Cilícia

Descendentes do Belerofonte

Rei: Hipoloco
Cidades: Tarso, Lukka, Adana, Pari e Cinda
Idioma Local: Anatólio (variante lício-cilício)

Ivanov Alexander Andreevich 1806 – 1858

Duzentos anos atrás, os povos da Cilícia viviam de forma decadente até a chegada de um assentamento militar. Este povo guerreiro surgiu na região graças ao evento conhecido como a “Busca por Europa”, quando o rei Agenor da Fenícia enviou seus quatro filhos em busca da princesa Europa, que desapareceu misteriosamente do palácio real. A Busca por Europa foi um fracasso. Os quatro irmãos, envergonhados, com mãos vazias, nunca tiveram a coragem de voltar à sua terra natal. Eles assentaram seus guerreiros em diferentes terras. Exatamente o príncipe Cílix quem nomeou e povoou a atual Cilícia.

O seu filho Iobates, por outro lado, foi quem ganhou destaque na história micênica. Ele se aliou com o rebelde Préto para confrontar o rei Acrísio de Argo. O grande herói Crisaor Belerofonte tomou partido nessa guerra ao se casar com a filha de Iobates. Ele se tornou o sucessor ao trono da Cilícia. No entanto, o herói era tão poderoso que decidiu confrontar os próprios deuses por um lugar no Olimpo. Montado no cavalo alado, Pégaso, o guerreiro enfrentou o poderoso Zeus. Ele levou consigo seus filhos Isandro e Laodâmia, que lideravam os exércitos cilícios, para essa guerra contra os deuses. Enquanto o pai foi fulminado pelos raios de Zeus, os deuses Ártemis e Ares derrotaram seus dois filhos em batalha. mas acabou fulminado pelo seu raio, relâmpago e trovão. Hoje, a Cilícia está sob o comando do seu filho mais prudente: Hipoloco.

Com o passar dos anos, o rei Hipoloco se afastou completamente da belicosidade do pai Crisaor e do avô Iobates. A Cilícia cresceu como um centro diplomático. Ele envia cuidados médicos ao decadente reino de Hattusa, que sofre de uma praga sem precedentes. Também salvou a Lídia da fome que dizimou sua população. Por fim, fez acordos comerciais com Frígia, Tróia, Fenícia e Cólquida.

O marco do seu império, no entanto, foi o encontro com o guerreiro imortal chamado Saperdão. Este guerreiro trouxe uma conclusão à fracassada Busca por Europa, cujos seus antepassados tanto desejaram encontrar. O recém-chegado guerreiro Sarpedão revelou ser ele um dos filhos da princesa desaparecida. Revelou que a princesa Europa foi levada à ilha de Cnossos pelos próprios deuses, onde se tornou rainha e gerou três filhos divinos por Zeus, chamados Sarpedão, Ramadanto e Minos. Hoje, Sarpedão é um dos principais líderes dos exércitos da Cilícia que combina as forças com seus próprios exércitos da Lícia. Ele também tomou em sua tutela o filho de Hipoloco, chamado Glauco, que um dia assumirá o reino da Cilícia para si.

 

Glauco

O príncipe Glauco é apenas uma criança, mas seu pai Hipoloco tem grandes planos para ele, desejando que este se torne um rapaz disciplinado e guerreiro. Por este motivo, ele entregou o jovem aos cuidados do seu cunhado Sarpedão, que detém o dom da imortalidade e é o líder dos exércitos cilícios.

O rei Hipoloco ainda guarda nos porões do palácio da Cilícia a poderosa armadura dourada que o grande herói Crisaor Belerofonte usou na guerra contra os deuses do Olimpo. Como o próprio Hipoloco nunca foi um grande guerreiro, afinal, tendo sua linhagem sido quase extirpada pela belicosidade de seu pai e dos irmãos, ele nunca a vestiu. Ele assim espera que o jovem Glauco o supere neste aspecto e um dia utilize a armadura da família na grande guerra que os profetas de todo o mundo estão proferindo.

 

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Sir William Blake Richmond (1842-1921)

Sarpedão

A história de Sarpedão começou na cidade de Cnossos, quando chegou ainda um bebê trazido por sua mãe Europa, a princesa desaparecida do reino da Fenícia. Essa princesa foi entregue pelo próprio Zeus aos cuidados do rei Asterião que governava a ilha de Creta. O rei Asterião se casou com Europa e acolheu os seus três filhos: Minos, Radamanto e Sarpedão.

A vida pacata da família real de Cnossos terminou abruptamente com a morte do rei Asterião. Os três filhos passaram a disputar o trono do pai, mas foi o rei Minos quem acabou assumindo o reino ao expulsar seus dois irmãos da ilha. Enquanto Radamanto foi recebido em Micenas, o seu irmão Sarpedão emigrou para as terras da Cilícia.

Nesta época, Sarpedão confirmou algo que já desconfiava. Depois de atingir a idade adulta, não mais envelheceu. Sarpedão descobriu que herdou a imortalidade do pai divino. O guerreiro atravessou três gerações ao longo da sua vida mantendo sua jovialidade durante sua longa vida nas terras da Lícia, onde se tornou líder de uma tribo guerreira. Ele se tornou um grande líder militar e sábio conselheiro para a Cilícia, cuja posição de destaque foi garantida por seu casamento com Deidâmia, irmã do rei Hipoloco.

 

Lico

Os quatro filhos do antigo rei Pandião de Atenas tiveram uma vida bastante conturbada e forjada na guerra, pois este sofreu um golpe militar orquestrado por seu irmão Mentião. No fim, os quatro irmãos Egeu, Niso, Palas e Lico sobreviveram ao golpe com o primeiro lançando uma contraofensiva para se tornar o novo rei de Atenas. Por outro lado, o irmão Lico seguiu um caminho bem mais pacífico. Ele se converteu ao culto da Deusa-Mãe, que é bastante dissimulado na ilha de Creta e no continente da Ásia.

Hoje, o sacerdote Lico abandonou suas raízes atenienses. O príncipe renegado vive em peregrinação pelo mundo, sempre acompanhando grupos aventureiros para sua própria proteção, com o objetivo de disseminar o culto à Deusa-Mãe. Ele tem muito a oferecer aos grupos que acompanha com seus poderes de cura e proteção, mas é nas terras da Lícia e Cilícia que sempre retorna para orar nos templos da Deusa-Mãe e tomar abrigo com o rei Sarpedão cuja amizade atravessa décadas.

 

Ancira

A antiga princesa Lâmia do Egito gerou uma filha chamada Sibila, que tomou para si a missão de propagar o culto de seu pai entre os povos do deserto. Ela se tornou assim a grande sacerdote do deus Amon-Zeus. Hoje, seu culto se difundiu rapidamente com dezenas de profetisas por toda a Gaia que recebem o título de “Sibilantes”.

A sibilante da Cilícia se chama Ancira que, após décadas de peregrinação, encontrou o centro de sua religião no Monte Ida e centrou o culto das sibilantes no local. O próprio Monte Ida é reconhecido como a Grande Mãe, que segundo as crenças sibilantes é a mãe de Amon-Zeus. Deste local, ela coordena todas as Sibilas espalhadas ao redor do mundo, incluindo Herofile de Tróia, Anipe de Mênfis, Sabbe da Fenícia, Carmentis de Cólquida e Vegóvia da Etruria, assim como a sibilante Dafne, cujo culto está em Tebas.

 

Crisaor Belerofonte

Crisaor foi um dos grandes heróis que lutaram ao lado de Perseu. Ele nasceu do sangue da decapitada Medusa que fertilizou a Mãe Terra. Isso faz dele irmão do cavalo alado Pégaso que nasceu no mesmo momento. Assim, sem nunca conhecer sua descendência divina, ele foi criado e treinado pela família guerreira do ilustre herói Sísifo, antes mesmo da fundação de Micenas.

Na idade adulta, Crisaor foi recebido pelo rei Préto na cidade de Tírinto, mas a esposa do rei, Steneboa, fascinada pela beleza de Crisaor, tentou seduzir o jovem herói. Ele rejeitou a infiel rainha em respeito ao amigo. Inconformada, ela mentiu para seu marido. Disse que fora Crisaor quem tentara a seduzir. E, em nome de sua honra, o rei Préto conspirou contra a vida de seu protegido.

O jovem herói foi levado para morrer nas garras da sanguinária Quimera. Assim, quando foi atacado pelo monstro de três cabeças, cuspidor de fogo, um terrível destino estava selado. Felizmente, o cavalo alado Pégaso veio ao auxílio do irmão. Montado em seu dorso, Crisaor matou o terrível monstro. Depois desse evento, ele ficou conhecido como Belerofonte que significa “A Lâmina Assassina”.

Crisaor Belerofonte ainda participou de muitas aventuras e batalhas por toda Micenas. Ele enfrentou a invasão amazona na Cilícia. Livrou os mares do pirata Queirmarus. E enfrentou o próprio Zeus por um lugar no Olimpo. Infelizmente, este ato de arrogância foi seu último. Quando Crisaor sobrevoou o monte Olimpo em seu cavalo alado, o divino Zeus o atingiu com um poderoso raio. Ele foi arremessado para muito além do horizonte. Desde esse tão fatídico dia, o herói nunca mais foi visto.

Peter Paul Rubens 1577-1640