Ugarite

O Centro Religioso

Rei: Amitanru
Cidades: Ugarite, Ebla, Alalaque, Carquemis e Aleppo.
Idioma Local: Fenício

Corrado_Giaquinto 1703-1765

A cidade de Ugarite é uma das mais antigas de todo o mundo com mais de cinco mil anos de existência e com tamanha relevância que desde os seus primórdios ela detém uma forte muralha ao seu redor. Sempre foi um valioso porto comercial até sua importância ser suplantada pela cidade vizinha de Tiro ao sul. A verdade é que, desde que a influência egípcia tem declinado na região após a fracassada revolução religiosa do faraó Aquénaton, a importância político-econômica de Ugarite tem decaído também.

Ainda hoje a cidade mantém sua função de entrada marítima para as terras da mesopotâmia, mas a recente batalha de Kadesh em suas proximidades decidiu o futuro do mundo oriental quando os hititas derrotaram os egípcios que avançavam para os exterminar. Essa foi uma derrota que só trouxe dificuldades para o povo de Ugarite. Além disso, hoje o atual rei Amitanru ainda tem que se preocupar com sua sucessão, cujos filhos de suas várias mulheres já mostram animosidades entre si.

Sociedade

A atual dinastia de Ugarite tem sofrido um terrível declínio de seu poder e influência na cidade nos últimos anos. Como eles sempre foram partidários da aliança da sua cidade com o Império do Egito, a derrota do faraó Ramsés contra os Hititas na batalha de Kadesh obrigou o rei anterior Niqmepa a se ajoelhar perante o rei hitita. Hoje, é seu filho Amitanru quem ainda sofre com a vassalagem da cidade que deve pagar tributos e honras ao antigo e odiado inimigo. O próprio Amitanru é tão indignado com a situação que nem sequer utiliza o nome de seu pai no selo real. Ele sempre assina com o nome do seu avô: “Amitanru, desdendente de Niqmaddu, rei de Ugarite”.

Com o formidável crescimento comercial da cidade de Tiro ao sul e da derrota de seus milenares aliados egípcios em Kadesh, a cidade de Ugarite já não mais é o principal porto do Leste como já foi um dia, mas ainda mantém para si o título de maior centro religioso do mundo. Existe uma tolerância religiosa gigantesca na cidade que remonta desde os seus primórdios e moldou a forma como a cidade se organiza. Religiões de todo o mundo podem ser encontradas em suas casas como o culto dos olimpianos, das sibilinas, da deusa-mãe, do Deus único, enéade egípcia, dos panteões de Teshub, Baal-Hadad, Marduk, Assur e muitos outros que estão sempre presentes pregando em suas ruas.

 

Ubiranu e Atargatis

O príncipe de Ubiranu é o sucessor do atual rei Amitanru de Ugarite por ser seu primogênito e fruto do seu primeiro casamento. É um jovem perspicaz e belo, cujo maior desejo é se tornar um bom governante para seu povo. No entanto, seu futuro está em perigo agora que seu pai se casou pela segunda vez e sua nova esposa é alguém que o jovem Ubiranu acredita ser uma cobra peçonhenta prestes a destilar o seu veneno.

A rainha Atargatis, a nova esposa do rei Amitanru, criou um culto próprio de devoção à deusa Ishtar e tomou para si um status de divindade. Nos templos que lhe são dedicados, os homens são castrados e utilizam maquiagem pesada, turbantes na cabeça e roupas de seda com cor de açafrão ou túnicas brancas de listras roxas. Quando a rainha chega num local, eles gritam e dançam descontroladamente à música das flautas, com os pescoços dobrados de modo que seus longos cabelos voam para os lados num frenesi absurdo.

Rumores contam que a rainha Atargatis se utiliza de encantos mágicos e feitiços de sedução para controlar o rei no desejo de anular o seu primeiro casamento. Assim, o príncipe Ubiranu não mais fará parte da linha sucessória, sendo substituído por Utri-Sarruma, filho do rei e da nova rainha. Resta agora saber o príncipe Ubiranu conseguirá salvar o pai desses feitiços manipuladores ou perderá totalmente seus direitos ao trono.

Eugène Delacroix (1798–1863)

Flecha de Resheph

O mais poderoso e influente sacerdote de Ugarite não possui rosto, pois está sempre utilizando uma máscara de puro ouro sobre sua face e vestimentas vermelhas. Ele é devoto do deus Resheph, um deus egípcio que possui muitos seguidores em Ugarite. Este deus rege sobre as pragas e as doenças humanas, detendo assim o poder sobre a vida e a morte de todos os enfermos e sendo temidos por todas as pessoas.

A cada geração, um sumo-sacerdote é escolhido para receber a alcunha de “Flecha de Resheph” e se tornar responsável por todas as decisões do seu culto. Este título surgiu durante a guerra entre os Hititas e os Egípcios quando o primeiro sumo-sacerdote lançou flecha em meio à batalha que levava consigo uma terrível praga. Assim, uma epidemia se espalhou por todas as cidades hititas e se tornou fator crucial para o declínio deste império. Hoje, a Flecha de Resheph é um dos principais conselheiros do rei Amitanru por ser capaz de grandes visões proféticas alcançadas durante um torporoso estado febril e por auxiliar o rei em todas as suas decisões finais.

 

Estátua de Moloq no Museo nazionale del Cinema.

Moloq

O demoníaco Moloq é sedento de poder e o busca através de seus seguidores. Todos sabem do poder do sangue para se alcançar grandes poderes sobrenaturais, por isso, todas as religiões requerem sacrifícios animais como combustíveis nas orações. No entanto, mais poderoso que o sangue animal é o sangue humano. E ainda mais poderoso é o sangue de crianças inocentes. É isso que Moloq demanda de seus seguidores.

O culto ao deus Moloq é certamente o mais controverso de toda a Ugarite. Afinal, embora o sacrifício animal seja praticado em praticamente todas as culturas, os sacrifícios de inocentes são sempre considerados crimes. Por exemplo, Zeus condenou exemplarmente Tântalo por esse crime, o Deus único impediu Abraão de fazê-lo e Osíris condena tal prática no Maat. Essa regra é seguida por todas as grandes religiões. Moloq, no entanto, oferece aos seus seguidores grandes poderes e riquezas desde que ele continuem a levar as crianças ao seu altar como oferendas.

Em um macabro ritual, o demoníaco Moloq surge em sua forma flamejante com chifres e presas que consomem a criança oferecida até ela se transformar em cinzas. Enquanto isso, outras crianças são devoradas por seus seguidores num banquete sanguinário digno de uma cena de terror. Por esse motivo, muitos exigem que o rei de Ugarite encerre essa loucura, mas este relata que a tolerância religioso é a maior marca da cidade e sua principal fonte de renda também. Assim, os seguidores de Moloq continuam livres para os realizar suas barbaridades ritualísticas na cidade de Ugarite.

 

Templo de Amon, Tebas – Museu do Egito

Shed-Horom

Recentemente, uma nova religião tem se destacado das demais. Ela é centrada na figura de um jovem rapaz esguio e de pele escura que é capaz de curar doenças e derrotar cobras, leões e crocodilos para salvar as pessoas. Todos que conversam com eles sentem que suas palavras transmitem calma e tranquilidade. Todos se sentem imediatamente compelidos a lhe seguir. O rapaz ficou assim conhecido em Ugarite como Shed, o Salvador (“Horom”, no idioma fenício).

Muito pouco se sabe sobre a história de Shed-Horom. Sabe-se por sua fisionomia e vestimentas que ele é originário das terras do Egito. Alguns dizem que ele é um príncipe que abandonou a vida na realeza. Outros dizem que ele veio de origem humilde. Outros dizem que desceu dos céus para trazer consigo ensinamentos de paz e amor. Qualquer que seja sua verdadeira origem, não importa. Há sempre a certeza de que Shed-Horom acolherá todos os necessitados em seu templo e tentará os ajudar da melhor forma possível.