Samotrácia

A Ilha dos Fanáticos Religiosos

Rainha: Axiocersa
Território: Arquipélago das Trácias
Cidades: Tasos e Samotrácia.

A ilha da Samotrácia no mar Egeu possui um gigantesco complexo de templos religiosos. Todos em Micenas já ouviram falar dessas grandes estruturas principalmente por causa da história de Cadmo, um dos maiores heróis micênicos e o fundador da cidade de Tebas. Os livros de história contam que antes de chegar às terras tebanas ele se converteu à religião da ilha e celebrou seu casamento com a bela Harmonia nesses mesmos templos. O grande sucesso do casal Cádmo e Harmonia é atribuído à religião local. No entanto, uma aura de mistério circunda a ilha. Todos os micênicos sabem de sua existência, mas ninguém sabe do que se trata sua religião.

Nenhum dos praticantes deste culto fala o nome dos seus deuses. Seus rituais são feitos às portas fechadas. E todos que adentram a ilha acabam se convertendo em fanáticos dançarinos que recebem a denominação de Coribantes. Sabe-se apenas que há uma ligação deste grupo de fanáticos com o mundo dos mortos. Não há dúvidas que os deuses Hades e Perséfone estão aliados com a deusa-mãe, pois a sumo-sacerdotisa do templo chamada de Axiocersa, por várias vezes, manifestou a própria deusa do submundo em seu corpo humano para ditar suas ordens e desejos. No entanto, ninguém sabe em que direção esse plano levará os cultistas coribante e resto do mundo.

1024px-9595_-_Milano_-_Museo_archeologico_-_Patera_di_Parabiago_-_Foto_Giovanni_Dall'Orto_13_Mar_2012

Cibele e Adonis cercados por Coribantes (361/363 AD).

Sociedade

Qualquer um pode se tornar um Coribante. Não há limitações de idade, gênero, status ou nacionalidade, até mesmo escravos podem se converter. Os iniciantes, chamados Místes, são colocados numa pequena sala escura, vestidos de branco com uma vela na mão. Eles se banham em água sagrada e entram num fosso circular onde derramam a libação divina em sua volta. Depois, caminham até um grande portão fechado numa plataforma. Os sacerdotes veteranos, chamados Cábiros, realizam um ritual de dança ao seu redor, envolto no ritmo de tambores e vapores coloridos.

Se o desejo de conversão for realmente verdadeiro e o iniciante for digno dela, é nesse momento que sua alma transcende o plano físico e a deusa-mãe surge intangível através do portal.  Os micênicos logo reconhecem a deusa-mãe como Rhea, a mãe de Zeus. Outros povos dão diferentes nomes conforme sua origem, seja Cibele, Ida, Adraste, Ops, Anquiale ou algum outro. A deusa-mãe leva a alma do iniciante através do mundo espiritual. Ensina-os sobre a promessa de um futuro melhor e um pós-vida no paradisíaco Elisium. A vida dos convertidos muda completamente após a experiência. Eles passam a viver apenas para sua religião.

Quando retornam da viagem astral, eles recebem um talismã que é preso à sua cintura e um anel colocado em seu dedo. Eles se tornam oficialmente Coribantes, lhes sendo permitido participar dos ritos mais avançados, aos quais os Coribantes vestem uma armadura de batalha para dançar ao ritmo de tambores e batidas dos pés. Esses ritos têm o objetivo de viajar ao plano astral e preparar os Coribantes para o grande chamado da deusa-mãe que um dia virá.

 

Pírrico

Lauri, Filippo, 1623-1694; Pan and Diana

Filippo Lauri (1623–1694)

Todos os Coribantes se consideram iguais perante a deusa-mãe, sem preconceitos de raça, classe social ou profissão. Estão todos nesse mundo terreno para adquirir o autoconhecimento necessário para a evolução de suas almas imortais. No entanto, mesmo que se considerem iguais, alguns coribantes assumem funções especiais para o plano maior da deusa-mãe. A sumo-sacerdotisa Axiocersa, que recebe mensagens vindas do mundo dos espíritos, é o mais próximo que possuem de um líder. E, para que os plano da Deusa-Mãe seja cumprido, a sumo-sacerdotisa tem sempre ao seu lado o sátiro chamado Pírrico, que faz com que todas as suas ordens sejam cumpridas.

Cabe a Pírrico traçar as funções de cada Coribante numa rede de possibilidades que evolui a cada minuto. Há coribantes infiltrados por todo o mundo, em especial, entre os povos hititas e danaãs. Há rumores que o sátiro Sileno, que vive nos arredores de Tebas, é um de seus agentes secretos. Dizem até que Sileno é na verdade o próprio líder Pírrico e que sua presença na ilha de Samotrácia é na verdade uma projeção espiritual numa bem orquestrada farsa.

No entanto, esse rumor nem arranha a superfície que esconde a verdadeira situação. Na verdade, os infiltrados Coribantes na civilização micênica estão em número muito maior do que se pode imaginar. Entre eles, estão a feiticeira Pasifae, o aventureiro Orfeu, os nove líderes do povo Dátilo, os Abantes de Euboa, o viajante Báco Dionísio, o sábio Etalides da Ecália, o rei Minos de Cnosso, o rei Tirreno da Etruria, o culto das Sibilantes e muitos outros que fazem parte dessa religião secreta com uma agenda desconhecida.

As especulações para o plano da deusa-mãe vão desde a morte de Zeus até o fim do mundo. Previsões menos apocalípticas dizem que ela deseja permitir a reencarnação a todos os homens como forma de atingir maiores níveis de evolução espiritual. Seja qual for, apenas se sabe que o mundo nunca mais será a mesma depois de posto em prática.

 

402px-Wenceslas_Hollar_-_Swarming_of_bees_(State_1)

Wenceslaus Hollar (1607–1677)

Melisseu e Hoplodamo

Existem muitas outras pessoas importantes no processo de ensinar os ensinamentos Coribantes, mas dois merecem um destaque especial: Melisseu e Hoplodamo. Eles são os dois maiores professores da religião, recebendo assim o título de Cábiros, junto com a própria sumo-sacerdote Axiocersa e o seu braço-direito Pírricos, entre mais alguns outros.

Melisseu nasceu do coribante Soco e da ninfa Combe, mas suas origens podem ser buscadas muito antes. Ele é na verdade a reencarnação do grande sábio Aristeu, conhecido como o melhor dos homens. Ele foi um biólogo tebano que aprendeu a produzir mel a partir de abelhas e retirar óleo das oliveiras. Possuía ainda, os dons da cura capazes de interromper epidemias e ensinou suas descobertas por vários lugares como a ilha de Ceos, a Líbia, a Sardenha, a Sicília e, por fim a Trácia, onde conheceu Baco Dionísio que o iniciou no culto. Com esses conhecimento, Aristeu conseguiu reencarnar como Melisseu e agora está disposto a disseminar esse conhecimento com todos que assim desejarem.

Hoplodamo é um gigante com mais de vinte metros de altura que nasceu do sangue derramado do Céu que caiu sobre a Terra. Por sua herança primordial, ele é imortal e caminha sobre a terra a centenas de anos, Ele é considerado um grande herói entre os Coribantes, pois, quando o titã Krono descobriu que fora enganado pela esposa Rhea que manteve Zeus protegido da violência paterna, o gigante impediu Krono agredisse Rhea. Hoplodamo reuniu seus irmãos gigantes contra o maligno titã que foi obrigado a recuar. Hoje, Hoplodamo abandonou o convívio com seus irmãos gigantes nas terras macedônicas de Pallene para viver entre os homens, ensinando a beleza do culto da deusa-mãe Rhea.

 

Místis

William-Adolphe_Bouguereau_(1825-1905)_-_The_Youth_of_Bacchus_(1884)

William Adolphe Bouguereau (1825-1905)

Não é apenas na Samotrácia que o culto da deusa-mãe possui uma grande expressão, mas há outros dois grandes centros de adoração na Cilícia e na ilha de Eubeia. O complexo de templos da Cilícia é liderado por uma profetisa sibilante chamada de Ancira e está localizada nos arredores do Monte Ida, onde os coribantes acreditam que a deusa-mãe repousa em seu interior. A complexo de templos de Eubeia na Attica está escondido no interior de uma caverna e é liderado pela ninfa Místis.

A complexo de templos subterrâneos da ilha de Eubeia está escondido no interior da própria civilização micênica. O local foi utilizado por Zeus para esconder o pequeno bebê Baco Dionísio da fúria da deusa Hera, Muitas das mulheres que esconderam e cudaram da criança divina há três gerações atrás hoje vive na ilha em corpos reencarnados. A própria Místis está inclusa nessa lista, assim como a ninfa Melite, a oceanida Nisa e a humana Mácris, filha do sábio Aristeus.  Felizmente, a comunidade de Eubeia tem crescido rapidamente com muitas raças convivendo pacificamente no local, incluindo oceanidas (Nisíades), naiades (Naxias), centauros (Lamides), harpianos (Híades), ninfas (dodonides) e humanos (cadmidas).

 

Zagreu

Zagreu nasceu do amor entre Perséfone e o deus Hades. Ainda criança, ele mostrou um incrível poder, sendo capaz de manipular a energia negra do reino paterno. Infelizmente, tamanho poder o tornou descuidado e insolente. Ele desobedeceu seu pai ao se aventurar na região mais obscura do reino de Hades: o Tártaro nevoento. Acabou mutilado, esquartejado e devorado pelos sanguinários deuses titãs que ali estavam aprisionados. Quando Zeus percebeu o terrível acontecimento, um raio desceu do monte Olimpo contra esses titãs sanguinários, afastando-os do que restou da criança. Só havia o seu coração ainda inteiro.

O divino Zeus pegou esse coração e o costurou nas artérias de sua perna, fazendo com que voltasse a bater. Por fim, Zeus construiu uma estátua do macio cristal Gipsum, onde colocou o coração para trazer Zagreu de volta à vida. Uma nova herança divina foi transferida para Zagreu após essa gestação na panturrilha de Zeus, agora, seu segundo pai biológico. Por este motivo Zagreu também é conhecido como o Renascido (“Dionísio”) e hoje é impossível mensurar a magnitude de seu poder. Ele domina as magias obscuras do mundo espiritual e as rajadas reluzentes dos relâmpagos celestiais.

Recentemente, um grupo de fanáticos religiosos na Samotrácia, chamados Coribantes, passou a cultuá-lo como o “Escolhido”. Esse culto promete a evolução da alma de seus seguidores até um estágio divino. É uma evolução impensável no curto período de uma vida humana, só possível através da Reencarnação, mas Zagreu está disposto a ensiná-los como fazer isso.