Troia

A Civilização Condenada

Rei: Laomedonte
Cidades: Troia, Dardânia, Doliones, Bebrícia e Mísia
Idioma Local: Anatólio (variante luwiano)

Troia e Micenas são duas cidades irmãs, quase gêmeas, pois nasceram quase na mesma época e foram fundadas por filhos de Zeus.  O fundador dessa civilização foi Dardano, que fundou ambas as cidades capitais de Dardânia e Troia. A primeira ficou sob o comando do rei Capis e a a segunda sob o comando do rei Ilo. Embora ambas as cidades foram igualmente importantes para a região, hoje é Troia que tem a liderança absoluta da região. Isso ocorreu graças ao filho de Ilo, chamado Laomedonte, atual rei da cidade.

Este grande rei, hoje nos seus oitenta anos de idade, ganhou fama ao firmar um acordo com os deuses Apolo e Poseidon. Esses deuses construiriam gigantescas muralhas ao redor da cidade em troca de suas belas filhas. Os deuses cumpriram o prometido embora, ao fim da construção, o rei Laomedonte não teve coragem de entregar as princesas Hesíone e Astíoque para eles. Desde então, todos temem uma retaliação divina, que felizmente até o momento não veio.

Gillis van Valckenborch 1570 – 1622

Foram as muralhas construídas por Apolo e Poseidon que mudaram o contexto geopolítico da região. Desde que elas foram erguidas, Tróia cresceu vertiginosamente ultrapassando a população de Dardania. Ela se tornou a principal cidade da região e um ponto de intersecção entre dois continentes. Recebeu o melhor da cultura de Micenas ao oeste, e o melhor da cultura dos Medos ao leste, o que a transformou num centro da arte e da beleza.

Galerias e centros de arte estão espalhados pelas amplas ruas de Tróia. Belas peças de pintura, escultura e artesanato moldadas na cidade são exportadas para toda civilização micênica. Todos os nobres e ricos de Micenas devem obrigatoriamente possuir uma peça de arte troiana em suas casas para mostrar sofisticação e bom gosto. Além disso, o culto à beleza na cidade é enorme. Todos se mostram bem vestidos e perfumados. Em geral, são grandes conhecedores de filosofia, história e literatura. Eles dizem que o próprio deus Apolo vive na cidade, a protegendo e a abençoando, ainda que não tenha recebido sua princesa prometida.

 

Lampo e Hiceatão

Os filhos do rei Laomedonte são os príncipes Lampo, herdeiro de Tróia; Príamo, adorado pelo povo; e Hiceatão, detentor de grande sabedoria.

O príncipe herdeiro Lampo já atinge a meia-idade, mas aguarda suceder o rei ancião. No entanto, poucos são os súditos que desejam que isso aconteça. Afinal, ele é conhecido como mesquinho e arrogante enquanto seu outro irmão Príamo possui muito mais carisma. Como é de se esperar, a medida que cresce a adoração do povo por Príamo mais cresce o ódio de Lampo pelo irmão.

O príncipe Hiceatão é um conhecido e recluso estudioso. Ele é um homem de poucas palavras e prefere a companhia dos livros que das pessoas. Hiceatão tem sido um importante conselheiro real embora o local mais fácil de encontrá-lo seja na biblioteca de Troia, imerso em suas pesquisas.

Anton Pavlovich Losenko 1737 – 1773

Príamo

O príncipe Príamo, filho de Laomedonte, nunca foi um grande guerreiro, mas é adorado pelo povo de Troia. Sua sabedoria e justiça são consideradas até superiores às do pai Laomedonte. Ele está casado com a princesa Hecuba das terras do povo Medo. Juntos, tiveram muitos filhos e, quando se somam àqueles filhos nascidos das diversas concubinas do seu harém, sua prole atinge dezenas.

O seu primogênito chama-se Heitor, que certamente é o orgulho paterno. É uma criança inteligente e esperta, que aprende tudo rapidamente. Além disso, é muito carismática sendo capaz de conquistar qualquer pessoa mesmo após as travessuras que lhe renderam o apelido de o “pequeno terror”. Outro dos seus filho chama-se Troilo que na verdade foi encontrado ainda bebê na periferia da cidade e adotado pelo príncipe Príamo. O pai gosta de dizer que o considera um dos filhos do deus Apolo, mas chama a atenção na criança seu amor pelos cavalos. Por fim, temos os filhos gêmeos Cassandra e Heleno, que nasceram com o dom da profecia.

Recentemente, uma situação trágica acometeu o príncipe Príamo. No dia em que  seu filho caçula Alexandre nasceu, a sua introvertida e estranha filha Cassandra sofreu claras visões da destruição da Troia. Outros profetas tiveram a mesma visão e todos os sábios da cidade aconselharam a família real a se livrar da criança recém-nascida. A ordem do rei Laomedonte foi implacável para que a criança fosse levada para fora da cidade para ser morta por um dos seus serviçais.  Até hoje, o príncipe Príamo lamenta a perda de seu rebento, sendo acometido por uma terrível culpa.

 

Herofile

A antiga princesa Lâmia do Egito gerou uma filha chamada Sibila, que tomou para si a missão de propagar o culto de seu pai entre os povos do deserto. Ela se tornou assim a grande sacerdote do deus Amon-Zeus. Hoje, seu culto se difundiu rapidamente com dezenas de profetisas por toda a Gaia que recebem o título de “Sibilantes”.

A sibilante de Troia se chama Herofile.  Ela é filha do grande escritor Berossus e iniciou sua pregação há pouco tempo na ilha de Eritra. Entre as suas profecias, a mais famosa é sobre uma destruição que recairá sobre Troia. Apesar de muito já ser dito sobre esse evento, Herofile afirma ter visto em suas visões um grande monstro marinho atacar a cidade. Disse ainda que esse terrível mal só poderá ser impedido por um grande herói, vindo de terras distantes e que um dia ascenderá ao panteão eterno.

Konstantin Makovsky 1839 – 1915

Páris

Páris é apenas uma criança, cujo o pai é um humilde pastor de ovelhas vivendo tranquilamente na zona rural de Troia. No entanto, o garoto nem sequer faz ideia dos grandes planos que o destino tem para ele. A verdade é que ele é, na verdade, um príncipe de Troia chamado Alexandre, que foi sentenciado à morte no dia do seus nascimento.

O motivo de tão dura condenação ocorreu porque os profetas reais tiveram uma revelação: Eles viram sua mãe dando à luz a tochas flamejantes que consumiam a cidade de Troia. O pai ainda tentou evitar a condenação, mas o rei Laomedonte foi implacável. Ele ordenou a um soldado que levasse o recém nascido para fora das muralhas da cidade, matasse a criança e o enterrasse longe dos olhos maternos.

A sentença de morte estava dada à Alexandre, mas o encarregado de levar a cabo sua execução não conseguiu completar sua ordem. Vendo aquela tão bela e inocente criancinha, ele a tomou para si e abandonou o palácio. Criou a criança como seu próprio filho e a batizou com o nome de Páris. Não há dúvida que o ocorrido chamou a atenção dos próprios deuses, que sabem o quão especial será essa criança.