Campos de Asfodelos

O Mundo dos Espíritos 

Rei: Perséfone

José Benlliure y Gil 1858 – 1937

Quando uma pessoa morre, sua alma é levada aos portões do rio Estige. Ele deve entregar uma moeda ao balseiro Caronte para que este o leve ao mundo espiritual. A travessia do rio Estige é realizada enquanto as almas sentem o ódio por sua morte. Após margear o Tártaro, ele mantém o seu percurso através da grande Escuridão do Érebo até chegar no Rio Aqueronte, que banha o mundo do Hades. Todas as almas que chegam ao Rio Aqueronte são purificadas através da dor. Elas deixam a balsa para chegar às margens dos Campos de Asfodelos, onde residem todos os mortos e de onde a Casa de Hades pode ser admirada.

O deus Hades, que é o morador deste grande palácio, que é senhor implacável e invencível da morte. É o deus mais odiado e temido pelos mortais.  Além disso, por motivo da moeda que os mortos devem pagar ao balseiro Caronte, Hades também  é conhecido como o ‘Mais-Rico’, por ter acumulado moedas de cada homem sepultado. É um deus tão poderoso que certamente poderia se sobrepor a Zeus. Felizmente, essas conflitos pequenos em busca de poder são irrelevantes para o deus dos mortos.

A história de Hades começa com seu pai Krono, que, temendo a profecia sobre sua derrota pela mãos de um filho, passou a devora a todos, incluindo Hades. O caçula Zeus foi quem libertou seus irmãos para guerrear contra o maldito pai. No fim, os irmãos devorados Héstia, Hera, Deméter, Hades, Poseidon e Zeus se juntaram com os monstruosos Hecantochires, de cinquenta cabeças e cem braços, na luta contra os terríveis Titãs, liderados por Krono. A vitória de Zeus e seus irmãos lhes permitiu partilhar o universo. No fim, a parte que coube a Hades foi o mundo dos espíritos.

Hades governou seu mudo por muitos séculos até entregar tudo em nome do amor pela esposa Perséfone, a rainha negra do submundo. Hades viu sua futura esposa  após a batalha de Zeus contra o Tifão, cujo embate causou cataclismos gigantescos. Uma fenda na Terra qquase expôs o mundo dos mortos ao sol, assim Hades resolveu verificar o estrago. Nesse momento ele obervou a bela Persefone pela primeira vez e foi flechado por Eros, esquecendo sua amante Minte.  A ambiciosa Persefone assim se tornou a rainha dos Mortos. Juntos, ambos tiveram três filhos Macaria, governante das ilhas Elisianas; Zagreu, o senhor negro dos raios; e Melinoe, que recebe as oferendas aos mortos. Hades e Persefone sempre permaneceram fiéis um ao outro.

 

Caronte

Quando uma pessoa morre, antes de ser enterrado, deve ser colocada uma moeda em sua boca. Essa é a “Moeda de Caronte”. Ela tem a função de pagar a travessia pelos rios Estinge e Aqueron para os Campos de Asfodelos onde as almas residem por toda a eternidade. Caronte, filho da Noite e da Escuridão, é o demônio que em sua balsa realiza incansavelmente a travessia desde o início dos tempos.

A sua aparência é de uma criatura humanoide cujo corpo é completamente coberto por um manto e capuz negro sujo da lama do rio Estige. São visíveis apenas os olhos flamejantes reluzentes na sombra negra de seu manto que esconde sua face e as mãos esqueléticas com apenas restos de carne pútrida. As suas ordens são de sempre levar as almas ao Hades e nunca as trazer de volta.

 

Irmãs do Destino

As Parcas, também chamadas Moiras, são filhas da primordial Noite e do divino Zeus. Diferente dos profetas que apenas lêem os destinos, as três irmãs são responsáveis por escrever os destinos de todos os humanos.

Friedrich Paul Thumann 1834 – 1908

Friedrich Paul Thumann 1834 – 1908

Esse destino é escrito através de um carretel de algodão. Cloto é a fiandeira pré-adolescente que indica o momento do nascimento. Láquesis é a mulher madura que distribui o tamanho do fio conforme quão longa será a vida. E Átropo é a anciã inflexível que corta o fio indicando como será a morte. Uma vez escrito o destino, ele não pode ser mudado. Essa é a função do servil demônio Moro, filho da Noite e Escuridão. Não importa quem, como, quando ou porque, ele quem dirige os eventos até o seu final. Nem mesmo Zeus, pai das irmãs do destino, tem o poder para lhe deter.

 

Tânato e Hipnos

Tanatos é o irmão gêmeo de Hipnos, o demônio do sono. Ambos são filhos dos primordiais sombrios Noite e Escuridão.

Tanatos não possui alinhamento. Ele não é mal ou bom, mas ninguém o quer por perto. O seu trabalho é capturar as almas cujo tempo, conforme definido pelas Moiras, chegou ao fim. Dessa forma, ele é conhecido como o demônio da morte. Ele utiliza um exército de demônios menores conhecidos como Keres para realizar o seu trabalho. Esses demônios coletam as almas das vítimas após beber seu sangue e comer sua carne. Essas almas são então levadas às portas do submundo nas margens do rio Estinge. Quando as almas são entregues ao demônio Caronte, o seu trabalho está terminado.

Hipnos é o demônio do sono. Ele é filho da Noite e da Escuridão, e irmão gêmeo do Tanatos, demônio da morte. Ele mora em uma caverna nas Ilhas Elisias do Hades. Quando as pessoas dormem sua alma é levada por Hipnos até as portas do submundo sem nunca realmente entrar. Os filhos de Hipnos são muitos, mas Morfeu, Fántaso e Ócelo, conhecidos como os Oneiros, os demônios dos sonhos, são os que trabalham nos domínios do pai. Eles guardam os dois portões para entrada das almas. Ao entrar no portão de mármore, os Oneroi mostram imagens que nada revelam. Mas aqueles que entram no portão de marfim vêem imagens que trazem verdades e profecias.

 

Émile_Jean-Horace_Vernet_-_The_Angel_of_Death (3)

Émile Jean Horace Vernet 1789 – 1863

Macária

O Elisium é o local no mundo do Hades onde os os homens mais virtuosos repousavam dignamente após a morte.  É o paraíso na terra. Todo o local está rodeado por paisagens verdes e floridas. Todos os seus habitantes estão dançando e se divertindo, seja de dia ou de noite. É um constante êxtase de felicidade a too momento. No entanto, só as almas dos grandes heróis, sacerdotes poderosos, talentosos poetas e os próprios deuses possuem o privilégio de morar neste lugar.

 

A filha primogênita de Hades e Perséfone é quem governa tão belo lugar. É um privilégio sem igual para a deidade, mas também é uma grande responsabilidade. É seu dever garantir a proteção dos habitantes locais. Por isso, todo o local é separado do calabouço do Tártaro por um grande muro e é separado dos mortos comuns do Campo de Asfodelo pelo rio Lete, cujas águas causam esquecimento. O próprio esquecimento é uma marca do lugar. Afinal, a entrada Elisium é permitida a grande heróis que realizaram feitos dignos dos deuses. Infelizmente, isso não quer dizer que o herói seja necessariamente justos e bondosos.

A verdade é que, para realizar grande obras e feitos, muitos dos habitantes de Elisium tiveram que realizar coisas terríveis em vida. A maioria é pecadora e criminosa, mas isso não diminui os seus feitos. Por isso, as águas do rio Lete, que banha o Elisium, possui o poder do esquecimento. Afinal, é impossível ser feliz por toda eternidade quando se está amargurado pelos erros passados ou arrependidos dos crimes que cometeu. A divina Macária obriga os seus súditos a tomar a água de Lete, que faz todo o peso na consciência destes homens sumir com o passado deles. E assim estes heróis podem continuar a aproveitar a dança, a comida e a diversão do paraíso.