Quem governou Israel em 1230 a.C. no auge da Era dos Heróis: Josué?

Gustave Doré (1832–1883)

As datas de 1250 a.C até 1180 a.C são atualmente as mais aceitas para o período que corresponde respectivamente ao nascimento de Hércules e à guerra de Troia. Quando seguimos a cronologia da Bíblia, encontramos que o governante que liderou os Israelenses nesse período foi a juíza e profetisa Débora, como pode ser visto neste post. No entanto, existem códigos utilizados na Bíblia que podem alterar essa conclusão.

O código mais relacionado com as datações da Bíblia diz respeito ao uso do número 40 e seus múltiplos (40, 80, 120… 400) como passível de seguinte tradução: “muito tempo, mas não se sabe precisar quanto”. Assim, Jesus jejuou por 40 dias no deserto; Josué atuou como espião também por 40 dias; os governos de Davi e Salomão duraram 40 anos; Moisés passou 40 anos no deserto; e os Hebreus foram escravizados por 400 anos; dentre inúmeros outros exemplos. Se levarmos isso em consideração, se torna impossível realizar uma simples conta de somar para estabelecer a cronologia bíblica. E, quando desconsideramos essas datas, abre-se um grande leque de possibilidades para refazer toda essa cronologia através de evidências arqueológica.

Evidência contra o juizado de Débora em 1230 a.C.

No caso da juíza Débora existem muitas evidências contrárias dela ter governado Israel no ano de 1230 a.C., sendo a principal delas:

1) Sítio Arqueológico de Harzor:

No post anteror, a principal evidência a favor de Débora ser a juíza nesse periodo é a camada de destruição que existe no sítio de Hazor que ocorreu por volta do ano de 1230 a.C. e estaria relacionada com os trechos: “Depois da morte de Eúde, mais uma vez os israelitas fizeram o que o Senhor reprova. Assim o Senhor os entregou nas mãos de Jabim, rei de Canaã, que reinava em Hazor.” (Juízes 4:1-2) (…) “Naquele dia Deus subjugou Jabim, o rei cananeu, perante os israelitas. E os israelitas atacaram cada vez mais a Jabim, o rei cananeu, até que eles o destruíram.” (Juízes 23-24). No entanto, esse texto pode ser visto como evidência contrária também. Note que em nenhum momento é relatada a destruição da cidade como encontrada nas ruínas do sítio arqueológico de Hazor. Só relata a morte de seu rei Jabim.

Sítio Arqueológico de Tel Hazor

2) As Carruagens de Ferro:

A maior evidência contrária, no entanto, está numa única linha do Livro dos Juízes contradiz toda possibilidade de Débora ter sido um juíza no ano de 1230 a.C. quando descreve a preparação do general inimigo para a batalha contra o povo de Israel: “Os israelitas clamaram ao Senhor, porque Jabim, que tinha novecentos carros de ferro, os havia oprimido cruelmente durante vinte anos. (Juízes 4.3). É mais do que comprovado que no ano de 1230 a.C. não havia a tecnologia para fundir o ferro de forma eficiente para usar em carruagens (ferro fundido é alcançado com temperaturas de 1482 Celsius enquanto o bronze com 1084 Celsius). Os melhores objetos de ferro já encontrados nesse época são adagas do faraó Tutancamôn por volta de 1330 a.C. e um machado de Merneptá por volta de 1210 a.C. Só após a evolução da Forja e a invenção do Fole após o período de 1200 a.C. que carruagens de ferro passaram a ser construídas e largamente utilizadas.    

Sinais de destruição e camadas de cinzas no Sítio Arqueológico de Tel Hazor

Evidência a favor do governo de Josué em 1230 a.C.

No caso do líder Josué, que sucedeu o famoso libertador Moisés no êxodo, a evidência contrária está na própria cronologia da Bíblia que coloca seu governo mais de cem e cinquenta anos antes dessa data, por volta de 1350 a.C.. No entanto, como estamos desconsiderando a cronologia bíblica, vamos nos ater às evidências históricas.

1) Sítio Arqueológico de Harzor:

Diferente da narrativa de Débora na Bíblia, a destruição da cidade de Hazor por Josué não poupa descrições que batem com a camada destruição ocorrida em 1230 a.C.: “E a todos os que nela estavam, feriram ao fio da espada, e totalmente os destruíram; nada restou do que tinha fôlego, e a Hazor queimou a fogo.” (Josué 11:11). 

2) Chegada dos Filisteus em Canaã: 

Outra evidência está nos maiores inimigos de Israel em toda a narrativa da Bíblia: os Philisteus. A a primeira batalha contra eles ocorreu sob a liderança do comandante Sangar: “Depois dele foi Sangar, filho de Anate, que feriu a seiscentos homens dos philisteus com uma aguilhada de bois; e também ele libertou a Israel. (Juízes 3:31). Existem paralelos ocorridos dessa batalha com um evento gravado no templo mortuário de Ramsés III (não confundir com Ramsés, o Grande), no templo de Medinet Habu.

Illustrators of the 1890 Holman Bible

Este documento egípcio relata as guerras ocorridos tanto no Delta do Nilo como em Canaã no ano de 1175 a.C,, em que o faraó derrotou e aprisionou seus inmigos. “O Senhor pôs grande terror de mim no coração de seus chefes; o medo e terror de mim estava diante deles; para que eu possa carregar seus guerreiros, amarrados em minhas mãos, e conduzi-los à tua alma, ó meu augusto pai. Venha, para pegá-los, sendo eles os Peleset (Pw-l’-s’-t), Denyen (D’-y-n-yw-n’), Shekelesh” (S’-k-rw-s)”. Note que, na escrita silábica que vigorava tanto no Egito quanto em Israel, que não leva em consideração as vogais, ambas palavras Filisteia (Pleshet, em hebraico original) e Peleset (Pw’l’-s’-t, em egípcio original) são considerados idênticas por todos os especialistas em linguística.

Essa informação se complementa com as escrituras no Papiro Harris I, um manuscrito de 1,500 linhas de texto encontrado também em Medinet Habu. O faraó Ramsés III descreve sobre os prisoneiros da batalha dessas batalhas: “Eu os assentei em locais fortificados que estão em meu nome. Numerosas eram suas classes, com centenas de milhares fortes. Eu cobrei tributo, em roupas e grãos, de seus mercados e silos todos os anos”. Era uma prática comum no Egito integrar prisioneiros aos seus domínios, pois eles não tinham interesses em escravos. Assim, para muitos historiadores, esses locais fortificados são as cinco cidades dos Philisteus descritas na Bíblia: Ascalão, Asdode, Ecrom, Gath e Gaza.

Conclusão

O surgimento de carruagens de ferro após de 1200 a.C e a vitória do líder Sangar em 1175 a.C. são eventos que antecederam o juizado de Débora. Desta forma, é impossível que ela tenha sido juíza no ano de 1230 a.C. apesar da cronologia bíblica colocá-la nesse período. Na verdade, minha conclusão é apenas uma. Apesar da discrepância de 160 anos desde a morte de Josué nessa cronologia e a data da destruição de Hazor, eu realmente acredito nas evidências arqueológicas que apontam como o líder dos israelenses em 1230 a.C o fundador do estado israelita e sucessor do famoso Moisés: o próprio Josué, quem primeiro conquistou suas terras.

 

 

Quem governou Israel em 1230 a.C. no auge da Era dos Heróis: Débora?

Providence Lithograph Company

Traçar paralelos entre as evidências arqueológicas comprovadas e as histórias da Bíblia para definir datas precisas tem sido um desafio. A maior frustração dos historiadores foi começar esse processo pelo Êxodo. Afinal, é impossível não admitir que há exageros e furos historicamente insustentáveis ao pé da letra. Por exemplo:

1) O trabalho escravo como descrito na narrativa era praticamente inexistente no Egito da época;

2) A população hebraica de 600 mil pessoa significava um quarto da população do Egito e teria significado o fim do império;

3) Por todo o percurso do mar Vermelho até Canaã que teria durado quarenta anos aos hebreus não foi encontrada qualquer evidência povoamento na região;

4) A Terra Prometida era parte do Império Egípcio por toda a Idade de Bronze de forma que Moisés, na verdade, nunca deixou as terras dos seus captores.

Essas inconsistências não significam que o evento não ocorreu, mas sim que a tradição oral da época não é confiável pela narrativa ter sofrido alterações ao longo dos séculos. Assim, se a história do Êxodo não possui evidências arqueológicas que a suporte, temos que mudar a estratégia. No lugar de buscar comprovações para sua mais notável e famosa história, vamos buscar a evidência a partir das provas mais indiscutíveis e irrefutáveis. E essa prova está descrita nos templos de Karnak em Tebas.

Lista de cidades conquistadas por Shoshenq I no templo de Karnak

Guerra entre Israel e o Egito

O quarto rei de Israel foi Roboão que governou após os mais famosos Saul, Davi e Salomão. A Bíblia conta que no quinto ano do seu governo o império egípcio sob o comando do faraó Sisaque invadiu Israel com uma força de 60.000 cavaleiros e 1.200 carruagens (Livro dos Reis 14:25 e Livro Segundo das Crônicas 12:1-12) . Esse evento é comprovado por textos encontrados no templo de Karnak em Tebas. As paredes desse templo fazem uma longa narrativa com os principais feitos dos faraós do Egito desde que ele foi erguido. E a narrativa de Karnak descreve que um faraó chamado Shoshenk conquistou as terras Israel no ano de 925 a.C.

Sisaque e Shoshenk são graficamente idênticos, pois na linguagem silábica que vigorava em ambos o Egito e em Israel, não se levava em consideração as vogais, apenas as consoantes. Além disso, história é corroborada por uma rocha documental (“estela”) encontrada na cidade de Megido com o nome desse mesmo faraó, comprovando assim sua presença no local como conquistador. Mais além, o templo de Karnak enumera uma longa lista de cidades israelenses conquistadas que vão desde Neguev até a Galiléia, incluindo a Megido da rocha Estela. No entanto, a cidade de Jerusalém não está na lista de cidades invadidas, o que corrobora com a Bíblia que descreve Roboão pagou um resgate para não ter sua cidade atacada por esse inimigo (Livro Segundo das Crônicas 12:7).

Datação por Contagem Regressiva

Como temos a evidência histórica da invasão do Egito contra as terras de Israel, podemos acompanhar a cronologia da Bíblia para encontrar quem eram seus personagens que viveram na época da mitologia grega. A lista abaixo descreve os principais Juízes e Reis, que antecederam Roboão e lideraram as tribos hebraicas na conquista de Canaã.


  • Data desconhecida – Moisés, da tribo de Levi, liderou até sua morte aos 120 anos de idade 
  • 1400’s a.C – Josué, da tribo de Efraim, liderou até sua morte aos 110 anos de idade (Opressor: Rei Jabim de Hazor)
  • 1383 a.C – Otniel, da tribo de Judá, liderou por 40 anos (Opressor: Rei Cusã-Risataim da Mesopotâmia)
  • 1343 a.C – Eúde, da tribo de Benjamin, liderou por 80 anos (Opressor: Rei Eglom de Moabe por 18 anos.
  • 1263 a.C – Débora, da tribo de Efraim, liderou por 40 anos (Opressor: Rei Jabim de Hazor por 20 anos).
  • 1223 a.C – Gideão, da tribo de Manasses, liderou por 40 anos (Opressor: Tribos Midianitas por 7 anos).
  • 1183 a.C – Abimeleque, da tribo Manasses, liderou por 3 anos.
  • 1180 a.C – Tola, da tribo de Issacar, liderou por 23 anos.
  • 1157 a.C – Jair, da tribo de Manasses, liderou por 22 anos (Opressor: Amonitas por 18 anos).
  • 1135 a.C – Jefté, da tribo de Manasses, liderou por 6 anos.
  • 1129 a.C – Ibsã, da tribo de Judá, liderou por 7 anos.
  • 1122 a.C – Elom, da tribo de Zebulom, liderou por 10 anos.
  • 1112 a.C – Abdão, da tribo de Efraim, liderou por 8 anos.
  • 1104 a.C – Sansão, da tribo de Dã, liderou por 20 anos (Opressor: Filisteus por 40 anos).
  • 1084 a.C – Eli, da tribo de Levi, liderou por 40 anos.
  • 1044 a.C – Samuel, da tribo de Levi, liderou por 12 anos.


  • 1032 a.C – Rei Saul, governou por 22 anos.
  • 1010 a.C – Rei David, governou por 40 anos.
  •   970 a.C – Rei Salomão, governou por 40 anos.
  •   930 a.C – Rei Roboão, invadido pelo Egito no quinto ano do seu governo.

Luca Giordano (1634–1705)

Considero que o período mais importante da mitologia está situada entre os anos de 1250 a.C (quando surgiu o maior herói grego Hércules) e o ano de 1180 a.C (quando se encerrou a guerra de Troia). Conforme a lista descrita anteriormente, entre os os principais personagens estão Débora e Gideão.

Considerações da Cronologia

Infelizmente, a cronologia descrita anteriormente pode não ser totalmente comprovada. Afinal, para se chegar a esse número, muitas considerações do texto tiveram que ser feitas. Em especial, duas considerações podem mudar totalmente  esse cálculo se forem interpretadas de forma diferente. São elas:

1) Os juízes eram líderes surgidos do povo que lutaram contra seus opressores ou impediram o povo de adorar outros deuses. É impossível saber se esses os juízes foram sucedidos de forma linear. Pode ter havido mais de um juiz num determinado espaço de tempo e que agiam em diferentes tribos. Da mesma forma, pode ter havido períodos sem nenhum juiz.

2) Os tempos de opressão inimiga foram consideradas dentro do governo dos juízes específicos. No entanto, uma grande parte dos historiadores consideram que nesses períodos de opressão o governante israelense foi substituto por adversários. Assim, os anos de opressão devem ser somados à cronologia e não incluídos nos governos daqueles que combateram o inimigo.

Quem foi Débora?

Jacopo Amigoni (1682–1752)

Débora, cujo nome significa “abelha”, foi profetiza e a quarta juíza de Israel. Sua história está descrita no Livro dos Juízes, capítulos 4 e 5. Ela, juntamente com o líder guerreiro Baraque, liderou os israelitas contra a invasão do rei Jabim de Hazor (principal cidade de Canaã) que dominou as tribos de Israel por vinte anos e as oprimiu violentamente com uma frota de bigas de ferros sob o comando do  general Sísera.

Débora vivia na região montanhosa de Efraim ,entre Ramá e Betel. Ela sentava-se debaixo de uma palmeira e o povo de Israel vinha até ela a fim de que ela os ajudasse a resolver as questões que traziam. Certo dia Débora mandou chamar Baraque e lhe disse que Deus havia ordenado que ele escolhesse dez mil homens das tribos de Naftali e Zebulom para enfrentar Sísera.

Apesar de confiar na palavra da profetisa, Baraque solicitou que Débora o acompanhasse no dia da batalha para inspirar a confiança dos seus homens. Ao ouvir dizer que os israelitas estavam alinhados para a guerra, Sísera convocou todo os seus carros, novecentos carros de ferro e todo o povo que estava com ele. Enfim, a batalha começou, havendo uma grande confusão entre o exercito de Canaã e eles foram derrotados.

Sísera fugiu a pé da batalha para a tenda de Jael, esposa de seu aliado Héber. Ela deu abrigo ao general opressor, mas quando ele adormeceu Jael pegou uma estaca e a cravou com um martelo na testa de Sísera.

Sítio Arqueológico de Harzor

Conclusão

A tecnologia para carros de ferro só terem surgido na Palestina após o ano de 1200 a.C., o que é uma evidência contra a o juizado de Débora ter ocorrido nessa época, o que significa que temos que buscar algum juiz anterior (Josué, Otniel ou Eúde). No entanto, muitos autores defendem que é possível aceitar que eram carros de madeira armados e fortificados com ferro.

Também há evidências a favor do governo de Débora ter ocorrido nos tempos da mitologia. Escavações no sítio arqueológico da cidade de Hazor indicam que  houve uma destruição na cidade por volta de 1230 a.C. É uma destruição condizente com a batalha entre Sísera e Baraque. Assim, a perseguição do rei Jabim de Harzor durou de 1250 a.C. a 1230 a.C. e a paz de 40 anos que sucedeu essa libertação durou de 1230 a.C a 1190 a.C.

No entanto, não acredito que esta assunto esteja finalizado. Temos que avaliar outro forte candidato para líder dos Hebreus em 1230 a.C.. O fundador do estado de Israel chamado Josué. Clique aqui para fazermos essa análise!

Zeus se tornou o líder dos deuses gregos no ano 1590 a.C.?


Peter Paul Rubens (1577–1640)

A mitologia grega descreve Zeus como aquele que exerce autoridade sobre todos os deuses do Olimpo. Era não apenas o deus dos céus, do raio do relâmpago e do trovão, mas também o mantenedor da ordem e da justiça. Era considerado o deus-pai mesmo por aqueles que não eram seus filhos. Era considerado o grande líder dentre todos. O grande escritor Homero em sua famosa Ilíada relata isso com clareza: “Zeus foi ao seu palácio. Todos os deuses se levantaram de seus assentos ao encontro do pai, sem nenhum mostrar omissão e em conjunto foram na sua direção.” (canção I, linhas 533-535). E se este autor não for claro o bastante, ninguém consegue ser mais do que Pausânia em sua quase tão famosa Descrição da Grécia: “Que Zeus é o rei dos deuses, este é um ditado comum entre os homens” (Livro 2; capítulo 24; versículo 4). 

Batalha contra os Titãs? Ou teria sido uma erupção vulcânica?

A ascensão de Zeus como líder do panteão é descrito em diversas fontes, mas nenhuma é tão indisputável quanto os versos da Teogonia de Hesíodo. Ele descreve o nascimento de Zeus e como se manteve escondido no interior da própria Terra até possuir a força necessária para enfrentar seu pai Krono. Os detalhes da guerra entre os titãs liderados por Krono e os olimpianos liderados por Zeus são descritos com detalhes fantásticos nos seus versos: “Ambos os lados mostravam obras braçais violentas. Terrível mugia o mar infinito, retumbava forte a terra, o vasto céu gemia sacudido, no solo estremecia o alto Olimpo sob golpes dos imortais, o abalo pesado atingia o Tártaro nevoento aos surdo estrondo de pés de indizíveis assaltos e ataques brutais. E uns contra outros lançavam dardos gemidosos, que, vindos de ambos, atingem o céu constelado com voz exortante, e batiam-se com grande grito.” (Teogonia, linhas 658-686).

Uma pergunta no entanto pode ser feita: Será que estes versos são realmente tão fantásticos ou eles poderiam ser descrições de um evento histórico. Analisando estes acontecimentos em conjunto, os trechos “mugia o mar”, “retumbava forte a terra” e “céu gemia sacudido” podem muito bem ser descrições de um terremoto. Mais reveladoras ainda podem ser as linhas seguintes que parecem ser descrições bem claras e específicas de um vulcão em erupção com  “dardos” barulhentos que são lançados ao alto e “atingem o céu costelado”.

Se a ocorrência de terremotos previamente a uma erupção vulcânica é praticamente uma regra, os eventos posteriores certamentos são o avanço da lava ardente que destrói tudo ao redor. Não demora mais que um punhado de linhas para começar essa descrição: “A terra nutriz retumbava ao redor queimando-se, crepitou ao fogo vasta floresta, fervia o chão todo e as correntes do Oceano e o mar infecundo, o sopro quente atava os Titãs terrestres, a chama atingia vasta o ar divino. (Teogonia, linhas 691 a 700).

Joseph Wright of Derby (1734–1797)

Principal Candidato: A Erupção da Ilha de Thera!

As erupções vulcânicas possuem sua intensidade medida numa escala que varia de 0 a 8, chamada de Índice de Explosividade Vulcânica (IEV), que é calculada pela quantidade de material expelido pelo vulcão. A famosa erupção do monte Vesúvio, por exemplo, que destruiu as cidades de Pompéia e Herculano foi considerada de grau 5 por ejetar mais 1 km cúbico de material na atmosfera.

Se levarmos em contas todas erupções vulcânicas desde o início da civilização (em 10.000 a.C) até a o tempo de Hesíodo (cerca de 800 a.C) pode-se listar as seguintes erupções superiores a magnitude 5:

Europa, Eurásia e África

  • 1610 – Santorini, Grécia (IEV 7)
  • 2420 – Vesúvio, Itália (IEV 6)
  • 6050 – Menengai, Quênia (IEV 6)
  • 6940 – Vesúvio, Itália (IEV 6)
  • 8230 – Grimsötn, Islândia (IEV 6)

América

  • 1645 – Auletian, EUA (IEV 6)
  • 1750 – Auletian, EUA (IEV 6)
  • 1860 – St. Helens, EUA (IEV 6)
  • 1890 – Hudson, Chile (IEV 6)
  • 1900 – Black Peak, EUA (IEV 6)
  • 2300 –  Cerro Blanco, Argentina (IEV 7)
  • 4050 – Masaya, Nicarágua (IEV 6)
  • 4750 – Hudson, Chile (IEV 6)
  • 5250 – Aniakchak, EUA (IEV 6)
  • 5677 – Crater Lake, EUA (IEV 7)
  • 5900 – Crater Lake, EUA, (IEV 6)
  • 7420 – Fisher Caldera, EUA (IEV 6)
  • 8000 – Ko’olauHonolulu, EUA (IEV 5)
  • 8000 – Smisopchnoi, EUA (IEV 7)
  • 8500 – Nevado de Toluca (IEV 6)

Oceania e Ásia Oriental

  • 1050 – Pinatubo, Filipinas (IEV 6)
  • 1350 – Avachinsky, Rússia (IEV 5)
  • 1370 – Pago, Nova Guiné (IEV 5)
  • 1460 – Taupo, Nova Zelândia (IEV 6)
  • 1500 – Avachinsky, Rússia (IEV 5)
  • 2040 – Long Island, Nova Guiné (IEV 6)
  • 3200 – Avachinsky, Rússia (IEV 5)
  • 3550 – Pinatubo, Filipinas (IEV 6)
  • 3580 – Taal, Filipinas (IEV 6)
  • 3580 – Haroharo, Nova Zelândia (IEV 5)
  • 4000 – Pago, Nova Guiné (IEV 6)
  • 4340 – Avachinsky, Rússia (IEV 5)
  • 4360 – Macauley, Nova Guiné (IEV 6)
  • 5284 – Kikai, Japão (IEV 7)
  • 5550 – Mashu, Japão (IEV 6)
  • 5550 – Tao-Rusyr, Rússia (IEV 6)
  • 5560 – Tuhua, Nova Zelândia (IEV 5)
  • 5700 – Khangar, Rússia (IEV 6)
  • 5980 – Avachinsky, Rússia (IEV 5)
  • 6060 – Haroharo, Nova Zelândia (IEV 5)
  • 6440 – Kurile Lake, Russia (IEV 7)
  • 6600 – Karymsky Lake, Russia (IEV 6)
  • 7460 – Pinatubo, Filipinas (IEV 6)
  • 6440 – Lvinaya Past, Russia (IEV 6)
  • 7420 – Rotoma Caldera, Nova Zelândia (IEV 5)
  • 8130 – Taupo, Nova Zelândia (IEV 5)
  • 8750 – Ulleugdo, Coréia (IEV 6)
  • 9450 – Tongariro, Nova Zelândia (IEV 5)
  • 9460 – Taupo, Nova Zelândia (IEV 5)
  • 9650 – Tongariro, Nova Zelândia (IEV 5)

Ilha de Santorini atualmente, evidenciando a destruição que o vulcão no seu centro.

Não há dúvidas que de todas as erupções anteriores, nenhuma se enquadra tão perfeitamente no período mitológico quanto erupção de Santorini. Essa erupção ocorre perfeitamente na localização (visível em toda a Grécia), no período histórico (só quatrocentos anos antes da Guerra de Troia) e na magnitude (sendo de grau sete, ele se figura como uma das maiores erupções já vistas pelo homem).

As características do evento realmente foram de proporções cataclísmicas . As cinzas do vulcão atingiram alturas de trinta mil metros de altura e formaram camadas densas que até hoje são encontradas sob o solo. Rochas foram lançadas para todos os lados. Por fim, uma tsunami atingiu a costa da de Creta destruindo todo o litoral a uma distância de cem quilômetros do local

Determinando uma data…

Levando-se em consideração que a vitória contra os Titãs marcou o início da reino de Zeus sobre os deuses, basta determinar a data da erupção de Santorini para chegar a uma data. Os métodos utilizados e os resultados obtidos desta datação foram:

1) Análise do Artesanato Soterrado

Foram encontrados vasos que estão relacionados com o período da civilização minóica entre os aos de 1600 e 1500 a.C (Minóica Tardia IA), da civilização Micênica dos anos 1550 e 1500 a.C (Heládica Tardia IA) e da civilização Fenícia de 1800 a 1550 a.C (Sírio-Palestino Bronze IIB). Esses achados praticamente traçam uma linha tangente bem precisa no ano de 1550 a.C para a ocorrência da erupção.  É tão bem definida e aceita pelos arqueólogos que eles praticamente desconsideram as divergências que ocorrem com a datação pelo carbono.

2) Datação de Carbono em Ramo de Oliveira

A destruição promovida pela lava foi tão poderosa que é difícil encontrar qualquer sinal de matéria orgânica passível de análise. Um ramo de oliveira abaixo da lava do vulcão foi encontrado e logo foi testado. A datação do radiocarbono determinou a data de 1613 a.C., com possível intervalo entre 1627 e 1600 a.C. (95% de confiança). A crítica dos arqueólogos fica sobre a escassez do material testado e possíveis alterações do calor sobre ele.

3) Datação da Cinzas em Camadas de Gelo

Na Islândia, onde o gelo se acumula permanentemente é possível traçar datas histórias conforme a profundidade das geleiras. Cinzas de uma erupção vulcânica nas profundidades referentes ao ano de 1642 a.C com possível intervalo entre os anos de 1647 e 1637 a.C. O debate decorre da possibilidade de se tratar das cinzas de alguma erupção não foi registrada de um diferente vulcão (possíveis e mais prováveis candidatos são os vulcões do Alaska).

Conclusão

Existem tentativas de aproximar as duas datas definidas pelos vasos soterrados e pela datação do carbono. Alguns arqueólogos são capazes de aceitar a extensão da data do artesanato no máximo até o ano 1590 a.C. e mesmo assim há muita controvérsia. Os cientistas ainda definem a data limite em 1600 a.C conforme o intervalo de confiança do seu teste. Eu sei que nem a arqueologia, nem a ciência podem enquadrar a minha conclusão romantizada do assunto visto que a erupção em si comprovadamente não durou mais que alguns dias. Mas quem sou eu para discutir com o próprio Hesíodo que narra a Guerra contra os Titãs com duração de dez longos anos. Parece até que ele já previa essa discussão. Assim, fico com todo esse intervalo entre 1600 e 1590 a.C. para o acontecimento do confronto e a ascensão de Zeus ao fim dele.

Pedro Cavalcanti

Cornelis van Haarlem (1562–1638)

 

Queda dos Titãs

A Zeus e a todo panteão eterno,
Que pela Titã Rhea tem nascido,
Mãe Terra lhes revelou sucesso
E um imenso renome adquirido.

No monte Otris, ao lado de Krono
Estavam todos Titãs tão magníficos.
No monte Olimpo, em vil confronto,  
Os deuses doadores altruísticos.

Uns contra outros, em oposição,
Por batalha de dez cheios anos,
Não chegavam a fim ou solução
Nesta guerra de ambíguos danos.

Zeus então buscou três monstruosos
Dando armas e sacro alimento
O Néctar e a Ambrósia, deliciosos,
Que à alma lhes deu vital alento.
 
Escutem-me, filhos do Céu e da Terra,
– Disse Zeus pai, de aberto coração,
Por muito tempo estamos em guerra
Buscando sucesso nessa decisão.
 
Com o seu poder e força sem igual
Enfrentem os Titãs em amarga luta
Pois lembrem de nosso trato cordial 
Que lhes devolveu a luz que desfruta.

Cotos, dos Hecantochires, o guia,
Logo respondeu irrepreensível:
 Zeus! Sabemos de tua sabedoria,
 Que livrou os deuses de mal terrível!
 
 Deixamos sombras e cruéis prisões,
 Com rijo ânimo e alma resoluta
 Para defender vossas jurisdições
 Contra os Titãs em abjeta luta!
 
O panteão doador os louvaria
Para que se lançassem ao combate. 
Ávidos por guerra no mesmo dia,
Foram deuses e deusas ao remate.
 
Titãs; filhos de Krono revoltosos;
E Hecantochires que Zeus conduz
Os três tão terríveis e poderosos
Trazidos do Érebo para Luz.
 
Cem braços e cinqüenta cabeças
Brotavam dos ombros de cada um,
Que lançavam pedras com firmeza
Com cada braço grosso incomum.
 
Todos estavam bem fortificados 
Em fileiras com todo seu ardor. 
Sendo visto de ambos os lados
Obras braçais de fúria e dor.
 
Era assim, de tão horrível sorte,
Que Mar infinito havia rugido. 
A Mãe Terra retumbou forte
E o vasto Céu gemeu sacudido. 
 
Sob imortais golpes truculentos
O Olimpo havia estremecido.
Até os Subterrâneos nevoentos,
Pelo pesado abalo foi atingido.

Uns contra os outros, golpes brutais 
E dardos sibilantes foram lançados.
 Todos erguiam gritos de guerra tais
 Que alcançavam os céus constelados.
 
Não mais Zeus continha seu furor
Que logo encheram todo seu âmago
Ele mostrou seu violento rigor,
Avançando sempre com o relâmpago.
 
Que, junto, com o raio e o trovão
Rodopiaram as chamas sagradas.
Com Terra nutriz sofrendo aflição
Pelo crepitar de matas queimadas.
 
Ferveu por completo o solo todo
E as correntezas do Oceano
Chegando aos Titãs tão quente sopro 
Queimou ao redor o Ar soberano.
 
Os Titãs, apesar de poderosos,
Foram pegos pelo forte clarão
Que fulgurante cegou seus olhos 
Com o relampejar forte do trovão. 
 
Havia o calor pródigo da guerra
Até o Caos sem fim trespassado.
 Era como se sobre a Mãe Terra
Tivesse caído o Céu constelado.
 
Um evento assim tão desastroso
Poderia certamente ter ocorrido.
Pois lançados, um contra o outro,
Céu e Terra, quase foram colididos. 
 
Também ali ocorreu terremotos
E grandes tempestades de areia
Causados por ventos vertiginosos
E pelo grito que Zeus torpedeia.
 
Acresce o tumulto espalhafato
Por ações potentes de que se valha
Inclinando vitória a um dos lados
Mas não recuando a cruel batalha.
 
Na frente destes combates crassos,
Os Hecantochires tinham desperto.
Trezentas rochas de seus braços
Lançaram contra o inimigo certo.
 
Sobre os Titãs, elas fizeram sombra,
Golpeando-os qual míssil acertado 
Sob a terra, esse rival que assombra,
Cada um, foi por completo enterrado.

Assim, sob a Terra de amplas vias,
Os titãs, pelo braço, derrotados
Em cruéis prisões que os angustia,
Foram no Tártaro agrilhoados.

Hesiodo: Teogonia (623-720)
Tradução: Pedro Cavalcanti

CÉFALO: veja a biografia completa!

Nicolas Poussin 1594 -1665

Céfalo foi um herói grego famoso pelo triângulo amoroso que viveu com a princesa curandeira Prócris e a deusa da alvorada Eos. Ele também foi um grande líder que combateu os Táfios e Teleboas ao lado de Anfitrião e fundou a importante cidade de Ítaca. O seu nome Κέφαλος pode ser traduzido como Cabeça ou Líder (kephalos).

Pai

  • Deioneu, filho de Éolo, rei de Iolcos e senhor dos ventos.
  • Hermes, o deus mensageiro.

Mãe

  • Diomede, filha do povoador Xuto
  • Herse, princesa Ateniense, filha do rei Cécropes.

Filhos

Por Procris, filha do rei Erecteu de Atenas, ele teve:

  • Arcésio, rei de Ítaca, sucessor do pai.
  • Aglaura, sem outros mitos.

Por Eos, a deusa da alvorada, ele teve:

  • Héspero, conhecido como Samael ou Lúcifer, a “Estrela da Manhã”, se torna um anjo caído e assume a função de diabo na religião judaico-cristã.
  • Faetonte, sacerdote e amante de Afrodite
  • Titônio, sem outros mitos.

Por Climene, filha do rei Mínias de Orcomenos, ele teve:

  • Íficlo, argonauta, com poderes de super-velocidade, morto pelo usurpador Hipocoonte de Esparta.
  • Alcimede, esposa do deposto rei Esão de Iolcos, mãe do herói Jasão.

Louis de Boullogne,1654 – 1733

Nascimento

A linhagem mais utilizada para Céfalo é como membro da casa real Tessaliana e neto do famoso rei Éolo, o senhor dos ventos. Nessa versão,  seu pai é o príncipe Deioneu de Iolcos e sua mãe é uma mulher chamada Diomede, filha do povoador Xuto. Numa versão diferente, Céfalo é membro da casa real Ateniense por ser filho do deus Hermes e da princesa Herse, filha do rei Cécropes de Atenas. Muitos acreditam que essa versão, na verdade, é de outro indivíduo homônimo. No entanto, isso é improvável, pois em ambas as versões a titã Eos se apaixona por ele, o que seria uma grande coincidência para dois diferentes homens chamados de Céfalo.

Paixão por Prócris

A história de Céfalo o apresenta como um homem apaixonado pela princesa ateniense Prócris, que era famosa por possuir em suas mãos o dom da cura. Ambos juraram amor mútuo um para o outro e estavam destinados a viver felizes para sempre. No entanto, este amor estava prestes a ser testado. Amante de aventuras e sempre desejoso de novos desafios, todas as manhãs Céfalo acordava e saía em busca de novas presas. Além disso, era um grande guerreiro que aceitou combater guerras de diversos lugares.

Guerra contra os Táfios

Uma das guerras que Céfalo participou ocorreu quando os filhos do rei Pterelau da Táfia reivindicaram o reino de Micenas para si por serem também descendentes de Perseu por seu filho Mestor. Como o então rei Eléctrio de Micenas ignorou a alegação, eles mataram todos os seus filhos e roubaram o gado micênico. O rei Eléctrio estava cheio de ódio quando entregou ao líder Anfitrião a missão de recuperar o gado roubado e vingar seus filhos assassinados. Apoiado por uma aliança que incluiu Céfalo, que liderava os exércitos da Ática, Panopeu da Fócida, Heleu, filho de Perseu, de Argolis, e Creonte de Tebas, Anfitrião devastou as ilhas dos Táfios e recuperou o gado roubado.


Henryk Siemiradzki (1843–1902)

Triângulo Amoroso

Quando retornava de sua vitória contra os Táfios, a deusa Eos observou do céu o jovem Céfalo e se apaixonou por ele. A deusa titã desceu ao solo e tentou seduzir o rapaz, mas Céfalo rejeitou todas as investidas da deusa, dizendo que amava demais a princesa Prócris para traí-la. Indignada, a deusa Eos semeou a discórdia no seu relacionamento. Ela então instigou: “Eu não quero que quebre seu voto de fidelidade, a menos que ela quebre antes de você”, revelando assim que sua amada Prócris não possuía a mesma lealdade que Céfalo tinha por ela.

Traição de Prócris

Céfalo foi incapaz de acreditar que Prócris fosse capaz de traí-lo, mas a deusa da alvorada insistiu na sua revelação e desafiou Céfalo a testar sua amada. A deusa lançou um feitiço em Céfalo que o fez mudar de fisionomia. Fingindo ser outro homem, respondendo pelo falso nome de Pteleon, o jovem Céfalo tentou seduzir a sua amada. Ele lançou seus encantos e a presenteou com joias. No começo, a moça resistiu, mas, com o passar do tempo e recebendo mais presentes a cada investida, Prócris se deixou levar para a cama com o Pteleon.  Quando Céfalo revelou a verdade, expondo a amada como uma mulher infiel, ele a abandonou e aceitou fazer amor com Eos nas nuvens.

O Cão Tempestade e a Lança Certeira

A princesa Prócris ficou destruída pelo fim de seu relacionamento e, temendo por sua própria vida, visto que seria permitido ao seu amado ou seu pai matá-a pela desonra que causou a ambos, ela decidiu deixar Atenas para trás. Ele viajou tão longe quanto a ilha de Creta. Neste tempo, uma terrível doença acometia o rei Minos de Cnossos por causa de um feitiço lançado por sua própria esposa Pasifae. Irritada com a infidelidade do esposo, Pasifae fez com que toda vez que fizesse sexo com outra mulher o rei Minos ejaculasse dolorosos escorpiões e serpentes. Reconhecida por seus poderes curativos, a princesa Prócris conseguiu curar o rei de sua maldição, recebendo como recompensa o cão Tempestade (Lélapes, no grego) , que nunca perde uma presa, e a Lança Certeira, que nunca erra seu alvo.

Auxílio de Ártemis

Com seu cão caçador e sua nova arma, Prócris buscou a deusa Ártemis para fazer parte de seu bando de caçadoras. A deusa não a aceitou por ela não ser mais virgem, mas ao ouvir sua história ficou comovida e decidiu ajudar. Não apenas em razão do seu amor destruído por se deixar seduzir pelo mesmo homem uma segunda vez, mas também ao saber que ela era abusada sexualmente por seu pai Erecteu quando criança. A deusa decidiu usar o mesmo plano que levou ao fim do romance para os reunir outra vez. Ela colocou um manto sobre Prócris que mudou sua aparência de forma que não podia ser reconhecida. Assim, ocultando sua identidade, a princesa foi ao encontro do seu amado Céfalo.

Philippe_de_Champaigne_(1602-1674),_Céphale_et_Procris_dans_un_paysage

Philippe de Champaigne (1602–1674)

Sedução de Céfalo

Céfalo estava em uma de suas caçadas matinais quando Prócris se aproximou vestindo a misteriosa túnica. Ela o desafiou numa competição de caça enquanto portava seu cão que nunca perde uma presa e sua lança que nunca erra um alvo. E, após derrotar Céfalo, que logo tentou comprar esses artefatos tão poderosos, não demorou para a atração entre ambos os levar para a cama. Antes de consumar o ato, no entanto, Prócris revelou sua identidade, surpreendendo o herói, que agora traía sua amante divina. Era a forma da princesa argumentar que ambos só cometeram seus atos de traição porque foram seduzidos um pelo outro, por serem almas gêmeas. No entanto, este argumento não foi o bastante para convencer Céfalo, que rejeitou a esposa outra vez.

Raposa de Teumessa

Não demorou ao destino para colocar Prócris e Céfalo novamente no mesmo caminho. Atendendo ao chamado dos seus antigos aliados Anfitrião e Creonte, o herói viajou até a cidade de Tebas para derrotar a maligna Raposa de Teumessa, que devorava homens e destruía as fazendas. Era uma raposa nascida do terrível Tifão e profetizada como uma presa que nunca poderia ser alcançada. Céfalo logo concluiu que a solução para capturar essa raposa inalcançável era buscar o cão Tempestade, que nunca perde uma presa. Ele foi até Prócris para pedir sua ajuda e ela prontamente ofereceu seu cão para a captura da raposa. O encontro de ambos os animais com destinos conflitantes gerou paradoxo divino que os transformou em pedra e lançou suas essências às estrelas, que hoje podem ser vistos no horizonte como as constelações de Canis Major e Canis Minor.

Paul de Vos (1595–1678)

Casamento Conturbado

O reencontro de Prócris e Céfalo durante a captura da Raposa de Teumessa reacendeu antigos sentimentos e ambos se permitiram amar outra vez. Eles enfim decidiram se casar para viver felizes para sempre, como sempre planejaram desde que eram adolescentes descobrindo o primeiro amor. Eles tiveram juntos dois filhos: o sucessor Arcérsio e a bela Aglaura. Infelizmente, antigas mágoas são difíceis de superar e esta não seria uma história grega sem uma tragédia. No fim, com o marido incapaz de perdoar por completo sua esposa e a esposa incapaz de confiar por completo no marido, o fim trágico veio numa bela manhã.

Morte de Prócris

O heroico Céfalo partiu para a sua caçada matinal quando a esposa percebeu que algo afligia seu coração. Preocupada com tal sentimento, Prócris o seguiu furtivamente pela floresta até o ver subindo numa montanha para contemplar a bela alvorada que a titã Eos trazia. Era a revelação de que o esposo sentia a falta da sua ex-amante divina e desejava revê-la. Isso fez a princesa cair em prantos e se descuidar de seus movimentos silenciosos. O som produzidos pelos arbustos onde estava escondida fez com que Céfalo a confundisse com algum animal selvagem. Ele então arremessou a Lança Certeira que atingiu Prócris no peito e a feriu mortalmente. Ele veio a falecer momentos depois nos braços do seu amado.

Exílio e Morte

Céfalo foi julgado pelo assassinato de sua esposa na corte de Ares em Atenas e condenado com a pena de exílio. Ele vagou até a ilha de Ítaca, local onde antes havia derrotado os Táfios e onde passou o resto de sua vida na ilha. Lá, ele fundou um povoado chamado Cefalênia e se casou pela segunda vez com a princesa Clímene, filha do rei Mínias dos Orcomenos. Este foi um casamento arranjado que lhe deu dois filhos homens: Íficlo e Alcimede; e cujo bom dote lhe permitiu fortalecer as fundações seu recém-fundado reino. Após sua morte, o herói fez questão de escolher como seu sucessor o jovem Arcésio, seu filho com Prócris, que cresceu sem ter uma mãe ao seu lado.

Marquês de Oliveira 1853 – 1927

Helena causou o colapso da Era de Bronze em 1177 a.C.?

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Frederic Leighton, 1st Baron Leighton (1830–1896)

Conforme evidências arqueológicas, as ruínas de Troia revelam que a cidade foi destruída no ano de 1180 a.C. pelos gregos micênicos, que chamavam a si mesmos de Aqueus (598 vezes na Ilíada de Homero), de Danaãs (138 vezes) ou de Argivas (182 vezes). Eles não apenas destruíram Troia, mas todos os seus aliados que viviam próximos. Só o herói Aquiles liderou pilhagens  em quase vinte cidade que iam do norte palaico ao sul liciano da Anatólia (ver a lista abaixo).

Vale lembrar que Aquiles comandava menos de 5% do exército grego (50 barcos de um total de 1,186 conforme a Ilíada). Então, imagine a destruição causada se somarmos com as dezenas de outros líderes descritos na Ilíada que comandavam os outros 95% do exército grego. É de se esperar que uma destruição tão gigantesca se encontraria registrada em provas arqueológicas, não é verdade? E a resposta é: ela está sim! Eles eram os “Povos do Mar”, que levaram o mundo antigo à um colapso. Pelo menos essa é uma teoria que desejo explorar.

Evidência em Chipre

O último rei de Ugarite, nos limites da Anatólia, cuja cidade foi destruída no mesmo ano de 1.180 a.C. enviou uma pedido de socorro ao seu pai, que era rei do Chipre [Alásia].  Esta carta mostra o estado de desespero do rei ao ver seu reino atacado por um “Povo do Mar”. Ele escreve: “Meu pai, eis que os navios do inimigo vieram, minhas cidades foram queimadas e fizeram coisas más em meu país. Meu pai não sabe que todas as minhas tropas e carros estão na Terra de Hatti e todos os meus navios estão na Terra de Lukka? … Assim, o país está abandonado a si mesmo. Que meu pai o saiba: os sete navios do inimigo que vieram aqui infligiram muito dano sobre nós”.

Evidência no Egito

Na tumba de Ramsés III (não confundir com Ramsés, o Grande), foram encontradas inscrições sobre um terrível “Povo do Mar” que causou tamanha destruição na Anatólia: “As terras foram removidas e dispersas para a batalha. Nenhuma terra poderia estar diante de seus braços, de Hatti, Kode, Carquemis, Arzawa, Alásia sendo todas cortadas”. A violência alcançou o Egito, pois as inscrições nessa tumba descrevem que Ramsés III enfrentou esses Povos do Mar na Batalha do Delta (Nilo) e na Batalha da Fenícia (Dhjay) entre os anos 1.178 a.C e 1.175 a.C.

Povos do mar

Povos do Mar (n3 ḫ3s.wt n p3 ym) em Hieróglifo

Discussão

A Odisseia de Homero narra os eventos posteriores a destruição de Troia e, especificamente, no seu livro 4, o rei Menelau conta ao ser questionado como os navios gregos foram atingidos e dispersos por uma tempestade, que os fez se perder no mar. As ondas levaram Menelau, junto com sua esposa recapturada Helena, até o Egito onde ele desembarcou e confrontou o deus Nereu, também chamado de Proteu. Este deus contou como ele poderia voltar para casa depois de oito anos vagando no mar.

Note que o desembarque de Menelau e Helena no Egito contado na mitologia coincide com as batalhas histórias combatidas por Ramsés III no Delta e na Fenícia, tendo ocorrido de dois a cinco anos após a destruição da cidade de Troia em 1.180 a.C. No entanto, o mais surpreendente nas inscrições da tumba, é o nome do principal grupo que compunha esse Povo do Mar. Eram os Denyens. Ou seria melhor chamá-los de Danaãs?

Outros grupos faziam parte do Povo do Mar. Eram os Peleset, Sheklesh, Sherden, Teresh e Tjeker. Todos esses possuem paralelos com outros povos de origem grega e tradição marinha, como os Pelasgos, Sicilianos, Sardínios, Tirrênios e Teucros.  Mesmo em invasões anteriores em que o grupo principal era chamados de Eqwesh, a designação Aqueu também cabe perfeitamente.

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Reprodução da paredes da câmara mortuária de Ramsés III no templo de Medinet Habu sobre a Batalha do Delta contra os “Povos do Mar”.

Conclusão

Estou realmente convencido que os Povos do Mar são os gregos micênicos. Eles quem aterrorizaram a região da Anatólia e da Fenícia durante a guerra de Troia e depois que foram dispersos ao mundo pelas tempestades levando sua destruição. Acredito que Ramsés III combateu o rei Menelau ao lado de sua esposa Helena no Egito e que sua história contra o deus Nereu/Proteu, é uma alegoria para as batalhas contra exército egípcio que acabou o derrotando.

Assim como os Povos Bárbaros derrubaram o império Romano séculos depois, os Povos do Mar derrubaram as civilizações da Era de Bronze. Esse colapso na Idade de Bronze deu início a uma Idade das Trevas que durou trezentos anos (1100 a.C – 800 a.C), quando nenhuma literatura ou história foi gravada. A civilização só voltou a se restabelecer com a volta da escrita na geração de Homero e a volta dos grandes impérios com a Pérsia.

Certamente, Helena não esperava que seu caso de amor fora do casamento fosse alcançar tamanha destruição, não é verdade?

Linha do Tempo de Helena

c. 1220 a.C. – Nascimento de Helena

c. 1210 a.C. (10 anos de idade) – Helena é estuprada pelo herói Teseu, levando seu pai a decidir pelos jogos entre os pretendentes para disputar o casamento (junto com o trono de Esparta).

c. 1205 a.C. (15 anos de idade) – Helena casa-se com Menelau e o nascimento da filha do casal, Hermíone, pouco tempo depois.

c. 1195 a.C. (25 anos de idade) – Helena é levada por Páris de Troia. É bem estabelecido que sua filha Hermíone tinha nove anos de idade quando sua mãe deixou Esparta.

c. 1190 a.C. (30 anos de idade) – Início da Guerra de Troia.

c. 1180 a.C. (40 anos de idade) – Destruição de Troia (Evidência: Corpos, flechas e incêndios no Sítio Arqueológico Troia VIIa).

c. 1175 a.C. (45 anos de idade) – Desembarque ao Egito (Evidência: Batalhas do Delta e de Dhjay escritos no templo mortuário de Ramsés III.

c. 1170 a.C. (50 anos de idade) – Retorno a Esparta, onde Helena viveu o resto da vida ao lado do esposo Menelau. Felizes para sempre?

NOTA: Muita coisa ainda aconteceu depois do seu retorno, principalmente,  na disputa pelo casamento  de sua filha Hermíone entre Orestes e Neptolemo, respectivamente filhos de Agamenon e Aquiles, mas essa é uma que história para outro dia.

 

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Teto de Vila Veneziana por Autor desconhecido do Seculo 18.

 

NOTA 1: Lista de cidades destruídas por Aquiles, conforme o terceiro livro de Apolodoro: Lesbos, Focéia, Colofón, Esmirna, Clazômenas, Cimes, Egiálos, Tenos, Adramiítio, Sida, Endímio, Lineum, Colone Lirmesso, Tebas Hipoplaciana, Antandro e ele ainda completa com “e muitas outras”.

Listas de Reis de Atenas, Tebas, Iolcos e Cnosso


Jacques-Louis David (1748–1825)

Recentemente, estou organizando e traçando paralelos entre a história mitológica e a história do mundo real. Tenho utilizado a Lista dos Reis de Argos como referência para fazer o mesmo nas demais cidade. Claro que algumas abstrações devem ser feitas para essa finalidade. Por exemplo, levo em consideração a mais aceita historicidade dos heróis que coloca os quinze primeiros reis de Argos entre os anos de 1.550 BC e 1.250 BC, culminando na guerra de troia depois 1.200 BC. Também, que cada reinado corresponde a uma geração humana (cerca de 20 anos) e que elas possam ser listadas paralelamente.

Esse estudo me levou a listar nessa cronologia os reis de Atenas, Tebas, Iolcos, Cnosso, Ecália e Calidão, lembrando que já postei sobre Esparta e Sicião. Clique nos links na descrição da cidade e vá ao fim da página para ver essas listas.

Descrição dos povos Hititas

James Jacques Joseph Tissot 1836-1902

Nesses últimos dias, tenho tentado incorporar as histórias da mitologia grega no contexto da Era de Bronze que reconhecidamente verdadeira no nosso mundo atual. Com essa finalidade, eu expandi as descrições da fronteira micênica para incluir o império Hitita e suas muitas cidades no cenário do Micenas RPG. Se deseja ver como ficou essa descrição, clique aqui!

Lista de Faraós do Egito

Hubert_Robert_-_The_Farandole_Amidst_Egyptian_Monuments_-_Google_Art_Project

Hubert Robert (1733–1808)

Quinze gerações se passaram desde que Zeus causou o dilúvio que engolfou o território micênico e destruiu toda a população do Hélade. Este foi o começo da Era de Bronze. Didaticamente, cada uma dessas quinze gerações começa e termina com um novo rei da cidade de Argos. Para maiores detalhes, clique aqui.

Em paralelo, do outro lado do mar da Talassa (Mediterrâneo), o império egípcio alcançava sua décima-oitava dinastia de reis. Os faraós egípcios dessa dinastia podem ser assim interpostos com os reis de Argos para se fazer  uma história comparativa de ambas as civilizações. Esses faraós foram:

1o Reinado: Amósis I
2o Reinado: Amenófis I, filho do anterior,
3o Reinado: Tutmés I, filho do anterior,
4o Reinado: Tutmés II e Hatchepsut, filho do anterior e sua esposa,
5o Reinado: Tutmés III (Épafo), filho do anterior,
6o Reinado: Amenófis, filho do anterior, casado com sua irmã Tiaa (Líbia),
7o Reinado: Tutmés IV (Belo), filho do anterior,
8o Reinado: Amenófis (Egito), filho do anterior,
9o Reinado: Aquenatón e Semencaré, irmãos, filhos do anterior,
10o Reinado: Nefertiti, esposa de Aquenáton,
11o Reinado: Tutacamón, filho da anterior
12o Reinado: Ay, avô do anterior,
13o Reinado: Horemheb e Paramessu, nova dinastia (militares),
14o Reinado: Seti, filho do anterior,
15o Reinado: Ramsés, filho do anterior,

É notório que a história egípcia se confunde com a história micênica em muitas dessas gerações. Isso ocorreu especialmente em três situações: 1) no quarto reinado, a amaldiçoada Io se tornou a segunda esposa de Tutmés II e gerou o faraó seguinte: Tutmés III, também conhecido como Épafo; 2) no oitavo reinado, Amenófis Egito perseguiu seu irmão Dánao até Micenas e este veio a se tornar um dos reis de Argos; e 3) o herói Hércules enfrenta um dos filhos de Ramsés que deseja sacrificá-lo ao deus-serpente Set.

Nota: As conclusões desse post são baseadas na historicidade da Era dos Heróis e  na conhecida da décima-oitava dinastia egípcia. Elas buscam criar uma descrição do Egito que se adeque ao Micenas RPG. Para maiores detalhes, clique aqui.

A Guerra de Troia ocorreu no ano de 1180 a.C.?

Muitos pesquisadores tentam descobrir quando ocorreram os eventos da Era dos Heróis. Certamente, existem inúmeras teorias que posicionam esse período em datas bem determinadas e que se baseiam principalmente em duas importantes descobertas históricas relacionadas à Guerra de Troia: Sítio Arqueológico Troia VIIa e as Cartas Hititas

Sítio Arqueológico Troia VIIa

As ruínas da cidade de Troia foram localizadas na parte ocidental da Anatólia há 150 anos e desde então escavações buscam elucidar a maior das questões: Em qual ano ocorreu a Guerra de Troia? As escavações mostram que a cidade foi fundada por volta do ano 3000 b.C., mas sempre foi um povoado modesto, que continuamente teve sua cidade destruída e reconstruída por cinco vezes em razão de incêndios, invasões e desastres naturais.

A cidade de Troia VI começou a mostrar um povoado mais refinado a partir dos anos de 1600 BC, que trouxe ao local os primeiros cavalos à cidade. Rachaduras em suas muralhas nos fazem crer que a cidade foi evacuada e destruída por um terremoto por volta do ano de 1260 BC. Felizmente, não demorou para ser repovoada, dando início a Troia VIIa. Esta nova cidade que foi reconstruída sobre a anterior chegou a ter mais de dez mil habitantes, o que era uma grande população para a época. No entanto, ela durou pouco tempo. Cadáveres, incêndios e pontas de flecha fazem crer que este novo povoado foi destruído por uma guerra por volta do ano de 1190-1180 BC. Certamente, é um achado muito favorável para colocar a Guerra de Troia nesta data.

Carta Hititas

Povos tão importantes como Micenas e Troia certamente realizavam alianças com os povos vizinhos. Em especial, havia os Hititas que foram a potência militar entre os anos 1300 e 1100 BC. Duas cartas encontradas na cidade histórica de Hattusa, capital do império Hitita, tratavam de assuntos sobre Troia: a Carta de Manapa-Tarhunta (1295 BC) e a Carta de Tawagalawa (1260 BC).

Carta de Manapa-Tarhunta (1295 BC): É uma carta que descreve as ações de um belicoso líder local chamado Piyama-Radu que atacava as cidades ao oeste do império Hitita, inclusive descrevendo um ataque à cidade de Wilusa (Ilium/Troia). Aparentemente, o rei Hitita enviou o líder Manapa-Tarhunta, governante das cidades do rio Seha, para confrontá-lo, mas este falhou em sua missão. Houve uma grande tentativa de relacionar Piyama-Radu com o rei Príamo de Troia pela semelhança fonética dos nomes. No entanto, essa tese é pouco aceita porque este líder atacava a cidade de Troia e nunca a governou.

Carta de Tawagalawa (1260 BC): É uma carta para um não-nomeado rei da Áquea (Ahhiyawa), que era uma denominação muito utilizada pelos gregos micênicos quando se referiam a si mesmos. Nessa carta, os Hititas solicitavam ao rei da Áquea a extradição do infame Piyama-Radu, que tantos problemas causou ao império Hitita. Em especial, há um trecho da carta bem especial que diz: “Agora, como nós (Aqueus e Hititas) chegamos à um consenso no assunto de Wilusa (Ilium/Troia), sobre a qual nós fomos à guerra…”. Esta frase certamente pode ser um indicativo para a Guerra de Troia.

 

Conclusão

Por um lado, o sítio Arqueológico de Troia VIIa favorece que a Guerra de Troia tenha se encerrado por volta do ano de 1180 BC quando a cidade foi realmente destruída por uma invasão estrangeira. Por outro lado, as cartas Hititas podem ser interpretadas como que a Guerra de Troia tenha se encerrado por volta do ano 1260 BC se considerarmos  a frase “agora, como nós chegamos à um consenso no assunto de Wilusa, sobre a qual nós fomos à guerra…” como sendo uma menção à Ilíada.

Qual das datas seguir? 1260 BC ou 1180 BC? Eis a questão. Infelizmente, apesar de não serem tão distantes uma da outra, não é possível traçar uma convergência. Na verdade, consideradas bem conflitantes pelos historiadores. No fim, o consenso dos pesquisadores tende a colocar os achados no sítio de Troia VIIa como sendo mais confiáveis, mas a dúvida certamente persiste até hoje.

 

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