refugiado nos altares divinos por conta da violência de Polidectes quando Perseu entrou no palácio e atacou Polidectes e seus comparsas lhes mostrando a cabeça da Medusa. Todos foram transformados em pedra, cada numa diferente atitude e posição. Por fim, ele nomeou Dictis como novo rei de Sérifo que governou a ilha ao lado de sua mãe.

Retorno para Argos

Ao fim de suas aventuras, Perseu devolveu as Sandálias de Asas para o deus Hermes e entregou a cabeça da Medusa para a deusa Atenas. Ele teve vários filhos com sua esposa Andrômeda que segundo os relatos foram: Estenelo, Perses, Alceu, Heleu, Eléctrio, Gorgófone, Mestor e, mais controversamente, Cinouro. Ele levou toda sua família até a cidade de Argos para confrontar o seu avô Acrísio. No entanto, tendo conhecimento do oráculo e temendo por sua vida, ele abandonou a cidade de Argos e passou a viver no Peloponeso.

Morte de Acrísio

Certo dia, Teutamides, rei de Larissa, estava realizando jogos em homenagem ao seu falecido pai e Perseu foi competir neles. Ele se empenhou no pentatlo, mas, ao arremessar o disco, golpeou acidentalmente Acrísio e o matou instantaneamente. Percebendo que o oráculo havia se cumprido, Perseu enterrou Acrísio fora da cidade e, com vergonha de retornar a Argos para reivindicar a herança de um homem que morrera por sua mão, ele foi para Megapente, filho de Préto, em Tírinto, e efetuou uma troca com ele, entregando Argos em suas mãos. Então Megapente reinou sobre os Argivas e Perseu reinou sobre Tírinto, depois de fortificar também Mideia e Micenas.

Fundação de Micenas

A cidade de Tírinto, que antes pertencia a Megapentes, estava destruída pela guerra que o seu avô Acrísio fizera contra ela (“A Guerra dos Gêmeos”). Ele assim fortificou numa região próxima e realocou a população ao local. Esse foi o início da cidade de Micenas, que se tornou a cidade mais importante do mundo grego. O governo de Perseu se encerrou prematuramente por uma conspiração liderada por Megapentes, o mesmo homem a quem ele entregou a cidade de Argos.

Morte

As causas para a traição de Megapente são muitas. Uns dizem que o fez para vingar seu pai Préto, cuja morte teria sido também causada por Perseu. Outros dizem que ele invejava o sucesso da recém-fundada cidade de Micenas. E outros mais dizem que foi por pura ambição. De qualquer forma, o filho de Perseu chamado Eléctrio vingou a morte do pai ao assassinar Megapente e o sucedeu no trono. O espírito de Perseu ascendeu aos céus e se tornou a constelação de mesmo nome. Por anos, ele foi adorado como herói em vários lugares, principalmente Argos, Micenas, Sérifos e Atenas, onde ele tinha um altar em comum com Dictis e Clímene. Há também relatos de que relata que existia um templo e uma estátua de Perseu em Chemnis, no Egito, e que a região era abençoada sempre que a constelação de Perseu surgia nos céus.

“Biblioteca – Livro Segundo” de Apolodoro

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Nicolas Bertin 1667–1736

Pode-se discutir que foram escritos muitos bons compêndios mitológicos desde a antiguidade, mas é indiscutível que a Biblioteca de Apolodoro é o que melhor combina uma leitura fácil com conteúdo completo. Clique aqui para ver disponibilizado o conteúdo do seu segundo livro recém-traduzido do inglês por mim para os interessados em mitologia grega. Logo, espero traduzir o terceiro livro para completar a obra.

Obrigado por sua presença nesse blog,

Pedro Cavalcanti

Catálogo de Heróis

Paris Bordone 1500 - 1571

Paris Bordone 1500 – 1571

Uma nova página para este domínio foi criada aqui para listar todos os heróis que merecem destaque no cenário utilizado no Micenas RPG. Sejam crianças ou idosos, guerreiros ou políticos, seus links levam para a cidade micênicas onde eles estão situados. Espero colocar as estatística de jogo deles muito em breve também.

Atreu e Tieste

desconhecido 5Atreu e Tieste são dois irmãos que protagonizaram o caso mais bárbaro de conspiração e intriga na minha opinião já visto na realidade ou sequer imaginado na ficção. No cenário apresentado no Micenas RPG, isso só ocorrerá após pelo menos mais uma décadas. No entanto, eu não poderia deixar de acrescentá-los aqui, num período anterior de suas vidas, mas já mostrando a controvérsia deles.

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