Nippur

Cidade do deus-decadente

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Ruínas de Nippur

Rei: Enlil
Cidades: Nippur apenas.

A suméria foi o berço do mundo, pois nessa região o deus Enki e sua esposa Ninhursag, criaram os homens e as cinco primeiras cidades do mundo: Eridu, Uruk, Larak, Sippar e Shuruppak. Infelizmente, os homens decepcionaram o deus Enki, que acreditava que estes seriam perfeitos, mas acabaram sendo tão perversos e cheios de defeito quanto o próprio criador. O deus Enki decidiu assim apagar sua criação com um grande dilúvio que purificou a terra na infestação humana. O único sobrevivente da catástrofe foi o homem chamado Utnapistim e sua família.

Um novo mundo recomeçou. O repovoamento das cidades destruídas pelo dilúvio e a fundação de novas centros populacionais formaram as doze cidades que se transformaram no Império Sumério. No entanto, a constante guerras entre essas cidades fez o deus-criador se decepcionar novamente. Ele nem se incomodou de purificar a terra outa vez. Apenas abandonou tudo para viver nas águas subterrâneas do caos primordial. A sua própria esposa Ninhursag também abandonou tudo para viver na ilha-paraíso de Telmun. O sobrevivente Utnapistim, que recebeu a vida eterna dos deuses, fez o mesmo. Por fim, o Império Sumério entrou em decadência e as cidades abandonadas.

As doze cidades da Suméria hoje estão em ruínas. Não passam de refúgios para nômades, mendigos e bandidos. Restou apenas a cidade de Nippur, que subsiste graças ao último templo de Enlil lá localizado lá e chamado de Ekur, a “Casa da Montanha”. Os sacerdotes do templo ainda oram e decidem o futura da Suméria sob os auspício e conselho de Enlil, que ainda é considerado o deus-rei, o grande protetor da humanidade, pai do atual panteão divino. Não há dúvidas que os sacerdotes de Enlil veneram o seu deus como justo e sábio, mas ne m eles podem negar o estágio de decadência que o império sumério atingiu.

A verdade é que o fim da cidade está próximo. Oitocentos anos atrás o deus-guerreiro Marduk, que passou milênios combatendo as forças do caos primordial, enfim conheceu a criação do seu pai Enki. O deus-guerreiro percebeu que a Terra era um lugar de infinitas possibilidades, por isso, resolveu a tomar toda ela para si. Ele fundou a cidade da Babilônia em torno do seu culto, depois expandiu sua influência para Assíria e Elam. Ele deseja mostrar sua superioridade do seu império sobre aquele do seu pai. Resta apenas a cidade de Nippur, que está sob o comando do seu tio Enlil, para selar essa vitória. A invasão dos seguidores de Marduk pode acontecer a qualquer momento agora.

 

David Scott 1806 -1849

Gula e Ninurta

O poderoso Ninurta é o filho do deus-governante Enlil. No entanto, diferente dos seus irmãos que habitam os céus, ele prefere viver entre os homens. Ele enfrentou o terrível Asag, um monstro alado e serpentiforme, empunhando sua maça falante chamada de Sharur. Apesar de derrotado no primeiro confronto com o monstro, o deus Ninurta retornou para a batalha e por fim o venceu. A vitória o fez cair nas graças dos homens da cidade de Lagash e da deusa-curandeira Gula com quem esteve casado por milênios.

A curandeira Gula possui muitos nomes. Ela é também conhecida também como Nintinugga, Baba, Bau ou Azugalatu em diferentes partes do mundo, mas todos esses nomes podem ser traduzidos como “Grande Curandeira” nas línguas locais. Ela se tornou patrona da cidade de Isin e, com o casamento com Ninurta, ela se tornou muito venerada na cidade de Lagash do seu marido. No entanto, a deusa também é conhecida por sua grande fúria capaz de fazer as “tempestades soprarem e a terra tremer”. Recentemente, o próprio esposo Ninurta teve que suporta tamanha fúria por divergências na Guerra dos Deuses.

A ambição do recém-chegado deus Marduk transformou a cidade de Ur em ruínas com uma invasão dos seus seguidores. Os deuses choraram e se questionaram se a guerra era justa. Uma votação entre o panteão divino na Sumério foi realizado que questionou se Marduk deveria ser aprisionado ou banido da Terra por suas ações violentas. O casal divino se dividiu. O deus Ninurta, sempre muito guerreiro, considerou justa a guerra enquanto a deusa Gula votou contra a violência praticada em Ur. O resultado foi a decadência do Império e a ruína de todas as outras cidades.

A verdade é que Ninurta pouco se importa com o destino da Suméria, com a ruína de Lagash e com a queda de seu pai Enlil. Ele prefere viajar pela Terra para enfrentar todo tipo de desafio. Desde a vitória contra o Asag, muitos outros feitos foram alcançadas pelo deus aventureiro, incluindo as vitórias contra o Bode de Seis Cabeças, o Rei Árvore, a Serpente de Sete Cabeças, a Balsa dos Mortos, o Cobre Poderoso e a Tartaruga Gigante. O próximo desafio de Ninurta será enfrentar o temível Anzû, um terrível monstro com cabeça de leão e corpo de pássaro, capaz de cuspir fogo e água. Esta criatura já derrotou três outros deuses-guerreiros: Adad, das tempestades; Gerra, do fogo; e Shara, da guerra. Resta gora saber se Ninurta, o grande caçador, conseguirá alcançar tal feito.

 

Emesh e Enten

Pode-se falar tudo sobre o deus-governante Enlil, mas ninguém pode dizer que ele já foi injusto ou que não se preocupa com a humanidade. Ele deu início à civilização Suméria com uma das mais importantes invenções para a humanidade: a Enxada. Era uma peça gloriosa feita de ouro puro e com uma cabeça esculpida em lápis-lazuli, cujo molde permitiu fazer novas ferramentas iguais. Os humanos conseguiram avançar na agricultura para construir suas cidades e alimentar sua população.  

Certo dia, o deus Enlil, rei de todas as terras, levantou a cabeça com orgulho por trazer um dia bom e, como um touro, colocou os pés na terra. Ele decidiu alongar os dias de abundância do Verão e garantir com o Inverno a água nas fontes aquíferas que trazem a abundância da vida. Ele copulou com a grande colina que certo dias abriu seu ventre para dar à luz ambas as estações. Dois súdito então levaram as oferendas para Enlil na Casa da Montanha, onde começaram a debater sobre as novas criações. Tentavam decidir qual delas era a melhor.

A resposta veio do próprio Enlil: “O inverno é o controlador das águas que permitem a vida, é o meu mais fiel agricultor”. O Verão então se curvou diante do inverno e lhe ofereceu uma oração; Presenteou-o com ourom prata e Lápis-Azuli, derramando fraternidade e amizade com o melhor óleo. Na disputa, Inverno, o fiel agricultor de Enlil, foi superior ao Verão – louvor seja para a Grande Montanha.

 

Nabu

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Estátua de Nabu

O sábio Nabu é uma figura peculiar, sempre vestindo sua coroa com chifres na fronte e realizando o gesto de reverência das mãos juntas sobre o peito. Ele foi designado pelo deus Enlil como o senhor da biblioteca de Nippur, sendo o responsável por toda literatura, arte e sabedoria do mundo. Ele recebeu assim o dever de escrever na argila toda a história e o destino dos homens e deuses. Infelizmente, para o deus Enlil, a sua mais recente obra se chama o “Lamento pela Suméria”.

A obra conta a história do grande Império Sumério, que era o centro do mundo até a chegada do deus Marduk na Terra. Este deus fundou a cidade da Babilônia e expandiu suas influência sobre as terras da Assíria e de Elam. A história começa com o “Choro dos Deuses”, que a conquista e saque da cidade de Ur há setecentos anos no passado pelos seguidores de Marduk. O catastrófico evento fez todos os deuses abandonarem a Suméria. O deus-pai Enki voltou para o caos primordial e a deusa-mãe Ninhursag se confinou na ilha-paraíso de Telmun. Só restou Enlil na cidade de Nippur.

O capítulo final dessa grande obra está preste a ser concluído. Este capítulo se chamará a “Queda de Enlil”, na qual o escriba Nabu escreve a invasão de Marduk contra a cidade de Nippur. A morte acometerá ambos os lados. Uma destruição dos canais de Nippur causará uma inundação na cidade. Os trezentos e sessenta sacerdotes serão feitos prisioneiros. Os deuses terão que tomar partido entre ambos os deuses Enlil e Marduk no julgamento final que decidirá a vitória, mas a votação divina terminará empatada. No fim, será a palavra de Nabu, como testemunha dos fatos, que decidirá o vencedor dessa guerra divina. E Nabu já sabe bem qual partido ele tomará nessa decisão.

 

Eshumesha, o Antigo Conselho

Por milênios, as doze cidades da Suméria foram o centro do mundo. Cada uma dessas cidades tinha seu próprio deus patrono que sentava ao lado do deus-governante Enlil nos seus tronos divinos. Esse grupo de doze deuses eram chamados de Eshumesha, que decidam juntos por todos esses eventos. A chegada do deus Marduk na Terra após milênios de guerra contra as forças do caos primordial, mudou toda a hierarquia de poder divina com a queda dos Eshumesha:

  1.   Eridu               Enki, o deus-criador
  2.   Nippur            Enlil, o deus-governante
  3.   Shurupak       Ninlil, a deusa-esposa
  4.   Umma             Nisaba, a deusa-escriba
  5.   Harran            Sin-Nanna, o deus-lua
  6.   Sippar             Utu-Shamash, a deusa-sol
  7.   Ur                     Ningal, a deusa dos juncos
  8.   Kish                  Inanna, a deusa do amor
  9.   Lagash             Ninurta, o deus da agricultura
  10. Isin                   Gula, a deusa da cura
  11. Telmun            Ninhursag, a deusa da plantas
  12. Kur                   Nergal, o deus dos mortos

O deus Marduk fundou a cidade da Babilônia, onde centrou o seu culto e estendeu sua influência pela Assíria e Elam. Os seus seguidores marcharam sobra a cidade de Ur, que era a capital do Império Sumério, causando o lamento dos deuses pelo fim do Império Sumério. A guerra o colocou em confronto direto com o deus-governante Enlil. Cinco deuses tomaram o lado de Marduk (Sin, Utu, Ishtar, Ninurta e Nergal), cinco deuses tomaram o lado de Enlil (Enlil, Ninlil, Nisaba, Ningal e Gula) e dois se abstiveram por abandonar de vez a vida no mundo dos homens (o casal Enki e Ninhursag).

O empate ficou estabelecido. O próprio deus-governante Enlil então sugeriu que a decisão ficasse por conta do sábio escriba Nabu, que era seu subordinado. No entanto, ninguém esperava que o escriba Nabu acabasse ficando do lado de Marduk. Alguns dizem que este foi até subornado em troca de um lugar no panteão. De qualquer forma, com o conselho decidindo que a guerra era justa, as forças de Marduk agora avançam sobre Nippur para destronar Enlil com todos aqueles que votaram ao seu lado e transformar o antigo deus-governante num prisioneiro. O deus Marduk, a esposa Saparnit e os outros cinco deuses que votaram ao lado deles formaram um novo conselho de sete deuses chamado de Anunnaki.