Sárdis

A Terra do Rei Venerado

Rei: Tmolo
Cidades: Sárdis, Gordium e Meônia.
Idioma: Anatólio (Luwian)

Gustave Boulanger 1824 – 188

Por séculos, a Lídia foi dominada pelo império conhecido como Hattusa. Infelizmente, séculos de prosperidade não conseguiram resistir às décadas de guerra, fome e doenças que acometeram este império após o conflito contra o Egito. A cidade de Sárdis sofreu enormemente com isso por ser dependente dos comércio com Hattusa. A queda abrupta de suprimentos em razão da guerra entre Hattusa e o Egito fez a fome grassar toda a cidade de Sárdis que era governada pelo rei Atis.

O rei Átis só enxergou uma solução para seu povo faminto. Ele seguiu uma profecia da sibilante Carmentis de embarcar metade dos habitantes da cidade em grandes navios capitaneados por seus dois filhos Tarcon e Tirrênio; ao lado de Evandro, o homem mais sábio do mundo. Toda essa gente assim desapareceu nos horizontes marinhos para nunca mais voltar. Essa decisão se mostrou mais necessária e essencial para a vida de seus filhos do que Atis imaginava. Não demorou para a população se revoltar. O grande guerreiro Tmolo liderou essa rebelião, que assassinou o rei Atis e toda a família real de Sárdis. E assim este guerreiro ascendeu ao trono da cidade.

Sociedade

A ascensão de Sárdis como uma potência militar é totalmente creditada ao guerreiro Tmolo. Este rei foi tão venerado que hoje muitos o consideram um deus, descrevendo-o como um filho da guerra e o senhor das montanhas. Ele trouxe a paz ao reino de Sárdis, mas crescem os rumores de que os dois filhos de Atis, que partiram nas caravanas marítimas, podem voltar a qualquer momento.

O rei Tmolo não se preocupa com uma iminente guerra. É um guerreiro feroz que estaria preparado para a batalha na chegada de qualquer inimigo. No entanto, mesmo com todo o poder e adoração que possui dos seus súditos, muitos o considerando um deus, o rei Tmolo acabou caindo de forma mais estúpida e terrena possível. Ele foi atacado pelas costas por um touro do seu rebanho que fugiu do controle. Agora, o rei está em seu leito de morte, sem que haja um herdeiro para o suceder.

 

Ônfale

A rainha Ônfale pode não ter o mesmo grau de veneração que seu esposo, mas ninguém pode negar que ela é parte essencial do seu governo. Muitos até consideram que ela foi a verdadeira autora da vitória contra fome, pois ela quem negociou as novas rotas comerciais com as cidades de Atenas e da Cilícia.

Infelizmente, o rei Tmolo está em seu leito de morte agora antes mesmo que sua rainha pudesse lhe dar um herdeiro. Os usurpadores já iniciam suas conspirações para tomar o lugar do rei venerado. No entanto, a rainha Ônfale não está disposta a desistir tão facilmente. Ela está disposta a permanecer no trono de Sárdis como a única sucessora de Tmolo, estando disposta a usar a força bruta e a adoração do povo por seu esposo ao seu favor.

 

Talemenes

O líder dos guerreiros de Sárdis chama-se Talemenes cujos guerreiros são treinados na região da Meônia juntos às montanhas que receberam o nome do rei Tmolo e onde o próprio rei deseja ser enterrado caso o pior aconteça. É neste região que vive com seus filhos Ántifo e Mestles, que estão sendo na arte do combate para se tornarem grandes guerreiros.

Não há dúvidas de que a amizade entre Talemenes e Tmolo foi um dos fatores essenciais para o sucesso de Sárdis durante os momentos mais difíceis de fome. No entanto, apesar de Talemenes ser alguém que adora combates e batalha, ele teme que a morte do seu velho amigo possa causar uma guerra civil pelo trono da cidade. Ele assim apoia incondicionalmente que a rainha Ônfale seja a sua sucessora.

 

Ivanov Alexander Andreevich 1806 – 1858

Midas

Toda região foi marcada pelo declínio do império de Hattusa. Várias tribos bárbaras conquistaram suas terras e muitas cidades se rebelaram contra o decadente império. Entre elas, está a Frígia, que se uniu a um imigrante da Macedônia, chamado Gordias, que após sua morte, foi sucedido por seu filho Midas. Infelizmente, este novo rei ficou mais famoso por sua ganância do que por sua administração.

O rei Midas adquiriu uma obsessão patológica por ouro, que só poderá ser curada por obra do viajante Báco Dionísio. Este viajante fez com que tudo o que o rei Midas tocasse ouro virasse ouro. Inicialmente, o rei ficou muito feliz, mas logo percebeu que essa benção se transformaria numa maldição.

Ele era incapaz de aproveitar as pequenas coisas da vida. Seu desespero chegou ao nível mais alto quando, ao tocar sua filha Zoe, ela também se transformou em ouro maciço. O poderoso viajante disse ao rei Midas que se ele lavar suas mãos no rio Páctolo, que banha sua cidade, não mais existirá ouro na Frígia e ele perderá todo o poder. Por outro lado, sua filha voltaria a viver. Agora, o rei Midas vive um dilema. Ele deve decidir se deve abandonar sua obsessão por ouro para ter sua filha de volta ou se vive para sempre rodeado pelo fascinante brilho do metal.

 

Mársias

O flautista Mársias é considerado o mais famoso músico das terras do Leste. A própria deusa-mãe Cibele, que os micênicos relacionam com Rhea, a mãe de Zeus, ficou encantada com a perfeição do seu talento depois que o músico compôs a “Canção da Mãe” em sua homenagem. No entanto, tamanha era a perfeição de Mársias que este desafiou o próprio deus Apolo para uma disputa musical.

Essa disputa musical entre a flauta de Mársias e lira de Apolo foi extremamente controversa. O mortal teria sido o vitorioso graças aos belos sons de sua flauta, mas o deus não se conteve com os acordes de sua lira e começou a cantar. A conjunção do som da lira com as letras da música foram determinantes para a vitória do olimpiano. Depois de muita discussão, com Mársias clamando trapaça do seu oponente, Apolo foi o vitorioso.

Triste com a derrota, Mársias teria se suicidado por enforcamento. O próprio deus Apolo, que inicialmente se irritou com o adversário por suas levianas acusações, lamentou a morte de tamanho talento. Foi realmente uma grande perda para o mundo, mas rumores dizem que o músico recebeu a graça da deusa-mãe Cibele e retornou ao mundo dos vivos para encantar a todos com sua música.

 

Báco Dionísio

Quando a deusa Hera descobriu a infidelidade de seu esposo Zeus com a bela Semele, ela lançou toda sua ira. Matou ambos Semele e a criança que nasceu dessa relação, chamado Báco. A culpa incorreu sobre Zeus que ainda conseguiu ressuscitar o recém-nascido. Este recebeu assim a alcunha de Dionísio, que significa “Renascido”, e foi entregue para as ninfas do monte Nisa para que fosse escondido dos olhos da vingativa esposa.

Báco Dionísio cresceu junto às belas ninfas na adolescência, vivendo os prazeres do vinho e da carne com suas deliciosas babás. Depois decidiu conhecer o mundo levando apenas o seu amado vinho e seus desejos mais lascivos. Durante a viagem, ocorreu a primeira manifestação de seus poderes. Báco escapou dos marinheiros que queriam vendê-lo como escravo. Fez eles mergulharem em alto mar ao alucinarem com cobras e leões.

Não demorou a Báco estar utilizando seus poderes alucinógenos para animar suas loucas festas, onde tudo é liberado. Em pouco tempo, o jovem se tornou bastante cultuado e famoso com seus rituais festivos regados a álcool excessivo, mulheres liberais e poderes entorpecentes. São eventos que vem ocorrendo há três gerações em razão da imortalidade que o sempre jovem Báco herdou do divino pai.

Báco sempre foi bem recebido nas cidades em que chegava, mas houve uma exceção. Décadas atrás, em Tebas, o rei Penteu lançou Dionísio e seus seguidores no calabouço. Numa resposta impensada e descontrolada do viajante, o tebano acabou morto como resultado de suas alucinações. Depois disso, Dionísio procurou o centauro Quíron na Tessália para controlar os poderes. Após dominá-los, Dionísio manteve suas longas viagens divulgando seus festivais ritualísticos, sendo sua chegada sempre celebrada.

Sebastiano Ricci 1659 – 1734