Fenícia

O Centro Comercial do Mundo

Rei: Pigmaleão
Cidades: Tiro, Biblos, Sidon e Chipre
Idioma Local: Fenício

Ilustração do New York Ward Lock History of the World for English People

Ilustração do New York Ward Lock – History of the World for English People

Pouco mais de um século atrás, o Egito sofreu uma revolução religiosa quando o faraó Aquenáton se converteu ao culto do Deus Único. Ele construiu muitos templos dedicados à nova religião e expulsou os sacerdotes dos antigos deuses. Muitos membros da família real egípcia não aceitaram tal resolução. Eles foram contra as ordens do novo faraó e por isso abandonaram o Egito em busca de novas terras onde pudessem orar para os antigos deuses. Nesse contexto, o irmão do faraó, chamado Agenor, declarou a independência das terras egípcias ao leste e tomou a cidade de Tiro como sua capital.

Quase duas décadas após a independência de Tiro, uma grande tragédia acometeu a família do rei Agenor. A bela princesa Europa desapareceu misteriosamente do palácio real. As testemunhas afirmam tê-la visto ser carregada por um touro alado para além das nuvens, voando na direção das terras do oeste. Ao ouvir esse relato fantástico, o rei Agenor ficou disposto a recuperar sua filha. Ele assim montou quatro grandes forças expedicionárias e as entregou aos seus filhos para a missão. Só o príncipe Fênix não participou dessa “Busca por Europa” para garantir a sucessão do trono. Essa foi uma decisão acertada pois infelizmente nenhum dos seus outros filhos jamais retornou.

Desde sua independência, a cidade de Tiro do cresceu como nunca. Tudo graças ao bom governo do rei Agenor. Ele incentivou o comércio marítimo em sua cidade de forma que o porto de Tiro se transformou no maior de todo o mundo. Milhares de navios mercantes chegam e partem todos os dias. A cidade cresceu tanto em importância que se tornou a capital de toda a Fenícia. Nem mesmo a crise de sucessão após o evento conhecido como “Busca por Europa” foi capaz de deter esse próspero crescimento.

Hoje, a cidade é governada pelo rei Pigmaleão, cuja sucessão ocorreu em situações um tanto estranhas. Logo após o seu pai, o rei Mattan, anunciar a pessoas próximas que favoreceria seu genro Acerbas para ser seu sucessor sucessor, ambos apareceram mortos no palácio real. A princesa Elissa, casada com Acerbas, entrou num mavio mercante com pessoas que lhe eram fieis e desapareceu nos horizontes marítimos da cidade. Após o acontecimento desses trágicos eventos, o príncipe Pigmaleão ascendeu ao trono como um rei, tendo provado sua inocência.

 

Lucílio de Albuquerque 1877 – 1939

Galateia

O rei Pigmalião de Tiro nunca encontrou a mulher perfeita. Ele nunca se casou e, como não suportava a solidão completa, o artista esculpiu uma estátua de marfim, bela e perfeita, como toda mulher deveria ser. Ele ficou tão admirado por sua obra-prima, que acabou se apaixonando por ela. Comprou as mais belas roupas, jóias, flores e presentes para a decorar.

Todos os dias, passava horas olhando para a estátua e beijando seus lábios frios, de tal forma que a deusa Afrodite se compadeceu do seu amor. Ela decidiu dar vida à mulher de marfim. Certo dia, quando Pigmaleão tomou o caminho de sua casa para contemplar a estátua, teve uma surpresa. Em vez de marfim, encontrou uma pele macia e uma boca ardente. O novo beijo a acordou. A estátua ganhou vida, se transformando numa mulher de verdade a quem o escultor nomeou de Galateia.

 

Elissa

O atual rei Pigmaleão sempre foi considerado um herdeiro fraco pelo próprio pai, o rei Mattan, por seu jeito introvertido e fechado. Não tinha as verves de orador ou diplomata. Sempre foi mais interessado nas artes, em especial, a escultura. Quando o pai disse ao príncipe Pigmaleão que o retiraria da linha sucessória para favorecer o esposo da sua irmã Elissa, o rapaz se sentiu traído. O ódio cresceu tanto no príncipe escultor que ele assassinou o próprio pai e o cunhado.

A princesa Elissa presenciou a horrenda cena do seu pai e seu marido assassinado pelo próprio irmão. Ela seria a próxima a morrer. O rei Pigmaleão a perseguiu com olhos sedentos de sangue e uma adaga na mão. Felizmente, a princesa conseguiu fugir da cidade com alguns homens e mulheres ainda fieis ao antigo rei. Todos entraram num navio mercante e desapareceram nos horizontes marinhos.

Por fim, o príncipe Pigmaleão conseguiu esconder sua culpa nesses crimes e ascendeu ao trono da ilha. Mas ninguém sabe o atual paradeiro da princesa Elissa. Boatos chegaram à Fenícia de que a Rainha adotou um novo nome e fundou seu próprio povoado na região costeira da África. Assim, começou o governo da rainha Dido na recém-fundada cidade de Cartago, cujos profetas dizem se tornará um dos mais importantes impérios do mundo.

 

Zedek e Misor

O maior líder religioso da fenícia se chama Zedek que preside sobre o templo religioso e o tribunal de justiça da cidade de Tiro. Ele é o governante de fato da cidade; não apenas pelo pouco interesse do rei Pigmalião em fazê-lo, mas também por sua imensa influência. Afinal, ele possui um poder que transcende qualquer mundo físico, pois é considerado um deus vivo, não apenas controlando o executivo, legislativo e judiciário, mas também a religião da cidade. Esse status divino é cultuado pelo próprio magistrado que esconde seu rosto sob uma máscara metálica que o distingue dos reles mortais e exige ser chamado pelo título de “Zedek, o Justo”.

Enquanto o poderoso Zedek preside diariamente sobre as questões de justiça e religião de toda a Fenícia, é o seu irmão Misor quem cuida das letras da cidade. É o escriba que anota tudo o que é decidido por seu irmão e detém a entrada para a biblioteca da cidade restrita a um grupo seleto de sacerdotes que o consideram o “Guardião do Alfabeto” e “Senhor do Conhecimento”. Desta forma, Misor também é considerado um deus vivo como o seu irmão.

 

Eshmum

Eshmun é o oitavo filho do poderoso líder teocrata Zedek. Ele é um jovem belo que adora caçar, mas a ascendência paterna considerada divina em toda a Fenício o fez nascer com grande poderes de cura. Ele tem ao seu lado suas sete irmãs chamadas de “As Andorinhas” (Kotharat, no idioma local) que possuem a augusta função de realizarem partos por toda a região e oferecer cuidados aos doentes.

Recentemente, a própria deusa Ishtar desceu dos céus para contemplar a beleza e as habilidades do jovem Eshmun. Ela deseja levar o jovem rapaz aos Céus para seu próprio prazer sexual. O jovem rapaz está rejeitando os avanços da deusa, pois seu pai o alertou que ele será incapaz de sobreviver à graça divina e poder imensurável da deusa. Além disso, o ambicioso pai não deseja perder as habilidades curativas do filho, que se mostra tão importante para seu controle sobre a cidade.

Infelizmente, a deusa se mostra cada vez impaciente e persuasiva no desejo de levar Eshmun. Por esse motivo, o pai entregou ao filho uma faca para que o rapaz castre a si mesmo para deter os avanços da deusa. Por enquanto, por motivos bem compreensíveis, o rapaz está relutante em realizar sua própria castração.

 

Melqart

O musculoso e alto herói Melqart caminha sobre a Terra há muitas centenas de anos. O próprio herói já perdeu as contas de suas primaveras. Sabe-se que ele fundou a cidade de Tiro há 1,400 anos atrás quando se ergueu um templo em sua homenagem com colunas de ouro e esmeralda. Ele é assim considerado o maior dos heróis fenícios, tendo vivido muitas aventuras e governado a cidade de Tiro no passado. Por isso, muitos ainda o chamam de “Senhor da Cidade” (Baalsur, no idioma fenício).

A imortalidade de Melqart se deve em razão de ser filho do grande deus Baal-Adad, líder do panteão fenício. O próprio herói já morreu e ressuscitou no passado para alcançar o despertar divino. Hoje, ele vive nas tavernas e bordéis da cidade, sempre bebendo e arrumando confusão; e também aceitando convites para participar de aventuras em muitas regiões do mundo. Por isso, ele é chamado de “Deus Errante” entre seus adoradores e de “Deus Perdido” pelos seus detratores. No entanto, certamente é um excelente companheiro de diversão e ainda melhor aliado para se ter ao lado numa batalha. E nada propele mais o heroico Melqart do que a defesa da cidade que ele fundou.

 

François Lemoyne (1688 – 1737)