Tártaro

O Calabouço Infernal 

Rei: Briareu, Cotos e Giges

José Benlliure y Gil 1858 – 1937

Bem no começo havia apenas o Vazio, que foi o primeiro dos deuses primordiais. Depois, vieram os quatro grandes domínios divinos: a Terra, o Mar, o Ceú e os Subterrâneos. Este último recebeu o nome de Tártaro. Por fim, surgiram a Escuridão e a Noite, que decidiram tomar a morada neste lugar. Quando a criação foi partilhada entre os olimpianos, o deus Hades os tomou todos os três para si.

Acima do Tártaro e em volta da Escuridão, Hades construiu um império que foi povoado com as almas dos que morrem na superfície. Ele assim criou o rio Estige para ser a entrada do mundo espiritual. Lá, ela  deve entregar uma moeda ao balseiro Caronte para que este o leve ao mundo espiritual. No entanto, as piores almas são levadas pelas águas flamejantes do Rio Flegeton até o Poço do Tártaro. É nesse lugar que fica o pior dos calabouços onde seus prisioneiros sofrem a punição eterna.

O Tártaro é vigiado por três criaturas poderosas. Eles são Briareu, o vigoroso; Cotto, o furioso; e Giges, o robusto. É um poder tão grandioso que só é comparável à sua aparência monstruosa. Eles possuem cem grandes braços que saltam de seus ombros enquanto cinquenta cabeças brotam acima deles. É uma imagem impossível de retratar pela arte dos seres mortais ou sequer ser concebida pela mente humana. A razão dessas criaturas vigiarem o Tártaro é para impedir a fuga de qualquer um dos prisioneiros que tentem atravessar os portões de bronze construídos pelo deus Poseidon e que circundam todo o lugar.

Certamente, esse é um lugar onde nenhum ser humano ou espiritual deseja ir. Afinal, é o local onde os deuses reservam seus piores castigos aos piores criminosos. Atualmente, as mais terríveis criaturas que mereceram tamanha punição foram apenas os deuses Titãs da primeira geração e os quatro homens mais terríveis que pisaram sobre a terra. Seres que não apenas cometeram crimes bárbaros, mas também desafiaram os próprios deuses com sua arrogância.

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Cornelis Cornelisz van Haarlem (1596–1598)

Titãs

O Tártaro é vigiado por três criaturas poderosas. Eles são Briareu, o vigoroso; Cotto, o furioso; e Giges, o robusto. É um poder tão grandioso que só é comparável à sua aparência monstruosa. Eles possuem cem grandes braços que saltam de seus ombros enquanto cinqüenta cabeças brotam acima deles. É uma imagem impossível de retratar pela arte dos seres mortais ou sequer ser concebida pela mente humana. A razão dessas criaturas vigiarem o Tártaro é para impedir a fuga de criaturas igualmente poderosos que eles ajudaram os destronar e aprisionar: os Titãs.

Hoje, é impossível para um mero mortal sequer imaginar como era primeira geração de Titãs. Para se ter uma ideia, o único desses deuses que ainda pode ser visto por olhos humanos é o Grande Oceano de águas infinitas que hoje circunda toda a Mãe Terra. Os outros onze aprisionados são:  Krono, Oceano, Iapeto, Hiperion, Krio e Céos. E as seis mulheres: Rhea, Tetis, Febe, Teia, Temis e Mnemosine. Infelizmente, os mortais nunca mais serão capazes de contemplá-los outra vez. Pelo menos, não enquanto os Hecantochires mantiverem vigiando os portões brônzeos do Tátaro.

 

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Jusepe de Ribera (1591–1652)

Títio

Os deuses irmãos Apolo e Ártemis ascenderam ao panteão em tempos recentes. Não mais que há um punhado de gerações atrás. Eles são reconhecidamente clementes e calmos, mas quando sua mãe Leto é agredida, eles não contém seus ataque. O enorme Títio é um dos quatro prisioneiros humanos do Tártaro. Ele pertence a raça dos gigantes, uma poderosa raça humana que odeia ter seus territórios invadidos. Quando Leto estava a caminho do templo do seu filho em Delfi, ela atravessou os bosques deste gigante. Furiosamente, Títio lançou um ataque contra ela.

A mãe dos deuses-irmãos estaria morta caso seus filhos não intervissem. O deus Apolo lançou uma chuva de flechas douradas contra o gigante, que o mataram instantaneamente. Não há dúvida que os deuses são impiedosos contra aqueles que os atacam. E tentar matar uma deusa como Leto merece uma severa tortura no Tártaro. A eterna punição do gigante Títio é ser devorado vivo por abutres sanguinários. Durante o dia, estes pássaros devoram seus pés, pernas e quadril até chegar em suas entranhas e fígado. Durante a noite, seu corpo se regenera para tudo recomeçar no dia seguinte.

Gioacchino Assereto 1600-1649

Tântalo

Tântalo é um dos quatro prisioneiros humanos do Tártaro. Antes, era um poderoso imigrante das terras do Leste que decidiu viver em Micenas. No entanto, ele não poderia adorar os deuses olimpianos, sem antes testar a onipotência e onisciência deles. Sabendo da aversão divina ao ato do canibalismo, Tântalo matou o próprio filho Pélopes e serviu sua carne aos próprios deuses.

Os olimpianos ficaram furiosos com esta ação. Castigaram este insolente homem ao Tártaro nevoento, onde, num vale abundante de vegetação e água, nunca mais poderá saciar sua fome. Ao tentar colher os frutos das árvores, os ramos sempre se movem para longe de seu alcance sob a força do vento. A expressão “Suplício de Tântalo” significa buscar algo próximo porém, inalcançável, a exemplo do ditado popular: tão perto, ainda assim tão longe.

Jules-Élie Delaunay 1828 – 1889

Íxion

Íxion é um dos quatro prisioneiros humanos do Tártaro. Ele foi um grande herói da geração que lutou ao lado de Perseu. Tinha como sua maior habilidade o poder de enganar e manipular outras pessoas. Era extremamente sagaz e esperto.

Sua queda ocorreu quando participou de um infame coluio para derrubar os deuses olimpianos. Desejava ascender como o mais poderoso deus de um novo panteão. Mais ambicioso que os demais, Íxion desejava tomar a deusa Hera, esposa de Zeus, para si. No fim, a conspiração falhou e o enganador Íxion foi lançado ao Tártaro nevoento, onde foi amarrado numa roda flamejante que girará por toda eternidade, fazendo sua mente incapaz de funcionar outra vez.

Ticiano Vecellio 1473 – 1576

Sísifo

A vida de Sísifo é um assunto que sempre causa mal-estar ao ser comentado, pois é difícil falar de seus feitos sem mostrar uma certa admiração. Infelizmente, admirar este homem é algo que causa insatisfação aos próprios deuses. Hoje, é Perseu quem enche as páginas dos livros de história e os versos da poesia épica com suas aventuras fantásticas e importância política. No entanto, seus feitos se tornam tímidos quando comparados com os deste homem condenado às profundezas do Tártaro.

Sísifo é de uma geração anterior à Micenas, na Era de Bronze, quando nem mesmo Apolo se tornara um deus, nem Perseus havia nascido. O próprio Apolo convocara um grupo de heróis para auxiliá-lo no confronto contra o dragão Pitão e para várias outras missões. Juntos, esses heróis impediram a infestação de cobras em Samos. Combateram a sanguinária Lâmia. Confrontaram o recém-nascido deus Hermes. Derrotaram a monstruosa Equínida. Receberam o imigrante Cádmo. Resgataram o Cão Dourado de Cnossos. E ainda realizaram muitos outros feitos heroicos.

Quando Perseus chegou em Micenas, Sísifo era um ancião. Ele treinava o exército de Corinto e liderava os guerreiros Orcomenos. Além disso, mantinha grande capacidade de combate apesar da idade. Infelizmente, tão grande poder e prestígio resultou numa arrogância ainda maior. Ele comandou um novo grupo de jovens heróis com o objetivo de derrubar os próprios deuses olimpianos. Esse grupo era formado pelo trapaceiro Íxion; o imbatível Crisaor; o oceanida Ásopo; e o político Megapente.

O grupo foi vitorioso em sua missão. Eles destruíram Zeus e tomaram o império micênico para si ao assassinar o rei Perseu. Chegaram a dividir a própria criação. No entanto, a vitória durou pouco. O poderoso Zeus, que sobreviveu ao embate inicial, retornou de seu esconderijo e derrotou o grupo de rebelados.

Como líder do grupo, Sísifo foi lançado ao Tártaro, onde todos os dias deve rolar uma grande rocha com as mãos até o cume de uma montanha. Pela noite, a pedra rola novamente montanha abaixo ao ponto de partida para que Sísifo volte a empurrá-la no dia seguinte. Assim, para alguém que sempre quis ser tão importante, ele foi condenado a fazer uma tarefa irrelevante por toda a eternidade.

No entanto, enganam-se os que pensam que a história de Sísifo chegou ao fim. Para a surpresa de todos, o astuto vilão recentemente conseguiu enganar a própria morte. O demônio Tânatos foi encontrado acorrentado nas prisões subterrâneas onde antes estava Sísifo. Nem a rainha Perséfone escapou de seu embuste. Nem o cão Cérbero conseguiu impedir sua fuga. Agora, os deuses estão agora desesperados. Eles temem os vis planos que Sísifo possa estar tramando neste exato momento.