Mundo de Micenas

A Vida na Civilização

A civilização de Micenas nasceu na região conhecida como Hélade, que corresponde à área inundada pelo grande dilúvio ocasionado pelo poderoso Zeus há quinze gerações atrás. Hoje, essa região se divide nos sete territórios: Peloponeso, Attica, Beócia, Tessália, Calidônia, Macedônia e Minoan. Mais a frente neste livro, cada uma das cidades que controlam esses territórios será explicada.

A Geografia

O mundo de Gaia sabe-se ser bem maior do que as terras do Hélade, mas muito ainda falta explorar. Os mapas atuais mostram essas terras limitadas ao norte pelas Montanhas Alpinas e ao sul pelo Mar da Talassa. Elas são formadas por terrenos irregulares, sobre os quais os geógrafos calculam que as montanhas e os montes sejam responsáveis por oitenta por cento delas. O pico mais alto é o Monte Olimpo com muitos quilômetros de altura, onde moram os doze deuses olimpianos. As poucas áreas de planície em sua maior parte estão na Tessália, o que contribui para a criação local de cavalos.

Ao Norte do Hélade, além das Montanhas Alpinas, estão as florestas geladas da Hiperbórea. Essa é uma região de difícil acesso por causa dos seus ventos gélidos e mata fechada, onde vive um povo violento de pele branca e alta estatura que são chamados de Hiperbóreos.

Ao Sul do Hélade, além do Mar da Talassa, está o inóspito Deserto de Faeton, onde vivem os povos Medos que, embora sejam avançados nas ciências, não merecem confiança nem oram para os deuses olimpianos. É importante comentar que o próprio Mar da Talassa é povoado por povos subaquáticos chamados Oceanidas e está dividido nos Sete Mares, conforme a seguinte relação: Mar Minoano, Mar Ioniano, Mar Fenício, Mar Negro, Mar Ilírio, Mar Tirreno e o mar Titânico.

As áreas de ilhas possuem grande importância para os micênicos. A maior parte está localizada nos mares Egeu e Minoano com centenas delas espalhadas por essas águas. Além destas, algumas ilhas também são encontradas no Mar Tirreno que são maiores e em menor número, em especial, a ilha de Córsica, Sardenha e a Ilha-Monstro. Esta última foi cedida pelos povos locais para colonizadores do Peloponeso fundarem uma colônia, como de fato fizeram.

A História

Philippo Foltz 1805 – 1877

Antes da civilização micênica, ao fim da Era de Bronze, havia centenas de cidades independentes que guerreavam entre si. O rei Acrísio governava Argos, a mais poderosa delas. Como esse rei não tinha filhos homens e estava preocupado com sua sucessão, ele consultou o Oráculo de Delfi. Este o revelou que seria morto e sucedido pela primeira criança nascida de sua filha Danaã. No entanto, Acrísio não esperava que o pai da criança fosse o próprio Zeus. Quando o neto nasceu, Acrísio foi incapaz de matar a descendência de um deus e a sua própria. E, para fugir da terrível profecia, enviou Danaã e seu filho à ilha de Sérifos para nunca mais voltar. A criança recebeu o nome de Perseu e cresceu junto aos pescadores locais.

Quando o inquieto Perseu atingiu a maioridade, ele partiu da ilha de Sérifos em busca de desafios. Nesse período, ele viveu muitas aventuras em que derrotou as feiticeiras Grisalhas, decapitou a maligna Medusa, derrotou o monstruoso Ketos e salvou a princesa Andrômeda. Foi com a princesa Andrômeda que Perseu se uniu em matrimônio. Por fim, anos após esses eventos, ele retornou para cidade de Argos para conhecer o seu avô. Perseu não guardava mágoa contra o rei de Argos, que poupou a sua vida. Pelo contrário, foi até lá para agradecer. Ainda o ajudou a derrotar uma rebelião que ameaçava seu governo. Depois, partiu para evitar a terrível profecia.

Infelizmente, o Oráculo de Delfi não erra. Durante um evento esportivo, Perseu participou do arremesso de disco. O disco, por infortúnio do destino ou culpa dos deuses, atingiu acidentalmente Acrísio e o matou instantaneamente. Perseu deveria suceder o avô na cidade de Argos, mas a vergonha e a indignação com a profecia não lhe permitiram aceitar o trono. Ele assim entregou o governo da gloriosa Argos para seu primo Megapente, partindo em autoexílio até a pequena vila de Tírinto.

No fim, a população desta pequena vila solicitou que Perseu os governasse. Com incomparável fama e lendária justiça, Perseu realocou parte da sua população para um novo sítio que recebeu o nome de Micenas. Era o início de um grande império, forjado não na guerra, mas na amizade e aliança entre os povos. Em poucas décadas, a cidade de Micenas cresceu tanto em importância que ganhou status de capital do mundo como a Argos do seu avô.

A Política

Um grande incidente ocorreu na recente história de Micenas. O rei Megapente, por pura incompetência e más decisões, contraiu dívidas que ameaçaram o futuro da cidade de Argos. Desesperado, ele participou de uma terrível conspiração, que o levou a assassinar seu amigo e co-regente Perseu. A morte do herói chocou o mundo, mas a justiça foi alcançada quando o príncipe Eléctrio, filho de Perseu, vingou seu pai ao assassinar o vil Megapente. Depois desses eventos, a situação política do mundo civilizado se tornou cada vez pior. E ambas as cidades capitais caíram em desgraça por constantes brigas pela sucessão e divisões de poder.

Francesco Hayez 1791 – 1882

Na cidade capital de Argos, após o imperdoável assassinato do heroico rei Perseu, a família de Megapente caiu em desonra. Por esse motivo, o governo foi entregue à família do rico e renomado profeta Melampo, que já era dono de dois terços da terras circunvizinhas. Este, por sua vez, entregou o governo da cidade e parte dessas terras ao seu irmão Bias. Hoje, o trono está sob o controle do rei Adrasto, descendente direto de ambos Bias e Melampo.

Na cidade capital de Micenas, Eléctrio governava com sabedoria após o reinado do seu pai, Perseu, mas foi morto por seu genro Anfitrião. Embora clame que tudo foi um infeliz acidente, Anfitrião foi perseguido pelos irmãos de Eléctrio tendo que fugir para a cidade de Tebas. Uma disputa entre os seis irmãos de Eléctrio pelo trono de Micenas tomou conta, mas foi seu sobrinho, Euristeu, quem finalmente assumiu o governo da cidade.

A Aliança

A turbulência política que seguiu a morte do rei Perseu fez com que ambas as capitais do mundo civilizado perdessem sua influência. Como as cidades do Hélade são independentes, para evitar o caos, algo precisava ser feito. Felizmente, os sete reis mais influentes mantiveram tão importante aliança com ambas as cidades de Argos e Micenas, jurando manter a paz nos territórios ao seu redor. Estes reis aliados hoje são:

1) Euristeu de Micenas
2) Adrasto de Argos
3) Tíndaro de Esparta pelo Peloponeso;
4) Egeu de Atenas pela Attica;
5) Etéocles de Tebas pela Beócia;
6) Pélias de Iolcos pela Tessália;
7) Oneu de Calidão pela Calidônia;
8) Eurito de Ecália pela Macedônia;
9) Minos de Knosso por Minoan

A População   

Devido ao terreno irregular, muitos territórios do Hélade estão em áreas de difícil acesso e todos os dias mais pessoas chegam ao império em busca das oportunidades. Por essas razões, a grande parte dos dados é puramente especulativa.

Estima-se que dentro de as fronteiras do Hélade residam cerca de dois milhões de habitantes, entre cidadãos livres e escravos. Todos agrupados em quase vinte mil cidades catalogadas. Em sua maioria, cada cidade possui apenas algumas centenas de pessoas. A maior comunidade certamente é a cidade de Atenas onde vivem quase vinte mil cidadãos livres. Respectivamente, as cidades de Argos, Esparta, Iolcos, Tebas, Knosso, Ecália, Corinto e Micenas vêm em seguida.

Os Escravos 

A questão escravista possui extrema importância na sociedade micênica. Os escravos hoje correspondem a quase um quarto da população, mas essa proporção varia de cidade para cidade sendo Esparta a mais dependente deles com três escravos para cada cidadão livre. Por isso, há sempre o pavor constante de rebelião.

Quase todas as casas micênicas possuem ao menos um escravo enquanto os nobres e ricos possuem dezenas deles conforme o seu grau de riqueza e importância. Na sua grande maioria, esses escravos são prisioneiros de guerra ou criminosos, mas uma parte considerável vem da venda de si mesmos ou dos próprios filhos para pagar débitos ou fugir de situações de extrema pobreza. Essa é uma situação humilhante, utilizada como último recurso de um micênico. Afinal, um senhor de escravo tem total direito sobre suas vidas. Ele pode vender, ferir, abusar sexualmente e até matar um escravo se assim desejar.

Nenhuma das nove grandes cidades do Hélade defende a abolição de escravos. Todas elas legalizam, utilizam e dependem dos escravos na sua economia. Eles são os grandes trabalhadores da agricultura, da mineração e dos serviços domésticos. Na verdade, a escravidão está tão enraizada na sociedade que o conceito de abolição é simplesmente inconcebível e ilógico na mente de qualquer cidadão micênico.

As Raças

Micenas é uma civilização cosmopolita e aberta a todos os povos. É comum encontrar membros de outras raças nas ruas das suas cidades, sejam moradores ou visitantes. Como uma estimativa, acredita-se que de cada três residentes deste território, pelo menos um faça parte de outra raça. O próprio fundador Perseu (e toda a família real de Argos e Micenas) é descendente de imigrantes Medos.

Depois dos micênicos, chamados de bem-nascidos, os povos Medos, Dátilos e Ninfas preenchem quase sozinhos a população imigrante e fazem parte da convivência diária nas cidades da civilização micênica. Em seguida, os Centauros e Sátiros também não são difíceis de encontrar. Harpias, Hiperbóreos, Oceanidas e outras raças aliadas, no entanto, são bem raras, causando furor e espanto com sua passagem.

Embora não tenham direitos políticos, essas raças estrangeiras são parte fundamental na economia. Elas chegam às cidades micênicas e montam bem-sucedidos comércios, como vendas de tecidos dos Medos, as forjas dos Dátilos, as tavernas dos Sátiros e as lojas de magia das Ninfas. E Micenas está sempre aberta para recebê-los.

Leo von Klenze 1784 – 1864

A Lei

Todas as cidades da civilização micênica são independentes e possuem suas próprias leis, mas a maioria delas segue o modelo da cidade de Atenas. Nesse modelo, os julgamentos dos crimes sãos decididos em dois tipos de tribunais: a Corte dos Júris e a Corte de Ares.

A Corte dos Júris julga crimes menores de propriedade, débito, roubo, corrupção e violência. Essa corte é formada pela convocação de cidadãos em assembleia na praça da cidade. Durante o julgamento, o acusador realiza sua acusação com o tempo medido por um relógio de areia. Em seguida, o réu tem o mesmo tempo para realizar seu discurso de defesa (ou pedir para outra pessoa fazê-lo). Ao fim, todos presentes na assembleia realizam sua votação. Caso seja considerado culpado, o réu é obrigado a pagar pesadas multas ou é condenado à escravidão.

A Corte de Ares julga os crimes de homicídio, tirania e traição. Como todos os julgamentos, o acusador discursa primeiro e o réu discursa em seguida. No entanto, a votação é realizada pelos integrantes da Rocha de Ares, conselho de sábios formado por oficiais do alto escalão do governo. Se o réu for considerado culpado, ele é condenado a morte ou ao exílio.

Após condenado, o réu não tem direito de apelar ou de novo julgamento. Assim, a justiça da civilização micênica é rápida. Todas as sentenças não duram mais que algumas horas para serem dadas. Note que a punição dos crimes raramente inclui a prisão do acusado. Isso por que os governos consideram a manutenção de calabouços muito custosa para os cofres públicos. Mas eles existem e são usados principalmente em caráter temporário durante os julgamentos da Corte de Ares.

A Economia

O comércio entres os povos micênicos é realizado com moedas de ouro cunhadas nas minas da Macedônia. Essas moedas possuem um brilho amarelado bem claro já que o ouro é misturado à prata para facilitar sua cunhagem. As moedas são padronizadas com o mesmo peso e tamanho, recebendo o nome de  “Óbolo”. Cada cidade coloca seu símbolo nas inscrições da moeda para que se reconheça sua origem, mas isso não impede que as moedas de uma cidade possam ser utilizadas em outras.

A principal fonte de alimento em todo o Hélade são os grãos de cevada que, na grande maioria, são importados da região ultramarina de Éfeso controlada pela Attica. Através dela, são produzidos o pão e a farinha. Os micênicos possuem algumas criações de gado e suínos, mas o principal artigo pecuário são ovelhas e cabras que fornecem a proteína da carne, a lã das roupas e a bebida de leite. Os cavalos para montaria são artigos de luxo sendo, em sua grande maioria, provenientes da região da Tessália.

Outros artigos alimentícios importantes são o óleo de oliva, utilizado na preparação de quase todos os pratos, e as uvas, utilizadas na produção de vinho. O vinho é extremamente importante por ser a principal bebida alcoólica da civilização micênica. É tão adorada e utilizada nas festas, que o viajante Báco Dionísio, divulgador de rituais com a bebida, ganhou status de um deus.

Grandes mestres artesãos produzem as principais obras da arte e decoração micênica. Os grandes centros desse ofício estão Atenas e Iolcos, embora Minoan seja particularmente conhecida por sua habilidade com os metais. 

Michel Ange Houasse 1680 – 1730

As Celebrações

Os micênicos amam festejar importantes momentos da vida, sejam casamentos, nascimentos, funerais, coroações, festivais divinos e muitos outros, com grandes banquetes de animais sacrificados. As partes nobres do animal são compartilhadas por todos durante o evento. A gordura é enrolada ao redor do fêmur e então queimada em fogo sagrado como oferenda aos deuses e para assim emanar sua fragrância ritualística.

Os casamentos micênicos são realizados no verão quando os pais da noiva escolhem um marido com a reputação e riqueza que melhor conseguiram para sua filha. Neste dia, o noivo banqueteia esplendorosamente com os pais da noiva e os convidados durante todo o dia, assistindo a competições esportivas e discursando palavras de alegria. Enquanto isso, a noiva é banhada com a água ungida pelos sacerdotes divinos para marcar sua nova vida de casada. Ela é então levada aos festejos, com um véu cobrindo seu rosto. O noivo a recebe, torna público os seus votos e a coloca numa carruagem. Ambos partem para sua nova casa enquanto os convidados jogam castanhas e frutas secas sobre suas cabeças para simbolizar prosperidade e fertilidade. Enfim, no quarto do noivo, ambos consumam o casamento sob o som de altos hinos que tanto homenageiam os deuses quanto abafam as dores da mulher por ser esta presumivelmente sua primeira penetração.

O nascimento de uma criança é celebrado no sétimo dia após o parto, quando se tem a certeza da saúde da mãe e do recém-nascido. As celebrações ocorrem ao fim da tarde, com a casa ornamentada externamente por ramos de olivas se for um bebê masculino ou algodão se for feminino. Todos se juntam ao redor do “Coração do Lar”, que na tradição micênica é uma vela que deve sempre estar acesa na morada de uma família para homenagear à deusa da paz. Ali, todos caminham e dançam durante a noite até culminar no ponto mais alto da celebração quando os pais revelam o nome da criança aos convidados.

Os funerais micênicos começam quando o defunto tem o corpo banhado e ungido em óleo dos pés à cabeça por sacerdotes ou familiares. Ele é coberto por uma manta branca só com o rosto descoberto para receber os que vão chorar por sua partida e prestar as últimas homenagens. Do lado de fora, por dias, todos banqueteiam contando histórias em turnos sobre o falecido e realizando competições esportivas em tons sóbrios. É costume todos cortarem os cabelos para que fiquem bem curtos em sinal de luto, incluindo as mulheres. Enfim, chega o dia em que todos partem em procissão até sua pira funerária. O corpo é levado pelos familiares e amigos mais próximos. O instrumento de trabalho do morto é colocado em sua mão direita, um pote de mel é colocado em sua mão esquerda e em sua boca é colocada a moeda para o balseiro espiritual. A cerimônia se encerra ao se atear fogo na pira, cremando o falecido.

Noeh Halle 1711 – 1781

Os Jogos

Uma característica importante da cultura micênica é o amor ao esporte. Eles realizam jogos em quase todos os seus eventos sociais como em aniversários, casamentos, coroações e até funerais. Para os micênicos, os jogos não são apenas uma questão de diversão, mas de religião. Os dois maiores eventos regulares são exatamente os Jogos de Elêusis, em homenagem à deusa Deméter padroeira da cidade, e os Jogos de Olímpia, onde Zeus é reverenciado por ser a representação do poder.

Os jogos da cidade de Olímpia, em especial, possui o maior estádio esportivo do Hélade cuja pista de atletismo foi medida pelos passos do herói Héracles e onde está a mais grandiosa obra da escultura micênica: uma estátua de quase quinze metros de altura esculpida em marfim com o divino Zeus sentado em seu trono, que sobre seus ombros há um manto de ouro puro. Os jogos de Elêusis, por outro lado, é famoso pelo festival que ocorre em paralelo num evento que mistura orações, arte, história, comida e vinho.

Os participantes dos jogos, independente do local onde ocorre, competem em cinco modalidades: Corrida, Salto, Carruagem, Arremesso e Combate. Eles podem competir tanto em disputas individuais dessas modalidades quanto em conjunto na forma de Pentatlo. Sempre no fim dos eventos, um grande banquete é realizado para todos que participaram e assistiram, quando são premiados os ganhadores com coroas de oliva e prêmios em dinheiro.

Os Exércitos

William Russel Flint 1880 – 1969

Cada cidade é independente para possuir o seu próprio exército. E guerras podem ocorrer entre duas cidades embora isso seja cada vez mais raro desde a fundação da civilização de Micenas. Estima-se que existam, no total, cinquenta mil soldados em todas as vinte mil cidades dos sete Grandes Territórios. As cidades capitais possuem em média duzentos a quinhentos soldados em suas fileiras. As cidades médias não atingem mais que algumas dezenas deles em seus exércitos. E os pequenos vilarejos, que compõem a maioria das cidades micênicas, não possuem mais que um grupo de meia dúzia de guerreiros.

Em situações especiais, um rei pode reunir os exércitos das cidades independentes em campanhas maiores. Houve apenas duas ocorrências desses exércitos em larga escala desde a fundação de Micenas, quando se conseguiu reunir cerca de dois mil soldados em cada lado do conflito.

A primeira ocorrência foi após a declaração de guerra do rei Minos contra Attica há mais de duas décadas atrás. E a outra ocorrência veio das cidades da Macedônia que até hoje combatem os bárbaros Hiperbóreos do Norte. No entanto, o rei Adrasto de Argos tem reunido por todo o Hélade o mais poderoso exército já visto com o objetivo de atacar a cidade de Tebas. Ele ainda não fez uso desse exército, mas quando isso ocorrer as proporções serão catastróficas.

Forcas Militares

O soldado de infantaria veste por cima de sua túnica uma pesada armadura metálica que protege todo seu corpo. Na cabeça, utiliza um elmo ornamentado com crina de cavalo e com uma fenda em “Y” para os olhos e respiração. O grande símbolo de suas vestimentas, no entanto, é o pesado escudo com o emblema de sua cidade. Esses soldados utilizam duas armas. A lança é utilizada quando os soldados estão agrupados para as batalhas (formação conhecida como falange) e a espada é utilizada para combates individuais, quando fora da formação.

A arquearia possui uma posição de destaque nos exércitos micênicos servindo para os ataques a distância contra os inimigos e suporte à infantaria. Em geral, os arqueiros não utilizam armaduras metálicas, escudos e elmos. Eles vestem apenas roupas leves de couro ou tecido. Nas costas, usam a aljava com flechas enquanto uma das mãos segura o arco. Algumas cidades, principalmente as cidades Minoanas, utilizam catapultas que lançam grandes pedras contra seus inimigos, mas o seu uso não é comum.

William Russel Flint 1880 – 1969

A cavalaria é uma força militar recente introduzida na batalha pela Tessália. Ela é praticamente inexistente nos outros territórios cujo terreno montanhoso do Hélade dificulta sua utilização. O seu principal propósito na guerra é proteger os flancos da infantaria ou realizar táticas de combate rápido do tipo atacar-e-recuar. Em geral, para torná-los mais velozes, os cavalos não possuem armaduras. Mas os soldados mais ricos estão livres para colocá-las. Os cavaleiros utilizam espadas, lanças e armaduras semelhantes às utilizadas pela infantaria.

Por último, mas não menos importante, a Marinha. Embora as embarcações em geral possuam velas, os remos são a principal forma de propulsão. Esses remos são movimentados por soldados ou escravos organizados em grupos de três por todo o casco. Por essa razão, essas embarcações são chamadas Triremes. Raramente, essas embarcações utilizam artilharia ou fogo-vivo nos ataques (os casos raros são dos minoanos). As principais formas de ataque são a Albarroada ao bater no inimigo com uma peça de bronze frontal ou a Abordagem ao se aproximar o bastante para seus tripulantes saltarem na embarcação adversária.

Cidades