Trácia

A Civilização dos Selvagens

Rei: Diomedes
Idioma Local: Daco-Trácio

O grande dilúvio enviado por Zeus para destruir o Hélade não atingiu as florestas da Trácia. A região é habitada desde tempos imemoriais por várias tribos selvagens que sempre digladiaram entre si. A última grande disputa de poder ocorreu há poucas décadas quando o poderoso Boreas, senhor dos ventos do Norte, chegou na região. Ele trouxe consigo o filho Licurgo, que em sua ambição expulsou o irmão Butes para tomar o controle da região. No entanto, o governo de Licurgo não durou muito tempo.

A chegada do deus-viajante Baco Dionísio, conhecido por seus festivais regados a muito vinho e alucinógenos, causou a fúria no então rei da Trácia que planejou uma armadilha. O rei Licurgo chegou a pensar que havia conseguido tal feito ao esquartejar o deus-viajante, mas foi tudo uma alucinação. Um dos súditos do rei Licurgo da tribo dos Cicones, chamado Cáropes, avisou o deus-viajante por intermédio do seu filho Éagro, que havia participada da viagem desse deus pela Índia. Juntos, O deus Baco e seu fiel companheiro Éagro prepararam uma armadilha, que culminou na alucinação e na morte de Licurgo.

O deus-viajante entregou o governo da Trácia a Éagro e transformou seu pai num sacerdote de seu culto. O rei Éagro se tornou famoso. Chegou a ter um romance com a musa Caliope das poesias épocas. Infelizmente, os governantes na Trácia não duram muito tempo. Essa é uma característica da região que permanece. Recentemente, um novo líder tribal, bem mais violento e cruel, chamado Diomedes da tribo dos Bistones, filho do deus da guerra, surgiu na região.

O rei Diomedes é infame por ter ensinado as éguas de sua carruagem a comer a carne humana. Não raro, ele é visto entregando o corpo de seus inimigos para esses animais nefastos. A vida, que era um pouco mais festiva e musical sob o comando de Éagro, retornou ao caos sanguinolento que sempre reinou a região. Os seguidores do deus-viajante oram por dias melhores. Eles até profetizam que um grande herói, irmão do grande Baco Dionísio, surgirápara matar o novo rei. Infelizmente, para todos, se opor ao rei Diomedes só lhes trouxe a certeza de virar comida para suas éguas.

 

Polimestor 

O príncipe Plimestor é o filho do violento rei Diomedes, que adora entregar seus adversários a suas éguas canibais. O próprio Polimestor foi educado e treinado no mundo violento do seu pai. Ele está prometido em casamento com a princesa Iliona de Troia, filha de Príamo, numa união que aumentará a influência da tribo Bistone.

Certamente, o príncipe Polimestor possui uma ganância ainda maior que a do pai, sem as qualidades estratégicas que fizeram deste o rei da Trácia. Na verdade, o rei se preocupar que o filho parece mais interessado no brilho do ouro, que o fazer se vestir com inúmeras joias, que com os conhecimentos militares. E não há dúvida nas profecias que a sede por ouro um dia será a ruína do príncipe.

 

Sebastiano del Piombo 1485 – 1547

Tereu

Tereu também é filho do deus Ares, mas nem todos os filhos da guerra são amantes da guerra. Isso não significa que ele tenha um coração bom. Pelo contrário, Tereu é um psicopata perigoso. Muito pior do que seus irmãos guerreiros.  Ele está casado com Procne com quem tem um filho. Mas ele sempre nutriu desejo pela sua cunhada Filomena. Respeitando a irmã, a bela Filomena nunca alimentou as investidas de Tereu. No entanto, as constantes rejeições afloraram seu lado psicopata. Num negro dia, Tereu violentou Filomena e, ainda hoje, a mantém prisioneira nos subterrâneos de sua casa.

O psicótico Tereu contou a Procne que sua irmã estava morta e seu corpo havia sido levado pelas correntezas. Esta, sem acreditar na palavra do mentiroso cunhado, ainda procurou sua irmã com a ajuda da amiga Latusa, que é casada com o líder guerreiro Linceu. Infelizmente, todas as buscas foram infrutíferas. Enquanto isso, Filomena continua em seu terrível cárcere, impossibilitada de se comunicar com o mundo exterior e constantemente violentada por esse homem doentio. Ela tem tentado enviar cartas a sua irmã para que possa ser salva, mas até o momento esses avisos não chegaram a Procne.

 

Jean-Baptiste-Camille Corot 1796 – 1875

Orfeu

O rei Éagro dos Cicones governou a Trácia por muitos anos com sabedoria e bondade. Ele e seu pai Cáropes foram os maiores sacerdotes do deus-viajante Dionísio Baco na região, sempre divulgando seus rituais cheios de música, vinho e sexo. Foi num desses festivais que o rei conhecei a musa Calíope da poesia épica, com quem teve dois filhos: Lino e Orfeu.

Orfeu tem a titã Caliope, a musa da poesia heroica como sua mãe, e , desde cedo. mostrou incrível habilidade com a Lira. Os seus dons cresceram imensamente depois de conhecer o irmão mais velho Lino, que foi o maior músico do Hélade até ser assassinado por Héracles em Tebas. Os dois irmãos mantiveram o contato por anos, influenciando um ao outro. No entanto, quando o líder Diomedes conquistou sua terra natal, a vida de Orfeu mudou drasticamente.

O violento Diomedes marchou sobre sua tribo paterna e assassinou seu pai Eagro. Assim, o herói foi obrigado a fugir para o Hélade. Orfeu possui uma extrema habilidade com sua lira capaz de encantar todos à sua volta. Hoje, é ele quem está encantado pela bela ninfa Euridice. Está perdidamente apaixonado por ela embora ainda se considere muito jovem para o matrimônio. E, enquanto percorre Micenas sobrepujando o talento e a fama do famoso irmão, a bela Euridice o aguarda.

 

Fobo, Deimo e Adrestia

Esses são os irmãos de Diomedes nascidos da união do deus Ares com a deusa Afrodite. Eles são os generais dos exércitos da Trácia. E compartilham entre si de uma insaciável sede de sangue e violência. Eles não entendem a paz criada por seu irmão e o pressionam para a guerra.

Fobo e Deimo são as representações do medo e do terror que eles criam nos seus adversários. A ferocidade dos dois nos combates faz jus à descendência de Ares e a beleza de seus movimentos revela a descendência de Afrodite.

Adrestia é uma poderosa guerreira que poucos são capazes de derrotar. Ela é a pura personificação da vingança e do desejo por destruição. É aquela que mais pressiona o líder Diomedes a atacar o débil povo de Micenas.

Grabrelief für Juri und Miranha von Johann Baptist Stiglmaier, 1824

Boreas

Os deuses dos ventos sempre foram misteriosos para o povo de Danaãs, pois sempre moraram nos limites do mundo conhecido. Isso não é diferente para Boreas, o senhor dos ventos do norte, que até poucas gerações era bem desconhecido. Ele foi até o Hélade a convite do senhor dos ventos Éolo quando este reinava sobre Iolcos e conheceu a princesa Orítia de Atenas por quem se apaixonou. Quando o velho deus de cabelos congelados viu a princesa dançando sobre os montes de areia nas margens do rio Iliso, ele a raptou até as terras geladas da Trácia onde sempre residiu.

O poderoso Boreas já possuía dois filhos chamados Licurgo e Butes, que disputaram ente si o trono paterno, com o primeiro assumindo o trono da Trácia e o segundo expulso para o sul dessas terras. No entanto, ambos acabaram mortos pelo deus-viajante Baco Dionísio em diferentes circunstâncias. O rei Licurgo foi morto por armar uma armadilha contra o deus-viajante na tentativa de impedir sua entrada na Trácia enquanto o exilado Butes foi morto na Tessália como punição por tentar estuprar uma das seguidores desse mesmo deus chamada Coronis.

Depois desses eventos, a Trácia passou a ser governada por reis não relacionados com o velho deus Boreas. Hoje, ele vive com sua esposa Orítia no alto dos montes Hemo e Rodope, que já foram gigantes guerreiros castigados pr terem ofendidos os deuses. Os quase trinta anos de relacionamento com a princesa ateniense lhe geraram dois filhos alados chamados de Zetes e Calais, que no ímpeto da juventude viajam pelo mundo em busca de aventuras. A última notícia deles é que estavam a caminho da cidade de Iolcos para participar de uma expedição com outros grandes heróis em busca de um artefato mágico.