Siquém

As Cidades do Deus Único

Rei: Gideão
Cidades: Ofra, Siquém, Ramá, Betel e Edom.
Idioma Local: Fenício

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Providence Lithograph Company, 1907

Muitos séculos atrás, o filho de um escultor de estatuetas recebeu a maior das revelações divinas.  A verdade anunciada a Abraão era de que existe um único deus verdadeiro, que não tem forma nem imagem. Todos os outros deuses, os que eram esculpidos e vendidos por seu pai aos adoradores de ídolos, eram todos falsos. O Deus Único então lhe abençoou com uma aliança ao lhe prometer um descendência próspera e numerosa caso seguissem um código de conduta superior. Este código incluía a obrigatoriedade da circuncisão, os rituais de sacrifício com animais e a adoração incondicional ao Deus Único sem a utilização de ídolos ou imagens.

A nação cresceu e enriqueceu com o neto de Abraão, chamado Jacó, nomeando a nação que surgia de seus doze filhos como “Israel”. O Deus Único orientou o descendente chamado José até as terras do Egito onde este prosperou desde um escravo até se tornar o homem mais poderoso daquela nação. Graças ao sucesso de José, a entrada dos doze filhos de Jacó no Egito se tornou o início de uma nova dinastia às margens do Rio Nilo. Por séculos, o povo de Israel se tornou forte e cresceu em grande número. Passaram a ser chamados de “Soberanos Estrangeiros”, ou Hicsos no idioma egípcios. Eram os filhos de Jacob, a”Casa de Yakubher”, no seu alfabeto. Infelizmente, o crescimento desta casa causou enorme medo entre os habitantes do rio Nilo. Tudo culminou numa guerra civil que ficou conhecida como o “Período dos Três Faraós”, sendo um destes faraós pertencente ao povo de Israel.

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James Jacques Joseph Tissot (1836-1902)

O povo de Israel foi aos poucos sendo derrotado, escravizado e tratado com brutalidade pelos egípcios. O ataque do faraó Tao contra as cidades israelitas culminou na “Grande Batalha”, que levou ao assassinato de todas as crianças da descendência de Jacó. O único sobrevivente do massacre foi um bebê chamado Moisés, cuja irmã-esposa do faraó por comiseração o adotou como filho. Os israelitas foram obrigados a trabalhar na fabricação de tijolos e nas plantações. A vida se tornou amarga. O sobrevivente Moisés só conheceu suas origens na idade adulta quando o próprio Deus Único o orientou na liderança do povo de Israel para fora do Egito. Ele foi confrontado e perseguido por seu irmão Amósis, que assumira o trono egípcio, mas conseguiu levar seu povo de volta às terras que o Deus Único prometeu ao antepassado Abraão.

Ao chegar na Terra Prometida, o povo de Israel levantou as armas novamente para expulsar os povos estrangeiros que lá estavam vivendo. No fim, foi o discípulo do profeta e comandante militar, chamado Josué, quem conseguiu retomar a terra de Canaã e a dividiu entre as doze tribos, que remontavam os doze filhos de Jacó. Desde então, três séculos se passaram com cada tribo controlando seu próprio território através de líderes chamados “Juízes”.  Infelizmente, hoje em dia, sem um governo central para os guiar, cada um faz o que lhes parece certo e muitos acabam desagradando o Deus Único sem nem perceber. Por isso, o Deus Único escolheu um homem para liderar o povo de Israel. O seu nome é Gideão. Agora, resta saber se ele conseguirá impedir o povo de pecar.

 

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Providence Lithograph Company, 1907

Jéter e Abimeleque

O rei Gideão conseguiu muitas vitórias para o povo de Israel. Ele expulsou os invasores midianitas que vieram do Deserto da Arábia com apenas trezentos homens num feito tão incrível que só com a graça de Deus Único seria possível. A vitória lhe rendeu a adoração do povo, que o coroou como rei e permitiu que ele derretesse os brincos e as joias pilhados dos mortos midianitas para fazer um manto sacerdotal de puro ouro. Desde então, Gideão passou a exigir que todos os israelitas o adorassem como adoram seu próprio Deus.

Jéter é o filho primogênito dos setenta filhos que o rei Gideão teve com suas muitas esposas, sendo assim é considerado o atual herdeiro do trono de Israel. No entanto, o pai considera o filho fraco e covarde. Ainda não possui o necessário para se tornar rei, mas espera que possa mudar isso. Este é o motivo pelo qual levou Jeter na campanha final contra os invasores Midianitas que persegue através do próprio Deserto da Arábia. Ele espera ensinar Jéter a ser um homem de verdade através do sangue de seus inimigos.

Abimeleque é o filho caçula dos setenta filhos de Gideão, por isso, está muito longe da linha sucessória ao trono de Israel. No entanto, a ambição do jovem rapaz é muito maior do que se pode imaginar. Ele deixou a cidade paterna de Ofra para viver na belicosa cidade de Siquém, onde sua mãe nasceu. Lá, ele tem realizado uma aliança com seus conterrâneos para tomar o trono. Assim que seu pai falecer está decidido que invadirá sua casa para matar todos os setenta irmãos para se tornar o rei de Israel.

 

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James Jacques Joseph Tissot (1836-1902)

Zebul

Zebul é o atual governante da cidade de Siquém que sempre foi favorável à liderança de Gideão sobre todos os israelitas. Ele até enviou exército em perseguição contra os  midianitas derrotados. No entanto, Zebul tem se tornado extremamente partidário de Abimeleque desde que o rapaz está morando na cidade para estabelecer alianças locais.

Por outro lado, muitos são os homens que veem os ambiciosos planos de Abimeleque como uma oportunidade para a cidade de Siquém. Eles acreditam que o conflito que Abimeleque deseja criar contra seus próprios irmãos irá enfraquecer o poder que a Casa de Gideão hoje tem sobre o povo de Israel. O governante Zebul pode muito bem aproveitar a situação para trair Abimeleque e tomar o trono para si. Essa é a chance de Siquém se tornar a capital de Israel. Por ora, enquanto Gideão estiver vivo, tudo não passa de especulação. Só resta saber como Zebul irá proceder quando tudo mudar.

 

Magdiel

O rei Magdiel governa a cidade de Edom ao sul da região de Canaã. Esse é um povo com fortes laços de parentesco com Israel, pois também são descendentes do patriarca Abraão.  Enquanto os israelitas descendem do patriarca Jacó, os edomitas descendem do seu irmão Esaú que quando jovens tiveram uma grande contenda entre si, mas o perdão conseguiu reuni-los na idade adulta.

Ambas as cidade fazem suas preces para o mesmo Deus Único, do antepassado comum que possuem em Abraão, mas as semelhanças terminam por aí. Afinal, o povo de Edom não teve o mesmo histórico de supremacia, escravidão e libertação que o povo de Israel teve no Egito. Não vivenciaram a glória de Deus no evento do Êxodo, nem reconhecem Moisés como o grande mensageiro dos deuses. Essas são diferenças que to tornas suas culturas irreconciliáveis e causa grande suspeição entre ambos os povos. Não é a toa que muitos clamam que os invasores midianitas enfrentados pelo rei Gideão atravessaram o território Edomita com a permissão do rei Magdiel, que sempre quis ver os israelitas derrotados.

 

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William Brassey Hole (1846 – 1917)

Débora

A maior profetisa da terra de Israel se chama Débora que hoje é uma grande anciã. Ela é considerada a grande heroína do seu povo por ter libertado seu povo do jugo do rei Jabim de Hazor.  Por vinte anos, o povo de Israel foi derrotado pelas poderosas carruagens de guerra deste rei, que cobrava tributos aos povos conquistados. Tudo mudou quando Débora lançou sua voz aos israelitas: “Consagrem-se para a guerra, Ó chefes de Israel, pois o povo se apresenta por livre vontade. Louvem assim ao Senhor!”

Dez mil homens atenderam o chamado da profetisa, que escolheu o chefe Baraque para liderar o exército. Juntos, esses homens marcharam até o monte Tabor, diante da cidade de Hazor, para exigir sua liberdade. Uma batalha ocorreu. Conforme previsto por Débora, os israelitas foram os vencedores do conflito após uma grande confusão dentre a carruagens de Jabim ter ocorrido. Hoje, todos veneram a profetisa cujo chamado para a guerra os libertou de seus opressores outra vez.

Infelizmente, agora vivendo o ocaso dos seus últimos anos de vida, a tristeza acomete o coração de Débora. Ela não consegue acreditar como o povo de Israel continua a decepcionar o seu Deus.  Na guerra contra Hazor, faltou confiança ao seu general Baraque de fazer a guerra contra o inimigo, que exigiu presença de Débora no campo de batalha. Agora, a profetisa vê o atual líder Gideão exigir que o povo o adore como um deus vivo, com tanto furor como se ele fosse o próprio Deus Único. “Quanto pecado!”, a profetisa suspira. Ela já teme pela punição que recairá sob o povo de Israel caso continuem desonrando tando o seu deus.