Mísia

O Caminho para o Norte

Rei: Teutras
Cidades: Teutrânia, Doliones, Adramítium e Cios
Idioma: Anatólio (variante Luwiano)

John William Waterhouse 1849–1917

O caminho para se chegar em terras mais distantes no Norte deve passar por um canal que conecta o mar Minoano com o mar Negro. Esse canal é chamado de “Propontis”, não pertencendo nem a um mar, nem ao outro. É através dele que é possível atravessar da Europa para a Ásia com certa facilidade, o que torna esta geografia extremamente estratégica. A entrada nesse canal é controlada pelos reis de Tróia, mas é preciso atravessar a Mísia para alcançar a sua saída no mar negro.

O atual rei da Mísia é o velho líder Teutras, que se mostra sábio e caridoso, governando a partir da cidade de Teutrânia. Uma prova de sua caridade está no acolhimento de uma princesa vinda do Peloponeso chamada de Auge, que fora expulsa de sua terra pela desonra que causou à sua religião ao engravidar de um estrangeiro mesmo sendo uma sacerdotisa da Atenas. Na questão administrativa, o rei tem mantido as cidades vizinhas unificadas num coeso grupo e defendido região de constantes ataques dos seus inimigos na Trácia.

A região da Mísia sobrevive do fluxo de navegantes que atravessam pelo Propontis e lhes oferecendo água, comida e um local para descansar durante sua viagem. Este não é um povo rico como Troia ou Hattusa, mas são capazes de viver confortavelmente. No entanto, desde que Hattusa entrou em crise politico-econômica e ficou impossibilitada de lhes enviar proteção, a região tem sofrido constantes ataques vindos da Trácia, em especial, da violenta tribo Mácris. Felizmente, o rei Teutras conseguiu organizar um grupo de guerreiros que são comandados por Cízico e vivem no povoado conhecido como Doliones.

O líder Cízico também tem a missão de impedir os ataques dos monstros de seis braços, chamados Gegenis, que não raramente pilham e destroem as estradas entre os povoados. É função de Cízico defender também os importantes lagos da região, que fornecem água de excelente qualidade aos povos da Mísia. No entanto, o rei Teutras possui um acordo o líder oceanida Ascânio, que comanda os àguas da região, para que nenhum dos seus súditos adentrem certas regiões que são consideradas proibidas pelos povos subaquáticos.

 

Estátua do século I de Tivoli, Itália.

Auge e Télefo

A princesa Auge hoje vive bem longe de casa, sendo mantida em segredo da família que a condenou à morte. Sua história começa ainda na infância, quando foi escolhida pelo pai Aleus, rei da cidade da Arcádia no Peloponeso, para se tornar uma sacerdotisa da deusa Atenas. A moça assim completou os ritos de iniciação e fez o voto de virgindade requerido pela ordem da deusa. No entanto, durante a visita do herói Héracles na cidade, ambos acabaram dormindo juntos, o que resultou em sua gravidez.

Quando o pai soube da desonra que a moça causou em sua família, que foi expulsa do templo de Atenas pela quebra do voto de virgindade, ele a condenou à morte. O rei Aleus à entregou ao capitão Nauplio com a ordem de arremessar a moça ao mar para morrer com o filho em seu ventre. No entanto, incapaz de cometer tão vil ato de assassinato, o capitão enviou a princesa Auge para o outro lado do mar da Talassa para nunca mais voltar. Assim, ela chegou até a Mísia na corte do rei Teutras que a tomou como mais adorada companheira. Por sua idade avançada, a relação com Auge ora é descrita como uma esposa platônica ora como uma filha adotiva, mas certamente é sua mais influente conselheira.

O fruto da relação entre Auge e Héracles acabou sendo abandonado para morrer nas proximidades do monte Partênio. No entanto, poucos sabem que a razão de tão dura pena contra a criança e sua mãe não foi por motivos de honra, mas por uma profecia que o rei Aleus recebeu de que um filho da princesa Auge seria a razão da ruína de sua Casa Real. Esse foi o motivo dela ser enviada para o Templo de Atenas para manter a virgindade e, quando isso não resolveu o problema, dela ter sido condenada à morte. Então, imagine a surpresa deste rei quando souber que na verdade a criança sobreviveu e hoje vive entre os pastores de ovelha da região sob o nome de Télefo.

 

Cízico

Charles de La Fosse (1636–1716)

O grande guerreiro Cízico é o líder dos guerreiros Doliones e o protetor de toda a Mísia. Ele recebeu essa importante função após o declínio do império Hitita que não mais pode enviar forças para proteger a região. Isso permitiu que invasores da Trácia invadissem o Propontis com cada vez mais frequência e aterrorizasse os povos locais.

Felizmente, durante uma ataque dos inimigos da tribo Macris da Trácia, Cízico insurgiu com seu grupo de guerreiros para derrotar os inimigos. A vitória fez dele um herói dos povos da Misia, o que levou o poderoso profeta Méropes a casar sua filha Clite com ele e o rei Teutras entregasse os recursos necessário para expandir suas forças. No entanto, seu sogro Méropes acaba de receber uma terrível visão de um grupo de poderosos guerreiros vindo de muito longe para assassinar os Doliones. A única forma de evitar tão terrível profecia é recepcionando esses herói com grande amizade para impedir o confronto com eles.

 

Méropes

Méropes é considerado  maior profeta da Mísia. Ele ganhou grande influência e fortuna como conselheiro do rei Teutras e hoje vive confortavelmente no palácio real de Teutrânia. Recentemente, ele conseguiu arranjar um importante casamento entre sua filha Clite e o grande líder guerreiro Cízico. Ele também arranjou para que seus dois filhos Adrasto e Ânfio se tornassem seus escudeiros, pois espera que estes se tornem grandes guerreiros. Afinal, ele recebeu revelações de que seus dois filhos serão extremamente necessários numa grande guerra que está por vir.

Ele também recebeu a revelação que um grande grupo de heróis, honrados e bondosos, chegará nas praias de Doliones. Ele instruiu o genro Cízico a receber esses heróis com grande cortesia, pois lhe foi previsto que eles poderão causar a ruína dos Doliones caso ambos os grupos se confrontem. E, no atual momento, com ameaças vindas da Trácia e dos monstros Gegenis, a Mísia não pode perder a sua maior força de defesa, nem Méropes pode deixar Cízico morrer antes de lhe dar um neto herdeiro.

 

Crômio e Énomo

Os dois irmãos Crômio e Énomo são filhos de um humilde comerciante da Mísia chamado de Arsínoo. No entanto, a vida pacata desta família tem sido abalada. O seu filho mais jovem Crômio, embora seja ainda uma criança, tem recebido poderes divinos e visões de um futuro. Ele prevê claramente que uma guerra atingirá toda a Ásia, causando uma enorme catástrofe em todo o mundo.

Essas visões de Crômio são muito semelhantes com as do profeta Méropes, que está estarrecido com a notícia. Mais assustaras que a do velho profeta, a criança revelou que a primeira cidade a ser destruída nesta guerra será a Teutrânia e que ambos os irmãos combaterão os invasores na linha de frente. Assim, pro conselho de Méropes, o rei Teutras acolheu as duas crianças em seu palácio real, pois ambos serão treinados na arte da guerra e da divinação para impedir tão pérfido destino.

 

Henrietta Rae (1859–1928)

Ascânio

A Mísia é conhecida por suas grandes reservas fluviais e olheiros de água límpida que brotam do solo. Essas águas são provenientes do rio Ascânio que atravessa a região para formar lagos e pântanos. No entanto, onde há grandes reservas de água há sempre humanos subaquáticos para se viver neles. No caso da Mísia, o próprio líder dos oceanidas locais recebeu o nome deste grande rio Ascânio, onde vive com sua esposa Dríope e outra mulheres do seu harém submerso.

Infelizmente, o oceanida Ascânio é bastante impaciente e pouco receptivo aos povos da superfície. A irritação dele já começa com as criaturas selvagens de seis braços, chamados de Gegenis, que vivem na região, mas se estendem para todos os homens incluindo os súditos do rei Teutras. O líder oceanida ainda permite que este rei possa retirar água de alguns trechos do rio com o seu nome. No entanto, se algum homem da superfície for visto além dos limites permitidos, eles serão capturados e mortos por ele e suas esposas.