Micenas

Capital da Civilização

Rei: Euristeu
Território: Argólida
Símbolo: Os Leões Unidos

Quando Perseu causou a morte acidental do seu avô, o rei Acrísio de Argos, envergonhado, ele foi incapaz de suceder o homem que morreu por suas mãos. Ele entregou o trono da gloriosa cidade para o seu primo Megapente. Afinal, nunca foi seu desejo ter um reino próprio embora o destino tivesse grandes planos para ele. Os habitantes da devastada vila murada de Tírinto, cujo rei era Megapente, vendo-se abandonados por seu regente, suplicaram ao heroico Perseu para que ele os governasse. O herói aceitou. No entanto, a vila estava arruinada pela guerra que seu avô fizera por décadas contra ela. A decisão de Perseu foi realocar parte da sua população para um novo sítio, fundando assim uma nova cidade. Esse foi o início da cidade de Micenas.

Através de alianças políticas forjadas pela liderança de Perseu, a cidade de Micenas se tornou o epicentro de uma grande nação. Perseu e Megapente juraram governar essa grande aliança como iguais. Infelizmente, a idéia não funcionou. E o final da história, todos já conhecem. O assassinato de Perseu por Megapente fez o império tomar um rumo inesperado com a aliança das sete mais importantes cidades do mundo civilizado. O novo governante de Micenas passou a ser Eléctrio, filho de Perseu, que vingou a morte do pai com o assassinato de Megapente. O rei Eléctrio ainda governou a cidade por muitos anos com sabedoria e justiça, mas morreu acidentalmente pelas mãos do seu genro Anfitrião. Só depois de muitas disputas pela sucessão da cidade, um novo governante assumiu o trono. O seu nome é Euristeu, sobrinho do antigo rei. Infelizmente, o novo rei possui índices de rejeição altíssimos entre seus súditos. Toda a cidade odeia ele. 

Sociedade 

Uma grande preocupação acomete a população da capital micênica. O seu fundador foi o renomado Perseu, o maior herói de todos os tempos. Ninguém esperava que seu filho sucessor pudesse realizar tão incríveis feitos e alcançar a mesma grandeza do famoso pai. Felizmente, o rei Eléctrio superou as expectativas. Não só vingou a morte do pai como também reconquistou o gado micênico que fora roubado pelos inimigos Táfios e venceu a rebelião liderada pelo infame Mestor. Não saiu da sombra paterna, mas foi um sucessor aclamado por toda a população. O mesmo não se espera do jovem rei Euristeu. O rapaz é considerado um covarde, de poucas convicções e tão mimado que nunca conseguiu se livrar do controle da mãe. Mesmo porque as condições em que Euristeu assumiu o governo em nada ajudam sua má fama.

Primeiro, o antigo rei Eléctrio já escolhera seu sucessor antes mesmo de morrer. O heroico Anfitrião liderou os exércitos micênicos na conquista de Calidão e da Macedônia. Além disso, foi o grande herói na retomada do gado micênico roubado pelos Táfios. Só depois dessas vitórias o rei Eléctrio lhe concedeu a mão da princesa Alcmena. Todos o adoravam. Foi um banho de água fria quando Anfitrião causou a morte do sogro num acidente que seria cômico se não fosse trágico.

Segundo, toda a campanha difamatória para retirar Anfitrião da linha de sucessão foi liderada por Estenelo, outro dos filhos de Perseu, irmão de Eléctrio. Muitos acreditavam que Anfitrião deveria ser perdoado pela morte do sogro, mas Estenelo o perseguiu até que fosse condenado ao exílio. Por fim, a população aceitou que Estenelo sucedesse o irmão. No entanto, logo que assumiu o governo de Micenas o próprio Estenelo morreu de uma misteriosa doença.

Euristeu, filho de Estenelo, assumiu o governo da cidade em péssimas condições e até seus aliados reconhecem sua total falta de carisma. Após toda uma sucessão de líderes-heróis ter um monarca com essas características é inadmissível. Resta saber se Euristeu conseguirá sair da sombra materna para se tornar um rei aceito pela população. Caso contrário, a situação poderá ficar insustentável.

 

Jean-Francois Pierre Peyron 1744 – 1814

Nicipe e Copreu

O finado Estenelo venceu a disputa pela sucessão do governo de Micenas, tendo ao lado de Niccipe, sua esposa, e Copreu, seu cunhado. Ambos os irmãos são filhos de Pélopes, rei de Olímpia e antigo companheiro de aventuras de Perseu. Embora tenham nascido na cidade paterna, ambos os irmãos são as mais proeminentes figuras de Micenas, agindo como conselheiros diretos do rei Euristeu.

Nicipe sempre foi uma mulher independente, habilidosa e reconhecida por sua incrível perícia na cavalaria. Ela nunca quis ser um instrumento do pai Pélopes que sempre buscou engrandecer sua Casa, infiltrando seus filhos e casando suas filhas nas principais cidades do Hélade. Tudo o que Nicipe desejava era a liberdade para galopar pelas paragens micênicas. Por isso, casar-se com Estenelo foi como colocá-la numa jaula. A única coisa boa que surgiu dessa união foi Euristeu, seu único filho. E, apesar dos rumores que se espalham pela cidade, sobre ela envenenar o próprio marido para ascender o filho ao trono ou sobre uma relação incestuosa, ela apenas deseja o melhor para o filho e que todos enxerguem nele o grande herói que ela vê.

Copreu hoje assume as funções de mensageiro e embaixador da cidade de Micenas por todo Hélade. Sempre está viajando e dizem que ele faz tudo o que Euristeu lhe ordena. No entanto, rumores contam que é Copreu quem manipula o jovem Euristeu e realmente governa a cidade. Os mesmos rumores também contam que, junto com sua irmã, ele envenenou o rei Estenelo para alcançar ambições maiores. Até agora, nada foi provado e Copreu segue poderoso.

 

Licímno

O jovem Licímno é o filho bastardo do finado rei Eléctrio. Ele nasceu do relacionamento que este teve com uma escrava das terras desérticas da Frígia. Enquanto o rei estava vivo, sua mãe era uma mulher livre e o pequeno Licímno era tratado com respeito. Tudo mudou após a morte de Eléctrio. A mãe de Licímno foi escravizada outra vez, o que a obrigou a abandonar seu filho para que este não tivesse um destino igual ou pior.

Os últimos dez duros anos nas ruas micênicas transformaram Licímno num homem habilidoso e de fortes convicções. Ele chegou a acompanhar o heroico Anfritrião nas guerras contra os Táfios e os Teleboas. No entanto, sua mãe se manteve escravizada dentro do palácio real durante todo esse tempo. Infelizmente, o rei Euristeus é conhecido por maltratar seus escravos, de forma que, cada dia mais, Licímno deseja salvar sua mãe do jugo dos seus senhores escravocratas. Cada dia mais, fica mais indignado com essa instituição malévola que é a escravidão. Cada dia mais, deseja tomar uma atitude. Deseja mudar toda essa injustiça!

 

Leucipe e Calcas

A bela Leucipe descende de uma família de profetas importantes que sofreu uma terrível tragédia vinte anos atrás. A irmã de Leucipe, chamada Teone, quando criança, foi capturada por piratas, levada às terras do deserto de Faeton e vendida como escrava para um líder local. O pai de Leucipe, o profeta Testor, navegou até o grande deserto para resgatar a filha, mas nunca retornou. Acredita-se que, se já não estiver morto, o profeta também foi feito escravo.

Agora, passados vinte anos destes eventos, tanto Leucipe quanto seu irmão Calcas seguiram a vocação do desaparecido pai. Ambos cresceram e se ordenaram sacerdotes do deus Apolo. Tornaram-se grandes profetas da cidade de Micenas. O deus da profecia assim lhes transmitiu grandes visões, revelando que Calcas um dia se tornaria o mais proeminente profeta do mundo civilizado, tutelando um grande rei micênico numa grande guerra que está por vir.

Para Leucipe, o deus da profecia revelou: “Viaje pela Terra como minha sacerdotisa, pregando meu culto nas terras do Leste que seus desaparecidos pai e irmã serão encontrados”. Ao ouvir esta revelação, Leucipe deixou Micenas para trás. Ela agora busca um grupo de aventureiros para com eles percorrer as terras desérticas do Leste e disseminar o culto de Apolo enquanto busca por seus familiares perdidos.

 

Alexander Andreyevich Ivanov 1806 – 1858

Alcmena

Certo dia, Anfitrião estava conduzindo o gado micênico junto com o sogro quando foi punir um touro desobediente. Ele lançou uma clava sobre a cabeça do animal, mas, para sua infelicidade, a clava desviou nos chifres e acertou o sogro. Este morreu de imediato com o golpe não intencionado. Num único dia, Anfitrião deixou de ser o herói do povo para se tornar um inimigo público.

A princesa Alcmena era a mais bela filha do rei Eléctrio de Micenas. Quando seus irmãos morreram tentando recuperar o gado miceaniano roubado pelos Táfios, o rei prometeu que aquele que os vingasse em combate e recuperasse o gado, poderia se casar com a bela Alcmena e assim se tornar seu sucessor. Enfim, o grande Anfritião, o maior herói da geração pós-Perseu, conseguiu esse feito. Ele se casou com a bela Alcemena. Teve dois filhos com ela. Estava destinado a ser o rei de Micenas um dia.

A campanha difamatória contra o heroico Anfitrião, perpetrada pelos irmãos de Eléctrio, foi terrível e desproporcional. Anfitrião, Alcmena e seus dois filhos tiveram que deixar Micenas para trás. Foram exilados de sua terra natal. Viveram os últimos vinte anos de suas vidas reclusos na cidade de Tebas. Nunca mais se ouviu falar daquele que era o maior herói de sua geração. Foi esquecido. Só algo de muita importância retiraria Alcmena da sua reclusão em Tebas.

O seu filho, Héracles, detentor de uma força descomunal, mas também de acessos de fúria incontroláveis, numa de suas crises, matou a esposa e os próprios filhos. Foi um crime bárbaro, incapaz de encontrar perdão na cidade de Tebas, onde hoje vive. Condenado a morte, a única esperança de Alcmena para salvá-lo é suplicar ao rei Euristeu para que este interceda em seu favor. Aquela que deveria ser uma rainha se tornou a suplicante do homem que tomou seu trono, mas a bela Alcmena tentará de tudo para salvar a vida do amado filho.